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sábado, 21 de março de 2026

DUO XL – VIBIN

Consultas ao admirável mundo da inteligência artificial e aos cartapácios que estoicamente resistem na estante não permitem dissipar convenientemente todas as dúvidas. Mas parece seguro concluir que duetos estáveis tuba-piano, num contexto jazzístico — tomado numa acepção abrangente e não estereotipada —, são uma raridade, para não dizer uma inexistência prática. Isso mesmo é confirmado à jazz.pt por Sérgio Carolino (nascido em 1973), um dos mais reputados tubistas da atualidade e grande conhecedor do panorama global do volumoso instrumento. «Até ao momento, não conheço nenhum duo tuba-piano que desenvolva uma linguagem com ligação ao jazz e à improvisação.» Pois é essa a singularidade do Duo XL, que junta Carolino ao pianista Telmo Marques (nascido em 1963) e que acaba de editar o seu terceiro álbum, “Vibin”, na editora japonesa Octavia Records. O novo registo é composto, como tem acontecido noutras ocasião, por obras originais escritas e dedicadas ao tubista, mas desta vez subordinadas a um conceito musical focado na linguagem e no fraseado jazzísticos. «Muitos bons tubistas com formação acadêmica na área da música erudita poderão encontrar neste trabalho, para além de um excelente repertório original, uma motivação para aprender e desenvolver as suas capacidades técnico-musicais, explorando a linguagem e o fraseado próprios da música de carácter improvisado», refere Sérgio Carolino. «O disco também estimula a descoberta de outras qualidades musicais no instrumento, como a sonoridade, o espectro dinâmico e o alcance de registo.» O Duo XL conta com uma carreira internacional, dezenas de apresentações e dois discos:” Portuguese Music for Tuba & Piano”, de 2014, e “Game Over”, de 2022. O seu sucesso no Japão é tal que por lá já tocaram para grandes audiências em Hamamatsu, Osaka e Tóquio; o duo também já atuou na Islândia, Eslovênia, Espanha e, claro, em Portugal. Muitos compositores portugueses já escreveram obras para o duo: António Pinho Vargas, Bernardo Sassetti, Carlos Azevedo, Filipe Raposo; e também figuras internacionais como Jean-Marie Machado, Didier Goret, Mico Nissim, David Dahlgren, Jim Self, Jerry Grant, Howie Smith, Paul Terracini e Andrew Batterham, para apenas mencionar alguns. Premiado internacionalmente em inúmeras ocasiões, Carolino, alcobacense de nascimento e cidadão do mundo, tem um percurso notável como tubista virtuoso, eclético, curioso, aventureiro. Quer como solista, quer como docente, tem deixado uma marca viva por onde passa. Desdobrando-se numa atividade tentacular, integra os magníficos TGB — com o guitarrista Mário Delgado e o baterista Alexandre Frazão, com quatro títulos editados pela Clean Feed —, para além de outras formações como o duo TUBAX Duo — com o saxofonista Mário Marques —, o duo TUBAB (com o baterista/percussionista Jorge Queijo), R’B & Mr. SC, The Postcard Brass Band, Surrealistic Discussion (com o acordeonista João Barradas), Duo AR com Maria João, SubWoof3r, Tuba&Drums Double Duo com o também tubista Oren Marshall, Tuba Trio — com Anthony Caillet (eufônio) e François Thuillier (tuba) —, Conical Brass com o trompista francês Jeff Nelsen e o Crossfade Ensemble do pianista e compositor Daniel Bernardes, seu conterrâneo, entre muitos outros. É fundador e diretor artístico do Gravíssimo! – Festival e Academia Internacional de Metais Graves de Alcobaça (a edição de 2025 acontece entre 26 e 29 de agosto). Natural do Porto, Telmo Marques é um pianista, compositor e arranjador que tem cruzado diferentes universos estilísticos com igual mestria. Concluiu o Conservatório Superior de Música do Porto e formou-se em piano na portuense Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE). Concluiu um Mestrado em Artes na Roehampton University, no Reino Unido, e um programa de Doutoramento em Música Computacional na Universidade Católica Portuguesa. Como compositor, recebeu encomendas para orquestra, solistas, música de câmara, música para teatro, documentários e publicidade. O seu nome consta da ficha técnica de mais de uma centena de gravações, nas várias vertentes da sua atividade. É docente na ESMAE e membro integrado do CEIS20 - Centro de Investigação da Universidade de Coimbra.

