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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

FREDDIE KING - FEELING ALRIGHT: THE COMPLETE 1975 NANCY PULSATIONS CONCERT (Elemental)

Temos muita sorte de que este conjunto de três LPs de vinil, contendo material inédito gravado ao vivo no Festival Nancy Jazz Pulsations de 1975, na França, tenha sido lançado no início de abril deste ano como uma edição limitada "First" do Record Store Day. Freddie King estava no auge da sua forma e popularidade, quando o gigante da guitarra blues e sua banda de primeira linha tocaram para uma multidão enorme e entusiasmada em um dos principais festivais de música da Europa, numa época em que o público criado no rock 'n' roll começava a abraçar amplamente esses artistas pioneiros que tinham uma forte ligação com as raízes tradicionais do gênero. Graças ao produtor e arquivista do álbum, Zev Feldman, que obteve as gravações do Escritório de Radiodifusão e Televisão Francês, agora temos um excelente registro ao vivo de “The Texas Cannonball” — algo que não era muito comum no passado — apresentando uma generosa seleção de 16 músicas, incluindo seus instrumentais mais conhecidos (como “Hide Away” e “Sen-Sa-Shun”), clássicos essenciais do blues (“Got My Mojo Working”, “Messin’ With The Kid” e “Stormy Monday”, para citar alguns) e reinterpretações dos sucessos radiofônicos do rock do final dos anos 60, “Goin’ Down” (do músico de soul-rock sulista Don Nix) e “Feelin’ Alright” (de Dave Mason, do Traffic). Apoiando os riffs (NT: é uma sequência melódica ou harmônica de notas, geralmente curta e repetitiva, que forma a base rítmica e a identidade de uma música, comum no rock, blues e metal) de guitarra incisivos e os vocais imponentes de King, estão os membros da banda de turnê, Alvin Hemphill (órgão), Lewis Stephens (piano), Ed Lively (segunda guitarra), Benny Turner (baixo) e Calep Emphrey (bateria), uma unidade coesa como poucas. O programa, habilmente conduzido, varia em atmosfera, desde a serenidade de um céu azul tranquilo até a intensidade tempestuosa do rock, passando pelo êxtase gospel inspirador, com a música oferecendo amplo espaço para solos, improvisações e testemunhos. O notoriamente boêmio King morreu apenas um ano após essa apresentação, aos 42 anos, um fato marcante da história do blues que torna este pacote de luxo ainda mais valioso para os ouvintes e colecionadores de hoje. Disponível também em formato de CD, é um ótimo complemento para o álbum duplo “B.B. King In France: Live At The 1977 Nancy Jazz Pulsations Festival”, produzido por Feldman e lançado como "First" do Record Store Day em novembro de 2024.

Faixas: CD1: Have You Ever Loved A Woman?; Whole Lot Of Lovin'; Hey Baby/Mojo Boogie; The Things I Used To Do; Messin' WithThe Kid; That's All Right; Going Down; Stormy Monday. CD2: Sen-Sa-Shun/Looking Good; Boogie Chillun; Sweet Little Angel; Got My Mojo Working; Sweet Home Chicago; Wee Baby Blues; The Danger Zone; Feeling Alright; You're The One/Finale.

Músicos: Freddie King (vocal); Alvin Hemphill (órgão, Hammond B3); Ed Lively (guitarra elétrica); Lewis Stephens (piano); Benny Turner (baixo); Calep Emphrey, Jr.(bateria).

Fonte: Ed Enright (DownBeat)  

 

ANIVERSARIANTES - 16/09

B.B. King (1925-2015) – guitarrista,vocalista,

Bororó (1953) – baixista,

Brian Settles (1980) – saxofonista,

Charlie Byrd (1925-1999) - violonista,

Chick Bullock (1908) - vocalista,

Chris Cheek (1968) – saxofonista (na foto e vídeo) http://vimeo.com/4899592,

Earl Klugh (1954) - guitarrista,

Gordon Beck (1935) - pianista,

Graham Haynes (1960) - cornetista,

Hamiet Bluiett (1942) - saxofonista,

Joe Venuti (1903-1978) - violinista,

Jon Hendricks (1921-2017)-vocalista,

Lupicínio Rodrigues (1914-1974) – vocalista, compositor,

Rod Levitt (1929) - trombonista,

Rodney Franklin (1958) - pianista,

Steve Slagle (1951) - saxofonista 
 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

