playlist Music

domingo, 19 de julho de 2026

74ª. LISTA DOS MELHORES DO ANO PARA OS CRÍTICOS DA DOWNBEAT

Galeria da Fama – Sheila Jordan (falecida em 11/08/2025) [na foto]

Artista do Ano – Mary Halvorsosn

Grupo do Ano – Mary Halvorson – Amaryllis

Álbum do Ano – Patricia Brennan – Of The Near and Far

Álbum Histórico do Ano – Keith Jarrett – At The Deer Head Inn: The Complete Recordings (ECM)

Orquestra do Ano – Maria Schneider Orchestra

Saxofonista Soprano – Jane Ira Bloom

Saxofonista Alto – Immanuel Wilkins

Saxofonista Tenor – James Brandon Lewis

Saxofonista Barítono – Mats Gustafsson

Clarinetista – Anat Cohen

Flautista – Nicole Mitchell

Trompetista – Ambrose Akinmusire

Trombonista – Michael Dease

Pianista – Kris Davis

Guitarrista – Mary Halvorson

Tecladista – Craig Taborn

Organista – Larry Goldings

Baixista  – Linda May Han Oh

Baixista Elétrico – Melvin Gibbs

Violinista – Jenny Scheinman

Vibrafonista - Patricia Brennan

Baterista – Brian Blade

Percussionista – Hamid Drake

Vocalista Feminina – Cécile McLorin Salvant

Vocalista Masculino – Kurt Elling

Outros Instrumentos – Tomeka Heid (cello)

Compositor – Maria Schneider

Arranjador – Darcy James Argues

Produtor – Zev Feldman

Gravadora – Blue Note

Artista de Blues – Buddy Guy

Álbum de Blues – Buddy Guy – Ain´t Done With The Blues

Artista Além do Jazz – Rhiannon Giddens

Álbum Além do Jazz – Mavis Staples -Sad and Beautiful

Artistas em Ascensão

Artista – Adam O´Farrill

Orquestra – Webber/Morris Big Band

Grupo – Patricia Brennan Septet

Compositor – Anna Webber

Trompetista – Adam O ´Farrill

Trombonista – Kalia Vandever

Saxofonista Soprano – Nicole Glover

Saxofonista Alto – Silke Eberhard

Saxofonista Tenor – Nicole Glover

Saxofone Barítono – Linda Fredriksson

Flautista – Isaiah Collier

Pianista – Alexander Hawkins

Tecladista- Gerald Clayton

Organista – Gerald Clayton

Guitarrista – Brandon Seabrook

Baixista – Nick Dunston

Baixista– Tal Wilkenfeld

Baterista – Marcus Gilmore

Percussionista – Willy Rodriguez

Violinista - Gabby Fluke-Mogul

Vibrafonista – Yuhan Su

Vocalista Feminina – Gabrielle Cavassa

Vocalista Masculino – Tyreek McDole

Compositor – Anna Weber

Arranjador – Adam O´Farrill

Produtor – Michael League

Outros Instrumentos - Val Jeanty (toca-discos, escultura sonora)

 

 

 

PERICO SAMBEAT & ORQUESTRA JAZZ DE MATOSINHOS – BOREAL (CARA)