Gravado no Centro de Alto Rendimento Artístico (CARA), em Matosinhos, “Vibin” é quase inteiramente constituído por música original escrita para o tubista e para o duo, explorando as polinizações cruzadas entre a linguagem jazzística, a música erudita contemporânea, o funk e até a pop, tudo envolvido pelo manto do balanço que a tuba traz. «Trata-se de um verdadeiro crossover de estilos musicais», realça o tubista. Sérgio Carolino trabalha com alguns destes compositores há mais de 15 anos. «São amigos, conhecem bem o meu percurso e a minha abordagem musical. Todos são artistas ecléticos, com uma visão abrangente, alinhada com o meu conceito e filosofia no mundo da música: abrangência e criatividade musical.» O trabalho da dupla, que esbate fronteiras, tantas vezes artificiais, vai muito para além do virtuosismo, transmitindo liberdade e paixão e equilibrando o rigor das composições com a frescura das improvisações (a frescura das composições e o rigor das improvisações também é válido). «Neste álbum, com o objetivo de motivar outros tubistas a explorar uma linguagem jazzística, pedi aos compositores que escrevessem todas as partes, incluindo aquelas que, em certas secções, poderiam ser improvisadas. Isso permite maior clareza na compreensão do texto musical e possibilita que mais músicos se interessem em interpretar estas obras», explica Carolino. «No geral, embora cada compositor tenha a sua própria linguagem e um conceito musical bem definido, todas as peças exploram os dois instrumentos de forma virtuosa e orgânica, trazendo frescura, interesse na audição e transmitindo sempre uma sensação de liberdade e fluidez musical.» A obra inaugural, “Interplay II” — escrita em 1996 (a versão para tuba é de 2022) pelo compositor norte-americano Jerry Grant (nascido em 1936) —, surge segmentada em três partes e logo exponencia a interação entre os dois instrumentos, integrando material angular com raízes no bebop. O “Prelúdio” tem início sereno e melodia ampla, que a dado momento adquire outro vigor, para, no final, tudo voltar à quietude; uma segunda parte, “Invention”, após a exposição do tema-base, piano e tuba repartem papéis equitativos, explorando as suas linhas até à sucinta reexposição final. “Aria”, a derradeira parte, denota influências impressionistas e assenta num motivo repetitivo exposto pelo piano, que a tuba vem indagar, instalando uma bela melodia, que ambos os instrumentos desenvolvem. Encomendada por Sérgio Carolino ao compositor australiano Andrew Batterham (nascido em 1968), “Salamander”, peça escrita em 2019, procura retratar as qualidades míticas deste anfíbio, num dinâmico jogo contrapontístico, de ações e reações, aproximações e distanciamentos, em movimento permanente. Várias ideias musicais nascem e renascem de diferentes maneiras, antes de um retorno à atmosfera funk original. Saída da pena de Telmo Marques, “Tropia” — escrita em 2018 para trombone e piano, daí o título, e que ganhou uma segunda vida na versão para tuba e piano, dedicada a Carolino — começa com as notas solenes da tuba, expandindo-se de modo dinâmico e expressivo, com explorações harmónicas, ritmos vívidos e um particular lirismo. Os dois instrumentos alternam entre papéis principais e secundários, com Carolino a convidar o piano a percorrer caminhos inusitados, nunca olvidando a bela melodia, sublinhada por Marques com requinte harmónico e textural. Outra encomenda de Carolino, “Frivol I Tease” — para tuba solo (ou trombone baixo) e piano —, composição do norte-americano Jim Self (nascido em 1943), surge dividida em dois andamentos contrastantes; o primeiro, intitulado “Modal I Tease”, começa com uma breve introdução modal: segue-se um swing ameno, em tempo de valsa, com uma figura estática do piano a encontrar a melodia de Carolino. O motivo exposto na introdução da peça é retomado no seu ocaso. O segundo andamento, dito “Complex I Tease”, abre espaço ao virtuosismo de ambos os músicos, com o piano a colocar-se no centro e a tuba a gravitar ao seu redor, num verdadeiro tour-de-force para Carolino. A fechar o álbum, “Blues for Schubert”, do saxofonista e compositor suíço Daniel Schnyder (nascido em 1961) — escrita para o seu NYC Trio, que se completa com David Taylor no trombone baixo e o já desaparecido Kenny Drew Jr. no piano — peça que integra a suíte Worlds Beyond, de 2002 — é, como o título da peça logo denuncia, um blues inspirado pelo universo do compositor austríaco (sobretudo obras como Moments Musicaux e Winterreise), marcado pela opulência do piano (por vezes vertida em cascatas imprevisíveis), a que se junta uma bela melodia desenhadas pelo saxofone soprano de Mário Marques e a tuba discreta, a pontuar. À maneira dos blues do Delta do Mississípi, o resultado é um cadinho emocional onde cabem tristeza, alegria, beleza e esperança. Sérgio Carolino e Telmo Marques perseveram na sua missão de esbatimento de fronteiras entre universos musicais, com excelência e paixão.

