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sábado, 13 de junho de 2026

JOÃO LENCASTRE - PARALLEL REALITIES II (Timbuktu Records)

A Teoria (ou Interpretação) dos Muitos Mundos, proposta pelo físico norte-americano Hugh Everett III (1930-1982), sugere que o universo se ramifica constantemente em infinitos universos paralelos a cada evento quântico, onde todas as possibilidades se concretizam em diferentes ramos, sem que haja colapso da função de onda. Em vez de um único resultado acontecer, como na interpretação tradicional, esta teoria postula que todos os resultados acontecem, cada um num universo separado, formando um vasto multiverso de realidades não comunicantes. É neste quadro que surgem as chamadas “realidades paralelas”, múltiplos universos coexistentes com aquele no qual vivemos, onde diferentes versões da realidade podem existir, variando desde pequenos detalhes quânticos até leis físicas completamente diferentes. A ideia tem ecos tanto na física quântica como na ficção científica, sugerindo que cada decisão ou possibilidade pode gerar uma nova linha temporal ou universo, cada qual constituindo uma versão alternativa. Esta ideia de ramificações da realidade, a cada instante, assenta bem no modus operandi deste quinteto liderado pelo baterista, compositor e improvisador João Lencastre que, seis anos após a estreia discográfica homônima, editada pela FMR, está de volta com “Parallel Realities II”, desta feita com selo da Timbuktu Records. Lencastre é figural central no panorama do jazz nacional da última vintena de anos. O seu trabalho multímodo tanto o posiciona na área do jazz mais conservatorial e afeito à tradição, como, de modo crescente, nos domínios da música improvisada exploratória, e tudo no ínterim, deixando sempre marca indelével nos projetos e grupos que lidera ou em que participa decisivamente. Como em equipe que ganha não se mexe, João Lencastre manteve a mesma formação do primeiro álbum: Albert Cirera nos saxofones tenor e soprano, Rodrigo Pinheiro no piano, Pedro Branco na guitarra e João Hasselberg no baixo elétrico e eletrônicas. «A ideia geral deste grupo é explorar diferentes caminhos de improvisação, que se cruzam e acabam por se encontrar», começa por dizer João Lencastre à jazz.pt. «É evitar o óbvio da interação, é procurar contrastes, mas que ao mesmo se complementam entre eles.» Fica claro que os cinco músicos aportam diferentes elementos para o cômputo, fruto de referências e percursos distintos. «Todos nós temos variadas e diversificadas influências, falando só de influências musicais. Eu, por exemplo, tanto posso ouvir um disco de música clássica, como um disco de reggae, metal, jazz, afro beat ou hip hop, etc. Essas influências poderão surgir quando tocamos e improvisamos, ainda que não de uma forma propositada ou racional, é algo que está no nosso ADN e que surge naturalmente», sublinha o baterista. Parallel Realities II foi registado nos Estúdios Timbuktu, em Lisboa, e misturado e masterizado por André Fernandes. Em oito temas — três da autoria de Lencastre e cinco improvisações coletivas — o quinteto prossegue na busca e exploração de contrastes, alternando explosões caóticas com momentos mais delicados. A formação pretende, diz Lencastre, «levar o ouvinte numa viagem na busca do incerto e do infinito.» Não esquecer que o baterista acaba de lançar um outro álbum, ”This Is Not A Jazz Record”, em que apresenta uma curiosa exploração de música eletrônica dancefloor, no qual tocou e gravou todos os instrumentos. Antes, havia lançado na Robalo Music Free Celebration (2024), no qual celebrou não apenas a música de três figuras inescapáveis da história do jazz — Thelonious Monk, Herbie Nichols e Ornette Coleman — como também a liberdade para interpelar criativamente a riqueza destes legados de forma descomplexada e sem balizas estilísticas. Mais atrás fora a vez de títulos inescapáveis como “Safe In Your Own World” e “Studio Adventures”, ambos editados em 2022, “Unlimited Dreams”, de 2021, e “No Gravity”, de 2000. Sendo a continuação natural do primeiro tomo lançado pelo projeto, “Parallel Realities II” explora novas possibilidades, sem, contudo, perder um certo fio condutor que sempre o tem guiado ao longo do seu rico e diversificado percurso. «Tento que cada disco seja um conto, e este é mais um capítulo da minha história, diferente dos outros, mas que mantém a identidade», explica João Lencastre. «Em relação ao primeiro “Parallel Realities”, é uma continuação, onde a exploração e a procura de diferentes cores e texturas prossegue em termos de improvisação, apesar de haver algumas coisas escritas e alguma direção.»

