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sábado, 7 de março de 2026

THE MONKIOUS - NO STRAIGHT WITH CHASER (JACC Records)

Thelonious Monk (1917-1982) disse-o com desconcertante clareza: «Para onde vai o jazz? Não sei. Talvez para o inferno.» Nome fundamental para a história do jazz, Monk, oriundo de Rocky Mount, na Carolina do Norte, era, na primeira metade dos anos 1940, o pianista residente do Minton's Playhouse, o lendário clube do Harlem que foi o principal laboratório para as experimentações que culminaram na revolução do bebop. Pianista econômico e preciso, costumava tocar dobrado sobre si próprio, com os dedos rígidos, quais baquetas a percutir um tambor. De personalidade peculiar, excêntrico, Monk não colhia os favores generalizados da crítica de então, embora excitasse os mais atentos. Mas as suas harmonias angulares, dissonantes, as guinadas melódicas e o ataque percussivo fizeram dele um nome fundamental para o que, a partir de então, aconteceu no jazz. Todas estas peculiaridades fazem da música de Thelonious Monk um substrato fértil para explorações criativas. Foi o que aconteceu no projeto The Monkious, trio com dois-terços portugueses ― o guitarrista Marcelo dos Reis e o contrabaixista Gonçalo Almeida ― e um-terço alemão ― o baterista Philipp Ernsting ―, que acaba de editar o seu registo de estreia, No Straight With Chaser, na JACC Records. A ideia central do projeto passa por utilizar o legado de Monk para criar algo novo e singular. Os temas do pianista servem não apenas como pontos de partida, mas sobretudo como plataformas para improvisações em contexto livre e criativo, explorando um vasto espectro de possibilidades sonoras que se afastam da rigidez formal. A incessante procura por contextos mais abstratos confere à música do trio uma dimensão exploratória, em que a tradição se cruza com a inovação. «Mais do que revisitar Monk», começa por explicar Gonçalo Almeida à jazz.pt, «o grupo centra-se na interação, em utilizar cada interpretação como espaço vivo de diálogo, espontaneidade e experimentação coletiva.» O lado aventureiro do empreendimento agrada também a Marcelo dos Reis: «Do ponto de vista pessoal, é muito interessante abrir o leque de possibilidades em “hinos” do jazz que são tão conhecidos do público em geral, e isso ficou sempre refletido pela reação das pessoas, em todos os concertos que fizemos até hoje.» No início estava a ideia de formar um trio de improvisação que não partisse de uma tábua rasa, mais de algo reconhecível e enraizado na tradição. «Um dos nossos pontos de referência foi o disco Standards, de Derek Bailey, no qual os temas servem como matéria-prima para explorações fora do contexto idiomático do jazz. Dentro desse espírito, sentimos que a música de Thelonious Monk seria ideal para essa abordagem: por um lado profundamente marcada pela tradição, por outro lado aberta a múltiplas possibilidades de reinvenção», sublinha o contrabaixista. O que quiseram, corrobora o guitarrista, foi «pegar na música de um artista que tanto admiramos pela visão que teve, e partir dessa visão para tocar livremente sobre esta música.» «Na verdade, acho que é a interpretação correta para o fazer». As composições atemporais de Thelonious Monk podem ser imensamente elásticas, admitindo interpelações sob diferentes ângulos. «A própria música de Monk já era “torcida” por si mesma, por o tempo ser irregular e pelos clusters dissonantes. A partir daí, foi um dos motes para abordar este repertório desta forma, pois já é convidativo para tal», diz Marcelo dos Reis. Gonçalo Almeida exalta o lado único e, ao mesmo tempo, altamente reconhecível da música do pianista. «A sua escrita e o seu modo de tocar transportam sempre algo de inesperado, uma dimensão “fora da caixa” que o torna inconfundível. Não é por acaso que tanto a sua música como o próprio reconhecimento da sua obra demoraram a ser plenamente abraçados: trata-se de uma linguagem que não é comum, que desafia convenções, mas que ao mesmo tempo reflete com enorme clareza a originalidade e a visão pessoal.» A música de Thelonious Monk espelha um espírito rebelde e criativo, que desafiou o facilitismo de um swing em decadência, quebrou moldes e abriu uma miríade de novas possibilidades para o jazz (Os polícias estavam vigilantes, mas, ontem como hoje, erraram o alvo: anteviram, então, que o bebop significava o fim do jazz).

