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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

THEO CROKER AND SULLIVAN FORTNER - PLAY

Existe uma base, um ponto de referência, a partir do qual todos os improvisadores saltam. No caso do trompetista Theo Croker e do pianista Sullivan Fortner, ambos visionários de técnica prodigiosa, o sarrafo é tão elevado que a excelência no free jazz é praticamente uma garantia. Não havia garantia, é claro, de que esses dois instrumentistas, estilisticamente tão diferentes, extrairiam um brilho mágico do nada.

Após se reconectarem com os pontos fortes um do outro depois de gravarem um álbum de reinterpretações que acabou sendo descartado ("Parecia sem graça" disse Croker), eles lançaram um desafio. Eles tentariam novamente — e, desta vez, eles iriam "apenas brincar". Com os andamentos definidos e as melodias e/ou a sonoridade delineadas, os dois amigos de longa data — Fortner tocou no álbum de estreia de Croker em 2006, “The Fundamentals” — dedicaram-se a criar o que acabou se tornando 14 faixas harmoniosamente equilibradas. Algumas, expansivas e cinematográficas. Outros, íntimos e detalhados. Tudo isso impregnado de uma beleza acústica de sonoridade terrosa, ainda mais surpreendente dadas as respectivas trajetórias da dupla: a estética nu-jazz de Croker é voltada para a música eletrônica e influenciada pelo soul e pelo hip-hop.

Fortner, um membro de destaque do quarteto de Cécile McLorin Salvant, tem raízes tradicionais de New Orleans. Mas, tendo sido peça-chave na banda do trompetista Roy Hargrove e dotado de ouvido absoluto, Fortner oferece uma execução repleta de nuances que é um verdadeiro presente para Croker, cujo instrumento se curva, cresce e tremula em um jogo de (chamada e) resposta. Jazz autêntico e carregado de emoção.

Faixas

1.A Prayer for Peace 02:54

2.First Light 03:02

3.We Laugh Because We Must 02:01

4.Midnight Bloom 01:24

5.The Space Within 02:05

6.Let the Quiet Speak 01:57

7.Open Palms 03:43

8.Light Remains 05:53

9.Beneath the Noise 03:18

10.Mouth Full of Sky 03:25

11.Grace Is Not Gentle 01:55

12.As We Are 05:10

13.Then We Danced 03:47

14.Here and Now 02:50

 Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=N9NnUbt-WH0

 Fonte: Jane Cornwell (JazzWise)

 

 

ANIVERSARIANTES - 10/08

Arnett Cobb (1918-1989) – saxofonista,

Chuck Israels (1936) – baixista,

Claude Thornhill (1909-1965) - pianista, líder de orquestra,

Claudionor Germano (1932) – vocalista,

Denny Zeitlin (1938) - pianista,

Fafá de Belém (1956) – vocalista,

Gianluca Ambrosetti (1974) – saxofonista,

Jennifer Leitham (1953) – baixista.

Leo Gandelman (1956) – saxofonista, flautista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=mqIjGe0JXCI ,

Pete McCann (1966) – guitarrista,

Meg Okura (1973) – violinista,

Roberta Donnay (1966) -vocalista 
 

domingo, 9 de agosto de 2026

MARC COPLAND - ALTER EGO LAUSANNE 2022 (The Montreux Jazz Label)

O pianista Marc Copland começou sua jornada no jazz tocando saxofone alto. Era um saxofone alto elétrico. Saxofones plugados não são muito ouvidos no jazz. E isso é uma pena. Parece uma boa ideia, turbinando um instrumento e fazendo novos sons. Porém, Copland logo descobriu que essa maneira de fazer música era limitante. Ele foi para o piano - não foi uma mudança fácil. Porém, ele conseguiu, em grande estilo. Seus dias de saxofone foram na década de 1970. Sua jornada frutífera no piano começou em 1988, com “My Foolish Heart (Jazz City)”, com um trio formado com o baixista Gary Peacock e o guitarrista John Abercrombie, com Jeff Hirshfield na bateria. Este grupo tornou-se uma espécie de modelo para um grande segmento dos futuros passeios de Copland com Abercrombie e Peacock e outros, mergulhando profundamente nas explorações da melodia em suas composições e nas de outros, principalmente os standards - e abraçando a sofisticação harmônica em um nível genial.

