playlist Music

sábado, 2 de maio de 2026

FIELDWORK – THEREUPON (Pi Recordings)

Existem situações em que a arte de calcular é desafiada pelo engenho humano, em que o cômputo resulta superior à soma das parcelas, ainda que já de si expressivas. Detenhamo-nos num exemplo: o power-trio Fieldwork, formado pelo pianista Vijay Iyer, o saxofonista alto Steve Lehman e o baterista Tyshawn Sorey, todos músicos e compositores por mérito próprio para quem o (inatacável) virtuosismo técnico é apenas húmus para interações complexas e surpreendentes. Conhecidos pela sua abordagem laboratorial, que envolve estruturas rigorosas, improvisações densas, padrões rítmicos esdrúxulos, tensões e distensões, numa dinâmica particular que evolui em tempo real, a sua música é capaz de incorporar elementos de outros tabuleiros sônicos, sejam na forma de arquiteturas composicionais complexas ou grooves influenciados pelo hip-hop. Depois de Your Life Flashes (2003) e Simulated Progress (2005), e dezessete anos após o último registo, Door, o triunvirato regressa com Thereupon, novamente com selo da influente Pi Recordings. De modo notável, o grupo continua a redefinir as possibilidades da criação musical coletiva, alargando sobremaneira o perímetro de uma configuração instrumental, que dispensa o contrabaixo. A formação volta a funcionar como uma unidade coesa, deixando de lado a estrutura tradicional tema-solos-tema em favor de uma interação mais arriscada e centrada nas características dos três músicos e no que podem fazer em conjunto. As realizações individuais impressionam. Em conjunto, estabelecem elos significativos e duradouros com diversas comunidades musicais, incluindo o jazz, a música clássica contemporânea, o hip-hop underground e a eletrônica, além de formas musicais de outras geografias. Os três últimos lançamentos de Steve Lehman demonstram o seu amplo espetro artístico: Xaybu: The Unseen (2022), com o seu grupo de avant-rap Sélébéyone; Ex Machina (2023) é uma obra importante para orquestra de jazz e eletrônica interativa, encomendada pelo IRCAM e pela francesa Orchestre National de Jazz; o seu álbum mais recente, The Music of Anthony Braxton (2025), apresenta o seu trio de longa data (com Matt Brewer no contrabaixo e Damion Reid na bateria) e um convidado (muito) especial, o saxofonista Mark Turner. Vijay Iyer é um pianista de enormes recursos que tem vindo a trabalhar em diferentes contextos, sempre atento ao que se passa à sua volta e sem calar revoltas (como a composição que escreveu dedicada a Rafeat Alareer, poeta, professor e ativista palestiniano morto durante um ataque aéreo israelita no norte da faixa de Gaza, a 6 de dezembro de 2023). Os seus álbuns mais recentes incluem Defiant Life (2025), uma suíte de duetos com o trompetista Wadada Leo Smith; Compassion (2024), o segundo álbum do seu célebre trio com Sorey e a contrabaixista Linda May Han Oh; Love In Exile (2023), colaboração com a vocalista Arooj Aftab e o baixista Shahzad Ismaily; e o álbum-retrato do Vijay Iyer compositor: Trouble, pelo Boston Modern Orchestra Project. Mestre baterista e compositor, Tyshawn Sorey recebeu o Prêmio Pulitzer de Música de 2024 pela sua composição Adagio (for Wadada Leo Smith), depois de ter sido reconhecido em 2023 como finalista pela sua obra Monochromatic Light (Afterlife). Obras suas foram encomendadas, estreadas e gravadas por conjuntos e solistas de renome mundial. Os seus quatro lançamentos mais recentes — incluindo o mais recente, The Susceptible Now(2024) — contam com o pianista Aaron Diehl. Em Thereupon, o trio Fieldwork eleva a sua música a um novo patamar de inteligência e ousadia, ressaltando, mais uma vez, o desejo de derrubar fronteiras e de desbravar novos territórios sonoros. Fica clara a dívida para com a natureza exploratória e abrangente da seminal Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM); Lehman, Iyer e Sorey têm sido beneficiários de relações longevas com formações lideradas por Muhal Richard Abrams, Anthony Braxton, Henry Threadgill, Roscoe Mitchell, Wadada Leo Smith e George Lewis. Refletindo sobre o alcance do que logra o trio Fieldwork, Vijay Iyer observa que «há muito tempo decidimos por uma abordagem que simplesmente aproveita ao máximo a criatividade de cada músico. Acho que, com este grupo, o amplo escopo de nossos estudos e interesses individuais significa que a imaginação musical coletiva pode ir muito longe. Passada uma fase de alterações na formação ― que incluiu as saídas do baterista Elliot Humberto Kavee e do saxofonista Aaron Stewart ―, o trio tomou a sua forma atual em 2005. Olhando para os fortes vínculos musicais estabelecidos, desde então, no seio do trio, Lehman sublinha a «sensação avassaladora de alegria sempre que nos reunimos.» «Ao longo dos anos, desenvolvemos uma linguagem musical em conjunto, de modo que nunca precisamos explicar nada uns aos outros, contextualizar nada ou diluir nada para que todos possamos tocar. Simplesmente partimos da nossa história em conjunto e começamos a avançar», explica o saxofonista.

