quarta-feira, 10 de março de 2010

UM TAMBORIM, UM VIOLÃO... EM BUENOS AIRES

Viernes 19 de Marzo de 2010 - 21,00 hs

Belén Pérez Muñiz & Leo Alvarez
"Um tamborim, um violâo..."

Una de las principales intérpretes de la música de Brasil en la escena local, se presenta junto al guitarrista y compositor LEO ALVAREZ y el percusionista bahiano ALFREDO DE SOUZA. Se sumará PILAR PEREZ MUÑIZ como cantante invitada + invitados sorpresa, y harán infaltables clásicos así como nuevo repertorio en versiones propias, basado en la Música Popular Brasileña. Belén se formó e inició su carrera con el poeta Vinicius de Moraes.

www.belenperezmuniz.com.ar
www.myspace.com/belenperezmuniz
www.leo-alvarez.com.ar

Dijo la prensa:
LA NACION: **** "Muy Bueno"
CLARIN: "La elegida de Vinicius"
BS.AS. HERALD: "Perez Muñiz hizo gala de una voz privilegiada..."

Marcelo T. de Alvear 1155 - Reservas: 4811-0673
Cena - Show: $ 90 - Sólo show $ 45

LOUIS HAYES - THE TIME KEEPER (Allegro Music [2009])


Se o baterista Louis Hayes intencionou recriar o som clássico de, bem, Louis Hayes em suas gravações, em “The Time Keeper” ele foi bem sucedido. Um conjunto de faixas que inclui duas compostas por Hayes, duas pelo saxofonista Abraham Burton e duas pelo pianista Horace Silver dá uma boa medida. Hayes relembra porque ele é um líder, e um acompanhante com liderança, por muitos anos.

Como acompanhante , Hayes está impecável. Nunca com o toque pesado de Art Blakey ou sutil como Philly Joe Jones, ele tem um toque reconhecível na bateria e, aos 71 anos, ele é energético tocando com paixão, criatividade e, ainda, suingante.

Como compositor, as músicas de Hayes mostra seu estofo no jazz post-bop do final dos anos 50 e 60. Apesar de não utilizar uma velocidade avassaladora, há composições com rápidos andamentos muito bem construídas.

Hayes cerca-se de jovens músicos muito capazes para realizar esta gravação. Burton carrega um pouco a música, aparecendo na maioria das vezes como solista líder, após atuar nos estribilhos em sete faixas.

Isto permite que o pianista Helio Alves, o baixista Santi DeBriano e o vibrafonista Steve Nelson preencham o resto, o que fazem maravilhosamente.Como uma unidade de suporte , eles são sólidos e flexíveis, com Alves e Nelson sendo capazes de incrementar a melodia se necessário.

Os solos são consistentes, bem como a manutenção do ritmo por Hayes. Alves é um excelente instrumentista, e Burton se sai bem nos números clássicos como "The Preacher" de Silver e "Double Rainbow" de Antonio Carlos Jobim.

Burton também apresenta sua qualidade composicional em "It's To You" e "Abellino." Estas retiram de Alves a liderança dos solos, e ele trabalha uma série de improvisações em "It's To You" com interessantes solos , blocos de acordes e um pouco de pegada blueseira. O arranjo de Burton continua explorando harmonias fora do contexto, antes de DeBriano retomá-la.

A composição de Burton, "Abellino", está próxima de uma balada, executada ricamente com a pronta atuação de Hayes nos címbalos, para uma lenta ponte embelezada pelos arpejos do piano de Alves. Antes do solo de Alves, Burton apresenta-se brilhantemente no fundo musical, dando uma pequena profundidade extra à faixa.

Hayes, obviamente, não intenciona descansar sobre seus lauréis , buscando trabalhar com um qualificado grupo de músicos jovens.

Faixas: Check In; Alani's World; Peace; The Preacher; It's To You; Save Yourself; Abellino; Double Rainbow; Angel Eyes.

Músicos: Louis Hayes: bateria; Abraham Burton: saxofone; Santi DeBriano: baixo; Helio Alves: piano; Steve Nelson: vibrafone.

Data de Lançamento : 09 de Junho de 2009

Fonte : All About Jazz / John Patten

ANIVERSARIANTES 10/03


Bix Beiderbecke (1903) – cornetista,
Brad Wheeler (1960) – saxofonista,
Carol Saboya(1975) – vocalista,
Jeanie Bryson (1958) - vocalista(na foto),
Mino Cinelu (1957) – percussionista,
Ofer Assaf (1976) – saxofonista,
Scott Whitfield (1963) – trombonista,
Travis Shook (1969) - pianista
Apresenta:

Bernard Fines e Julio Bittencourt Trio

em
"JAZZ A LA CARTE"

O cantor francês Bernard Fines e Julio Bittencourt Trio lançam uma novidade: um novo jeito de tocar jazz, o Jazz a La Carte, onde quem faz o repertório é a platéia, escolhendo num cardápio musical de 100 títulos de Jazz, MPB e música francesa.

Com Bernard Fines (voz), Benjamin Bentes (contrabaixo), Julio Bittencourt (bateria), e Luciano Bittencourt (guitarra).

Faça seu pedido!

