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sábado, 20 de junho de 2026

LED BIB – HOTEL PUPIK (Cuneiform)

Medrando nas áreas difusas de interseção entre o jazz, o rock, a improvisação, mais ou menos livre, e o noise, os Led Bib são uma das bandas mais reconhecidas do Reino Unido. Ao longo de uma trajetória de mais de duas décadas, o agora quarteto — após a saída do tecladista Toby McLaren, peça fundamental desde a fundação do grupo — tem combinado todos estes ingredientes, em diferentes proporções, para engendrar um universo próprio e distinto. Formados em 2003 pelo baterista e compositor norte-americano Mark Holub, na Universidade de Middlesex, norte de Londres, os Led Bib já editaram uma dúzia de álbuns (entre gravações de estúdio e ao vivo) e fizeram digressões internacionais, tendo sido nomeado para o Mercury Prize por “Sensible Shoes (2009)”. A energia visceral patente nos primeiros álbuns, como “Arboretum (2005)” e “Sizewell Tea (2007)”, deu progressivamente lugar às arquiteturas sônicas multiformes que escutamos em “Bring Your Own (2011)” — altura em que passaram por Lisboa, para atuarem na edição de 2012 do Jazz em Agosto — e “The People In Your Neighbourhood (2014”), às experimentações vocais de “It’s Morning (2019”) e à reinvenção (quase) total operada em “Hotel Pupik”, editado pela Cuneiform. O grupo incorpora agora um componente melódico mais marcado, sem abdicar da inventividade e da propensão para arriscar novas soluções. Não nos esqueçamos que o local onde o grupo foi criado fica a uma curta distância de Canterbury, epicentro de um braço do rock psicodélico e do jazz-rock a partir de meados da fervilhante década de 1960, encabeçado por bandas como Soft Machine ou Hatfield and the North. “Hotel Pupik” acaba por ser uma espécie de anomalia na discografia dos Led Bib, embora as marcas essenciais do grupo se mantenham intactas: os saxofones de Pete Grogan e Chris Williams, em permanente interação, são duas faces de uma mesma moeda; o baixo de Liran Donin injeta um balanço irrequieto e o baterista Mark Holub continua a mostrar o seu vocabulário amplo. Após a partida de McLaren nem tudo correu bem para os Led Bib: os primeiros concertos no novo formato instrumental foram problemáticos. «Não foram fáceis», admite Holub em entrevista de apresentação do novo álbum. «Acho que estávamos a tentar tocar como um quarteto, mas da mesma forma que sempre tocamos. E parecia que faltava alguma coisa.» O baterista observa ainda que os Led Bib consideraram recrutar um novo membro, mas decidiram não mexer na química existente entre os quatro músicos restantes e nos vínculos de cumplicidade urdidos ao longo de tantos anos de trabalho conjunto. «Isso obrigou-nos a repensar o que estávamos a fazer, de uma forma realmente positiva», explica Holub. «Em que medida as escolhas que faço nos Led Bib, em termos sonoros, têm a ver com as outras pessoas desta banda e com as nossas experiências em conjunto, e em que medida têm a ver com o que eu próprio escolheria? Por isso, de certa forma, fazer este disco foi uma forma de imaginar que nunca tínhamos tocado juntos antes. Para onde iríamos se começássemos de novo?» Estas inquietações acabaram por ter uma resposta cabal em “Hotel Pupik”, o álbum. O Hotel Pupik, o local, fica nas dependências de um castelo em ruínas nos arredores de Scheifling, no coração da Áustria. Rodeado por colinas íngremes e aninhado num bosque de árvores caducas, é um complexo de habitações e espaços abertos, semelhantes a lofts; no verão, artistas são convidados a lá conduzirem experiências, atraídos pela promessa de alojamento gratuito, paisagens atraentes e um ambiente acolhedor. O ritmo tranquilo das sessões de gravação, realizadas ao longo de uma semana, permitiu à formação explorar diferentes caminhos e possibilidades. Apenas uma pequena parte do que foi gravado conhece a luz do dia: os Led Bib moldaram as gravações escolhidas no que Holub chama, com ênfase deliberada, de «um disco». «Estávamos a pensar em álbuns clássicos de rock, como “The Dark Side of the Moon”, dos Pink Floyd», diz. «A pensar em criar algo em que o álbum em si fosse uma história e, neste caso, considerando realmente o formato LP de 20 minutos em cada lado», sublinha o baterista.