Quase quatro décadas após sua gravação de estreia, Copland está no topo de uma discografia maravilhosa de quase 50 álbuns como líder. Uma boa percentagem destes alcançam o nível de obra-prima: “Insight (Pirouet Records)” de 2009, os três “New York Trio Recordings” pela Pirouet Records, lançados em 2006, 2007 e 2009, e “Nightfall (2017)”, “Gary (2018”) e “John (2020)”, todos pelo seu selo InnerVoice.

O som de Copland em suas apresentações em trio e solo é diáfano, cortinas em tons pastéis flutuando das paredes em uma brisa fresca. Seu toque suave é algo de beleza requintada. Seu tratamento da melodia—familiar ou não tão familiar— é insuperável, igualado apenas por um pequeno e seleto grupo de colegas pianistas - Bill Evans, Kenny Werner, Frank Kimbrough, Enrico Pieranunzi, Brad Mehldau, Fred Hersch.

Com “Alter Ego: Lausanne 2022”, Copland dobra para baixo - para usar uma frase frequentemente associada a um político reprovado - em seu modo de piano solo, fazendo um dueto consigo mesmo, definindo uma faixa inicial e improvisando sobre ela.

É o mesmo som de Copland, vezes dois, mais rico e denso, mas ainda contendo uma leveza, como outra camada de cortina do mesmo tecido da primeira, colorido e feito de um tecido fino, pendurado sobre o conjunto original, flutuando no mesmo vento, não em perfeita sincronia, mas dançando com o mesmo propósito de asas de anjos.

Copland explora Thelonious Monk ("'Round Midnight" e "Let's Cool One"), John Coltrane ("Crescent"), Richard Rodgers ("Glad To Be Unhappy"), seu antigo companheiro de banda Abercrombie ("Another Ralph's") e Ron Carter ("Eighty-One"), e um par de suas inéditas. A qualidade do som é excelente (tão necessário em um álbum de piano) e Copland está em ótima forma diante de uma plateia de estúdio (participando da dublagem) e não é ouvida até a música final, "Some Other Time", da lavra de Leonard Bernstein.

Coloque “Alter Ego: Lausanne 2022” na categoria “Marc Copland essencial”.

Faixas: Day & Night; Eighty-One; 'round Midnight; Let's Cool One; Talkin' Blues; Spartacus Love Theme; Another Ralph's; Crescent; Glad To Be Unhappy; Some Other Time; Chat & Notes.

Fonte: Dan McClenaghan (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 09/08

Brian Prunka (1975) - guitarrista,

Jack DeJohnette (1942-2025) – baterista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=_c4OgOb7S80

Jussara Silveira (1959) – vocalista
 

sábado, 8 de agosto de 2026

EM MEMÓRIA - PLAS JOHNSON, 1931–2026

Plas Johnson (na foto), saxofonista tenor de jazz e R&B cujo som, se não o seu nome, era conhecido por milhões de pessoas de várias gerações, morreu em 15 de julho em uma comunidade de aposentados em Los Angeles. Faltavam seis dias para ele completar 95 anos. Sua morte foi confirmada ao New York Times por seus filhos, Eric Johnson e Stephanie Oliver.

O momento icônico de Johnson ocorreu quando, em 1963, ele executou a linha de saxofone sinuosa e de sonoridade aveludada no tema composto por Henry Mancini para o filme “A Pantera Cor-de-Rosa”, estrelado por Peter Sellers. O filme tornou-se um sucesso internacional, assim como o tema musical, que foi indicado tanto ao Oscar quanto ao Grammy. Quando o filme deu origem a uma versão em desenho animado da Pantera Cor-de-Rosa e a uma franquia, o saxofone de Johnson tornou-se tão lendário entre crianças de todo o mundo quanto entre os adultos.

No entanto, Johnson teve uma carreira musical mais completa e rica do que seus três minutos de fama no cinema sugerem. Natural da Louisiana, ele tocou em uma banda familiar quando criança e, posteriormente, em parceria com o irmão em Nova Orleans, antes de se mudar para Los Angeles e construir uma carreira como músico de estúdio. Ele foi saxofonista contratado da Capitol Records e também trabalhou regularmente com a Wrecking Crew, um grupo que reunia os músicos de estúdio mais prolíficos do mercado entre as décadas de 1950 e 1990. Ele integrou a banda do programa The Merv Griffin Show em 1970, permanecendo nela pelos 15 anos seguintes.

