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sábado, 22 de agosto de 2026

ZIV TAUBENFELD / HELENA ESPVALL / JOÃO SOUSA - YOU, FULL OF SOURCES AND NIGHT

Nascido em Israel, o clarinetista, compositor e improvisador Ziv Taubenfeld afirmou-se na cena improvisada a partir de Amesterdã e mudou-se depois para Lisboa, estabelecendo colaborações com diferentes músicos. O seu projeto mais notável será o grupo Full Sun; já editou na Clean Feed e em setembro do ano passado lançou o mais recente álbum, “Nomads” (com edição da nova Full Sun Records, editora criada pelo clarinetista). Entre outros, Taubenfeld integra um quarteto com Luís Vicente, Michael Formanek e Jeff Williams e um grupo que homenageia Jemeel Moondoc (com Steve Swell, Wilbert de Joode e Sun Mi Hong).

Neste disco,”You, Full of Sources and Night” encontramos um trio algo inesperado. O israelita está acompanhado por dois vultos da cena improvisada lusa: a violoncelista Helena Espvall e o baterista João Sousa. Espvall nasceu e cresceu na Suécia, mudou-se para os Estados Unidos e vive, desde há largos anos, em Lisboa, integrando o sexteto Lantana e o quarteto Turquoise Dream, além de outros projetos e colaborações (da free folk à free improv). Sousa é um dos eixos dos projetos Old Mountain, Branco toca Marco Paulo, Motian & More (em todos com Pedro Branco) e integra um trio com João Carreiro e Samuel Gapp, o quarteto Garfo e o trio de Desidério Lázaro, entre outras parcerias.

Com edição da lituana NoBusiness, “You, Full of Sources and Night” revela um trio em contínuo processo de criação colaborativa, numa massa sonora comum e evolutiva. O grupo desenvolve uma música muito ampla, assente numa profunda organicidade, e evita alguns clichês da típica free improv, propõe antes novas direções. No segundo tema, o homônimo “You, Full of Sources and Night”, o mais breve do alinhamento, o trio vive uma turbulência controlada, ancorada entre o arco hipnótico de Espvall e a percussão expansiva de Sousa. Em “Come Back Evaporated Chess” o clarinete ziguezagueia escondido atrás do mantra que percussão e violoncelo vão desenvolvendo. Em “Of the Angel In You, Oh Tigers and Lions” abrandam: é Taubenfeld quem arranca, em toada arrastada, seguido por Espvall, como em lamento, e Sousa aqui mais sutil, mas depois a massa sonora comum vai crescendo.

Esta música é muitas vezes rugosa, sombria, não se procure aqui muita limpidez ou claridade. Mas é também estranhamente envolvente. Aqui a música é livre e há efervescência criativa, mas não há choque, há caminhos comuns que se seguem, há ideias que convergem. O cello de Espvall é muito afirmativo, pleno de ideias, e também uma sólida base que se mantém como estrutura. A bateria de Sousa é uma fonte inesgotável de ideias. O clarinete baixo de Taubenfeld assume muitas vezes a liderança, seguindo por caminhos curiosos, encontrando destino. Do trio, em dinâmica interação, emana uma orientação comum, onde as vozes se cruzam em diálogo.

Muitas vezes, na música improvisada, sente-se a necessidade de imposição de muitas ideias; lança-se um esboço e logo após um breve momento este é destruído e passa-se ao próximo. Aqui não se sente essa urgência, cada ideia tem espaço para respirar, evoluir, com solidez. E não deixa de ser interessante. Em diferentes momentos, esta música poderá soar onírica ou enérgica. E é sempre exploratória, muito densa e rica.

Faixas

1.Oluyemi 10:07

2.You, Full of Sources and Night 03:22

3.In the Ether, In a Light 09:42

4.Come Back Evaporated Chess 05:28

5.They Are Fragments of the Sun 06:24

6.Nuvem de Superficie Variavel 05:11

7.Of the Angel In You, Oh Tigers and Lions 06:43

8.Where the River is More Blue? 03:49

Músicos: Ziv Taubenfeld— clarinete baixo, gongos; Helena Espvall— violoncelo; João Sousa— bateria.

