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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

HENRY THREADGILL - POOF (Pi Recordings)

Henry Threadgill, triunfalmente, retornou para nos apresentar uma outra visão do seu mundo: um turbilhão, um trabalho expansivo de novas composições com seu grupo de mais longa duração, Zooid.

O último álbum que nós ouvimos do Zooid foi “In For A Penny, In For A Pound” de 2016, que venceu um prêmio Pulitzer, tão bem quanto a constante aclamação dos críticos.

O som do Zooid, 20 anos da existência dos músicos, veio a ser algo como uma legenda e enigma. Usa um sistema musical envolvente e complexo inventado por Threadgill, uma linguagem singular influenciada por seus conceitos, dando certos intervalos musicais para cada membro do grupo como uma plataforma de lançamento para improvisações e acompanhamentos (ou ao menos é o meu entendimento). O resultado é o desenvolvimento dos caminhos do Zooid através da temática material emocionante e melodias simultâneas, de uma certa forma, que é completamente singular para este grupo.

Estas melodias, polifônicas e pressagiadas pelos próprios instrumentistas, são centrais para a música do Zooid e estão em grande abundância em “Poof”. Os arranjos, aqui, são alguns dos mais nuançados trabalhos da longa carreira de Threadgill. Por volta da metade da duração do seu predecessor, estas peças parecem mais concisas, e todas melhores. As cores na música existem com mais definição: Os rosnados de Threadgill no sax blueseiro na faixa de abertura 'Come And Go' incendeia através da peça de vanguarda sem chamuscar aquilo que o resto da banda estabeleceu, enquanto o trombone de Jose Davila, em 'Beneath the Bottom' , faz declarações através de uma série de introspecções contra um esparso e hostil pano de fundo.

Uma das mais vitais partes da música do Zooid é sua natureza de mudança, em particular os papéis inconstantes. Embora, a percussão e a tuba possam ser encontradas encarceradas na intimidade, o balanço central é dominante no início da gravação, este balanço convidativo desaparece tão rápido quanto aparece, dando a cada instrumento (ou par de instrumentos) uma oportunidade para ser apresentado em voz no concerto ou no acompanhamento—e frequentemente ambos.

O sentimento sinfônico e organização do Zooid é continuada aqui, e está mais presente na faixa título, “Poof”, que significa um grande exemplo da evolução do som do Zooid. A banda usa o espaço nesta canção, de alguma maneira, para relembrar o uso intencional do silêncio revolucionado pela AACM. Contraste no timbre, entonação e intensidade da à peça uma densidade, que revela, em si, em repetidas audições.

Não se precisa estar intimamente familiarizado com o trabalho anterior do Zooid para entender esta música, mas é um prazer incrível e um culto ao trabalho e à vida de Threadgill apreciar aonde está agora conforme visto antes. “Poof” ´é uma gravação, genuinamente, incrível em seus próprios termos, mas, também, uma outra lembrança, sem fim, da fonte de criatividade de Threadgill, outra revolução na linguagem

Zooid é formado por Henry Threadgill (saxofone alto, flauta, flauta baixo), Liberty Ellman (guitarra acústica), Christopher Hoffman (cello), Jose Davila (tuba, trombone) e Elliot Humberto Kavee (bateria).

Faixas

1 Come And Go 7:27

2 Poof On Street Called Straight 8:16

3 Beneath The Bottom  8:48

4 Happenstance 7:54

5 Now And Then 5:36

Nota: Este álbum foi considerado, pela JazzTimes, um dos 40 melhores lançados em 2021.

Fonte:  Landon Kuhlmann (The Free Jazz Collective)

 

 

ANIVERSARIANTES - 21/01

Ed Maciel (1927-2011) – trombonista,maestro,

Jason Moran (1975) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=YJWwuuGCiY4,

Jesse van Ruller (1972) – guitarrista,

Jim Vivian (1961) – baixista,

Mario Tomic (1977) – guitarrista,

Steve Gilmore (1943) - baixista   

 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

GERRY GIBBS THRASHER DREAM TRIOS – SONGS FROM MY FATHER (Whaling City Sound)

O vibrafonista Terry Gibbs, 97 anos, finalmente se aposentou após tocar oito décadas, encorpa toda a graça da era que o criou. Se como um membro da histórica Second Herd de Woody Herman dos anos 40 ou líder da banda, formada por estrelas, Dream Band, um acontecimento de Hollywood de 1959-1962, Gibbs foi uma explosão de alta energia e suave entretenimento.

Seu filho, Gerry Gibbs, é um imaginativo baterista/ percussionista cujos álbuns incluem uma saudação acústica ao Weather Report e um retrato orquestral da fase fusion de Miles Davis. “Songs from My Father“ ilumina presentes negligenciados do seu pai como compositor de algumas das mais cativantes canções do jazz. Este CD duplo é uma caixa de bombons de balanços dançantes, melodiosas direções e bastante surpreendentes para manter o ouvinte constantemente comprometido.

