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sábado, 26 de abril de 2008

GEORGE CABLES - MORNING SONG (HIGHNOTES RECORDS-2008)


George Cables não tem aparecido muito ultimamente. Entretanto, ele foi proeminente nos anos 70 ao tocar com Art Blakey , Joe Henderson e Freddie Hubbard. Desde então, ele desapareceu da cena principal do jazz. Consequentemente, o lançamento de "Morning Song" , uma coletânea de performances de Cables nos anos 80 no " The Keystone Korner" em São Francisco é um importante artefato. Porém, o som comercial do final dos anos 70 pode soar datado, mas é uma valiosa lembrança de como as coisas eram.

Na época da gravação, a carreira de Cables estava em ascensão. No ano precedente houve o lançamento do álbum "Vision" (Contemporary, 1979), um ótimo disco com forte linha de frente, que incluía Freddie Hubbard e Bobby Hutcherson. Em 1980, Cables estava no auge de sua popularidade.

"Morning Song" apresenta belas peças do pianista, mas as ordens das faixas está mal disposta. Há três consecutivos solos , parecendo que o produtor agiu por inércia. O álbum abre com o acessível quarteto influenciado por Miles Davis em "On Green Dolphin Street" , então retorna para faixas solo até as de número 5 e 6, que predominam em quase toda a segunda metade do disco.

Em geral, as faixas solo têm mais potencial criativo que aquelas que utilizam quarteto. O trompetista Eddie Henderson não dá um bom suporte para Cables, particularmente em "Up Jumped Spring", composta por Freddie Hubbard. O toque sobre a influência de Hubbard não impossibilita a criatividade por parte de Henderson, mas não entusiasma, e a influência pop não encanta.

Solando, Cables falha no uso da sonoridade pop. Em outras ocasiões sua técnica e estilo, embora sem realce, merece consideração. Os solos nas baladas dá a impressão que estão envoltos em elementos do funk e dos ritmos latinos, a despeito de sua pegada lembrar que ele tem uma banda inteira na cabeça.

Cables não vai muito longe no seu toque, mas sua técnica permite surpresas ocasionais. Depois de versões sem novidades de antigos standards, como "Who Can I Turn To" e "As Time Goes By" a sensibilidade de Cables apresenta uma bela colcha de retalhos em "Polka Dots and Moonbeans". Em apenas 60 segundos, ele apresenta uma linha pentatônica de McCoy Tyner e move-se para um som ao estilo de Keith Jarrett. Ao mesmo tempo, ele alcança a melodia e apresenta um pouco de belos acordes de Bill Evans, então emite uma série de rápidos acordes, que soam como Oscar Peterson e Cecil Taylor juntos. A canção, em si, nunca sai da linha e sua trajetória está sempre aparente. O estranho é que estes momentos é que soam mais verdadeiros na gravação.

Fonte : All About Jazz / Jay Deshpande

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