Fonte: Nuno Catarino (jazz.pt)

 

ANIVERSARIANTES - 22/08

Aruán Ortiz (1973) – pianista (https://www.youtube.com/watch?v=GtjbtQjnMuM),

Bill O´Connell (1953) – pianista,

Dave Wilson (1955) - saxofonista,

Francisco Mário (1948-1988) – violonista,

Gaël Horellou (1975) – saxofonista,

Jeff Hirshfield (1955) – bateria,

John Lee Hooker (1917) – guitarrista,vocalista,

Malachi Favors (1937-2004) - baixista,

Matt Ray (1972) - pianista,

Richard Walton (1956) - baixista,

Rolf Billberg (1930-1966) - saxofonista,clarinetista,

Tony Aless (1921-1988) - pianista 
 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

MELISSA ALDANA – FILIN (Blue Note Records)

A inspiração para o mais recente lançamento de Melissa Aldana pela Blue Note, um álbum de baladas impecável, é o repertório de baladas românticas da tradição musical cubana “filin” (NT: refere-se à expressividade e à capacidade de transmitir emoção ao tocar um instrumento ou cantar), popular entre o final da década de 1940 e o início da de 1960. O estilo original combinava ritmos cubanos sensuais com vocais emotivos e incorporava toques de jazz moderno (o termo "Filin music" pode ser traduzido, em linhas gerais, como "música de sentimento"; Nat King Cole foi uma força inspiradora).

A saxofonista Aldana, por sua vez, simplifica as complexidades que são sua marca registrada e captura a essência da música com clareza, calor e um impulso narrativo infalível. O toque flexível de Kush Abadey proporciona uma pulsação firme, porém discreta. As notas do baixo pairam em amplos espaços, e Cécile McLorin Salvant, em excelente forma, acrescenta um brilho extra a duas faixas.

Porém, são o controle de timbre e o lirismo perspicaz de Aldana no saxofone tenor, juntamente com as harmonias econômicas e as ondulações complementares do piano de Gonzalo Rubalcaba, que fazem o álbum se destacar. Essa empatia fica evidente no belíssimo dueto de saxofone e piano, que abre o repertório e apresenta o quarteto tocando "La Sentencia", uma faixa bônus espetacular traz a dupla executando a música na íntegra.

Em seguida, vem "Dime Si Eres Tú" ("Diga-me se é você"), marcando uma leve mudança de ritmo, enquanto "Imágenes" ("Imagens") apresenta um solo de baixo e as ligaduras controladas do saxofone de Aldana. McLorin Salvant contém os arroubos de virtuosismo para oferecer interpretações encantadoras de "No Te Empeñes Más" ("Não Insista Mais") e "Las Rosas No Hablan" ("As Rosas Não Falam"), compostas pelo brasileiro Cartola. "No Pidas Imposibles", a faixa que encerra o álbum, desvanece suavemente e deixa o ouvinte querendo mais.

“Eu só tentava tocar integrada à banda, deixar espaço, estar o mais presente possível e deixar as músicas respirarem”, diz Aldana no encarte. E foi o que ela fez, ao longo de oito faixas magníficas.

Faixas

1 La Sentencia (Salvador Levy) 04:38

2 Dime Si Eres Tú (César Portillo De La Luz) 03:59

3 No Te Empeñes Más (Marta Valdes) 05:10

4 Imágenes (Frank Domínguez) 04:38

5 Las Rosas No Hablan (Cartola) 04:32

6 Little Church (Hermeto Pascoal) 05:01

7 Ocaso (Claudio Estrada) 04:36

8 No Pidas Imposibles (Frank Domínguez) 06:22

Músicos: Melissa Aldana (saxofone); Gonzalo Rubalcaba (piano); Peter Washington (baixo); Kush Abadey (bateria); Cécile McLorin Salvant (vocal).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=brgN0MJIvrM

Fonte: Mike Hobart (JazzWise)

 

 

ANIVERSARIANTES - 21/08

Addison Farmer (1928-1963) - baixista,

Art Farmer (1928-1999) - trompetista,flugelhornista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Zf_xsgfucwc,

