Donny McCaslin (1966) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=71TSuBMV6NA,
Jess Stacy (1904-1994) - pianista,
Peter King (1940) – saxofonista,
Russell Procope
(1908-1981) - clarinetista,saxofonista
Donny McCaslin (1966) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=71TSuBMV6NA,
Jess Stacy (1904-1994) - pianista,
Peter King (1940) – saxofonista,
Russell Procope
(1908-1981) - clarinetista,saxofonista
Existe uma base, um ponto de referência, a partir do qual
todos os improvisadores saltam. No caso do trompetista Theo Croker e do
pianista Sullivan Fortner, ambos visionários de técnica prodigiosa, o sarrafo é
tão elevado que a excelência no free jazz é praticamente uma garantia. Não
havia garantia, é claro, de que esses dois instrumentistas, estilisticamente
tão diferentes, extrairiam um brilho mágico do nada.
Após se reconectarem com os pontos fortes um do outro depois
de gravarem um álbum de reinterpretações que acabou sendo descartado
("Parecia sem graça" disse Croker), eles lançaram um desafio. Eles
tentariam novamente — e, desta vez, eles iriam "apenas brincar". Com
os andamentos definidos e as melodias e/ou a sonoridade delineadas, os dois
amigos de longa data — Fortner tocou no álbum de estreia de Croker em 2006, “The
Fundamentals” — dedicaram-se a criar o que acabou se tornando 14 faixas
harmoniosamente equilibradas. Algumas, expansivas e cinematográficas. Outros,
íntimos e detalhados. Tudo isso impregnado de uma beleza acústica de sonoridade
terrosa, ainda mais surpreendente dadas as respectivas trajetórias da dupla: a
estética nu-jazz de Croker é voltada para a música eletrônica e influenciada
pelo soul e pelo hip-hop.
Fortner, um membro de destaque do quarteto de Cécile McLorin
Salvant, tem raízes tradicionais de New Orleans. Mas, tendo sido peça-chave na
banda do trompetista Roy Hargrove e dotado de ouvido absoluto, Fortner oferece
uma execução repleta de nuances que é um verdadeiro presente para Croker, cujo
instrumento se curva, cresce e tremula em um jogo de (chamada e) resposta. Jazz autêntico e carregado de emoção.
Faixas
1.A
Prayer for Peace 02:54
2.First
Light 03:02
3.We
Laugh Because We Must 02:01
4.Midnight
Bloom 01:24
5.The
Space Within 02:05
6.Let
the Quiet Speak 01:57
7.Open
Palms 03:43
8.Light
Remains 05:53
9.Beneath
the Noise 03:18
10.Mouth
Full of Sky 03:25
11.Grace
Is Not Gentle 01:55
12.As We
Are 05:10
13.Then
We Danced 03:47
14.Here and Now 02:50
https://www.youtube.com/watch?v=N9NnUbt-WH0
Chuck Israels (1936) – baixista,
Claude Thornhill (1909-1965) - pianista, líder de orquestra,
Claudionor Germano (1932) – vocalista,
Denny Zeitlin (1938) - pianista,
Fafá de Belém (1956) – vocalista,
Gianluca Ambrosetti (1974) – saxofonista,
Jennifer Leitham (1953) – baixista.
Leo Gandelman (1956) – saxofonista, flautista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=mqIjGe0JXCI ,
Pete McCann (1966) – guitarrista,
Meg Okura (1973) – violinista,
Roberta Donnay
(1966) -vocalista
O pianista Marc Copland começou sua jornada no jazz tocando
saxofone alto. Era um saxofone alto elétrico. Saxofones plugados não são muito
ouvidos no jazz. E isso é uma pena. Parece uma boa ideia, turbinando um
instrumento e fazendo novos sons. Porém, Copland logo descobriu que essa
maneira de fazer música era limitante. Ele foi para o piano - não foi uma
mudança fácil. Porém, ele conseguiu, em grande estilo. Seus dias de saxofone
foram na década de 1970. Sua jornada frutífera no piano começou em 1988, com “My
Foolish Heart (Jazz City)”, com um trio formado com o baixista Gary Peacock e o
guitarrista John Abercrombie, com Jeff Hirshfield na bateria. Este grupo
tornou-se uma espécie de modelo para um grande segmento dos futuros passeios de
Copland com Abercrombie e Peacock e outros, mergulhando profundamente nas
explorações da melodia em suas composições e nas de outros, principalmente os standards
- e abraçando a sofisticação harmônica em um nível genial.
