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terça-feira, 3 de março de 2026

SNOWPOET (LAUREN KINSELLA& CHRIS HYSON) – HEARTSTRINGS (Edition Records)

Se a alma de um poeta está determinada a seguir a musa para onde quer que ela vá, isso significa estar pronto para aceitar altos e baixos emocionais — ou, se nem sempre estiver pronto, estar disposto a embarcar na jornada mesmo assim. A letrista Lauren Kinsella e o artesão sonoro Chris Hyson certamente exploraram diversas vertentes criativas sob o nome Snowpoet, cruzando as reflexões emotivas dela com o acompanhamento instrumental experimental-eletrônico-de-câmara-folk dele. A letrista Lauren Kinsella e o artesão sonoro Chris Hyson certamente exploraram diversas vertentes criativas sob o nome Snowpoet, cruzando as reflexões emotivas dela com o acompanhamento instrumental experimental-eletrônico-de-câmara-folk dele.

Uma banda tão emotiva não escolheria um título como esse levianamente e, certamente, seu quarto trabalho é uma obra mais assumidamente emocional do que nunca. Se “Wait For Me (Edition)”, de 2021, evocava amplas pinturas de paisagens repletas de pinceladas brilhantes e deslumbrantes, “Heartstrings” assemelha-se mais a uma série de naturezas-mortas domésticas. Seus fluxos de consciência são desarmadamente comuns e simples. São imagens de pessoas em quartos, cafés ou desfrutando de momentos juntas no carro, geralmente absorvendo os momentos mais comuns da vida, às vezes lidando com sentimentos mais profundos de amor e perda. É bastante raro aqui (embora não seja completamente inédito) que as palavras formem rimas rítmicas perfeitas. Na maior parte do tempo, sua prosa simplesmente oscila e divaga sem padrões específicos e com um mínimo de dramaticidade vocal.

De maneira semelhante, o acompanhamento musical parece mais orgânico do que nunca. Embora Kinsella e Hyson sejam os cérebros por trás da banda, o restante do quinteto (Matt Robinson, Dave Hamblett e o sempre versátil Josh Arcoleo) conhece todos os detalhes, já que estão juntos desde a estreia. Esta é a primeira gravação que foi criada pelos cinco integrantes trabalhando juntos, e demonstra um novo instinto natural para sentir exatamente onde cada elemento se encaixa. A produção de Hyson enfatiza os temas contemplativos seguindo seus respectivos tons: um piano reflexivo para a melancólica "New Tree 109A" ou a serena "forest_bathing", o trompete de Arcoleo se misturando suavemente com os sintetizadores de fundo na maioria das vezes, e Hamblett reservando os balanços poderosos para momentos como a reverberante "Host", com suas reflexões sobre a relação com o universo.

Os toques eletrônicos se misturam harmoniosamente com os tons naturais, como na construção de camadas de sintetizadores exuberantes ou na coloração da melancólica "Living to Live" com uma voz fantasmagórica e robótica. Cada detalhe é cuidadosamente escolhido para tornar a imagem única de Snowpoet a mais peculiar e fantasiosa possível. Este é o som de um grupo completamente à vontade consigo mesmo, que não tenta apelar para as emoções de forma ostensiva, mas sim as conquista através de uma honestidade simples.

Faixas: Tenderness; Our World; New Tree 109a; One Of Those People; (Interlude); Living To Live; Host; Forest_Bathing; For You; Skin.

Músicos: Lauren Kinsella (vocal); Chris Hyson (baixo); Matt Robinson (teclados); Dave Hamblett (bateria); Josh Arcoleo (saxofone).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=KGKS4fIdq6g

Fonte: GenoThackara (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 03/03

Barney Bigard (1906-1980) – clarinetista,

Copinha(1910-1984) – flautista,

David Darling (1941) - violoncelista,

Dominick Farinacci (1983) – trompetista,

Jards Macalé (1943) – violonista,vocalista,

Jimmy Garrison (1934-1976) – baixista,

Marcelo Galter(1982) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=vNQpGSekFYo&feature=related,

Pierre Michelot (1928-2005) - baixista,

Sergio Salvatore (1981) – pianista,

Vander Lee (1966-2016) – vocalista. 