Chris Dingman (1980) – vibrafonista,

Count Basie (1904-1984) - pianista,líder de orquestra,

Jorge Rossy (1964)- baterista,

Leon Parker (1965) - baterista,

Malachi Thompson (1949) - trompetista,

Mareike Wiening (1987) – baterista,

Marlon Jordan (1970) - trompetista,

Oscar Perez (1974) - pianista,

Peter Apfelbaum (1960) – saxofonista,

Rafiq Bhatia (1987) – guitarrista,

Savannah Churchill (1919 - 1974) - vocalista,

Steve Smith (1954) – baterista,

Tom Kennedy (1960) – baixista
 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

SOL SOL – OSCILLATIONS (Sail Cabin Records)

Sol Sol é o nome de um quarteto de free jazz da Suécia formado em 2018. Eles gravaram seu primeiro álbum, “Unaccustomed Soil”, no Atlantic Studios, em Estocolmo, no dia 18 de junho de 2018, e o lançaram pela Signal And Sounds Records em 13 de abril de 2019. Elin Forkelid, que toca saxofone desde os quatorze anos e nasceu em 1984 no sul da Suécia, mudou-se para Estocolmo aos 20 anos para estudar saxofone e jazz no Royal College of Music. Em 2010, foi premiada como Revelação do Ano pela Rádio Sueca de Jazz. Outros membros fundadores do Sol Sol foram David Stackenäs na guitarra, Mauritz Agnas no contrabaixo e Anna Lund na bateria. Forkelid e Stackenas foram responsáveis ​​por todas as composições daquele primeiro álbum, quatro dele e duas dela.

Em 2020, Elin Forkelid lançou sua própria gravadora, a Sail Cabin Records. Dois dos primeiros lançamentos da gravadora foram os álbuns seguintes do Sol Sol, “What Year Is It (Sail Cabin Records, 2022)” e “Almost All Things Considered (Sail Cabin Records, 2024)”, gravados em estúdio em janeiro de 2021 e agosto de 2023, respectivamente. Como antes, todas as composições foram de Forkelid ou Stackenas.

Avançando para os dias 13 e 14 de janeiro de 2025, o quarteto estava gravando seu quarto álbum no Atlantis Metronome, em Estocolmo. Forkelid, Stackenas e Mauritz Agnas ainda estavam presentes, mas Anna Lund não era mais a baterista, tendo sido substituída por Nils Agnas. Das dez faixas desse álbum, cinco são creditadas a Stackenas, duas a Forkelid e três são improvisações livres, intituladas "Interlude", "Interlude" e "Postlude", creditadas aos quatro músicos. A primeira vez que um álbum do Sol Sol inclui improvisação livre. Além disso, Forkelid é creditado com uma gama mais ampla de saxofones do que nunca — soprano, alto, tenor e barítono. Logo de início, este álbum deixa claro que as mudanças feitas desde o último valeram a pena. Os quatro músicos parecem à vontade na companhia uns dos outros e desfrutam da companhia um do outro, seja tocando livremente ou seguindo uma composição. Este álbum não é apenas o melhor do Sol Sol até hoje, como também o mais promissor.

Faixas: Prelude; Masnou; Oscillatios For Hilma; Open Letter To Lord Badminton; Kura Borgerlig Skymning; Elvira Segura; Archimboldo; Interlude; Indian Summer; Postlude.

Músicos: Elin Forkelid (saxofone tenor); David Stackenäs (guitarra); Mauritz Agnas (baixo); Nils Agnas (bateria).

Fonte: John Eyles (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 20/08

Byron Stripling (1961) - trompetista,

Enrico Rava (1943) – trompetista,

Frank Capp (1931) - baterista,

Frank Rosolino (1926-1978) – trombonista,

Gabriel Grossi(1978) – gaitista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=TrRl3T0Rcf8,

Jack Teagarden (1905-1964) – trombonista,líder de orquestra,

Jimmy Raney (1927-1995) - guitarrista,

John Clayton (1952) – baixista,

Melford Graves (1941-2021) – baterista,

Michael B.(1942) - pianista,

Terry Clarke (1944) - baterista
 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

BRIAN LANDRUS - JUST WHEN YOU THINK YOU KNOW (Palmetto/BlueLand)

