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quinta-feira, 19 de março de 2026

THE COUNTERFICTIONALS - AN INCOMPLETE ENCYCLOPEDIA OF GENTLE EMOTIONS (Zachs Music)

Qualquer cinéfilo de carteirinha dirá que o enredo não é realmente o mais importante, ou, como costumava dizer o estimado crítico Roger Ebert, a questão não é "sobre o que um filme trata, mas como ele trata o assunto". Esta é uma lição que Kristoffer Rosing-Schow e o grupo The Counterfictionals realmente levaram a sério. Suas obras são em grande parte inspiradas no mundo do cinema, mas essas fontes específicas são apenas pontos de partida. O objetivo de cada obra não é o filme ou cena específica em que ela se inspira, mas sim como ela evoca o clima e a essência emocional que a permeiam.

Na sequência do caleidoscópico “No Hay Banda (Good Music, 2019)”, o sexteto volta a tecer uma série de noirs de jazz sombrio e fascinante, embora desta vez o trabalho se incline mais para o impressionismo do que para as referências específicas. Por exemplo, o conceito por trás da faixa de abertura é um filme hipotético que nunca foi feito. A obra tece um melodrama fantasmagórico de um dia chuvoso com theremin (NT: é um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos, inventado em 1920 pelo russo Léon Theremin, famoso por ser tocado sem qualquer contato físico. O músico controla o volume e a frequência [notas] movendo as mãos ao redor de duas antenas metálicas, produzindo um som etéreo e fantasmagórico), cordas delicadamente dedilhadas e guitarra fora de fase, sob um trecho livre de James Joyce, e a experiência não se torna menos imersiva pelo fato da fonte ser (bem) ficcional. É perfeitamente fácil imaginar toda essa coleção como uma minissérie de fitas gravadas para algum projeto de cinema de arte da era de ouro, perdidas atrás de uma caixa de madeira empoeirada na sala de edição.

Assim como inúmeras outras partituras, " An Imcomplete Encyclopedia Of GentleEmotions " está repleta de uma paleta de timbres que vai muito além do básico de piano, guitarras e instrumentos de sopro. A tensão de uma trágica história de amor/não-amor de Quentin Tarantino é retratada em um lamento fúnebre com clarinete melancólico e um toque de melódica, adicionando uma pitada de drama à la Ennio Morricone. Para retratar os personagens principais de "Quero Ser John Malkovich" sentindo-se perdidos e à deriva, uma linha central de piano acompanha a música, enquanto o ambiente ao redor gradualmente se torna menos estranho, passando de sinos inquietos para flauta e saxofone mais calmos (embora uma onda etérea de theremin ainda persista até o final). As emoções aqui podem não ser sempre tão suaves, afinal, embora um belo e, em sua maior parte, reconfortante tango cigano baseado em uma das mais belas histórias de amor dos anos 90 (se não de todos os tempos) seja suficientemente tranquilizador para mostrar que o título do álbum se encaixa perfeitamente.

Se há algo que falta em “Encyclopedia” em comparação com o álbum de estreia da banda, é uma dose ocasional de leveza. Deixando de lado essa canção de amor emocionante, o álbum permanece consistentemente assombroso e melancólico, não em busca de um drama óbvio, mas para encarar esses temas, muitas vezes agridoce, com a honestidade que merecem. Quando a música se encerra com uma homenagem hipnótica a dois mestres do misterioso, a banda trata o real como chave para o irreal, demonstrando que uma composição atmosférica bem elaborada pode fazer com que um simples clarinete e cordas soem tão misteriosos quanto qualquer artifício eletrônico. Com a duração ideal de um LP, esta é uma obra que parece terminar surpreendentemente rápido, mas — como acontece com muitos dos filmes mais bem elaborados — está repleta de detalhes e com muitas camadas surpreendentes a serem descobertas.

Faixas: Poems and Rain; Norm Gunderson's 3-Cent Stamp; Beatrix and Bill; Puppet; The White Lodge.

