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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

ZACC HARRIS GROUP – SMALL WONDERS (SHIFTING PARADIGM)

Este segundo álbum do grupo baseado nas Twin-Cities (NT: O termo se refere às cidades de Saint Paul e Minneapolis, separadas pelo famoso Rio Mississipi, e localizadas no Minnesota, estado situado na região centro-oeste dos EUA), Zacc Harris Group, encontra o quinteto original (guitarrista Harris, saxofonista tenor Brandon Wozniak, pianista Bryan Nichols, baixsta Chris Bates, baterista JT Bates) incrementado pelo trompetista e educador residente em Indiana,  John Raymond, cuja presença imponente adiciona uma decisiva vantagem.

Na abertura angular, “Ominous Skies”, Raymond segue solos potentes de Wozniak e Harris, instantaneamente, tomando as coisas com um entalhe de sua própria agenda harmônica. Um presságio de coisas a vir deste sexteto audacioso. A estelar nota alta soprada por Raymond traz alguns sérios bocados de prazer para “Sundials”, enquanto o jazz valseado de “Glass Houses” é uma vitrine para a fluidez do guitarrista em seu estilo com entonação calorosa. Harris revela umas coisas intricadas e uníssonos traiçoeiros, como na dinâmica “Civil Dawn”, que inicia com dois minutos e meio de uma execução de piano solo por parte de Nichols antes de Harris e Raymond oferecerem alguns cintilantes chamadas e respostas sobre um ostinato fascinante, e também um implacável suíngue em “The Void”, apresentando uma sucessão de solos crepitantes de Wozniak, Raymond e Harris antes de Nichols tocar uma provocação harmônica em seu próprio solo estonteante.

As ternas escovinhas na balada “Maya” sublinhada pelo ritmo simpático dos irmãos Bates, providencia um momento de reflexão cristalina, enquanto a segunda linha impulsiona “Apple Jacks”, que é uma partida mundana do programa, que incorpora vividamente declarações de chamadas e respostas e improvisação coletiva entre Wozniak e Raymond. Neste segundo álbum baseado nas Twin-Cities , o grupo Zacc Harris encontra o quinteto original (o guitarrista Harris, o saxofonista tenor Brandon Wozniak, o a Bryan Nichols, o baixista Chris Bates, o baterista JT Bates) incrementado pelo trompetista e educador John Raymond, cujo presença imponente adiciona uma decidida vantagem.

Faixas: Ominous Skies; Sundials; Glass Houses; Civil Dawn; A Beautiful Life; The Void; Mixed Signal; Apple Jacks; Maya Song. (57:54)

Músicos: Zacc Harris, guitarra; John Raymond, trompete e flugelhorn; Brandon Wozniak, saxofone tenor; Bryan Nichols, piano; Chris Bates, baixo; JT Bates, bateria.

Fonte : Bill Milkowski (DownBeat)  

 

ANIVERSARIANTES - 02/12

Amina Figarova (1966) - pianista,

Charlie Ventura (1916-1992) - saxofonista,

Eddie Sauter (1914-1981) arranjador e compositor,

Fate Marable (1890-1947) – pianista,líder de orquestra,

Fay Claassen (1969) - vocalista,

Ja Son Rigby (1974) – saxofonista,clarinetista,

Marco Pignataro (1965) – saxofonista,

Peppe Merolla (1969) - baterista,

Ronnie Mathews (1935-2008) - pianista,

Sylvia Syms (1917-1992) - vocalista,

Toninho Horta(1948) – guitarrista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Fx7yPCWu8t0,

Wynton Kelly (1931-1971) – pianista.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

LUCY YEGHIAZARYAN / VANISHA GOULD – IN HER WORDS (La Reserve Records)

 Lucy Yeghiazaryan, armênia, elabora melodias com uma primorosa voz temperada, bem encorpada, feita sobre medida para iluminar como farolestes de uma era do passado, enquanto uma nativa do sudeste da Califórnia, Vanisha Gould, gira a narração colorida de suas canções com um estilo selado com atrevimento. Estas duas parecem ser de diferentes universos, também têm uma rica tapeçaria de jazz, aninhada profundamente em suas vozes distintas. Elas também compartillham as experiências (para o bem e para o mal) de serem mulher.

Em “Her Words” há uma conversa, alternando anedotas das suas vidas como dois amigos na hora do almoço. Aqui, o prato compartilhado é um quarteto de cordas não convencional formado por violino, cello, baixo e guitarra, com Yeghiazaryan e Gould alimentando a delicadeza energética da banda em suas formas próprias.

As modernas baladas folk de Gould transbordam com palavras que contam estórias curtas, como na indócil “Gypsy Feet”. As baladas de Yeghiazaryan são de natureza terna, incluindo uma interpretação sensacional de “My Man”, uma trágica ode a um amante abusivo, simultaneamente uma homenagem a Billie Holiday.

