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terça-feira, 3 de novembro de 2026

PAUL COLOMBO GROUP – MABROUKA (Paul Colombo Music)

O guitarrista Paul Colombo conta, em seu álbum colaborativo "Mabrouka", com um grupo de músicos de apoio criativos e inspirados, incluindo, de forma notável, o tecladista Ron Thomas. Este é o segundo trabalho de Colombo, sucedendo “Rio Crystal (Vectordisc Records, 2021)”, e Thomas, o baixista Andy Alonso e o baterista Chris Lōser retornam em “Mabrouka”. Inclui participações do flautista Tom Strohman e do organista Andy Roberts, além do contrabaixista acústico Steve Meashey em seis faixas.

O álbum é classificado, com precisão, como um "disco de jazz contemporâneo". Das 10 faixas apresentadas, nove são composições originais de Colombo. "Eleanor Rigby", do repertório dos Beatles, aparece como a única regravação. Parece vir do espaço sideral, enquanto Colombo e Thomas criam uma introdução ampla que se funde à melodia familiar, quando Colombo a apresenta. A atmosfera do disco é, de fato, contemporânea, seguindo uma sonoridade que remete ao período de fusion do pianista Herbie Hancock, tanto antes quanto depois de seu álbum “Head Hunters (Columbia, 1973)". “Homestyle", a faixa de abertura do disco, possui uma sonoridade luminosa, lembrando a abordagem de Pat Metheny, com um acompanhamento excelente de Thomas e Colombo durante um solo de baixo vibrante de Meashy.

A faixa-título mergulha fundo no balanço, um ímpeto que avança incansavelmente impulsionado pelo poderoso embaralhamento de bateria de Loser. O grupo abrange uma variedade de estilos, incluindo funk, ritmos africanos, blues e sonoridades latinas. "JB", uma homenagem a Jeff Beck, gravada no dia em que o guitarrista faleceu, apresenta uma bela atmosfera orquestral, soando, a princípio, como algo que Don Sebesky poderia ter criado. Já "Jazz" traz uma sonoridade à la Wes Montgomery, isso se Montgomery tivesse se unido a um tecladista que possuísse a liberdade e o potencial inventivo que Ron Thomas demonstra ter.

Um trabalho de jazz contemporâneo excepcionalmente bem elaborado e de caráter exploratório.

Faixas: Homestyle; Mabrouka; Eleanor Rigby; Ali; JB; Dancing; Jazz; Mr. Blues; Louie; Bellecastle Blues.

Músicos: Paul Colombo (guitarra elétrica); Ron Thomas (piano, teclado eletrônico); Andy Alonso (baixo elétrico [3, 5, 9, 10]); Steve Meashey (baixo acústico [1, 2, 4, 6, 7, 8]); Tom Stohman (flauta [5]); Steve Meashey (baixo acústico); Andy Roberts (órgão [8]); Chris Lōser (bateria).

Fonte: Dan McClenaghan (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 03/11

Andy McGhee (1927) - saxofonista,

Azar Lawrence (1953) - saxofonista,

Henry Grimes (1935-2020) - baixista,

Jane Monheit (1977) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=JYMDXO-cJoQ,

Joe McPhee (1939) - trompetista, saxofonista,

Joe Turner (1907-1990) - pianista,

Mark Kramer (1945) - pianista 

 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

ART PEPPER - AN AFTERNOON iN NORWAY: THE KONGSBERG CONCERT (Elemental Music)

Este álbum não é apenas música, é um vislumbre de uma das histórias mais fascinantes da trajetória musical de Art Pepper, desde o saxofonista alto incrivelmente belo da orquestra de Stan Kenton até um presidiário viciado em drogas em San Quentin, culminando em um glorioso renascimento.

A logística envolvida neste álbum é impressionante. Imagine essa correria: terminar uma temporada no Ronnie Scott's, bem cedinho no domingo de manhã, uma corrida para o aeroporto de Heathrow, um voo para Oslo, na Noruega, um carro que o buscou no aeroporto e, direto para o palco, no domingo à tarde, pronto para tocar no concerto de encerramento do Festival de Jazz de Kongsberg.

Essa apresentação na Noruega ocorreu após um período produtivo no Ronnie Scott's, que rendeu um conjunto de 4 CDs, indicando que o grupo estava em excelente forma. De fato, as gravações do Ronnie Scott's, o álbum gravado em Genebra e agora no Kongsberg revelam um período em que o estilo de Pepper havia evoluído para uma poderosa mistura de lirismo, potência e franqueza emocional.

