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sábado, 23 de maio de 2026

DRACAENA DRACO - DRACAENA DRACO (Timbre Melro Preto)

Dracaena draco L., conhecida pelo nome comum de dragoeiro ou sangue-de-dragão, é uma espécie de plantas com flor originária da região biogeográfica atlântica da Macaronésia, onde é nativa dos arquipélagos das Canárias, Madeira e Açores, ocorrendo localmente na costa africana vizinha e em Cabo Verde, com abundâncias variáveis. O dragoeiro pode viver centenas de anos, produzindo plantas arborescentes de grandes dimensões. Apesar de comum e muito apreciado como planta ornamental nos jardins daqueles arquipélagos, o dragoeiro encontra-se em perigo no estado selvagem devido à destruição do seu habitat. Este breve introito botânico diz também algo sobre o sexteto formado por Tomás Noronha no saxofone alto, Guilherme Fradinho no saxofone tenor, Henrique Pinto no trompete, Duarte Ventura no vibrafone, Emanuel Inácio no contrabaixo e Francisco Coelho na bateria, que acaba de lançar o seu registro de estreia, homônimo. O álbum tem a chancela da Timbre Melro Preto, braço editorial da Associação de Jazz da Madeira – Melro Preto, dirigida pelos irmãos Francisco e Alexandre Andrade. (De notar que Pinto, Noronha, Inácio e Coelho são membros de provas dadas na Orquestra de Jazz do Funchal, que ainda este ano escutamos a interpretar composições de Maria Schneider, que dirigiu a big band) A formação foi criada em Lisboa por aqueles seis jovens, todos alunos da Escola Superior de Música de Lisboa, metade dos quais madeirenses (Noronha, Inácio e Coelho). É, desde logo, de assinalar e louvar o fato de, para além de preparados instrumentistas, todos são compositores, revelando o modo igualitário como gerem a formação. Mas os motivos de interesse não ficam por aqui: a configuração instrumental e a geometria variável da formação — existem temas em trio, quarteto, quinteto e sexteto — permitem rasgar o horizonte de possibilidades, quer no plano das estruturas composicionais, quer ao nível das improvisações individuais. A gênese do grupo está diretamente relacionada com a oportunidade de poder tocar na edição de 2025 do Funchal Jazz Festival, importante evento dirigido com conhecimento e rigor por Paulo Barbosa (antigo colaborador da jazz.pt). Mas ainda antes desse concerto, aquela associação madeirense cedeu ao grupo um apoio por parte da Secretaria Regional de Turismo e Cultura, o qual acabou por viabilizar a gravação do álbum com composições originais. «Começamos por nos reunir meses antes na casa do vibrafonista [Duarte Ventura], para ouvirmos música durante horas, partilharmos aquilo que podiam ser as nossas referências e apontarmos aspectos musicais que podiam ser relevantes», começa por referir Henrique Pinto à jazz.pt. Ato contínuo, foram marcadas várias sessões onde experimentavam composições: «alterámos imensa coisa sobre cada tema, para que tudo pudesse fazer sentido no panorama geral do disco.» O grupo busca uma abordagem própria, partido das convenções do género para logo em seguida as desafiar. «Claro que o chamado “jazz tradicional” é uma referência e uma base para nós», admite Henrique Pinto. «Todos temos grandes referências dos mestres do jazz e de quem começou a tradição, mas tal como eles que tocavam música do tempo deles, acho que nós deveríamos e temos liberdade para fazer o mesmo e tocar música de hoje.» Nessa busca por uma identidade própria, os próprios acabaram por ser surpreendidos. «Talvez seja interessante porque nem mesmo nós sabíamos se as composições iam soar esteticamente parecidas entre si; a única coisa que pensámos foi compor para esta formação sem ter nenhum tipo de referência antecedente, até porque é uma formação não muito usual», sublinha o trompetista. O resultado final acabou por satisfazer os seis músicos: «todos os temas conseguem ter o ADN do compositor e fazer parte do timbre “dracaena”.» Ressalta claro que o sexteto logra uma proposta fresca e interessante, equilibrando as partes escritas e estruturadas com solos que são tentam ser o oposto, pela liberdade de escolherem um determinado rumo.

