playlist Music

domingo, 15 de dezembro de 2019

EDWARD SIMON – SORROW & TRIUMPHS (Sunnyside Records)


Seguindo as pegadas do criticamente epônimo aclamado à gravação de estreia (Red Records) e subsequente lançamento “Oceanos (Criss Cross Records) ”, em 2007, Edward Simon tem agora uma vez mais unido o seu quarteto Afinada, apresentando Brian Blade na bateria, David Binney no sax e o baixista Scott Colley. Com a adição do quinteto de câmara, Imani Winds, e a presença notável das convidadas Gretchen Parlato no vocal e do guitarrista Adam Rogers, “Sorrows & Triumphs” apresenta um dos mais intricados trabalhos de Simon. Não só faz o pianista venezuelano demonstra seus vastos talentos como um compositor e instrumentista, mas ele coloca suas competências como um arranjador em completa exposição.

Uma densa instrumentação e arranjo da abertura de "Incessant Desires" é exposta a partir do início. Após uma curta introdução faz rápidos movimentos da melodia principal no vocal e metais em uníssono, a banda intensifica a paisagem sonora sonhadora por incessante adição de camadas harmônicas em modo orquestral. Em todo tempo, os temas da melodia são suavemente dados através dos instrumentos. O volume da banda declina por um sutil solo de guitarra, dando ao quarteto alguma intimidade e espaço para a improvisação. Lentamente, mas certamente o apoio para os trabalhos do quinteto e caminha de trás para frente e cresce de forma mais selvagem em sincronia com envolvente liderança de Binney.

Nem todas as composições na gravação estão embaladas no arranjo de abertura. O humor geral ilumina em contraste à abertura em "Uninvited Thoughts", provando este ponto exatamente. Como oposto à sua predecessora, esta canção é composta em torno de sentimento rítmico dançante e encontra escolas orientais dominando as principais melodias. As flautas assumem a melodia no começo, mas logo se retira, uma vez mais dando ao núcleo da seção rítmica mais campo para a espontaneidade. Aqui e lá, eles reaparecem para curtos lampejos ornamentais, preenchendo os detalhes da pintura já colorida. Apenas ao final o humor intensifica. Os percussionistas Rogerio Boccato e Luisito Quintero são mais proeminentes neste ponto e impulsiona à banda inteira ao seu máximo.

As coisas se tranquilizam em "Equanimity", onde uma atmosfera mais firme e meditativa está estabelecida, a maioria devido ao suavizante vocal de Parlato. Todos se desviam de um mecanismo mais reduzido e pacientemente espera pela passagem dele ou dela, verdadeiramente ouvindo um ao outro. A paisagem sonora geral desta gravação é sentida como uma parábola de uma paisagem bonita e frágil.

"Triangle" segue o mesmo caminho de ritmo concentrado como em "Uninvited Thoughts". Harmonicamente permanece mais unidimensional e encontra os músicos concentrando ou estabelecendo um certo balanço durante inteiros 10 minutos. O ouvinte ainda não compreende completamente se confrontado com uma 10/4 ou, quando Parlato segue o instrumental com um mistificador ainda que suave, "canto".

Enquanto a gravação progride no cumprimento da maioria dos objetivos, sua ambição é mais recompensada quando o arranjo é mais firme e mais minimalista.  "Triumphs" é a perfeita composição, que unifica todos os elementos na mais coerente forma. As menores complexidades orquestrais são perfeitamente misturadas e expande-se através do âmago do grupo, enquanto Parlato vocalmente enlaça o instrumental para formar uma canção. O emparelhamento orgânico de ritmo dançante com as mais avançadas progressões melódicas é coroado pelos comandos dos sintetizadores, por um momento explorando esferas mais experimentais, enquanto permanecendo altamente acessível e avançado.   

"Rebirth" encerra a gravação em nota muita ajustada e positiva, as semânticas dos títulos sendo autoexplanatório, enquanto simultaneamente revela mais de Simon, tão bem quanto os estudos e exercícios de Parlato no Budismo, que fortemente influenciaram a criação de “Sorrows and Triumphs”.

O álbum é certamente vigoroso ao longo do trabalho, porém mais forte e mais cativante, quando levemente restrito para arranjos mais amplos. Em “Sorrows & Triumphs” , Edward Simon encontrou um caminho para realizar arranjos harmônicos complexos e composições facilmente digeríveis, assim que alguém é capaz de saborear a longa viagem em uma hora como uma boa garrafa de vinho — o sabor permanece agradável e na memória por longo tempo.