O contraste entre as vocalistas é notável ao longo do trabalho, mesmo que iniciemos ouvindo como se estas mulheres estivessem em lados opostos no mundo, e, ao final, voltam para o mesmo lugar.

Faixas: The Game; Gypsy Feet; Nobody’s Heart; Hey Baby; Look This Way; Gone Again; Trapped In This Room; My Man; Interlude; Love Isn’t Everything; Cute Boy; Moments Like This. (33:51)

Músicos: Lucy Yeghiazaryan, Vanisha Gould, vocal; Richard Cortez, vocal (4); Eric Zolan, guitarra; Dan Pappalrdo, baixo; Ludovica Burtone, violino,Kate Victor, cello (1–3, 6–8, 10, 12).

Nota: Este álbum foi considerado, pela DownBeat, como um dos melhores lançados em 2021 com a classificação de 4 estrelas.

Fonte: Gary Fukushima (DownBeat) 




ANIVERSARIANTES - 01/12

Bia Mestrinér (1956) – vocalista,

Carlos Garnett (1938) - saxofonista,

Chantal Chamberland (1965) - vocalista,

Greg Murphy (1959) – pianista,

Hadley Caliman (1932-2010) – saxofonista,

Jaco Pastorius (1951-1987) – baixista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=JXOnhzoC-i8,

Jimmy Lyons (1933-1986) - saxofonista,

John Bunch (1921-2010) - pianista,

Lou Rawls (1935-2006) – vocalista,

Lurlean Hunter (1928-1983) – vocalista,

Mika Pohjola (1971) - pianista,

Sérgio Dias (1951) – guitarrista,vocalista,

Ted Brown (1927) saxofonista,

Woody Allen (1935) - clarinetista 

 

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

ANDREW HADRO / PETROS KLAMPANIS – REGARDING THE MOON (ΠΚ Music)

O compacto é algo tão velho quanto o jazz em si. Majoritariamente desapareceu durante a era do álbum nos anos 1960, mas compactos no jazz e em músicas novas começaram a fazer um retorno em anos recentes. E durante a pandemia, a tendência foi explorada com artistas colocando suas gravações como se eles estivessem finalizando em vez de esperar por uma coletânea de trabalho a ser completada. Neste espírito, aqui está um surpreendentemente ambicioso e independentemente produzido compacto produzido pelo saxofonista barítono Andrew Hadro. Em completa manifestação, Hadro é um antigo amigo deste resenhista. Assim, quando ele disse que estava trabalhando em um novo projeto, afirmei “Grande, não posso esperá-lo para ouvir”. Porém, “Regarding The Moon”, seu novo trabalho, vai bem além de qualquer projeto independente, que ouvi em anos recentes. Primeiro, é musicalmente assombroso. Hadro contratou o compositor Petros Klampanis para escrever o que seria apresentado nos registros mais elevados do saxofone barítono. Hadro tocou a extensão altíssima do sax barítono como um foco de sua arte. Exigiu dele a, praticamente, reaprender seu instrumento e seriamente praticar a técnica e controle. Ele trabalhou nesta peça por um ano antes de culminar em gravação. Realizar o compacto levou 18 meses. Porém, o produto final valeu a espera. A finalidade não é a técnica pela técnica. A peça serve como uma balada amorosa e um pequeno aceno a “Clair de Lune” de Claude Debussy apresentada com precisão formidável e graça. A música emparelha o barítono de Hadro com um duplo quarteto de cordas — apresentando quatro violinos, duas violas e dois cellos — ao lado do baixo, piano e bateria. Há muita complexidade aqui, com superior drama e magnificência do instrumento de Hadro levado pela onda em maravilhosos arranjos de cordas. É direção muito diferente para Hadro. Ele é conhecido como um músico de jazz, que tocou com o falecido Junior Mance tão bem quanto com o saxofonista Tony Malaby. Porém, esta é uma peça completamente composta, muito diferente que uma música que ele já criou nestas configurações. Assim, é jazz? Nova música? Quem se importa. É um trabalho de beleza extraordinária. E o que é excitante é que é mais do que foi prometido. “Regarding The Moon” é parte de um projeto, em andamento, mais amplo de Hadro, “For Us, The Living” sob o qual ele planeja estreiar mais trabalhos durante o ano que vem e além. O que ele fez aqui como um artista independente é muito ambicioso no escopo, mas incrivelmente belo em execução.

