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sábado, 28 de março de 2026

JOEL FUTTERMAN- INNERVOICE (NoBusiness Records)

O pianista veterano Joel Futterman talvez seja mais conhecido por sua longa parceria com o saxofonista Kidd Jordan e o baterista Alvin Fielder, mas ele também é um prolífico artista solo. “Innervoice”, gravado em julho de 2024, é uma adição valiosa a uma coleção que também inclui joias como a monumental caixa de cinco CDs “Creation Series (NoBusiness, 2021)”, entre muitas outras. Como grande parte da obra de Futterman, esta nasceu inteiramente no momento, sem edições posteriores. Isso sugere uma concentração estupenda, produto de anos de experiência cristalizados em três peças num programa de estúdio de 62 minutos.

Embora Futterman permaneça um modernista assumido, cujo modo padrão é uma onda atonal ondulante, ele ocasionalmente se desvia para caminhos mais trilhados, recorrendo à vontade à amplitude e profundidade da história do jazz. Um riff (NT: é uma frase musical curta, cativante e repetida, geralmente instrumental, que forma a base harmônica ou melódica de uma música) propulsivo, com direito a uma mão direita blueseira, surge logo no início da "Parte I", evocando McCoy Tyner em plena forma, enquanto, mais adiante na mesma peça, frases concisas e articuladas, que lembram os blocos de construção tão apreciados por Cecil Taylor, se misturam a melodias que poderiam ter saído do Grande Repertório Estadunidense. Proporciona uma jornada emocionante, mas fascinante.

Embora não sigam um roteiro, os textos de Futterman conferem uma satisfatória sensação de forma às suas obras, satisfatória porque a imaginação humana está irremediavelmente programada para buscar ordem. Notavelmente, cada uma das três partes se constrói a partir do mesmo breve motivo ressonante — parte pergunta, parte súplica — que o pianista também retoma perto do final de cada uma.

No entanto, a partir desse começo simples, ele encontra inspiração abundante para levar cada uma em direções diferentes, temperando a agitação implacável da "Parte II" com toques triunfantes e interlúdios reflexivos, enquanto se mostra predominantemente terno na breve e conclusiva "Parte III". A estrutura improvisada também se manifesta no cerne de cada peça, à medida que Futterman retorna intermitentemente a elementos como o riff em "Parte I" para conferir profundidade e peso. De forma geral, o efeito é inebriante.

Futterman cria uma tapeçaria que se desdobra, ricamente tecida e suntuosamente colorida.

Faixas: Innervoice Part I; Innervoice Part II; Innervoice Part III.

Fonte: John Sharpe (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 28/03

Arve Henriksen (1968) – trompetista,

Hermínio Bello de Carvalho(1935) – compositor,produtor,

Jeremy Manasia (1971) – pianista,

Jen Shyu (1978) – vocalista,

Jeremy Manasia (1971) – pianista,

Ledisi (1972) – vocalista,

Meredith D'Ambrosio (1941) - pianista,vocalista,

Orrin Evans (1975) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Se7thCGNtyQ,

Paul Whiteman (1890-1967) - violino,líder de orquestra,

Richard Sussman (1946) – pianista,

Sonny Bradshaw(1926-2009) – trompetista,líder de orquestra,

Tete Montoliu (1933-1997) - pianista,

Thad Jones (1923-1986) - trompetista,cornetista 

 

sexta-feira, 27 de março de 2026

ARTHUR BLYTHE QUARTET – LIVE FROM STUDIO RIVBEA, JULY 6, 1976 (NoBusiness Records)

O saxofonista Arthur Blythe chegou em Nova York em 1974 com um tom lindo e uma concepção totalmente formada. Tendo participado dos grupos do pianista Horace Tapscott em sua cidade natal, Los Angeles, ele chamou a atenção pela primeira vez na Big Apple após seu recrutamento para as bandas do baterista Chico Hamilton e do pianista/compositor Gil Evans. Esta joia do arquivo do Studio Rivbea de Sam Rivers constitui sua estreia como líder, gravada cerca de sete meses antes do anterior candidato a esse título, “The Grip (India Navigation, 1977)”.

Mais tarde, ele assinou com a CBS (agora Sony) e lançou uma série de álbuns notáveis ​​por seus ritmos intensos, liderança contagiante e afinidade pela tradição, neste trabalho Blythe aproveita ao máximo a oportunidade que a cena em sótãos ofereceu para desenvolver música sem as restrições da necessidade de ajudar os donos de clubes e bares a vender bebidas. À frente de um quarteto aventureiro composto pelos colaboradores regulares Steve Reid na bateria e Muhammad Abdullah nas congas, junto com baixista Juini Booth, ele aborda três números que permaneceram os pilares de seu repertório por muitos anos, junto com um medley de melodias não identificadas.

