Chico Pinheiro e Anthony Wilson: harmonias trabalhadas e virtuosismo do violonista paulistano chamaram a atenção do guitarrista norte-americano e resultaram no disco em parceria (Foto: Reprodução)
Uma reunião de influências jazzísticas entremeadas pela música brasileira. Assim é ´Nova´, de Chico Pinheiro e Anthony Wilson.
Virtuoso violonista e guitarrista, arranjador de mão cheia na tarefa de unir técnica e emoção, compositor de harmonias instigantes e melodias sinuosas e surpreendentes, cantor de timbre suave e cuidadosa colocação de voz. Com não mais que 23 anos já concluíra a graduação em performance e arranjo no referencial Berklee College of Music, em Boston. Conquistou o segundo lugar no Prêmio Visa Compositores em 2000, mesmo ano em que participou do Festival da Música Brasileira, da Rede Globo. Seu primeiro disco, lançado em 2003, apontou que algo de novo - e de muita qualidade - se fazia na música brasileira desta década. De quebra, chamou atenção para grandes instrumentistas e para as cantoras Luciana Alves e Maria Rita - bem antes de esta despontar como fenômeno de vendas.
Seu segundo álbum veio em 2005 e confirmou que nada de exagero havia nos tantos superlativos despertados. Com violões entre Baden e Pat Metheny, arranjos entre Peranzetta e Moacir Santos, canções e temas de veia extremamente pessoal entre o melhor das heranças brasileira e jazzística, Chico Pinheiro se consolidou como, mais que um jovem promissor de múltiplos talentos, um novo estilista de nossa música.
Agora, aos 33 anos, o músico paulistano apresenta seu novo trabalho: ´Nova´, um disco em parceria com o guitarrista jazzístico norte-americano Anthony Wilson. Talvez mais conhecido do grande público por seu trabalho ao lado da cantora Diana Krall, Anthony é filho do ´bandleader´ Geraldo Wilson e, assim como Chico, é guitarrista, compositor e arranjador. Gravou seis discos solo, o mais recente ´Power of Nine´, celebrado como um dos 10 melhores álbuns de jazz de 2006 pela revista New Yorker. A ´bíblia´ ´Downbeat´ também costuma relacionar anualmente em suas listas de melhores músicos o guitarrista que, entre outros, também atuou com Al Jarreau e Madeleine Peyroux.
Identificação musical
A idéia de um disco em duo surgiu de modo tão espontâneo quanto a própria convivência entre os músicos, iniciada via internet por iniciativa de um Anthony Wilson impressionado com os discos de Chico Pinheiro. ´Ele me escreveu dizendo que tinha gostado muito, se identificado muito com os meus discos. Seis meses depois ele veio ao Brasil, queria conhecer a Bahia, o Rio e deu uma desviada pra São Paulo. Avisei a ele que não era tão bonito, mas ele veio mesmo assim...´, brinca Chico, em entrevista ao Caderno 3. ´Acaba que ele ficou hospedado aqui em casa, e a gente ficou tocando sem parar uns três dias. Tocamos muitas músicas, ele botou umas coisas pra eu ouvir, eu mostrei outras. Foi muito interessante´, recorda, citando que a música brasileira estava longe de ser novidade para o colega norte-americano.
´O Anthony já conhecia tudo, era fã de Paulinho da Viola, Hermeto, Edu, adora Maria Bethânia... E eu senti que havia uma identificação, que ele havia ouvido muito meus discos, que tinha curtido mesmo´, conta Chico. ´Esse primeiro encontro foi tão natural e tão bom que a gente acabou resolvendo fazer alguma coisa juntos. Depois de uns quatro meses com cada pra lá e pra cá na sua agenda, gravamos as bases do disco, fazendo depois as coberturas, mais lentamente, com o Anthony aqui. Gostamos muito, foi uma festa fazer o disco´.
Gravadas em São Paulo, as bases contaram com o time de craques já entrosados à música do paulistano, com destaques como o pianista Fábio Torres, o baixista Paulo Paulelli, o baterista Edu Ribeiro e o percussionista Armando Marçal. Já o círculo de convivência de Anthony Wilson nos EUA ficou encarregada da seção de metais, bem mais pronunciada neste disco que nos anteriores de Chico, costurados por belos e bem dosados arranjos de cordas. Músicos como Vinicius Dorin no saxofone e Daniel D´Alcântara no flugelhorn ajudam no tempero brasileiro, assim como as participações de Ivan Lins e César Camargo Mariano no álbum, assim tecido no entrecruzar de São Paulo e Rio, Nova York e Los Angeles.
Dalwton Moura, Diário do Nordeste/Fortaleza
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