Mark Holub — a residir em Viena há vários anos — já tinha sido artista residente no Hotel Pupik e concluiu que este poderia ser o lugar ideal para lançar uma nova fase dos Led Bib com um álbum diferente. Depois de discutir com a banda, prepararam uma candidatura junto do Arts Council England e, para surpresa de todos, a mesma foi aceita. «A ideia», explica Holub, «era passarmos uma semana apenas a tocar e realmente tentar reavaliar o tipo de linguagem que estamos a usar. Obviamente, está ligado ao que fizemos antes; não é completamente estranho ao catálogo», acrescenta o baterista. «Mas era realmente uma questão de pensar: “Tínhamos 22, 23, 24 anos quando nos conhecemos. Atualmente temos 44, 45, 46. O que faremos agora?”» A falta do tecladista e as suas implicações no som da banda colocava-os perante diversos dilemas. «O que faremos sem um tecladista?», perguntaram-se vezes sem conta. «Quando nos separamos de uma namorada ou esposa ou o que quer que seja, de alguma forma temos de reavaliar quem somos sem elas. É como se disséssemos: “Estamos juntos há tanto tempo que a nossa identidade está intrinsecamente ligada a essa pessoa ou, neste caso, à banda. Quem sou eu se não estiver com essa pessoa?» As possibilidades para o rumo a seguir pelo quarteto eram, agora, virtualmente infinitas. O que manter, o que mudar? «Não é improvisação livre, como a improvisação livre com L maiúsculo, ou a improvisação de Derek Bailey», admite Holub. «É improvisar dentro do mundo sonoro que os Led Bib ocupam. Mas não havia muita estrutura no sentido de “É assim que esta música vai ser”. O material anterior dos Led Bibera quase sempre sobre uma forma mais tradicional de trabalhar o jazz: tema, solos, tema. Era isso que costumávamos fazer, e os solos eram sempre livres, mas de alguma forma relacionados com o que tínhamos tocado antes.» Embora algumas coisas que tocaram nas sessões de preparação de “Hotel Pupik” tenham seguido esse modus operandi, o que acabou por ficar no disco não é, em termos gerais, assim. A vertente composicional é agora mais marcada, o que acabou por surpreender o próprio grupo. Na inicial “Iron Ore”, da autoria do baixista, a bateria logo imprime um ritmo maquinal; os saxofones apresentam-se em bloco e o baixo elétrico vinca uma linha repetitiva, qual fio de Ariadne para uma peça em que o grupo declara ao que vem, ligando as pontas de um jazz mais aventureiro à intensidade do rock. “A Tin Teardrop”, de Holub, é mais atmosférica, com o tenor a desenhar uma bela melodia; o barítono entra na conversa, de melodia e contramelodia, parada e resposta. Evoluindo em crescendo, com a dupla rítmica a puxar vigorosamente a música para a frente, sem que o cômputo perca elegância. Noturna e solene, “Dawn Chorus” joga-se no limiar do silêncio.  “Transient Weaving” começa por envolver-nos numa nuvem de mistério que paulatinamente se dissipa e se transforma num ambiente quase festivo. “Pure O” começa em modo contemplativo e segue por caminhos mais angulares, de um camerismo esdrúxulo, feito de agudos afiados. Do tema que dá título ao álbum, improvisação coletiva criada no último dia da residência, avultam as espirais de som saídas do saxofone alto, hipnotizantes; a dupla rítmica aquece e sustenta as deambulações cruzadas dos dois sopradores. A dado momento tudo serena e os saxofones perseveram no diálogo, mas aqui num registro totalmente diferente. A peça segue até final por caminhos mais frágeis (atente-se nos detalhes que o baterista propõe), com um breve solo de baixo a culminar. “Till Next Time” é sucinto e esperançoso epílogo que se dilui no silêncio. No estado em que está o nosso mundo, que haja uma próxima vez.

Faixas      

1.Iron Ore 03:52

2.A Tin Teardrop 07:24

3.Dawn Chorus 04:08

4.Transient Weaving 05:30

5.Pure O 05:31

6.Hotel Pupik 12:21

7.Till Next Time 03:25

 Músicos: Pete Grogan— saxofones; Chris Williams— saxofones, efeitos; Liran Donin— baixo elétrico, efeitos; Mark Holub— bateria.