Blythe assume a abertura, "Spirits In The Field", sem acompanhamento. Seu vibrato amplo e característico e seu grito de blues estão em plena exibição, enquanto ele alterna entre melodia santificada, harmônicos estridentes e lamentos penetrantes, intermitentemente separados por passagens sinuosas e imprevisíveis. Ele continua sozinho no medley antes de Booth dobrar sua linha. Recém-saído de uma temporada na banda McCoy Tyner que lançou “Enlightenment (Milestone, 1973)” e “Atlantis (Milestone, 1975)”, o baixista empresta às passagens um salto infatigável. No entanto, ele também se mostra destemido ao seguir Blythe para fora dos caminhos tradicionais, contribuindo com um contraponto oblíquo que amplifica a dimensão experimental.

Como Ed Hazell observa nas perspicazes notas para o álbum, Blythe trata o material aqui como ritmicamente e tonalmente mutável, auxiliado pela facilidade de Reid e Abdullah em entrar e sair de um compasso que por si só é variável. A longa "Miss Nancy" também serve como veículo para pausas prolongadas por todos. As digressões tartamudeadas de Reid sugerem efeitos de eco de dublagem às vezes, enquanto Abdullah acrescenta uma pulsação sem adornos. Ele se destaca, especialmente na procissão final do "Lower Nile", onde, à parte o pandeiro de Reid, suas congas são o único acompanhamento do contralto encantatório do líder.

Blythe, que ele faleceu em 2017, nunca mais soou tão desimpedido e livre como aqui, capturado em um tempo de fluxo antes de tudo se tornar codificado.

Faixas: Spirits In The Field; Medley Of Unidentified Tunes; Miss Nancy; Lower Nile.

Músicos: Arthur Blythe (saxofone alto); Steve Reid (bateria); Muhammad Abdullah (congas); Juini Booth (baixo).

Fonte: John Sharpe (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 27/03

Bill Barron (1927-1989) – saxofonista,

Ben Webster (1909-1973) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=rQVVLAO-9LU,

Carlinhos Vergueiro (1952) – violonista,compositor,

Harold Ashby (1925-2003) – saxofonista,

Johnny Copeland (1937-1997) – guitarrista,vocalista,

Junior Parker (1932-1971) – vocalista, gaitista,

Paulo Vinaccia (1954) – baterista,

Pee Wee Russell (1906-1969) - clarinetista,

Peter Anderson (1987) saxofonista,

Renato Russo (1960-1996) - vocalista,

Sarah Vaughan (1924-1990) - vocalista,

Stacey Kent (1968) – vocalista,

Victor Bailey (1960-2016) – baixo,

Will Anderson (1987) - saxofonista 
 

quinta-feira, 26 de março de 2026

STEVE JOHNS – MYTHOLOGY (Steeplechase Productions)

Ao longo dos últimos vinte anos, o baterista Steve Johns se apresentou dezenas de vezes em diversos locais e formações no norte de Nova Jersey e na região do Vale do Hudson, em Nova York. Para citar apenas alguns exemplos, Johns tocou com o trio do guitarrista Bob DeVos no Trumpets Jazz Club, participou de sessões lideradas pelo baixista Mark Hagan no Old 76 House e fez parte de uma série de apresentações com curadoria do saxofonista tenor John Richmond no The Turning Point Café— todos esses locais pequenos e intimistas — permitiam que os ouvintes vissem e ouvissem cada nota, sem a mediação da tecnologia de gravação e a presença de produtores e gravadoras. Estas noites são essenciais para descobrir as qualidades individualistas de um músico, que atua dentro de práticas reconhecíveis do jazz moderno.

A bateria de Johns engloba diversas virtudes que, juntas, formam um todo substancial. Embora seja um músico assertivo, a dinâmica é fundamental em sua abordagem ao instrumento e à música. É sempre possível ouvir o baixista em meio às baquetas e escovas de Johns; os conjuntos e solistas nunca são ofuscados pelo impacto de seus acentos e preenchimentos concisos e estrategicamente colocados. A compatibilidade entre a técnica de baquetas e a afinação meticulosa da bateria faz com que cada tambor soe com clareza e musicalidade. Sob a batuta de Johns, o ritmo da música nunca se torna incerto ou confuso, em parte devido à sua capacidade de ouvir e criar laços com os baixistas. Em particular, a agilidade, a profundidade e a autoridade do balanço gerado por ele e pelo baixista Bill Moring inspiraram muitos solistas e são um prazer de se ver.