Músicos: Sérgio Carolino— tuba; Telmo Marques— piano; Mário Marques— saxofone soprano em "Blues for Schubert".

Fonte: António Branco (jazz.pt)

 

ANIVERSARIANTES - 21/03


 Amina Claudine Myers (1942) - pianista,

Chacho Ramirez (1951) – baterista,

Dominic Miller (1960) – guitarrista,

Farnell Newton (1977) – trompetista,

John Davey (1950) – baixista,

Linda Kosut (1946) – vocalista,

Mike Westbrook (1936) – pianista, líder de orquestra,

Otis Spann (1930-1970) - pianista,

Son House (1902-1988) – guitarrista, vocalista,

Tiger Okoshi (1950) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Yezp-N5zRGA

sexta-feira, 20 de março de 2026

JAMES EMERY NEO TRIO - INNER DRIVE

Antes de formar este trio, James Emery se estabeleceu como uma figura proeminente na cena jazzística de Nova York, notavelmente como membro fundador do aclamado StringTrio de Nova York. Este conjunto único, que mistura influências clássicas e de jazz, recebeu aclamação da crítica por seus arranjos criativos e performances dinâmicas. “Inner Drive” destaca os talentos virtuosos e a interação engenhosa do Neo Trio: Emery no violão, Chris Jonas nos saxofones e Cyrus Campbell no baixo. O álbum apresenta uma mistura convincente de domínio técnico e improvisação expressiva. As composições distintas e harmoniosas de Emery deixam um impacto duradouro em meio à notável força unificada do trio.

A abertura do álbum, "Light of Day", estabelece uma base com ritmos bop vibrantes e melodias intrincadas entrelaçadas por refrões uníssonos ressonantes. O trabalho da guitarra acústica de Emery é deslumbrante e expressivo, enquanto o saxofone de Jonas acrescenta profundidade e intensidade. O baixo de Campbell providencia uma âncora robusta, sustentando o som exploratório do grupo. Esta faixa de abertura exige atenção imediata como se o trio estivesse proclamando sua chegada.

“Trio Miniature 1” é uma peça breve que se aventura no território da vanguarda, incorporando os sutis instrumentos de percussão dos músicos e as pulsações rítmicas de Emery no corpo da guitarra. A banda executa uma narrativa fragmentada com vozes animadas e diálogos emocionantes, que lembram uma suíte complexa. "Miles To Go" apresenta o dedilhado rítmico do guitarrista, enquanto Campbell guia a melodia. Emery também oferece frases surpreendentes de acordes reversos. Além disso, as linhas rápidas de uníssono são executadas com graça sem esforço. "Offspring" é uma peça de hard bop de ritmo rápido, impulsionada pelos solos vigorosos e corajosos de Jones sobre as linhas de baixo fervorosas de Campbell e as notas rápidas de Emery. A interação entre a guitarra de Emery e o saxofone de Jonas são hipnotizantes, e o baixo de Campbell mantém um nível de energia consistentemente alto ao longo da faixa.

“Inner Drive” demonstra inequivocamente que a inovação do jazz não precisa comprometer a musicalidade. Este álbum recompensa repetidas audições, revelando novas camadas a cada imersão. É uma prova do poder da criação colaborativa. O nome de Emery pode estar associado ao grupo, mas é a dedicação compartilhada do trio à inovação que eleva este álbum a uma experiência verdadeiramente cativante e inesquecível. Pense nisso como uma conversa entre gigantes musicais, onde cada frase é um pensamento cuidadosamente elaborado, e o ouvinte tem o privilégio de escutar seu discurso brilhante.

