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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

DAVE STRYKER - BLUE FIRE – THE VAN GELDER SESSION (Strikezone Records)

A gravação de “Blue Fire—The Van Gelder Session” apresenta o guitarrista se apresentando em um dos locais mais reverenciados do jazz gravado, e o cenário escolhido está longe de ser por acaso. Gravado no lendário estúdio Rudy Van Gelder, localizado em Englewood Cliffs, em Julho de 2025, o álbum se beneficia da própria atmosfera. Sua sonoridade calorosa, clara e com um toque de história, ao mesmo tempo que apresenta um trio de guitarra, órgão e bateria profundamente enraizado, que entende o balanço como disciplina e libertação. Acompanhado pelo organista Jared Gold e pelo baterista McClenty Hunter, Stryker oferece uma sessão tranquila, comovente e firmemente ancorada na tradição.

O álbum inicia com duas composições de Stryker: "Van Gelder's Place" seguida pela faixa-título, "Blue Fire". Estas peças funcionam tanto como reconhecimentos quanto como declarações de missão. Na primeira faixa, as linhas de Stryker são incisivas e influenciadas pelo blues, com o órgão de Gold criando um ritmo vibrante. O trabalho de Hunter com os pratos evoca o pulso clássico do trio de órgão sem nostalgia. A segunda faixa, que dá título ao álbum, mostra a banda elevando a intensidade, com um riff (NT: é um pequeno motivo musical ou frase instrumental curta e repetitiva que serve como base ou acompanhamento, criando identidade e energia para uma música) envolvente, enquanto Stryker improvisa melodicamente e o pedal do baixo de Gold mantém a autoridade musical.

A força interpretativa do programa fica mais evidente em seus standards. "The Fool On The Hill", de Lennon/McCartney, não é tratada como uma simples versão pop, mas sim como uma bossa nova com complexidade harmônica. Enquanto Hunter estabelece a batida contagiante, Stryker interpreta a melodia com uma dignidade serena, destacando sua natureza introspectiva. Gold reinventa a peça com uma suave reharmonização. Em contraste, "Dexterity", de Charlie Parker, é abordada com clareza e respeito pelas suas raízes no bebop. O trio evita o excesso de velocidade, concentrando-se, em vez disso, na articulação e no suíngue. As linhas de Stryker são incisivas e rápidas. Gold, organista, demonstra igual domínio do ritmo e da harmonia. Hunter exibe um virtuosismo vistoso em sua breve intervenção.

"The Folks Who Live On The Hill", de Jerome Kern, destaca-se como um dos pontos altos emocionais do álbum. Stryker aborda a melodia com ternura e paciência, permitindo que cada frase ressoe, enquanto o órgão de Gold permanece contido, quase orquestral em seu acompanhamento. A apresentação demonstra uma compreensão da tradição das baladas, livre de sentimentalismo. A faixa de encerramento, "Summer Night", de Harry Warren e Al Dubin, é reimaginada em um compasso 3/4, conferindo à música um novo perfil rítmico sem distorcer seu charme melódico. Stryker fraseia com uma confiança descontraída, permitindo que a melodia dance graciosamente pelas linhas do compasso, enquanto as harmonias de Gold mantêm a leveza e o dinamismo da música. O trabalho de Hunter, aqui, é prático, mantendo a vivacidade e o ritmo.

O álbum serve como uma reafirmação de valores atemporais: melodia, suingue, a força duradoura de um trio bem entrosado em um ambiente grandioso.

Faixas : Van Gelder's Place; Blue Fire; The Fool On The Hill; Dexterity; Waiting For Ruby; Back and Forth; The Folks Who Live On The Hill; Every Dark St.; Summer Night.

Músicos: Dave Stryker (guitarra); Jared Gold (órgão, Hammond B3); McClenty Hunter (bateria).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=JcK_Ekw9jww

Fonte: Pierre Giroux (AllAboutJazz)

 

 

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