Dracaena Draco é constituído por oito peças, da autoria, já se disse, de todos os membros do sexteto: Francisco Coelho, Guilherme Fradinho, Tomás Noronha e Henrique Pinto (uma cada); Emanuel Inácio e Duarte Ventura (duas cada). Na peça inaugural, “Gnomo”, da autoria do baterista, fica desde logo patente a elegância da escrita e a amplitude estética. O sexteto surge dividido em vários ensembles em simultâneo e de forma faseada; os sopros, por exemplo, apresentam-se completamente atonais entrelaçando vividamente as suas linhas sobre uma base rígida da seção rítmica e, durante os solos, um trio de saxofones e bateria e um segundo trio dos restantes elementos. Nota para o belo solo de trompete, temperado com discrição por contrabaixo e vibrafone. Em “Camacha”, a primeira das peças saídas da pena do contrabaixista, inspirado pela beleza das montanhas e das zonas altas da Madeira, somos envolvidos por um manto de serenidade com o saxofone a conduzir a linha melódica, depois com o trompete, num diálogo que se desenvolve paulatinamente até se dissipar. Original do saxofonista Guilherme Fradinho, “Pitanga” (fruto habitual naquelas paragens) é uma viagem sonora evocativa das pequenas aventuras do autor por toda a ilha — de tentativas frustradas de aterragem no difícil Aeroporto de Santa Catarina, a viajar a bordo do célebre “Lobo Marinho” (navio que desde 2003 faz a carreira regular entre as ilhas da Madeira e de Porto Santo), passando pela volta à ilha da Madeira, com tanto para descobrir. A peça traz de novo o trompete de Henrique Pinto para a frente, com a bateria irrequieta a fornecer adequada propulsão. O saxofone tenor de Guilherme Fradinho solta-se num solo chamejante; a massa rítmica torna-se mais compacta. Francisco Coelho assina um bom solo, focado e sem acrobacias espúrias. A peça fecha em modo vivaz. “Abril”, peça de Tomás Noronha para trio (o núcleo-base do sexteto, constituído pelos três madeirenses, que já se apresenta há vários anos), assume contornos mais abertos, com o saxofone alto na frente do que acontece, tergiversando com elegância e suportado por uma base rítmica que ferve em lume brando. O contrabaixista assina intervenção digna de nota. A composição assinada pelo trompetista, “Volta”, é uma balada de tons clássicos, em jeito de homenagem a um grupo de amigos seus («Volta era o nome de uma música que nós ouvíamos com bastante frequência até se tornar um ícone do grupo de forma irónica», confessa o músico). O trompete desenha uma melodia que o vibrafone de Duarte Ventura interpela com elegância. A segunda peça do contrabaixista incluída no álbum é “Serpentine”, uma manobra de fuga à sua zona de conforto, concedendo aos demais amplos espaços de manobra. O início é sussurrado, com vibrafone e saxofone a instalarem uma atmosfera tranquila; os uníssonos entre saxofone e trompete injetam energia e dinamismo coletivos na massa sonora da qual se elevam excelentes solos de Ventura e Fradinho. No caminho para o ocaso a peça ganha uma luz muito especial. Para o final, duas peças da autoria de Duarte Ventura: “P.S. Quer Dizer Ponta do Sol” foi escrita na casa onde o grupo estava alojado em formato residência artística naquela localidade madeirense; curta e serena, aparentemente simples, mas a que o uso do arco no vibrafone e no prato aporta uma nova camada tímbrica. Serve de antecâmara para “Isto Só Pode Mesmo Ser”, segmentada em três secções ligadas por improvisações. Parte de um motivo exposto e mantido pelo contrabaixista que alimenta um animado groove de que se soltam solos de saxofone alto, trompete e vibrafone; a narrativa segue animada ao longo das diferentes secções da composição, até que a formação se reagrupa para um final colorido. Dracaena Draco é um sexteto que nos oferece um álbum de estreia surpreendente, reiterada demonstração, se necessária fosse, da enorme qualidade de uma nova geração de jovens músicos de jazz. Haja esperança neste mundo a enegrecer.

Músicos: Tomás Noronha— saxofone alto; Guilherme Fradinho— saxofone tenor; Henrique Pinto— trompete; Duarte Ventura— vibrafone; Emanuel Inácio— contrabaixo; Francisco Coelho— bateria.

