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sábado, 29 de agosto de 2026

THOMAS MORGAN - AROUND YOU IS A FOREST (Loveland Music)

E a surpresa é proporcional à curiosidade: em “Around You Is a Forest”, Morgan abdica quase por completo do contrabaixo para usar um instrumento virtual desenhado com o software SuperCollider (plataforma para síntese sonora e composição algorítmica). O instrumento, batizado WOODS, foi desenhado por Morgan para produzir timbres e padrões orgânicos, apesar da sua progênie digital, com uma ressonância antiga que aglomera qualidades das harpas-alaúdes da África Ocidental, das cítaras asiáticas, do cimbalom e da marimba.

A relação do contrabaixista com a programação vem do berço: o pai pertence à primeira geração de cientistas da computação e ensinou-o a “brincar” com BASIC e a editar a programação do Sim City para aumentar o terreno do jogo. Morgan gosta dessa dimensão do digital — poder editar, mexer por dentro, e não apenas usar o programa.

O LP duplo traz nove temas, feitos por si, com sete músicos — e um poeta — que aceitam dialogar com as gotas sonoras irregulares e imprevisíveis do instrumento virtual, resultando numa música rítmica que soa ritualista, generativa, como uma floresta. O sistema muta, em tempo real, padrões melódicos pentatônicos simples, provenientes de canções populares, gerando abstrações imprevisíveis. Morgan, o “hacker musical” deste processo, concebeu-o como extensão do seu pensamento improvisacional: padrões que ramificam como árvores, saltando entre ramos, como ele faz ao vivo.

O WOODS (acrónimo recursivo de “WOODS Often Oscillates Droning Strings”) dispara pontos sonoros orgânicos que inspiram os músicos (incluindo o próprio Thomas Morgan), tocando com a eletrônica num todo convincente, sem soar “virtual”. É uma ponte entre a tradição acústica e o código algorítmico do SuperCollider. No extenso booklet que acompanha os dois LPs fala de «a universe of possibilities within their resource constraints(NT: um universo de possibilidades dentro de suas limitações de recursos)». A capa é lindíssima: um objeto musical precioso.

O disco abre com a faixa-título e com o próprio Morgan a solar: uma meditação de contrabaixo que nos introduz nesta floresta fantástica. “Eddies”, com Dan Weiss na tabla, evoca afrobeat e as águas de riachos; ritmos circulares como a água a contornar as rochas. “Dream Sequence”, duo com Craig Taborn, é etérea: sons longos de sintetizador contrariam a irregularidade da chuva de notas do WOODS, entre gravações de campo, chuva, grilos e vento.

A forma como cada músico lidou com este processo resulta em nove peças muito diferentes. Nunca temos a sensação de repetição, que poderia ter acontecido se tivesse sido sempre o mesmo instrumento ou o mesmo procedimento – o instrumento e o humano contra o digital algoritmizado. “In the Dark” são quase cinco minutos com Henry Threadgill em flautas, numa paisagem escura construída a partir de várias camadas que grava sem ouvir a anterior. Em “Through the Trees”, Gerald Cleaver, na bateria, acumula mutações minúsculas sobre uma textura — é o mais próximo que chegamos do som do jazz mais tradicional.

Destaco “Assembly of All Beings”, com Ambrose Akinmusire no trompete, e “Rising From the West”, a faixa que coube ao seu companheiro musical mais regular, Bill Frisell, na guitarra acústica e elétrica. Frisell tenta levar a música para o seu terreno melódico, mas o WOODS puxa-a para outro lado; termina com a guitarra ligeiramente saturada, sempre à procura do seu lugar naquele contexto. Percebe-se que trabalhou a sério esta relação. O disco fecha com “Here” com Gary Snyder a recitar o seu poema: voz falada, a perguntar «basta estar aqui?».

O disco é muito interessante porque nos coloca neste mundo algoritmizado em plena improvisação, levando-nos para um lugar onde o jazz nunca tinha estado, sem cair na estética da música eletrônica. O som digital é tão reminiscente de instrumentos tradicionais que nunca o sentimos desligado da matéria acústica. É também uma reflexão sobre comunidade jazzística e isolamento: cada músico respondeu à chamada de Morgan à sua maneira, no seu espaço privado, sem se verem nem colaborarem no sentido humano.

O WOODS não é apenas um dispositivo digital, mas algo que “tira o tapete”. “Around You Is A Forest” é um disco muito bonito e entrou na lista dos melhores de 2025 da jazz.pt, com toda a propriedade. Cada peça é autônoma mas encaixa num corpo coerente. Thomas Morgan leva o jazz para uma floresta algorítmica, onde código matemático e intuição musical dialogam numa música rítmica que parece saída de rituais ancestrais, como se fosse tocada por uma comunidade tribal pacífica e alegremente isolada numa floresta.