Plas John Johnson Jr. nasceu em 21 de julho de 1931, em Donaldsville, Louisiana, uma cidade entre Baton Rouge e Nova Orleans. A família era musical, e Plas cantava com eles antes de seu pai lhe dar um saxofone soprano, quando ele tinha 12 anos. O pai de Johnson também lhe deu noções básicas, mas ele foi, em grande parte, autodidata e passou para os saxofones alto, tenor e barítono à medida que evoluía.

Ele e seu irmão Ray, um pianista, tocaram em Nova Orleans como Johnson Brothers até ele começar a fazer turnê com o cantor de rhythm and blues Charles Brown, em 1951. Convocado para o Exército naquele mesmo ano, Johnson tocou em uma banda militar na Califórnia. Após dar baixa em 1954, mudou-se para Los Angeles e começou a trabalhar com o cantor Johnny Otis e o saxofonista Maxwell Davis. Ele rapidamente chamou a atenção de Dave Cavanaugh, produtor da Capitol Records, que passou a escalá-lo para sessões de estúdio abrangendo jazz, pop, R&B, rock ’n’ roll e trilhas sonoras de filmes.

Muito antes da sessão de “A Pantera Cor-de-Rosa”, Johnson havia tocado como músico de apoio para Frank Sinatra, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Rosemary Clooney e Peggy Lee, além de ter executado o famoso fraseado de flauta piccolo no single "Rockin’ Robin", de Bobby Day, lançado em 1958. Após “A Pantera Cor de Rosa” (no qual Johnson participou como membro fixo da Henry Mancini Orchestra), ele também tocou no álbum “Pet Sounds”, dos Beach Boys, bem como em discos de The Monkees, Barbra Streisand, Marvin Gaye e Teena Marie.

Johnson gravou pela primeira vez sob seu próprio nome em 1956. Ele liderou gravações esporádicas nas três décadas seguintes, além de apresentações em festivais de jazz ao redor do mundo (Ele também gravou dois álbuns de jazz easy listening (NT: é um estilo musical leve e relaxante, criado para servir de som de fundo) na década de 1960 sob o pseudônimo de Johnny Beecher). Enquanto tocava na banda de Griffin, ele também manteve trabalhos paralelos como músico de estúdio, tornando-se membro regular da orquestra de estúdio de Nelson Riddle e das bandas "All-Star" e "Super" de Gene Harris na década de 1980. Em 2006, Johnson reviveu seu sucesso comercial ao gravar uma nova versão do tema da Pantera Cor-de-Rosa para uma reinicialização da franquia cinematográfica estrelada por Steve Martin.

Além de Eric Johnson e Stephanie Oliver, Johnson deixa sua segunda esposa, Carol Johnson (um casamento anterior, com Elizabeth Blinkenberg, terminou em divórcio). Outros quatro filhos, Cheryl Johnson, David Johnson, Denise Hurley e Philip Nunn; oito netos e 12 bisnetos.

Como homenagem, assistam ao vídeo abaixo com o solo histórico de Plas Johnson.

https://www.youtube.com/watch?v=VyZiIuMufTA

Fonte: Michael J. West (DownBeat)

 

 

FÁBIO DE ALMEIDA – REQUIEM FOR A DRAGON (Dox Records)

Foi através de Hugo Carvalhais que descobrimos o saxofonista Fábio de Almeida. No disco “Ascetica (Clean Feed, 2022)”, o quarto volume da discografia do contrabaixista portuense, encontramos um músico que até então não tínhamos ouvido com a devida atenção. E, tal como foi Carvalhais que nos apresentou o baterista Mário Costa (que entretanto se afirmou como uma das mais originais e relevantes figuras do jazz nacional), também Almeida se começou por revelar através da música metódica e desconcertante do contrabaixista.

Fábio de Almeida, saxofonista tenor, compositor e improvisador, nasceu em Paris, cresceu entre Vila Real e o Porto e vive atualmente nos Países Baixos, na cidade de Tilburg. Ao longo do seu percurso, além da referida parceria com Carvalhais, tocou com João Martins (o baterista, que editou no ano passado Oxímoro), integrou o Phantom Trio (com Martins e Sérgio Tavares) e o grupo de fusão Pãodemónio (com Nuno Trocado, Ricardo Pinto e Marcelo Aires), além de colaborações com Marcelo D2, Teresa Cristina, Moacyr Luz e Orquestra Bamba Social, entre outros.