E participe do sorteio do CD “Sous le ciel de Paris”

Serviço:

Quinta feira – 11 de março

All of Jazz – Rua João Cachoeria, 1366

ITAIM – São Paulo

Hora: 22h00

Couvert Artístico: R$ 20,00

Reservas pelo telefone: (11) 3849 1345

http://www.allofjazz.com.br

ANA PAULA ALBUQUERQUE E BANDA DIDÁ NO PELOURINHO


terça-feira, 9 de março de 2010

DEE DEE BRIDGEWATER – ELEANORA FAGAN (1915-1959): TO BILLIE WITH LOVE FROM DEE DEE


Um quarto de século atrás, Dee Dee Bridgewater homenageou o som e o estilo de Billie Holiday com uma aclamada produção teatral chamada “ Lady Day”, baseada na autobiografia de Holiday. Como ela a estava retratando , era necessário imitá-la vocalmente — e que bela imitação ela fez. Agora, sendo um aluna avançada, apresenta um nobre desenvolvimento, com a influência de Holiday atrás dela. Não surpreende que a performance de uma dúzia de clássicos de Holiday, indo da segura sensualidade de “Mother’s Son-in-Law” para a profundeza melancólica de “Strange Fruit”, sejam estonteantes. Não poderíamos esperar menos do que isto.

Os maiores créditos para o marcante frescor das faixas e forte imaginação devem ser destinados ao pianista Edsel Gómez, responsável pelos arranjos. Algumas faixas representam completa transformação, como sua suingante re-harmonização de “All of Me”. Gómez mostra excelência nas sutis e atraentes alterações. Em “Lady Sings the Blues”, por exemplo, em vez de carregar em tons cinzentos de prevalente tristeza , como é usualmente apresentada, Gómez compreende que a forma pessoal de Holiday apresentar os sentimentos é uma forma controlada de explicitá-los, assim ele a faz pulsar com energia vibrante. Mais profundamente, em “Strange Fruit”, o desespero da dor que energiza a leitura de Holiday permanece completamente evidente em Bridgewater, mas está ,agora, sublinhada por um relaxado rancor. Acompanhando Gómez nesta soberba realização , em sua esperta visão, em que Bridgewater , habilmente, se encaixa, está “ a banda dos sonhos” formada pelo baterista Lewis Nash, pelo baixista Christian McBride e pelo saxofonista James Carter , todos verdadeiros mágicos.

Faixas :

1. Lady Sings the Blues
2. All of Me
3. Good Morning Heartache
4. Lover Man
5. You've Changed
6. Miss Brown to You
7. Don't Explain
8. Fine and Mellow
9. Mother's Son-in-Law
10. God Bless the Child
11. Foggy Day
12. Strange Fruit

Data de Lançamento : 02 de Março de 2010
Selo : DDB Productions

Fonte : JazzTimes / Christopher Loudon

ANIVERSARIANTES 09/03


Bradley Sowash (1960) – pianista,
Keely Smith (1932) – vocalista,
Mayuto Correa (1943) – violonista,
Ornette Coleman (1930) - saxofonista (na foto),
Thomas Chapin (1957-1998) – saxofonista,
Zakir Hussain (1951) - percussionista

segunda-feira, 8 de março de 2010

JACKY TERRASSON LANÇARÁ NOVO CD


O pianista Jacky Terrasson, (na foto), lançará seu primeiro álbum pela Concord, “Push”, no próximo dia 27 de Abril. O disco terá seu costumeiro trio formado pelo baterista Jamire Williams e pelo baixista Ben Williams. São convidados o saxofonista Jacques Schwarz-Bart e o percussionista Cyro Baptista.

“É definitivamente um ponto de inflexão para mim” Terrasson declarou. “Eu estou em um novo selo, assim é importante para mim fazer as coisas de forma diferente. Eu queria outro som, e eu queria explorar o que vinha buscando pessoalmente ao longo de poucos anos atrás. Há diferentes pegadas, batidas e vibrações. “Push” significa fazer as coisas acontecerem, ir em busca de novas direções. Isto resume o que é o álbum”.

Terrasson , também, faz sua estreia com cantor em algumas faixas.

“Sei que não sou um cantor” disse Terrasson “ mas eu vinha ouvindo aquilo em minha cabeça por anos , assim eu imaginei : Por que não ?”.

Fonte : Downbeat

ANIVERSARIANTES 08/03


Anat Fort (1970) – pianista,
Dick Hyman (1927) - pianista ,
Gabor Szabo (1936-1982) - guitarrista ,
George Coleman (1935) - saxofonista (na foto),
Joe Robichaux (1900-1965) - pianista ,
Rob Walker (1963) - trompetista

domingo, 7 de março de 2010

Especial com Johnny Alf na TV


O Canal SESC TV - disponível na NET e SKY (Canal 3) apresentará um especial com Johnny Alf. Pela grade de programação da SKY, vejo que o programa será exibido neste domingo às 14:00 e 21:00 horas e na segunda-feira, dia 08, às 17:00 horas


ANIVERSARIANTES 07/03


Anthony Ocaña (1980) – violonista,
Dan Papirany (1967) - pianista
Danilo Caymmi(1948) – violonista,flautista,vocalista (na foto),
David F. Gibson (1953) – baterista,
Lee Young (1917-2008) – baterista, vocalista,
Mahlon Clark (1923-2007) – clarinetista,
Matthias Bergmann (1972) – trompetista,
Nat Gonella (1908-1998), trompetista,
Paoli Mejias (1970) - percussionista

sábado, 6 de março de 2010

CHARITO MEETS MICHEL LEGRAND – WATCH WHAT HAPPENS(CT MUSIC)


A decisão de se formar uma parceria da natural da Filipinas, Charito, com o francês Michel Legrand foi uma idéia inspirada. Não só mistura o jazz com o estilo cabaret; apresenta dois timbres vocais únicos e abre nossos ouvidos para diversas influências culturais. Charito está agora vivendo em Tóquio; Legrand, que levou um tempo considerável vivendo e trabalhando nos Estados Unidos , está outra vez morando em Paris.