Fonte: António Branco (jazz.pt)

 

ANIVERSARIANTES - 23/05

Arthur Satyan (1973) – pianista,

Artie Shaw (1910-2004) - clarinetista,líder de orquestra,

Daniel Humair (1938) - baterista,

Famoudou Don Moye (1946) - baterista,percussionista,

Helen O´Connell (1920-1993) – vocalista,

Humphrey Lyttelton (1921) - trompetista,clarinetista,líder de orquestra,

James Barela (1971) – trompetista,

Jymie Merrit (1926-2020) – baixista,

Joel Forrester (1946) – pianista,

Ken Peplowski (1959-2026) - clarinetista,saxofonista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=bAQof6mmdvo ,

Les Spann (1932-1989) – guitarrista,flautista,

Marvin Stamm (1939) trompetista,flugelhornista,

Michael Miskiewicz (1977) – baterista,

Randy Sandke (1949) – trompetista,

Richie Beirach (1947) – pianista,

Rosemary Clooney (1928-2002) – vocalista

 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

GIULIANO D'ANGIOLINI - )))((( (Elsewhere)

Sim, ")))(((" é o título da faixa de abertura deste álbum e do álbum. Não está claro como se pronuncia. )))((( é o quarto álbum lançado pelo compositor e etnomusicólogo italiano Giuliano d'Angiolini, que nasceu em Roma em 1960. Estudou composição no Conservatório de Roma, etnomusicologia na Universidade de Roma e na Accademia Chigiana de Siena, bem como música computadorizada em Pádua. Atualmente, ele mora em Paris. Seu primeiro álbum foi "Simmetrie Di Ritorno", lançado pelo selo alemão Edition RZ, sua única gravação anterior foi a peça de trombone de quinze minutos "Monochrome Pour Igor" em uma compilação sem título (SHSK'H, 2009). As faixas de Simmetrie Di Ritorno datam de 1991, com a mais recente datando de 2007, "Orizzonte Fisso, Bordoni Mobili", uma peça para oito instrumentos - flauta, trompete, trombone, saxofone, acordeão e trio de cordas.

Os dois álbuns seguintes de D'Angiolini foram lançados pela gravadora Another Timbre. Lançado em 2016, quatro das seis faixas do álbum “Cantilena” apresentaram a indeterminação, pioneira de John Cage, então cada apresentação de uma peça soaria diferente. O uso da indeterminação pelo italiano remonta a 2003 e 2004, quando gravou as peças "Ita Vita Zita Rita (1997)" e "Notturno in progresse (2004)" para Simmetrie Di Ritorno. A curadora e produtora de Erstwhile, Yuko Zama, disse isto sobre o italiano: "Conheci o trabalho de Giuliano d'Angiolini pela primeira vez em 2018, logo após começar meu selo Elsewhere, quando ouvi sua “Cantilena (Another Timbre)”, um ótimo álbum que ainda é um dos meus lançamentos favoritos da Another Timbre. Desde então, espero apresentar seu trabalho no Elsewhere um dia... um dos meus compositores contemporâneos favoritos." Lançado em 2020, o outro álbum do Another Timbre, “Antifona”, teve quatro faixas, gravadas em quatro anos diferentes, um dos quais apresenta d'Angiolini sozinho ao piano, outro para flauta e piano, um que apresenta um sexteto de músicos do Apartment House e um executado por uma orquestra. Embora diferentes, cada um segue procedimentos rigorosos de indeterminação.

Comparado com a música de “Antifona”, a de )))((( é significativamente diferente. As três faixas de )))((( são todas versões para um número específico de instrumentos particulares —a versão de ")))((( para quatro flautas e seis clarinetes," "7 flauti, para sete flautas" e "100100 para 35 flautas". No entanto, os únicos músicos creditados são o flautista Manuel Zurria e o clarinetista Paolo Ravaglia, então eles devem ter estado ocupados gravando várias partes, com d'Angiolini mixando-as. Zurria teve a ideia para este projeto e trabalhou para torná-lo realidade. As três peças soam distintamente diferentes, pois ")))(((" apresenta flautas e clarinetes, "7 flauti" apresenta flautas e flautas baixo, e "100100" apenas flautas. ")))(((" é recomendado que seja tocado alto enquanto as outras duas faixas seguem procedimentos rígidos de indeterminação. As três peças são reconhecíveis por seus silêncios ocasionais. Deixando de lado os detalhes técnicos, o resultado final das três faixas proporciona uma audição bela e envolvente, que pode ser repetida sem perder seu apelo irresistível.

Faixas: )))((( (2023) version for four flutes and six clarinets; 7 flauti (2010) for seven flutes; 100100 (2023) for 36 flutes.

Músicos: Manuel Zurria (flauta, flauta baixo); Paolo Ravaglia (clarinete baixo, clarinete).

