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domingo, 15 de março de 2026

ELIANE ELIAS - TIME AND AGAIN (Candid Records)

Internacionalmente renomada, a pianista e vocalista brasileira de jazz, Eliane Elias, apresenta sua terceira gravação pelo selo Candid— e o 32º segundo lançamento da sua longa e distinta carreira — no inovativo e criativo “Time and Again”, uma coleção de oito novos sambas, que apresenta seu piano, teclados e canto em inglês e português. Como afirma Mark Wexler, chefe da Candid Records, "Com cada gravação, Elaine prova que ela não tem fronteiras e exibe sua maestria na canção, musicalidade e vocalise. Ela é uma artista para todas as sessões e estamos entusiasmados em apresentá-la em Time and Again “.

Ao trazer vida à música, Elias grava em vários formatos como uma anfitriã de músicos, 15 ao todo, espalhados por todo o álbum. Entre estes estão o baterista Peter Erskine e o baixista Marc Johnson ao lado de vários convidados especiais tais como o guitarrist Bill Frisell, os percussionistas Marivaldo dos Santos e Davi Vieira, mais o vibrafonista Mike Mainieri, dentre outros.

Nós estamos todos familiarizados com a frase " amor à primeira vista " e isto é exatamente o que Elias expressa na abertura "At First Sight", com uma bela melodia contando a história daquele sentimento especial de se apaixonar. Numa dedicatória especial à neta da cantora "Falo do Amor" (I Talk About Love), Elias canta a letra em Português e toca piano com a vitalidade que estamos acostumados a ouvir dela. Johnson e Erskine faz as honras na ótima "It's Time", um samba alegre e leve com Mark Kibble, que dá uma ajudinha nos vocais de fundo. Este é um dos destaques do conjunto.

Convidados especiais como Mainieri e Frisell exibem seus talentos na suave balada "How Many Times", enquanto o vocalista brasileiro, Djavan, faz uma aparição deliciosa em dueto com Elias na breve e estonteante peça "Sempre", com os vocalistas cantando em português, enquanto a líder assume os teclados em uma das mais finas canções do álbum. O balanço brasileiro continua na saborosa "A Volta" (The Return) e "Making Honey", que apresenta Edu Ribeiro na bateria e Kibble uma vez mais no coro. Elias adiciona alguns bons momentos solo ao piano em uma melodia alegre, pingando doçura.

A lenta e sombria faixa final, "Too Late", é uma balada de amor refletindo as emoções e sentimentos de arrependimento, sabendo que um relacionamento acabou. Até este ponto, a vocalista apresenta uma humilde performance vocal preenchida com muita beleza e toque de tristeza. Não obstante, a natureza do tempo lento da última faixa não prejudica de forma alguma o som alegre e atraente do álbum. Se alguém é fã do gênero brasileiro ou não, “Time and Again” de Elias, é, sem dúvida, um dos mais prazerosos e sedutores álbuns de jazz vocal e alguém o encontrará aqui sem arrependimento.

Faixas: At First Sight; Falo Do Amor; It's Time; How Many Times; Sempre (feat. Djavan); A Volta; Making Honey; Too Late.

Músicos: Eliane Elias (piano e vocal); Marc Johnson (baixo); Mike Mainieri (vibrafone); Bill Frisell (guitarra elétrica); Marivaldo dos Santos (percussão); Davi Vieira (vocal); Mark Kibble (vocal); Edu Ribeiro (bateria); Cuca Teixeira (bateria); Peter Erskine (bateria); Marcelo Mariano (baixo elétrico); Conrado Goys (guitarra); Daniel Santiago (guitarra); Marcus Teixeira (guitarra acústica); Djavan (violão,voz).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=GIvsJg5Stu0

Fonte: Edward Blanco (AllAboutJazz)

 

 

ANIVERSARIANTES - 15/03

Adnan Ajdini (1969) – pianista,

Anne Mette Iversen (1972) – baixista,

Bob Wilber (1928) – saxofonista,clarinetista,

Cecil Taylor (1929-2018) – pianista,

Charles Lloyd (1938) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=7XLWO1fA_TQ,

Gerald Cannon (1958) – baixista,

Harry James (1916-1983) – trompetista,

Jimmy McPartland (1907-1991) – cornetista,

Joachim Kuhn (1944) – pianista,

Oswaldo Montenegro (1956) – vocalista,

Ralph MacDonald (1944) – percussionista,

Ry Cooder (1947) – guitarrista 

 

sábado, 14 de março de 2026

KATE GENTILE / INTERNATIONAL CONTEMPORARY ENSEMBLE - b i o m e i.i (Obliquity Records)