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

SINNE EEG & JACOB CHRISTOFFERSEN – SHIKIORI (Stunt Records/Sundance Music)

A vocalista Sinne Eeg e o pianista Jacob Christoffersen colaboram há duas décadas. Surpreendentemente, este é o primeiro álbum da dupla. E é uma beleza. Realmente valeu a pena esperar. O talento musical de cada um é de primeira qualidade, a química entre eles é palpável, o repertório — uma mistura equilibrada de composições originais e sucessos conhecidos — é ao mesmo tempo sofisticado e totalmente acessível, e a qualidade da gravação é excelente.

Shikiori — uma casa de 150 anos no interior do Japão — possui uma aura de tradição e reverência que permeia toda esta gravação. Restaurado pelo baixista Seigo Matsunaga e transformado em uma sala de concertos, provou ser o santuário e palco perfeitos para Eeg e Christoffersen. Em setembro de 2024, diante de uma plateia, com o engenheiro de som Katsunori Fukuoka a postos, eles criaram esta música envolvente.

Abrindo o show com "Losing You", de Eeg e do cantor e compositor SørenSko, eles apresentam seu próprio estilo de soul tranquilo e intimista. Em seguida, vem "Hebi", uma beleza sinuosa da cantora. Sua voz sem palavras cativa enquanto Christoffersen cria uma fantasia fluida que sustenta e envolve a obra. Os valores de produção criam uma atmosfera celestial em torno de toda a obra. "Soba Flower", de Christoffersen e REMI, com letra em japonês, é, mais uma vez, algo completamente diferente, oferecendo toques folclóricos com sua natureza predominantemente cíclica e cantada.

Uma sequência de reinterpretações começa com uma versão apropriadamente elegante da imortal "Lush Life" de Billy Strayhorn. Eeg domina completamente a letra e os sentimentos, Christoffersen tem um pequeno espaço só para ele e se encaixa perfeitamente com o cantor e a música, e esses compatriotas dinamarqueses se movem juntos com uma facilidade que é muito rara. A valsa "Better Than Anything", de David Wheat e Bill Loughborough, traz mais energia ao filme. Esse clássico dá a Eeg a chance de improvisar à vontade e encontra Christoffersen em seu elemento como solista. "Maria", de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, com seu ritmo e estrutura impecáveis, e oferecendo uma leve mudança na perspectiva lírica, ressoa profundamente em cada passagem e em cada momento terno. E "Cold", de Annie Lennox, extraída do álbum de estreia solo da cantora e compositora escocesa, Diva (RCA, 1992), combina perfeitamente com essa dupla.

Com exceção de uma passagem pela atemporal "But Not for Me" dos irmãos Gershwin, o restante de Shikiori é dedicado a composições originais. "A Second Chance at Love", de Christoffersen e Lisa Freeman, é uma aula magistral de narrativa controlada. "Don't Be So Blue", de Eeg — faixa-título de seu álbum de 2010 — é uma balada entregue de corpo e alma. "Seems Like Yesterday", de Christoffersen e Helle Hansen, sugere uma correnteza vibrante e oferece mais um vislumbre da habilidade de Eeg no scat. E uma segunda análise da peça "Soba Flower" do pianista (sem o "Flower" no título) encerra o programa com harmonia e tranquilidade. A essência dessa parceria de longa data — apresentada com clareza da primeira à última nota — é verdadeiramente um som para se contemplar.

Faixas: Losing You; Hebi; Soba Flower (そばの花); Lush Life; Better Than Anything; Maria; Cold; A Second Chance at Love; But Not for Me; Don't Be so Blue; Seems Like Yesterday; Soba.

Músicos: SinneEeg (vocal); Jacob Christoffersen (piano).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=JNAgHHH0vw4

Fonte: Dan Bilawsky (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 02/03

Amilton Godoy (1941) – pianista,

Buell Neidlinger (1936) – baixista,cellista,

Doug Watkins (1934-1962) - baixista,

Eddie “Lockjaw” Davis (1922-1986) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=tgTfA6_1y3E,

Kjell Norde (1964) – baterista,

Larry Carlton (1948) – guitarrista,

Marcos Paiva (1972) – baixista,

Orrin Keepnews (1923-2015) – produtor,

Robert Neloms (1942-2020) - pianista

 

domingo, 1 de março de 2026

PACO DE LUCIA, PEPE DE LUCIA - PEPITO Y PAQUITO (BMG)

