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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

SFJAZZ COLLECTIVE - COLLECTIVE IMAGERY

Durante 20 anos, o coletivo SFJAZZ de São Francisco apresentou anualmente uma seleção de material original e novos arranjos de obras de um mestre reconhecido do jazz. Embora a formação da banda mudasse regularmente e o repertório de reinterpretações fosse amplo, uma linha de frente com três instrumentos de sopro, aliada ao brilho metálico do vibrafone, proporcionava um som singular e facilmente identificável. E com tempo para ensaiar seguido de tempo na estrada, os arranjos complexos que o Collective apresentou em suas gravações anuais nunca perderam sua essência emocional.

Os grandes nomes presentes no lançamento deste ano já estão juntos há três anos, mas, em vez de rearranjar o trabalho de outros artistas, todo o conjunto, assim como sua fonte de inspiração, é original. O coletivo visitou o Museu de Young, em São Francisco, para escolher uma obra de um artista visual contemporâneo da região da Baía como material de origem para novas composições originais.

Assim, "Walking in Rainbow Rain", do trompetista Mike Rodriguez, utiliza padrões de chamada e resposta, linhas angulares e um clímax com o trompete para capturar o simbolismo do estudo em tons de cinza da artista visual Clare Rojas. A urgência do pedal e a narração que introduzem "The Files", do vibrafonista Warren Wolf, fluem e refluem sobre uma levada suave, inspirada em Curtis Mayfield. Esta peça foi inspirada em "FBI Drawings: Legal Ritual", de Sadie Barnette, uma colagem de imagens ampliadas de páginas do dossiê do FBI sobre seu pai, um Pantera Negra, sobrepostas com grafite e lápis de cor.

Em outro momento, "Unknow Know With What Is", de Chris Potter, utiliza uma fórmula de compasso 12/8 e harmonias em tonalidade maior, que se alternam para capturar os redemoinhos abstratos de uma obra de Chris Johnson, e "Listo", do saxofonista David Sanchez, é uma peça de desenvolvimento lento e bem orquestrada. O álbum termina com 'Guardian of the Forests', uma das duas peças do pianista Edward Simon inspiradas no tríptico 'New Normal' de Rupy C. Tut, uma referência aos incêndios florestais da Califórnia, à alienação e à perda. Há um belo solo de piano e um dueto emocionante para piano e clarinete baixo, suaves acordes de metais e a banda atingindo um clímax.

O nível de detalhe em cada faixa é impressionante, mas ainda são os solos que contam. Que álbum fantástico!

Faixas

1.Unknow Know With What Is 06:51

2.Walking in Rainbow Rain 06:58

3.Guardian of the Oceans 07:50

4.The Files 07:26

5.The Child Opens Its Eyes to the Earth 08:26

6.Te Quiero Inti 07:49

7.Listo 06:51

8.Guardian of the Forests 07:00

Músicos: Chris Potter – saxofones tenor, soprano e clarinete baixo; Michael Rodriguez – trompete, flugelhorn; David Sánchez – saxofone tenor, Congas; Edward Simon – pianos acústico e elétrico; Warren Wolf – vibrafone, marimba; Kendrick Scott – bateria; Matt Brewer – baixo, guitarra (faixa #6); Cava Menzies – vocal (faixa #4).

Fonte: Mike Hobart (JazzWise)

 

ANIVERSARIANTES - 21/10

Ali Ryerson (1952) – flautista,

Bobby Few (1935-2021) - pianista,vocalista,

Celia Cruz (1925-2003) - vocalista,

David Weiss (1964) - trompetista,

Dizzy Gillespie (1917-1993) – trompetista,

Don Byas (1912-1972) - saxofonista,

Don Rader (1935) - trompetista,

Doris Monteiro(1934-2023)- vocalista,

Fred Hersch (1955) – pianista,

Jerry Bergonzi (1947) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Z5Dj4eXNl1M,

Lukás Oravec (1988) – trompetista,

Marc Johnson (1953) - baixista

 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

BENJAMIN JEPTHA - HOMECOMING REVISITED (Akustik Elekrik Music)

 Aos 22 anos, o promissor baixista Benjamin Jephta, criado na Cidade do Cabo, apresentou-se ao grande público com “Homecoming (produção independente, 2015)”, um álbum de estreia envolvente que contou com a participação de destaques da cena sul-africana, como o saxofonista tenor Sisonke Xonti, o trompetista Marcus Wyatt, o pianista Kyle Shepherd, o baterista Sphelelo Mazibuko e a vocalista Spha Mdlalose. Uma década depois, ele nos apresenta “Homecoming Revisited”, reinterpretando aquele material com uma ampla comunidade de colaboradores e uma perspectiva conquistada a duras penas.