Músicos: Kristoffer Rosing-Schow (saxofone alto); Tove Sørensen (baixo); Bjorn Heeboll (bateria); Maja Romm (guitarra); Jeppe Zacho (clarinete); Henriette Groth (piano); David Kerns (narração [1]); Sune Wedam (trombone baixo [1]); Martin Fabricius (vibrafone [1, 5]); Anders Banke (flauta, clarinete baixo [4, 5]).

Fonte: Geno Thackara (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 19/03

Assis Valente (1911-1958) – compositor,

Bill Henderson (1930) - vocalista,

Buster Harding (1917-1965) – arranjador,pianista,

Chad Taylor (1973) – baterista,

Curley Russell (1917-1986) - baixista,

Curtis Fowlkes (1950) – trombonista,

David Schnitter (1948) – saxofonista,

David Buck Wheat (1922-1985) – baixista,

Eliane Elias (1960) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=BNfAofMmygI,

Fred Hughes (1961) – pianista,

Justin Faulkner (1991) – baterista,

Lem Winchester (1928-1961) - vibrafonista,

Lennie Tristano (1919-1978) - pianista,

Michele Rosewoman (1953) – pianista,

Mike Longo (1939-2020) – pianista,

Thana Alexa (1987) – vocalista,violinista 

 

quarta-feira, 18 de março de 2026

EMMA RAWICZ – INKYRA (ACT)

Há muito a se dizer sobre a ambição juvenil. Há muito o que dizer sobre a saxofonista Emma Rawicz, de 23 anos, que transborda talento e demonstra uma maturidade muito além da sua idade. Como ela mesma afirma em um artigo especial que foi publicado na edição de janeiro da revista DownBeat: "Em poucos anos, passei de uma estudante universitária comum a estar, de repente, em palcos internacionais, tocando em quatro países em quatro dias e quase nunca em casa". Não que ela esteja reclamando, apenas constatando um fato. Após lançar seu primeiro álbum de forma independente em 2022, enquanto ainda era estudante, ela foi contratada pela ACT Music para o lançamento de seu segundo álbum, “Chroma”. Ambas as gravações provaram ser um ótimo começo para sua carreira. Porém, com seu lançamento mais recente, “Inkyra”, uma obra que transita entre o jazz e a fusão, Rawicz surge em plena ascensão, uma artista com uma visão grandiosa e uma voz que eleva o espírito e toca a alma. A faixa de abertura, “Earthrise”, acalma como um convite para ouvir. É uma meditação de um minuto que se transforma em "Particles Of Change", uma canção vibrante e empolgante, lindamente arranjada para seu sexteto, que inclui Gareth Lockrane nas flautas, David Preston na guitarra, Scottie Thompson nos teclados, Kevin Glasgo no baixo elétrico e Jamie Murray na bateria. Porém, quando Rawicz faz um solo no saxofone tenor, a música atinge patamares estratosféricos. Ela demonstra sua incrível habilidade ao construir uma improvisação arrebatadora que, ao final, me fez exclamar: "Ufa!".

Faixas

1.Earthrise 01:22

2.Particles of Change 07:34

3.Time and Other Thieves 04:33

4.A Portrait of Today 06:25

5.Lunar 00:56

6.Moondrawn (Dreaming) 04:18

7.Anima Rising 06:39

8.All My Yellow Afternoons 05:22

9.Marshmallow Tree 03:53

10.A Long Goodbye 01:00

 Músicos: Emma Rawicz (saxofones tenor & soprano); Gareth Lockrane (flauta, flauta baixo, piccolo); David Preston (guitarra); Scottie Thompson (Rhodes, piano, Prophet); Kevin Glasgow (baixo elétrico); Jamie Murray (bateria).