O álbum deles,inicialmente lançado na Europa em 2008, consiste em treze composições de Legrand . Ele canta e/ou toca em três faixas. Há um rica e calorosa seção de cordas atrás de Charito, mais um trompetista (alternando no flugelhorn?) e um tenorista (alternando na flauta?) tocando obligatos ou preenchendo espaços deliciosamente com os violinos. Perdoem as ambiguidades, mas o álbum é pobre em apresentar detalhes. O único músico devidamente identificado é Alain Mayeras, que escreveu todos os arranjos e toca piano em faixas onde Legrand não se apresenta. Alain acompanhando Charito na versão em pequeno grupo em "I Will Wait For You" revela a sua afinidade com o fraseado jazzístico, mas tem pouca chance de aparecer.

Como vocalista de jazz , Charito é uma força a ser considerada. Ela demonstra instintivo sentido jazzístico, mantendo uma suingante conversação (quatro compassos por tempo) com um tenorista não creditado. Há apenas três faixas com atuação de Legrand como pianista e vocalista, e ele se aproxima de roubar o álbum. Em "Summer Me, Winter Me", uma bossa brilhante, Michel vem como uma forte introdução, e quando sua voz é ouvida, revela brilhante scat pessoal. "Quand On S'Aime" é um suingante e tipíco scat francês. Durante o scat ele utiliza uma linha em falsete em uníssono com o piano. Em seu solo econômico , acompanhando "Pieces of Dreams", ele demonstra quão minimalista pode ser.

Charito é ouvida em todo o disco, que é bonito e balanceado: É o CD dela; é a música dele. Charito apresenta sinais de estar mais madura , mesmo quando eventualmente não demonstra maior emoção. Ela perde a batalha com as perigosas notas , que exigem maior extensão vocal em "What Are You Doing The Rest of Your Life?" . Ela deveria ouvir como aquelas mesmas notas foram executadas pelo trompete surdinado que a precede. Mas como você não falha em um trabalho difícil e consolidado, quando o enfrenta sem temor como neste desafiante material de Michel Legrand?

Faixas
1 Watch What Happens 4:03
2 Summer Me, Winter Me 5:05
3 The First Time 5:38
4 Pieces Of Dreams 3:16
5 Once Upon A Summertime 4:21
6 How Do You Keep The Music Playing? 5:45
7 What Are You Doing The Rest Of Your Life? 6:45
8 Quand On S'Aime 3:42
9 Ask Yourself Why 2:58
10 You Must Believe In Spring 6:04
11 I Will Wait For You 4:18
12 The Windmills Of Your Mind 3:37
13 The Summer Knows

Fonte : JazzTimes/ Harvey Siders

ANIVERSARIANTES 06/03


Alden Taro Ikeda (1964) – baterista,
Ayelet Rose Gottlieb (19790 – vocalista,
Charles Tolliver (1942) – trompetista,
Dom Minasi (1943) – guitarrista,
Flora Purim (1942) – vocalista (na foto),
Howard McGhee (1918-1987) - trompetista,
Palle Mikkelborg (1941) - trompetista,
Peter Brötzmann (1941 – saxofonista, clarinetista,
Red Callender (1916-1992) - baixista,
Robin Kenyatta (1942-2004) - saxofonista,
Wes Montgomery (1925-1968) - guitarrista

Ele era a Bossa


Autor de clássicos como "Eu e a Brisa", "Rapaz de Bem" e "Ilusão à toa", Johnny Alf deixou a música brasileira mais triste, ao partir anteontem

Seu Chopin, desculpe. Com essa intimidade, Johnny Alf deu adeus à sua ligação mais formal com a música erudita, abraçando a música popular "diferente" que surgia no início dos anos 50 sob a inspiração primeira de Dick Farney. Ainda Alfredo José da Silva, logo ele se tornaria um de seus principais redefinidores. Um de seus "Papas", embora jamais reconhecido à altura por seu talento. Mesmo tendo ganho nome de gringo, mesmo sendo respeitado por todos os demais "Papas". Jonhnny Alf morreu na noite desta quinta-feira, aos 80 anos, em decorrência de câncer de próstata. E o mínimo que podemos dizer agora em sua reverência é isso, um pedido de desculpas, em nome dos que apreciavam sua música, conduzida em seu piano e sua bela voz. Pedido mais tímido do que sua própria timidez, mas ainda necessário, ao menos para registro da sua posteridade.

Em matéria e entrevista em torno de seu último disco, "Mais um som", de 2006, o jornalista Dalwton Moura sentenciava a importância do músico carioca, que desde 1955 se transferira para São Paulo, pouco antes de vivenciar o furor da Bossa Nova que ele próprio ajudara a definir, em shows em boates como o Clube da Chave e a do Hotel Plaza. Em seu modesto quarto de hotel no centro da capital paulista, Johnny confirmava o rótulo de solitário que o acompanhou desde sempre, mas que não o impediu de tornar-se, ao longo das últimas cinco décadas, "um dos maiores nomes da música brasileira em todos os tempos", na visão não apenas do jornalista do Diário. Após comentar as "complexas simplicidades" da despedida fonográfica de Johnny, o jornalista lhe dá voz: "Quando as pessoas ouvem uma música minha e não me reconhecem, fico na minha, satisfeito", contava.

Johnny, Alfredo, aquele senhor negro brasileiro que jamais conheceu a fama com a mesma intensidade de Tom ou Vinicius, não se considerava injustiçado, desconversava. "Johnny Alf não se queixa de nada", dizia Ruy Castro no capítulo a ele dedicado em "A Onda que Ergue no Mar" (Cia. das Letras, 2001). Preferia falar de música, que fazia sozinho, letras junto às melodias, harmonias, impecáveis. "Procuro deixar uma mensagem de bem-estar com a minha música". Basta ouvi-la para confirmar. Pena que tivemos tão poucas chances de conferi-lo de perto.