Marcelo dos Reis tem seguido uma trajetória diversificada nos terrenos férteis do jazz de pendor mais livre e da improvisação relacionada, desdobrando o seu trabalho por múltiplos projetos, como Open Field, The NAP, Chamber 4, Frame Trio, Fail Better!, In Layers, Turquoise Dream, Pedra Contida e, mais recentemente, Flora, com o contrabaixista Miguel Falcão e o baterista Luís Filipe Silva. Em 2024, ofereceu-nos o solitário Life... Repeat!!!. Radicado em Roterdam desde 2002, Gonçalo Almeida tem construído um tentacular corpo de trabalho, em diferentes contextos e configurações instrumentais, integrando projetos como The Selva, Albatre, Ritual Habitual, Spinifex, Lama, ROJI e Sonitus Missarum. O seu rol de colaborações impressiona. Os anos mais recentes trouxeram duetos com o contrabaixista belga Peter Jacquemyn, oficiante do mesmo instrumento, e com o organista Bart van Dongen, nos Tabula Sonorum Organum; integra o trio The Attic (com o saxofonista Rodrigo Amado e o baterista Onno Govaert) e o liderado pelo trompetista Luís Vicente. Em 2024, editou o notável “States of Restraint”, com a trompetista Susana Santos Silva e o percussionista Gustavo Costa. Conhecemos o trabalho de Philipp Ernsting sobretudo do power-trio Albatre (com o mesmo Almeida no contrabaixo) e nas várias frentes da colaboração que mantém com o saxofonista português Hugo Costa (não esquecer The Art of Crashing, de 2022). Ao revisitar Monk, o trio The Monkious não pretende recriar a sua música tal como ela é originalmente, mas sim dialogar com ela, inspirados pela ousadia e pela forma como desbravou territórios de liberdade e invenção no jazz. Este propósito está vertido no próprio título que escolheram para o álbum, que joga com as palavras do tema “Straight, No Chaser” ― que dá título ao sexto álbum de estúdio de Monk, lançado em 1967 ―, sintoma de um desejo de levar por diante um exercício de respeitosa subversão. «É música de Monk, mas subvertida, transformada, reconstruída, “torta”», diz Almeida. Ao mesmo tempo, o título acende também uma dimensão satírica, olhando com humor e distanciamento para o domínio por vezes demasiado sério e académico que tende a marcar certos circuitos do jazz. «O nome do álbum funciona como uma homenagem a Monk e à sua rebeldia, mas também como uma afirmação da nossa vontade de subverter a tradição e de a reinterpretar de forma livre e original», sublinha o contrabaixista. Reis alinha: «A ideia é também abordar este universo do jazz de uma forma mais relaxada e não tão fechada nas mudanças, e a variação no título representa totalmente a nossa abordagem à música do Monk, que é tocada de uma forma “não clássica” e com uma ideia mais abstrata, como um whisky velho, mas aqui cortado com Coca-Cola.» (Nota para o notável trabalho gráfico de Joana Monteiro.) Marcelo dos Reis e Gonçalo Almeida salientam a naturalidade de todo o processo: «Debatemos algumas ideias de como devíamos pensar a interação, abordagem, melodias e harmonias, e mesmo improvisando livremente, nunca esquecer o mundo onde estamos», refere o guitarrista. «Optamos por tocar e dissecar esses temas de forma a provocar o já referido encontro entre a música de Monk e a improvisação livre», complementa Almeida. «Esse trabalho acabou por se desenvolver de maneira espontânea e, em muitos momentos, até mesmo divertida, o que tornou o desafio menos um obstáculo e mais uma oportunidade de descoberta.» Gravado ao vivo no Salão Brazil, em plena baixa de Coimbra, no início de 2023, No Straight With Chaser é um verdadeiro tributo ao imenso legado de Thelonious Monk, dispensando formaldeídos e outros conservantes. O trio entrega-se a seis clássicos absolutos do universo monkiano; a abrir a função, “Monk’s Dream” deixa entrever a melodia-base, exposta telegraficamente, com os três instrumentos numa articulação apertada, alternando centralidades (não se leia protagonismos). “Epistrophy” também expõe o célebre motivo principal (que emerge a espaços) para logo tergiversar noutras direções. Reis explora diferentes técnicas, Almeida é um contrabaixista imprevisível e Ernsting um exemplo de contenção consequente. Os três músicos convergem para um final mais abstrato. Mote dado, “Well You Needn’t” mostra-os em ruminações ziguezagueantes, sempre procurando acrescentar pontos ao conto inicial. “Bemsha Swing” desenvolve-se num crescendo de intensidade até tudo regressar a uma enigmática serenidade. A relojoaria de “Evidence” exponencia os níveis de interação entre os vértices do triângulo instrumental. Em “Blue Monk” o grupo explora até às entranhas uma das mais emblemáticas composições do pianista: o guitarrista liga-se à eletricidade e ora se aproxima ora se afasta do motivo central, que, a espaços, emerge claríssimo; Almeida pega no arco, aportando uma camada difusa, e Ernsting toca com impressionante sensibilidade. Passados alguns segundos após terminada a última peça do alinhamento, confirmamos a suspeita: uma faixa-bônus, escondida, que corresponde ao bis do concerto e que contém todos os temas tocados anteriormente, numa sumária recapitulação de efeito surpreendente. Todo o jazz, a todo o tempo, deveria ser assim.