CHRISTIAN MARIEN QUARTETT - BEYOND THE FINGERTIPS

Para a sequência de seu lançamento de 2024, “How Long is Now (MarMade Records)”, o Christian Marien Quartett optou por uma abordagem ousada, alinhada à estética de liberdade total de seu líder: um processo de gravação direto do disco, realizado em uma única tomada diretamente no disco matriz. Com o espírito de risco e experimentação que o baterista heterodoxo sempre trouxe aos seus grupos, seja com a saxofonista Silke Eberhard e o trompetista Nikolas Neuser no “I Am Three”, ou com o trombonista Matthias Müller no “Superimpose”, “Beyond the Fingertips” traz toda a energia ousada e o instinto colaborativo que se esperaria de um álbum de Marien.

Novamente acompanhado pelo saxofonista tenor e clarinetista Tobias Delius, pelo guitarrista Jasper Stadhouders e pelo baixista Antonio Borghini, Marien dispõe do veículo ideal para suas composições, que exigem agilidade e fluidez estilística, uma vez que quatro peças se entrelaçam harmoniosamente em cada lado do álbum. Abrangendo desde o suíngue preciso e coeso até a liberdade anárquica, a banda de Marien é capaz de tudo, por vezes evocando as tendências transidiomáticas de Michael Moore, Ernst Reijseger e Han Bennink no Clusone Trio.

Um balanço contagiante põe tudo em movimento logo de início com "Love All—Play!", à medida que a guitarra de Stadhouders transita de uma frase inspirada no afrobeat para um diálogo dinâmico e ágil com o sax tenor de Delius, antes de o grupo desacelerar para a mais introspectiva "Martha", com Delius delineando a melodia delicada no clarinete. A energia então retoma com força em "Blues in Aspik", uma composição gravada pela primeira vez pelo grupo "I Am Three" no álbum “In Other Words (Leo Records, 2024)”. As transições entre essas faixas apresentam momentos fascinantes de indeterminação, nos quais, aparentemente, tudo pode acontecer, permitindo que cada integrante impulsione o álbum; Borghini faz isso em "Aspik" com uma linha de baixo vigorosa que estimula um solo incisivo de Stadhouders e algumas incursões tenazes de Delius no saxofone tenor. A banda envereda coletivamente por uma vertente mais abstrata para encerrar o lado com "Cordinale", outra faixa de “In Other Words”, que assume um caráter decididamente sombrio por meio das divagações lânguidas de Delius.

As quatro últimas faixas do segundo lado alternam, mais uma vez, entre rompantes de intensidade e uma abstração serena, talvez com um pouco mais de ênfase nesta última vertente, de modo geral. O uso habilidoso das vassourinhas por Marien e o fraseado ágil de Borghini no arco impulsionam "Nantucket Nostalgia", faixa que acaba cedendo lugar a "For Toby", esta, animada por um balanço de métrica variável que oferece ao saxofonista a oportunidade de se soltar brasas com agudos estridentes e intensos. As faixas de encerramento, "Look Left, Look Right" e "No Place for Illusions", são consideravelmente mais nebulosas, enfatizando a escuta atenta e intervenções sutis em vez dos temas mais explicitamente melódicos presentes no restante do álbum.

Embora o álbum seja relativamente curto, com 33 minutos de duração, resultado de seu método de gravação direta para o disco, a qualidade da música proporciona uma experiência auditiva envolvente, repleta de surpresas que recompensam audições repetidas.

Faixas: (Lado 1): Love All. Play!; Martha; Blues in Aspik; Cordinale; (Lado 2): Nantucket Nostalgia; For Toby; Look Left, Look Right; No Place for Illusions.

Músicos: Christian Marien (bateria); Jasper Stadhouders (guitarra elétrica); Antonio Borghini (baixo); Tobias Delius (saxofone tenor).