Thereupon apresenta composições de Iyer e Lehman, todas arranjadas coletivamente pelo trio, através de um processo de ensaios conjuntos, no qual são usadas improvisações prolongadas para as desenvolver e transformar, por vezes de forma significativa. O grupo funciona como uma entidade una, sem hierarquias ou subordinações; a partir de uma escuta atenta, respondem uns aos outros com foco e intensidade, desafiando-se mutuamente, em jogos de reforços e contrastes. Lehman explora linhas sinuosas, fazendo uso dos registos extremos do seu instrumento e de técnicas avançadas e dedilhados microtonais. A forma como Iyer toca piano e Rhodes injeta uma octanada propulsão rítmica; Sorey é um verdadeiro Midas da bateria, aportando figuras rítmicas criativas e desafiantes, que tanto podem ser poderosas como sutis, espelhando a sua formação clássica e um melodismo distinto. Se há momento em que cada instrumento parece tomar um rumo próprio, e que a estrutura montada está à beira do colapso, a ordem é restabelecida de modo por vezes miraculoso. Thereupon inclui oito peças curtas e uma mais longa. “Propaganda”, de Iyer, abre logo com um balanço em alta rotação, uníssonos e contrapontos entre saxofone e piano, e a bateria de Sorey em ebulição, tudo servindo de combustível para solo vibrante de Lehman.  É da pena do saxofonista que saiu “Embracing Difference”, onde os níveis energéticos se mantêm elevados, com os três músicos a urdirem apertada tapeçaria. Por momentos, Lehman sai de cena e Iyer adquire centralidade com o seu pianismo intenso, apoiado na pulsação imprevisível fornecida pelo baterista. O soprador esboça laivos melódicos que logo se esfumam e se transformam noutra coisa. De notar que as duas peças de abertura do álbum exploram uma tensão rítmica palpável. O pianista sublinha os contornos mais crepusculares de “Evening Rite”, deambulando com fluidez; Lehman dispara as suas espirais sônicas e Sorey não cessa de espantar pela forma detalhada como trabalha címbalos e peles. “Fire City” é enigmática, com o piano afiado de Iyer em movimento permanente e o saxofonista a recorrer a técnicas menos convencionais para aportar outras ideias. A temperatura sobe e a música deflagra. Steve Lehman introduz a mais angular “Domain”, característica que Iyer reforça com notas solenes que logo ganham fluidez. O saxofonista desenha figuras, algumas das quais em modo repetitivo, que conduzem ao clímax. “Fantøme”, outra de Lehman, começa com um diálogo aceso entre piano elétrico e bateria — que desperta ecos de um certo jazz-rock apenas sugerido —, a que depois se junta o saxofone em deambulações consequentes. Em “Astral”, o trio explora um lado mais sereno é contemplativo da sua música, a que sempre subjaz uma boa dose de inquietude, numa peça que se densifica à medida que evolui. A peça que dá título ao álbum, de Vijay Iyer, surpreende por via das notas que Iyer convoca, em tornos dos quais os outros dois gravitam, com Lehman a esboçar melodias. O resultado é particularmente imagético, sobretudo cortesia de Iyer, quando modifica o tempo para ir ao encontro do dinamismo harmónico. Iyer explica que “Thereupon” colhe inspiração num «momento próximo do início do Sutra de Vimalakirti, quando o mundo é mostrado como sendo muito mais do que parece: “Então, Buda tocou o solo deste universo galáctico de bilhões de mundos com o dedo grande do pé e, de repente, transformou-o numa enorme massa de joias preciosas, uma magnífica coleção de centenas de milhares de aglomerados de pedras preciosas...”» A encerrar a jornada, “The Night Before”, a composição mais longa do álbum, também de Iyer, envolve-nos numa atmosfera onírica, planante, como se, de repente, fossemos transportados para um outro espaço e um outro tempo. O saxofone de Lehman oferece-nos uma melodia inebriante que tanto fascina pela beleza como deixa os sentidos em alerta. Momentos de calma na tempestade. Thereupon é um álbum superlativo, que mostra como o jazz pode continuar a ser transformador e espelho do mundo.