E eis que em julho daquele ano, a dica do jornalista foi aceita, e os cearenses voltaram a ouvi-lo, pela última vez, cinco anos depois de sua apresentação anterior. Esteve no Festival Música na Ibiapaba e no Centro Dragão do Mar. Na plateia, o contrabaixista Luciano Franco, que já havia lhe assistido nos anos 80, no Rio. "Ouve um início de um movimento para ajudá-lo, mas acabou não vingando. Johnny Alf já era moderno nos anos 50. Não é um compositor popular, não penetrou muito na opinião do público, a mídia ficou devendo. A gente vê tanto remix de Bossa Nova, e o cara não estava presente. A não ser em uma gravação antiga ou outra. Muito menos do que deveria. Foi um dos grandes, um dos mestres das melodias. Se você ouvir a música dele hoje, de 1950, acha que é de hoje de tão moderno. Tive um contato com ele no Dragão do Mar, era um cara muito decente".

Opinião reforçada pelo pianista, acordeonista e compositor Adelson Viana, que também o encontrou no Rio de Janeiro. "A música perdeu uma grande personalidade, que contribuiu muito para a Bossa Nova, se não tiver sido um dos seus inventores com sua riqueza melódica e harmônica. Música gostosa de ouvir, ao mesmo tempo com sentimento. Bom-gosto aliado ao popular. Ele me influenciou, com certeza. Sempre fui fã, como todas as pessoas que gostam da música brasileira".

Por fim, o Poetinha, em um dos depoimentos colhidos por Zuza Homem de Mello para o seu "Eis Aqui os Bossa Nova" (Martins Fontes, 2008): "Os músicos adoravam as inovações do pianista da casa, Johnny Alf, aquilo sim era a música de seu tempo". Era a eterna Bossa.

Discografia

Rapaz de Bem (1961)

Diagonal (1965)

Johnny Alf (1967)

Ele É Johnny Alf (1971)

Nós (1974)

Desbunde Total (1978)

Olhos Negros (1991)

Noel Rosa - Letra & Música (com Leandro Braga, 1997)

Cult Alf - 40 Anos de Bossa Nova (1998)

Eu e a Bossa (1999)

As Sete Palavras de Cristo na Cruz (com Pedro Casaldáliga) (1999)

Música Brasileira Deste Século por Seus Autores e Intérpretes (2001)

Mais Um Som (2005)

HENRIQUE NUNES
REPÓRTER - Jornal Diário do Nordeste - Fortaleza/Ce

Rapaz de bem



RUY CASTRO


RIO DE JANEIRO - Em dezembro, Leny Andrade e Alayde Costa fizeram um show em homenagem a Johnny Alf no teatro Ginástico. Foram duas horas de amor, em que Leny e Alayde falaram de Johnny e cantaram seus clássicos e canções obscuras. Todos sabiam que sua saúde estava por um fio, mas não se pronunciou a palavra morte.
Não era necessário. Ali se tratava de celebrar a música, a beleza, o talento, a vida. Fazia-se por Johnny Alf o que deveria ter sido feito com frequência e em todos os anos: promover recitais, concertos e canjas com seus sambas - "Ilusão à Toa", "Rapaz de Bem", "Céu e Mar", "O Que é Amar", "Disa", "Fim de Semana em Eldorado", "Nós", "Eu e a Brisa" e muitos outros.
Mas não aconteceu assim, e Johnny morreu sem a consagração que bafejou em vida vários de seus contemporâneos, como Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Baden Powell. Duas opiniões meio correntes acham que isso se deu por "racismo" (Johnny era negro) ou por Johnny ter trocado o Rio por São Paulo nos anos 50, antes da explosão da bossa nova (que ele ajudara a construir).
Será? Dolores Duran, o saxofonista Paulo Moura, Jorge Ben, Gilberto Gil e o próprio Baden não eram arianos, e isso não os impediu de vencer na bossa nova. E quem também saiu do Rio antes de o movimento explodir foi João Donato. Que se mudou até para mais longe: Los Angeles, onde ficou 13 anos. Pois Donato voltou em 1972, reassumiu sua cátedra e hoje é maior do que nunca.
Johnny não se sentia com uma cátedra a retomar. Por modéstia, dispensava tudo o que lhe ofereciam. Nas entrevistas, falava mais de suas admirações (Tom, entre elas) do que de si próprio. Não pedia nada para si. Era completo com sua arte. Quem fracassou fomos nós, que não soubemos dizer ao mundo o artista que tínhamos à mão.
Fonte: Folha de São Paulo
Vídeo - Rapaz de Bem

sexta-feira, 5 de março de 2010

ANIVERSARIANTES 05/03


Amy Rempel (1985) – pianista,
Bob Edmondson (1935) – trombonista,
Carol Sloane (1937) – vocalista,
Heitor Villa-Lobos(1887-1959) – pianista,maestro,compositor(na foto),
Karen Lake (1968) – vocalista,
Lou Levy (1928-2001) – pianista,
Martin Sullivan (1979)- trombonista,
Scott Feiner (1968) – pandeirista,
Wilbur Little (1928-1987) - baixista

quinta-feira, 4 de março de 2010

Hoje vai ter festa no céu. Chegou por lá Johnny Alf.