O conceito New Brooklyn Complexity foi cunhado por Vijay Iyer nas notas de programa que escreveu para o álbum “Abiding Memory (2024)”, do jovem compositor-pianista Phillip Golub, para caracterizar um “microgénero emergente” que vem definindo muita da mais avançada música oriunda da atual cena nova-iorquina. Mais especificamente, Iyer refere-se a uma «amálgama particular de escrita ultramoderna e improvisação vanguardista, […] igualmente propensa a subdivisões rítmicas irregulares e balanços intensos.» Num artigo intitulado “Give Me a Complex”, em que retoma o conceito, Ethan Iverson identifica dois dos principais precursores desta corrente, Tim Berne e Steve Coleman: o primeiro associado a uma vertente mais aberta, com ligações ao free jazz, à música clássica contemporânea ou ao rock, o segundo a uma vertente mais estrita em termos formais, que parte sobretudo das músicas da diáspora africana.

Kate Gentile é, hoje, uma das principais representantes da vertente berniana da New Brooklyn Complexity (NBC). Compositora-baterista, cofundou, com Matt Mitchell (outro nome maior desta corrente), a editora Obliquity Records, cuja linha gráfica parece inclusive aludir à da lendária Screwgun de Berne, apresentando, em todo o caso, uma linguagem própria (desenvolvida por Gentile). Musicalmente, passa-se algo análogo: não obstante as manifestas influências bernianas, a Obliquity — a par do trabalho de Gentile e Mitchell editado pela Pi Recordings — tem vindo a definir todo um novo capítulo da NBC.

Em termos composicionais, b i o m e i.i, editado em 2023, é o trabalho mais arrojado (e, diria, relevante) de Gentile até a data. Trata-se de uma longa suíte de 13 partes, que ora alterna entre passagens escritas intrincadas e outras mais abertas, de cariz exploratório, ora sobrepõe camadas contrastantes — por exemplo, uma composta por elementos predeterminados, outra por elementos espontâneos. A escrita é marcada por muito contraponto, ostinatos, linhas melódicas labirínticas e, claro, polimetrias, ecoando referências tão variadas quanto Stravinsky, Messiaen, Zappa, Berne ou até um certo metal. Já o material espontâneo soa simultaneamente livre e disciplinado.

Em termos estéticos, b i o m e i.i pode ser visto como um álbum primo de “A Pouting Grimace (2017)”, de Mitchell, algo que, uma vez mais, as suas respectivas capas sugerem. Mas, enquanto o álbum de Mitchell se mantém ainda no limiar da NBC (ou, se quisermos, do jazz contemporâneo), o de Gentile extravasa-o largamente, assumindo-se em pleno como uma obra de música clássica contemporânea. Em particular, a ligação do primeiro à linguagem (e às sonoridades) do jazz é mais evidente, incluindo, por exemplo, linhas de contrabaixo. E, apesar de preservar uma certa dimensão atlética, típica da NBC, o segundo é uma obra primariamente camerística, exímia na sua gestão de timbres instrumentais, texturas ou espaços. Por outras palavras, “A Pouting Grimace” é um álbum de NBC que incorpora elementos da clássica contemporânea, ao passo que “b i o m e i.i.” é um álbum de clássica contemporânea que incorpora elementos da NBC. Mas, tomados em conjunto, estes dois álbuns contribuem para uma tarefa comum: partindo, respectivamente, do jazz contemporâneo e da clássica contemporânea, “A Pouting Grimace” e “b i o m e i.i” estilhaçam por completo as fronteiras muitas vezes erigidas entre estes dois mundos, continuando, nesse sentido, o legado dos músicos criativos da AACM.

Em “b i o m e i.i,” o fator-chave reside porventura no papel desempenhado pela bateria de Gentile no seio de um grupo de câmara, constituído por músicos do International Contemporary Ensemble, igualmente proficientes a interpretar partituras e a compor em tempo real. Em termos de sonoridade, ora cria um contraste vincado, remetendo para outras músicas (como o prog, o metal ou a NBC), ora se alinha com os restantes instrumentos, assumindo uma linguagem de percussão contemporânea. Paralelamente, em termos rítmicos, ora requer aos seus colegas que apertem os cintos, ora lhes permite navegar com maior liberdade. Este último aspecto é decisivo para a originalidade da proposta: na tradição jazzística, onde o investimento no rigor (e, ao mesmo tempo, na descontracção) a nível rítmico é consideravelmente maior do que na tradição clássica, é com frequência o baterista que assume um papel comparável ao do maestro; ora, aqui, ouvimos um grupo de câmara clássico dirigido (a partir de dentro) por uma bateria! Além disso, não tenho memória de uma obra tão bem-sucedida no que toca à integração de polimetrias características da NBC num contexto clássico.

