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domingo, 19 de setembro de 2021

DAVE STRYKER WITH BOB MINTZER & THE WDR BIG BAND – BLUE SOUL (Strikezone Records)

A alemã WDR Big Band tem recepcionado uma grande variedade de músicos tais como Fred Hersch, Michel Camilo, Ambrose Akinmusire e Jimmy Heath como solistas convidados ao longo dos anos. Nesta ocasião, eles providenciaram um revigorante cenário para a guitarra flexível e comovente de Dave Stryker.

O repertório deste CD encontra Stryker e a banda enfrentando uma combinação dos sucessos clássicos do pop e soul e composições inéditas do guitarrista, todas arranjadas e conduzidas pelo saxofonista Bob Mintzer. A fácil destreza de Stryker, exibindo a influência de George Benson e Wes Montgomery, soa particularmente bem, saltando momentos suaves dos instrumentos de sopro de "Trouble Man" de Marvin Gaye e "What's Going On", enquanto, por baixo, ferve lentamente o órgão de Billy Test. No clássico "Wichita Lineman" de Jimmy Webb as passagens do guitarrista são mais espessas, com entonação com sabor country conforme ele viaja em um ritmo levemente valseado, preenchido com cores aquecidas dos metais. Os arranjos de Mintzer para estas músicas permanecem próximas dos originais, mas ele muda um pouco as coisas com "When Doves Cry" de Prince, sendo a corrida da banda através da música em tempo rápido. À frente deles, Stryker corre sobre a melodia antes de tomar um solo em redemoinho com Test, outra vez, providenciando o suporte para o órgão intimista.

As próprias composições de Stryker são peças de jazz úteis, dando cor e profundidade aos arranjos de Minzter. "Came To Believe" carrega um belo bocado e tensão na combinação do brilho de Minzter, cortante arranjo do instrumento de sopro e escavando de forma emaranhada a habilidade de Stryker. "Shadowboxing" apresenta uma conversação vigorosa entre as seções de palhetas e dos metais, enquanto "Blues Strut" é uma alegre passagem com o passeio da guitarra proximamente no topo dos disparos blueseiros da banda. Emparelha adequadamente com "Stan's Shuffle" de Stanley Turrentine, uma versão mais emotiva de um balanço dançante de um ritmo suingante firme estabelecido pelo baixista John Goldsby e pelo baterista Hans Dekker.

Stryker é o solista destacado neste álbum, mas diversos membros regulares da orquestra têm momentos fortes também. Andy Hunter tem uma adorável virada no trombone em "Wichita Lineman", o saxofone alto de Karolina Strassmayer flui com alma em "What's Going On" e Johan Horlen toca seu alto com bela sinuosidade em "Came To Believe" e "When Doves Cry". O maestro Mintzer contribui com algumas das mais duríssimas batidas nas músicas em si com seu sanguíneo tenor em "Aha", "Blues Strut" e "Stan's Shuffle".

Dave Stryker e a WDR Big Band constitui um fino time, combinando uma sessão estimulante e agradável com a liderança da guitarra em uma big band de jazz tocando com estilo e prazer.

Faixas: Trouble Man; Aha; What’s Going On; Came to Believe; Blues Strut; When Doves Cry; WichitaLineman; Shadowboxing; Stan’s Shuffle.

Músicos: Dave Stryker: guitarra; Bob Mintzer: saxofone; Wim Both: trompete; Rob Broynen: trompete; Andy Haderer: trompete; Ruud Breuls: trompete; Johan Horlen: saxofone alto; Karolina Strassmayer: saxofone alto; Olivier Peters: saxofone tenor; Paul Heller: saxofone tenor; Jens Neufang: saxofone barítono; Ludwig Nuss: trombone; Raphael Klemm: trombone; Andy Hunter: trombone; Mattis Cederberg: trombone; Billy Test: piano; John Goldsby: baixo; Hans Dekker: bateria.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=b9Od-QOo650

Fonte: Jerome Wilson (AllAboutJazz)



 

ANIVERSARIANTES - 19/09

Candy Dulfer (1969) – saxofonista,

César Camargo Mariano (1943) – pianista(na  foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=hSLUtzYGokU,

Cuong Vu (1969) – trompetista,

Helen Ward (1916-1997) - vocalista,

Lol Coxhill (1932) - saxofonista,

Lovie Austin (1887-1972) - pianista,

Muhal Richard Abrams (1930-2017)- pianista,

Zeca Assumpção (1945) - baixista 

 

sábado, 18 de setembro de 2021

JOSH NELSON - LIVE AT BLUE WHALE, VOLUME 1 (Steel Bird)