Fonte: Troy Dostert (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 15/09

Al Casey (1915-2005) - guitarrista,

Arvell Shaw (1923-2002) - baixista,

Bob Wyatt (1946) – baterista,

Bobby Short (1924-2005) – pianista,vocalista,

Cannonball Adderley (1928-1975) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=eR2yVlvnjjM,

Doug Proper (1967) - guitarrista,

Gene Roland (1921-1982) – trompetista, trombonista, pianista,

Joana Machado(1978) - vocalista,

Kid Sheik Cola (1908-1996) - trompetista,

Ned Rothenberg (1956) - saxofonista,

Ram Ramirez (1913-1994) - tecladista 

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

DAVID MURRAY – HOPE SCOPE (Black Saint)

Não deve haver dúvidas quanto à posição de David Murray. Desde a morte de Eddie Harris, ele é o melhor saxofonista tenor do jazz, indiscutivelmente um dos líderes de banda mais prolíficos da era moderna. Ele se destaca entre os poucos instrumentistas de sopro que trabalham para redefinir a qualidade sonora de seus instrumentos. Ao analisar qualquer obra de Murray, percebe-se que ele se define por uma paleta sonora altamente ambiciosa e multitradicional, além de um emocionalismo arrebatador que revela sua inteligência perspicaz. Ele é um alvo em movimento veloz, tão rápido, aliás, que o ouvinte não percebe que é ele quem está na mira. A era do Octeto de Murray, que se estende do início dos anos 1980 até os anos 2000, é um período particularmente fértil para suas experimentações. “Hope Scope”, lançado originalmente em 1991 e relançado em 2025 pela gravadora Black Saint, este álbum introduz o pianista virtuoso Dave Burrell ao grupo, alterando radicalmente a sonoridade, que já era bastante experimental. Em comparação com o estilo vanguardista e performático dos ex-membros Anthony Davis e Curtis Clark, Burrell se mostra reservado e dramaticamente intencional, uma banda tão grande quanto a de Murray raramente soou tão intimista quanto em "Ben", um drama sinuoso de blues envolvente dedicado a Ben Webster. O piano avança com um ritmo contagiante, impulsionando a grandiosidade de Murray e dos metais de Hugh Ragin e Rasul Siddik em arranjos únicos e vibrantes.

Seria uma omissão imperdoável não elogiar também o trombonista Craig S. Harris. Sua composição "Same Places New Faces", uma épica e pungente obra de bebop que, assim como "Alamode" de Curtis Fuller na era Messenger, desenvolve plenamente o potencial do instrumento para improvisações intensas, tão vertiginosas e desconcertantes quanto suas contrapartes mais palatáveis. As frases se afogam em excessos pantanosos, interrompidas apenas pelos grasnidos carnavalescos de Murray e companhia, em uma provocação deliberada.

Se existe algo que define um bom líder de banda, é saber onde e quando cutucar. Murray se encaixa perfeitamente, é claro. Nenhum artista fica sem desafio em nenhuma faixa, por mais aparentemente monótona que seja a composição, mas ele não cutuca, ele apunhala. Na faixa-título, uma masmorra imponente construída a partir dos tremores aracnídeos de Wilber Morris, certos trechos de saxofone podem soar grosseiros ao ouvinte, como um tolo interrompendo uma conversa sem relação com o assunto. Ele é talvez até grosseiro, levando a banda para divagações irrelevantes e ameaçando arruinar todo o som. Em "Lester" e "Thabo", ele age como um agente desestabilizador constante em uma ode que, de outra forma, seria comovente, catapultando-a para uma estranha feiura, uma feiura que só enriquece a faixa por sua contemplação. O octeto é formado pelos músicos mais iconoclastas e inteligentes do gênero, aqueles tentados a se entregar indefinidamente a experimentos harmônicos, como cientistas confinados em um laboratório por dias a fio. Murray injeta o mundo de volta na música, temperando esses experimentos com o mistério e a vivacidade tão necessários. Mesmo cerca de três décadas após o lançamento original, o disco ainda conserva aquele aroma nauseante, mas necessário, a visão de grande estudo e grande diversão em conjunto.

Faixas: Ben (For Ben Webster); Same Place New Faces; Hope Scope; Lester (For Lester Young); Thabo.