Cada parte da suíte tem como título um termo inventado por Gentile, por sua vez correspondente a um elemento de um universo ficcional por si imaginado. (Nas notas de programa do álbum, encontramos um conjunto de definições — e respectivas ilustrações — de cada um desses termos.) Ora, também o equivalente sonoro desse universo constitui, a meu ver, uma manifesta novidade. E, mais importante ainda, uma novidade deveras convincente: se, hoje, podemos considerar “A Pouting Grimace” um dos álbuns mais relevantes da década transata, prevejo que o mesmo se possa vir a dizer de “b i o m e i.i.” a respeito da presente.

Faixas

1.drobe 04:01

2.ikbii 03:23

3.oergn 05:53

4.bippf 03:08

5.flibb 03:46

6.chorp 03:18

7.nionine 04:40

8.vlimb 04:08

9.xooox 04:38

10.moons 04:03

11.shorm 04:21

12.drode 04:58

13.isth 02:34

Músicos: Kate Gentile— bateria, percussão; Isabel Lepanto Gleicher— flauta, piccolo; Jennifer Curtis— violino; Joshua Rubin— clarinete, clarinete baixo; Rebekah Heller— fagote; Ross Karre— vibrafone, percussão; Cory Smythe— piano

Fonte: João Esteves da Silva (jazz.pt)

 

 

ANIVERSARIANTES - 14/03

Akira Tana (1952) – baterista,

Bart Miltenberger (1975) - trompetista,

Benedito Lacerda (1903-1958)-flautista,

Damon Zick (1975) - saxofonista,

Gianluca Petrella (1975) – trombonista,

Joe Ascione (1961) – baterista,

Joe Mooney (1911-1975) – vocalista, acordeonista,organista,

Les Brown (1912-2001) – líder de orquestra,

Lex Samu (1975) – flughelhornista,

Marek Skwarczynski (1973) – trompetista,

Mark Murphy (1932) – vocalista,

Noriko Ueda (1972) – baixista,

Quincy Jones (1933) – trompetista,arranjador,

Robert Pete Williams (1914-1980) – guitarrista,vocalista,

Shirley Scott (1934-2002) – pianista,

Vanessa Rubin (1957) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=r15j_l36GLM
 

sexta-feira, 13 de março de 2026

THE HEAVY HITTERS - THAT'S WHAT'S UP!(Cellar Music Group)

Mike LeDonne e Eric Alexander lideram uma banda chamada Heavy Hitters, que conta com um elenco estelar da elite do jazz de Nova York, incluindo o trompetista Jeremy Pelt, o saxofonista alto Vincent Herring, o baixista Alexander Claffy e o baterista Kenny Washington. Eles lançaram “That's What's Up!”, uma gravação ao vivo no Frankie's Jazz Club em Vancouver, British Columbia, em Dezembro de 2023, que captura a autenticidade, espontaneidade, e poder emotivo de uma banda a todo vapor. O repertório é uma mistura artística de oito composições originais, predominantemente de LeDonne e outro membro da banda, com dois standards do grande repertório estadunidense, "It's Magic" e "My One and Only Love".

Este equilíbrio entre novo material e melodias familiares cria uma experiência auditiva dinâmica começando com a faixa de abertura, um original de LeDonne, "JB". Este é um número de alta energia repleto de estruturas intrincadas. Alexander assume a liderança com uma abordagem turbulenta seguida pelo jogo dominante de Pelt. Herring intervém com urgência, e LeDonne corre destemidamente até o piano, que ele toca exclusivamente nesta gravação. A faixa título, "That's What's Up!", segue com uma compreensão profunda da tradição do blues estabelecida pela paleta harmônica de LeDonne. Herring, Pelt e Alexander, que tece linhas complexas, porém líricas, que complementam a estrutura subjacente. A bateria propulsora de Washington preenche o quadro musical.

O primeiro dos dois standards mencionados anteriormente é a composição de Jule Styne, "It's Magic", e é mágica com a dupla LeDonne e Alexander. É uma jornada evocativa repleta de reviravoltas inesperadas, à medida que cada músico mostra que a música é sua essência definidora, o que torna o músico tão misterioso. A composição de Guy Wood, "My One and Only Love", é um solo vigoroso de LeDonne. Sua intrerpretação é preenchida com profundidade emocional, enquanto ele colore as qualidades das notas individuais de cada frase de maneiras expressivas.