Hoje vai ter festa no céu! Chegou por lá Johnny Alf! Alfredo José da Silva (Rio de Janeiro, 19 de maio de 1929 - Santo André, 4 de março de 2010), Mais conhecido como Johnny Alf Foi um compositor, cantor, pianista brasileiro. - Filho de um cabo do Exército que morreu quando ele tinha apenas 3 anos, a mãe trabalhava em casa de uma família na Tijuca e o criou sozinha. Seus estudos de piano começaram aos nove anos de idade, com Geni Borges, amiga da família para a qual sua mãe trabalhava. Após o início na música erudita, começou a se interessar pela música popular, principalmente trilhas sonoras do cinema norte-americano e por compositores como George Gershwin e Cole Porter. Aos 14 anos, formou um conjunto musical, com seus amigos de Vila Isabel, que tocavam na praça Sete, atual praça Barão de Drummond. Estudou no Colégio Pedro II. Entrando em contato com o Instituto Brasil-Estados Unidos, foi convidado para participar de um grupo artístico. Uma amiga americana sugeriu o nome de Johnny Alf. Dick Farney e Nora Ney o contratam como pianista da nova Cantina do César, de propriedade do radialista César de Alencar, em 1952. Iniciando assim, a sua carreira profissional. Mary Gonçalves, atriz e , estava sendo lançada como cantora, e escolheu três canções de Johnny: Estamos sós, O que é amar e Escuta para fazerem parte do seu longplay Convite ao Romance. Foi gravado seu primeiro disco em 78 rpm, com a música Falsete de sua autoria, e De cigarro em cigarro (Luís Bonfá). Tocou nas boates Monte Carlo, Mandarim, Clube da Chave, Beco das Garrafas, Drink e Plaza. Duas canções se destacaram neste período: Céu e mar e Rapaz de bem (1953), consideradas a melodia e a harmonia, como revolucionárias e precursoras da bossa nova. Em 1955 foi para São Paulo, tocando na boate Baiuca e no bar Michel, com os iniciantes Paulinho Nogueira, Sabá e Luís Chaves. Em 1962 voltou ao Rio de Janeiro, se apresentando no Bottle's Bar, junto com o conjunto musical Tamba Trio, Sérgio Mendes, Luís Carlos Vinhas e Sylvia Telles. Apresentava-se no Litlle Club e Top, o conjunto formado por Tião Neto (baixista) e Edison Machado (baterista). Em 1965 realizou uma turnê pelo interior paulista. Professor de música no Conservatório Meireles, de São Paulo. Participou do III Festival da Música Popular Brasileira em 1967, da TV Record - Canal 7, de São Paulo, com a música Eu e a brisa, tendo como intérprete a cantora Márcia (esposa de Silvio Luiz). A música foi desclassificada, porém se tornando um dos maiores sucessos de sua carreira. Nos anos recentes, Johnny tem se apresentado raramente, em razão de problemas de saúde. Esteve apenas na abertura das exposições dedicadas aos 50 anos da bossa nova na Oca, em 2008 e, em janeiro de 2009, no Auditório do SESC Vila Mariana, em São Paulo Faleceu aos 80 anos no hospital Mário Covas, em Santo André, na Grande São Paulo, onde há três anos tratava um câncer de próstata. Ele vivia em uma casa de repouso na cidade.
Segundo o jornalista Ruy Castro: Johnny Alf é o verdadeiro pai da Bossa Nova.

Que tristeza morreu Johnny Alf

04 - 03 - 2010

O cantor, pianista e compositor Johnny Alf morreu nesta quinta-feira (4). O cantor, pianista e compositor Johnny Alf morreu nesta quinta-feira (4). Ele estava internado em estado grave no hospital Mário Covas, em Santo André, na Grande São Paulo. Ele tinha 80 anos. Johnny tratava um câncer de próstata há cerca de três anos na instituição. Um dos precursores da bossa nova, ele vivia em uma casa de repouso na cidade. Segundo o empresário do cantor, Nelson Valencia, a metástase tinha avançado e os médicos haviam avisado que não havia mais nada que pudesse ser feito. Johnny não tinha familiares. O velório deve ser amanhã de manhã na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele estava internado em estado grave no hospital Mário Covas, em Santo André, na Grande São Paulo. Ele tinha 80 anos. Johnny tratava um câncer de próstata há cerca de três anos na instituição. Um dos precursores da bossa nova, ele vivia em uma casa de repouso na cidade. Segundo o empresário do cantor, Nelson Valencia, a metástase tinha avançado e os médicos haviam avisado que não havia mais nada que pudesse ser feito. Johnny não tinha familiares. O velório deve ser amanhã de manhã na Assembleia Legislativa de São Paulo.

OS CARIOCAS LANÇAM NOVO DISCO


O tema é a música e a cidade do Rio de Janeiro. Pois nenhum grupo cantou o Rio como Os Cariocas ,(na foto),chamando-o pelo nome a musa ou lhe rendendo honras com notas de sol e de mar. Criado em 1946, o grupo, sempre aberto às tendências musicais, foi um dos principais intérpretes da bossa nova e nos anos 60 era a certeza de sucesso, gravando Tom, Baden, Carlos Lyra, Menescal e os irmãos Valle, entre tops da MPB.

Os Cariocas, liderados pelo talento de Severino Filho, remanescente da formação original, voltam com um novo álbum. Nossa Alma Canta, clara alusão a Samba de Avião, de Tom Jobim, traz 15 faixas clássicas, jamais gravadas pelo hoje quarteto completado por Hernane Castro, Neil Teixeira e Elói Vicente. Destaque para E Nada Mais, do saudoso Durval Ferreira e Lula Freire, e Estrada do Sol, de Tom e Dolores Duran. Neste CD, os Cariocas ainda sacramentaram as visitas de João Donato, Milton Nascimento, Eumir Deodato e Roberto Menescal.

Fonte: Carlos Leonam & Ana Maria Badaró
Coluna Cariocas Quase Sempre / CartaCapital

ANIVERSARIANTES 04/03


Alexandra Samsonova (1975) – pianista,
Ann Burton (1933-1989),
Barney Wilen (1937-1996) – saxofonista,
Bobby Shew (1941) – trompetista,
Jan Garbarek (1947) – saxofonista(na foto),
Jason Marsalis (1977) - baterista,
Miriam Makeba (1932-2008) – vocalista,
Ondrej Pivec (1984) - organista
Peter Natterer (1972) – saxofonista,
Ricky Ford (1954) - saxofonista

quarta-feira, 3 de março de 2010

O SINFÔNICO ARTURO SANDOVAL


O novo álbum do trompetista Arturo Sandoval (na foto), “Time For Love (Concord Jazz)”, apresentará composições de inspiração clássica para orquestra e trio de jazz. Seu lançamento está previsto para o próximo dia 11 de Maio.

