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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

ANIVERSARIANTES - 14/10

Aaron Aranita (1955) – saxofonista,pianista,

Andreas Stensland Lowe (1983) – pianista,

Dan DeChellis (1970) - pianista,

Dusko Gojkovic (1931-2023) - trompetista,flugelhornista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=RE7wNjaF3zU,

Eduardo Gudin(1950) – violonista,compositor,

Garrison Fewell (1953-2015) - gutarrista,

James Carney (1963) - pianista,

Jewell "Babe" Stovall (1907-1974) – guitarrista,vocalista,

John Graas (1924-1962)- frenchornista,

Kazumi Watanabe (1953) – guitarrista,

Matthew Parrish (1969) - baixista,

Spencer Williams (1889-1965) - pianista
 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

LUKE BERGMAN, JASON BURGER MARTIN NEVIN - LUKE BERGMAN, JASON BURGER MARTIN NEVIN

Basear o tema de um álbum na soma de seus intérpretes dificilmente é uma ideia nova, mas é uma abordagem que, ainda assim, oferece inúmeras possibilidades de expressão, visto que as personalidades são sempre únicas. A dinâmica entre Luke Bergman, Jason Burger e Martin Nevin nesta gravação homônima não foge à regra, mas reflete os aspectos mais positivos de priorizar o conceito em detrimento das necessidades individuais de cada integrante. Juntos, eles unem suas mentes e apresentam um conjunto de arranjos de foco preciso e suave, admiravelmente pacientes e extremamente ricos em personalidade e atmosfera, ao adotar uma fusão minimalista de blues, swing e folk, impregnada da emoção típica dos filmes de estrada de Wim Wenders

Bergman, Burger e Kevin trazem, cada um, sensibilidades artísticas maduras e marcadas por vivências diversas ao álbum. Originário do estado de Washington, Bergman desenvolveu uma musicalidade impecável em diversos instrumentos, destacando-se especialmente ao tocar baixo com nomes como Bill Frisell, Cuong Vu e Ted Poor. Aqui, sua arma de escolha é o pedal steel (NT: é uma guitarra elétrica horizontal apoiada em pés), que lhe permite abordar o repertório, composto majoritariamente por versões de outras músicas sob uma perspectiva diferente. De fato, a qualidade da sonoridade mais lenta e crescente do pedal steel é fundamental para que o álbum transmita, em sua totalidade, uma sensação de algo inerentemente antigo e suave, ainda que levemente ambíguo. O baixo de Nevin, de maneira semelhante, ancora o trio com notável delicadeza, sempre ativo, porém ponderado e focado na tarefa em questão. Burger, que integrou as bandas de Andrew Bird, Big Thief e Kenny Werner, também demonstra habilidade ao escolher com precisão os gestos e momentos em que sua contribuição pode melhor apoiar o esforço conjunto do grupo. Juntos, esses artistas soam como três sábios que preferem observar a descrever seu objeto.

A música não é meramente uma homenagem, apesar de transmitir uma impressão decididamente clássica. Névoa, poeira e tons de sépia vêm à mente ao ouvir, mas sem se enquadrar em nenhuma tradição específica. Ao escolherem músicas de Duke Ellington, Kurt Weill e Roy Orbison para expressar o que pensam, esses três não tentam evocar tempos supostamente mais simples. O diálogo entre eles ocorre no tempo presente, como amigos que compartilham impressões livres de julgamentos, intenções ocultas ou reatividade, mantendo um espaço de respeito mútuo e em relação a cada peça que escolhem. Em outras palavras, todos esses instrumentistas chegaram preparados para deixar o momento fluir, sem interferir nem sentir necessidade de chamar a atenção para si mesmos. As coisas simplesmente existem e se movem por conta própria, como microcenas ao estilo de Rockwell.