Faixas

1.Propaganda 02:08

2.Embracing Difference 05:13

3.Evening Rite 05:16

4.Fire City 03:58

5.Domain 03:30

6.Fantøme 04:15

7.Astral 04:10

8.Thereupon 03:30

9.The Night Before 08:26

Músicos: Steve Lehman— saxofone alto; Vijay Iyer— piano, Rhodes; Tyshawn Sorey— bateria

Fonte: António Branco (jazz.pt)

 

 

ANIVERSARIANTES - 02/05

Antônio da Nóbrega (1952) – violinista,rabequista,compositor (na foto e vídeo), http://www.youtube.com/watch?v=KoSpFzyzJao,

Ataulfo Alves(1909-1969) – vocalista,compositor,

Bing Crosby (1904-1977) - vocalista,

Bob Rockwell (1945) – saxofonista,

Eric Person (1963) – saxofonista,flautista,

Keith Ganz (1972) – guitarrista,

Mickey Bass (1943) – baixista,

Richard “Groove” Holmes (1931-1991) – organista,

Ross Stanley (1982) - pianista  

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

JOSHUA REDMAN - WORDS FALL SHORT (Blue Note Records)

Após longos períodos na Warner Brothers e na Nonesuch Records, o saxofonista, compositor e líder de banda Joshua Redman estreou na gravadora de jazz Blue Note, em 2023, com "Where We Are". E embora seu sucessor, “Words Fall Short”, esteja em sintonia com esse álbum ao apresentar vocais, ele inicia uma nova fase na carreira do líder, apresentando seu novo quarteto em sua estreia gravada.

Formado como prelúdio para a turnê mundial destinada a promover o trabalho anterior, o pianista Paul Cornish, o baixista Philip Norris e o baterista Nazir Ebo se uniram a Redman em tão pouco tempo, que ele optou por levar o grupo para o estúdio e capturar o máximo possível da química recém-descoberta.

Não surpreendentemente, a unidade é palpável ao longo dessas oito novas versões originais de Redman. E isso inclui, ironicamente, a faixa final intitulada "Era's End", com a vocalista Gabrielle Cavassa reprisando sua participação no álbum anterior para consolidar a continuidade na obra de Joshua Redman.

Sua interpretação da letra decididamente agridoce, no entanto, apenas insinua as mudanças que estão surgindo na trajetória da carreira do filho de Dewey Redman. A inclusão dessa faixa como conclusão de “Words Fall Short” pontua a(s) declaração(ões) de propósito precedentes, começando com uma reflexão tão ponderada quanto “A Message To Unsend”. No entanto, essa música de abertura não é tanto uma invocação da musa, mas sim uma coletânea de pensamentos. Cornish, Norris e Ebo circulam em torno de Redman, trocando ideias para a elaboração da música e, em consonância com a duração aproximada de quarenta e cinco minutos deste LP, o quarteto não se alonga no brainstorming.