Para a sua estreia na condição de líder, o saxofonista edita através da Dox Records (baseada em Amesterdam) o álbum Requiem for a Dragon. Desde logo, a formação é pouco convencional: Sjoerd van Eijk nos sintetizadores e teclados; Stef Joosten no baixo elétrico; e Pedro Nobre na bateria. Também as composições, de linhas bem marcadas, com espaço para a improvisação, são distintivas: não são típicas do “jazz americano”, revelam antes outras direções: incorporam diferentes elementos (da clássica à eletrônica, cruzando geografias) para criar um universo muito próprio. Carregamos no botão play e o disco arranca com “Mark of the Wanderer”: um sintetizador retro-futurista (saído de um filme sci-fi dos anos ’70) a planar, sobre o qual o saxofone tenor entra com a maior tranquilidade. Almeida não ruge, nem tem essa necessidade. Nem tem a urgência de resolver, vai-se demorando.

Na segunda faixa, “Zilveren Cubus”, o quarteto começa por desenrolar um tema intrincado, abrindo espaço para Almeida depois se espraiar. “Kitsune Pulse” é marcado pelas atmosferas fantasmagóricas dos sintetizadores, incluindo um solo do baixo elétrico (Joosten), antes do grupo retomar as linhas do tema. “Mirror Maze” abre em arranque nervoso entre o piano e a bateria, até que o tema se estabiliza, com o piano a assumir-se como peça central. “Forever until it lasts” abre com a candura do tenor, a exprimir toda a melancolia. Em “Requiem for a Dragon” é o piano que se revela, com Sjoerd van Eijk a solar com elegância. E o disco encerra com “Carousel Renewal”, com mais processamento eletrônico, em crescendo.

A (ótima) capa do disco é uma ilustração do artista neerlandês Sancho que retrata um saxofonista em chamas. Apesar de visualmente muito boa, não será exatamente a representação mais fiel da música que está dentro da rodela. Almeida não será o mais fogoso; tem chama, e aplica-a convenientemente, mas não tem a urgência de exibição, que em alguns peca pelo exagero. Se em Portugal temos atualmente excelentes saxofonistas, diferentes registros e universos, um que se tem destacado particularmente (e com toda a justiça) é José Soares, que se desdobra entre mil projetos e em todos se afirma com economia e enorme expressividade. Também Almeida revela afinidades com o seu som — uma capacidade de expressão sem necessidade de puxar demasiado, saber conversar com tranquilidade e conseguir dizer tudo.

Para lá da voz instrumental do líder, o disco destaca-se pela variedade das cores, resultado da combinação instrumental e das opções estéticas da banda, onde se inclui, com preponderância, a eletrônica. O quarteto trabalha a música com clareza, equilíbrio e tensão, fazendo-a levantar do chão. Uma bela estreia discográfica.

Faixas

1.Mark of the Wanderer 09:45

2.Zilveren Cubus 06:59

3.Kitsune Pulse 04:51

4.Mirror Maze 07:44

5.Forever until it lasts 05:00

6.Requiem for a Dragon 06:05

7.Carousel Renewal 04:41

Músicos: Fábio de Almeida— saxofone tenor, eletrônica; Sjoerd van Eijk— sintetizadores, teclados; Stef Joosten— baixo elétrico; Pedro Nobre— bateria.

Fonte: Nuno Catarino (jazz.pt)

 

 

 

 

ANIVERSARIANTES - 08/08

Ben Goldberg (1959) – clarinetista,

Benny Carter (1907-2003) - saxofonista,trompetista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=ww7nvCgUocU ,

Brian Patneaude (1974) - saxofonista,

Don Burrows (1928) – clarinetista, saxofonista, flautista,

Jon Hansen (1986) – tubista,

Jimmy Witherspoon (1923-1997) – vocalista,

Laurie Frink (1951-2013) – trompetista,

Lucky Millinder (1900-1966) – vocalista,

Nat Story (1904-1968) - trombonista,

Spike Mason (1970) - saxofonista,

Urbie Green (1926-2018) – trombonista