“Há doze anos vim morar nos Estados Unidos”, disse o cubano Sandoval “e, praticamente , a cada ano, com cada selo que me contratava , eu tinha a expectativa de realizar este tipo de disco. Deixem –me tocar suavemente, eu dizia . Deixem –me tocar baladas com grande orquestração atrás de mim. Deixem-me ouvir violinos e violas, os oboés e as flautas. Deixem-me ser inspirado pelo toque sinfônico”.

Jorge Calandrelli realizou os arranjos a partir da apresentação das faixas por Sandoval no estúdio da casa dele e utilizou sintetizador para sugerir as cordas. O disco apresenta standards do jazz com interpretações de composições clássicas de Maurice Ravel e Astor Piazzolla. Aparecem como convidados o trompetista Chris Botti e a vocalista Monica Mancini.

Fonte : DownBeat

ALL OF JAZZ - CHRISTIANNE NEVES HOMENAGEM AOS ARTISTAS DE MARÇO

CHRISTIANNE NEVES HOMENAGEANDO OS ARTISTAS NASCIDOS NO MÊS DE MARÇO

O que será que tem de especial o mês de março para nos trazer tantos artistas? Dizem que é por causa de Netuno, o planeta regente do signo de peixes e da música...
Ou será Orfeu?
Venha descobrir conosco!

Quarta-feira, 03 de março de 2010, 22h00, no All of Jazz.

Christianne Neves & Trio convidam:

Lucianne de Dominicis (voz),
Eduardo Rossi (acordeão),
Jap Value (voz),
Pexe (percussão)
Fernanda Porto (voz e sax)
Misty (voz)

Para homenagear:

Elis Regina (17/03/45)
Astor Piazzolla(11/03/21)
Nat King Cole(17/03/17)
Amilton Godoy (02/03/ )
Sarah Vaughan ( 27/03/44)
Eduardo Rossi (16/03 )
Lucianne De Dominicis (02/03/67)

Trio:
Christianne Neves: piano
Fernando Gualberto: baixo
Max Sallum: bateria

CHRISTIANNE NEVES:
http://www.christianneneves.com.br

ALL OF JAZZ
Rua João Cachoeira, 1366, São Paulo - SP.
Tel. (11) 3849 1345

http://www.allofjazz.com.br

ANIVERSARIANTES 03/03




Barney Bigard (1906-1980) – clarinetista,

Copinha(1910-1984) – flautista,

David Darling (1941) - violoncelista,

Jimmy Garrison (1934-1976) – baixista,

Marcelo Galter(1982) – pianista(na foto),

Pierre Michelot (1928-2005) - baixista,

Sergio Salvatore (1981) - pianista

terça-feira, 2 de março de 2010

CLAUDIO RODITI – SIMPATICO (Resonance Records [2010])


Recém saído do seu sucesso, em 2009, com Brazilliance x4 (Resonance), nominado ao Grammy, Claudio Roditi lançou seu novo CD, Simpatico. Com a sempre competente atuação no trompete, este CD apresenta seu talento para compor , onde mostra várias músicas com pegada de samba e bossa, bem como algumas sólidas faixas no estilo tradicional do jazz.

Vindo da tradição jazzística nacional, Roditi tem se estabelecido como um dos atuais intérpretes e líderes. Seu estilo integra, facilmente, elementos post-bop com concepções rítmicas brasileiras. Ele toca com força e lirismo.

Muitos dos elogios deve-se ao guitarrista Romero Lubambo. Sua interação com Roditi é maravilhosa, eles são habilmente suportados por Helio Alves(piano), John Lee(baixo elétrico), e pelo companheiro brasileiro de mais de duas décadas e baterista preferido, Duduka Da Fonseca. Em três faixas, o quarteto é acrescido de forma esplendorosa pelo trombonista Michael Dease.

Cada faixa pode ser considerada um destaque com uma batida suave do samba , persuasivas na maior parte. Um par apresenta a solidez do blues, e uma é aquecida no fogo da tradição jazzística. Há, também, um brilhante arranjo orquestral na suave “Slow Fire", que dá ao piano e ao baixo as chances de brilharem.

De forma fácil em "Alfitude", o relaxado trompete de Roditi soa entrelaçado com o suave trombone de Dease para uma descontraída atuação. Em "A Dream for Kristen", a melancolia de Roditi no trompete é suportada pela guitarra meditativa de Lubambo.

Para a pegada pesada de "Alberto and Daisy", o piano de Alves vem para a ribalta após o rápido e estonteante solo de Roditi. Outra vez Dease apresenta um belo solo de trombone em "Blues for Ronni" antes de intercambiar compassos com o trompete. Roditi assume um desafio no trompete piccolo e vence na alegre e energética "Piccolo Blues", marchando fortemente dentro de uma pegada blueseira.

O nome "Simpatico" descreve perfeitamente a experiência prazeirosa que é a audição deste disco.

Faixas: Spring Samba; Alfitude; Piccolo Blues; Slow Fire; How Intensitive; A Dream for Kristen; Alberto and Daisy; Blues for Ronni; Slammin'; Waltz for Joana; Vida Nova; Winter Dreams.

Músicos: Claudio Roditi: vocais, trompete, piccolo trompete, flugelhorn; Romero Lubambo: guitarrra; Michael Dease: trombone; Helio Alves: piano; John Lee: baixo elétrico; Duduka Da Fonseca: bateria.