Faixas

1.Monk's Dream 05:46

2.Epistrophy 08:14

3.Well You Needn't 06:24

4.Bemsha Swing 05:28

5.Evidence 09:15

6.Blue Monk 14:13

Músicos: Philipp Ernsting— bateria; Gonçalo Almeida— contrabaixo; Marcelo dos Reis— guitarra elétrica.

Fonte: António Branco (jazz.pt)

 

ANIVERSARIANTES - 07/03

Anthony Ocaña (1980) – violonista,

Dan Papirany  (1967) – pianista,

Danilo Caymmi (1948) – violonista,flautista,vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=OeJ7XvovWzY,

David F. Gibson (1953) – baterista,

Lee Young (1917-2008) – baterista, vocalista, 

Mahlon Clark (1923-2007) – clarinetista,

Matthias Bergmann (1972) – trompetista,

Nat Gonella (1908-1998), trompetista,

Paoli Mejias (1970) – percussionista,

Turíbio Santos (1943) - violonista 

 

sexta-feira, 6 de março de 2026

BEN PATERSON - COOKIN' IN THE COUVE (Cellar Music Group)

O lançamento de Ben Paterson, “Cookin' in the Couve”, captura a energia e a intimidade de um trio de jazz a todo vapor. O álbum apresenta Paterson ao piano, Neal Miner no baixo e Aaron Seeber na bateria, enquanto eles entregam jazz com influência de blues e suíngue forte, equilibrando a sutileza técnica com a expressão comovente. O repertório é uma mistura deliciosa de originais de Paterson e alguns de seus padrões favoritos de blues, cada um escolhido para mostrar a coesão e o balanço do trio.

A sessão inicia com a faixa título, "Cookin' in the Couve", um original de Paterson que brilha desde as notas de abertura. Paterson cobre o teclado com novas ideias harmônicas e voltas melódicas complexas. Seeber faz um solo de escovinhas, adicionando textura e profundidade ao número. O guitarrista Kenny Burrell compôs "Chitlins Con Carne", no qual Paterson captura a intenção blueseira da música, fundamentando a interpretação em uma exploração texturizada. O solo de Miner é repleto de linhas de baixo ricas e flexíveis.

Henry Nemo compôs "'Tis Autumn" em 1941, mas nunca realmente a pegou até 1949, quando foi gravada pelo Nat King Cole Trio, passando a ser um standard do jazz. Paterson explora a bela melodia e a interessante construção harmônica, entregando uma versão expressiva do número com total domínio do timbre e da textura para um efeito suavemente luminoso. Em 1960, o pianista Bobby Timmons gravou “This Here Is Bobby Timmons” pelo selo Riverside. Foi seu primeiro álbum como líder solo e continha sua composição de hard bop, "This Here". A interpretação de Paterson sobre o número é repleta de fervor infundido com blues, já que sua mão esquerda fornece um contraponto percussivo para sua mão direita melódica. Os acentos de bateria de Seeber produzem uma dinâmica vibrante, com o baixo de Miner fornecendo a cola que mantém tudo unido.

Outro mestre do blues é o pianista Ray Bryant. Sua peça, "Chicken 'N' Dumplins", é alimentado pelo toque comovente de Paterson, evocando o espírito de grandes nomes do piano como Gene Harris e Oscar Peterson. Miner e Seeber estão presos em um bolsão rítmico que mantém o ritmo vivo. A faixa de encerramento é outro original de Paterson, "Morning Perusal". Neste tema emoldurado pela bossa nova, o número é uma prova do apelo duradouro do formato de trio de piano. Paterson, Miner e Seeber demonstram como a tradição e inovação coexistem, apresentando uma performance que suínga, enquanto permanece profundamente emotivo.

Faixas: Cookin' in the Couve; Chitlins Con Carne; North Pond Stroll; 'Tis Autumn; This Here; Digging Around; Chicken 'N' Dumplins; Up The Exchange; Quel Temps Fait Il À Paris; Morning Perusal.

