O pianista veterano Joel Futterman talvez seja mais
conhecido por sua longa parceria com o saxofonista Kidd Jordan e o baterista
Alvin Fielder, mas ele também é um prolífico artista solo. “Innervoice”,
gravado em julho de 2024, é uma adição valiosa a uma coleção que também inclui
joias como a monumental caixa de cinco CDs “Creation Series (NoBusiness,
2021)”, entre muitas outras. Como grande parte da obra de Futterman, esta
nasceu inteiramente no momento, sem edições posteriores. Isso sugere uma
concentração estupenda, produto de anos de experiência cristalizados em três
peças num programa de estúdio de 62 minutos.
Embora Futterman permaneça um modernista assumido, cujo modo
padrão é uma onda atonal ondulante, ele ocasionalmente se desvia para caminhos
mais trilhados, recorrendo à vontade à amplitude e profundidade da história do
jazz. Um riff (NT: é uma frase musical curta, cativante
e repetida, geralmente instrumental, que forma a base harmônica ou melódica de
uma música) propulsivo, com direito a uma mão direita blueseira, surge
logo no início da "Parte I", evocando McCoy Tyner em plena forma,
enquanto, mais adiante na mesma peça, frases concisas e articuladas, que
lembram os blocos de construção tão apreciados por Cecil Taylor, se misturam a
melodias que poderiam ter saído do Grande Repertório Estadunidense. Proporciona
uma jornada emocionante, mas fascinante.
Embora não sigam um roteiro, os textos de Futterman conferem
uma satisfatória sensação de forma às suas obras, satisfatória porque a
imaginação humana está irremediavelmente programada para buscar ordem. Notavelmente,
cada uma das três partes se constrói a partir do mesmo breve motivo ressonante
— parte pergunta, parte súplica — que o pianista também retoma perto do final
de cada uma.
No entanto, a partir desse começo simples, ele encontra
inspiração abundante para levar cada uma em direções diferentes, temperando a
agitação implacável da "Parte II" com toques triunfantes e
interlúdios reflexivos, enquanto se mostra predominantemente terno na breve e
conclusiva "Parte III". A estrutura improvisada também se manifesta
no cerne de cada peça, à medida que Futterman retorna intermitentemente a
elementos como o riff em "Parte I" para conferir profundidade e peso.
De forma geral, o efeito é
inebriante.
Futterman cria uma tapeçaria que se desdobra, ricamente
tecida e suntuosamente colorida.
Faixas: Innervoice
Part I; Innervoice Part II; Innervoice Part III.
Fonte: John
Sharpe (AllAboutJazz)






