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segunda-feira, 6 de abril de 2026

KEN PEPLOWSKI - LIVE AT MEZZROW (Cellar Music Group)

Quando alguém é diagnosticado com mieloma múltiplo, como o especialista em instrumentos de sopro Ken Peplowski disse em junho de 2021, há basicamente duas alternativas: ou aceita a decisão e joga a toalha ou escolhe lutar e redobrar esforços para fazer o que o mantém ativo e esperançoso, neste caso realizando bela música que suínga. Obviamente, como exemplificado pelo álbum “Live at Mezzrow”, Peplowski escolheu o último caminho e, três anos depois, aparentemente venceu a batalha, ao menos por agora, conforme o câncer está em remissão e a música de Peplowski é tão elegante e charmosa como sempre.

Este é um trabalho do quarteto, gravado ao vivo em Fevereiro de 2023 no clube de jazz de Spike Wilner em Nova York City, o Mezzrow, e Peplowski não poderia ter escolhido um conjunto de músicos mais forte ou compatível do que o pianista Ted Rosenthal, o baixista Martin Wind e o baterista Willie Jones III, cada um dos quais não é apenas um esplêndido acompanhante, mas também um solista estelar. Peplowski, um mestre de cada instrumento de sopro de palheta, desliza facilmente do sax tenor para o clarinete neste trabalho, escolhendo tenor em quatro dos dez números da sessão, clarinete nos outros, incluindo os últimos quatro.

O repertório é delicioso, espalhados igualmente entre composições originais impressionantes e standards duradouros do cancioneiro estadunidense. Especialmente bem-vindas são as adoráveis e esperançosas "Cabin in the Sky" (do filme de 1943 de mesmo nome) e "Bright Mississippi", a revisão solar de "Sweet Georgia Brown" de Thelonious Monk. "Prisoner of Love", "All the Things You Are" e "The Shadow of Your Smile" deslizam para a frente em sua marcha baixa habitual, assim como o hino comovente de Artie Butler e Phyllis Molinary, "Here's to Life". Completando o programa atraente estão "Beautiful Love", "Like Young", de Andre Previn e Paul Francis Webster, além do final animado, "Who Knows", de Duke Ellington.

Peplowski é tipicamente impressionante do começo ao fim, nunca minimizando uma nota ou frase enquanto revela e realça o núcleo emocional em cada número. Rosenthal não é menos impressionante, massageando suavemente as baladas e acariciando alegremente os suingadores, enquanto Wind e Jones não apenas emprestam apoio rítmico incansável, mas também tocam solos com perspicácia e entusiasmo sempre que necessário. Felizmente, Peplowski não é apenas “Live at Mezzrow”, ele está vivo e bem, e tocando tão habilmente e prazerosamente como sempre.

Faixas: Vignette; Prisoner of Love; Beautiful Love; All the Things You Are; Like Young; The Shadow of Your Smile; Cabin in the Sky; Bright Mississippi; Here’s to Life; Who Knows.

Músicos: Ken Peplowski (instrumentos de sopro de palhetas); Ted Rosenthal (piano); Martin Wind (baixo acústico); Willie Jones III (bateria).

NR: Lamentavelmente, em 02/02/2026, Ken Peplowski veio a falecer.

Fonte:  Jack Bowers (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 06/04

Andre Previn (1929-2019) - pianista,

Art Taylor (1929-1995) - baterista,

Bill Hardman (1933-1990) - trompetista, flugelhornista,

Charlie Rouse (1924-1988) - saxofonista,

Dorothy Donegan (1924-1998) - pianista,

Gene Bertoncini (1937) - guitarrista,

Gerry Mulligan (1927-1996) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=hpkTNa2iioE,

Gerry Niewood (1943-2009) – saxofonista,

Greg Wolfram (1989) – baixista,

Horace Tapscott (1934-1999) – pianista,

Jack Pribek (1964) – guitarrista,

John Pizzarelli (1960) - guitarrista, vocalista,

Pete Benson (1978) – organista,

Randy Weston (1926-2018) - pianista

 

domingo, 5 de abril de 2026

KAROLINA STRASSMAYER, DRORI MONDLAK AND DAVID FRIEDMAN – SPEAK YOUR TRUTH (Lilypad Music)

O duo criativo da saxofonista/flautista Karolina Strassmayer e do baterista Drori Mondlak tem feito músicas emocionantes há mais de duas décadas. O par funde perfeitamente o composto e o improvisado em seus lançamentos envolventes, que são, usualmente, em quarteto com configuração intimista. “Speak Your Truth” é uma despedida de seus trabalhos passados, ainda que uma evolução lógica dele, pois é um conjunto totalmente improvisado.