Cada peça é reinterpretada de modo a permitir que emoções e impressões muito específicas se manifestem. Começando com a suave "Reflections in D", de Ellington, a sequência de faixas desenrola-se como os acontecimentos de um dia comum, retratando o mundo ondulante de um filme rodado à mão que desperta lentamente para a vida. As peças são todas tratadas de tal forma que parecem cenas distintas, porém relacionadas, do mesmo dia. Os solos nunca parecem interrupções, e a responsabilidade pela forma e estrutura, embora algo evidente, parece assumida com leveza. As coisas simplesmente surgem e desaparecem. A versão do grupo para "So Long, Frank Lloyd Wright", de Simon & Garfunkel, transporta a música original para uma atmosfera de lentidão diurna, como uma manhã que não precisa ter fim, sendo tudo isso emoldurado por uma releitura introspectiva de "Don't Let It Bring You Down", de Neil Young, que atravessa a noite em solidão, sem qualquer perspectiva de amanhecer. Há a sensação de que as apresentações começam e terminam apenas devido às limitações do processo de gravação.

Composta predominantemente em meados do século XX por compositores estadunidenses, é difícil não sentir uma leve ponta de saudade ou nostalgia, talvez, mas considere a mensagem por trás da seleção deste repertório como se essa fosse a única música que já existiu. As canções, então, definiriam umas às outras tanto quanto a si mesmas, e essas associações conferem nova vida a todas as partes e ao todo. A inclusão de "A Figure Descends", a única obra original de Nevin, sugere que o grupo, ao menos em parte, se concebe inserido em uma espécie de continuidade com esse mundo imaginado, em vez de simplesmente prestar algum tipo de homenagem a tempos passados. Cada peça foi originalmente composta por diferentes compositores, em locais e épocas distintos, e em diferentes momentos de suas respectivas carreiras. No entanto, a visão deste trio permite que nuances únicas emerjam da música e que cada peça soe como momentos de uma única conversa prolongada entre amigos. Assim como o suave nascer do sol da faixa de abertura de Ellington, o grupo finalmente atenua as luzes com um arranjo de encerramento para "The Voice of Love", de Angelo Badalamenti, música do filme “Fire Walk With Me”, de David Lynch. Todas as nuances tonais das faixas anteriores começam a se fundir, formando um arco-íris carregado de emoção e de qualidades inexprimíveis, antes de se dissiparem suavemente nas últimas notas do acorde final de Bergman.      

Faixas: Reflections in D; So Long, Frank Lloyd Wright; Goodbye Pork Pie Hat; Boplicity; Don't Let It Bring You Down; West Wind; A Figure Descends; Just Let Me Make Believe; Blood Count; The Voice of Love

Músicos: Luke Bergman(multi-instrumentista); Martin Nevin (baixo); Jason Burger (bateria).

Fonte: Max Kutner (AllAboutJazz)

 

 

ANIVERSARIANTES - 13/10

Art Tatum (1909-1956) – pianista,

Edu da Gaita(1916-1982) – gaitista,

Frank Colón (1951) - percussionista,

Johnny Lytle (1932) – baterista,vibrafonista,

Lee Konitz (1927-2020) - saxofonista,

Matt Jorgensen (1972) - baterista,

Meegan Coleman ( 1975) – vocalista,

Orphy Robinson (1960) – vibrafonista,

Pharoah Sanders (1940-2022) - saxofonista,

Ray Brown (1926-2002) – baixista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=Hg5YU3HB7JA

Ray Brown Jr. (1949) - vocalista,

Renato Braz (1968) – violonista,vocalista,

Rick Vito (1949) -guitarrista,vocalista,

Terry Gibbs (1924) - vibrafonista,vocalista,

Vic Stevens (1959) - baterista 

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

CHAMPIAN FULTON - AT HOME (Turtle Bay Records)

É simplesmente um prazer ouvir Champian Fulton, sem dúvida. Existem tantos vocalistas e, Deus sabe, ainda mais pianistas, que encontrar um que nunca decepcione é uma tarefa árdua, especialmente depois de quase 20 gravações. Nesta apresentação, acompanhada pelo instrumentista de sopro Klas Lindquist, radicado em Estocolmo, Fulton canta e toca diversas peças do seu repertório, demonstrando grande entusiasmo e, sem dúvida, muita técnica. Fulton tem uma relação um tanto tímida com a batida, às vezes bem presente, às vezes não, mas isso torna seu trabalho ainda mais vibrante. Justamente por ser um tanto imprevisível e inesperada, mesmo com melodias familiares, para não dizer clássicos consagrados, Fulton proporciona uma audição agradável. Por exemplo, alguém certa vez chamou "Bésame Mucho" de talvez a pior canção já escrita (teria sido Harry Reasoner no programa "60 Minutes" da CBS?), mas Fulton (e Lindquist, aliás, o vocalista principal) de alguma forma a resgata do esquecimento que merece. Ela interpreta "You Can Depend on Me" com um pouco mais de naturalidade do que alguns, mas ainda assim permanece convincente. A versão instrumental de "My Monday Date" é cativante, até mesmo alegre, pois ela é acompanhada por Lindquist.