Quatro trios, reunidos por Gerry e apresentando-o, dá a esta música uma vitrine régia. Em suas últimas gravações, Chick Corea é ouvido com Ron Carter. A versão deles de “Bopstacle Course”, composta em 1974, soa como uma jóia algo esquecida do tempo de Bud Powell. O ágil pianista Geoff Keezer encontra sua correspondência no baixista Christian McBride. Em “Nutty Notes” eles passam a ser Road Runner e Speedy Gonzales na linha final de uma corrida. Larry Goldings, tocando Hammond B-3, junta-se ao pianista Patrice Rushen nas faixas mais funkeadas do álbum. Eles, também, entrelaçam-se elegantemente em “Pretty Blue Eyes”, uma valsa cadenciada. “T&S”, uma peça de artilharia de 1949, encontra Kenny Barron e Buster Williams lendo a mente de cada um com a clarividência de almas gêmeas.

Gerry adapta graciosamente cada estilo — o cool da West Coast (NT: Costa Ocidental), bop maníaco, samba— e sempre suinga. Em “Hey Chick”, tocado por quatro unidades, Terry aparece em um solo fluente desde 1961.É um lembrete de onde o mais jovem Gibbs obteve seu talento.

Faixas : Disco 1: Kick Those Feet; Smoke ‘Em Up; Bopstacle Course; Nutty Notes; Take It from Me; Sweet Young Song of Love; The Fat Man; Lonely Days; Hey Chick. Disco 2: Townhouse; T&S; 4 AM; Waltz for My Children; Hippie Twist; Lonely Dreams; For Keeps; Pretty Blue Eyes; Gibberish; Tango for Terry.

Músicos:  Gerry Gibbs: bateria; Chick Corea: piano; Kenny Barron: piano; Patrice Rushen: teclados; Geoffrey Keezer: teclados; Larry Goldings: piano; Ron Carter: baixo; Buster Williams: baixo; Christian McBride: baixo; Terry Gibbs: vibrafone.

Nota: Este álbum foi considerado, pela JazzTimes, um dos 40 melhores lançados em 2021.

Fonte: JAMES GAVIN (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 20/01

Alvin Atkinson, Jr. (1972) – baterista,

Andy Sheppard (1957) – saxofonista (na foto e   vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=AkxYsso6izo&feature=related,

Connie Haines (1922-2008) – vocalista,

Gracinha Leporace (1950) – vocalista,

James Genus (1966) – baixista,

Jeff "Tain" Watts (1960) - baterista,

Jimmy Cobb (1929-2020) - baterista,

John Sheridan (1946) – pianista,

Jose James (1978) – vocalista,

K-Ximbinho(1917-1980) – clarinetista,saxofonista,

Novelli (1945) – baixista,

Ray Anthony (1922) – trompetista,

Valery Ponomarev (1943) - trompetista


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

VERONICA SWIFT - THIS BITTER EARTH (Mack Avenue)

Veronica Swift é uma mulher de muitas vozes, e ela usa cada uma delas para refratar um caleidoscópio vertiginoso de humores em seu “This Bitter Earth”, a continuidade de “Confessions” de 2019. Como no trabalho anterior, Swift explora profundamente o repertório estadunidense para revelar novas, e frequentemente, verdadeiras surpresas.

Para a abertura da faixa título, Swift canta com uma voz solta em murmúrio, gotejando com melancolia, que implica que “a fruta transportadora” é uma estranha fruta, naturalmente. O balanço irônico de Swift na era do #MeToo e a fervorosa feminilidade em “How Lovely To Be A Woman”, o sucesso da reservada Ann-Margret de Bye, Bye Birdie, é puro prazer.

Em outro lugar, as verdades severas de “You’ve Got To Be Carefully Taught”—um objeto de lição nas raízes do racismo no Sul do Pacífico— parece mesmo mais relaxadas quando Swift foge do seu caminho através de linhas como, “Odiar todo o povo que seus parentes odeiam”. E num real esforço, a líder aborda a letra problemática de “He Hit Me (And It Felt Like A Kiss) ” pelas passagens de acordes marciais do sucesso do balançante The Crystals, que atualmente é: uma terivelmente canção de amor agridoce, acariciada pelos arpejos da guitarra acústica de Armand Hirsch.

Swift é uma novidade. E os instrumentistas que a ajudam a manifestar sua visão em “This Bitter Earth” demonstram uma generosa profundidade e amplitude musical.