Na idade da Internet, o mundo está repleto de prodígios musicais. O instante de disponibilidade de vídeos instrutivos no YouTube, sites de partituras e tablaturas, megalojas online que vendem produtos de alta qualidade, instrumentos baratos enviados diretamente para a sua porta e lições online para tornar mais fácil do que nunca aprender a tocar um instrumento. As páginas das redes sociais estão repletas de vídeos que documentam crianças de apenas três anos exibindo surpreendentes habilidades digitais no piano, violão e violino. E, no entanto, poucos desses instrumentistas tecnicamente competentes se tornam artistas criativos por direito próprio. É um pouco como o vencedor do concurso de comer cachorro-quente do Nathan versus um chef francês inovador: os primeiros podem ser impressionantes por sua velocidade prodigiosa, mas é este último quem faz avançar as artes culinárias de uma forma que exige atenção a longo prazo.

Essas reflexões são despertadas ao ouvir Pepito y Paquito, um documento estonteante aparentemente transmitido através do tempo, de 1959 até nossos ouvidos do século 21, com pouco desgaste para mostrar durante a jornada. O falecido maestro espanhol do flamenco e guitarrista de jazz Paco de Lucia necessitará de uma pequena introdução para muitos leitores da All About Jazz, mas se pode dizer com segurança que ninguém nunca o ouviu assim antes. Estas performances de flamenco por Paco, na idade de onze anos, e seu irmão vocalista Pepe, na idade de 13 anos, foram capturadas em 1959 no pequeno gravador Grundig pelo pai dos meninos, António Sánchez Pecino, e o amigo da família Reyes Benítez, em casa. Embora sua existência fosse conhecida há muito tempo, seu paradeiro não era, até que Quique, filho de Benítez, as descobriu em 2022. As fitas foram restauradas usando Inteligência Artificial, embora não esteja claro exatamente o que isso significa. A gravação ainda soa mono, portanto, não parece que a tecnologia tenha sido usada extensivamente. Entretanto, a clareza marcante e o ambiente sugerem a redução de ruído e talvez a aplicação de reverberação sutil para adicionar um pouco de ar ao som. Em qualquer caso, o álbum é uma audição relaxante e agradável, uma verdadeira máquina do tempo evocando um dia ensolarado na cidade costeira de Algeciras com dois grandes talentos musicais inatos, aparentemente formado plenamente, mesmo em uma idade tão jovem. A edição em LP é bem prensada, embora não totalmente isento de ruído de superfície, e apresentada em uma atrativa capa gatefold (NT: é uma forma de embalagem para discos LP que se tornou popular em meados da década de 1960. Uma capa gatefold, quando dobrada, tem o mesmo tamanho de uma capa LP padrão) com partes internas personalizadas contendo as letras em espanhol.

Fãs da música flamenca e seus estilos muito tradicionais vão se alegrar com esta pesquisa de 21 músicas, que incluem bulerías, soleares, cuplés, rumbas, fandangos, tangos, seguiriyas, alegrías e villancicos. A imensa habilidade de Paco já está em exposição aqui, enquanto ele navega agilmente por uma ampla variedade de músicas, incluindo três solos de guitarra baseados em sua principal influência inicial, Niño Ricardo. Tão impressionante quanto a guitarra acústica com corda de nylon está o toque de Paco, o canto do irmão mais velho Pepe está no mesmo nível. Apaixonada, madura e precisa, é difícil conectar essa técnica vocal a uma criança de 13 anos. Este conjunto de gravações desenterradas representa a primeira documentação de uma parceria musical que durou mais de 20 anos, com Pepe contribuindo com o canto e composição para muitos álbuns de Paco. O legado de Pepe continua através de sua filha, a cantora espanhola Malú, e seu filho José, um guitarrista flamenco como seu tio.

Raramente temos a capacidade de mapear o primeiro florescimento do talento dos nossos maiores virtuosos. Este bem-vindo lançamento arqueológico da BMG e da Paco de Lucia Foundation nos oferece este presente, e é um daqueles que muitos fãs do guitarrista, seguramente, desfrutarão. Para os fãs do jazz desacostumados com a música flamenca, “Pepito y Paquito” deve servir como uma cartilha com personalidade.