É difícil não se deixar levar pela intensidade da história de Pepper, pela bravura de sua execução e pela profunda pungência que permeia sua música. No âmago de sua improvisação reside um grito, que ressoa com a própria essência do blues. O timbre suave de Pepper pode dar lugar a gritos e guinchos com a rápida interpolação de notas inicialmente aparentemente irrelevantes. Isso transcende o mero sentimentalismo. É a mesma qualidade visceral encontrada em todos os grandes saxofonistas: John Coltrane, Sidney Bechet, Stan Getz, Paul Gonsalves e Charlie Parker. Pepper a possuía em abundância, um fato ressaltado por Laurie Pepper. Esse renascimento tardio, como observa sua esposa, fez com que Pepper se tornasse extremamente consciente de seu tempo limitado.

Antes de "Blues for Blanche", ouvimos a descrição encantadora que Pepper faz de sua gata, que dá nome à música e é uma clara referência a Blanche Du Bois, a personagem icônica de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams. Ocasionalmente, pode-se detectar uma leve influência de Ornette Coleman na forma de tocar de Pepper, talvez sutilmente presente aqui. A faixa começa com Pepper tocando sobre baixo e bateria. Por fim, o solo de Milcho Leviev emerge como um excelente exemplo de seu estilo assertivo e peculiar. O solo de baixo de Tony Dumass vem a seguir, oferecendo um som ressonante e encorpado, com notável profundidade, potência e elasticidade.

"Straight Life" é rápido e furioso, com notas jorrando de Pepper em desordem. Esta é a improvisação em sua forma mais urgente, sem espaço para piloto automático. Leviev entra com notas únicas, astutas e ondulantes, construindo uma intensidade discreta antes do solo de bateria de Carl Burnett, que lembra os estilos de Philly Joe Jones e Elvin Jones.

"Make A List, Make A Wish" conta com um belo solo de Leviev, um pianista búlgaro renomado por sua fusão de jazz com música folclórica búlgara. O solo se desenvolve gradualmente e aumenta em complexidade. Ele desempenhou um papel significativo nas gravações ao vivo de Pepper em 1980. Nas anotações, Laurie Pepper descreveu Leviev como difícil e desafiador, sugerindo que, embora Art se sentisse mais à vontade com George Cables, Leviev o pressionou mais e, em última análise, influenciou sua forma de tocar, apresentando solos que correspondiam à intensa musicalidade do saxofonista.

"Caravan" é a única faixa do álbum que não foi escrita por Pepper. Ele tece uma introdução que é sustentada por Burnett enquanto Pepper busca contramelodias até que a melodia principal emerja. O baixo de Dumas pulsa e impulsiona. É emocionante ver a vitalidade do grupo tomar conta. O solo de Leviev é simultaneamente percussivo e pontilhista, apresentando uma série de ideias antes da convergência do grupo, culminando num final tranquilo.

O álbum inteiro é fascinante: Pepper e Leviev, dois grandes solistas acompanhados por um baixista e um baterista que respondem a todas as mudanças.

A generosa apresentação de Zev Feldman para a edição limitada inclui recordações de Laurie Pepper (coautora da autobiografia de 1979, Straight Life: The Story of Art Pepper) [Da Capo Press, 1996], Dumas e Burnett. Há notas do jornalista Marcus Myers; elogios dos saxofonistas John Zorn e Rudresh Mahanthappa; e uma entrevista com o próprio Pepper na Kongsberg.

Faixas: Y.I.Blues (aka Untitled); The Trip; Make A List, Make A Wish; Patricia; Caravan; Blues For Blanche; Straight Life.

Músicos: Art Pepper (saxofone alto); Milcho Leviev (piano); Tony Dumas (baixo); Carl Burnett (bateria).

Fonte: Jack Kenny (AllAboutJazz)

 

 

ANIVERSARIANTES - 02/11

Andrew D'Angelo(1965) – saxofonista,

Ben Zweig (1992) – baterista,

Bunny Berigan (1908-1942) - trompetista,vocalista,

Chris Byars (1970) – saxofonista,

Ernest Dawkins (1953) - saxofonista,

Frank Kimbrough (1956-2020) – pianista,

Gebhard Ullmann (1957) - saxofonista,

Herb Geller (1928-2013) - saxofonista,

João Pernambuco (1883-1947) – violonista,

Johnny Richards (1911-1968) - líder de orquestra,

Kurt Elling (1967) – vocalista,

P.J. Perry (1941) – saxofonista,

Phil Minton (1940) - trompetista,vocalista,

Phil Woods (1931-2015) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=gHCAlQ01XV4,

Rudy Van Gelder (1924-2016) – produtor,engenheiro de som 

 

domingo, 1 de novembro de 2026

CECILE McLORIN SALVANT - OH SNAP (Nonesuch Records)

Parece que Cecile McLorin Salvant está apenas se exibindo. A vencedora do prêmio MacArthur Genius Grant de 2020 dá sequência a “Ghost Song” (Nonesuch, 2022) e “Mélusine” (Nonesuch, 2023) com “Oh Snap”, um trabalho pós-gênero com letras profundamente pessoais que soam como se tivessem sido extraídas dos diários de uma poetisa redescoberta.