Faixas: Incessant Desires; Uninvited Thoughts; Equanimity; Triangle; Chant; Venezuela Unida; Triumphs; Rebirth.

Músicos: Edward Simon: piano, teclados; David Binney: saxofone alto; Scott Colley: baixo; Brian Blade: bateria; Gretchen Parlato: vocal; Adam Rogers: guitarras; Rogerio Boccato: percussão (faixas 3, 7); Luis Quintero: percussão (faixas 2, 4, 6); Imani WInds-Valerie Coleman: flauta; Toyin Spellman-Diaz: oboé; Monica Ellis: fagote; Mark Dover: clarinete; Jeff Scott: French Horn.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:


Fonte: Friedrich Kunzmann (AllAboutJazz)


ANIVERSARIANTES - 15/12


Barry Harris (1929) - pianista,
Curtis Fuller (1934) – trombonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=5DTk6wjNQOw,
Dannie Richmond (1935-1988) - baterista,
Don Laka (1958) – pianista,
Eddie Palmieri (1936) – pianista, líder de orquestra,
Gene Quill (1927-1989) - saxofonista,
John Hammond (1910-1987) - produtor,
Josh Myers (1983) - baixista,
Kris Tiner (1977) - trompetista,
Nils Landgren (1956) – trombonista,vocalista,
Stan Kenton (1911-1979) – pianista, líder de orquestra,
Tom Cawley ( 1975) - pianista,
Toshinori Kondo (1948) - trompetista

sábado, 14 de dezembro de 2019

NiICK MILLEVOI´S DESERTION TRIO - MIDTOWN TILT (Shhpuma/Clean Feed)


Muito das composições com as quais o guitarrista Nick Millevoi esteve brincando com o passar de vários anos, sentem-se como em uma exposição. Com seu “Desertion Trio”, Millevoi agita-se sobre entonações pulverizadas reminiscentes de uma trilha sonora de Spaghetti Western, como se Ennio Morricone escolhesse destacar uma apreciação por um jazz bem concebido e desenhasse jams de rock psicodélico. “Midtown Tilt”, o segundo trabalho do líder com seu grupo de tema de deserto, continua a beneficiar-se do zumbido do órgão de Jamie Saft, que adiciona uma oportunidade de soul aos procedimentos. No trabalho de Millevoi de 2016, “Desertion (Shhpuma/Clean Feed) ”, o guitarrista ainda pareceu estar agarrando com a premissa de uma nova constituição da banda. Aqui, ela se move através da realização.

Para um ouvinte lançado no meio destas sete composições, seria difícil captar as diferenças entre as faixas; estas músicas não são para se assobiar. Porém, Millevoi trabalhou para encontar um trabalho altamente específico para suas destruições. E “Midtown Tilt” oferece tempo—e espaço—para ele e Saft serem livres. “The Mynabird” aventura-se no território do jazz-rock, embora “It’s A Hard World For Little Things” contraponha esta estética com figuras melódicas, relativamente, mais fáceis e uma melodia, decididamente, fácil e um doloroso batimento. “Numbers Maker”, que inicia com Saft e o baterista Kevin Shea fazendo piruetas em torno deles, momentaneamente interrompe as similaridades rítmicas dentro do programa. Também favorece o estabelecimento da capacidade composicional de Millevoi, conforme ele expõe na música aquilo que deveria vir de qualquer tempo durante o passado 40 anos.

Millevoi e sua tropa estão ainda em ascensão. Qualquer coisa que surja a seguir, provavelmente, construirá o êxito do altamente satisfatório “Midtown Tilt”.