Passando para uma exploração mais contemporânea do jazz está "Continuum", a faixa mais longa do lançamento. A abertura é preenchida com as linhas de baixo robustas de Claffy, que se transformam na declaração uníssona da linha de frente do tema. Cada instrumentista, subsequentemente, muda espontaneamente as notas, acordes e padrões rítmicos para alcançar frescor. O encerramento é "You'll Never Know What You Mean To Me". Esta faixa confirma o que ficou evidente ao longo do álbum: que esta banda está repleta de brilhantismo técnico, revelando novas camadas de improvisação, interação diferenciada e poder emotivo bruto capturado por esta gravação ao vivo.

Faixas: JB; That’s What’s Up; Shadows; Groundation; It’s Magic; Blues for All; Continuum; My One and Only Love; Lord Walton; You’ll Never Know What You Mean to Me.

Músicos: Eric Alexander (saxofone tenor); Mike LeDonne (órgão, Hammond B3, piano); Jeremy Pelt (trompete); Vincent Herring (saxofone alto); Alexander Claffy (baixo); Kenny Washington (bateria)

Fonte: Pierre Giroux (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 13/03

André Fernandes (1976) – guitarrista,

Blue Mitchell (1930-1979) – trompetista,

Bob Haggart (1914-1998) – baixista,

Chico Science (1966-1997) – vocalista, compositor,

Clovis Nicolas (1975) – biaxista,

Dana Hall (1969)-baterista,

Dick Katz (1924-2009) – pianista,

Roy Haynes (1926) - baterista,

Shoko Nagai (1971) – pianista,

Terence Blanchard (1962) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=GU35h7JPgzI

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

CHRISTOPH IRNIGER'S PILGRIM - HUMAN INTELLIGENCE (LIVE) [Intakt Records]

"A única conclusão a que cheguei foi a de não tentar reproduzir um evento ao vivo, pensei, os objetivos em eventos ao vivo são diferentes". "Pode haver mais improvisação, mais risco", reflete Christoph Irniger nas notas do encarte do álbum de estúdio de 2023 do Pilgrim, “Ghost Cat (Intakt)”. O saxofonista e compositor reforça essa ideia com esta eletrizante gravação ao vivo, capturada no Red Horn District em Bad Meinberg, Alemanha, em novembro de 2023.

Durante 14 anos, o quinteto de Irniger — o pianista Stefan Aeby, o guitarrista Dave Gisler, o baixista Raffaele Bossard e o baterista Michael Stulz — vem aprimorando sua química, lançando meia dúzia de álbuns neste período. Aqui, eles abraçam a imprevisibilidade, apresentando-se sem uma lista de músicas definida e permitindo que o material composto flua perfeitamente para as improvisações em grupo. O resultado é uma performance que parece ao mesmo tempo arriscada e profundamente intuitiva no melhor sentido possível. A sinergia do quinteto é evidente desde o início. O concerto começa com "Hendrix", onde o toque meditativo de Stulz nos pads (NT: referem-se a timbres de sintetizador ou sons sustentados, suaves e atmosféricos, usados para preencher o fundo de uma música, criar texturas ou dar "cor" harmônica) e pratos cativa o conjunto antes de Gisler iniciar uma homenagem repleta de blues a Jimi Hendrix ,"Calling the Spirits", mantém o clima introspectivo com cordas friccionadas, notas internas de piano dedilhadas, sinos e um saxofone etéreo, construindo gradualmente solos arrebatadores que lembram o último conjunto de Wayne Shorter. Irnigger sabe exatamente quando gritar e quando sussurrar, equilibrando habilmente poder e contenção.

Em outros momentos, "Secret Level" evoca os cantos percussivos de Kahil El'Zabar, enquanto "Seven Down Eight Up" gagueja ludicamente com rajadas de notas, que lembram falhas técnicas. O quinteto constrói complexidade através da desconstrução e reinvenção contínuas, um feito possível graças à sua profunda conexão musical.

Quando o concerto chega à sua música final, "Back in the Game", a jornada completa um ciclo. As notas finais de Irniger servem tanto como uma despedida reflexiva quanto como um remédio musical, uma conclusão inspiradora para uma performance emocionante e ilimitada.

Faixas: Hendrix; Calling the Spirits; Secret Level; Human Intelligence (Interlude); Seven Down Eight Up; The Kraken; Human Intelligence; Emergency Exit; Back in the Game.

Músicos: Christoph Irniger (saxofone tenor); Stefan Aeby (piano); Dave Gisler (guitarra); Raffaele Bossard (baixo acústico); Michael Stulz (bateria).

Fonte: Mark Corroto (AllAboutJazz)