Abrindo com "Prayer for... (revisited)", com Mazibuko e o percussionista Tlale Makhene estabelecendo a base, Jeptha e seus amigos cativam com um trabalho focado em entonações de fluxo livre.  Uma jornada envolvente, que também oferece um primeiro vislumbre de sua frutífera parceria de trabalho com o coletivo Kujenga, em destaque ao longo de toda a obra.  "Hymn for Ada (revisited)" vem na sequência, presenteando o ouvinte com balanços singularmente vibrantes. A linha de frente, formada por Wyatt e pelos saxofonistas Justin Bellairs e Buddy Wells, coloca a positividade em primeiro plano, enquanto a seção rítmica, que inclui o fenomenal guitarrista Keenan Ahrends, demonstra um entrosamento impecável. "The Blessing (revisited)",  um encantamento hipnótico que faz jus ao seu nome, invoca um poder superior e traz uma melodia com ares de hino em seu desfecho.

"Still I Rise (part 1) (revisited)", com um grande elenco que inclui Kujenga, Makhene, as saxofonistas Linda Sikhakhane e Danni McKinnon, o trompetista Ndabo Zulu, a baterista Leagan Starchild e o percussionista Gontse Makhene, busca mesclar sensibilidades sul-africanas com um toque de Afrobeat nouveau. A faixa contrasta com "Still I Rise (part 2)", uma composição de sonoridade mais contida e elegante que destaca as frases carregadas de emoção da vocalista Jodi Fredericks e o trompete repleto de efeitos de Darren English.  "One for the Plein (revisited)”, que destaca a flauta magistral de Mthunzi Mvubu, segue um caminho diferente, com uma ressonância arejada e um desenvolvimento dinâmico.

Jephta e companhia entregam-se à arte da dança transe em "Homecoming (part 1) (revisited)", faixa em que Xonti marca presença e Bokani Dyer se revela uma figura fundamental.  A segunda parte, vista sob uma perspectiva diferente, traz o trompetista Robbin Fassie em um desempenho arrebatador. "Be Strong (revisited)” tem um desfecho vibrante com um elenco de peso que inclui Kujenga, Sikhakhane, Mazibuko, Dyer, Siya Makuzeni, Siyabonga Mthembu, Tlale Makhene e Gontse Makhene, deixa poucas dúvidas sobre como Jeptha define a unidade por meio da comunidade. Uma carta de amor intergeracional ao som e à cena: esse movimento que olha para trás e avança simultaneamente deixa claro que, sim, é possível voltar para casa. 

Faixas: Prayer for... (revisited); Prayer for Ada (revisited); The Blessing; Still I Rise (part 1) (revisited); Still I Rise (part 2) (revisited); One for the Plein (revisited); Homecoming (part 1) (revisited); Homecoming (part 2) (revisited); Be Strong (revisited).

Músicos: Benjamin Jephta (baixo); Keenan Ahrends (guitarra); Bokani Dyer (piano); Robin Fassie (trompete); Marcus Wyatt (trompete); Sisonke Xonti (saxofone tenor); Linda Sikhakhane (saxofone tenor); Tlale Makhene (percussão); Sphelelo Mazibuko (bateria); Buddy Wells (saxophone); Justin Bellairs (saxofone alto); Gontse Makhene (percussão); Ndabo Zulu (trompete); Leagan Starchild (bateria); Mthunzi Mvubu (saxofone alto); Danni Mckinnon (saxophone); Darren English (trompete); Siyabonga Mthembu (vocal);Kujenga collective: Owethu Ndwandwe (teclados, vocal); Zwide Ndwandwe (baixo); Thane Smith (guitarra); Bonga Mosola (trompete); Matthew Rightford (saxofone); Tamzyn Freek (trombone).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=X0EvZc74ShA

Fonte: Dan Bilawsky (AllAboutJazz)

ANIVERSARIANTES - 20/10

Adelaide Hall (1904-1993) - vocalista,

Andrea Bartelucci (1955) - flautista,

Anouar Brahem (1957) – oudista,

Carl Kress (1907-1965) - guitarrista,

Dino Rubino (1980) – trompetista,pianista,

Eddie Harris (1926-1996) – saxofonista,

Jelly Roll Morton (1890-1941) – pianista,

Lina Allemano (1973) – trompetista,

Mark O'Leary (1969) - guitarrista,

Martin Taylor  (1956) - guitarrista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=USgds2Ruc8U

