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sexta-feira, 27 de março de 2026

ARTHUR BLYTHE QUARTET – LIVE FROM STUDIO RIVBEA, JULY 6, 1976 (NoBusiness Records)

O saxofonista Arthur Blythe chegou em Nova York em 1974 com um tom lindo e uma concepção totalmente formada. Tendo participado dos grupos do pianista Horace Tapscott em sua cidade natal, Los Angeles, ele chamou a atenção pela primeira vez na Big Apple após seu recrutamento para as bandas do baterista Chico Hamilton e do pianista/compositor Gil Evans. Esta joia do arquivo do Studio Rivbea de Sam Rivers constitui sua estreia como líder, gravada cerca de sete meses antes do anterior candidato a esse título, “The Grip (India Navigation, 1977)”.

Mais tarde, ele assinou com a CBS (agora Sony) e lançou uma série de álbuns notáveis ​​por seus ritmos intensos, liderança contagiante e afinidade pela tradição, neste trabalho Blythe aproveita ao máximo a oportunidade que a cena em sótãos ofereceu para desenvolver música sem as restrições da necessidade de ajudar os donos de clubes e bares a vender bebidas. À frente de um quarteto aventureiro composto pelos colaboradores regulares Steve Reid na bateria e Muhammad Abdullah nas congas, junto com baixista Juini Booth, ele aborda três números que permaneceram os pilares de seu repertório por muitos anos, junto com um medley de melodias não identificadas.

Blythe assume a abertura, "Spirits In The Field", sem acompanhamento. Seu vibrato amplo e característico e seu grito de blues estão em plena exibição, enquanto ele alterna entre melodia santificada, harmônicos estridentes e lamentos penetrantes, intermitentemente separados por passagens sinuosas e imprevisíveis. Ele continua sozinho no medley antes de Booth dobrar sua linha. Recém-saído de uma temporada na banda McCoy Tyner que lançou “Enlightenment (Milestone, 1973)” e “Atlantis (Milestone, 1975)”, o baixista empresta às passagens um salto infatigável. No entanto, ele também se mostra destemido ao seguir Blythe para fora dos caminhos tradicionais, contribuindo com um contraponto oblíquo que amplifica a dimensão experimental.

Como Ed Hazell observa nas perspicazes notas para o álbum, Blythe trata o material aqui como ritmicamente e tonalmente mutável, auxiliado pela facilidade de Reid e Abdullah em entrar e sair de um compasso que por si só é variável. A longa "Miss Nancy" também serve como veículo para pausas prolongadas por todos. As digressões tartamudeadas de Reid sugerem efeitos de eco de dublagem às vezes, enquanto Abdullah acrescenta uma pulsação sem adornos. Ele se destaca, especialmente na procissão final do "Lower Nile", onde, à parte o pandeiro de Reid, suas congas são o único acompanhamento do contralto encantatório do líder.

Blythe, que ele faleceu em 2017, nunca mais soou tão desimpedido e livre como aqui, capturado em um tempo de fluxo antes de tudo se tornar codificado.

Faixas: Spirits In The Field; Medley Of Unidentified Tunes; Miss Nancy; Lower Nile.

Músicos: Arthur Blythe (saxofone alto); Steve Reid (bateria); Muhammad Abdullah (congas); Juini Booth (baixo).

Fonte: John Sharpe (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 27/03

Bill Barron (1927-1989) – saxofonista,

Ben Webster (1909-1973) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=rQVVLAO-9LU,

Carlinhos Vergueiro (1952) – violonista,compositor,

Harold Ashby (1925-2003) – saxofonista,

Johnny Copeland (1937-1997) – guitarrista,vocalista,

Junior Parker (1932-1971) – vocalista, gaitista,

Paulo Vinaccia (1954) – baterista,

Pee Wee Russell (1906-1969) - clarinetista,

Peter Anderson (1987) saxofonista,

Renato Russo (1960-1996) - vocalista,

Sarah Vaughan (1924-1990) - vocalista,

Stacey Kent (1968) – vocalista,

Victor Bailey (1960-2016) – baixo,

Will Anderson (1987) - saxofonista 
 

quinta-feira, 26 de março de 2026

STEVE JOHNS – MYTHOLOGY (Steeplechase Productions)

Ao longo dos últimos vinte anos, o baterista Steve Johns se apresentou dezenas de vezes em diversos locais e formações no norte de Nova Jersey e na região do Vale do Hudson, em Nova York. Para citar apenas alguns exemplos, Johns tocou com o trio do guitarrista Bob DeVos no Trumpets Jazz Club, participou de sessões lideradas pelo baixista Mark Hagan no Old 76 House e fez parte de uma série de apresentações com curadoria do saxofonista tenor John Richmond no The Turning Point Café— todos esses locais pequenos e intimistas — permitiam que os ouvintes vissem e ouvissem cada nota, sem a mediação da tecnologia de gravação e a presença de produtores e gravadoras. Estas noites são essenciais para descobrir as qualidades individualistas de um músico, que atua dentro de práticas reconhecíveis do jazz moderno.