 O encerramento do Blue Whale em Los Angeles trouxe o fim de uma era. Por aproximadamente 11 anos—do tempo em que Joon Lee abriu o palco em 2009 até o fim de 2020, quando ele anunciou que o estaria fechando—este espaço amado serviu como um ancoradouro para uma expressão criativa, nutrindo alguns dos melhores e mais brilhantes seções ao vivo da Costa Oeste ou apenas como passagem. Foi neste cenário, que Josh Nelson desenvolveu o Discovery Project—uma exploração multimídia do nexo entre música, arte, ciência, história e imaginação irrestrita—e em torno de 20 das 200 aparições do pianista (aproximadamente) no Blue Whale foram focados no abrangente trabalho. Este álbum, apresentando diversas peças selecionadas a partir de dois modernos shows do Discovery Project, oferece até nostalgia pela beleza encontrada e um refúgio perdido.  

Na abertura com a longa “Double Helix”, Nelson e companhia fazem cintilar os três cientistas que descobriram as duas vertentes na estrutura do DNA da molécula com o balanço em 3/2 como uma sequência de solistas em desfile. Os espíritos mais suaves prevalecem em “Our Electromagnetic Hearts”, uma beleza flutuante e destacando o terno solo do baixista Alex Boneham e a relação entre Nelson e o guitarrista Larry Koonse. A extensão do personagem espelha o tema em “Peter Sellers”, onde o clarinete de Brian Walsh apresenta uma melodia franca, que assaltou a(s) aparição(ões) de uma frase musical repetida caprichosamente para piano e guitarra. E maravilhas cósmicas são trazidas à tona em “’Oumuamua”, uma odisseia intoxicada referenciando e encorpando o primeiro objeto interestelar detectada em seu sistema solar. O encerramento do álbum — “Bluewhale Dives Deep”— alterna as coisas partindo do cenário escolhido na ordem para homenageá-lo. Uma faixa melancólica do trio, gravada em estúdio, é a perfeita coda para este tributo amoroso.

Faixas: Double Helix; Our Electromagnetic Hearts; Peter Sellers; Oumuamua; Bluewhale Dives Deep.

Músicos: Josh Nelson: piano; Miguel Atwood-Ferguson: violino; Jeff Parker: guitarra; Artyom Manukyan: cello; Larry Koonse: guitarra; Daniel Rotem: saxofone tenor; Chris Lawrence: trompete; Alex Boneham: baixo acústico; Dan Schnelle: bateria; Brian Walsh: clarinete.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=cVb9qOWzC1E

Fonte: DAN BILAWSKY (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 18/09

Cris Delanno (1969) – vocalista,

Emily Remler (1957-1990)- guitarrista,

John Fedchock (1957) - trombonista,

Jovino Santos Neto (1954) – pianista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=pM8b_OC0164,

Michael Franks (1944) - vocalista,

Nils Petter Molvaer (1960) – trompetista,

Pete Zimmer (1977) - baterista,

Steve Marcus (1939-2005) - saxofonista,

Teddi King (1929-1977) – vocalista

 

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

JOHN PATITUCCI / VINNIE COLAIUTA / BILL CUNLIFFE - TRIO (Le Coq)

Trios padrões, mesmo aqueles que apresentam instrumentistas reverenciados, não são exatamente raros. Porém, poucos oferecem um grau de criatividade, intuição e interação demonstradas pelo pianista Bill Cunliffe, pelo baixista John Patitucci e pelo baterista Vinnie Colaiuta em seu lançamento de estreia. Aqui ele suínga, lá canta e em toda parte “Trio” exibe uma espécie de magia que estoura, quando os genuínos instrumentistas de alto nível se reúnem no tempo certo para uma travessura improvisada dentro do material correto.     

Cunliffe, um artífice jazzista e vencedor de um Grammy como arranjador, que trabalhou com muita gente desde Frank Sinatra a Freddie Hubbard, tem previamente cruzado caminhos com Patitucci e Colaiuta em variados projetos. O baixista e o baterista têm servido memoravelmente como parte da seção rítmica da versão da Akoustic Band de Chick Corea.

Os três movimentam-se cuidadosamente no trabalho com uma tomada alegre em “Conception” de George Shearing, desencadeada pelos estímulos de Colaiuta em uma elegante introdução. Apresenta o primeiro passeio solo de Patitucci infundido na madeira e algum vai e vem entre o baterista e a banda. Então, se adentra a algo mais relaxado, uma tomada multicolorida da balada romântica “Laura”, a primeira das três músicas descontraídas, seguida por “Good Morning Heartache” (iniciada com uma desacompanhada passagem impressionista de Cunliffe) e “Just in Time”.