Em vez disso, o grupo dá as boas-vindas à saxofonista Melissa Aldana. Ela troca algumas ideias, brevemente, com Redman antes de participar do restante de uma conversa intitulada "So It Goes". Com todos os participantes dando sua opinião sobre a definição do(s) rumo(s) instrumental(is) do grupo, esta seleção não é tão contemplativa quanto as performances do início da música.

Sendo assim, é natural que um encontro de mentes levasse, sem muita interrupção, à animada canção-título. Aparentemente terminando tão rápido quanto começa — embora dure quase cinco minutos, como a maioria das faixas aqui — é mais um exemplo de sequenciamento inteligente de faixas, servindo como uma preparação hábil e deliberada para a reflexiva "Borrowed Eyes".

Todos os quatro integrantes principais têm a oportunidade de expandir o diálogo aqui, e especialmente sublime é a alternância entre o saxofone tenor e o piano no desfecho. Esse intervalo conduz, como que por obra do destino, a "Icarus", onde o trompetista Skylar Tang oferece alguns comentários provocativos e, ao fazê-lo, ajuda a elevar a intensidade da interação ao seu ponto mais alto até então.

A parada abrupta sugere que a sintonia dentro do quarteto Redman é realmente contagiante (embora pudesse ter sido testada com um alongamento mais extenso, pelo menos uma vez, para afirmar completamente o vínculo). Porém, com as paradas de tempo complicadas e tudo mais, esses não são exatamente os gestos exibicionistas, que jogadores com menos instintos fariam. Na verdade, o som lamentoso do saxofone soprano em "Over The Jelly-Green Sea" é apenas uma expressão da leveza que surge da alegria da espontaneidade fluida.

Em contraste com a delicada elocução vocal no final, esses interlúdios demonstram uma atenção meticulosa aos detalhes que permeia "Words Fall Short", de Joshua Redman.

Faixas: A Message To Unsend; So It Goes; Words Fall Short; Borrowed Eyes; Icarus; Over The Jelly-Green Sky; She Knows; Era’s End.

Músicos: Joshua Redman (saxofone); Melissa Aldana (saxofone); Skylar Tang (trompete); Paul Cornish (piano); Philip Norris (baixo); Gabrielle Cavassa (vocal); Nazir Ebo (bateria).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=w4wV2rUmZPM

Fonte: Doug Collette (AllAboutJazz)

 

 

ANIVERSARIANTES - 01/05

 Ambrose Akinmusire (1982) – trompetista,

Big Maybelle (1924-1972) – vocalista,

Candy Johnson(1922-1981) – saxofonista,

Carlos Ward (1940)- flautista,saxofonista,

Frank Woeste (1976) – pianista,

Guillermo Gregorio (1941) – saxofonista, clarinetista,

Heraldo do Monte (1935) – guitarrista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=AAMlUc-vaI4,

Ira Sullivan (1931-2020) - trompetista,flautista,saxofonista,

James Newton (1953) – flautista,

Keith Pray (1973) - saxofonista,

Kevin Hays (1968) – pianista,

Shirley Horn (1934-2005) – pianista,vocalista

quinta-feira, 30 de abril de 2026

KOKOROKO - TUFF TIMES NEVER LAST (Brownswood Recordings)

O segundo álbum do Kokoroko é demais. Demais como o outro lado do travesseiro, demais como flutuar sobre o oceano azul profundo, demais como o Fonzie.

Kokoroko pode ser corretamente classificado dentro do subgênero do jazz "Afrobeat", que mistura ritmos da África Ocidental com harmonia jazzística. Seu som também inclui uma forte dose de "highlife", música tradicional ganesa que adotou instrumentos das bandas militares coloniais. Foi trazida para a América pelo grande jazzista Randy Weston em seu álbum de 1963 “Highlife (Colpix)”.

“Tuff Times Never Last” começa com sons eletrônicos vibrantes, que levam à suave “Never Lost”, como se tivéssemos entrado em uma dimensão paralela com Sade cantando nos clubes de Accra. Isso nos leva ao single do álbum, "Sweetie", uma canção de ritmo moderado e polirrítmica, repleta de metais e alegria. "Closer To Me" apresenta um Fender Rhodes alternando entre os canais esquerdo e direito e um sintetizador vibrante, seguido pelo encantador jazz vocal de "My Father In Heaven".