McLorin gravou “Oh Snap” sozinha, aprendendo a usar o GarageBand e o AutoTune ao longo do processo. Ela disse: "Senti que tinha perdido a conexão com a música porque era algo que eu sentia que deveria fazer de uma certa maneira... Pensei: o que eu construiria se pudesse construir tudo sozinha, baseada em quem eu sou?".

"Oh Snap" começa com McLorin Salvant cantando "I want to be a river, but I am a volcano". Assim como em muitas outras músicas do álbum, os vocais em "I am a volcano" são sobrepostos a instrumentos e efeitos eletrônicos. "Take this stone" tem uma vibração de fogueira. Ela canta, "take this stone and pass it on, it alters with each handling... but it will not erode". Kate Davis e June McDoom adiciona harmonias vocais.

"O que significa azul para você?" faz referência a Thelonious Monk em um poema em prosa inspirado em Toni Morrison. Em seguida, vem um fragmento à cappella do clássico funk de 1977 dos Commodores, "Brick House", que soa como se tivesse sido gravado com alguns amigos depois de algumas taças de vinho. A faixa-título utiliza padrões vocais indianos (do subcontinente indiano, não dos nativos americanos) sobre padrões rítmicos complexos gerados por máquina. McLorin Salvant disse: "Eu tinha um som muito, muito específico para o vocal que consegui mexendo com esses efeitos do GarageBand e do Logic, reverbs vocais e coisas do tipo... Estou mais disposta a mexer com a minha voz e fazê-la soar mais confusa, mais maluca e menos clara".

Sua voz é camaleônica nas 13 faixas de “Oh Snap”, oscilando entre um timbre juvenil à la Blossom Dearie (“Take this stone”), o jazz tradicional (“What does blue mean to you?” e “Expanse”), o house com AutoTune (“A little bit more”) e uma mistura de vanguarda, música sacra e world music com a participação do percussionista japonês Keita Ogawa (“A frog jumps in”).

Cécile McLorin Salvant é aquela amiga absurdamente inteligente e ridiculamente talentosa que tira notas máximas em todas as provas, mas nunca estuda, te leva de carro para a audição, mas consegue o papel e vende as fotos das férias para uma galeria. Para nós, meros mortais, pode parecer exibicionismo, mas ela está apenas sendo ela mesma. As bênçãos da vida não são distribuídas igualmente. É assim que as coisas são.

“Oh Snap” é o capítulo mais recente da trajetória artística de McLorin Salvant. É inesperado e maravilhoso.

Faixas: I Am a Volcano; Anything but Bow; Take This Stone; What Does Blue Mean to You; Brick House; Oh Snap; Second Guessing; Expanse; Eureka; Thank You; A Little Bit More; Nun; A Frog Jumps In.

Músicos: Cecile McLorin Salvant (vocal [1-12]; sintetizadores [1, 6-7, 9-10, 12], voz memo [4]); Sullivan Fortner (sintetizadores [1, 7, 9, 11], Fender Rhodes [1], teclados [2, 4, 8], coro [5], vocal [7], bateria programada [11], piano [12], órgão [12]); Kyle Poole (bateria[1-2, 4, 7-9]); Yasushi Nakamura (baixo elétrico [2, 4, 7-8], baixo acústico [12]); June McDoom (guitarra, vocal [3]; Kate Davis (vocal [3]); Evan Wright (clarinete, guitarra [3], baixo [3]; Keita Ogawa percussão [6]); Weedie Braimah (percussão [6]).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=drWzq-eclxE

Fonte: Frank Housh (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 01/11

Antonio Sánchez (1971) – baterista,

Carmen Lundy (1954) – vocalista,

Conrad Herwig  (1959) – trombonista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=id3TCMDcLvw ,

Daniela Spielmann (1970) – saxofonista,

Franz Jackson (1912) - clarinetista,saxofonista,

John Santos (1955)- percussionista,

Lou Donaldson (1926) - saxofonista,

Pucho (1958) - baterista,percussionista,

Roger Kellaway (1939) - pianista,

Sippie Wallace(1898-1986) -vocalista, pianista,

Tião Neto (1931-2001) - baixista 

 

sábado, 31 de outubro de 2026

THE PEACE OF WILD THINGS - THE PEACE OF WILD THINGS (Carimbo Porta-Jazz)

Este trio, constituído por três valores emergentes da cena jazz lusa, tem tido apresentações regulares ao vivo nos últimos anos, pelo que a sua estreia em disco chega num momento em que o grupo já está bem consolidado e com rodagem. Editado com selo do Carimbo Porta-Jazz, “The Peace of Wild Things” resulta do trabalho de um trio liderado pela pianista e compositora Clara Lacerda, acompanhada por Romeu Tristão no contrabaixo e Ricardo Coelho na bateria e percussões. O álbum foi gravado em dezembro do ano passado, por Mário Barreiros (que fez também a mixagem e masterização), e reúne um conjunto de temas originais.