Ditados leva-os o vento (e o tempo). Esta é a história da amizade entre um saxofonista espanhol e uma orquestra portuguesa. Uma relação que mostra a larga margem que existe para a união entre forças criativas do jazz de ambos os lados de uma fronteira que tantas vezes é apenas administrativa. Perico Sambeat (nascido em 1962) e a Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM) cruzaram pela primeira vez os seus caminhos em 2007, num concerto dedicado ao jazz espanhol que aconteceu na portuense Casa da Música, com curadoria do saxofonista. «Há muitos anos conheci, em Barcelona, o Pedro Guedes e o Carlos Azevedo», começa por dizer Perico Sambeat à jazz.pt. «Há dez, doze anos colaboramos pela primeira vez em alguns temas da minha Flamenco Big Band. Os concertos correram sempre muito bem e mantivemos sempre uma boa amizade.» Pedro Guedes, diretor musical da OJM, também tira o pó da memória: «Com a residência na Casa da Música tivemos de alargar o espectro de repertórios que interpretávamos, e desde logo achámos importante conhecer a música para big band que se fazia em Espanha», explica. Em 2021, saxofonista e orquestra interpretaram em conjunto o universo de Ornette Coleman. Perico Sambeat não tem certezas quanto às razões que levam as cenas do jazz português e espanhol a não interagirem mais vezes. «É uma pena não haver mais», desabafa o espanhol. «Anímica, humana e estilisticamente somos irmãos, a ligação entre espanhóis e portugueses é muito profunda. Oxalá estas colaborações sirvam para fazer pontes entre músicos e surjam mais ligações positivas.» Pedro Guedes aponta à falta de incentivos: «Estamos aqui, mais ou menos, isolados no oeste europeu, era importante termos mais contacto.» A OJM (tal como a jazz.pt, diga-se) tem vindo a fazer caminho no sentido de apertar os laços entre o jazz que se faz nos dois países. «Fazemo-lo através do convite a jovens músicos espanhóis para tocarem com a OJM no ciclo de Novos Talentos, que fazemos em Matosinhos desde 2019. Temos tido também concertos em Espanha, com alguma frequência, esperando que projetos como este com o Perico Sambeat, tragam mais oportunidades para tocarmos em Espanha.» Foram, portanto, precisas quase duas décadas para que Sambeat e a OJM se unissem num álbum pensado de raiz, gravado e editado pelo Centro de Alto Rendimento Artístico (CARA), que é não só um selo discográfico, mas também um espaço de criação onde se promove o diálogo entre arte, ciência e tecnologia, através de projetos multidisciplinares. Criada em 1997, a OJM combina projeção internacional com um forte sentido de responsabilidade local, investindo continuadamente no desenvolvimento de projetos artísticos diversificados, na formação e na edição discográfica de jazz português. A discografia da big band matosinhense é o espelho de algumas das suas colaborações de maior relevo: Orquestra Jazz de Matosinhos Invites Chris Cheek (2006); Portology, com Lee Konitz como compositor e solista principal (2007); Our Secret World com Kurt Rosenwinkel, lançado nos EUA e em Portugal (2010); Amoras e Framboesas com a cantora Maria João (2011); Bela Senão Sem, com arranjos originais sobre a música do pianista João Paulo Esteves da Silva (2013); Jazz Composers Forum, trabalho que resultou na gravação de oito encomendas feitas a oito compositores — quatro americanos e quatro europeus — para o ciclo de concertos com o mesmo nome (2014) ou Unsolvable Problems (2019) com a música do compositor Carlos Guedes. Em 2020, editou Jazz in the Space Age onde revisitou o histórico álbum de George Russell, com o mesmo Esteves da Silva e José Diogo Martins como convidados. Dois anos depois foi a vez de After Midnight, com a cantora e compositora Rebecca Martin e o contrabaixista Larry Grenadier. Em 2023, a OJM apresentou o projeto “Uma Viagem Pelos Tempos do Jazz”, a história das big bands contada pela OJM e Manuel Jorge Veloso e com narração de António Curvelo. Referência maior do jazz do país vizinho, Perico Sambeat já foi galardoado com alguns dos principais prémios do jazz espanhol e europeu; distingue-se por uma larga e diversificada discografia enquanto líder, colíder e acompanhante, em largas dezenas de títulos, incluindo várias participações em álbuns de músicos de jazz portugueses, como Carlos Barretto, Bernardo Sassetti ou Rodrigo Gonçalves, representativas dos contatos que há muito e regularmente mantém com o panorama do jazz português. Em Barcelona, integrou o Taller de Músics, tendo sido aluno de Zé Eduardo.