Faixas

1.Around You Is A Forest (Thomas Morgan) 05:06

2.Eddies (Dan Weiss) 06:48

3.Dream Sequence (Craig Taborn) 06:02

4.Through The Trees (Gerald Cleaver) 16:07

5.In The Dark (Henry Threadgill) 04:47

6.Assembly Of All Beings (Ambrose Akinmusire) 09:08

7.Rising From The West (Bill Frisell) 11:00

8.Murmuration (Immanuel Wilkins) 08:36

9.Here (Gary Snyder) 05:29

Músicos: Thomas Morgan— WOODS, contrabaixo; Ambrose Akinmusire— trompete; Gerald Cleaver— bateria; Dan Weiss— tabla; Craig Taborn— órgão Farfisa, Fender Rhodes, sintetizadores, gravações de campo; Henry Threadgill— flauta, flauta baixo; Bill Frisell— guitarra elétrica e acústica; Immanuel Wilkins— saxofone alto; Gary Snyder— voz.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=lyNWK3eOlBo

Fonte: Gonçalo Falcão (jazz.pt)

 

 

ANIVERSARIANTES - 29/08

André Christovam (1959) – guitarrista,

Bennie Maupin (1940) - flautista, clarinetista,saxofonista,

Bobby Carcasses (1928) - trompetista,vocalista,

Charlie Parker (1920-1955) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=dvdQYSWOobc,

Clara Sverner (1936) – pianista,

Dinah Washington (1924-1963) - vocalista,

Doug Raney (1956) - guitarrista,

Edu Lobo (1943) – vocalista,violonista,compositor,

Jerry Dodgion (1932) – saxofonista,flautista,

Rolf Ericson (1922-1997) – trompetista,

Stephanie Nakasian (1954) – vocalista,

Tedd Baker (1974) - saxofonista   

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

BRAD TURNER - TRIO PLUS ONE IT'S ALL SO (Cellar Music Group)

Brad Turner é há muito celebrado como um dos artistas mais versáteis e expressivos do Canadá, seja executando linhas brilhantes no trompete, criando composições emocionalmente ressonantes ou, como faz em “Trio Plus One, It's All So”, exibindo sua proficiência. O álbum apresenta nove faixas — oito das quais são composições originais de Turner — confirmando seu prestígio não apenas como instrumentista, mas também como compositor de rara intuição e amplitude. Juntam-se a Turner os colaboradores de longa data Darren Radtke no baixo e Bernie Arai na bateria, com Jack Duncan adicionando nuances de texturas nas congas e na percussão em faixas selecionadas. O trio (mais um integrante) forma uma unidade coesa e profundamente comunicativa que entrega uma música que respira, tem ritmo e ressoa com inteligência e emoção.

A faixa de abertura, "Mr. Charles", define o tom com as congas de Duncan inserindo um brilho rítmico. Esta é uma melodia harmonicamente rica, que evoca Thelonious Monk com um toque canadense descontraído. A melodia caminha na tênue linha entre a angulosidade e o lirismo, enquanto o fraseado de Turner dança agilmente sobre a batida. "Spring Peeper" transborda charme, com sua melodia que brilha com ornamentação delicada e graça bucólica. É uma joia impressionista marcada pelo uso magistral do espaço e das vozes por Turner. "Wondertramp" é uma música mais funk, com um toque latino que Duncan amplifica. Além dos acordes incisivos de Turner, há um verdadeiro deleite na interação entre os três músicos, com a bateria de Arai sendo particularmente astuta.

Uma mudança de ritmo chega com "Can't Know How". Com um compasso de 5/4, esta é uma balada de profunda carga emocional, onde o toque de Turner se mostra mais luminoso. A melodia flutua entre a tristeza e a aceitação, sua forma melódica se desdobrando com a inevitabilidade da aceitação. "Glory Days" é uma das duas únicas peças que não contam com a percussão de Duncan. Turner está à altura da responsabilidade adicional de conduzir a partitura, e sua execução de notas individuais é especialmente hábil, oferecendo ricas e, muitas vezes, surpreendentes nuances harmônicas.

A faixa-título "It's All So" incorpora a essência do álbum: complexidade envolta em clareza. O tema se desenrola em uma cadência quase conversacional, com uma qualidade narrativa, à medida que Turner transita entre tonalidades maiores e menores com elegância. Há uma sensação de propulsão lenta com um ritmo tranquilo que soa mais como uma batida cardíaca do que um andamento. Radtke apresenta um solo com um timbre profundo e contido, enquanto Arai e Duncan fornecem ritmos cruzados sutis que conferem à peça uma sensação de leveza. O álbum encerra com o único standard, "Love For Sale" de Cole Porter. Turner reinventa a música com reharmonizações ousadas e recalibrações rítmicas precisas. Está totalmente integrada ao fluxo do álbum : uma homenagem respeitosa e profundamente pessoal.