Unido a Strassmayer e Mondlak nesta jornada estimulante está o intrépido vibrafonista David Friedman. Juntos o trio constrói a sublime peça central deste álbum uniformemente excelente, "Dream in Three Movements". Em um ambiente noturno, o sax alto melancólico e ansioso de Strassmayer flutua sobre os sinos ressonantes dos percussionistas e farfalha suave. Friedman assume o centro do palco, primeiro com um toque de melancolia. Então, com a cadência animada de Mondlak conduzindo a música, Friedman toca uma melodia brilhante. Strassmayer entra com seus refrões líricos aumentando a exuberância da performance, que termina com toques caribenhos.

"Drum Roll, Please" é um dueto caprichoso de Mondlak e Friedman. Os dois músicos exibem seus virtuosismos em seus respectivos instrumentos o tempo todo mantendo uma conversa inteligente e espirituosa. Os tons nítidos de Friedman refletem as batidas trovejantes de Mondlak com agilidade e elegância. Suas trocas de tirar o fôlego chegam a uma conclusão naturalmente serena.

A faixa título, que também inicia a gravação, é reflexiva e apresenta Strassmayer tecendo um conto poético com seu saxofone choroso e musculoso. A bateria estrondosa de Mondlak adiciona uma expectante dimensão, enquanto eles animam as frases encorpadas da saxofonista. O baterista antecipa as ideias da sua parceira e apresentam suas respostas com perfeita sinergia.

Strassmayer inicia a sublime "New Dawn Light" com suas linhas de flauta esvoaçantes. Friedman adiciona outra camada melódica à peça com suas baquetas rolantes. Mondlak estabelece uma estrutura rítmica em tons escuros, que torna esta improvisação uma reflexão harmoniosa de três vias, imbuída de espiritualidade sutil.

Intercalada entre peças mais longas e belas joias de solos curtos como a improvisação da flauta de Strassmayer, a lindamente cinematográfica "Casting Shadows". Outra coisa intrigante é a pepita brilhante de "Cymbalese" desacompanhado de Mondlak. Nele, o Mondlak extrai nuances surpreendentemente sutis de seu instrumento.

“Speak Your Truth” é um trabalho imaginativo de espontaneidade, virtuosismo e camaradagem. Beneficia-se imensamente da visão artística compartilhada entre os membros do trio. Igualmente acessível e deliciosamente imprevisível, é o melhor trabalho de Strassmayer e Mondlak até hoje.

Faixas: Speak Your Truth; Calling For You; Casting Shadows; Dream In Three Movements; Drum Roll, Please!; New Dawn Light; Cymbalese; Pause And Effect; Leave No Footprint; An Exchange Of Views; Motion Perpetual; Bursts Of Time.

Músicos: Karolina Strassmayer (saxofone alto); Drori Mondlak (bateria); David Friedman (vibrafone).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=69d-EK0s9kI

Fonte: Hrayr Attarian (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 05/04

Antonio Loureiro (1986) – multi-instrumentista,vocalista,

Evan Parker (1944) – saxofonista,

Hakon Kornstad (1977) – saxofonista,

John Bishop (1959) – baterista,

John Parricelli (1959) – guitarrista,

Kris Bowers (1989) – pianista,

Nick Paul (1939) – saxofonista,

Raul Mascarenhas (1953) – saxofonista,flautista,

Robert Glasper (1978) – pianista,

Stan Levey (1926-2005) - baterista,

Stanley Turrentine (1934-2000) -saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=o1XLr_PZkuY&feature=related
 

sábado, 4 de abril de 2026

SILKE EBERHARD TRIO WITH JAN RODER AND KAY LüBKE - BEING-A-NING (Intakt Records)

É raro descrever uma gravação de áudio como corajosa, mas é exatamente isso que o mais recente lançamento do Silke Eberhard Trio representa: ousadia, destemor e uma originalidade inabalável. “Being-A-Ning”, o quinto álbum do grupo, empresta seu título de "Rhythm-A-Ning", de Thelonious Monk, homenageando o gigante do jazz e dando continuidade à convenção de nomenclatura temática do trio. Os álbuns anteriores — "Being (2008)" e "What A Beauty Being (2011)" pela Jazzwerkstatt, seguidos por "The Being Inn (2017)" e "Being The Up And Down (2021)" pela Intakt — exploraram a natureza elusiva do "ser" através da improvisação destemida e de ideias composicionais incisivas.