Músicos: Ben Paterson (piano); Neal Miner (baixo acústico); Aaron Seeber (bateria).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=z4nFiD3SCkY

Fonte: Pierre Giroux (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 06/03

Alden Taro Ikeda (1964) – baterista,

Ayelet Rose Gottlieb (19790 – vocalista,

Charles Tolliver (1942) – trompetista,

Dom Minasi (1943) – guitarrista,

Fábio Zanon (1966) – violonista,

Flora Purim (1942) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=8BzZT5liAfY

Howard McGhee (1918-1987) - trompetista,

Palle Mikkelborg (1941) - trompetista,

Peter Brötzmann (1941-2023) saxofonista, clarinetista,

Red Callender (1916-1992) - baixista,

Robin Kenyatta (1942-2004) - saxofonista,

Wes Montgomery (1925-1968) - guitarrista 
 

quinta-feira, 5 de março de 2026

POSI-TONE SWINTET - IN JAZZ WE TRUST (Posi-Tone Records)

Em meados da década de 90, quando a Posi-Tone lançou seu primeiro álbum, o cenário da indústria fonográfica era completamente diferente do que é hoje. Pequenas gravadoras independentes não eram a norma, nem todos os artistas tinham seu próprio selo e o Napster ainda não havia chegado para dar início à revolução do acesso. Era, simplesmente, um mundo diferente: um mundo onde o cofundador da gravadora, Marc Free, estava preparado e era capaz de transformar um sonho em realidade, dando destaque a artistas consagrados que mereciam mais atenção e trazendo novos talentos emergentes para o primeiro plano. Com o passar do tempo e as inovações tecnológicas alterando a cultura e nossa relação com a música, Free e Nick O'Toole, seu engenheiro de som e codiretor da gravadora nos últimos 20 anos, se adaptaram, mantendo-se firmes em sua missão. Fazendo jus ao lema "In Jazz We Trust" (Em Jazz Nós Confiamos), eles deixaram sua marca repetidas vezes, apoiando a música e seus criadores. E continuam aqui até hoje, colocando em prática o que pregam.

Nesta data comemorativa, a Posi-Tone celebra com orgulho seu 30º aniversário e apresenta um septeto poderoso formado por artistas habituais da gravadora. A linha de frente de quatro instrumentos de sopro, composta pelo saxofonista alto Patrick Cornelius, o saxofonista tenor Diego Rivera, o trompetista Alex Sipiagin e o trombonista Michael Dease, junta-se à seção rítmica não oficial da Posi-Tone — o pianista Art Hirahara, o baixista Boris Kozlov e o baterista Rudy Royston — para um programa totalmente representativo do elenco e dos valores da banda. Seis dos sete participantes estiveram presentes na edição comemorativa de 25 anos do grupo, dedicada ao noneto — um fato que demonstra verdadeira consistência e lealdade mútua — e cada um deles deixa uma forte impressão através de sua performance e contribuição composicional.

 "Invocation" de Royston dá início à apresentação com uma invocação aos espíritos, um breve momento de centramento, posturas vigorosas e uma intensidade impressionante. O trombonista Steve Davis — que não faz parte deste projeto, mas é notável por seu trabalho em outros trabalhos da gravadora — recebe uma menção honrosa com sua envolvente e sincopada "Free Time". "Mal's Totem", de Rivera — uma pérola de suíngue médio — é belíssima, vibrante e precisa, com um solo memorável de Hirahara na composição. "Below The Line", de Kozlov, brilha e oferece um respiro na atmosfera superior antes de dar uma guinada desastrosa à esquerda e se firmar em terreno firme. E "Mirror" de Sipiagin, com sua cadência suave, oferece, apropriadamente, verdades reflexivas. "Simmer", de Dease, obtém seu calor suave da configuração de ostinato de Kozlov e se beneficia enormemente do flugelhorn cintilante de Sipiagin, do trabalho fluido do compositor com os deslizamentos e de algumas réplicas de sopro que conectam Rivera e Cornelius. A animada "Stepped Out" de Hirahara tem um ritmo envolvente e um balanço contagiante. Uma segunda contribuição do trombonista residente da banda — "Don't Look Behind You" — permite que Royston preencha as lacunas em seu refrão. E "La Rendez-vous Final", de Cornelius, com o saxofonista alto na flauta e Rivera no clarinete, "oferece notícias astutas, ao estilo do tango". Em seguida, a festa continua com uma animada saída em estilo swing em "Changing Trains", uma música do pianista Misha Tsiganov (que foi um participante fundamental no projeto Something Blue da gravadora).