Lindquist é um talento por si só, alternando entre o clarinete e o saxofone alto sem perder o ritmo. E justamente quando parece que muitos saxofonistas altos vão desafinar, por algum motivo, Lindquist toca teimosamente na afinação correta. Ele não domina completamente nenhum dos instrumentos, mas toca com precisão e sentimento, num estilo bebop, porém com suíngue, e com uma contenção de bom gosto. Ele e Fulton formam uma ótima dupla: prendem a atenção do ouvinte desde o início e a mantêm. "Just the Thought of You" é um exemplo esplêndido dessa colaboração: voz, clarinete e piano. Lindquist apresenta um belo solo, sincero e reflexivo. E então Fulton completa seus pensamentos ao teclado.

Ouvir uma gravação por puro prazer, um mimo inesperado quando há outras questões mais urgentes a tratar, bem, os resultados falam por si.

Trata-se, portanto, de uma descoberta agradável. Se chamar o jazz de "tradicional" é um elogio, que assim seja. “At Home” foi gravado em uma sala de estar, e essa sensação aconchegante nunca desaparece. Pode não ser uma gravação desafiadora, mas certamente é boa e divertida. Quem poderia, como diz a música, pedir mais alguma coisa?

Faixas: The Very Thought of You; Don’t Do That to Me; You Can Depend on Me; Tea For Two; Serenade In Blue; Someday You'll Be Sorry; I Was Looking for You; Bésame Mucho; My Monday Date; P.S. I Love You.

Músicos: Champian Fulton (piano e vocal); Klas Lindquist (saxofone alto).

Fonte: Richard J Salvucci (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 12/10

Chris Botti (1962) – trompetista,

David Miller (1952) – guitarrista,

Dawson Dowdy (1998) - pianista,

Ed Cherry (1954) – guitarrista,

Émile Parisien (1982) – saxofonista,

Frank Macchia (1958) - saxofonista,

Harry Allen (1966) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.dailymotion.com/video/x2jfxz_harry-allen-here-is-that-rainy-day_music,

Jacob Garchik (1976) – trombonista,

Jay Epstein (1946) - baterista,

Linda Presgrave ( 1951) - pianista, 

Marlui Miranda (1949) – vocalista,

Melvin Rhyne (1963) – organista,

Michael Mossman (1959) trompetista,

Nancy Kelly (1950) - vocalista,

Nappy Brown  (1929-2008) - vocalista,

Paul Humphrey (1935-2014) - baterista,

Tubby Hall (1895-1946) - baterista,

Yoshiaki Masuo ( 1946) - guitarrista 

 

domingo, 11 de outubro de 2026

BRAD GOODE POLYTONAL BIG BAND - THE SNAKE CHARMER (Origin Records)

"Polytonal" de acordo com Webster, denota "o uso simultâneo de duas ou mais tonalidades musicais". O trompetista e educador de Denver, Brad Goode, faz uso total dessa técnica em “The Snake Charmer”, a gravação de estreia da bem-conhecida Polytonal Big Band de Goode. Quando tudo foi escrito e tocado, duas coisas ficam claras: primeiro, Goode é um compositor e arranjador de big band de classe mundial e mestre em seu trompete; segundo, a politonalidade é simplesmente uma nova abordagem à música, uma que não interfira de forma alguma na missão principal da banda, que é fazer a música satisfazer e balançar enquanto entretém o público.

Por outras palavras, o conjunto bem unido de Goode assimila e emprega a sua abordagem politonal, uma vez que se apega à melhor tradição das big bands de melodias sedutoras, harmonias e ritmos, produzindo uma sessão estelar, que é radiante e agradável em todos os níveis. Isso não é mais evidente do que no poderoso número de abertura, "Goose Chase", o hino bop de Charlie Parker "Ornithology", o charmoso standard "Cabin in the Sky" ou o hipnotizante final em andamento médio, "I Can't Forget About You", cada um dos quais sem dúvida poderia ganhar um lugar especial na biblioteca de praticamente qualquer big band contemporânea.