Fonte : All About Jazz / Larry Taylor

ANIVERSARIANTES 02/03


Amilton Godoy(1941) – pianista,
Buell Neidlinger (1936) – baixista, celista,
Doug Watkins (1934-1962) - baixista,
Eddie “Lockjaw” Davis (1922-1986) - saxofonista(na foto),
Larry Carlton (1948) – guitarrista,
Marcos Paiva(1972) - baixista,
Orrin Keepnews (1923) – produtor

segunda-feira, 1 de março de 2010

Bia Mestrinér canta no AO VIVO MUSIC


A magnífica BIA MESTRINÉR CANTA NO AO VIVO MUSIC.
Bossa Nova e Jazz com:

Fábio Leandro (p)
Pichú Borrel (b)
Celso de Almeida (d).

Dia 04 de Março de 2010.

no AO VIVO MUSIC:
R. Inhambú, 229, Moema - São Paulo - SP
tel.: (11) 5052-0072.

http://www.myspace.com/biamestrinercantoracompositora

Carnaval 2010 - Daniel D'Alcantara e Banda no São Cristovão (Sampa)

Amigos,

Para encerrar as noites de Carnaval em São Paulo fomos prestigiar o nosso querido Daniel D' Alcantara no Restaurante São Cristovão (14/02/2010). Chegamos atrasado e pegamos os músicos durante o intervalo. Em conversa com o Daniel descobri que o nosso Oscar é habitué da casa e logo descobri o porquê: Comida deliciosa, ótimos preços, serviço e som de primeira. Fórmula perfeita. Quando o segundo set começou ainda estávamos assistindo em pé, depois de uns 40 minutos de espera conseguimos uma mesa no gargarejo, como queríamos.

Recomendo a Carne de Panela!

O quinteto estava muito bem entrosado, com solos criativos, que arrebatavam palmas. Para premiar esta apresentação, o Arismar do Espirito Santo foi chamado e assumiu o baixo acústico. Ele até então estava sentado à mesa ao lado, incógnito para mim. Neste instante a JAM pegou fogo! Noite inesquecível.

Após o show, SEM DIREITO A BIS, em conversa com os músicos, o Daniel explicou que eles se apresentam em septeto neste mesmo lugar. Vale a pena conferir!



São Cristovão (fotos esquerda e central). Cuca Teixeira e Thiago Alves (foto direita).

Wilson Teixeira (foto esquerda). Daniel D'Alcantara (foto central). Arismar do Espírito Santo (foto direita).

Thiago Alves e Felipe Silveira (foto esquerda). Arismar do Espírito Santo e Daniel D'Alcantara (foto central) Arismar do Espírito Santo e Felipe Silveira (foto direita).

Arismar do Espírito Santo, Wilson Teixeira, Cuca Teixeira, Gabriel, Daniel D'Alcantara, Thiago Alves e Felipe Silveira.

Bar São Cristovão
R. Aspicuelta, 533 - Vila Madalena - São Paulo - SP
Tel: (11) 3097-9904

ONDE A BAHIA ENCONTRA NEW ORLEANS


A Bahia, estação primeira da identidade musical negra brasileira, ainda reserva muitas boas surpresas, apesar de ter a visibilidade castrada pela indústria do carnaval. Uma das criações mais geniais dos últimos tempos que veio à tona recentemente é o CD Letieres Leite (na foto) e Orkestra Rumpilezz, gravado no Teatro Castro Alves "a portas fechadas" e distribuído nacionalmente pela Biscoito Fino. É onde Salvador encontra New Orleans, ambos berços de tanta história e tanta musicalidade de matrizes africanas.Compositor, músico, maestro e criador da orquestra, Letieres criou uma obra inovadora unindo as bases sonoras do candomblé com o samba-reggae e o jazz. "Cada orixá tem um toque e cada nação tem o seu, então você pode ter toques diferentes para cada orixá, dependendo da nação do candomblé", explica o mestre numa mesa ao ar livre no Rio Vermelho, bairro que abriga a grande festa de Iemanjá, a rainha dos mares, no dia 2 de fevereiro. Ele porém, não reivindica para si a originalidade da ideia. Tanto é que dedica uma de suas composições, Anunciação, ao "grande mestre da bateria e da percussão" Antonio Ferreira da Anunciação, "um dos pioneiros no encontro da música da Bahia com o jazz".Outra pioneira a quem ele faz questão de dar crédito é a pesquisadora e etno-musicóloga Emília Biancardi, de quem foi "aluno indireto". "Ela é uma ex-baterista profissional, que se interessou pela música baiana uns 40 anos atrás, fez música para dança e criou os primeiros balés da Bahia. Muitos grupos daqui se inspiraram nela", lembra. "Em 1972 ela criou orquestras em três colégios públicos da Bahia, interessada em colocar música afro-baiana nas escolas, coisa que não existe hoje. E ela colocava na direção das orquestras músicos que tinham identificação com grupos percussivos, que fossem referência da Bahia. No caso, meu mestre foi Moa do Catendê."A orquestra da qual Letieres participou tinha naipes de atabaques, berimbau, balafon, caxixis. A partir daí, ele teve contato com o jazz de maneira mais organizada, aprendendo a função de cada tambor, e o interesse foi natural. Tempos depois, já como músico profissional, fez arranjos para vários grupos afro-baianos, e cada trabalho levava a uma nova pesquisa. Há anos, é músico da banda de Ivete Sangalo, cuja música nada tem que ver com essa história.Letieres dá um passo adiante juntando à mistura do "candomblezz" a modernidade do samba-reggae (a faixaTaboão é uma homenagem a Neguinho do Samba, que formatou a fusão), o ijexá e as diversas modalidades baianas de samba - como em O Samba Nasceu na Bahia, que, segundo o maestro reúne "o samba afro (Ilê Ayiê), samba duro, kabila (Angola) e chula (Recôncavo Baiano). "Grupos como Olodum são caules dessa grande árvore, cujo tronco é o candomblé", diz.A formação da orquestra, composta de 5 instrumentos de percussão e 15 de sopros, remete ao som das bandas de rua de New Orleans e aos arranjos do grande maestro Moacir Santos (1926- 2006). O compositor e cantor Ed Motta, que participa como convidado do CD e é autor da única faixa não assinada por Letieres, Balendoah, aponta: "Letieres é o discípulo direto de Moacir Santos. O santo Moacir passou o bastão desse afro-centrismo universal pra ele. Acho que desde os anos 60-70 não se faz um disco instrumental tão denso, tão verdadeiro quanto esse. Não digo isso nacionalmente mas worldwide", afirma Motta, cuja ligação com Moacir está no fundamento de sua música.Sobre essa provável influência, diz Letieres: "Moacir também procurou as matrizes africanas, isso é fato. Mas sou nascido e criado em Salvador, morei em bairros populares, que sempre teve muita percussão. Pra gente é natural a influência afro, não é uma coisa que eu precise buscar. Tenho naturalmente contato com o tambor na minha formação musical. Moacir, que era pernambucano, como maestro e compositor foi uma das maiores inspirações que eu tive. Sempre digo, quando você está triste ou alegre, bote Moacir Santos, que você vai resolver tudo. Pra mim é uma maravilha como melodista. Agora, a base rítmica dele, posso dizer com convicção, que não foi minha inspiração."Para ele, a base da Rumpilezz, é mais ligada à religião. O nome da orquestra aliás, é uma fusão dos nomes dos três atabaques do candomblé: rum (grave), pi (médio) e lé (agudo). Os dois zz vêm do jazz. A grande inspiração para a orquestra também "vem da música instrumental como um todo", incluindo as orquestras pernambucanas de frevo. Letieres reconhece também influência do alagoano Hermeto Pascoal como compositor e instrumentista. "Hermeto é o grande representante do baião e seus derivados. Se você for procurar na região, você vai encontrar o maracatu, o frevo, o coco, o xaxado. Todo esse material foi a base para estruturar o trabalho magnífico de Hermeto."Para Ed Motta, "desde Dorival Caymmi esse é o grande progressista do universo da música da Bahia. Assunto música e não comportamento, relativismos, etc." continua. "Mesmo para essa geração xenófoba da música instrumental brasileira atual a Rumpilezz é uma aula de estética universalista apesar de louvar muitos motivos regionais. É o único disco novo que eu escuto e aprendo a cada audição, uma aula de vida o que Letieres faz."