 Fonte: António Branco (jazz.pt)

 

 

ANIVERSARIANTES - 20/06

Alejandro Aviles (1976) – saxofonista,flautista,

Boyd Lee Dunlop (1926-2013) – pianista,

Debora Weisz (1962) – trombonista,

Doc Evans (1907-1977) - cornetista,

Eric Dolphy (1928-1964) - saxofonista,flautista , clarinetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=bKX3U5Pnf5Q, 

Ian Mattheus (1971) – baterista,

Jeremy Monteiro (1960) – pianista,

Paul Cacia (1956) – trompetista,

Shahzad Iamaily (1972) – baixista,

Stephan Kammerer  (1970) - saxofonista,

Stu Martin (1938-1980) – baterista,

Thomas Jefferson (1920) – trompetista,

Vinny Valentino (1964) - guitarrista  



 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

IVO PERELMAN AND NATE WOOLEY – POLARITY 3 (Burning Ambulance Music)

O estimulante “Polarity 3” é a terceira parte de uma série de duetos espontâneos entre o saxofonista inovador Ivo Perelman e o igualmente criativo trompetista Nate Wooley. Nestas 10 faixas, os dois improvisadores usam pausas silenciosas para criar atmosferas assombrosas e melodias contemplativas. As performances são semelhantes a duas reflexões introspectivas complementares, mas independentes.

Tons lânguidos e melancólicos de ambos os homens iniciam a faixa de abertura "One". Os uivos suaves e os refrões ondulantes são intercalados na quietude hipnótica e, assim, definem o ambiente para toda a gravação. Trocas curtas e nítidas mantêm uma melancolia pensativa apesar do aumento da urgência do diálogo. Os gorjeios ágeis e vigorosos do tenor de Perelman oscilam em torno do instrumento claro e suavemente ondulante de Wooley. A quase fúnebre "Two" funciona como uma coda para a faixa anterior, continuando e concluindo as ideias iniciadas em "One".

Nem Perelman nem Wooley se esquivaram de abraçar a dissonância provocativa em suas improvisações anteriores. Eles também flertam com isso aqui, mas o foco é mais voltado para o melodicismo lírico. Por exemplo, em "Eight", o trompete surdinado de Wooley tem notas distintamente blueseiras. Perelman, que segue Wooley, expressa-se em frases melífluas e atrevidas. A dupla constrói perfeitamente uma conversa comovente com uma elegância que ecoa estilos musicais passados.

Esse nível de pungência emotiva é uma característica marcante do álbum como um todo, inclusive nas faixas "mais livres", como "Five". A exploração sobreposta de escalas alternando com lamentos pungentes e ruminações abstratas e melodiosas se fundem em uma paisagem sonora sublimemente atraente. Hipnótica em suas cores suaves, ainda que dinâmica em sua inquietação, a melodia é uma peça central adequada para todo o trabalho.

Da mesma forma, o final, "Ten", desempenha um grande papel na coesão temática do disco, pois seu humor flui do desamparo ao apaixonado e vice-versa. O diálogo sinérgico de notas longas e linhas sinuosas se transforma em uma réplica inflamada e depois retorna à serenidade meditativa com graça natural. Portanto, é uma conclusão lógica para esta excelente sessão colaborativa.

Como era de se esperar tanto de Perelman quanto de Wooley, “Polarity” 3 é mais uma obra superlativa e brilhante. Reflete a engenhosidade dos artistas, mas, como acontece com todas as colaborações de sucesso, é mais do que a soma das partes. É uma música eletrizante e reflexiva que satisfaz a mente muito depois de parar de tocar.

Faixas: One; Two; Three; Four; Five; Six; Seven; Eight; Nine; Ten.

Músicos: Ivo Perelman (saxofone tenor); Nate Wooley (trompete).