A parte central do álbum apresenta três colaborações com LULU: "Idea 5", Azekel ("Three Piece Suit") e, a mais bem-sucedida, "Time and Time" com Demae". "Da Du Dah" traz ritmos funk e metais suaves como trilha sonora para um vídeo encantador que mostra a banda reencontrando suas versões mais jovens nos parques infantis de Londres. O álbum encerra com "Together We Are", "Just Can't Wait" e "Over/Reprise", apresentando uma figura repetida de baixo e guitarra, seguida por um conjunto de sopros que dá lugar a um sintetizador psicodélico.

Uma vibração tranquila e relaxante de “Tuff Times Never Last” é a trilha sonora perfeita para um verão que talvez nem soubéssemos.

Uma última observação. Meu amor pela música africana nasceu e foi nutrido pelo programa de rádio "Afropop Worldwide" e pelo grande Georges Collinet. Durante três décadas, levou os sons da África ao mundo com estilo e elegância. O espetáculo dependia de subsídios do National Endowment for the Arts, subsídios que foram sumariamente eliminados. Por favor, considere ajudar da maneira que puder.

Faixas: Never Lost; Sweetie; Closer To Me; My Father in Heaven; Idea 5 (Call My Name) (feat. LULU.); Three Piece Suit (feat. Azekel); Time and Time (feat. Demae); Da Du Dah; Together We Are; Just Can’t Wait; Over / Reprise.

Fonte: Frank Housh (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 30/04

Aaron Goldenberg (1974) – pianista,

Abdul Wadud (1947) – cellista,

Alan Steward (1961) – multi-instrumentista,

Dorival Caymmi (1914-2008) – violonista, compositor,vocalista (na foto e vídeo), http://www.youtube.com/watch?v=enUx5DMiFU8,

Erena Terabuko (1992) – saxofonista,

Joel Futterman (1946) – pianista,

Moses Boyd (1991) – baterista,

Percy Heath (1923-2005) - baixista,

Richard Twardzik (1931-1955) – pianista,

Russ Nolan (1968) – saxofonista,

Tuomo Prattala (1979) - pianista 

 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

BJÖRN MEYER – CONVERGENCE (ECM)

Poucos baixistas trabalham com a amplitude, o alcance, a energia e a beleza do sueco Björn Meyer. “Convergence” é o segundo álbum "solo" de Meyer para a ECM, após ter sido um colaborador fundamental em bandas lideradas por Anouar Brahem, Nik Bärtsch e outros nomes de destaque. "Solo" está entre aspas porque Meyer — juntamente com o produtor Manfred Eicher — usa sobreposições e efeitos de estúdio de forma brilhante. "Convergence", a faixa-título, é uma delícia de ritmo com intrincadas sobreposições de faixas, que fazem este artista singular soar como uma banda completa. Segue-se “Hiver”, e que bela canção de ninar!. O baixo não costuma ser considerado um instrumento melódico, mas nas mãos de Meyer, seus instrumentos de seis cordas, acústicos e elétricos, tocam o coração com seu fraseado meditativo e reflexivo. Tomemos, por exemplo, a música “Motion”, com seu ritmo repetitivo e acelerado, pontuado por bipes que soam como um cientista sonoro enviando um sinal em busca de vida. Meyer oferece elementos de talento clássico, como evidenciado na encantadora "On Hope", toques de vanguarda, como em "Rewired", uma predileção por nuances mais mundanas, como visto em "Magnétique", e um intenso romance noir, como apresentado em "Nesodden". Aos 60 anos, Meyer tem total domínio sobre sua arte, apresentando sua música com alma, inteligência, um toque de travessura e muito amor. Se você gostou de “Convergence”, volte e ouça “Provenance”, seu belíssimo álbum solo de baixo lançado pela ECM em 2017. Ambos os trabalhos são excelentes e remetem a um mestre em sua arte.

Faixas: 1. "Convergence" 2. "Hiver" 3. "Drift" 4. "Gravity" 5. "Motion 6. "On Hope" 7. "Rewired" 8. "Magnetique" 9. "Nesodden".

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=L5_dtY6LkCY

Fonte: Frank Alkyer (DownBeat)