Para aqueles que não têm a oportunidade de ver Johns em uma apresentação ao vivo, “Mythology” é uma ótima introdução aos seus consideráveis ​​talentos como compositor, líder de banda e baterista. Ele compôs cinco das 11 faixas do disco e inclui músicas de seus músicos acompanhantes, o guitarrista John Hart, o pianista Greg Murphy e o baixista Joris Teepe. O repertório varia do jazz tradicional e vibrante à improvisação livre coletiva, incluindo algumas canções de autoria externa à banda, com os vocais de Monte Croft, que toca vibrafone e, em uma das faixas, gaita. Independentemente do andamento, da fórmula de compasso ou do tipo de balanço, Johns e Teepe estabelecem uma base que soa segura, mas não inflexível ou rígida.

As melodias de quase todas as músicas são cativantes, bem elaboradas e marcantes. Por exemplo, "Sapphire", de Johns, e "In My Humble Opinion", de Teepe, incluem temas de valsa agradáveis. Algumas exceções ao material estritamente direto incluem a intrincada "Our Time" de Teepe, uma vitrine emocionante e instigante para as escovas e baquetas do líder, e o tratamento multidimensional de Rich Shemaria para a canção de protesto de Eugene McDaniels da década de 1960, "Compared To What". O disco contém uma abundância de improvisações articuladas e emocionalmente convincentes de todos os músicos, mas é a antítese de uma sessão de improvisação. A química entre Hart, Croft e Murphy nos temas principais — ouça "In My Humble Opinion" — e, frequentemente, durante os solos, adiciona uma camada de complexidade sem se tornar rebuscada ou acadêmica demais.

Embora os solos e improvisações de Johns não sejam o foco principal de “Mythology”, é um prazer ouvi-lo se expressar de maneiras nem sempre presentes em apresentações ao vivo. Por quase dois minutos no meio de "Our Time", ele demonstra disciplina e inventividade ao responder e interagir com temas percussivos breves e dispersos, reconfigurados a partir da composição de Teepe. Em seguida, ele continua mergulhando profundamente em um riff (NT: é uma frase musical curta, cativante e repetida, que forma a base melódica ou harmônica de uma composição, sendo essencial na definição da identidade da música) com pinceladas de velocidade e densidade variáveis. Longas erupções de múltiplas pinceladas, executadas com inteligência, que soam como se brotassem de um riff, justapostas a frases concisas, estão totalmente em sintonia com "Compared To What", uma canção que contém exortações contra a guerra e em defesa dos direitos reprodutivos. E Johns tem a última palavra na faixa-título, começando um solo com ritmos funkeados bruscos sobre o baixo de Teepe, tornando-se gradualmente mais efusivo e complexo enquanto o resto da banda, um a um, entra com discernimento. É uma maneira apropriada de concluir um excelente disco.

Faixas: Coming Of Age; Sapphire; This Is The Thing; Make Me Rainbows; Our Time; Bluesday The 13th; Compared To What; In My Humble Opinion; Friday The 16th; River's Edge; Mythology.

Músicos: Steve Johns (bateria); Monte Croft (vibrafone); John Hart (guitarra); Greg Murphy (piano); Joris Teepe (baixo acústico).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=ylgqPz67UlA

Fonte: David A. Orthmann (AllAboutJazz) 

 

ANIVERSARIANTES - 26/03

Albert Maksimov (1963) – gaitista,

Andy Hamilton (1918) - saxofonista,

Brew Moore (1924-1973) - saxofonista,

Daniel Lantz (1976) – pianista,

Flip Phillips (1915-2001) - saxofonista,

Gary Bruno (1962) – guitarrista,

Hugh Ferguson (1958) - guitarrista,

James Moody (1925-2010) – saxofonista, flautista,

Lew Tabackin (1940)- saxofonista,flautista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=ug3bXRCV6FE ,

Michael Feinberg (1987) – baixista,

Paulo Paulelli (1974)- baixista,

Simon Oslender (1998) – tecladista,

Susan Wylde (1973) - pianista 

 

quarta-feira, 25 de março de 2026

ANIVERSARIANTES - 25/03

Aretha Franklin (1942-2018) – vocalista,

Bobby Militello (1950) - saxofonista,flautista,

Cecil Taylor (1929-2018)  - pianista,

Lonnie Hillyer (1940-1985) – trompetista,

Makoto Ozone (1961) - pianista,

Mimi Jones (1972) – baixista,

Paul Motian (1931-2011) – baterista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=IyL2_U04fuc,

Pete Johnson (1904-1967) - pianista,

Roberto Occhipinti (1955) – baixista,

Sweet Emma Barrett (1897-1983) - pianista,

Trent Austin (1975) - trompetista