Faixas: Light of Day; Ribbons of Euphoria; Trio Miniature 1; Inner Drive; Black Diamonds; Trio Miniature 2; Miles to Go; Dopamine Hit; Trio Minature 3; Lotus on the Pond; Offspring; Trio Minature 4; Sound Montage.

Músicos: James Emery (guitarra acústica, percussão); Chris Jonas (saxofone, percussão,); Cyrus Campbell (baixo, little instruments); David Forlano (percussão, little instruments (10); Ed Petersen (flautas, saxofone tenor [10]).

Fonte: Glenn Astarita (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 20/03

Deanna Witkowski (1972) – pianista,

Ernesto Nazareth (1863-1934) – pianista,

Harold Mabern (1936-2019) – pianista (na foto e video),http://www.youtube.com/watch?v=i0BMocb4cok,

Jon Christensen (1943-2020) – baterista,

Jon Hammond (1953) – organista, acordeonista, pianista,

Marian McPartland (1918-2013) – pianista,

Mário Sève (1959) – saxofonista,

Roy Patterson (1953) – guitarrista,

Xangai (1948) – vocalista, violeiro
 

quinta-feira, 19 de março de 2026

THE COUNTERFICTIONALS - AN INCOMPLETE ENCYCLOPEDIA OF GENTLE EMOTIONS (Zachs Music)

Qualquer cinéfilo de carteirinha dirá que o enredo não é realmente o mais importante, ou, como costumava dizer o estimado crítico Roger Ebert, a questão não é "sobre o que um filme trata, mas como ele trata o assunto". Esta é uma lição que Kristoffer Rosing-Schow e o grupo The Counterfictionals realmente levaram a sério. Suas obras são em grande parte inspiradas no mundo do cinema, mas essas fontes específicas são apenas pontos de partida. O objetivo de cada obra não é o filme ou cena específica em que ela se inspira, mas sim como ela evoca o clima e a essência emocional que a permeiam.

Na sequência do caleidoscópico “No Hay Banda (Good Music, 2019)”, o sexteto volta a tecer uma série de noirs de jazz sombrio e fascinante, embora desta vez o trabalho se incline mais para o impressionismo do que para as referências específicas. Por exemplo, o conceito por trás da faixa de abertura é um filme hipotético que nunca foi feito. A obra tece um melodrama fantasmagórico de um dia chuvoso com theremin (NT: é um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos, inventado em 1920 pelo russo Léon Theremin, famoso por ser tocado sem qualquer contato físico. O músico controla o volume e a frequência [notas] movendo as mãos ao redor de duas antenas metálicas, produzindo um som etéreo e fantasmagórico), cordas delicadamente dedilhadas e guitarra fora de fase, sob um trecho livre de James Joyce, e a experiência não se torna menos imersiva pelo fato da fonte ser (bem) ficcional. É perfeitamente fácil imaginar toda essa coleção como uma minissérie de fitas gravadas para algum projeto de cinema de arte da era de ouro, perdidas atrás de uma caixa de madeira empoeirada na sala de edição.

Assim como inúmeras outras partituras, " An Imcomplete Encyclopedia Of GentleEmotions " está repleta de uma paleta de timbres que vai muito além do básico de piano, guitarras e instrumentos de sopro. A tensão de uma trágica história de amor/não-amor de Quentin Tarantino é retratada em um lamento fúnebre com clarinete melancólico e um toque de melódica, adicionando uma pitada de drama à la Ennio Morricone. Para retratar os personagens principais de "Quero Ser John Malkovich" sentindo-se perdidos e à deriva, uma linha central de piano acompanha a música, enquanto o ambiente ao redor gradualmente se torna menos estranho, passando de sinos inquietos para flauta e saxofone mais calmos (embora uma onda etérea de theremin ainda persista até o final). As emoções aqui podem não ser sempre tão suaves, afinal, embora um belo e, em sua maior parte, reconfortante tango cigano baseado em uma das mais belas histórias de amor dos anos 90 (se não de todos os tempos) seja suficientemente tranquilizador para mostrar que o título do álbum se encaixa perfeitamente.