Quase quatro décadas após sua gravação de estreia, Copland
está no topo de uma discografia maravilhosa de quase 50 álbuns como líder. Uma
boa percentagem destes alcançam o nível de obra-prima: “Insight (Pirouet
Records)” de 2009, os três “New York Trio Recordings” pela Pirouet Records, lançados
em 2006, 2007 e 2009, e “Nightfall (2017)”, “Gary (2018”) e “John (2020)”, todos
pelo seu selo InnerVoice.
O som de Copland em suas apresentações em trio e solo é
diáfano, cortinas em tons pastéis flutuando das paredes em uma brisa fresca. Seu
toque suave é algo de beleza requintada. Seu tratamento da melodia—familiar ou
não tão familiar— é insuperável, igualado apenas por um pequeno e seleto grupo
de colegas pianistas - Bill Evans, Kenny Werner, Frank Kimbrough, Enrico
Pieranunzi, Brad Mehldau, Fred Hersch.
Com “Alter Ego: Lausanne 2022”, Copland dobra para baixo -
para usar uma frase frequentemente associada a um político reprovado - em seu
modo de piano solo, fazendo um dueto consigo mesmo, definindo uma faixa inicial
e improvisando sobre ela.
É o mesmo som de Copland, vezes dois, mais rico e denso, mas
ainda contendo uma leveza, como outra camada de cortina do mesmo tecido da
primeira, colorido e feito de um tecido fino, pendurado sobre o conjunto
original, flutuando no mesmo vento, não em perfeita sincronia, mas dançando com
o mesmo propósito de asas de anjos.
Copland explora Thelonious Monk ("'Round Midnight"
e "Let's Cool One"), John Coltrane ("Crescent"), Richard
Rodgers ("Glad To Be Unhappy"), seu antigo companheiro de banda Abercrombie
("Another Ralph's") e Ron Carter ("Eighty-One"), e um par
de suas inéditas. A qualidade do som é excelente (tão necessário em um álbum de
piano) e Copland está em ótima forma diante de uma plateia de estúdio
(participando da dublagem) e não é ouvida até a música final, "Some Other
Time", da lavra de Leonard Bernstein.
Coloque “Alter Ego: Lausanne 2022” na categoria “Marc
Copland essencial”.
Faixas: Day
& Night; Eighty-One; 'round Midnight; Let's Cool One; Talkin' Blues;
Spartacus Love Theme; Another Ralph's; Crescent; Glad To Be Unhappy; Some Other
Time; Chat & Notes.
Fonte: Dan
McClenaghan (AllAboutJazz)
Jack DeJohnette (1942-2025) – baterista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=_c4OgOb7S80
Jussara Silveira (1959) – vocalista
Plas Johnson (na foto), saxofonista tenor de jazz e R&B
cujo som, se não o seu nome, era conhecido por milhões de pessoas de várias
gerações, morreu em 15 de julho em uma comunidade de aposentados em Los Angeles.
Faltavam seis dias para ele completar 95 anos. Sua morte foi confirmada ao New
York Times por seus filhos, Eric Johnson e Stephanie Oliver.
O momento icônico de Johnson ocorreu quando, em 1963, ele executou
a linha de saxofone sinuosa e de sonoridade aveludada no tema composto por
Henry Mancini para o filme “A Pantera Cor-de-Rosa”, estrelado por Peter Sellers.
O filme tornou-se um sucesso internacional, assim como o tema musical, que foi
indicado tanto ao Oscar quanto ao Grammy. Quando o filme deu origem a uma
versão em desenho animado da Pantera Cor-de-Rosa e a uma franquia, o saxofone
de Johnson tornou-se tão lendário entre crianças de todo o mundo quanto entre
os adultos.