Eberhard, saxofonista alto conhecida por seu timbre expressivo e espírito aventureiro, compôs nove das dez faixas do álbum. Sua escrita é audaciosa, intelectualmente rigorosa, mas emocionalmente impactante. Ela sempre se inspirou em inovadores ousados, como Charles Mingus, Eric Dolphy e Ornette Coleman, cuja influência pode ser sentida na energia espontânea e na elasticidade estrutural do trio. Mais contemporaneamente, sua abordagem se alinha à de Steve Lehman e Steve Coleman, ambos saxofonistas alto que utilizam sistemas rítmicos complexos e estruturas inovadoras sem perder a essência humana da música.

Considere "What´s In Your Bag", que se desenvolve como uma demonstração matemática avançada, densa, calculada, mas profundamente satisfatória. "New Dance" aproveita essa energia com uma propulsão funk, enquanto "Sao" mostra o baterista Kay Lübke liderando com uma pulsação insistente, sinos e texturas que levam Eberhard e o baixista Jan Roder aos limites de seus vocabulários sonoros. Roder e Lübke são mais do que acompanhantes, são cúmplices, enfrentando os desafios composicionais de Eberhard com garra e precisão.

Até mesmo os momentos que ameaçam se acalmar — como a balada "Golden Fish" — são repletos de surpresas. O trio emprega frases com início e parada abruptas e desconstruções sutis, que desestabilizam a trajetória esperada de uma balada de jazz. A faixa-título é uma surpresa astuta, canalizando não Monk, mas o timbre suave do saxofone alto da banda de Charles Mingus e a facilidade melódica do quarteto de Dave Brubeck, tudo filtrado pela sensibilidade angular e destreza rítmica do trio.

“Being-A-Ning” é uma declaração ousada de um trio que prospera no risco, provando que o jazz aventureiro ainda pode soar fresco, enraizado e intensamente vibrante. Não é apenas corajoso: é essencial ouví-lo.

Faixas: What's In Your Bag; Golden Fish; Sao; Hans Im Glück; New Dance; Stranger Bossa; Being-A-Ning; Lake; Die Urwald II; Rubber Boots.

Musicos: Silke Eberhard (saxofone); Jan Roder (baixo); Kay Lübke (bateria);

Fonte: Mark Corroto (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 04/04

Benny Green (1963) –pianista,

Buster Cooper (1929) - trombonista,

Charles Owens (1939) – saxofonista,

Chiquito Braga (1936-2017) – guitarrista,violonista,

David Aaron (1966) - saxofonista,

Gary Smulyan (1956) – saxofonista (na foto e vídeo)http://www.youtube.com/watch?v=tg3yC-FHnY0,

Gene Ramey (1913-1984) - baixista,

Hugh Masekela (1939-2018) - trompetista,flugelhornista,vocalista,

Jack Hanna (1931-2010) - baterista,

Jeff Parker (1967) – guitarrista,

Jim Cutler (1963) – saxofonista,

Michel Camilo (1954) - pianista,

Paula West (1959) – vocalista,

Wellington Mendes (1967) – trompetista,flugelhornista,

Zé da Velha (1942) - trombonista

 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

CHRISTOPHER ZUAR ORCHESTRA – EXUBERANCE (Tonal Conversations)

“Exuberance” é parte de uma "longa conversa tonal" entre o compositor Christopher Zuar e a animadora Anne Beal. Zuar, um novaiorquino de Long Island, descreve o trabalho como "uma jornada de crescimento pessoal", que iniciou em 2017 quando ele e Beal se conheceram como companheiros na Colônia MacDowell nas florestas de New Hampshire. Ele explana que o álbum é um "projeto colaborativo que constitui os sete últimos anos de nossas vidas".

"In Winter Blooms", a faixa de abertura, surgiu de seu primeiro encontro, durante uma nevasca. Entrando em sua cabana após uma curta caminhada descendo a colina, ela o encontrou improvisando ao piano, observando a neve, e reconheceu imediatamente que ele estava tentando representar a queda de neve musicalmente. Ela tem uma forma de sinestesia que lhe permite "experimentar cores e texturas", quando ouve sons. Ele perguntou a ela o que ela via em sua música. Ela esboçava ao lado dele, enquanto ele compunha ao piano, lápis e papel nas mãos, criando milhares de pinturas, que ela incorporou em sua versão animada de sua obra sonora. Eles trabalharam juntos e separadamente.