 Fonte: Frank Alkyer (DownBeat) 

 

 

ANIVERSARIANTES - 18/03

Al Hall (1915-1988) - saxofonista,

Andy Narell (1954) – percussionista,

Bill Averbach (1953) – trompetista,

Bill Frisell (1951) – guitarrista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Svzv-YkUzdk,

Canhoto da Paraíba(1929-2008) – violonista,

Courtney Pine (1964) – saxofonista,

Diane Hubka (1957) - vocalista,

Jean Goldkette (1899-1962) - pianista,

Joe Locke (1959) – vibrafonista,

Jon Weber (1961) - pianista,

Jose Mangual Sr. (1924-1998) – percussionista,

Mark Colby (1943-2020) – saxofonista,

Per “Texas” Johansson (1969) – saxofonista,

Sofia Ribeiro (1978) - vocalista 

 

terça-feira, 17 de março de 2026

PETER SMITH - SMITTY STRAIHTENS OUT (Real Magic Records)

“Smitty Straightens Out” cativa desde as primeiras notas, transportando o ouvinte para um mundo onde o compositor e pianista canaliza com maestria seus anos de experiência em um estilo singular, envolvente e espetacular. Já é possível sentir a força de sua performance ao vivo, pois o maior trunfo do artista reside, sem dúvida, na eficácia de seus arranjos. Peter Smith atuou como Diretor Musical Associado em duas temporadas do programa The Four, da Fox, trabalhando diretamente com os participantes ao lado dos diretores musicais Rickey Minor e Adam Blackstone. Ele também desempenhou essa função em Duets — o popular programa de competição musical exibido pela ABC — onde colaborou com John Beasley como diretor musical. Ao longo dos anos, Smith trabalhou com Kelly Clarkson, Jennifer Nettles, Robin Thicke e John Legend, apoiando-os e aos seus participantes durante os ensaios e moldando os arranjos musicais para o programa.

Arranjador e diretor musical muito requisitado em diversos gêneros, Smith lidera o projeto de Ty Taylor, The Nouveau Mid Century Romance Songbook, que estreou no The Wallis em Los Angeles. Ele também é coprodutor e colaborador (juntamente com Rob Perkins e Taylor), além de pianista e arranjador do álbum de mesmo nome (Universal Music Group). Além disso, ele foi cocriador de Too Marvelous for Words: A Celebration of Nat 'King' Cole, um show no qual se apresenta ao lado de Keith David.

Como compositor, Smith encontra um delicado equilíbrio entre honrar a tradição e abraçar a modernidade. O som do álbum é profundamente contemporâneo, mas atemporal, carregando a qualidade narrativa e poética inerente aos pianistas de jazz, tecendo um fio intrincado e evocativo ao longo de toda a gravação. Com vasta experiência no circuito de jazz, ele já se apresentou nos palcos do Iridium e Birdland (Nova York), Jazz Alley (Seattle), Yoshi's (São Francisco), Blues Alley (Washington, D.C.), Festival Internacional de Jazz de Montreal, Vector Arena (Nova Zelândia) e Melbourne Recital Centre (Austrália), entre muitos outros

Em Hollywood, Smith é um nome conhecido, com suas composições presentes em diversas séries de televisão, incluindo The Mindy Project, CSI, Bones, Arrow, BoJack Horseman, Young Sheldon, Benched, Supergirl, Growing Up Fisher, Black Lightning, Pitch, Charmed e How to Live With Your Parents. Sua trajetória é ainda mais marcada por colaborações no palco e em estúdio com uma lista impressionante de artistas: Rickey Minor, Errol Cooney, David Delhomme, Roy McCurdy, John B. Williams, Anthony Wilson, Stephon Harris, Edwin Livingston, Gary Wang, Stevie Wonder, Brenna Whitaker, Laura Mace, Maiya Sykes, Gilbert Castellanos, Melissa Morgan, Ben Harper, John Beasley, James Torme, Terron Brooks, John Beasley, Melissa Morgan, Dwight Trible, Alexys Schwartz, Michael Beardon e muitos outros. Todas essas experiências se refletem vividamente em sua música, onde cada peça se desenrola como um capítulo de um romance, cuidadosamente estruturada com um apurado senso de dramaturgia, desenvolvendo seus temas com a máxima precisão. Swagger Waggle é particularmente impressionante. Sob sua aparente simplicidade, reside uma das composições mais intrincadas do álbum. "Smitty Straightens Out" se destaca como um futuro clássico do gênero.

Faixas: Road Song; Smitty Straightens Out; Timing Rules The World; Tumbling down; As They Grow; Swagger Waggle; Until Next Time.