Goode pega quase todos os solos de trompete e é incrível do começo ao fim, especialmente em "Goose Chase", mas atribui amplo espaço a outros, incluindo os saxofonistas altos John Gunther e Camden Johnson; os tenores Carl Schultz e Jonas Shofler; a baritonista Alexandra Loran; os trombonistas Jack Bendure, Joanna Griffith, Grayson Stewart e Sam Griffith; o pianista Victor Mestas Perez, o guitarrista Tim Wendel e o baixista Eddie Ness, cada um dos quais entrega os produtos com destreza e entusiasmo. O baterista Paul Romaine não sola, mas faz sentir sua presença indispensável em cada número. Goode compartilha o centro do palco com a seção de trompete (John Lake, Sean Applebee, Emily Hartrampf, Hugh Ragin) sobre sua hipnotizante "Hypnotic Suggestion".

Além de "Goose Chase" e "Suggestion", Goode escreveu "Just a Thought" e "I Can't Forget About You" (ambas arranjadas por Noah Fulton-Beale), o alegre "Pentacles" e a sedutora canção-título, "The Snake Charmer", que chega tão perto da vanguarda quanto qualquer outra coisa na lista de músicas, sem nunca abandonar sua bússola direta. Uma palavra mais deve ser dita sobre "Ornithology", uma peça impressionante que é tocada em um ritmo mais vagaroso do que o original rápido e é enriquecida por um excelente trabalho de seção rítmica e solos esplêndidos de Johnson, Loran e Griffith. Isso lhe rende um distintivo de honra entre os vários destaques do álbum, ao mesmo tempo em que oferece a prova de que a música de Bird, antes considerada radical, tem um poder de permanência muito além do imaginado por Parker ou seus pares.

Os solos de Hartrampf com Goode e Griffith sobre a comovente, mas raramente ouvida, "Cabin in the Sky" de Vernon Duke e John Latouche, cantada no filme de 1943 de mesmo nome pela incomparável Ethel Waters, assim como Stewart, Shofler e Wendel em "I Can't Forget About You", que encerra a sessão com uma nota brilhante e positiva.

Para usar um trocadilho desgastado, mas bastante adequado, o álbum de estreia da Polytonal Big Band é muito melhor que o de Goode. Está, de fato, entre os álbuns de big band mais criativos e inspiradores da memória recente. Parabéns ao seu líder multitalentoso e ao seu maravilhoso grupo. Que eles rujam por muito tempo.

Faixas: Goose Chase; The Snake Charmer; Just a Thought; Ornithology; Pentacles; Cabin in the Sky; Hypnotic Suggestion; I Can't Forget About You.

Músicos: Brad Goode (trompete); John Lake (trompete); Sean Applebee (trompete); Emily Hartrampf (trompete); Hugh Ragin (trompete); John Gunther (saxofone tenor); Camden Johnson (saxofone alto); Carl Schultz (saxofone); Jonas Shofler (saxofone tenor); Alexandra Loran (saxofone barítono); Sam Griffith (trombone); Grayson Stewart (trombone); Jack Bendure (trombone); Joanna Griffith(trombone); Victor Mestas Perez (piano); Tim Wendel (guitarra); Eddie Ness (baixo); Paul Romaine (bateria).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=jfY7EX3Xsp0

Fonte: Jack Bowers (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 11/10

Art Blakey (1919-1990) – baterista (na foto e vídeo https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=sc597Oa2vkI&pp=ygUII2JjdWZhbXM%3D

Billy Higgins (1936-2001)- baterista,

Cartola (1908-1980) – vocalista,compositor,

Curtis Amy ( 1929-2002) - saxofonista,

Demetrius "DJ" Turner II  (1992) - saxofonista,

Federico Ughi (1972) – baterista,

Fred Hopkins (1947-1999) – baixista,

Lester Bowie (1941-1999) - trompetista,flugelhornista,

Nick Russo (1977) - guitarrista,

Tony Kinsey  (1927) – baterista,

Trudy Desmond (1945-1999) – vocalista,

Tom Zé (1936) – vocalista,

Zé Luiz Mazziotti (1948) - vocalista