Jan Bang é um músico, compositor e produtor musical que
nasceu em agosto de 1968, em Denver, Colorado, mas cresceu em Kristiansand, na
Noruega. Arve Henriksen é um trompetista, vocalista e compositor nascido em
março de 1968, em Stranda, na Noruega. Para a 42ª edição do Skopje Jazz
Festival, em 2023, Bang e Henriksen foram convidados a colaborar na criação de
novas músicas. O resultado foi “After the Wildfire”. A obra foi apresentada
pela primeira vez no festival com Bang no live sampling e eletrônica,
Henriksen no trompete e voz, além do guitarrista Eivind Aarset e do
percussionista Ingar Zach, acompanhados pela Orquestra do Instituto FAMES e
vozes macedônias, com arranjos e regência de Dzijan Emin. Essa estreia revelou
uma música situada entre gêneros — ambiente, folk e sinfônico —, tendo como
principais características a inovação e a criatividade.
O álbum em si, “After The Wildfire (Punkt Editions, 2025)”,
evoluiu significativamente em relação à versão do festival, mantendo, no
entanto, todos os seus elementos. O álbum traz gravações adicionais realizadas
no estúdio Punkt por Aarset, Bang e Henriksen, incluindo a faixa de abertura,
"Seeing (Eyes Closed)", a faixa que abre o segundo lado,
"Halfway Between Noon and Sunset", e a faixa de encerramento,
"Remnants". "Seeing (Eyes Closed)" destaca o trompete
etéreo de Henriksen e proporciona um início caloroso e envolvente. "Acadia"
transborda emoções diversas, sejam elas tristeza, amor, perda ou aconchego.
"Meridian Moon" sintetiza as emoções daqueles que contemplam o céu
noturno — ou diurno — em busca de padrões ou de algum significado. "Grassland"
é tensa e espaçosa: uma caçada silenciosa, um rosnado grave e o som abafado das
patas de um predador. É uma música de vastas paisagens, onde a quietude esconde
predadores que se movem furtivamente sob a grama alta.
No segundo lado, "Halfway Between Noon and Sunset"
pulsa com uma inevitabilidade quase mecânica, precisa, porém assombrosa,
enquanto "Pehlivan Fighters" irrompe com energia extasiada: heróis
populares da alma erguendo-se diante de uma multidão invisível, o embate
ritualístico como celebração comunitária, o ritmo como músculo e espírito. "Abandoned
Cathedral II" é a desconfiguração da própria arquitetura, onde o presente
assombra o passado e o passado assombra o presente, cada um racionalizando-se
por meio de uma revisitação da perda. Por fim, "Remnants" deixa
apenas um brilho tênue, o cintilar da luz sobre águas escuras, onde o que é
definido se dissolve em sugestão. Escassa e frágil, é a imagem residual que
permanece após um incêndio. Entrelaçada em toda a obra, encontra-se uma
meditação sobre a força da natureza frente à impermanência dos empreendimentos
humanos.
Faixas: Seeing
(Eyes Closed); Acacia; Miriidian Moon; Grassland; Halfway Between Noon And
Sunset; Pehlivan Fighters; Abandoned Cathedral II; Remnants.
Músicos: Jan Bang (live sampling, programação); Arve Henriksen
(trompete, eletrônica,voz); Eivind Aarset (guitarra, eletrônica); Ingar Zach
(percussão); Vera Josofovska Milosevska (vocal); Anastasija Ilievska (vocal);
Jovana Bogdanoska (vocal); Milan Ninkovic (cello); Dzijan Emin (condução);
Fames Institute Orchestra; Mario Kuzev: tapan [é um
tambor tradicional de dupla face muito usado na música folclórica do Leste
Europeu (Macedônia, Bulgária e Romênia)]; Andrej Trajikovski (kaval,
zurla); Ropert Angelovski (kaval, zurlu).
Para conhecer um pouco deste trabalho, assista ao vídeo
abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=v5fP0qrn-v0
Fonte: John
Eyles (AllAboutJazz)