Músicos: Peter Smith (piano e vocal); Roy McCurdy (bateria); Rickey Woodard (saxofone tenor); Trevor Ware (baixo acústico); Aaron Janik (trompete).

Fonte: Thierry De Clemensat (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 17/03

Abraham Burton (1971) – saxofonista,

Antônio Maria (1921-1964) – compositor,

Axiel Kühn (1981) – baixista,

Elis Regina (1945-1982) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=biqZ3ImZlZI,

Grover Mitchell (1930-2003) – trombonista,

Jessica Williams (1948) – pianista,

Lovie Lee (1917-1997) – pianista,

Nat King Cole (1917-1965) – pianista,vocalista,

Rodney Green (1979) – baterista,

Paul Horn (1930) – saxofonista,flautista 

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

DENNIS MITCHELTREE AND JOHANNES WALLMANN - HOLDING SPACE (Shifting Paradigm Records)

O saxofonista tenor Dennis Mitcheltree e o pianista Johannes Wallmann se unem para um programa completo de música atraente no Holding Space. Abrangendo uma variedade de expressões idiomáticas e parâmetros composicionais, a dupla mapeia muito território nas dezoito faixas do álbum, e é um terreno que vale a pena explorar.

Mitcheltree grava desde a década de 1990, com seu lançamento de estreia, “Brooklyn (Dengor Music)”, lançado em 1996. Ele tem um tom caloroso e insinuante, amplamente demonstrado na abertura do álbum, "Annus Mirabilis", enquanto as linhas cativantes de Mitcheltree flutuam sobre a base firme e empática de Wallmann. " Willis” tem uma sensação semelhante, destacando novamente o som generoso de Mitcheltree. Wallmann também traz um toque lírico a todas as suas interpretações, especialmente valioso em uma gravação que é ricamente melodiosa do começo ao fim. Com os dois músicos dividindo os créditos de composição de forma quase igual, sua visão mútua é evidente, e como os dois se apresentaram e gravaram por várias décadas, isso não é nem um pouco surpreendente.

Como bônus adicional, o trompetista Russ Johnson se junta à dupla para três faixas. Suas contribuições em "Via Valse" são especialmente estimulantes, já que a peça de textura sombria dá espaço a Johnson para desenvolver seus pensamentos em uma conversa próxima com Mitcheltree e Wallmann. "Trio Adagio" tem um toque ainda mais sombrio e, com um ritmo deliberado que dura quase dez minutos, é a faixa mais longa do álbum, permitindo que todos os três músicos mostrem seu relacionamento intuitivo.

O álbum tem uma qualidade um tanto peripatética, já que as peças cobrem uma ampla gama de estilos. Várias faixas improvisadas (demasiado) breves, tanto solos quanto duetos, são intercaladas ao longo do disco, e "Sephardic Blues" é uma faixa inspirada no klezmer, com pouco mais de um minuto de duração. "Blues for Mark" leva as coisas em uma direção com influências noir, dando ao tenor sombrio de Mitcheltree seu momento mais furtivo no disco, enquanto o piano alegre de Wallmann em "Liberty Hop" tem mais do que um pouco de boogie-woogie nele. E para o número gospel do álbum, temos "Soul Occupant", uma peça de andamento médio com um pouco de coragem em seu ritmo contagiante.

Embora um foco conceitual mais restrito pudesse ter dado mais coesão ao álbum, não há como negar o genuíno espírito de corpo demonstrado aqui, e é uma delícia ouvir dois excelentes músicos passando uma hora agradável no estúdio exibindo suas habilidades.

Faixas: Annus Mirabilis; Via Valse; Willis; Dalia Eats a Strawberry; Sasayaki; Liberty Hop; Blues for Mark; Duo Improvisation 1; Later That Year; Trio Adagio; Piano Improvisation; Soul Occupant; Holding Space; Sephardic Blues; Dup Improvisation 2; Pretty Good Life; Saxophone Improvisation; Digging a Shallow Grave for My Enemy.

Músicos: Dennis Mitcheltree (saxofone tenor); Johannes Wallmann (piano); Russ Johnson (trompete [2, 10, 18]).

Fonte: Troy Dostert (AllAboutJazz)