Faixas: Mr. Charles; Spring Peeper; Wondertramp; Can't Know How; All Ocean Views; Glory Days; It's All So; Love For Sale.

Músicos: Brad Turner (trompete, piano em todas as faixas); Darren Radtke (baixo acústico); Bernie Arai (bateria); Jack Duncan (congas)

Fonte: Pierre Giroux (AllAboutJazz)

 

 

ANIVERSARIANTES - 28/08

Cécile McLorin Salvant (1989) – vocalista,

Chris Greene (1973) - saxofonista,

Ernie Fields (1904-1997)- pianista, trombonista,líder de orquestra,

Hal Russell (1926-1992) - pianista,trompetista,saxofonista,baterista e vibrafonista,

João Carlos de Assis Brasil (1945) – pianista,

Jon Falt (1979) – baterista,

Jim Rotondi (1962) – trompetista,

Kenny Drew (1928-1993) - pianista,

Larry Goldings (1968) - pianista,organista,

Mike Metheny (1949) – trompetista,flugelhornista,

Nate Najar (1981) – violonista,

Robin Verheyen (1983) – saxofonista,

Victor Assis Brasil (1945-1981)- saxofonista(na foto e vídeo)  http://www.youtube.com/watch?v=V2ZsepRD4xs ,

Youn Sun Nah (1969) - vocalista

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RICK VITO - SLIDEMASTER (Momojo Records)

Rick Vito é verdadeiramente um dos melhores guitarristas slide dos EUA e tem sido consistentemente um dos melhores há décadas. Vito, assim como outros guitarristas americanos, incluindo Duane Allman e Ry Cooder, além de britânicos como Peter Green e Jeff Beck, ficou impressionado com os mestres da guitarra blues nacionais, como Elmore James, Robert Johnson e muitos outros veteranos do blues. Elementos de blues permeiam grande parte do trabalho ao vivo e gravado de Vito (além de boas doses de rockabilly, ocasionais toques de jazz e muito mais). Em “Slidemaster”, Vito desliga o microfone vocal e deixa sua guitarra falar por si em todas as doze faixas, uma combinação de trabalhos antigos selecionados e algumas novas composições brilhantes, porém com inspiração vintage. É uma coleção única e bem-vinda.

Com sete composições originais de Vito e cinco reinterpretações (duas criadas por Peter Green), há altos e baixos emocionais, e variações entre esses extremos. O "Vegas Jump" de Vito abre o disco com energia. E, como seria de esperar de uma música com a palavra "Vegas" no título, a faixa é um alerta vigoroso para chamar nossa atenção. Porém, espere, vamos diminuir as luzes e ir com calma na segunda faixa, "Steal Away", antes de Vito e os rapazes da banda voltarem com tudo, com toques de Bo Diddley em "The Big Beat". Depois vem "Red Hot Baby", que aparece algumas músicas depois e imediatamente exige uma ida à pista de dança. "Slide the Blues" é um slide 'n' shuffle (NT: [deslizar e embaralhar/arrastar] não é um nome oficial de um passo ou estilo único, mas uma combinação de movimentos que descreve transições rítmicas e técnicas de deslizamento executadas em danças urbanas e de rua) descontraído, enquanto a tristeza transborda de "A Change is Gonna Come", de Sam Cooke. Embora a letra da versão original sempre será o cerne da canção, a versão instrumental de Vito é poderosa à sua maneira, pois a "voz" de sua guitarra é articulada e precisa. Em seguida, ele mergulha fundo no blues do Delta em "River of Blues", depois apresenta uma música de Green — "The Supernatural" — antes de dizer amém com a oferta final do álbum, "The Lord's Prayer", com uma abordagem que reverencia a versão estelar de Beck para "Nessun Dorma", de seu álbum de 2011.

“Slidemaster” apresenta várias faixas de destaque, mas "Albatross", de Peter Gree, que surge exatamente no centro do álbum, é o coração e a alma da coletânea. A peça instrumental onírica de Green foi inspirada nos lançamentos de Santo & Johnny do final dos anos 50, bem como nas brisas cálidas e suaves da música de guitarra havaiana — acompanhamento que, assim como na versão original, é sutilmente sustentado por um fluxo suave de percussão ondulante. Lançada inicialmente como single em 1968, "Albatross" representou uma mudança surpreendente em relação ao blues cru do Fleetwood Mac. Não só chegou ao primeiro lugar, como também é uma das canções mais evocativas que o grupo já gravou. Embora alguns músicos tenham tido a coragem de fazer uma versão da música, Vito é um dos raros artistas que conquistaram o direito de gravá-la, por diversos motivos, incluindo o fato de ter integrado o Fleetwood Mac anos atrás. Esta versão, de um lançamento da Vito de 2005, está à altura da original, à sua própria maneira.

