quinta-feira, 3 de setembro de 2026

JAN BANG - ARVE HENRIKSEN - AFTER THE WILDFIRE (Punkt Editions)

Jan Bang é um músico, compositor e produtor musical que nasceu em agosto de 1968, em Denver, Colorado, mas cresceu em Kristiansand, na Noruega. Arve Henriksen é um trompetista, vocalista e compositor nascido em março de 1968, em Stranda, na Noruega. Para a 42ª edição do Skopje Jazz Festival, em 2023, Bang e Henriksen foram convidados a colaborar na criação de novas músicas. O resultado foi “After the Wildfire”. A obra foi apresentada pela primeira vez no festival com Bang no live sampling e eletrônica, Henriksen no trompete e voz, além do guitarrista Eivind Aarset e do percussionista Ingar Zach, acompanhados pela Orquestra do Instituto FAMES e vozes macedônias, com arranjos e regência de Dzijan Emin. Essa estreia revelou uma música situada entre gêneros — ambiente, folk e sinfônico —, tendo como principais características a inovação e a criatividade.

O álbum em si, “After The Wildfire (Punkt Editions, 2025)”, evoluiu significativamente em relação à versão do festival, mantendo, no entanto, todos os seus elementos. O álbum traz gravações adicionais realizadas no estúdio Punkt por Aarset, Bang e Henriksen, incluindo a faixa de abertura, "Seeing (Eyes Closed)", a faixa que abre o segundo lado, "Halfway Between Noon and Sunset", e a faixa de encerramento, "Remnants". "Seeing (Eyes Closed)" destaca o trompete etéreo de Henriksen e proporciona um início caloroso e envolvente. "Acadia" transborda emoções diversas, sejam elas tristeza, amor, perda ou aconchego. "Meridian Moon" sintetiza as emoções daqueles que contemplam o céu noturno — ou diurno — em busca de padrões ou de algum significado. "Grassland" é tensa e espaçosa: uma caçada silenciosa, um rosnado grave e o som abafado das patas de um predador. É uma música de vastas paisagens, onde a quietude esconde predadores que se movem furtivamente sob a grama alta.

No segundo lado, "Halfway Between Noon and Sunset" pulsa com uma inevitabilidade quase mecânica, precisa, porém assombrosa, enquanto "Pehlivan Fighters" irrompe com energia extasiada: heróis populares da alma erguendo-se diante de uma multidão invisível, o embate ritualístico como celebração comunitária, o ritmo como músculo e espírito. "Abandoned Cathedral II" é a desconfiguração da própria arquitetura, onde o presente assombra o passado e o passado assombra o presente, cada um racionalizando-se por meio de uma revisitação da perda. Por fim, "Remnants" deixa apenas um brilho tênue, o cintilar da luz sobre águas escuras, onde o que é definido se dissolve em sugestão. Escassa e frágil, é a imagem residual que permanece após um incêndio. Entrelaçada em toda a obra, encontra-se uma meditação sobre a força da natureza frente à impermanência dos empreendimentos humanos.

Faixas: Seeing (Eyes Closed); Acacia; Miriidian Moon; Grassland; Halfway Between Noon And Sunset; Pehlivan Fighters; Abandoned Cathedral II; Remnants.

Músicos: Jan Bang (live sampling, programação); Arve Henriksen (trompete, eletrônica,voz); Eivind Aarset (guitarra, eletrônica); Ingar Zach (percussão); Vera Josofovska Milosevska (vocal); Anastasija Ilievska (vocal); Jovana Bogdanoska (vocal); Milan Ninkovic (cello); Dzijan Emin (condução); Fames Institute Orchestra; Mario Kuzev: tapan [é um tambor tradicional de dupla face muito usado na música folclórica do Leste Europeu (Macedônia, Bulgária e Romênia)]; Andrej Trajikovski (kaval, zurla); Ropert Angelovski (kaval, zurlu).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assista ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=v5fP0qrn-v0

Fonte: John Eyles (AllAboutJazz)

 

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