Quando se trata de diversão, poucos eventos se comparam a
uma festa de aniversário. A diversão é claramente o tema principal de “80 Years
Young: Live at the Blue Note”, gravado na famosa casa noturna nova-iorquina em
26 de março de 2005, para celebrar o octogésimo aniversário do saxofonista
James Moody, e lançado na mesma data em 2025 para homenagear o centenário de
seu nascimento. Moody, que com o trompetista Dizzy Gillespie formou uma das
duplas mais bem-humoradas e divertidas da história do jazz, faleceu em dezembro
de 2010 aos oitenta e cinco anos.
Além de ser um músico de jazz excepcional, Moody era um
monologista e artista fascinante, talento que revela logo de início na
espirituosa e cômica "Benny's from Heaven" e, mais tarde, na
encantadora "Moody's Mood for Love", em cada uma delas demonstrando
sua inclinação para o iodelei (NT: é uma técnica vocal
que troca a voz de peito (grave) pela voz de cabeça ou falsete (aguda) de forma
rápida e repetida) e utilizando diversas mudanças de voz e comportamento
para enfatizar a mensagem cômica. Após uma breve introdução do empresário
George Wein, Moody mergulha de cabeça na história farsesca de
"Benny", que espera seu pai/soldado após três anos de serviço militar
e ouve, em resposta às suas perguntas compreensivelmente confusas sobre a
origem de seu filho, que "Benny é do Céu". Moody usa todos os meios à
sua disposição para embelezar a narrativa implausível, e o público engole tudo,
recompensando sua malandragem com uma ovação estrondosa.
Moody transita do saxofone tenor para a flauta no clássico
atemporal de Ray Noble, "Cherokee", percorrendo com facilidade o
andamento mercurial e as rigorosas mudanças de acordes para acentuar seu
domínio do instrumento, ao mesmo tempo que deixa amplo espaço para solos
vibrantes e precisos do pianista David Hazeltine e do baterista Adam Nussbaum. "Moody's
Mood", que se tornou um sucesso inesperado e o colocou definitivamente no
mapa musical em 1952 (apesar de ter sido gravada na Suécia, onde Moody morava
na época, e quase como uma reflexão tardia no final de uma longa sessão), é a
próxima música. Aqui, mais uma vez, Moody recorre ao seu vasto repertório de
recursos retóricos para acentuar a letra inteligente, improvisando vocalmente, cantando
iodelei e usando sua notável flexibilidade para imitar as personas masculina e
feminina da canção, antes de mergulhar em um breve, porém perspicaz, "Television
Rap".
Assim que Moody encerra as brincadeiras cômicas, ele vai
direto ao assunto, convidando vários de seus amigos peso-pesado ao palco para
coroar a celebração. Entre eles, os trompetistas Jon Faddis e Randy Brecker, o
trombonista Slide Hampton, o virtuoso dos instrumentos de sopro Paquito
D'Rivera e, na última música, o pianista Cedar Walton. O "conjunto de
jazz" que ocupa bem mais da metade dos sessenta e quatro minutos de
duração do álbum, apresenta um trio de composições estelares de Gillespie:
"Birk's Works", "Bebop" e "Ow". Cada um deles tem
sua vez, e ninguém deixa de ser criativo e envolvente. "Bebop", que
parece ter sido escrita para desafiar até os músicos mais experientes, é
especialmente revigorante, com seus implacáveis obstáculos rítmicos
facilmente superados graças aos solos precisos e vigorosos de todos os músicos,
incluindo D'Rivera no clarinete.
Ainda que as passagens em grupo nessas músicas sejam um
pouco irregulares (afinal, foram improvisadas), isso não diminui em nada a
alegria e a emoção que envolvem uma ocasião verdadeiramente especial. Mesmo em
seu octogésimo aniversário, Moody continuava no auge de sua carreira, tocando e
improvisando como alguém muitos anos mais jovem, fazendo com que "80 Anos
Jovem" parecesse muito mais do que um mero bordão. Esta é uma festa de
aniversário que você ficaria mais do que feliz em participar.
Faixas: Introduction
– George Wein; Benny’s from Heaven; Cherokee; Moody’s Mood for Love / The
Television Rap; Moody Speaks; Birks' Works; Bebop; Happy Birthday; Ow;
Centerpiece / Every Day I Have the Blues*; Darben, the Redd Foxx*; Polka Dots
and Moonbeams*; St. Thomas*.
Músicos: James Moody (instrumentos de sopro de palhetas);
David Hazeltine (piano); Todd Coolman (baixo); Adam Nussbaum (bateria); Jon
Faddis (trompete [6-9]; Paquito D'Rivera (clarinete [6-9]); Slide Hampton (trombone
[6-9]); Randy Brecker (flugelhorn [7-9]); Cedar Walton (piano [9]); George Wein
MC; Roberta Gambarin (voz [10*,12*])
Fonte: Jack
Bowers (AllAboutJazz)

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