Boreal é um álbum de matriz ibérica constituído por oito composições reveladoras da elegância, rigor, energia e lirismo do espanhol, escritas ou arranjadas especificamente para serem interpretadas pela OJM. Enquadra-se na rubrica de compositor em residência na orquestra, que desde há vários anos convida compositores para trabalhar e gravar a sua música. Pedro Guedes é claro na ambição: «É nosso desígnio: sermos a orquestra de jazz de referência na Península Ibérica.» Desbravando terreno pouco explorado, a OJM, verdadeira instituição do jazz nacional, tem cumprido o papel de orquestra nacional de jazz. Sambeat, saxofonista valenciano de forte expressão internacional, surge aqui na tripla condição de compositor, diretor musical e solista. «Este é o meu terceiro disco com big band, com uma grande formação, e estou muito contente com o resultado», sublinha Perico Sambeat. Depois do primeiro contato e do concerto na Casa da Música, Sambeat passou a fazer parte de um júri, com Pedro Guedes, para a tomada de decisões artísticas da orquestra. «A partir desse momento ofereceram-me a possibilidade de continuar a colaboração e, mais recentemente, ofereceram-me o estúdio CARA para gravar um projeto meu. Uma grande oportunidade para colaborar com a OJM que não podia deixar passar e comecei a compor para a big band, sabendo para que músicos específicos estava a escrever. Fizemos alguns ensaios e gravarmos o disco.» Pedro Guedes também não esconde a satisfação quanto ao resultado final: «Parece-me que este disco, bem como o disco do Carlos Azevedo, Farol, representam o que de melhor se faz em termos de escrita para big band na Península Ibérica. Trabalhar com Perico Sambeat é trabalhar com um dos nomes maiores do jazz europeu.» O saxofonista valenciano também exalta o fruto desta colaboração: «Quando compomos ficamos com uma ideia pré-concebida do que poderá ser, e na maior parte das vezes, por muito bem que esteja, há sempre alguma coisa que falha. Mas, neste caso, estou muito contente porque o resultado foi muito próximo da ideia que tinha.» Existe uma compatibilidade sinérgica entre o seu saxofone, ao mesmo tempo fluido e complexo, com a massa orquestral refinada da OJM.  «Sai-me de forma natural e tem a ver com as minhas afinidades e gostos musicais. Muitos dos temas foram especialmente escritos para este disco, para serem tocados pela OJM. Outros, que já tinha escrito, ganharam novos arranjos para serem tocados pela orquestra.» Na vibrante peça de abertura, “Circe”, uma espécie de blues, o primeiro tema escrito ao piano por Sambeat quando decidiram partir para esta aventura, logo fica patente a agilidade da máquina orquestral, com a articulação, diria megacamerística, entre os diferentes naipes e instrumentos. O saxofone de Sambeat voa; a guitarra de André Fernandes também logra espaço para solar. A bateria é de Mário Barreiros, que acumulou com as funções de técnico de som. O motivo-base é retomado no final, antecedendo clímax apaziguador. Peça já com algum tempo, “Ciudad del Paraíso”, dedicada à cidade de Málaga a partir da homenagem feita pelo poeta Vicente Aleixandre, traz consigo, nesta versão para orquestra, um balanço luminoso, do qual se eleva um solo de trompete (Ricardo Formoso). Uníssonos pujantes são intercalados por pequenos fragmentos, detalhes, que ganham espaço próprio no todo sonoro. Outra peça com algum tempo, “Mãe d’Água” — que já conheceu um arranjo para orquestra sinfônica, foi adaptada para este contexto, tendo-lhe sido acrescentado um interlúdio, entre outras alterações — envolve-nos numa atmosfera serena, dela emergindo um solo delicado de Fernandes; também a bateria de Diogo Alexandre espanta pela contenção. Belos solos de Mário Santos e do próprio Sambeat. Os dois minutos finais são dominados pelo piano diáfano de Miguel Meirinhos (até onde poderá ir este jovem músico?) Partindo da ideia de ter poucos acordes para improvisar, “Limbo” conta com o canto sem palavras de Alba Morena. Javier Pereiro entrega-nos um solo pleno de luz, que a orquestra afaga, e Fernandes volta a explorar o seu guitarrismo versátil. De atmosfera mais abstrata, “Ample” é introduzida pela doçura da flauta e parece feita para a banda sonora de um filme imaginário, com a sua aura de mistério e de que algo está à espera para acontecer; Alexandre e Meirinhos assinam solos de valia. Porventura a peça mais tradicional do disco, “Snow Hope” (talvez a brancura luminosa de que fala Jon Fosse), traz um swing ameno, que Meirinhos perscruta ao piano e que Sambeat elabora num solo pleno de leveza. “Estigia (para Bernardo y Toni)” — escrita para os amigos Bernardo Sassetti e Toni Belenguer, ambos já desaparecidos — é uma sentida balada que bateria e guitarra lançam suavemente e o saxofonista José Pedro Coelho desenvolve com elegância; outros solos admiráveis de Meirinhos e Sambeat, envolvidos por uma massa sonora aveludada. A peça que empresta o título ao álbum desenvolve-se em camadas, indo ao encontro do contexto próprio da big band, e traz um tom tranquilo e esperançoso, expresso nos solos de Fernandes, Sambeat e Demian Cabaud. Boreal é sólido testemunho da excelência do jazz ibérico, demandando novos mares qual jangada de pedra.

