A história da jornada de Michael Dease do sax ao trombone e de
volta é algo que qualquer pai de uma criança com talento musical poderia
reconhecer. Dease começou como saxofonista alto no ensino médio. Algum tempo
depois, ele quis mudar para o sax barítono. Ele trabalhou nisso. E trabalhou
nisso um pouco mais. Sua combinação de talento e prática valeu a pena. Dease tornou-se
uma espécie de monstro jovem no instrumento, superando seus companheiros de
banda mais velhos no ensino médio. Porém, o diretor da banda não sucumbiu ao
fascínio do mero talento. Regras são regras. A antiguidade tem seus
privilégios. Então, Dease não foi autorizado a tocar sax barítono porque isso
deslocaria um músico mais experiente. Um ressentimento nasceu: "para mim, o
sax barítono tem sempre significado político". Dease buscou refúgio
tocando trombone após ouvir Curtis Fuller em “Blue Train” de John Coltrane
(Blue Note, 1958). O sax tornou-se um prazer culpado. Ninguém encorajou uma dupla
tão estranha por medo de que ele não fosse levado a sério em nenhuma dos instrumentos
de sopro. Se um leitor chegou até aqui e pensou "Sorte de Benny Carter,
esse garoto não se agarrou a Lee Morgan", bem, aí está. O talento encontra
seu próprio caminho e sua própria voz, não obstante os diretores da banda. Roy
Hargrove ouviu Dease tocando sax tenor, tomou-o seriamente e o encorajou. Era
tudo o que Dease precisava, de alguma forma pensando que Hargrove poderia saber
um pouco mais do que seu antigo diretor de banda.
Assim, aqui, o ouvinte tem o resultado do talento de Dease, o
talento de Hargrove e o bom senso, e, talvez, alguma sorte. Acompanhado por uma
galáxia de excelentes instrumentistas, Ex-alunos e amigos de Hargrove, há uma
riqueza de boa música. O primeiro é "Grove's Groove", uma música de
doze compassos. Blues que apresenta
Dease, Steve Davis, Jocelyn Gould e Rodney Whitaker. A próxima a vir é "Tea
for Two", um veículo para um vocal/guitarra para Jocelyn Gould que inicia
com um verso que muitos ouvintes não saberão que existe. "Seiko Time"
é mais latina que japonesa, com um adorável solo de trombone de Steve Davis.
"Minor Funk" é o que é, cortesia de Cyrus Chestnut. Steve Davis uma
vez brilha. "Never Let Me Go" diminui um pouco a temperatura.
"The Viper" é uma faixa soul-jazz que apresenta Terell
Stafford sintonizando Lee Morgan e algum órgão funkeado também.
"Decisions" e "Father Figure" são composições de Dease que
adiciona tempero e reflexão, com Rodney Whitaker obtendo espaço solo na última.
"Broadway" apropriadamente encerra a sessão, com quase todo o
conjunto entrando em ação.
Todos dirão que o mundo perdeu um grande instrumentista, um
mentor, e provavelmente com a mesma frequência, um amigo quando Roy Hargrove
faleceu muito cedo. Esta gravação é um memorial adequado para ele.
Faixas: Grove's Groove; Tea for Two; Seiko Time; Minor Funk;
Never Let Me Go; The Viper; Decisions; Father Figure; Broadway.
Músicos:
Michael Dease (trombone, saxofone barítono); Steve Davis (trombone); Terell
Stafford (trompete); Jocelyn Gould (guitarra); Bill Cunliffe (piano); Rodney
Whitaker (baixo); Ulysses Owens, Jr. (bateria); Alex Acuña (percussão);
Jim Alfredson (órgão, Hammond B3); Eli Howell (trombone).
Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo
abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=WunCZ9_by70
Fonte:
Richard J Salvucci (AllAboutJazz)