Russell Gunn (1971) – trompetista,

Teca Calazans (1940) - vocalista  

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

JAMES MOODY - 80 YEARS YOUNG : LIVE AT THE BLUE NOTE, MARCH 26, 2005

 Quando se trata de diversão, poucos eventos se comparam a uma festa de aniversário. A diversão é claramente o tema principal de “80 Years Young: Live at the Blue Note”, gravado na famosa casa noturna nova-iorquina em 26 de março de 2005, para celebrar o octogésimo aniversário do saxofonista James Moody, e lançado na mesma data em 2025 para homenagear o centenário de seu nascimento. Moody, que com o trompetista Dizzy Gillespie formou uma das duplas mais bem-humoradas e divertidas da história do jazz, faleceu em dezembro de 2010 aos oitenta e cinco anos.

Além de ser um músico de jazz excepcional, Moody era um monologista e artista fascinante, talento que revela logo de início na espirituosa e cômica "Benny's from Heaven" e, mais tarde, na encantadora "Moody's Mood for Love", em cada uma delas demonstrando sua inclinação para o iodelei (NT: é uma técnica vocal que troca a voz de peito (grave) pela voz de cabeça ou falsete (aguda) de forma rápida e repetida) e utilizando diversas mudanças de voz e comportamento para enfatizar a mensagem cômica. Após uma breve introdução do empresário George Wein, Moody mergulha de cabeça na história farsesca de "Benny", que espera seu pai/soldado após três anos de serviço militar e ouve, em resposta às suas perguntas compreensivelmente confusas sobre a origem de seu filho, que "Benny é do Céu". Moody usa todos os meios à sua disposição para embelezar a narrativa implausível, e o público engole tudo, recompensando sua malandragem com uma ovação estrondosa.

Moody transita do saxofone tenor para a flauta no clássico atemporal de Ray Noble, "Cherokee", percorrendo com facilidade o andamento mercurial e as rigorosas mudanças de acordes para acentuar seu domínio do instrumento, ao mesmo tempo que deixa amplo espaço para solos vibrantes e precisos do pianista David Hazeltine e do baterista Adam Nussbaum. "Moody's Mood", que se tornou um sucesso inesperado e o colocou definitivamente no mapa musical em 1952 (apesar de ter sido gravada na Suécia, onde Moody morava na época, e quase como uma reflexão tardia no final de uma longa sessão), é a próxima música. Aqui, mais uma vez, Moody recorre ao seu vasto repertório de recursos retóricos para acentuar a letra inteligente, improvisando vocalmente, cantando iodelei e usando sua notável flexibilidade para imitar as personas masculina e feminina da canção, antes de mergulhar em um breve, porém perspicaz, "Television Rap".

Assim que Moody encerra as brincadeiras cômicas, ele vai direto ao assunto, convidando vários de seus amigos peso-pesado ao palco para coroar a celebração. Entre eles, os trompetistas Jon Faddis e Randy Brecker, o trombonista Slide Hampton, o virtuoso dos instrumentos de sopro Paquito D'Rivera e, na última música, o pianista Cedar Walton. O "conjunto de jazz" que ocupa bem mais da metade dos sessenta e quatro minutos de duração do álbum, apresenta um trio de composições estelares de Gillespie: "Birk's Works", "Bebop" e "Ow". Cada um deles tem sua vez, e ninguém deixa de ser criativo e envolvente. "Bebop", que parece ter sido escrita para desafiar até os músicos mais experientes, é especialmente revigorante, com seus implacáveis ​​obstáculos rítmicos facilmente superados graças aos solos precisos e vigorosos de todos os músicos, incluindo D'Rivera no clarinete.

Ainda que as passagens em grupo nessas músicas sejam um pouco irregulares (afinal, foram improvisadas), isso não diminui em nada a alegria e a emoção que envolvem uma ocasião verdadeiramente especial. Mesmo em seu octogésimo aniversário, Moody continuava no auge de sua carreira, tocando e improvisando como alguém muitos anos mais jovem, fazendo com que "80 Anos Jovem" parecesse muito mais do que um mero bordão. Esta é uma festa de aniversário que você ficaria mais do que feliz em participar.