Faixas

1.Circe 06:44

2.Ciudad Del Paraíso 06:46

3.Mãe D’Água 10:50

4.Limbo 09:14

5.Ample 06:36

6.Snow Hope 08:09

7.Estigia (para Bernardo y Toni) 08:23

8.Boreal 08:14

Músicos: Perico Sambeat— direção musical, saxofones alto e soprano, flauta; José Luís Rego, João Guimarães, Mário Santos, José Pedro Coelho e Rui Teixeira— instrumentos de sopro de palhetas; Luís Macedo, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro e Javier Pereiro— trompetes; Daniel Dias, Andreia Santos, Álvaro Pinto e Gonçalo Dias— trombones; Miguel Meirinhos— piano; André Fernandes— guitarra; Demian Cabaud— contrabaixo; Diogo Alexandre e Mário Barreiros— bateria; Alba Morena— voz; Pedro Guedes— direção artística

Fonte: António Branco (jazz.pt)

 

 

ANIVERSARIANTES - 19/07

Bobby Bradford (1934) – trompetista,cornetista,

Buster Bailey (1902-1967) – clarinetista,

Carmen Bradford (1960) – vocalista,

Carmell Jones (1936-1996) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=NWGzCNHnqsQ,

Charlie Teagarden (1913-1984) – trompetista,

Cliff Jackson (1902-1970) - pianista,

David Valdez (1967) - saxofonista,

Earle Hagen (1919-2008) – trombonista,líder de orquestra,

Matt Mitchell (1975) – pianista,

Peter Madsen (1955) – pianista,

Tom Arthurs (1980) – trompetista, flugelhornista 

 

sábado, 18 de julho de 2026

I LIKE TO SLEEP - SPECTRAL VIBES (All Good Clean Records)

Descobrimos os I Like To Sleep em 2020, com “Daydream”, o segundo disco do trio norueguês. Foi aí que a música começou a impor-se como uma presença distinta, difícil de classificar, e desde então temos acompanhado atentamente o seu percurso. Neste novo capítulo, o som surge mais sujo, mais denso: a ultrapassagem é mais agressiva, os pratos da bateria ganham aspereza e a música aproxima-se declaradamente do stoner rock. A banda, que assinala agora uma década de existência, edita o seu quinto LP pela editora de Trondheim, All Clean Good Records.

Quando gostamos de um grupo, muitas vezes não queremos que ele mude. Que cada disco seja igual ao anterior, com temas novos, mas que nos vá dando o prazer de ouvir a música que nos agradou no passado. Mas se a música for feita por músicos e não por IA, não funciona assim. Cada disco é diferente e a ideia é que as coisas mudem. O que inicialmente nos prendeu à música dos I Like To Sleep foi a forma singular como integraram o vibrafone num território onde o jazz se cruza frontalmente com o rock. Essa fórmula mantém-se viva, mas foi expandida noutras direções. O vibrafonista Amund Storløkken Åse assume hoje um papel mais central, alternando entre vibrafone amplificado, Mellotron, samplers e percussões, ampliando o espectro tímbrico do trio.

O baixo continua a ser o verdadeiro eixo da música: imponente, profundo, com uma presença que parece já inscrever-se num certo som nórdico (ex: Fire!, Bushmans Revenge). É ele que estrutura os temas, definindo tempo, pulsação e caráter. Há aqui uma lógica que remete para o funk, embora reinterpretada de forma mais matemática e rigorosa. O baixo, nas mãos de Nicolas Leirtrø, articula o corpo da música, ancora o balanço e afirma-se como instrumento melódico. É um organizador “visível”.

Entre as novidades deste disco está a participação de Mats Gustafsson em “Bed Robber” (o tema que mais se liga ao passado do grupo) e a inclusão de um quinteto de cordas — dois violinos, dois violoncelos e contrabaixo — que dialoga com o trio, acrescentando uma dimensão orquestral que contrasta com as distorções. Surgem harpas, o quinteto de cordas, a flauta, o Mellotrom.