As composições são quase todas assinadas por Lacerda, jovem pianista e compositora que se tem destacado na cena jazz nacional com uma multiplicidade de projetos. Natural de Vila Nova de Famalicão, a pianista passou pelo Conservatório de Música do Porto e pela ESMAE (Porto) e estudou composição com Abe Rábade e Carlos Azevedo. Além deste trio com Tristão e Coelho, tem apresentado o espetáculo Duke Ellington’s Songbook, em trio com João Ribeiro e Tristão, e integrou o trio Herse, com a cantora Sofia Sá e a violoncelista Raquel Reis (encomenda do festival Theia, que passou pela Festa do Jazz). Nos últimos tempos temos visto a pianista ao leme de um curioso novo quinteto, com Afonso Silva, João Pedro Brandão, Marcos Cavaleiro e, novamente, Tristão (elemento comum a vários dos seus projetos). E nesta diversidade a pianista revela uma vasta amplitude de registos, explorando diferentes visões, modus operandi e universos sonoros.

Este “The Peace of Wild Things” arranca em grande estilo, com um tema muito apropriado a este mundo em guerra e conflito: “Last waltz before the bomb”. Partindo da forma de uma valsa clássica, a mão esquerda marca solenemente a gravidade do compasso, enquanto a direita vai estilhaçando o tema, abusando dos agudos afiados, num absoluto contraste; e o tema termina com a inevitável rebentação. No disco destacam-se três homenagens a figuras tutelares: se em “MaryLou” (com a mesma exata duração da primeira faixa), Williams é evocada em linhas arredondas e suaves (em proximidade a “’Round Midnight”), na sua brevidade de dois minutos, “ornetteblues” evoca Coleman pela exposição marcante do tema e na exploração livre que o piano segue, enquanto contrabaixo e bateria mantém o trem no carril; já “CARLA! (for Carla Bley)” revela uma música quase de brincar que até cita “Lawns”. A proposta de Lacerda é forte: apesar de se tratar de homenagens, nunca se segue a simples releitura, há sempre reinvenção.

Há mais dois originais: “The Peace of Wild Things” e “Fireflies”. No primeiro, o piano assume o centro, e regressa à estratégia de confronto, afirmando a sua personalidade forte, numa linguagem que não abdica da forma límpida, mas também ousa a desconstrução; no segundo, o piano é mais certinho, fazendo a revelação sem choque. O disco fecha com dois temas, os únicos que não são da pena de Lacerda: a breve “unity” (apenas um minuto, a deixar vontade de mais) é composição do contrabaixista; “Where you there?” é um hino espiritual norte-americano (tradicional); ambos encaixam bem no registo do disco, fazendo a segunda uma despedida épica e melancólica (com uma notável intervenção de Tristão).

A capa do disco é uma ilustração de uma alpaca a voar pelo espaço. A música de Lacerda e companhia é assim mesmo, surpreendente, imprevisível. Num desafio que lhe lançamos, em setembro de 2023, Lacerda escolheu os discos da sua vida: a par de nomes inevitáveis como Jarrett, Mehldau ou Monk, a pianista de origem minhota teve o bom gosto de incluir também nomes como Emahoy Tsegué-Maryam Guèbrou e Kaja Draskler, além de Novos Baianos, Radiohead e Vitorino (Eu que me comovo por tudo e por nada). Se o seu bom gosto não será novidade, a forma como trabalha estes temas, com inteligência e elegância, sempre com muitas ideias a fervilhar, é a confirmação de uma voz autoral que merece muita atenção.

Faixas

1.Last waltz before the bomb 06:09

2.MaryLou 06:09

3.ornetteblues 02:12

4.The Peace of Wild Things 05:33

5.CARLA! (for Carla Bley) 04:53

6.Fireflies 04:22

7.unity 01:09

8.Were you there? 05:37

Músicos: Clara Lacerda— piano; Romeu Tristão— contrabaixo; Ricardo Coelho— bateria.

Fonte: Nuno Catarino (jazz.pt)