Faixas

1 Midtown Tilt 7:48                       
2 It's a Hard World for Little Things 3:49
3 Numbers Maker 6:12                
4 Jai Alai Noon 7:13                       
5 The Myna Bird 5:02
6 The Carideon 5:57
7 Fascination Fadeaway 5:49     

Músicos: Nick Millevoi (guitarra); Johnny DeBlase (baixo): Kevin Shea (bateria)

Fonte: Dave Cantor (DownBeat)

ANIVERSARIANTES - 14/12


Andrew Oliver (1983) - pianista,
Budd Johnson (1910-1984) - saxofonista,
Cecil Payne (1922-2007) - saxofonista,
Clark Terry (1920-2015) – trompetista,flugelhornista (na foto e vídeo) http://www.dailymotion.com/video/x1j2p_clark-terry-satin-doll_music,
Dan Barrett (1955) – trombonista,
John Lurie (1952) - saxofonista,
Leo Wright (1933-1991) – flautista,clarinetista,saxofonista,
Phineas Newborn, Jr. (1931-1989) - pianista

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O ANO EM REVISTA – OS 50 MELHORES ÁLBUNS DE 2019


Críticos da JazzTimes escolheram os melhores 40 novos álbuns e os 10 melhores álbuns históricos de 2019

1. Branford Marsalis Quartet - The Secret Between the Shadow and the Soul (OKeh)(Na foto - da esquerda para a direita: Marsalis, Justin Faulkner, Eric Revis e Joey Calderazzo)
2. Dave Holland/Zakir Hussain/Chris Potter - Good Hope (Edition)
3. Chick Corea/Christian McBride/Brian Blade - Trilogy 2 (Concord)
4. Camila Meza & the Nectar Orchestra Ámbar (Sony Masterworks) [Resenha publicada neste blog em 05/10/2019]
5. Kris Davis - Diatom Ribbons (Pyroclastic)
6. Tom Harrell - Infinity (HighNote) [Resenha publicada neste blog em 09/08/2019]
7. Joel Ross - KingMaker (Blue Note)
8. Christian Scott aTunde Adjuah - Ancestral Recall (Ropeadope)
9. Johnathan Blake - Trion (Giant Step Arts)
10. Linda May Han Oh - Aventurine (Biophilia)
11. Tomeka Reid Quartet - Old New (Cuneiform)
12. Dave Douglas/Uri Caine/Andrew Cyrille - Devotion (Greenleaf)
13. Fabian Almazan Trio - This Land Abounds With Life (Biophilia)
14. Jaimie Branch Fly or Die II - Bird Dogs of Paradise (International Anthem)
15. Bill Frisell/Thomas Morgan - Epistrophy (ECM)
16. Miguel Zenón - Sonero : The Music of Ismael Rivera (Miel)
17. Ralph Alessi - Imaginary Friends (ECM) [Resenha publicada neste blog em 06/09/2019]
18. Brad Mehldau - Finding Gabriel (Nonesuch) [Resenha publicada neste blog em 15/11/2019]
19. Anat Cohen Tentet - Triple Helix (Anzic)
20. Art Ensemble of Chicago - We Are on the Edge (Pi)
21. Joey DeFrancesco - In the Key of the Universe (Mack Avenue)
22. Melissa Aldana - Visions (Motéma)
23. Kendrick Scott Oracle - A Wall Becomes A Bridge (Blue Note)
24. Matt Mitchell Phalanx - Ambassadors (Pi)
25. Frank Kimbrough Monk’s Dreams - The Complete Compositions of Thelonious Sphere Monk (Sunnyside)
26. Ryan Keberle & Catharsis - The Hope I Hold (Greenleaf)
27. Tyshawn Sorey/Marilyn Crispell - The Adornment of Time (Pi)
28. Joe Lovano Trio - Tapestry (ECM) [Resenha publicada neste blog em 24/06/2019]
29. Terri Lyne Carrington and Social Science - Waiting Game (Motéma)
30. Steve Lehman Trio + Craig Taborn - The People I Love (Pi)
31. James Carter Organ Trio - Live from Newport Jazz (Blue Note)
32. JD Allen - Barracoon (Savant)
33. Miho Hazama - Dancer in Nowhere (Sunnyside) [Resenha publicada neste blog em 28/03/2019]
34. Quiana Lynell - A Little Love (Concord Jazz)
35. Enrico Rava/Joe Lovano - Roma (ECM) [Resenha publicada neste blog em 01/11/2019]
36. Fred Hersch & WDR Big Band - Begin Again (Palmetto) [Resenha publicada neste blog em 26/05/2019]
37. Allison Miller’s Boom Tic Boom - Glitter Wolf (Royal Potato Family) [Resenha publicada neste blog em 12/09/2019]
38. Keith Jarrett - Munich 2016 (ECM)
39. Tierney Sutton Band - ScreenPlay (BFM)
40. David Torn/Tim Berne/Ches Smith - Sun of Goldfinger (ECM) [Resenha publicada neste blog em 27/07/2019]