A Posi-Tone sempre promoveu a importância do momento presente — os artistas que o compõem e a música que criam no aqui e agora — e esta banda e este álbum em particular nos fazem refletir sobre esses esforços incansáveis. Um brinde a esta gravadora e sua visão, aos dois homens por trás dela e à longa lista de artistas que ajudaram a moldá-la.

Faixas: Invocation; Free Time; Mal's Totem; Mirror; Simmer; Stepped Out; Don't Look Behind You; Le Rendez-vous Final; Changing Trains.

Músicos: Diego Rivera (saxofone tenor); Alex Sipiagin (trompete); Patrick Cornelius (saxofone alto); Michael Dease (trombone); Art Hirahara (piano); Boris Kozlov (baixo acústico); Rudy Royston (bateria).

Fonte: Dan Bilawsky (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 05/03

Amy Rempel (1985) – pianista,

Bob Edmondson (1935) – trombonista,

Carol Sloane (1937-2023) – vocalista,

Dave Green (1942) – baixista,

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) – pianista,maestro,compositor (na foto),

Karen Lake (1968) – vocalista,

Lou Levy (1928-2001) – pianista,

Martin Sullivan (1979)- trombonista,

Patativa do Assaré (1909-2002) – compositor,

Scott Feiner (1968) – pandeirista,

Wilbur Little (1928-1987) - baixista 

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

MARK SHERMAN -BOP CONTEST (Miles High Records)

Multi-instrumentista, compositor e mestre em diversos estilos de jazz, Mark Sherman é há muito tempo considerado um dos melhores vibrafonistas do mundo. Após lançar uma série de quatro álbuns bem recebidos que demonstraram seu virtuosismo até então desconhecido ao piano, Sherman retorna ao vibrafone em “Bop Contest”, com uma formação estelar composta pelo baixista Ron Carter, o pianista Donald Vega, o baterista Carl Allen e o trompetista convidado Joe Magnarelli. O projeto tem suas origens na ligação pessoal de Sherman com Carter, de 88 anos, um colega do corpo docente da Juilliard School que por acaso é o baixista mais gravado da história do jazz. “Bop Contest” é o álbum que marca a primeira vez que Sherman convidou Carter para tocar em uma de suas 22 gravações como líder e recebe seu nome do título da primeira tentativa de Sherman de compor uma música bebop. Gravado no Van Gelder Studios, é uma homenagem ao jazz tradicional, uma influência fundamental e formativa para Sherman e cada um dos músicos desta formação dos sonhos. Além de ser membro de longa data do Golden Striker Trio de Carter, Vega se inspira em dois dos pianistas favoritos de Sherman: Kenny Barron, com quem o vibrafonista gravou o álbum de duetos “Interplay” em 2015, e o falecido Cedar Walton, duas de cujas composições estão incluídas em “Bop Contest”. Allen e Carter cruzaram caminhos ao longo dos anos, e o baterista trabalhou frequentemente com Sherman, inclusive em sua estreia como pianista, o álbum “My Other Voice” de 2019. Magnarelli, amigo e colaborador de longa data de Sherman, foi convidado a adicionar seu trompete e flugelhorn a duas composições originais de Sherman. A faixa-título é um clássico do bebop, com uma melodia sinuosa em uníssono de vibrafone e trompete, que inspira solos vigorosos e culmina em uma troca amigável que se assemelha a um duelo de virtuosismo de altíssimo nível. A segunda composição original de Sherman é a suave valsa de jazz "Love Always Always Love". A faixa de abertura do álbum, “111-44”, de Oliver Nelson, foi originalmente gravada no álbum “Straight Ahead”, de 1961, do saxofonista/arranjador, com Eric Dolphy e Roy Haynes. As peças de Walton são “Bremond’s Blues” (do lançamento de 1987, Cedar Walton Plays, que também contou com Carter no baixo) e “Martha’s Prize”, do álbum “Composer” de Walton, de 1996. A interpretação de Sherman para "My One And Only Love" é uma bossa nova animada, temperada com saborosas rearmonizações influenciadas pelo bebop. O álbum encerra com Sherman tocando um dueto eloquente consigo mesmo em “Skylark”, deleitando-se nas profundezas do clássico atemporal com uma abordagem harmônica inovadora, que se encaixa perfeitamente em seu estilo lírico característico, tanto no vibrafone quanto no piano.

Fonte: Ed Enright (DownBeat)