Fonte: Hrayr Attarian (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 19/06

Billy Drummond (1959) – baterista,

Chico Buarque de Holanda (1944)- vocalista, violonista,compositor(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=An0ZG3VUYZQ,

Dave Lambert (1917-1966) – vocalista,

John Hollenbeck (1968) – baterista,percussionista,

Luis Carlos Vinhas(1940-2001) – pianista,

Roberto Magris (1959) - pianista 

 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

DANNY WIDDICOMBE & TRICHOTOMY – IRIDESCENCE (Earshift Music)

A colaboração perspicaz está no cerne do jazz extraordinário. O grupo australiano Trichotomy junta-se ao cantor e compositor Danny Widdicombe em "Iridescence" com convicção e consciência. A fusão de jazz com música folk e tradicional torna este lançamento algo raro, apresentando uma variedade de canções, desde instrumentais puros a faixas vocais. Estes dois artistas alcançam um equilíbrio harmonioso e inspirador. Há um calor terno, uma devoção sincera e uma atitude retrô, que impulsionam os dez números originais.

Desde a primeira faixa, pode parecer que este é um álbum de soft rock, talvez no estilo de Graham Nash ou Neil Young. "Ebb and Flow" utiliza pedal guitar de aço, reverb e vocais etéreos. É uma música típica de final de verão, que poderia ser incluída em um filme de faroeste moderno (talvez de um filme como The Power of the Dog). Embora aborde esses tons estilísticos, não se trata de uma homenagem óbvia aos artistas de raízes e à música americana.

A faixa-título surge em seguida, trazendo uma forte influência de jazz, com uma vaga semelhança à Pat Metheny. A guitarra é suave, mas ainda assim moderna. A atmosfera estival ainda se faz presente nos arranjos instrumentais de fundo, com destaque para Sean Foran nos teclados e Luke Moller nas cordas. A música tem uma pegada mais psicodélica do que country, mas ainda assim funciona bem com o que veio antes e com as composições que se seguem. Ter uma peça instrumental também permite que o grupo demonstre diferentes habilidades, não dependendo sempre de vocais ou letras para sustentar uma melodia.

Gravado ao longo de quatro dias no icônico museu de arte MONA, na Tasmânia, o lançamento tem um fluxo livre sem ser caótico. As melodias ajudam a dar base à música. "Stare into the Sun" retoma o estilo country-folk consagrado, com sua sonoridade reverberante, enquanto "It'll be OK!" apresenta uma atmosfera mais funk e uma atitude retrô, lembrando uma música dos Eagles ou do America. Mais uma vez, é a variedade ponderada que é a chave para o encanto de “Iridescence”. Widdicombe é um músico astuto. Ele não só trabalha bem em equipe, como também toca e canta seu material solo com uma clara dedicação à arte.

A forma como Trichotomy e Widdicombe confundem as fronteiras entre os gêneros demonstra a necessidade de tal arte ousada na indústria. Ocasionalmente, o jazz pode ser excessivamente pós-bop ou improvisador (pense em Al Foster e Fred Hersch, respectivamente). Ter uma paleta sonora mais ampla em relação a um estilo polifônico é o ideal. “Iridescence” tem um som específico e uma abordagem consistente. Poderia incluir mais composições instrumentais? Com ​​certeza. No entanto, Widdicombe se destaca em seus maneirismos vocais. Eles são calorosos e agradáveis. E muitas das músicas, como a hipnótica "Shipping News", incorporam camadas mais jazzísticas. No geral, é um lançamento empolgante e sutilmente energizante, com várias faixas que dão vontade de ouvir repetidamente.

Faixas: Ebb and Flow; Iridescence; Get Out of the City; Stare Into the Sun; It'll Be OK!; Sunshine State of Mind; Black Magic; Hypocrite; Shipping News; It's Your Turn.

Músicos: Danny Widdicombe (vocal, guitarra, pedal steel guitar, sintetizadores); Sean Foran (piano, teclados); John Parker (bateria, percussão); Samuel Vincent (baixo elétrico); Luke Moller (cordas).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Qs4SqHdPui0

Fonte: Konstantin N. Rega (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 18/06

Ava Mendoza (1983) – guitarrista,

Bennie Payne (1907-1986) - pianista,vocalista,

Jim Pepper (1941-1992) - flautista, saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=YnBdaYKqMUs,

Jimmy Cheatham (1924-2007) – trombonista,

Hazar (1977) – guitarrista,

Maria Bethânia (1946) – vocalista,

Mat Mathews (1924-2009) –acordeonista,

Ray Bauduc (1909-1988) - baterista,

Ray McKinley (1910-1995) - baterista,vocalista,

Reppolho (1956) – percussionista,

Sérgio Ricardo (1932-2020) - vocalista

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

BEN ROSENBLUM NEBULA PROJECT - THE LONGEST WAY AROUND (One Trick Dog)