João Lencastre sentiu a necessidade de fazer um novo disco com este grupo porque ficou satisfeito com a forma como soa o primeiro e, com uma pandemia a interpor-se, não conseguiu apresentá-lo com pretendia. «Quando tudo voltou à normalidade já era “old news”», refere. Lencastre escreveu alguns temas e levou para estúdio algumas “realidades paralelas” que foram experimentadas durante a sessão de gravação. A música em muito beneficiou dos predicados dos membros da formação. «Para além de bons amigos, são todos músicos incríveis, muito versáteis e com uma grande facilidade de improvisar e adaptação a cada momento.» Não obstante o material escrito e as ideias que trazia na cabeça, concedeu-lhes margem bastante para input criativo. O som do grupo acomoda elementos orgânicos e eletrônicos, algo que lhe interessa continuar a explorar. No que engendram coletivamente coabitam atmosferas planantes e enigmáticas com outras mais energéticas e abrasivas. Desenvolvida em várias camadas que se entrecruzam, a música da formação é ampla, não apenas em termos sonoros, como também emocionais. «É isso que procuro em cada disco, contar uma história que passe por diferentes ambientes, e que leve o ouvinte numa viagem de diferentes emoções.» Na exploração daquilo a que chama o «não óbvio», são muitos os detalhes que podem passar despercebidos numa primeira audição, o que torna o álbum particularmente desafiante. Cada peça funciona como uma experiência individual, com o seu caráter, permitindo que cada ouvinte crie a sua própria narrativa e ligação emocional. Tema composto, “Flying To The Unknown” vem envolto numa atmosfera misteriosa, desde logo marcada pelas notas solenes do piano de Rodrigo Pinheiro, a que se juntam as eletrônicas decisivamente discretas de Hasselberg, o saxofone multímodo de Cirera, a guitarra abrasiva de Pedro Branco, a bateria irrequieta do líder. No final, tudo coalesce para a ordem. De início sereno, mas inquietante, como se algo estivesse na iminência de acontecer, “The Silence Between”, outra composição de Lencastre, traz de novo uma camada eletrônica que é interpelada pela bateria e pelo piano e, adiante, pelo saxofone. A massa sonora rarefeita permite, como o título deixava antever, que o silêncio se imiscua por entre as notas, sendo parte decisiva no que se escuta. Uma das peças centrais do álbum é “The Weight Of Nothing/The Weight Of Sound” na qual mergulhamos num mar sonoro etéreo, interpelado apenas por pequenos sons, por vezes de proveniência incerta ou ignota. O que aqui se escuta é tão importante como o inaudível. A dado momento instala-se um diálogo entre guitarra e bateria, banhado em eletricidade, que acumula tensão, sublinhada pelo piano, até tudo se esvair num tênue fio de som, como que num retomar das condições pristinas. “Triggered” é uma peça de teor esdruxulamente camerístico, turbilhão de sons, catarse coletiva. Tudo acalma na mais enigmática “Imagination Is Free”, outra peça composta pelo baterista, em que avulta a relojoaria minuciosa; Cirera tece no soprano um belíssimo fio melódico e Lencastre espanta pela contenção ou, melhor dito, pela contensão, no sentido de concentração mental, no esforço de manter foco. “Reality Shifting” é outro momento instável, que deixa o ouvinte no limbo da expetativa do que vai acontecer. A triangulação saxofone-piano-bateria explora várias possibilidades, sempre com extrema atenção aos detalhes. “Time Fracture” começa com as percussões etéreas de Lencastre a que se juntam outros sons como que saídos de uma caixa de música alienígena, seja o piano minucioso, as ruminações exploratórias do saxofone ou a guitarra planante. “Echoes From The Past” é sucinto epílogo, que embaralha e volta a dar sem que nada fique como dantes.