Em “Spectral Vibes”, a música surge mais pesada e compacta, o rock assume maior protagonismo e o som do grupo ganha novas cores através da eletrônica e das cordas. Quem vem de “Daydream” reconhece aqui a origem deste caminho; quem chega agora encontrará um grupo que aposta em temas mais rápidos e intensos, atravessados por melodias cíclicas, assobiáveis e de uma delicadeza quase campestre. É o contraste entre essas formas bonitas e a sujidade do rock que dá à música dos I Like To Sleep um encanto raro e profundamente pessoal.

Os I Like To Sleep são aquilo que se poderia justamente chamar de powerjazz: cruzam o rock inteligente com o jazz, com um som muito próprio. “Peace and Power Jazz To People.” Dizem na contracapa do disco. Bem precisamos. De “peace” muito mais do que de “Power Jazz”, pois este enche-nos por uns tempos.

Faixas

1.Octopus 05:12

2.I LIKE TO SLEEP, Mats Gustafsson - Bed Robber 10:34

3.I LIKE TO SLEEP, Swamp Strings - Pause III pt. I 01:48

4.I LIKE TO SLEEP, Swamp Strings - Swamp Strings 01:24

5.I LIKE TO SLEEP, Mats Gustafsson - Swamp 05:27

6.I LIKE TO SLEEP, Swamp Strings - Pause III pt. II 01:01

7.Time To Get Up 06:55

8.Skagstad 06:26

Músicos: Amund Storløkken Åse— vibrafone amplificado, Mellotron, samplers, percussão; Nicolas Leirtrø— baixo, guitarra “perfurada”, percussão, contrabaixo; Øyvind Leite— bateria, percussão; Mats Gustafsson— flauta, saxofone tenor; Maja Langeteig— violino; Emilija Petrovska— violino; Live Smidt— violoncelo; Sigrid Angelsen— violoncelo

Fonte: Gonçalo Falcão (jazz.pt)

 

 

ANIVERSARIANTES - 18/07

Baby do Brasil (1952) – vocalista,

Bob Helm (1914-2003) - clarinetista,

Buschi Niebergall (1938-1990) -baixista,

Carl Fontana (1928-2003) - trombonista,

Don Bagley (1927-2012) - baixista,

Douglas Purviance (1952) – trombonista,

Joe Comfort (1917-1988) - baixista,

Lynn Seaton (1957) - baixista,

Nicole Glover (1991) – saxofonista,

Nolan Shaheed (1949) – trompetista,

Pete Yellin (1941-2016) – saxofonista,flautista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Le98MDOPMbo,

Theo Crocker (1985) – trompetista,

Tito Madi (1929- 2018) - vocalista

 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

SCANDINAVIAN ART ENSEMBLE WITH TOMASZ STANKO - THE COPENHAGEN SESSION VOL. 1 (April Records)

Embora o lendário trompetista Tomasz Stańko tenha nos deixado em 2018, felizmente há muitos indícios de que seu legado gravado continua a se desenvolver. Em 2024, seu lançamento brilhante, “September Night (ECM)”, que documenta uma apresentação ao vivo de 2004, nos lembrou da vibração emocional singular deste trompetista moderno tão sensível. E agora temos o primeiro de um lançamento planejado em dois volumes, cortesia de uma residência artística que Stańko passou na Dinamarca em 2015 com o Scandinavian Art Ensemble. Este impressionante conjunto de músicas não só revela as habilidades imponentes de Stańko mesmo aos 73 anos de idade, como também ilustra sua característica disposição para se desafiar, buscando músicos muito mais jovens que pudessem revelar novas nuances em sua interpretação.

A predileção de Stańko por trabalhar com jovens talentos ficou maravilhosamente evidente em sua série de gravações brilhantes do início dos anos 2000. “Soul of Things (ECM, 2001)”, “Suspended Night (ECM, 2003)” e “Lontano (ECM, 2005)”, assim como a já mencionada “September Night”, revelam a química especial que Stańko criou com o pianista Marcin Wasilewski, o baixista Slawomir Kurkiewicz e o baterista Michal Miskiewicz, todos pelo menos trinta anos mais jovens que o líder. A nova geração de talentos poloneses e escandinavos em exibição com o Scandinavian Art Ensemble possui um poder alquímico semelhante, que se ouve com grande efeito na impactante faixa de abertura, "One O'clock Junk", uma música jubilosa e vibrante na qual Stańko duela tenazmente em solos coletivos com os outros dois trompetistas da banda, Tomasz Dabrowski e Snorri Sigurðarson, ambos tão enérgicos quanto Stańko. É uma alegria ouvi-los trocar ideias com tanto entusiasmo. O vibrafonista Martin Fabricius e o saxofonista Thomas Hass então assumem solos igualmente impactantes em sua força emocional.

