Às vezes, músicos com grande talento levam sua música um
pouco a sério demais. Outros, no entanto, conseguem combinar talento e humor de
uma forma contagiante. A Ed Palermo Big Band é um dos melhores exemplos deste
último. Com álbuns que bebem de influências tão diversas quanto Frank Zappa,
Paul Butterfield e King Crimson, Palermo oferece uma base sólida de jazz,
infundida com um espírito de experimentação e um olhar para o absurdo. Com “Prog
vs. Fusion: A War of the Ages”, ele mais uma vez corresponde às expectativas.
Embora gêneros como pop, country e metal já atraíssem
grandes públicos há muito tempo, na década de 1970, artistas de jazz-rock
também lotavam estádios. A música geralmente se dividia em duas categorias
distintas: jazz fusion e rock progressivo. Embora ambos os grupos se
concentrassem em performances virtuosas, havia uma divisão um tanto amigável
entre os dois lados — algo como times esportivos rivais.
Conhecido há muito tempo por seus arranjos criativos e humor
sagaz, Palermo transforma este projeto num confronto teatral entre titãs do
gênero. Imagine uma jam session noturna com John McLaughlin, Chick
Corea, Frank Zappa e Yes com uma pitada de Soundgarden (NT: foi uma banda de rock americana de Seattle, formada em
1984, conhecida como uma das pioneiras do movimento grunge) para
completar. O resultado é um espetáculo audacioso, impulsionado por metais, que
se mostra simultaneamente cerebral, visceral e profundamente divertido.
Desde o início, a banda de Palermo mergulha num campo de
batalha sonoro onde guitarras elétricas duelam com saxofones e compassos
ímpares, que lutam com passagens harmônicas exuberantes. Não se trata de uma
simples mistura. É uma colisão cuidadosamente orquestrada, repleta de nuances e
carinho por ambos os gêneros. As faixas oscilam entre a sátira à la Zappa e a
intensidade ao estilo Mahavishnu, muitas vezes em questão de compassos.
Como sempre, a capacidade de Palermo de equilibrar
complexidade e clareza é impressionante. Seus arranjos oscilam entre a
grandiosidade orquestrada do programa e o abandono descontraído do fusion,
mantendo sempre um fio condutor de humor e precisão musical. A banda —
experiente, destemida e coesa — dá vida a cada música com talento, capturando o
espírito dos originais e, ao mesmo tempo, injetando-lhes energia e contexto
renovados.
Entre os destaques, estão os motivos progressivos
reinventados que se transformam em explorações jazzísticas de ritmo acelerado, juntamente
com momentos em que os gêneros se confundem de forma tão convincente, que fica
difícil lembrar que alguma vez houve uma linha divisória entre eles. Isto não é
uma paródia nem um pastiche, mas sim uma homenagem com um toque especial, guiada
pela visão singular de Palermo.
Seja pelo virtuosismo, pela audácia em transitar entre
gêneros ou simplesmente pela alegria de ouvir uma big band se soltar,
“Prog vs. Fusion: A War of the Ages” não decepciona. É um álbum conceitual que
se recusa a se levar muito a sério, mas nunca deixa sua qualidade cair por
terra. Nas mãos de Palermo, a "guerra" entre o jazz progressivo e o fusion
termina numa espécie de armistício musical, onde a imaginação vence.
Faixas: Resolution;
Black Hole Sun/Bodhisattva; There Comes A Time; Tarkus; Vrooom; Long Distance
Runaround; Snake Oil; There's No Mystery About My G-Spot; Spanish G-Spot
Tornado; Mystic Knights Of The Sea; On The Milky Way Express; Take A Pebble;
One Word; The Fish; Fred; Black Hole Sun; Pictures Of A City.
Músicos: Ed
Palermo (saxofone); Cliff Lyons (saxofone alto); Phil Chester (instrumentos de
palheta); Bill Straub (instrumentos de palheta); Ben Kono (saxofone tenor);
Barbara Cifelli (instrumentos de palheta); Ronnie Buttacavoli (trompete); John
Bailey (trompete); Augie Haas (trompete); Bobby Spellman (trompete); Charley
Gordon (trombone); Mike Boschen (trombone); Matt Ingman (trombone baixo); Bruce
McDaniel (guitarra); Bob Quaranta (piano);Ted Kooshian (piano); Paul Adamy
(baixo); Ray Marchica (bateria); Mike Keneally (guitarra); Katie Jacoby (violino).
Fonte: Kyle
Simpler (AllAboutJazz)