Com doze faixas e um repertório que soma cerca de quarenta minutos, trata-se de uma coletânea não oficial de seus maiores sucessos instrumentais. A maioria das faixas é criteriosamente concisa e contida (sem pirotecnias chamativas desta vez), embora algumas delas exibam um pouco mais de potência. Na verdade, alguns minutos a mais seriam bem-vindos em faixas como "The Lord's Prayer". Talvez na próxima, quando ele tocar ao vivo. No fim das contas, Vito adota uma abordagem contida, lembrando-nos de que "menos é mais" ao confiar em sua incrível slide guitar para guiar o caminho com segurança e falar por ele desta vez.

Faixas: Vegas Jump; Steal Away; The Big Beat; The Danger Zone; Red Hot Baby; Albatross; Soul Shadows; Slide The Blues; A Change Is Gonna Come; River Of Blues; The Supernatural; The Lords Prayer.

Músicos: Rick Vito (guitarra e vocal); Rick Reed (percussão); Lynn Williams (bateria); Charles Johnson (bateria); Charlie Harrison (baixo); Mark Horowitz (órgão, Hammond B3); Kevin McKendree (teclados).

Fonte: Scott Gudell (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 27/08

Alice Coltrane (1937-2007) - organista,pianista,harpista,

Edward Perez (1978) - baixista,

Ken Slavin (1961) - vocalista,

Kristjan Randalu (1978) – pianista,

Lester Young (1909-1959) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=6pte1tm61g8&feature=related,

Luiz Chaves(1931-2007) – baixista,

Martha Raye (1916 -1994) – vocalista,

Quincy Davis (1977) – baterista,

Rez Abbasi (1965) – guitarrista, violonista,

Sylvia Telles (1934-1966) – vocalista,

Sonny Sharrock (1940-1994) - guitarrista
 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

SHABAKA - OF THE EARTH (Shabaka Records)

Há algo na alma de Shabaka Hutchings, que agora atende simplesmente por Shabaka, que desperta emoções e evoca o espírito. Tem sido assim com suas várias bandas (Sons of Kemet, Melt Yourself Down, The Comet Is Coming, The Ancestors), bem como com seus projetos solo (Afrikan Culture e Perceive Its Beauty, Acknowledge Its Grace). Agora surge um projeto verdadeiramente solo, “Of The Earth”, no qual Shabaka compõe, produz e toca todos os instrumentos na gravação, lançada por sua própria gravadora. É fascinante. O multi-instrumentista fez uma pausa de 18 meses em suas apresentações com o saxofone tenor, instrumento que por muito tempo foi seu principal, para se dedicar ao estudo da flauta. Porém, aqui, em “Of The Earth”, ele retorna ao saxofone, utilizando-o como apenas um dos muitos instrumentos em sua paleta artística, juntamente com flautas, baterias eletrônicas e diversos equipamentos eletrônicos retirados de um sistema de áudio portátil, que ele leva em suas viagens. Ele reúne tudo num banho sonoro que faria Pharoah e Coltrane sorrirem. “A Future Untold” oferece um apelo pungente de seu saxofone sobre uma profusão de sinos e paisagens sonoras eletrônicas. Em “Those Of The Sky”, Shabaka traz um coro de flautas e sopros sobrepostos com uma batida contagiante e envolvente. Em “Go Astray”, Shabaka rima com sua voz processada, elegante e pulsante sobre uma batida metálica da era industrial. Ele oferece uma performance de “palavras faladas” mais introspectiva na faixa de encerramento do álbum, “Lowered Eyes”. Entre elas, há homenagens impressionantes à Mãe África em “Dance In Praise”, “Ol’ Time African Gods” e “Marwa The Mountain”. A maneira como ele usa o som das flautas para acalmar, o saxofone para vibrar e as batidas para impulsionar em “Stand Firm” é fascinante. Em geral, parece que Shabaka sintonizou os antigos e os trouxe para o futuro. Em suma, “Of The Earth” oferece uma audição rara e belíssima de um mestre moderno da música.

Faixas

1.A Future Untold 03:22

2.Those Of The Sky 04:47

3.Go Astray 03:14

4.Step Lightly 04:24

5.Call The Power 03:38

6.Dance In Praise 04:27

7.Ol’ Time African Gods 05:32

8.Marwa The Mountain 03:26

9.Light The Way 04:16

10.Stand Firm 05:00

11.Space Time 01:13

12.Eyes Lowered 03:44

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=VgrxUavMemI

Fonte: Frank Alkyer (DownBeat)