DISCOS HISTÓRICOS

1. John Coltrane - Blue World (Impulse!)
2. Eric Dolphy Musical Prophet - The Expanded 1963 New York Studio Sessions (Resonance)
3. Betty Carter - The Music Never Stops (Blue Engine)
4. Nat King Cole - Hittin’ the Ramp: The Early Years (1936-1943) (Resonance)
5. Cannonball Adderley - Swingin’ in Seattle: Live at the Penthouse 1966-67 (Reel to Real)
6. John Coltrane-  Coltrane ’58: Prestige Recordings (Craft)
7. Wes Montgomery - Back on Indiana Avenue: The Carroll DeCamp Recordings (Resonance)
8. Michel Petrucciani Trio - One Night in Karlsruhe (SWR Jazzhaus)
9. Art Pepper - Promise Kept: The Complete Artist House Recordings (Omnivore)
10. Kenny Barron & Mulgrew Miller - The Art of Piano Duo – Live (Groovin’ High/Sunnyside)


ROSEANNA VITRO – TELL ME THE TRUTH (Skyline Records)


Em seu 14º álbum, a cantora Roseanna Vitro, agora aos 67 anos, viaja às suas raízes sulistas: o blues, country, soul, gospel, jazz e o rock, que modelou sua educação em Hot Springs, Arkansas. Porém, “Tell Me the Truth” está mais longe que uma viagem pela linha de memória, conforme Vitro alavanca estas 11 faixas heterogêneas para definir suas crenças sobre a América, passado e presente. Em toda a parte, Vitro é suportada por sua banda batizada como Southern Roots Band (NT: Banda Raízes Sulistas, em tradução livre), apresentando antigos colaboradores como Mark Soskin (teclados) e Dean Johnson (baixo), mais o baterista Rudy Royston, o guitarrista Mitch Stein, o saxofonista Tim Ries e o trompetista Nathan Eklund.

Para iniciar, Vitro e companhia mergulha até os joelhos no blues em “On Your Way Down”, na poderosa incriminação do orgulho e intolerância de Allen Toussaint. Eles exploram o sofrimento (“Walkin’ After Midnight” e a romântica “When Will I Be Loved”), liberdade pessoal (“Fortunate Son” de John Fogerty) e empoderamento individual (“I’ll Be Long Gone” de Boz Scaggs e “Respect Yourself” dos Staple Singers, apresentando o vocalista Al Chestnut). Abordando um clima sócio-político corrente, há uma busca de se evitar a verdade em “Foolin’ Myself” de Andy Razaf e Fats Waller, a brilhantemente picante “Your Mind Is on Vacation” de Mose Allison e a faixa título de Jon Hendricks, suplicando por escapar do “afogamento em um mar de jargões do jazz”. Ao final, há renovação com “A Healing Song” do blueseiro Eli Yamin, e esperança: o clássico gospel “I’ll Fly Away” em seu edificante credo, belamente incrementado pela violinista Sara Caswell e as vocalistas convidadas Kate McGarry e Cindy Scott.

Faixas: On Your Way Down; Walkin’ After Midnight; Respect Yourself; Your Mind is on Vacation; I’ll Be Long Gone; Foolin’ Myself’ Tell Me The Truth; When Will I Be Loved; Fortunate Son; A Heling Song; I’ll Fly Away.

Músicos: Roseanna Vitro: vocal, arranjo; Mark Soskin: piano, arranjos para o grupo e instrumentos de sopro; Dean Johnson: baixo; Rudy Royston: bateria; Mitch Stein: guitarras; Tim Ries: saxofone; Nathan Eklund: trompete; Al Chestnut: vocal (3); Sara Caswell: violino (10); Kate McGarry: vocal (10); Cindy Scott: vocal (10).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:


Fonte: CHRISTOPHER LOUDON (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 13/12


Anna Maria Jopek (1970) - vocalista,
Ben Tucker  (1930) - baixista,
Doug Millaway (1951) - tecladista,
Edu da Gaita(1916-1982) – gaitista,
Jackie Davis (1920) - organista,
Luiz Gonzaga (1912-1989) – acordeonista,vocalista,compositor (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=mtqmDejqTho ,
Mark Elf (1949) – guitarrista,
Reggie Johnson (1940) - baixista,
Sam Bevan (1974) - baixista,
Sonny Greer (1895-1982) - baterista