Se há algo que falta em “Encyclopedia” em comparação com o álbum de estreia da banda, é uma dose ocasional de leveza. Deixando de lado essa canção de amor emocionante, o álbum permanece consistentemente assombroso e melancólico, não em busca de um drama óbvio, mas para encarar esses temas, muitas vezes agridoce, com a honestidade que merecem. Quando a música se encerra com uma homenagem hipnótica a dois mestres do misterioso, a banda trata o real como chave para o irreal, demonstrando que uma composição atmosférica bem elaborada pode fazer com que um simples clarinete e cordas soem tão misteriosos quanto qualquer artifício eletrônico. Com a duração ideal de um LP, esta é uma obra que parece terminar surpreendentemente rápido, mas — como acontece com muitos dos filmes mais bem elaborados — está repleta de detalhes e com muitas camadas surpreendentes a serem descobertas.

Faixas: Poems and Rain; Norm Gunderson's 3-Cent Stamp; Beatrix and Bill; Puppet; The White Lodge.

Músicos: Kristoffer Rosing-Schow (saxofone alto); Tove Sørensen (baixo); Bjorn Heeboll (bateria); Maja Romm (guitarra); Jeppe Zacho (clarinete); Henriette Groth (piano); David Kerns (narração [1]); Sune Wedam (trombone baixo [1]); Martin Fabricius (vibrafone [1, 5]); Anders Banke (flauta, clarinete baixo [4, 5]).

Fonte: Geno Thackara (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 19/03

Assis Valente (1911-1958) – compositor,

Bill Henderson (1930) - vocalista,

Buster Harding (1917-1965) – arranjador,pianista,

Chad Taylor (1973) – baterista,

Curley Russell (1917-1986) - baixista,

Curtis Fowlkes (1950) – trombonista,

David Schnitter (1948) – saxofonista,

David Buck Wheat (1922-1985) – baixista,

Eliane Elias (1960) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=BNfAofMmygI,

Fred Hughes (1961) – pianista,

Justin Faulkner (1991) – baterista,

Lem Winchester (1928-1961) - vibrafonista,

Lennie Tristano (1919-1978) - pianista,

Michele Rosewoman (1953) – pianista,

Mike Longo (1939-2020) – pianista,

Thana Alexa (1987) – vocalista,violinista 

 

quarta-feira, 18 de março de 2026

EMMA RAWICZ – INKYRA (ACT)

Há muito a se dizer sobre a ambição juvenil. Há muito o que dizer sobre a saxofonista Emma Rawicz, de 23 anos, que transborda talento e demonstra uma maturidade muito além da sua idade. Como ela mesma afirma em um artigo especial que foi publicado na edição de janeiro da revista DownBeat: "Em poucos anos, passei de uma estudante universitária comum a estar, de repente, em palcos internacionais, tocando em quatro países em quatro dias e quase nunca em casa". Não que ela esteja reclamando, apenas constatando um fato. Após lançar seu primeiro álbum de forma independente em 2022, enquanto ainda era estudante, ela foi contratada pela ACT Music para o lançamento de seu segundo álbum, “Chroma”. Ambas as gravações provaram ser um ótimo começo para sua carreira. Porém, com seu lançamento mais recente, “Inkyra”, uma obra que transita entre o jazz e a fusão, Rawicz surge em plena ascensão, uma artista com uma visão grandiosa e uma voz que eleva o espírito e toca a alma. A faixa de abertura, “Earthrise”, acalma como um convite para ouvir. É uma meditação de um minuto que se transforma em "Particles Of Change", uma canção vibrante e empolgante, lindamente arranjada para seu sexteto, que inclui Gareth Lockrane nas flautas, David Preston na guitarra, Scottie Thompson nos teclados, Kevin Glasgo no baixo elétrico e Jamie Murray na bateria. Porém, quando Rawicz faz um solo no saxofone tenor, a música atinge patamares estratosféricos. Ela demonstra sua incrível habilidade ao construir uma improvisação arrebatadora que, ao final, me fez exclamar: "Ufa!".

Faixas

1.Earthrise 01:22

2.Particles of Change 07:34

3.Time and Other Thieves 04:33

4.A Portrait of Today 06:25

5.Lunar 00:56

6.Moondrawn (Dreaming) 04:18

7.Anima Rising 06:39

8.All My Yellow Afternoons 05:22

9.Marshmallow Tree 03:53

10.A Long Goodbye 01:00

 Músicos: Emma Rawicz (saxofones tenor & soprano); Gareth Lockrane (flauta, flauta baixo, piccolo); David Preston (guitarra); Scottie Thompson (Rhodes, piano, Prophet); Kevin Glasgow (baixo elétrico); Jamie Murray (bateria).

 Fonte: Frank Alkyer (DownBeat)