Músicos: David Murray (saxofone tenor, clarinete baixo); Hugh Ragin (trompete); James Spaulding (saxofone alto); Ralph Peterson (bateria); Rasul Siddik (trompete); Craig Harris (trombone); Dave Burrell (piano, voz).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=tWg7BWf_pNA

Fonte: Fran Kursztejn (AllAboutJazz)

 

 

 

ANIVERSARIANTES - 14/09

Arrigo Barnabé(1951) - pianista,vocalista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=tIPUdxK38jU,

Bill Berry (1930-2002) - trompetista,

Brian Lundrus (1978) – saxofonista,

Charlie Beal (1908-1991) - pianista,

Giacomo Gates (1950) – vocalista,

Ismael Silva (1905-1078) – compositor,

Israel "Cachao" Lopez (1918-2008) – baixista,

Jay Cameron (1928) – clarinetista,saxofonista,

Jeffery Smith (1955) - vocalista,

Jerome Sabbagh (1973) - saxafonista,

Joseph Jarman (1937) – saxofonista,multi-instrumentista,

Marcos Valle(1943) – pianista,vocalista,

Oliver Lake (1942) – flautista , saxofonista,

Steve Allee (1950) - pianista 

 

domingo, 13 de setembro de 2026

MICHAEL DEASE - GROVE'S GROOVE (Le Coq Records)

A história da jornada de Michael Dease do sax ao trombone e de volta é algo que qualquer pai de uma criança com talento musical poderia reconhecer. Dease começou como saxofonista alto no ensino médio. Algum tempo depois, ele quis mudar para o sax barítono. Ele trabalhou nisso. E trabalhou nisso um pouco mais. Sua combinação de talento e prática valeu a pena. Dease tornou-se uma espécie de monstro jovem no instrumento, superando seus companheiros de banda mais velhos no ensino médio. Porém, o diretor da banda não sucumbiu ao fascínio do mero talento. Regras são regras. A antiguidade tem seus privilégios. Então, Dease não foi autorizado a tocar sax barítono porque isso deslocaria um músico mais experiente. Um ressentimento nasceu: "para mim, o sax barítono tem sempre significado político". Dease buscou refúgio tocando trombone após ouvir Curtis Fuller em “Blue Train” de John Coltrane (Blue Note, 1958). O sax tornou-se um prazer culpado. Ninguém encorajou uma dupla tão estranha por medo de que ele não fosse levado a sério em nenhuma dos instrumentos de sopro. Se um leitor chegou até aqui e pensou "Sorte de Benny Carter, esse garoto não se agarrou a Lee Morgan", bem, aí está. O talento encontra seu próprio caminho e sua própria voz, não obstante os diretores da banda. Roy Hargrove ouviu Dease tocando sax tenor, tomou-o seriamente e o encorajou. Era tudo o que Dease precisava, de alguma forma pensando que Hargrove poderia saber um pouco mais do que seu antigo diretor de banda.

Assim, aqui, o ouvinte tem o resultado do talento de Dease, o talento de Hargrove e o bom senso, e, talvez, alguma sorte. Acompanhado por uma galáxia de excelentes instrumentistas, Ex-alunos e amigos de Hargrove, há uma riqueza de boa música. O primeiro é "Grove's Groove", uma música de doze compassos. Blues que apresenta Dease, Steve Davis, Jocelyn Gould e Rodney Whitaker. A próxima a vir é "Tea for Two", um veículo para um vocal/guitarra para Jocelyn Gould que inicia com um verso que muitos ouvintes não saberão que existe. "Seiko Time" é mais latina que japonesa, com um adorável solo de trombone de Steve Davis. "Minor Funk" é o que é, cortesia de Cyrus Chestnut. Steve Davis uma vez brilha. "Never Let Me Go" diminui um pouco a temperatura. "The Viper" é uma faixa soul-jazz que apresenta Terell Stafford sintonizando Lee Morgan e algum órgão funkeado também. "Decisions" e "Father Figure" são composições de Dease que adiciona tempero e reflexão, com Rodney Whitaker obtendo espaço solo na última. "Broadway" apropriadamente encerra a sessão, com quase todo o conjunto entrando em ação.

Todos dirão que o mundo perdeu um grande instrumentista, um mentor, e provavelmente com a mesma frequência, um amigo quando Roy Hargrove faleceu muito cedo. Esta gravação é um memorial adequado para ele.

Faixas: Grove's Groove; Tea for Two; Seiko Time; Minor Funk; Never Let Me Go; The Viper; Decisions; Father Figure; Broadway.

Músicos: Michael Dease (trombone, saxofone barítono); Steve Davis (trombone); Terell Stafford (trompete); Jocelyn Gould (guitarra); Bill Cunliffe (piano); Rodney Whitaker (baixo); Ulysses Owens, Jr. (bateria); Alex Acuña (percussão); Jim Alfredson (órgão, Hammond B3); Eli Howell (trombone).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=WunCZ9_by70

Fonte: Richard J Salvucci (AllAboutJazz)