Faixas: This Bitter Earth; How Lovely To Be A Woman; You’ve Got To Be Carefully Taught; Getting To Know You; The Man I Love; You’re The Dangerous Type; Trust In Me; He Hit Me (And It Felt Like A Kiss); As Long As He Needs Me; Everybody Has The Right To Be Wrong; Prisoner Of Love; The Sports Page; Sing. (61:15)

Músicos: Veronica Swift, vocal; Emmet Cohen, piano; Yasushi Nakamura, baixo; Bryan Carter, bateria; Lavinia Pavlish, Meitar Forkosh, violino; Andrew Griffin, viola; Susan D. Mandel, cello; Aaron Johnson, saxofone alto, flauta baixo, flauta; Armand Hirsch, guitarra, guitarra acústica; Steven Feifke, Ryan Paternite, Will Wakefield, Stone Robinson Elementary School Choir, Walton Middle School Girls Choir, vocais.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=7EVrj4r34p4

Nota: Este álbum foi considerado, pela JazzTimes, um dos 40 melhores lançados em 2021.

Fonte: Cree McCree (DownBeat)  
 

ANIVERSARIANTES - 19/01

Henry Gray (1925-2020) – pianista,vocalista,

Horace Parlan (1931-2017) – pianista,

Iiro Rantala (1970)- pianista,

Israel Crosby (1919-1962) - baixista,

J.R. Monterose (1927-1993) - saxofonista,

Joe Magnarelli (1960) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=FND_56_U7Bs&NR=1,

Lee Barbour (1977) – guitarrista,

Nara Leão (1942-1989) – vocalista

Putter Smith (1941) – baixista,

Willie “Big Eyes” Smith (1936-2011) –vocalista,gaitista,baterista  

 

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

PERCY JONES / ALEX SKOLNICK / KENNY GROHOWSKI / TIM MOTZER - PAKT (MoonJune)

Improvisação é a essência do jazz e de toda a música progressiva. Em 15 de Agosto de 2020 no ShapeShifter Lab , no Brooklyn, quatro homens escondidos fizeram “PAKT” para improvisar espontaneamente por aproximadamente duas horas. Os guitarristas Alex Skolnick e Tim Motzer, o baixista Percy Jones e o baterista Grohowski, todos perante uma agenda reduzida por causa das regras do lockdown da COVID-19, simplesmente se estabeleceram no estúdio, socialmente distanciados, com um mínimo de pessoas presentes para gravar o evento, e tocaram qualquer coisa que lhes veio à mente.

O quarteto alcança dinâmicas gritos e sussurros nos discos, o um (subintitulado The Unsilence) e o dois (The Sacred Ladder). A abertura, em 12 minutos, no Disco Um, “Emergence”, exibe a química yin-yang do textural Motzer (que entra com a guitarra elétrica/ guitarra acústica híbrida) e o completamente eletrificado Skolnick, tão bem quanto Jones, com 73 anos, e a juventude de Grohowski. Jones, em 1970, veio a ser uma resposta europeia a Jaco Pastorius (embora não soasse igual a ele) com a banda fusion icônica Brand X. Ele recentemente deixou o grupo após 45 anos, mas não antes de tocar com Grohowski, o músico que cresceu em Miami, que se uniu a uma lista de grandes bateristas da Brand X, incluindo Phil Collins, Kenwood Dennard, Chuck Burgi e Mike Clark.

Em peças subsequentes, “The Mystery” e “Nigh Crossings”, os guitarristas empregam circuitos, samples e estática, enquanto Jones e Grohowski providenciam pulsações pontuadas por marcantes harmonias do baixista e várias complexidades do baterista. O disco dois apresenta mais do mesmo, ainda que sem repetição. A abertura de “Perseverance” com cascatas através de uma terapia do grito primal, com a liderança desiludida na subsequente “The Sacred Ladder” através da faixa de encerramento “Cosmic Fire”. Esta improvisação total é a verdadeira democracia da música e pode ser apenas alcançada por uma intensa audição. Políticos poderiam beneficiar-se desta lição do PAKT.

Faixas

1.Emergence 12:23

2.Over Strange Lands 07:49

3.The Mystery 12:46 video

4.The Unsilence 06:18

5.Brothers Of Energy 09:59

6.Perseverance 08:05

7.The Sacred Ladder 07:25

8.Drifts & Alignments 11:42

9.Nigh Crossings 06:12

10.The Great Spirit 10:24

11.Departure Sanctuary 07:37

12.Cosmic Fire 05:15

 Músicos: PERCY JONES – guitarra baixo; ALEX SKOLNICK – guitarra; KENNY GROHOWSKI – bateria; TIM MOTZER - guitarras, eletrônica.

 Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=tws82ik0Sz4

Nota: Este álbum foi considerado, pela JazzTimes, como um dos 40 melhores lançados em 2021.

Fonte: BILL MEREDITH (JazzTimes)