Fonte : OESP/ Lauro Lisboa Garcia, Salvador
Colaboração : Gileno Xavier

ANIVERSARIANTES 01/03


Barrett Deems (1914-1998) – baterista,
Benny Powell (1930) – trombonista,
Dave Lisik (1974) – trompetista,
Glenn Miller (1904-1944) – trombonista,
Gene Perla (1940) - baixista,
Nilson Matta(1949) – baixista(na foto),
Rainer Theobald (1960) – clarinetista,
Ralph Towner (1940) – guitarrista,
Vinny Golia (1946) - saxofonista

domingo, 28 de fevereiro de 2010

MARA ROSENBLOOM QUARTET – SCHOOL OF FISH (Self Produced [2009])


Música, na melhor das hipóteses, é sobre coisas que vemos e sentimos e que são bem conhecidas, mas sob outro enfoque, fazendo-as prazeirosas para o intelecto e para o coração. É sobre o posicionamento de coisas familiares em um contexto não familiar.
Tomando a capa do álbum da pianista , natural de Wisconsin, Mara Rosenbloom como exemplo, School of Fish, é adornada por um peixe pintado em uma estrutura de madeira com o olho do peixe sendo parte da textura natural da madeira. Aqui, um animal aquático é retirado do seu elemento natural e colocado em contexto diferente e funciona: o peixe é visto de forma nova e em modo humorado.

Apenas como a capa apresenta a percepção bem conhecida de como as coisas usualmente são, Rosenbloom renova a fórmula do jazz com brilhantes composições que são liricamente contemplativas e ritmicamente pulsantes.

É fácil seguir a conexão melódica do seu pensamento e, ainda, há constantes e inesperados desvios, fazendo a música acessível e intelectualmente satisfatória. Como pianista Rosenbloom é igualmente fascinante — mudando o tempo, usando energética emissão de notas e blocos de acordes. Há traços do seu ex-professor Kenny Werner, bem como de McCoy Tyner, mas a expressão final é sua.

Bloom reuniu um excelente time de músicos jovens, que entendem como a música funciona e são capazes de seguir cada variação e modificá-la. O baixista Isaac Jaffe tem a elasticidade suingante necessária para a variação da complexidade melódica das composições como na faixa de abertura "Arrival" e em "Passage" com o vigor dos seus ritmos. Para manter esta proposta, o baterista Nick Anderson é o mantenedor ideal do tempo com seu brilhante e sofisticado toque, fazendo a música dançar.

Darius Jones é um mestre do instrumento, desde a aveludada vulnerabilidade de "Subtle Pressure" para o intenso clímax de "Six" , ele toca através do registro inteiro do seu saxofone.

Este quarteto executa música que torna crível o futuro do jazz. Como pianista e compositora, Rosenbloom é uma singular musicista e está à frente daqueles músicos que estão satisfeitos em residir nas desinteressantes águas dos elementos familiares.

Faixas: Arrival; Subtle Pressure; Passage; Ellipsis; Departure; Six.

Músicos: Mara Rosenbloom: piano; Darius Jones: saxofone alto; Isaac Jaffe: baixo; Nick Anderson: bateria.

Fonte : All About Jazz / Jakob Baekgaard