Fonte: John Eyles (AllAboutJazz)

 

 

 

ANIVERSARIANTES - 22/05

Alan Braufman (1951) – saxofonista,flautista,

Aquiles (1948) – vocalista,

Armandinho (1953) – bandolinista (na foto e vídeo) http://v3.bcast.co.nz/videos/293970/armandinho-&-raphael-rabello ,

Christian Sanders (1989) - pianista,

Dick Berk (1939-2014) - baterista,líder de orquestra,

Elek Bacsik (1926-1993) – guitarrista,violinista,

Jackie Cain (1928)- vocalista,

Kenny Ball (1930) - trompetista,

Nick Finzer (1988) - trombonista,

Sun Ra (1914-1993) - tecladista,líder de orquestra,

Tao Højgaard (1974) – guitarrista,

Theo Hill (1982) - pianista 

 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

MURIEL GROSSMANN - MGQ LIVE IM KING GEORG, KÖLN (Dreamlandrecords)

Muriel Grossmann consolidou-se firmemente no universo do jazz groove espiritual. Com seu 19º lançamento como líder, a saxofonista nascida em Paris e criada em Viena — atualmente radicada na Espanha — apresenta sua primeira gravação ao vivo. Acompanhada por seu grupo de longa data, o MGQ, que inclui o guitarrista sérvio Radomir Milojkovic e o baterista Uros Stamenkovic, além do organista espanhol de Hammond B3, Abel Boquera, o quarteto apresenta um show eletrizante: doze faixas estendidas na versão em CD e sete no LP.

A música foi gravada em 11 de novembro de 2022, no clube de jazz King Georg, em Colônia, coincidindo com o início da temporada de carnaval da cidade, conhecida localmente como "os dias loucos". A julgar pela resposta entusiasmada do público, a sala estava pronta para celebrar, e o quarteto de Grossmann não decepcionou.

Todas as peças selecionadas fazem parte do repertório já consolidado do quarteto, gravado anteriormente em estúdio. Mas, nesse contexto ao vivo, a música ganha nova vitalidade, impulsionada pela eletricidade do ambiente e pela energia pura dos músicos. O trabalho inicia com "Clarity", do álbum "Universal Code (Dreamlandrecords)”, lançado em 2022, onde o saxofone soprano de Grossmann entrelaça linhas melódicas intrincadas com os balanços de órgão emotivos de Barceló e os riffs (NT: frase musical curta, cativante e repetitiva, geralmente tocada por guitarra, baixo ou piano, que forma a base rítmica e harmônica de uma música, especialmente no rock, blues e metal) de guitarra precisos de Milojkovic. O ritmo permanece onipresente, especialmente em "Interconnection", que pulsa com uma intensidade hipnótica. Grossmann recua um passo, enquanto Milojkovic desencadeia um solo vibrante, à la Wes Montgomery, seguido pela manipulação lúdica de Boquera no andamento e no timbre.

"African Call", outra composição original de Grossmann, sintoniza o espírito da lenda sul-africana Louis Moholo-Moholo, enquanto "Happiness" se aventura no sul profundo dos Estados Unidos com um diálogo blues entre saxofone tenor, guitarra com influências de música folk e órgão com toques de gospel. A noite culmina em "Traneing In", que faz referência a "India", de John Coltrane. Grossmann retorna ao soprano, e o quarteto segue uma onda crescente e envolvente, impulsionada pelo órgão pulsante de Boquera e pelo ritmo contagiante de Stamenkovic.

Impulsionado pelo fervor carnavalesco e pela chama espiritual, este espetáculo ao vivo captura a banda não apenas em performance, mas em plena comunhão, entre si, com o público e com a própria música.

Faixas: Clarity - MGQ live im King Georg, Koeln; African Call - MGQ live im King Georg, Koeln; Interconnection - MGQ live im King Georg, Koeln; Calm - MGQ live im King Georg, Koeln; Sundown - MGQ live im King Georg, Koeln; Happiness - MGQ live im King Georg, Koeln; Traneing In - MGQ live im King Georg, Koeln.

Músicos: Muriel Grossmann (saxofones tenor, alto e soprano, percussão, composições); Radomir Milojkovic (guitarra elétrica); Abel Boquera (orgão, Hammond B3); Uros Stamenkovic (bateria).

