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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

JEREMY PELT - #JIVECULTURE (HighNote Records)


A abordagem do trompetista Jeremy Pelt permanece solidamente postbop em sentimento e execução, com fortes ecos do trabalho de Miles Davis do meio para o final dos anos 60, empresta autoridade aqui pela presença de um seguidor de Davis, Ron Carter no baixo.

A abertura, uma composição de Pelt intitulada “Baswald’s Place”, estabelece a entonação. É propulsiva, ainda que impregnada de meditativa tranquilidade, suportada pela carga suingante da seção rítmica (pianista Danny Grissett e baterista Billy Drummond, junto com Carter) e um impressivo apoio dos solistas—especialmente, neste caso, Grissett, que intensifica suas concepções lineares com harmonias ricamente entortadas e texturas sônicas. Pelt, entretanto, alcança uma suavidade, sussurrante como uma voz que nem é sentimental nem ironicamente destacada, mas franca em sua ressonância emocional. Suas ideias soam inovadoras e originais, mesmo em sua opacidade e entonação livre de vibrato e o criterioso uso do silêncio torna claro seu contínuo débito com Miles.

Embora não haja maiores diferenças temáticas entre “Part I” e “Part II” deste CD, a segunda seção inclina-se para o lado mais exploratório. “Rhapsody” toma um tempo de balada, embora brincalhão, em sua aparente escolha para derrubar qualquer prognosticável modelo rítmico ou melódico, é provavelmente o som mais “free” oferecido aqui; as improvisações, paradoxalmente, solidificam um senso de estrutura e coerência superior na ilusória falta de contornos da linha atual. Em “Desire”, o encerramento do trabalho, Grissett desliza rápido e brinca entre intervalos e oitavas, criando aberturas e então preenchendo-as com centelhas dançantes, bem como Drummond declara divertidos risos e ásperas gargalhadas atrás dele. Carter mantém o ritmo enquanto providencia sutis elaborações, bem como Pelt apressa-se no topo , tudo exemplificando o “Jive” do título: diversão significativamente apresentada como sagacidade e determinação.

 Faixas

1. Baswald's Place

2. Einbahnstrasse

3. Dream Dancing

4. A Love Like Ours

5. The Haunting

6. Rhapsody

7. Akua

8. Desire

 

Músicos: Jeremy Pelt (trompete); Danny Grissett (piano); Ron Carter (baixo); Billy Drummond (bateria).

 

Fonte: David Whiteis (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 26/09


Gal Costa (1945) – vocalista,
Gary Bartz (1940) – saxofonista,
George Gershwin (1898-1937) - pianista,compositor,
Jean Caze (1982) - trompetista,
Julie London (1926-2000) – vocalista.
Mário Adnet (1957) – violonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=08AKp2iJ9n8,
Nicholas Payton (1973) - trompetista,
Vic Juris (1953) – guitarrista

domingo, 25 de setembro de 2016

MYRA MELFORD – SNOWY EGRET


Baseado nos seus multidimensionais esquemas no jazz entre associações com artistas bem dispostos a abraçar a moderna onda do jazz de compositores e improvisadores, você não esperaria a pianista Myra Melford compor trabalhos baseados em passeios noturnos no parque ou em discussões mundanas, por exemplo. Com sua banda de alto nível, Melford organiza esta trama na resplandecente e trilogia poética, Memory of Fire , de Eduardo Galeano, concernente a facetas históricas do hemisfério ocidental. Como imaginado, a pianista realiza uma ampla perspectiva com estes tomos incandescentes, temperado com movimentos geométricos, complicados coros uníssonos, cenários incertos e suportada por uma seção rítmica desembaraçada.

Melford conduz um ataque multicompartillhado através de narrativas caleidoscópicas e animados fraseados, embora gerando um matiz mediterrâneo quando utiliza o harmônio em "Ching Ching/For Love Of Fruit". Aqui, o trompetista Ron Miles contrasta os desenvolvimentos seguintes com toques de blues, tal qual o baterista Tyshawn Sorey utiliza balanços jazzísticos e latinos, apresentando uma postura mundana. É uma jornada dinâmica com voo livre reformulando mecanismos e a improvisação expansiva da banda ao longo de vários trabalhos.