A bateria de Johns engloba diversas virtudes que, juntas, formam um todo substancial. Embora seja um músico assertivo, a dinâmica é fundamental em sua abordagem ao instrumento e à música. É sempre possível ouvir o baixista em meio às baquetas e escovas de Johns; os conjuntos e solistas nunca são ofuscados pelo impacto de seus acentos e preenchimentos concisos e estrategicamente colocados. A compatibilidade entre a técnica de baquetas e a afinação meticulosa da bateria faz com que cada tambor soe com clareza e musicalidade. Sob a batuta de Johns, o ritmo da música nunca se torna incerto ou confuso, em parte devido à sua capacidade de ouvir e criar laços com os baixistas. Em particular, a agilidade, a profundidade e a autoridade do balanço gerado por ele e pelo baixista Bill Moring inspiraram muitos solistas e são um prazer de se ver.

Para aqueles que não têm a oportunidade de ver Johns em uma apresentação ao vivo, “Mythology” é uma ótima introdução aos seus consideráveis ​​talentos como compositor, líder de banda e baterista. Ele compôs cinco das 11 faixas do disco e inclui músicas de seus músicos acompanhantes, o guitarrista John Hart, o pianista Greg Murphy e o baixista Joris Teepe. O repertório varia do jazz tradicional e vibrante à improvisação livre coletiva, incluindo algumas canções de autoria externa à banda, com os vocais de Monte Croft, que toca vibrafone e, em uma das faixas, gaita. Independentemente do andamento, da fórmula de compasso ou do tipo de balanço, Johns e Teepe estabelecem uma base que soa segura, mas não inflexível ou rígida.

As melodias de quase todas as músicas são cativantes, bem elaboradas e marcantes. Por exemplo, "Sapphire", de Johns, e "In My Humble Opinion", de Teepe, incluem temas de valsa agradáveis. Algumas exceções ao material estritamente direto incluem a intrincada "Our Time" de Teepe, uma vitrine emocionante e instigante para as escovas e baquetas do líder, e o tratamento multidimensional de Rich Shemaria para a canção de protesto de Eugene McDaniels da década de 1960, "Compared To What". O disco contém uma abundância de improvisações articuladas e emocionalmente convincentes de todos os músicos, mas é a antítese de uma sessão de improvisação. A química entre Hart, Croft e Murphy nos temas principais — ouça "In My Humble Opinion" — e, frequentemente, durante os solos, adiciona uma camada de complexidade sem se tornar rebuscada ou acadêmica demais.

Embora os solos e improvisações de Johns não sejam o foco principal de “Mythology”, é um prazer ouvi-lo se expressar de maneiras nem sempre presentes em apresentações ao vivo. Por quase dois minutos no meio de "Our Time", ele demonstra disciplina e inventividade ao responder e interagir com temas percussivos breves e dispersos, reconfigurados a partir da composição de Teepe. Em seguida, ele continua mergulhando profundamente em um riff (NT: é uma frase musical curta, cativante e repetida, que forma a base melódica ou harmônica de uma composição, sendo essencial na definição da identidade da música) com pinceladas de velocidade e densidade variáveis. Longas erupções de múltiplas pinceladas, executadas com inteligência, que soam como se brotassem de um riff, justapostas a frases concisas, estão totalmente em sintonia com "Compared To What", uma canção que contém exortações contra a guerra e em defesa dos direitos reprodutivos. E Johns tem a última palavra na faixa-título, começando um solo com ritmos funkeados bruscos sobre o baixo de Teepe, tornando-se gradualmente mais efusivo e complexo enquanto o resto da banda, um a um, entra com discernimento. É uma maneira apropriada de concluir um excelente disco.

Faixas: Coming Of Age; Sapphire; This Is The Thing; Make Me Rainbows; Our Time; Bluesday The 13th; Compared To What; In My Humble Opinion; Friday The 16th; River's Edge; Mythology.

Músicos: Steve Johns (bateria); Monte Croft (vibrafone); John Hart (guitarra); Greg Murphy (piano); Joris Teepe (baixo acústico).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=ylgqPz67UlA

Fonte: David A. Orthmann (AllAboutJazz) 

 

ANIVERSARIANTES - 26/03

Albert Maksimov (1963) – gaitista,

Andy Hamilton (1918) - saxofonista,

Brew Moore (1924-1973) - saxofonista,

Daniel Lantz (1976) – pianista,

Flip Phillips (1915-2001) - saxofonista,

Gary Bruno (1962) – guitarrista,

Hugh Ferguson (1958) - guitarrista,

James Moody (1925-2010) – saxofonista, flautista,

Lew Tabackin (1940)- saxofonista,flautista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=ug3bXRCV6FE ,