Considero-me sortudo por ter tido a oportunidade de ouvir este novo álbum do Nebula Project, de Ben Rosenblum, com a atenção e o rigor crítico que ele merece. “The Longest Way Around” é o terceiro lançamento do conjunto de músicos virtuosos do acordeonista/pianista/compositor viajante, que compartilham a curiosidade incansável do líder e trazem suas próprias influências e experiências de vida para a obra. Retornando das gravações anteriores do Nebula Project (“Kites And Strings”, de 2020 e “A Thousand Pebbles”, de 2023), estão o trompetista/flugelhornista Wayne Tucker, o saxofonista/instrumentista de sopro Jasper Dutz, o guitarrista Rafael Rosa, o baixista Marty Jaffe e o baterista Ben Zweig, que se juntam nesta nova empreitada melodicamente fortuita e ritmicamente aventureira aos percussionistas Gustavo Di Dalva e Brad Dutz. Rosenblum e sua banda se aventuram por caminhos mais distantes e em direções mais divergentes em "The Longest Way Around", experimentando tradições distintas em quase todas as faixas. Rosenblum apresenta as 11 composições originais do álbum em arranjos coloridos e tapeçarias cuidadosamente tecidas de instrumentos de sopro, metais, teclados e guitarra, com a bateria e o baixo desempenhando papéis essenciais nas partituras. Impulsionado por balanço em ostinatos envolventes, sincopação world-funk e mudanças suaves de compasso — tudo isso girando em torno de uma base de improvisação jazzística tradicional, enquanto explora uma gama de tradições distintas fora do jazz — o programa mantém uma sensação de intensidade elevada do início ao fim. Mesmo em seus momentos mais reflexivos e baladeiros, "The Longest Way Around" (o quinto álbum de Rosenblum como líder) parece atravessar o espaço e o tempo com uma coesão poderosa e um ímpeto ilimitado. Embora a performance de Rosenblum ao piano em várias faixas seja excepcional, e seus companheiros de banda brilhem em seus inúmeros solos, a incrível e comovente habilidade do líder no acordeão, juntamente com sua capacidade singular de mesclar seu estilo único com metais e guitarra em uma estética hard bop, são a principal atração aqui. Começando com as mudanças inspiradas no J-Pop de “Merengue x Fantasy” e continuando com peças como a irlandesa “Sheridan’s Reel”, a introspectiva suíte em três partes “Scenes Frozen In Time”, “Círculo” (construída sobre ritmos da África Ocidental compartilhados por Zweig após uma viagem a Camarões), a condução constante do reggae/ska “Blue Water”, a direta “Albatross” e “Fool’s Gold” (com referências diretas a ícones clássicos do hard bop) e finalizando com a vibração neo-soul de “Last Call”, Rosenblum integra sem esforço o instrumento frequentemente subestimado em sua abrangente visão musical.

Quando não está em turnê com estrelas como Rickie Lee Jones, Catherine Russell e a cantora indiana Kiran Ahluwalia, ou se apresentando com o baixista Curtis Lundy em festivais ao lado de luminares do jazz como Bobby Watson, Sean Jones e Warren Wolf, o incansável Rosenblum costuma passar muito tempo na estrada à frente de seus próprios conjuntos e em apresentações solo.

Faixas

1 Merengue x Fantasy 05:45

2 Sheridan's Reel 05:35

3 Scenes Frozen in Time: Intro 01:54

4 Scenes Frozen in Time: Berlin 05:58

5 Scenes Frozen in Time: Old Friends 04:07

6 Scenes Frozen in Time: Onslaught 07:30

7 Circulo 07:09

8 Albatross 06:26

9 Blue Water 05:57

10 Fool's Gold 07:06

11 Last Call 04:52

 Músicos: Ben Rosenblum (piano); Wayne Tucker (trompete); Jasper Dutz (saxofone alto); Rafael Rosa (guitarra); Marty Jaffe (baixo); Ben Zweig (bateria); Gustavo Di Dalva (percussão); Brad Dutz (percussão).

Fonte:  Ed Enright (DownBeat)