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domingo, 30 de março de 2008

ALMA DO NORDESTE - JOVINO SANTOS NETO (ADVENTURE MUSIC 2008)


Agradável, colinas verdejantes , provavelmente a primavera em mente , quando pensamos no Nordeste do Brasil. Rica em cultura e tradições , bem como em clorofila , as áreas de Pernambuco , Paraíba, Sergipe e, particularmente, o Estado costeiro de Alagoas , tendo todos produzido muitos renomados artistas. Um destes, multiinstrumentista e compositor , Hermeto Pascoal , um fascinante músico iconoclasta, teve em sua banda Jovino Santos Neto no período de 1977 a 1992.

Em "Alma do Nordeste" , Jovino Neto oferece um programa diversificado, que inclui uma ampla aquarela multicolorida de peças típicas e musicalmente transpostas através de pessoais encontros com a alma, o espírito e a diversidade cultural da região. Como seu mentor , o pianista transmite a beleza e o apelo multifacetado do Nordeste.

Com a colaboração de um grupo de competentes músicos brasileiros , Jovino Neto emoldura suas músicas em um som contemporâneo, com toques jazzísticos, em uma suave fusão, que às vezes se aproxima de um clima festivo. Fora deste clima, chama a atenção o tom rascante do gaitista Gabriel Grossi em duas faixas "Rede, Sossego e Chamego" e "Biboca" , bem como o baixista Dudu Lima, cujo toque relembra Jaco Pastorius. Apesar do estilo composicional e aspirações artísticas, muitos encontrarão nesta música uma confortável extensão do popular trabalho de Pat Metheny nos anos 80 e início dos anos 90.

Jovino Neto foi largamente influenciado pelo percussionista Airto Moreira. Assim não surpreende encontrar uma forte pegada e técnica de mestre no baterista Márcio Bahia, especialmente em "Amoreira" e "Forró Vino", com firmes acentos sincopados.

Exemplificando o velho ditado que toda música é tradicional, a faixa que abre o disco "Festa na Macuca" relembra o toque do acordeon ouvido em ocasiões festivas na Louisiana. Dentro da herança africana e consequentemente mais ritualística, "Passareio" é uma vinheta percussiva, com um par de flautas "chorando" sobre sons naturais com ritmo repetitivo da batida da bateria.

Em suma, não se precisa ir tão longe para entender este peculiar patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras , a gigante energética, além da própria qualidade artística, " Alma do Nordeste" de alguma forma simboliza uma sociológica dicotomia brasileira : Entusiasticamente olhando para o futuro, ainda que sob o peso de sua história, procurando caminhos que honrem seu passado, enquanto que, ao mesmo tempo, siga além dele.

Fonte ; AllAboutJazz - Martin Gladu

Um comentário:

Anônimo disse...

Estou escutando neste instante e é muito, muito bom!!!