Rick Vito é verdadeiramente um dos melhores guitarristas slide
dos EUA e tem sido consistentemente um dos melhores há décadas. Vito, assim
como outros guitarristas americanos, incluindo Duane Allman e Ry Cooder, além
de britânicos como Peter Green e Jeff Beck, ficou impressionado com os mestres
da guitarra blues nacionais, como Elmore James, Robert Johnson e muitos outros
veteranos do blues. Elementos de blues permeiam grande parte do trabalho ao
vivo e gravado de Vito (além de boas doses de rockabilly, ocasionais toques de
jazz e muito mais). Em “Slidemaster”, Vito desliga o microfone vocal e deixa
sua guitarra falar por si em todas as doze faixas, uma combinação de trabalhos
antigos selecionados e algumas novas composições brilhantes, porém com
inspiração vintage. É uma coleção única e bem-vinda.
Com sete composições originais de Vito e cinco reinterpretações
(duas criadas por Peter Green), há altos e baixos emocionais, e variações entre
esses extremos. O "Vegas Jump" de Vito abre o disco com energia. E,
como seria de esperar de uma música com a palavra "Vegas" no título,
a faixa é um alerta vigoroso para chamar nossa atenção. Porém, espere, vamos
diminuir as luzes e ir com calma na segunda faixa, "Steal Away",
antes de Vito e os rapazes da banda voltarem com tudo, com toques de Bo Diddley
em "The Big Beat". Depois vem "Red Hot Baby", que aparece
algumas músicas depois e imediatamente exige uma ida à pista de dança. "Slide
the Blues" é um slide 'n' shuffle (NT:
[deslizar e embaralhar/arrastar] não é um nome oficial de um passo ou estilo
único, mas uma combinação de movimentos que descreve transições rítmicas e
técnicas de deslizamento executadas em danças urbanas e de rua) descontraído,
enquanto a tristeza transborda de "A Change is Gonna Come", de Sam
Cooke. Embora a letra da versão original sempre será o cerne da canção, a
versão instrumental de Vito é poderosa à sua maneira, pois a "voz" de
sua guitarra é articulada e precisa. Em seguida, ele mergulha fundo no blues do
Delta em "River of Blues", depois apresenta uma música de Green —
"The Supernatural" — antes de dizer amém com a oferta final do álbum,
"The Lord's Prayer", com uma abordagem que reverencia a versão
estelar de Beck para "Nessun Dorma", de seu álbum de 2011.
“Slidemaster” apresenta várias faixas de destaque, mas
"Albatross", de Peter Gree, que surge exatamente no centro do álbum,
é o coração e a alma da coletânea. A peça instrumental onírica de Green foi
inspirada nos lançamentos de Santo & Johnny do final dos anos 50, bem como
nas brisas cálidas e suaves da música de guitarra havaiana — acompanhamento
que, assim como na versão original, é sutilmente sustentado por um fluxo suave
de percussão ondulante. Lançada inicialmente como single em 1968, "Albatross" representou uma mudança
surpreendente em relação ao blues cru do Fleetwood Mac. Não só chegou ao
primeiro lugar, como também é uma das canções mais evocativas que o grupo já
gravou. Embora alguns músicos tenham tido a coragem de fazer uma versão da
música, Vito é um dos raros artistas que conquistaram o direito de gravá-la,
por diversos motivos, incluindo o fato de ter integrado o Fleetwood Mac anos
atrás. Esta versão, de um lançamento da Vito de 2005, está à altura da
original, à sua própria maneira.
Com doze faixas e um repertório que soma cerca de quarenta
minutos, trata-se de uma coletânea não oficial de seus maiores sucessos
instrumentais. A maioria das faixas é criteriosamente concisa e contida (sem
pirotecnias chamativas desta vez), embora algumas delas exibam um pouco mais de
potência. Na verdade, alguns minutos a mais seriam bem-vindos em faixas como
"The Lord's Prayer". Talvez na próxima, quando ele tocar ao vivo. No
fim das contas, Vito adota uma abordagem contida, lembrando-nos de que
"menos é mais" ao confiar em sua incrível slide guitar para guiar o
caminho com segurança e falar por ele desta vez.
Faixas: Vegas
Jump; Steal Away; The Big Beat; The Danger Zone; Red Hot Baby; Albatross; Soul
Shadows; Slide The Blues; A Change Is Gonna Come; River Of Blues; The
Supernatural; The Lords Prayer.
Músicos: Rick
Vito (guitarra e vocal); Rick Reed (percussão); Lynn Williams (bateria); Charles
Johnson (bateria); Charlie Harrison (baixo); Mark Horowitz (órgão, Hammond B3);
Kevin McKendree (teclados).
Fonte: Scott
Gudell (AllAboutJazz)