Músicos: Andrew Hadro – Saxofone Barítono; Petros Klampanis - Compositor, Produtor, Baixo; Martha Kato – Piano; Rogerio Boccato – Bateria; Dionisis Vervitsiotis, Migen Selmani, Haralambos Karasavidis, Pericles Timplalexis – Violino; Enkela Kokolani, Krystalia Gaitanou – Viola; Marina Kolovou, Fabiola Ojeda - Cello

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Qtb3JJ2pRac

Fonte: Frank Alkyer (DownBeat)

ANIVERSARIANTES - 30/11

Duane Andrews (1972) - guitarrista,

Jack Sheldon (1931) - trompetista,vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=A13HYqZuF5c,

Stan Sulzman (1948) – saxofonista,

Stefano Bedetti (1973) – flautista,

Sylvie Curvoisier (1968) - pianista

 

terça-feira, 29 de novembro de 2022

MARY LaROSE - OUT HERE (Little (i) Music)

A vocalista Mary LaRose esteve há muito tempo expondo seu vocal, com e sem palavras, aos trabalhos de compositores do jazz moderno tais como Albert Ayler, Ornette Coleman, Charlie Haden e Eric Dolphy. Este CD é sua primeira exploração completa de Dolphy, sondando o artifício de fluxo livre do seu trabalho com um grupo que inclui diversos instrumentos, que ela usou em suas gravações, cello, vibrafone e clarinete baixo.

LaRose aborda a música de Dolphy colocando letra em algumas canções, vocalizando sem palavras e mesmo recitando uma poesia apropriada em duas faixas. Tudo tem uma divertida leveza, que se sente justa na música com seu som de classe mundial. Em "Gazzelloni" o líder gorjeia o título sobre vibrações distorcidas eletronicamente por Patricia Brennan, o cello envolvente de Tomeka Reid, o sobe e desce do clarinete de Jeff Lederer e uma batida gotejante alimentada pelo baixista Nick Dunston e o baterista Matt Wilson. "245" observa LaRose ronronando e fazendo scat sobre a melodia conforme a banda cruza um balanço travesso no passeio do jazz. Em "Out There" e "GW", ela navega nas passagens erráticas do tempo das músicas, pausa e surge com tranquilidade, conforme os outros músicos impulsionam e contraem brilhantemente através da música, executando um passo estimulante em "GW" e criando um espírito nebuloso e sonhador em "Out There".

Em "Serene", LaRose recita um poema, "Syncopation", escrito por Hallie Lederer, sobre um ambiente de camadas de um vibrafone ressonante que muda para grupo de jazz de câmara blueseiro conforme LaRose troca para uma balada do blues melancólico, cantando à la Annie Ross. Esta versão de "Music Matador" dobra os esforços no sabor caribenho no tratamento de Caribbean de Dolphy, fortalecendo a banda com dois especialistas do jazz latino, o trombonista Jimmy Bosch e o percussionista Bobby Sanabria. O saxofonista Jeff Lederer apenas toca clarinete e clarinete baixo nesta sessão e seu som amadeirado mistura bem a tepidez de LaRose, voz flexível. Isto é especialmente verdadeiro em "Love Me", que foi originalmente um poderoso dueto executado por Dolphy no clarinete baixo com o baixista Richard Davis. Aqui, ele é interpretado por LaRose e Lederer. A vocalista estende sua voz através dos altos e baixos do solo de Dolphy conforme Lederer grasna e chora no suporte. O CD encerra com uma rara composição de Mal Waldron, "Warm Canto", que, originalmente, apresentou Dolphy no clarinete, aqui LaRose suavemente zumbe a melódica cadência animada do trio de clarinete, antes de, evocativamente, ler um poema de Patricia Donegan, "Lover's Wish", com murmúrios empáticos do cello e vibrafone.

A beleza heterodoxa e serenidade reflexiva da música de Eric Dolphy vêm radiantemente neste tributo. Mary LaRose e seus colaboradores tratam seu trabalho com respeito, enquanto adiciona elementos de confiança e ousadia, que destaca quão jubilosa a alegria pode ser. Este é um excelente trabalho de um músico muito talentoso e criminosamente desconsiderado.

Faixas: Gazzelloni; 245; Out There; Music Matador; GW; Serene; Out to Lunch; Love Me; Warm Canto.

Músicos: Mary LaRose: voz / vocal; Jeff Lederer: saxofone tenor, clarinete, clarinete baixo; Tomeka Reid: cello; Patricia Brennan: vibrafone; Nick Dunston: baixo; Matt Wilson: bateria; Jimmy Bosch: trombone, vibrafone, percussão (4); Bobby Sanabria: bateria, percussão (4); Isaiah Johnson: bateria, clarinete (9); Cameron Jones: clarinete (9); Maya Rose Lederer: voz / vocal(4).

Nota: Este álbum foi considerado, pela DownBeat, como um dos melhores lançados em 2021 com a classificação de 4 estrelas.

 Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=HZqc5_o-6Ic

Fonte: Jerome Wilson (AllAboutJazz)