Faixas

1.Flying To The Unknown 05:32

2.The Silence Between 05:34

3.The Weight of Nothing/ The Weight Of Sound 12:39

4.Triggered 03:48

5.Imagination Is Free 05:15

6.Reality Shifting 04:40

7.Time Fracture 06:53

8.Echoes From The Past 01:24

Músicos: João Lencastre— bateria e percussão eletrônica; Albert Cirera— saxofones tenor e soprano; Rodrigo Pinheiro— piano; Pedro Branco— guitarra; João Hasselberg— baixo elétrico e eletrônicas.

Fonte: António Branco (jazz.pt)

 

 

ANIVERSARIANTES - 13/06

Attila Zoller (1927-1998) - guitarrista,

Doc Cheatham (1905-1997)- trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=JwBHhK7k5Q0,

Frank Strozier (1937)- saxofonista,

Garland Wilson (1909-1954) - pianista,

Harold Danko (1947) – pianista,

Jim Miller (1953) – baterista,

Phil Bodner (1919-2008) - clarinetista,flautista,

Silke Eberhard (1972) - saxofonista 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

EDITION REDUX - BROADCAST TRANSFORMER (Audiographic Records)

Ken Vandermark há muito tempo prioriza dedicar quase todas as suas composições a outros artistas. De pintores e fotógrafos a escritores, poetas e colegas músicos, suas influências abrangem um amplo espectro artístico. O cinema, em particular, tem sido uma fonte significativa de inspiração para este antigo morador de Chicago. Embora Vandermark tenha composto duas trilhas sonoras encomendadas — “Strade D'Acqua / Roads Of Water (Multikulti Project, 2010)” e “Parallax Sounds (Just Temptation Recordings, 2014)” — sua abordagem à música incorpora consistentemente um escopo cinematográfico.

Edition Redux é um grupo ideal para concretizar a visão cinematográfica de Vandermark. O quarteto apresenta Erez Dessel (teclados), Beth McDonald (tuba) e Lily Finnegan (bateria), ao lado do próprio Vandermark. A estreia do grupo, “Better A Rook Than A Pawn (Audiographie, 2023)”, introduziu uma estrutura dinâmica que “Broadcast Transformer” continua a explorar. Os instrumentistas navegam pelos intrincados sistemas pré-arranjados de Vandermark, que mudam modos e emoções várias vezes nas quatro faixas apresentadas.

Este lançamento traz 14 novas composições, que podem ser organizadas ou até mesmo rearranjadas durante apresentações ao vivo. A peça "Other Nichols Other Dimes (para Herbie Nichols e The Minutemen) / Salto (para Jacob Lawrence) / Pony Up (para Rebecca Morris)" presta homenagem a dois pintores, ao pianista de bebop Herbie Nichols e ao álbum seminal da banda de punk rock Minutemen, “Double Nickels On The Dime (SST Records, 1984)”. Começa com um balanço de sintetizador elétrico combinado com a interação do saxofone tenor e da tuba. Vandermark então sinaliza uma mudança de andamento e temática, abrindo para uma seção de improvisação livre onde ele faz a transição para o clarinete e Dessel muda para o piano. O trabalho de piano afiado e dinâmico de Dessel aumenta a tensão antes que a música mude novamente, com Vandermark desencadeando uma passagem urgente conduzida pelo saxofone barítono.

A natureza colada das composições evoca as obras de compositores de cinema como Nino Rota, Max Steiner e Bernard Herrmann, criando música que parece visual, quase como se tivesse sido escrito para um filme imaginado. As três faixas restantes seguem uma estrutura semelhante de suítes com temas variáveis, inspirando-se em dois pintores, quatro fotógrafos, um cineasta, no saxofonista japonês Akira Sakata e luminares do jazz como Lester Bowie, Bill Dixon e Cecil Taylor. A banda punk Scratch Acid também encontra seu lugar entre as ecléticas fontes de inspiração de Vandermark.

Em última análise, as composições de Vandermark não apenas prestam homenagem aos artistas que o influenciam, mas também convidam seus ouvintes a explorar e descobrir essas referências criativas por si próprios.

