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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

FLEA – HONORA (Nonesuch)

Lançado há menos de uma semana, "Honora", de Flea, já está sob o nível habitual de controvérsia interna. Mais um milionário do pop, diletante do jazz! De repente, ele toca trompete! E vai para a capa da DownBeat! Ele tem a mínima ideia do que está fazendo? Será que isso é mesmo jazz? De qualquer forma, será que pode ser bom mesmo?

Vamos responder primeiro à segunda pergunta: Não sei, mas não posso descartar essa possibilidade. Flea (famoso como o aclamado baixista do Red Hot Chili Peppers) provavelmente não começará a frequentar clubes ou jam sessions tão cedo. Porém, “Honora” está no mesmo patamar que álbuns de artistas como Thundercat ou Mark de Clive-Lowe, ambos também já analisados ​​nestas páginas. Grande parte disso é inclasificável. Melhor dizer que se situa algures no espectro do jazz.

Voltando à primeira pergunta, se ele sabe o que está fazendo: Na verdade não, mas essa é a questão. “Honora” é um experimento, Flea tentando algo novo e fora de sua zona de conforto. E ele tem uma ótima orientação. Flea é um iniciante relativo aqui, especialmente no trompete (que ele tocava quando criança), ele certamente não se considera um Clifford Brown. No entanto, acompanhantes como o guitarrista Jeff Parker, o saxofonista Josh Johnson (que também produz, com uso liberal de efeitos eletrônicos), o flautista Ricky Washington e a também instrumentista Anna Butterss possuem credenciais de jazz vanguardistas inegáveis, e o mantêm no ponto certo em peças como a atmosférica composição original de fusão "Frailed"; a lenta, porém impactante e emblemática "Free As I Want to Be", também original; e a surpreendentemente delicada "Wichita Lineman" (com o roqueiro Nick Cave em um vocal trêmulo, mas estranhamente apropriado). Flea confirma que sabe tocar swing em sua própria composição bebop "Morning Cry" e em "Traffic Lights", uma faixa quase pós-bop, mas também com influências de hip-hop (com Thom Yorke, do Radiohead, nos vocais). Há também alguns gestos sutis de swing em uma versão eletrônica e sombria de "Willow Weep For Me", embora estejam bem disfarçados em uma matriz rítmica de verso branco.

Finalmente, a última pergunta, aquela que te trouxe aqui: É bom? É sim. Tudo isso é levado a sério, mas com um espírito de aventura. Se ele não é um trompetista virtuoso (como é no baixo, usando esse instrumento para dar um toque funk sutil em "A Plea"), Flea se dedicou bastante ao trompete, e demonstra isso com uma interessante mistura de reverência e malícia. Essa mistura levanta algumas dúvidas em relação à versão dele de "Maggot Brain", do Funkadelic. Originalmente uma plataforma de improvisação para o guitarrista Eddie Hazel, Flea apresenta uma transcrição literal para trompete da primeira metade do solo de Hazel (com suaves acompanhamentos de flauta e vibrafone). É uma homenagem sincera, uma debochada "apropriação cultural" de uma obra-prima da música negra americana, uma demonstração de suas habilidades em desenvolvimento, ou tudo isso ao mesmo tempo? De qualquer forma, é bonito, mas também é a única coisa aqui que parece uma mera novidade.

Faixas

1.Golden Wingship 01:01

2.A Plea 07:38

3.Traffic Lights (feat. Thom Yorke) 05:41

4.Frailed 10:50

5.Morning Cry 03:31

6.Maggot Brain 04:52

7.Wichita Lineman (feat. Nick Cave) 04:22

8.Thinkin Bout You 04:10 vídeo

9.Willow Weep for Me 03:53

10.Free As I Want to Be 05:13

 Fonte: Michael J. West (DownBeat)  

 

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