Uma coisa é ouvir um especialista em instrumentos de sopro de madeira graves tocar vários instrumentos de palheta grandes em um nível realmente alto. Porém, é completamente diferente presenciar um artista versátil e sensível como Brian Landrus, que continua expandindo o pequeno exército de instrumentos de sopro que domina com potência, sutileza e uma voz pessoal singular, enquanto trabalha para ampliar seu leque estilístico como compositor e líder de banda de jazz. Em seu 14º álbum como líder — com o guitarrista Dave Stryker (que retorna de “Brian Landrus Plays Ellington & Strayhorn”, de 2024), o pianista/tecladista Zaccai Curtis (um amigo de longa data que trabalha com Landrus pela primeira vez) e os frequentes parceiros da seção rítmica Lonnie Plaxico (baixo) e Rudy Royston (bateria) — Landrus adiciona saxofone tenor e flauta em dó à sua paleta de timbres de sopro, que aqui também inclui seus instrumentos habituais: saxofone barítono, clarinete baixo, flauta alto e flauta baixo. As 14 faixas de "Just When You Think You Know" são composições originais cativantes e inteligentemente arranjadas, que proporcionam um contexto fértil para a interpretação altamente pessoal e expressiva de Landrus em todos esses instrumentos. Há muita emoção e alma a serem descobertas em suas composições e improvisações, todas elas enraizadas no tipo de emoções genuínas que surgem quando alguém se liberta das normas estabelecidas, abraça o inesperado e confronta elementos de incerteza e surpresa com vulnerabilidade e mente aberta. O mesmo se aplica a Stryker, um colaborador essencial deste projeto, que frequentemente dobra melodias com Landrus e executa vários solos líricos e sensuais de sua autoria. A determinação de Landrus em lidar com as mudanças repentinas da vida também se reflete na espontaneidade e nas interações instantâneas de seu quinteto estelar, que habilmente executam uma gama completa de variações estilísticas de uma faixa para a outra. O clarinete baixo desempenha um papel importante em várias faixas, incluindo a de abertura, “All In Time”, onde uma atitude contemplativa e meditativa domina o eloquente solo de Landrus em meio a um coro de instrumentos de sopro sobrepostos, exibindo a beleza textural de seu conjunto instrumental recentemente expandido. Sua flauta em dó faz uma estreia auspiciosa, ajudando a preencher a região aguda do mini conjunto de sopros e desempenhando papéis de destaque em peças como a sedutora bossa nova “Continuance”, a atmosférica e envolvente “Under Dark” e a vibrante disco-funk da faixa de encerramento “Paroxysm”. Ele toca saxofone tenor em cinco faixas, incluindo a animada valsa jazzística que dá título ao instrumento, fazendo o trompete cantar com a mesma extrema confiança e facilidade que ele demonstrou consistentemente ao longo dos anos em seus outros instrumentos. Seja desfrutando de uma sonoridade suave ou se impondo com uma ousadia blueseira e autoritária, seu timbre é robusto nos graves e médios do tenor, com seu registro agudo reforçado por uma suavidade encorpada. O saxofone barítono, instrumento pelo qual Landrus é talvez mais conhecido, assume o protagonismo na envolvente faixa de R&B "Untold Story", no hard bop direto "One Year" e na bossa nova moderna "Averse". Emoções pessoais profundas alimentam o programa bem ritmado, cuidadosamente desenvolvido e acessível ao ouvinte de “Just When You Think You Know”, onde Landrus, artista sério que é, demonstra seu amor íntimo e espontâneo por cada um dos instrumentos de sopro que domina.

Faixas: All the Time; Continuance; Untold Story; One Year; Dear Fred; Averse; El Perro Sigma; Beyond; Trance; From the Night; Just When You Think You Know; Under Dark; Something Special; Paroxysm.

Músicos: Brian Landrus (saxofone barítono); Zaccai Curtis (piano); Dave Stryker (guitarra); Lonnie Plaxico (baixo); Rudy Royston (bateria).

Para conhecer um pouco desse trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=l4gqVh3SUso

Fonte: Ed Enright (DownBeat)