Faixas: Other Nichols Other Dimes (for Herbie Nichols and The Minutemen) / Salto (for Jacob Lawrence) / Pony Up (for Rebecca Morris); Autochrome (for Faith Ringgold) / Scratch Vocal (for Scratch Acid) / Clockwise (for Peter Greenaway) / Velocity Dub (for Joel Sternfeld); Text Tile/Entre Chien Et Loup/Slate Arrangement/Shinkansen Dream; Winged Jaguar (for Bill Dixon and Cecil Taylor) / Flipside (for Diane Arbus and Lisette Model) / Five Dollars In A $3 World (for Lester Bowie).

Músicos: Edition Redux (banda / grupo / orquestra); Erez Dessel (piano, Nord synthesizer); Lily Finnegan (bateria); Beth McDonald (tuba, eletrônica); Ken Vandermark (saxofone, clarinete).

Fonte: Mark Corroto (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 12/06

Chick Corea (1941-2021) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=73bpl4ijzKg&feature=related,

Geri Allen (1957-2017) – pianista,

Jesper Lundgaard (1954) – baixista,

Marcus Belgrave (1936-2015) - trompetista,

Peter Beets (1971) – pianista,

Vic Damone (1928-2018) – vocalista 

 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

ALAIN METRAILLER - HEIGHTS PROSPECTION (Unit Records)

Quem será o próximo Miles Davis? Ou o próximo John Coltrane? Com ​​seus dois álbuns mais aclamados — "Kind Of Blue (Columbia, 1959)" e "A Love Supreme (Impulse, 1966)", respectivamente — o trompetista e o saxofonista (novamente, respectivamente) estabeleceram o padrão para os melhores trabalhos de conjuntos de jazz pós-bop. Uma meta tão alta que talvez nunca mais seja alcançada. Porém, há quem se esforce para alcançar esse alto nível de expressão artística. O trompetista polonês Tomasz Stańko, com uma série de álbuns lançados pela ECM Records, deu um bom impulso a essa direção. O saxofonista Oded Tzur está trilhando esse caminho com uma visão apurada, um espírito livre e uma voz composicional singular.

Para o saxofonista suíço Alain Metrailler, ainda é cedo. “Heights Prospection” é seu álbum de estreia, que demonstra que ele talvez não seja capaz de alcançar a genialidade de Davis e Coltrane — provavelmente ninguém é —, mas que poderia encontrar seu caminho para o patamar de Stanko ou Tzur.

Neste álbum de estreia, ele abrange uma ampla gama de estilos, desde a liberdade intensa e introspectiva à la Coltrane da faixa de abertura, "Obvious Transmission", passando pelos balanços descontraídos de "Crispy", a introspecção de "EWR Hero Saynt" e o êxtase criativo que permeia "Jump Loud".

Metrailler conta com um quarteto de estrelas para ajudar a moldar esse som: Elias Stemeseder no piano, Christopher Tordini no baixo e o onipresente Eric McPherson na bateria. Trata-se de um modo de operação com igualdade de entrada, que soa tão sincronizado e sinérgico quanto qualquer unidade em funcionamento atualmente, mesmo aquelas com longa história.  Embora o líder esteja à frente, é a interação do grupo — descontraída e altamente inspirada — que fica na memória depois de algumas rodadas.

"Flight of the Humblebees" apresenta Gregoire Maret na gaita, com Stemeseder criando um pano de fundo delicado e rendado para ele, enquanto McPherson desliza com uma delicadeza habilidosa que conduz a uma dança de linhas melódicas entrelaçadas de gaita e saxofone.

O conjunto inclui sete músicas originais da Metrailler e uma reinterpretação, a faixa de encerramento do disco, "Crazy He Calls Me". A paixão do saxofonista pela música é palpável durante toda a apresentação. Ele toca como alguém apaixonado. Nesta bela balada que encerra o espetáculo, ele demonstra uma reverência carinhosa e terna pela melodia familiar, que lembra a maneira como Coltrane tratou "Lush Life", de Billy Strayhorn, a faixa-título de seu álbum lançado, em 1961, pela Prestige Records.