Fonte: Mark Corroto (AllAboutJazzz)

 

ANIVERSARIANTES - 21/05

Bill Holman (1927-2024)- saxofonista,líder de orquestra,

David Hofstra (1953) – baixista,

Fats Waller (1904-1943) - pianista,

Jota Moraes (1948) – pianista,vibrafonista,

Jota P. (1984) – saxofonista,

Larance Marable (1929) – baterista,

Lew Barnes (1955) – trompetista,

Marc Ribot (1954) – guitarrista,

Matthew Von Doran (1960) – guitarrista,

Sylvia Bennett (1956) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=9RzeoHsSSP4,

Tommy Bryant (1930-1982) - baixista 

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

MARTIN WIND – STARS (Newvelle)


 O baixista Martin Wind não joga limpo. Na verdade, ele manipula as cartas. E por isso, todos nós deveríamos estar felizes. Para seu lançamento mais recente, “Stars (Newvelle)”, Wind conta com um grupo de colaboradores de primeira linha, incluindo o baterista Matthew Wilson, a clarinetista Anat Cohen e o pianista Kenny Barron. O quê? Isso mesmo, o alemão Wind, que agora mora na cidade de Nova York, recrutou três dos melhores músicos de jazz para acompanhá-lo em "Stars".

Como você deve imaginar, os resultados são incríveis. Desde que se mudou da Alemanha para Nova Iorque na década de 1990, Wind tem colaborado com esses e muitos outros artistas talentosos, tornando-se um músico de apoio requisitado e um líder habilidoso por mérito próprio.

Com “Stars”, Wind dá início à nova Newvelle Ten Collection, o primeiro de cinco álbuns que a gravadora lançará este ano para celebrar seu 10º aniversário. “Stars” eleva o padrão da coleção com uma combinação de talento musical incrível e inegável camaradagem.

O repertório começa com “Passing Thoughts”, uma música menos conhecida do também baixista Aaron Bell, que tocou com Duke Ellington, Billie Holiday, Buck Clayton e muitos outros. É um ritmo lento que se desenvolve com calma e precisão, típico do blues. Kenny Barron emociona, preenchendo o espaço nos lugares certos com a dose certa de tempero. Também são emocionantes os solos de Anat Cohen, com uma facilidade que poucos conseguem dominar no clarinete e um timbre simplesmente arrasador. Com a seção rítmica em perfeita sintonia, quase se pode ver Wilson e Wind, colaboradores frequentes, sorrindo, resultando em um delicioso blues noir.

O conjunto inclui três belas melodias compostas por Wind, incluindo a doce "Life" e "Moody", uma homenagem comovente à memória do saxofonista James Moody, com quem Wind colaborou antes de o saxofonista falecer em 2010. Mas “Standing At The Window Waving Goodbye” é uma das favoritas, uma ode à sua falecida avó. A melodia transborda memórias nostálgicas, uma canção que é ao mesmo tempo simples e complexa, desafiando os músicos a serem contidos, mas criativos.

Além dessas, há duas ótimas interpretações de músicas de Ellington. “Black Butterfly” tem um charme moderno e clássico. É leve e alegre, um passeio “no lado ensolarado da rua”. Wind conduz o baixo com uma confiança suave. Wilson toca com perfeição. Barron está majestoso e Cohen interpreta a melodia com uma intensidade romântica indescritível. “The Feeling Of Jazz” surge como uma recriação magistral em andamento médio da obra de Duke.

Além disso, "Wail", de Bud Powell, apresenta Wind e Cohen dobrando magicamente a melodia. “Pra Dizer a Deus”, de Edu Lobo, dá a Wind a oportunidade de tocar seu baixo com uma delicada e carinhosa técnica de arco. A partir daí, a música se transforma numa experiência perfeita para ouvir num pequeno clube, com um coquetel ao fundo, emoldurada pelo toque impecável de Barron e pelo talento de Cohen para dar um toque romântico à melodia, especialmente uma melodia brasileira, um de seus estilos favoritos.

O trabalho termina com “Stars Fell From Alabama”, a clássica canção de Mitchel Parish e Frank Perkins, imortalizada nas vozes de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Serve como o complemento perfeito para este álbum encantador e cheio de reflexões. O arranjo explora os pontos fortes dos três músicos na música (Wilson não participa desta) — o bom gosto de Barron, requintado; o clarinete de Cohen, impecável; e a linha de baixo de Wind, rica em estilo, alegria e graça.

Martin Wind pode não jogar limpo com essa seleção de músicos de jazz de primeira linha, e isso é ótimo. Ele simplesmente toca maravilhosamente bem, assim como toda a banda neste excelente conjunto de músicas.

Observação: A edição digital contém duas faixas bônus incríveis: “Blues With Two Naturals”, composta por Wind, Barron e Wilson, e “Marc’s Moments” de Wind.

Fonte: Frank Alkyer (DownBeat)