A líder insere uma mescla proposições evocativas de ânimo em "First Protest", realçadas pelo sua introdução ágil e persuasões divertidas, contrapostas pelas ferventes réplicas de Sorey e os solistas transpirando cadências. Porém, os gotejamentos harmônicos de Melford introduzem cores adicionais e superiores discernimentos em uma pulsação complexa e alguns vigorosos impactos e afiados episódios. Além disto, a banda entremeia toques baladeiros e refrões melódicos divergentes no programa. Uma vez mais, Melford alinha uma estrutura de complexidades esperadas com uma paisagem sonora atraente, que desvela considerações adicionais em repetidas audições.

Faixas: Language; Night of Sorrow; Promised Land; Ching Ching/For Love of Fruit; The Kitchen; Times of Sleep and Fate; Little Pockets/Everybody Pays Taxes; First Protest; The Virgin of Guadalupe; The Strawberry.

Músicos: Liberty Ellman: guitarra; Ron Miles: trompete; Stomu Takeishi: baixo guitarra acústico; Tyshawn Sorey: bateria; Myra Melford: piano, harmônio.

Fonte: GLENN ASTARITA (AllAboutJazz)

ANIVERSARIANTES - 25/09


Barbara Dennerlein (1964) – organista,
Billy Pierce (1948) - saxofonista,
Bradford Hayes (1959) - saxofonista,
Charlie Allen (1908-1972) - trompetista,
Craig Handy( 1962) - saxofonista,
Dean Krippaehne (1956) – pianista,vocalista,
Dennis Mitcheltree (1964) – saxofonista,
Garvin Bushell (1902-1991) - saxofonista,clarinetista,fagotista,
Horace Arnold (1937) - baterista,
John Taylor (1942-2015) - pianista,
Marco Pereira(1950) – violonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=oBB6UETf4SI,
Michael Gibbs (1937)- pianista,trombonista,
Quito Pedrosa(1964) – saxofonista,
Sam Rivers (1930-2011) - saxofonista,flautista,
Rossiere “Shadow” Wilson (1919-1959) – baterista,
Zé Eduardo Nazário(1952) - baterista

sábado, 24 de setembro de 2016

NICOLE MITCHELL´S BLACK EARTH ENSEMBLE – INTERGALACTIC BEINGS (FPE RECORDS)


Ambição, densidade e intimidação, “Intergalactic Beings” da flautista-compositora natural de Chicago, Nicole Mitchell, é uma suíte musical melancolicamente cinemática inspirada no trabalho de ficção científica do escritor afro-americano Octavia Butler. Os sons desabridos invocados nas dez peças de Mitchell com o Black Earth Ensemble com a compreensão bem agressiva do conceito de divergente. Sua contribuição arrojada para a arte Afro-Futurística abarca o vanguardismo do AACM, o caos cósmico da Sun Ra Arkestra e a experimentação sônica nebulosa da Exploding Star Orchestra  de Rob Mazurek, da qual Mitchell é um membro.

Nas suas notas para o disco, Mitchell descreve uma estória triste de uma abdução de um alienígena e um acasalamento interespécies, que ela busca descrever através de uma intensa abstração em sua longa suíte. O CD não inicia tão desenvolvido assim, o profundo rugido do baixo de Joshua Abrams convoca primordiais grunhidos e bramem de vários cantos da banda na abertura de 10 minutos, “Phases of Subduction”. Fragmentos da melodia introduz-se via o clarinete baixo de David Boykin, mas estes são repetidamente subjugados por dissonantes grasnidos e ruídos. O vocal estridente e sem palavras de Mankwe Ndosi (ao menos na linguagem humana) sugere o horror sobrenatural.

O restante do álbum é apenas generoso, embora “The Ooli Moves” passeie flutuante nos ritmos tagarelas do baterista Marcus Evans e do percussionista Avreeayl Ra, com a fúria do arco do violinista Renée Baker e trabalho matizado e androide do guitarrista Jeff Parker. Mitchell estende-se largamente para guiar esta amorfa besta através de seus estranhos passos, mas finalmente estabelece sua inventiva flauta free no encerramento “The Inevitable”, encerrando as coisas em mais uma nota mundana convidativa.

Faixas: Phases of Subduction; Cycle of Metamorphosis; The Ooli Moves; Dripping Matter; Negotiating Identity; Web of Hope; Fields of Possibility; Resisting Entanglement; The Inevitable.