O próximo Coltrane? Provavelmente não, mas sua estreia sugere que ele tem o que é preciso para alcançar, de forma convincente, o mesmo patamar de qualquer outro que tenha tentado.

Faixas: Obvious Transmission; Crispy; EWR Hero Saynt; Jump Loud; Flight Of The Humblebee; Unstablemates; I'm In Tears, Crazy He Calls Me.

Músicos: Alain Métrailler (saxofone); Elias Stemeseder (sintetizador,piano); Eric McPherson (bateria); Christopher Tordini (baixo).

Fonte: Dan McClenaghan (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 11/06

Alex Sipiagin (1967) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=ZFBznxQQ38k&feature=related,

 Bob Gordon (1928-1955) - saxofonista,

Bob Roetker (1948) – guitarrista,

Hazel Scott (1920-1981) - pianista,

Jamaaladeen Tacuma (1956) – baixista,

Jean Oh (1978) – guitarrista,

John Riley (1954) – baterista,

Louis Van Taylor (1954) –saxofonista,flautista,

Lukasz Zyta (1975) – baterista,

Shelly Manne (1920-1984) – baterista 

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

AARON SHAW - AND SO IT IS (Leaving)

Uau. Jovens músicos de jazz que querem trilhar os caminhos cósmicos de Pharoah Sanders, Sun Ra, Alice Coltrane, etc., são aos montes. Muito mais raros são aqueles que fazem isso com a delicadeza que o multi-instrumentista de sopro de Los Angeles, Aaron Shaw, demonstra. Mais surpreendente ainda é o fato de Shaw ser um protegido de Kamasi Washington (cujo nome jamais apareceu associado à expressão "toque delicado. Porém, que não haja dúvidas de que, em "And So It Is (E Assim É)", Shaw se destaca sozinho.

Na verdade, a produção de Shaw (com o baterista/percussionista Carlos Niño) frequentemente enfatiza essa solidão, apesar da presença de vários colaboradores.

O tenor dele na primeira metade de “Heart Of A Phoenix” tem tanta reverberação que parece que ele foi gravado no outro extremo de um galpão, longe dos microfones que captavam o pianista Sam Reid, a harpista Merci B, o baixista Lawrence Shaw, o violoncelista Kiernan Wegler, o vocalista Dwight Trible e Niño e, de fato, a própria flauta de Shaw. É como se ele já estivesse bem à frente na jornada, embora todos o alcancem na segunda metade. “The Path To Clarity”, por sua vez, é denso, mas devido às próprias gravações de Shaw tocando flauta. Algumas dessas camadas são drones com sonoridade eletrônica, que evocam o último álbum de Sanders com o Floating Points. “Echoes Of The Heart” replica esse recurso, mas adiciona saxofones. Shaw fica ainda mais sozinho consigo mesmo.

As dimensões espirituais de “And So It Is”, portanto, raramente são a confluência usual de gospel e raga (embora essa confluência faça-se presente, especialmente na faixa de abertura “Soul Journey”). “Jubilant Voyage”, por sua vez, soa inicialmente mais como uma gravação de campo de algum ritual tribal, pelo menos até se transformar em um banquete de circuitos de fita e obstáculos. O duo de tenor e piano de voz suave, "Windows To The Soul", por outro lado, tem uma melodia hard bop que poderia ter sido destaque em um álbum da Blue Note dos anos 50 ou até mesmo ter encontrado espaço nas rádios pop da época. Shaw tem muito a dizer, e muitas maneiras gloriosas de dizê-lo.

Faixas

1.Soul Journey 04:31

2.Heart of a Phoenix 09:27

3.Windows to the Soul 05:01

4.The Path to Clarity 03:48

5.Echoes of the Heart 02:52

6.Jubilant Voyage 05:10

7.Inner Compass 04:41

8.Never Catch Me Out of Alignment 06:46

Músicos: Aaron Shaw - flauta e saxofone tenor; Alex Smith – bateria; Carlos Niño – bateria e percussão; Dwight Trible – voz; Kiernan Weggler – cello; Lawrence Shaw – baixo; Merci B – harpa; Sam Reid – piano; Ghalani – vocoder.

Fonte: Michael J. West (DownBeat)