Uma jornada de progresso e descoberta talvez seja a melhor
descrição para a evolução musical da cantora Simin Tander. Desde o início, com
seu álbum de estreia “Wagma (Neuklang Records, 2011)”, a cantora germano-afegã
já expandia os limites do jazz, demonstrando uma abordagem profundamente
pessoal à improvisação vocal e forjando um som que permanece enigmático. Com
“Where Water Travels Home (Jazzhaus Records, 2014)”, Tander começou a explorar
suas raízes afegãs, cantando poemas afegãos em pashto, língua nativa de seu pai,
uma exploração que ela continuou em “Unfading (Jazzhaus Records, 2020)” com
suas interpretações de poetisas afegãs. Porém, Tander sempre lançou sua rede
amplamente, buscando poesia, canções de devoção e expressões de amor unidas por
um anseio espiritual. “The Wind” dá continuidade a essa busca.
Juntamente com as composições originais de Tander,
encontram-se três arranjos cantados em pashto de poesia amorosa afegã, escrita
entre os séculos XVII e XX, bem como uma canção de amor italiana de 1900,
interpretada no napolitano original com um acompanhamento esparso de violino,
uma canção de amor espanhola do século XVI e um hino folclórico tradicional
norueguês. "Trata-se de procurar semelhanças, não apenas procurá-las, mas
celebrar as semelhanças na cultura, na música, nos idiomas, e não as
diferenças", Tander disse isso à AAJ em uma entrevista de 2016. Sua
aguçada percepção da profundidade emocional transmite, independentemente de
suas origens, e, combinada com sua interpretação etérea, qualquer noção de
separação. Assim como o vento, a arte de Tander não conhece fronteiras.
A obra destoante — pelo menos em termos de sua energia
tempestuosa — é a vívida releitura que Tander faz do poema "The Cloud on
Nursling of the Sky" do poeta inglês Percy Bysshe Shelley. Sua
interpretação da palavra falada lança um feitiço gótico perverso sobre ritmos
urgentes.
Assim como em “Unfading”, o baixista elétrico Björn Meyer e
o baterista Samuel Rohrer fornecem bases rítmicas flexíveis, com o uso comedido
de texturas eletrônicas por Rohrer criando bolsões de atmosfera transcendental.
Outro ponto de continuidade é o renovado envolvimento de Tander com
instrumentos de corda. Enquanto em “Unfading” o violinista Jasser Haj Youssef
participava, aqui a violinista indiana Harpreet Bansal, radicada em Oslo,
harmoniza-se com Tander, contrapondo-se, complementando-o e entrelaçando-se
para um efeito lírico.
Há uma qualidade atemporal no canto de Tander, semelhante à
de grandes cantores folclóricos de diversas culturas. No entanto, a pegada
contemporânea presente nessas canções — incursões no indie-pop, ruídos
eletrônicos e nuances de pós-produção — confere ao álbum um caráter progressivo.
Como ventos variáveis, a música de Tander oscila entre um bálsamo suave,
rajadas repentinas de libertação gutural e uma intensidade envolvente. “The
Wind”, esta obra se destaca como mais um trabalho comovente de lirismo sombrio
e doce melancolia de um artista excepcional.
Faixas: Meena;
Woken Dreams; I Te Vurria Vasà; The Wind Within Her; Janana Sta Yama; Ay Linda
Amiga; Nursling Of The Sky; Jongarra; Interlude- I Te Vurria Vasà Glow; Side
Caught; My Weary Heart; Outro-The Wind.
Músicos: Simin Tander (vocal); Björn Meyer (baixo elétrico, efeitos);
Samuel Rohrer (bateria, percussão, eletrônica); Harpreet Bansal (violino).
Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo
abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=SFuaaxNpmt4
Fonte: Ian
Patterson (AllAboutJazz)




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