Como parte do projeto, eles viajaram para Hendersonville, a casa de Beal no oeste da Carolina do Norte, vivenciando a cultura e fazendo gravações de campo de paisagens sonoras nas belas Montanhas Blue Ridge. "Communion" e "Simple Machines" são frutos desta peregrinação. O conjunto de estrelas de Zuar, sediado em Nova York, emprega a instrumentação típica de uma big band com seção rítmica, além de oito instrumentos de sopro e cinco instrumentos de palhetas (com duplas incluindo flautim, flauta alto, oboé e clarinete baixo). Para estas duas peças ele adicionou o que ele chama de "banda de cordas dos Apalaches" (violino, dulcimer de martelo, bandolim, tambor de moldura, um pouco de banjo). "Communion" foi inspirado pelo som dos grilos — grilos conhecidos por seu chamado antifonal, "katydid, katy didn't". Os insetos reais podem ser ouvidos no final do trabalho. Beal cresceu tocando violino e dançando, imerso nas artes da cultura piemontesa - contradança, antigas bandas de cordas, cerâmica, tecelagem. "Simple Machines" incorpora um tear, com camadas de frases de quatro compassos sobrepostas entrelaçando os temas.

Em sessões de audição para o Jazz Composers Present (2022, 2024), Zuar discutiu o projeto e suas técnicas de composição. O fraseado em "Communion", por exemplo, soa bastante natural, apesar de uma estrutura subjacente irregular. Ele foi capaz de explanar a construção claramente para um público de colegas compositores, mas enfatizou que sua linguagem matemática e a complexidade visual da notação desmentem a verdadeira natureza de seu método, que é mais intuitivo e improvisado. Muitas vezes ele tem que dar um passo para trás após o momento da criação para ver o que ele fez. O violino pode soar bastante livre em "Comunhão", mas a parte escrita é colocada "precariamente" sobre frases polimétricas instáveis.

Quando questionados se os membros do conjunto receberam instruções relativas às fontes naturais de uma composição, a resposta de Zuar foi um "não" definitivo; muitos ouviram os sons do gafanhoto pela primeira vez em ensaios gerais ou apresentações. Às vezes ele fornece instruções gerais aos músicos, no entanto, incluindo a palavra "raiva" como um estímulo para o solo de violino de tirar o fôlego de Sara Caswell em "Communion"."Exuberance", a faixa título e faixa culminante do álbum, é também a única peça vocal. O tom é carregado de — nas palavras de Zuar — "euforia, desejo, avanço acelerado, energia transbordante". Ele compôs a melodia e a orquestração da dança ativa — incluindo partes de acompanhamento igualmente ativas — antes de entregá-lo a Beal, que contribuiu com a letra. Esta sequência força uma abordagem que pode ser comparada ao vocalese; qualquer que seja o assunto expresso, o letrista também deve corresponder aos ritmos de fala e entonações implícitos da melodia. Beal fez um trabalho admirável, assim como Emma Frank, cuja voz é clara e doce. Zuar concebeu a composição como uma "história" na qual ele deu a Beal a chance de "escrever de volta" para ele em palavras.

Nas apresentações do álbum, Beal fornece animação em vídeo ao vivo, participando como um dos músicos do grupo, adicionando uma dimensão visual espetacular à música.

Faixas: In Winter Blooms; Moments in Between; Communion; Simple Machines; Before Dawn; Certainty; Exuberance.

Músicos: Christopher Zuar (compositor / maestro); Dave Pietro (saxofones alto e soprano. piccolo, flauta); Charles Pillow (saxofone, flauta, oboé, clarinete); Jason Rigby (saxofone tenor, flauta, clarinete); Ben Kono (saxofone tenor, flauta, clarinete); Carl Maraghi (saxofone barítono, clarinete baixo); Tony Kadleck (trompete, flugelhorn); Jon Owens (trompete); Scott Wendholt (trompete, flugelhorn); Matt Holman (trompete, flugelhorn); Matt McDonald (trombone); Mark Patterson (trombone); Alan Ferber (trombone); Max Seigel (trombone, trombone baixo); Pete McCann (guitarra, banjo, bandolim, dobro ); Glenn Zaleski (piano, fender rhodes); Drew Gress (baixo); Mark Ferber (bateria); Rogerio Boccato (percussão); Sara Caswell (violino); Max ZT (hammered dulcimer [faixa 4]); Joe Brent (bandolim [faixa 4]); Keita Ogawa: (percussão [faixa 4]); Emma Frank (voz [faixa 7]); Mike Holober (maestro).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Dk212TS6ZIs

Fonte: Katchie Cartwright (AllAboutJazz)