No entanto, Johnson teve uma carreira musical mais completa
e rica do que seus três minutos de fama no cinema sugerem. Natural da
Louisiana, ele tocou em uma banda familiar quando criança e, posteriormente, em
parceria com o irmão em Nova Orleans, antes de se mudar para Los Angeles e
construir uma carreira como músico de estúdio. Ele foi saxofonista contratado
da Capitol Records e também trabalhou regularmente com a Wrecking Crew, um
grupo que reunia os músicos de estúdio mais prolíficos do mercado entre as décadas
de 1950 e 1990. Ele integrou a banda do programa The Merv Griffin Show
em 1970, permanecendo nela pelos 15 anos seguintes.
Plas John Johnson Jr. nasceu em 21 de julho de 1931, em
Donaldsville, Louisiana, uma cidade entre Baton Rouge e Nova Orleans. A família
era musical, e Plas cantava com eles antes de seu pai lhe dar um saxofone
soprano, quando ele tinha 12 anos. O pai de Johnson também lhe deu noções
básicas, mas ele foi, em grande parte, autodidata e passou para os saxofones
alto, tenor e barítono à medida que evoluía.
Ele e seu irmão Ray, um pianista, tocaram em Nova Orleans
como Johnson Brothers até ele começar a fazer turnê com o cantor de rhythm and
blues Charles Brown, em 1951. Convocado para o Exército naquele mesmo ano,
Johnson tocou em uma banda militar na Califórnia. Após dar baixa em 1954,
mudou-se para Los Angeles e começou a trabalhar com o cantor Johnny Otis e o
saxofonista Maxwell Davis. Ele rapidamente chamou a atenção de Dave Cavanaugh,
produtor da Capitol Records, que passou a escalá-lo para sessões de estúdio
abrangendo jazz, pop, R&B, rock ’n’ roll e trilhas sonoras de filmes.
Muito antes da sessão de “A Pantera Cor-de-Rosa”, Johnson
havia tocado como músico de apoio para Frank Sinatra, Sarah Vaughan, Ella
Fitzgerald, Rosemary Clooney e Peggy Lee, além de ter executado o famoso
fraseado de flauta piccolo no single "Rockin’ Robin", de Bobby Day,
lançado em 1958. Após “A Pantera Cor de Rosa” (no qual Johnson participou como
membro fixo da Henry Mancini Orchestra), ele também tocou no álbum “Pet Sounds”,
dos Beach Boys, bem como em discos de The Monkees, Barbra Streisand, Marvin
Gaye e Teena Marie.
Johnson gravou pela primeira vez sob seu próprio nome em
1956. Ele liderou gravações esporádicas nas três décadas seguintes, além de
apresentações em festivais de jazz ao redor do mundo (Ele também gravou dois
álbuns de jazz easy listening (NT: é um estilo
musical leve e relaxante, criado para servir de som de fundo) na década
de 1960 sob o pseudônimo de Johnny Beecher). Enquanto tocava na banda de
Griffin, ele também manteve trabalhos paralelos como músico de estúdio,
tornando-se membro regular da orquestra de estúdio de Nelson Riddle e das
bandas "All-Star" e "Super" de Gene Harris na década de
1980. Em 2006, Johnson reviveu seu sucesso comercial ao gravar uma nova versão
do tema da Pantera Cor-de-Rosa para uma reinicialização da franquia
cinematográfica estrelada por Steve Martin.
Além de Eric Johnson e Stephanie Oliver, Johnson deixa sua
segunda esposa, Carol Johnson (um casamento anterior, com Elizabeth
Blinkenberg, terminou em divórcio). Outros quatro filhos, Cheryl Johnson, David
Johnson, Denise Hurley e Philip Nunn; oito netos e 12 bisnetos.
Como homenagem, assistam ao vídeo abaixo com o solo
histórico de Plas Johnson.
https://www.youtube.com/watch?v=VyZiIuMufTA
Fonte:
Michael J. West (DownBeat)
Foi através de Hugo Carvalhais que descobrimos o saxofonista
Fábio de Almeida. No disco “Ascetica (Clean Feed, 2022)”, o quarto volume da
discografia do contrabaixista portuense, encontramos um músico que até então
não tínhamos ouvido com a devida atenção. E, tal como foi Carvalhais que nos
apresentou o baterista Mário Costa (que entretanto se afirmou como uma das mais
originais e relevantes figuras do jazz nacional), também Almeida se começou por
revelar através da música metódica e desconcertante do contrabaixista.