Faixas: Me Falta La Resistencia (Tangos de la Pirula de Málaga); Al Pilarico por Agua (Bulerías por Soleá); Romance de Juan Osuna (Seguiriyas Tientos); Aunque Pongan en tu Puerta (Alegrías); Se Comerá Mi Dolor (Soleares); La Corales (Cuplé por Bulerías); Que Viene el Coco (Rumba); Bulerías Niño Ricardo (Solo de Guitarra); De Alfombra de Rosas (Liviana); Con su Rebaño (Serranas); Que el Viento se la Llevó (Polo); Voy A Tener Que Dejarte (Fandangos Naturales); Escucha lo que te digo (Bulerías); Con una Rosa en el Pico (Fandango Santa Eulalia); Las Estrellitas del Cielo (Villancico por Bulerías); Zapateado Niño Ricardo (Solo de Guitarra); Entre Compás y Desplantes (Soleares de Cádiz); Amante de Abril y Mayo (Cuplé por Bulerías); Lo que Pasó en Veracruz (Soleares de Triana/Apolas); Caminito de Alcalá (Bulerías); Soleá Niño Ricardo (Solo de Guitarra).

Músicos: Paco de Lucia (violão); Pepe de Lucia (vocal).

Fonte: Joshua Weiner (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 01/03

Barrett Deems (1914-1998) – baterista,

Benny Powell (1930-2010) – trombonista,

Dave Lisik (1974) – trompetista,

Glenn Miller (1904-1944) – trombonista,

Gene Perla (1940) - baixista,

Nilson Matta(1949) – baixista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=qqqk7ZWS-q8&feature=related,

Rainer Theobald (1960) – clarinetista,

Ralph Towner (1940) – guitarrista,

Steve Ash (1957) – pianista,

Vinny Golia (1946) - saxofonista 

 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

HORIZON TRIO – HORIZON

Quando chegar a hora de deixar de lado as preocupações do dia e relaxar ao som de uma música repleta de beleza contemplativa e tranquila, não deixe de conferir o álbum de estreia homônimo do Horizon Trio. Em 14 composições envolventes, o trompetista e flugelhornista Garrett Folger e seus parceiros, o pianista Anthony Fuoco e o baterista Carmen Castaldi, oferecem um bálsamo para a alma. Já com uma presença crescente no jazz de Cleveland, este lançamento promissor deve contribuir para aumentar ainda mais a visibilidade de Folger.

Castaldi é o nome mais conhecido aqui, tendo integrado o Trio Tapestry de Joe Lovano desde 2019. Sua abordagem expansiva e empática à bateria permite que ele se integre como um colaborador de igual importância, e não apenas como um mero marcador de tempo convencional. Ele também se encaixa perfeitamente na música de Folger, que possui uma elegância discreta que, de outra forma, seria ameaçada por um baterista autoritário. Fuoco também consegue complementar lindamente o lirismo intrínseco de Folger, seja entrelaçando linhas com a melodia principal ou oferecendo o contraste exato para adicionar interesse a cada peça.

Com mais de 70 minutos de duração, há muita música aqui, surpreendentemente muita para uma gravação de estreia. É evidente que Folger tem muito a dizer, e as peças são frequentemente deslumbrantes em suas nuances sutis e camadas multicoloridas. A introspectiva faixa de abertura, "Ephemerōs", avança em um ritmo dolorosamente lento, desdobrando-se tão gradualmente que exige atenção plena para apreciar suas nuances oblíquas. A conversa delicada que surge entre os três atores ajuda a ancorar a obra em meio à sua tendência à abstração. Em outros momentos, o talento melódico de Folger prevalece, com "IO" e "Mais I'Aube Approche" traçando suas melodias comoventes com um brilho suave. E "For M" é uma valsa encantadora, com Folger em seu momento mais lírico.

O álbum raramente se desvia de seu temperamento melancólico. Há um toque de descontração em "Duo", uma peça livremente improvisada apenas com Folger e Cataldi, e "Three Lines" possui uma sensibilidade jovial com um ocasional toque de Thelonious Monk. Mas, em geral, a música de Folger permanece dentro de sua zona de conforto relativamente plácida, e isso é ótimo, especialmente para aqueles momentos em que um refúgio tranquilo da loucura do mundo é o que mais se precisa.

Faixas: Ephemerōs; IO; Three Lines; Duo; Mais I’Aube Approche; Canvas; Lavendula Angustifolia; Oscilla; Ombre et Lumière; For M; Eleven by Six; Arnica Montana; Soleil; Parfums.

Músicos: Garrett Folger (trompete); Anthony Fuoco (piano); Carmen Castaldi (bateria).

Fonte: Troy Dostert (AllAboutJazz)