Michael Feinberg (1987) – baixista,

Paulo Paulelli (1974)- baixista,

Simon Oslender (1998) – tecladista,

Susan Wylde (1973) - pianista 

 

quarta-feira, 25 de março de 2026

ANIVERSARIANTES - 25/03

Aretha Franklin (1942-2018) – vocalista,

Bobby Militello (1950) - saxofonista,flautista,

Cecil Taylor (1929-2018)  - pianista,

Lonnie Hillyer (1940-1985) – trompetista,

Makoto Ozone (1961) - pianista,

Mimi Jones (1972) – baixista,

Paul Motian (1931-2011) – baterista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=IyL2_U04fuc,

Pete Johnson (1904-1967) - pianista,

Roberto Occhipinti (1955) – baixista,

Sweet Emma Barrett (1897-1983) - pianista,

Trent Austin (1975) - trompetista 

 

terça-feira, 24 de março de 2026

IBRAHIM ELECTRIC - FAST FIRE (Sleeve)

O trio instrumental Ibrahim Electric, de Copenhague, tem surfado uma onda de calor musical em 2025, eletrizando o público em festivais de jazz por toda a Europa neste verão, realizando uma série de concertos em miniatura transmitidos ao vivo e extremamente energéticos com instrumentos pequenos durante o outono e, finalmente, lançando seu primeiro álbum de estúdio completo em cinco anos. “Fast Fire”, com lançamento em 6 de dezembro na plataforma sleeve.fm e disponível em formato digital e vinil, este é o trabalho mais explosivo do grupo, que tem 23 anos de carreira. O programa de 10 faixas explora a energia contagiante e vibrante dos shows ao vivo do Ibrahim Electric, entregando a mistura intensa e característica da banda de soul, R&B, rock, punk, afrobeat, jazz tradicional, free jazz, baladas dramáticas e a energia pura de uma jam band. Estes três veteranos instrumentistas dinamarqueses — o guitarrista Niclas Knudsen, o organista de Hammond B-3 Jeppe Tuxen e o baterista Stefan Pasborg — consolidaram suas reputações na Europa como músicos extremamente versáteis em seus respectivos instrumentos. Juntos, a química entre eles é simplesmente explosiva, como pude presenciar no início deste ano durante as apresentações no Bohemia Jazz Festival em Praga e Plzeň, na República Tcheca, onde o público, de todas as idades, não conseguia ficar parado quando a banda começava a tocar. Extrovertidos e apaixonados, os integrantes da Ibrahim Electric trazem tudo o que têm à tona: ondas de John Scofield, Mike Stern, Ali Farka Touré, Jimi Hendrix Experience, Santana, James Brown, Booker T. and the MG’s, The Doors, John Coltrane, Stanley Turrentine, surf music dos anos 50, Oscar Pettiford, Jimmy Smith, Roy Haynes e Art Blakey, tocam sua alma e ressoam profundamente em seu corpo. A abordagem vibrante do trio, que abraça a liberdade, ao apresentar material original é estimulante e contagiante, com uma atmosfera descontraída e acolhedora. Dos riffs (NT: frase musical curta e repetitiva [de notas ou acordes] que forma a base ou um acompanhamento marcante em uma música, especialmente no rock, jazz e blues cativantes e vibrantes) de “Shuffle Corn” à paisagem sonora galopante e em tom menor do Velho Oeste de “Cheyenne”, passando pelos tons misteriosos e linhas intrincadas de “Hidden Bandit”, o encanto futurista e sedutor de “Flambino” ou o caldeirão borbulhante de hard bop da faixa-título, “Fast Fire” oferece muita música envolvente e gratificante para atiçar sua chama interior, aquecer seu coração e satisfazer aquele apetite ardente por uma dose fumegante de jazz revigorante com tudo o que você possa imaginar.

Faixas

1 Shuffle Corn 4:11

2 Cheyenne 3:31

3 Hidden Bandit 4:23

4 Hungarian Feelgood 6:23

5 Fast Fire 3:52

6 Prima 2:35

7 Long Haul 4:19

8 Flambino 2:43

9 Allegretto Surf 3:18

10 Synth64 4:30

Músicos: Niclas Knudsen (guitarra); Stefan Pasborg (bateria); Jeppe Tuxen (Hammond organ).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=NA6JnUGk1mw

Fonte: Ed Enright (DownBeat)  

 

ANIVERSARIANTES - 24/03

Alfred Winters (1931) – trombonista,

Chelsea Baratz (1986) – saxofonista,

Dave Douglas (1963) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=z1v0VmJKP-k,

Dave Goldberg (1971) – saxofonista,

Dave Rempis (1975) -saxofonista,

Gianluca Renzi (1975) – baixista,

Jeff Campbell (1963) – baixista,

Joe Fiedler (1965) – trombonista,

John Kolivas (1961) – baixista,

Kim Plainfield (1954-2017) – baterista,

Paul McCandless (1947) - saxofonista,

Renee Rosnes (1962) - pianista,

Sherman Irby(1968) – saxofonista,

Steve Kuhn (1938) - pianista,

Steve LaSpina (1954) - baixista