"Before the Rain" retorna a um terreno mais familiar de Stańko, com uma pungência sombria que o trompetista delineia com graça paciente sobre o acompanhamento espartano de Fabricius e do pianista Artur Tuznik, antes que o restante do conjunto entre com um ritmo sutil. Em seguida, "Circles" dá destaque à vocalista Johanna Elina Sulkunen, e sua voz aveludada complementa perfeitamente a reserva discreta de Stańko, especialmente quando seus vocais sem palavras reverberam pelo campo sonoro. Há um espaço envolvente na música, pois o conjunto permite que ela respire; o baixista Richard Andersson e o baterista Radek Wosko merecem grande parte do crédito, já que sua abordagem descontraída permite que a música se desenvolva em um ritmo tranquilo, deixando espaço para os metais interagirem entre si na segunda metade da faixa.

As duas últimas faixas são igualmente fantásticas. "Dark Eyes of Martha Hirsch" é uma música animada com os vocais sem palavras de Sulkunen, que lembram o trabalho de Norma Winstone com Kenny Wheeler. Os grunhidos sem tom de Stańko no início de seu solo são novamente indicativos de seu espírito aventureiro, embora sua forma lírica no restante da música não surpreenda ninguém. E o solo envolvente de Hass se alimenta da energia gerada pelos acordes vibrantes de Tuźnik. Essa faixa em particular demonstra a capacidade do grupo de tocar com suíngue, uma revigorante amostra de jazz moderno.

A sessão termina com "The Bridge that Broke on a Blue Monday", onde Sulkunen canta ao lado de Fabricius, com os dois traçando a melodia expressiva antes de se retirarem para dar ao baixista Andersson sua própria conversa em duo com Fabricius, eventualmente dando lugar a uma longa exposição de trompete antes que o conjunto conduza a faixa a um final assombroso. Com um trabalho tão magnífico quanto “The Copenhagen Session Vol. 1”, esperamos que o Vol. 2 da série traga músicas igualmente encantadoras.

Faixas: One O’clock Junk; Before the Rain; Circles; Dark Eyes of Martha Hirsch; The Bridge that Broke on a Blue Monday.

Músicos: Tomasz Stańko (trompete); Tomasz Dabrowski (trompete); Snorri Sigurðarson (trompete); Thomas Hass (saxofone); Artur Tuznik (piano); Martin Fabricius (vibrafone); Johanna Elina Sulkunen (vocal); Richard Andersson (baixo); Radek Wosko (bateria).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=JgpbFJwaetQ

Fonte: Troy Dostert (AllAboutJazz)

 

 

ANIVERSARIANTES - 17/07

Abe Laboriel (1947) - baixista,

Ben Riley (1933-2017) - baterista,

Benny Krueger (1899 - 1967) - saxofonista,

Chico Freeman (1949) - saxofonista,

Danny Bank (1922) - saxofonista,clarinetista,flautista,

Eddie Dougherty (1915) - baterista,

George Barnes (1921-1977) - guitarrista,

Ivan Valentini (1955) - saxofonista,

Jimmy Scott (1925-2014) – vocalista,

Joe Morello (1928-2011) - baterista,

Julia Hülsmann (1968) - pianista,

Mary Osborne (1921-1992) - guitarrista,

Nick Brignola (1936-2002) - saxofonista,clarinetista,flautista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=vCP7SHx9SQM ,

Paula Faour (1971) – pianista,

Phoebe Snow (1952) –vocalista,

Ray Copeland (1926-1984) – trompetista,

Reggie Nicholson (1957) – baterista,

Tigran Hamasyan (1987) – pianista,

Vince Guaraldi (1928-1976) - pianista,

Wilfred Middlebrooks(1933-2008) - baixista