Shai Maestro despertou a imaginação do público quando se
juntou ao trio de Avishai Cohen com apenas 19 anos, contribuindo para quatro
álbuns bem recebidos. Em 2010, Maestro formou seu próprio trio e lançou uma
série de álbuns como líder antes de se mudar para a ECM Records com dois
excelentes álbuns de trio, “The Dream Thief (2018)” e “Human (2021)”, o que
reforçou sua reputação como uma grande influência no jazz contemporâneo. Ao
longo de sua trajetória, ele trabalhou com Oded Tzur, Theo Bleckmann e Ben
Wendel. Ele continua a impressionar com sua primeira gravação solo para piano,
“Solo: Miniatures & Tales”.
As dez faixas que compõem o álbum misturam peças mais curtas
(normalmente de dois a três minutos) com composições mais expansivas, além de
duas reinterpretações. Apesar de não ter outros músicos com quem interagir
nesta ocasião, o Maestro abraça completamente a liberdade criativa oferecida
para explorar a partir de uma tela em branco e elaborar uma declaração pessoal
abrangente.
A cativante faixa de abertura, "3 Colors",
demonstra sua habilidade ao entrelaçar padrões rítmicos e melodias de piano em
ritmo acelerado, criando uma introdução marcante para o álbum. Com a atenção do
ouvinte totalmente cativada, ele então oferece uma leitura deliciosamente
criativa do clássico de Jerome Kern, "All The Things You Are". O
álbum então passa para "Gloria", a primeira das obras mais longas. Dedicada
à sua parceira, esta faixa maravilhosamente eloquente é alicerçada nas raízes
clássicas do Maestro. O tema familiar se mantém ao longo da gravação com as
reflexões suaves e encantadoras de "An Old Family Photo" e as
expressões graves de "Aba" (que significa Pai).
Em outra faixa do álbum, "From One Soul To
Another", retirada do álbum de trio "The Stone Skipper" (Sound
Surveyor Music, 2016)", a música é despojada do baixo e da bateria da
versão original. O espaço adicional revela com mais detalhes a delicadeza de
sua melodia pungente, que se desenvolve a partir de começos simples,
tornando-se mais encorpada e rápida antes de recuar em direção ao final. Já a
improvisação melancólica de "Monkey Mind" é daquelas que convidam à
imersão, com complexidade e beleza em perfeito equilíbrio.
Há outra reinterpretação, "For All We Know" (não
confundir com o sucesso dos Carpenters de 1970) teve muitas versões, incluindo
a de Brad Mehldau em seu lançamento “Art of the Trio Volume 3 (Warner Jazz,
1998)” e a de Keith Jarrett e Charlie Haden em seu álbum clássico “Jasmine (ECM
Records, 2010)”. Embora em formatos de grupo diferentes, os ouvintes podem
achar interessante a comparação com esses pianistas, que influenciaram fortemente
o som de Maestro.
As influências clássicas se fazem presentes mais uma vez em
"Dakini", à medida que a faixa ganha ritmo e novos caminhos se abrem
para exploração. O álbum encerra com "Mystery And Illusions". A faixa
transborda ideias antes de mudar no meio, construindo e variando uma frase
repetida até um final vibrante.
Com uma gravação primorosa, o álbum possui uma sonoridade
crua, sem polimento, como se tivesse sido gravado em uma única tomada,
destacando a intuição e a desenvoltura de Maestro em um trabalho solo. Ele
explora contrastes, expandindo algumas peças para formatos mais longos em
contraposição à forma fugaz e concentrada das faixas mais curtas. O resultado é
uma mistura fascinante de domínio técnico, emoção e expressão melódica. A boa
notícia é que tem mais por vir, como explica Maestro: "Este álbum marca o
início de uma série de gravações solo que pretendo continuar fazendo e lançando
enquanto eu puder tocar".
Faixas: 3
Colors; All The Things You Are; Gloria; Monkey Mind; Aba; An Old Family Photo;
From One Soul To Another; Dakini; For All We Know; Mystery And Illusions.
Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo
abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=kXCHCM_PKxU
Fonte: Neil
Duggan (AllAboutJazz)
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