Músicos: Nicole Mitchell: flauta, composições; Mankwe Ndosi: vocal; David Boykin: saxofone tenor, clarinete baixo; David Young: trompete, sraliai horn; Renee Baker: violino; Tomeka Reid: cello; Jeff Parker: guitarra elétrica; Joshua Abrams: baixo; Avreeayl Ra: percussão; Marcus Evans: bateria.

Fonte: Shaun Brady (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 24/05

Bill Connors (1949) - guitarrista,
Fats Navarro (1923-1950) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=JApikPx-V3s,
Herb Jefferies (1916) - vocalista,
Ingrid Laubrock (1970) – saxofonista,
Jack Costanzo (1922) - percussionista,
Jay Hoggard (1954) – vibrafonista,
John Carter (1929-1991) - clarinetista,
Rebecca Kilgore (1948) - guitarrista, vocalista,
Walter Smith III (1980) - saxofonista,
Wayne Henderson (1939) - trombonista

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

JERRY GONZÁLEZ & MIGUEL BLANCO BIG BAND - A TRIBUTE TO FORT APACHE BAND (Youkali)


O trompetista e percussionista Jerry González da Fort Apache Band não é certamente o primeiro a enxertar elementos do bebop, postbop e suingue tradicional em uma estrutura afro-cubana. Sua relativamente linguagem dispersa e a destreza e sutileza de seus solistas tem ajudado a liberar a música dos agudos clichés do “fogo latino”, que, ainda frequentemente, caracterizam, tais projetos. The Apaches delineiam paisagens auditivas, nas quais o próprio espaço assume quase uma presença física, algo que envolve a música e explora oportunidades a ser descobertas.

Este tributo, consistindo de oito favoritos do Fort Apache reimaginados pelo arranjador Miguel Blanco, honra a estética do grupo eloquentemente. Uma peça como “Earthdance” poderia servir como uma declaração de propósito: Menos uma “fusion” que uma celebração às identidades individual e coletiva, derrete diversos elementos culturais para criar novas texturas, embora cada aspecto cultural permaneça distinto. Em “Let’s Call This”, uma joia menos conhecida de Monk (há também uma reprise de uma tomada de “Ugly Beauty” de 1989 dos Apaches), o pianista Albert Sanz invoca, mas não mimetiza o mestre, o solo do sax alto de   Luis Verde ecoa Johnny Griffin (quer dizer suas linhas são rápidas e hábeis ainda que impecavelmente bem pensadas). E não deixar escapar a inserção endiabrada da lendária “I’m famous—ain’t that a bitch? ”  de Monk do documentário Straight, No Chaser.

Uma tomada de “Footprints” de Wayne Shorter, uma composição de González, que o fundador e líder da banda ainda não tinha gravado, poderia, também, servir como manifesto.  González e a latinização de Blanco para o tema de Shorter é sutil, mas transformadora, e, outra vez, há o senso de que estes músicos estão trabalhando no espaço que providencia campo ilimitado, bem como um tranquilizador senso de fidelidade.

Faixas: Agüeybaná (apresentando Daniel Aldama & Ariel Brínguez); Eighty One (apresentando Rafa Águila & Javier Massó “Caramelo”); Earthdance (apresentando Dani Juárez); Let’s Call This (apresentando Israel Sandoval & Luis Verde); Ugly Beauty (apresentando Albert Sanz); Footprints (apresentando Javier Colina); Rumba Y Consecuencia (apresentando Luis Guerra & Norman Hogue); Sueños Vampíricos (apresentando Israel Sandoval & Marc Miralta)

Músicos: Jerry González: trompete e congas; Miguel Blanco: Diretor Musical; Javi Martinez “Martintxo”: trompete; Carlos Rossi: trompete; Norman Hogue: trombone; Santi Cañada: trombone; Luis Verde: saxofones alto e soprano ; Dani Juárez: saxofone tenor e flauta; Ariel Brínguez: saxofone tenor e flauta; Sergio Bienzobas: saxofone barítono; Israel Sandoval: guitarra; Albert Sanz: piano; Toño Miguel: contrabaixo; Jesús Catalá: percussão; Marc Miralta: bateria; Daniel Aldama: percussão; Javier Massó “Caramelo”: piano; Luis Guerra: piano; Javier Colina: contrabaixo; Rafa Águila: saxofone

Fonte: David Whiteis (JazzTimes)