Fábio de Almeida, saxofonista tenor, compositor e
improvisador, nasceu em Paris, cresceu entre Vila Real e o Porto e vive
atualmente nos Países Baixos, na cidade de Tilburg. Ao longo do seu percurso,
além da referida parceria com Carvalhais, tocou com João Martins (o baterista,
que editou no ano passado Oxímoro), integrou o Phantom Trio (com Martins e
Sérgio Tavares) e o grupo de fusão Pãodemónio (com Nuno Trocado, Ricardo Pinto
e Marcelo Aires), além de colaborações com Marcelo D2, Teresa Cristina, Moacyr
Luz e Orquestra Bamba Social, entre outros.
Para a sua estreia na condição de líder, o saxofonista edita
através da Dox Records (baseada em Amesterdam) o álbum Requiem for a Dragon.
Desde logo, a formação é pouco convencional: Sjoerd van Eijk nos sintetizadores
e teclados; Stef Joosten no baixo elétrico; e Pedro Nobre na bateria. Também as
composições, de linhas bem marcadas, com espaço para a improvisação, são
distintivas: não são típicas do “jazz americano”, revelam antes outras
direções: incorporam diferentes elementos (da clássica à eletrônica, cruzando
geografias) para criar um universo muito próprio. Carregamos no botão play e o
disco arranca com “Mark of the Wanderer”: um sintetizador retro-futurista
(saído de um filme sci-fi dos anos ’70) a planar, sobre o qual o saxofone tenor
entra com a maior tranquilidade. Almeida não ruge, nem tem essa necessidade.
Nem tem a urgência de resolver, vai-se demorando.
Na segunda faixa, “Zilveren Cubus”, o quarteto começa por
desenrolar um tema intrincado, abrindo espaço para Almeida depois se espraiar.
“Kitsune Pulse” é marcado pelas atmosferas fantasmagóricas dos sintetizadores,
incluindo um solo do baixo elétrico (Joosten), antes do grupo retomar as linhas
do tema. “Mirror Maze” abre em arranque nervoso entre o piano e a bateria, até
que o tema se estabiliza, com o piano a assumir-se como peça central. “Forever
until it lasts” abre com a candura do tenor, a exprimir toda a melancolia. Em
“Requiem for a Dragon” é o piano que se revela, com Sjoerd van Eijk a solar com
elegância. E o disco encerra com “Carousel Renewal”, com mais processamento
eletrônico, em crescendo.
A (ótima) capa do disco é uma ilustração do artista
neerlandês Sancho que retrata um saxofonista em chamas. Apesar de visualmente
muito boa, não será exatamente a representação mais fiel da música que está
dentro da rodela. Almeida não será o mais fogoso; tem chama, e aplica-a
convenientemente, mas não tem a urgência de exibição, que em alguns peca pelo
exagero. Se em Portugal temos atualmente excelentes saxofonistas, diferentes
registros e universos, um que se tem destacado particularmente (e com toda a
justiça) é José Soares, que se desdobra entre mil projetos e em todos se afirma
com economia e enorme expressividade. Também Almeida revela afinidades com o
seu som — uma capacidade de expressão sem necessidade de puxar demasiado, saber
conversar com tranquilidade e conseguir dizer tudo.
Faixas
1.Mark
of the Wanderer 09:45
2.Zilveren
Cubus 06:59
3.Kitsune
Pulse 04:51
4.Mirror
Maze 07:44
5.Forever
until it lasts 05:00
6.Requiem
for a Dragon 06:05
7.Carousel Renewal 04:41
Músicos: Fábio de Almeida— saxofone tenor, eletrônica; Sjoerd van Eijk— sintetizadores, teclados; Stef Joosten— baixo elétrico; Pedro Nobre— bateria.
Fonte: Nuno Catarino (jazz.pt)