Há acenos aqui para empregadores anteriores e heróis musicais, iniciando com uma tomada impetuosa na taciturna “Ana Maria” de Wayne Shorter, continuando com a familiar e amistosa “The One Step”, de Corea, e uma acelerada e ligeiramente modificada ação rápida através de “Seven Steps to Heaven” de Miles reforçada por um extenso solo de Colaiuta. Eles trazem a brincalhona, blueseira e excêntrica “We See” de Monk. Como todas as coisas aqui, é uma proteção.

Faixas

1 Conception 5:25          

2 Laura 3:30      

3 Ana Maria 5:18             

4 The One Step 5:53       

5 7 Step To Heaven 4:45              

6 Good Morning Heartache 5:28              

7 My Shining Hour 5:27

8 We See 4:16  

9 Just In Time 8:19          

Fonte: PHILIP BOOTH (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 17/09

Christopher Dell (1965) – vibrafonista,

Craig Haynes (1965) - baterista,

Curtis Peagler (1929-1992) - saxofonista,

David Williams (1946) – baixista,

Earl May(1927-2008) - baixista,

Hubert Rostaing (1918-1990) – saxofonista,clarinetista,

Jack McDuff (1926-2001) - organista,

Jeff Ballard (1963) – baterista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=qFaixp0UD9E,

Louis Nelson (1902-1990) - trombonista,

Marina Lima (1955) – vocalista,

Perry Robinson (1938) – clarinetista,

Ralph Sharon (1923-2015) - pianista,

Sil Austin (1929-2001) - saxofonista 

 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

FALKNER EVANS - MARBLES (Consolidated Artists Productions)

“This from That” soa como um retrospecto de Wayne Shorter compondo para a Art Blakey’s Jazz Messengers no meado dos anos 60. Uma inicialmente complicada passagem na abertura se endireita no motivo melódico, que adiciona complexidade rítmica e harmônica, quando reintroduz, próximo ao final, um par de longos, brilhantes e dessemelhantes solos de instrumentos de sopro. O baterista está em todo o trabalho, despejando bombas fortes e batendo nos pratos. No minuto final, ele apareceu aquecido em fervilhar um refrão de cinco notas dos instrumentos de sopro até a explosão do clímax.

O compositor não é Wayne Shorter, mas o pianista é Falkner Evans. O baterista não é Blakey, mas Matt Wilson. Nos instrumentos de sopro estão Michael Blake no tenor, Ted Nash no alto e Ron Horton no trompete, com o baixista Belden Bullock completando a principal formação. “This from That” é um dos nove soberbos originais de Evans que fazem “Marbles” um dos mais consistentes e desfrutáveis álbuns postbop tradicionais deste ou qualquer ano. E um dos mais inesperados.

Evans não lançava um disco desde 2011 com uma gravação com seu quinteto, “The Point of the Moon”. Em nove anos desde então, ele trabalhou majoritariamente em formatos solo, duo e trio em clubes em torno da sua casa em Greenwich Village. Seu estilo literário e visão foram apontados através de uma orquestra e “com três instrumentos de sopro você pode fazer muito mais” ele disse nas notas publicitárias de “Marbles”.

Assim como ele foi um pianista relativamente obscuro—o terceiro sobrinho do autor William Faulkner que atuou durante quatro anos com a banda suingante do Oeste, Asleep at the Wheel, nos anos 80, antes de mudar para Nova York—escolhe a dedo seu hepteto ideal? (O vibrafonista Steve Nelson aparece em três números e adota um giro na apresentação dominante em “Hidden Gems”). Permanece em uma presença altamente respeitada nas mais desafiantes vizinhanças do jazz no mundo, é um dos “músicos dos músicos”.

Marbles conserva as virtudes de “The Point of the Moon”: composições hábeis e improvisação sinérgica. A atualização se estabelece em paleta expandida através da troca de Greg Tardy por Blake e a adição de Nash. Todos os três instrumentistas de sopro são muti-instrumentistas (observem o pungente cromatismo do soprano-flauta-trompete na sinuosa faixa de abertura, “Pina”), e o contraste entre a frequente entonação áspera do tenor de Blake e a preferência de Nash pelas passagens furtivas e mercuriais no alto é a tônica. Enquanto isso, o núcleo esplêndido da manutenção do tempo permanece. Wilson esteve tocando com Evans por décadas, e Bullock embarcou em 2007. Eles são a coluna de Marbles, Messengers postbop para uma era moderna.

Faixas: Pina; Civilization; Sing Alone; Global News; Hidden Gem; This From That; Mbegu; Marbles; Dear West Village; Things Ain't What They Used To Be.

Músicos: Falkner Evans: piano; Michael Blake: saxofones tenor e soprano; Ted Nash: saxofone, clarinete,flauta; Ron Horton: trompete, flugelhorn; Belden Bullock: baixo; Matt Wilson: bateria; Steve Nelson: vibrafone (5,8,10).

Fonte: BRITT ROBSON (JazzTimes)