Faixas: Introduction – George Wein; Benny’s from Heaven; Cherokee; Moody’s Mood for Love / The Television Rap; Moody Speaks; Birks' Works; Bebop; Happy Birthday; Ow; Centerpiece / Every Day I Have the Blues*; Darben, the Redd Foxx*; Polka Dots and Moonbeams*; St. Thomas*.

Músicos: James Moody (instrumentos de sopro de palhetas); David Hazeltine (piano); Todd Coolman (baixo); Adam Nussbaum (bateria); Jon Faddis (trompete [6-9]; Paquito D'Rivera (clarinete [6-9]); Slide Hampton (trombone [6-9]); Randy Brecker (flugelhorn [7-9]); Cedar Walton (piano [9]); George Wein MC; Roberta Gambarin (voz [10*,12*])

Fonte: Jack Bowers (AllAboutJazz)


ANIVERSARIANTES - 19/10

Eddie Daniels (1941) – clarinetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=F5pGlAJS42E,

 Jostein Gulbrandsen (1976) - guitarrista,

Makaya McCraven (1983) – baterista,

Masabumi Kikuchi (1939-2015) -pianista,

Pasquale Grasso (1988) – guitarrista,

Piano Red (1911-1985) – pianista,vocalista,

Sarah Montes (1970) – vocalista,

Tim Garland (1966) - saxofonista,

Vinicius De Moraes (1913-1980) – violonista,vocalista,compositor,

Warren L Jones III (1953) - baixista 

 

domingo, 18 de outubro de 2026

DARIUS JONES - LEGEND OF E'BOI (The Hypervigilant Eye) [AUM Fidelity]

Como mostra o novo álbum de Darius Jones, até a música mais angustiante pode servir como uma forma de cura. O saxofonista alto lançou um álbum em formato de trio que se baseia em suas tentativas de lidar com traumas mentais pessoais por meio de uma jornada musical assustadora que começa com gritos e termina com serenidade.

Este álbum é o sétimo volume na série de lançamentos Man'ish Boy de nove volumes de Jones. Trabalhando em um formato de trio com Gerald Cleaver na bateria e Chris Lightcap no baixo, este álbum é a reflexão de Jones sobre sua recuperação do trauma com a ajuda da terapia, e a recuperação da sua saúde mental. A música resultante é pesada e intensa

, especialmente na primeira metade do projeto. Na faixa de abertura, "Affirmation Needed", o som do alto de Jones é concentrado em um forte fluxo melódico que canta apaixonadamente ou ruge em gritos intimidantes. A seção rítmica o suporta com uma cadência de bateria acelerada e um baixo implacável. A execução de Jones tem o mesmo efeito geral de Albert Ayler ou Peter Brötzmann, mas com mais nuances. Sai como um som denso e urgente que mal consegue manter o controle, mas ocasionalmente explode em um grito primitivo.

Este som vem a ser mais denso e melódico, enquanto Jones canta sobre as pulsantes canções de Lightcap e as ocasionais bombas de Cleaver em "Another Kind of Forever". "No More My Lord" é uma canção tradicional de prisão onde Jones chora tristemente sobre um baixo com trabalho de arco e tambores farfalhantes. Soa como "Alabama" de John Coltrane no início, mas o sax alto fica mais alto e mais alto a cada repetição do tema até explodir em um grito estilhaçante.

A partir daí a música começa a se acalmar. "We Outside" é uma dança de três vias silenciosamente abstrata onde Cleaver e Lightcap ressoam e alternam entre curtas figuras do sax alto. Isso se resolve em um lento gemido de blues em "We Inside Now", com Jones reduzindo a marcha para um doce choro de balada digno de Johnny Hodges. O encerramento, "Roosevelt", na verdade parece feliz com o sax alto chorando com alma enquanto o baixo e a bateria mantêm um ritmo irregular, mas animado.

Mesmo quando seu modo de tocar fica mais leve e convencional, Darius Jones mantém uma pegada crua em sua execução, como se estivesse expondo sua alma através do seu sax alto. Essa música é envolvente do começo ao fim, enquanto o caos tempestuoso das faixas de abertura se transforma em clareza e alegria. É um álbum corajoso e notável, cheio de emoção e poder.

Faixas: Affirmation Needed; Another Kind of Forever; No More My Lord; We Outside; We Inside Now; Motherfuckin Roosevelt.

Músicos: Darius Jones (saxofone alto); Gerald Cleaver (bateria); Chris Lightcap (baixo).

Fonte: Jerome Wilson (AllAboutJazz)