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sábado, 19 de setembro de 2020

LED BIB – IT´S MORNING (RareNoise)


Led Bib muda a direção radicalmente com seu novo álbum, “It’s Morning”. Deveria reverter. O quinteto britânico, que tem se destacado realizando um contagiante jazz moderno híbrido, punk e hard rock nos 15 anos passados, sintoniza a skronk, adiciona a vocalista Sharron Fortnam à banda, e completa o som com uma cellista, uma violinista, um clarinetista baixo e Jack Hues, a vocalista líder da banda new-wave, dos anos 80, de Wang Chung.

Ninguém vai ficar alegre nesta noite. Esta música é bizarra, incoerente e não prazerosa. Fortnam é uma talentosa vocalista, mas sua voz adorável é, aqui, mal utilizada. Ela frequentemente canta em uníssono com um saxofone ou um clarinete baixo, mas há poucas lógicas na melodia, a música é, de fato, antimelódica, um conjunto de notas aparentemente aleatórias. Três das novas faixas do álbum são interlúdios fúteis e metade da peça central do álbum, os 11 minutos de “Fold”, é um pouco mais que um desenho de sintetizador/piano/saxofone.

Seria injusto esperar qualquer banda tocar a mesma espécie de música para sempre, mas isto é uma ampla partida para o Led Bib que deve ao menos ser interessante. Em vez disto, é estranho e feio. O que faz de uma canção como “O”, com uma introdução agourenta do seu piano, o meio da sessão soar como uma paródia de “O Superman” de Laurie Anderson e vie em seu exagerado inferno?. Ou Fortnam cantando, como uma canção de ninar, em “Flood Warning” sobre o esquecimento de um guarda-chuva, enquanto os instrumentos incrementam a cacofonia? É como um circo sem graça.
Supostamente quando o Led Bib toca esta música em concerto, é acompanhado por um filme, e talvez melhore a experiência. Porém, a gravação do áudio deve ser julgada em seus próprios méritos, e “It’s Morning” é um pesadelo.

Faixas : Atom Story; Stratford East; It's Morning; Fold – 11:08; Cutting Room Floor; To Dry in the Rain; O; Flood Warning; Set Sail.

Músicos : Sharron Fortnam: vocal; Chris Williams: saxofone; Pete Grogan: saxofone; Elliot Galvin: teclados; Liran Donin: baixo; Mark Holub: bateria; Jack Hues: vocal; Susanna Gartmayer: clarinete baixo; Irene Kepl: violino; Noid: cello.

Fonte: STEVE GREENLEE

ANIVERSARIANTES - 19/09


Candy Dulfer (1969) – saxofonista,
César Camargo Mariano (1943) – pianista(na  foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=hSLUtzYGokU
Cuong Vu (1969) – trompetista,
Helen Ward (1916-1997) - vocalista,
Lol Coxhill (1932) - saxofonista,
Lovie Austin (1887-1972) - pianista,
Muhal Richard Abrams (1930-2017)- pianista,
Zeca Assumpção (1945) - baixista

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

NGUYEN LE – OVERSEAS (ACT)


Um reservado herói da guitarra, nascido em Paris, de pais vietnamitas, Nguyen Le moldou uma ampla rede estilista sobre 30 anos de carreira com gravações em fusion jazz, rock, world music e hip-hop. Seu mais novo lançamento, “Overseas”, enfatiza variações amplas de Le sobre a tradicional música vietnamita. Seu ponto inicial foi sua trilha sonora para o Cirque-Nouveau, dança ao vivo, acrobacia e projeto de música para performance pelo diretor vietnamita Tuan Le, que uma vez mais conduz ao coreógrafo do Cirque du Soleil.

A faixa de abertura, “Noon Moon”, providencia um jogo de tempo rítmico de valsa via o baixista Chris Minh Doky, o baterista Alex Tran, o violinista Ngo Hong Quang e o vibrafonista Illya Amar através de seus primeiros quatro minutos, após o que há um firme ajustamento com um solo de Le à la Jimi Hendrix, ao final, com 90 segundos. A mutante “People of the Waterfalls” emprega a sussurrante beatbox de Trung Bao como um instrumento de percussão adicional, inspirando os solos de Doky e Le antes do intervalo do vocal desacompanhado de  Bao.

Muito do remanescente é mais evocativo, incorporando os vocais de Quang, a cítara de Le Thi Van Mai, a flauta de Nguyen Hoang Anh, a percussão de Minh Dan Moi e o trompete de Cuong Vu nas faixas dentro das sete partes de “Overseas Suite” (ressaltado pela elevada “Square Earth”) e o encerramento do épico em duas partes “Mother Goddess” (apresentando a crescente coda de “Red Sky”). Ao longo do trabalho, o gracioso Le frequentemente passa o bastão para seus companheiros de banda, ocasionalmente pavimentado por alguma marca, tonalidades apelativas que invocam a influência de Hendrix, Eric Clapton, Stevie Wonder e Jimmy Page, tão bem quanto diversos músicos que trabalharam com Le no passado: Trilok Gurtu, Gary Husband, Paul McCandless, Mino Cinelu e Meshell Ndegeocello. “Overseas” é a mais recente demonstração singular de um dos mais geniais músicos do mundo.

Faixas: Noon Moon; People Of The Waterfalls; The Offering; Tribal Symmetry; Overseas Suite – Origin; Overseas Suite - The Quest; Overseas Suite - Square Earth; Overseas Suite - Âu Co, The Mountain Fairy; Overseas Suite - Beat Rice Box; Overseas Suite - In The Warm Rain; Overseas Suite - Year Of The Dog; Mother Goddess - Yellow Earth; Mother Goddess - Red Sky.

Músicos : Nguyên Lê: guitarra elétrica & guitarra baixo, eletrônica; Ngô Hồng Quang: vocal, dàn nhi fiddle, dàn môi jaws harp, dàn bâu monocorde & dàn tính lute; Illya Amar: vibrafone, MalletKAT, T’rung bamboo xylophone; Trung Bao: beatbox; Alex Tran: percussão & bateria; Lê Thi Van Mai: dàn tranh zither; Nguyên Hoàng Anh: bamboo sáo flute: Minh Dàn Môi: dàn do bamboo percussion; Cuong Vu: trompete; Chris Minh Doky: baixo acústico.

Fonte: BILL MEREDITH (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 18/09


Cris Delanno (1969) – vocalista,
Emily Remler (1957-1990)- guitarrista,
John Fedchock (1957) - trombonista,
Jovino Santos Neto (1954) – pianista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=pM8b_OC0164,
Michael Franks (1944) - vocalista,
Nils Petter Molvaer (1960) – trompetista,
Pete Zimmer (1977) - baterista,
Steve Marcus (1939-2005) - saxofonista,
Teddi King (1929-1977) – vocalista

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

WOLFGANG LACKERSCHMID & CHET BAKER – BALLADS FOR TWO (Dot Time)


Parece um pouco infantil escrever durante estes dias incertos que algo soa como se viesse de outro tempo, mas no momento injeta-se gotas em “Ballads for Two”— o novo relançamento em vinil pela Dot Time Records do álbum em dueto de 1979 de Wolfgang Lackerschmid & Chet Baker—cuja observação não é ignorada. A serenidade permeia a gravação, a tranquilidade nasce de uma lógica interna que se sente bem-vinda e exterior a um mundo dominado pelo medo, morte e o colapso das normas democráticas e instituições tão bem quanto (potencialmente) o ecossistema do jazz.

O vibrafonista Lackerschmid, apenas com 22 anos na época da gravação, constrói estruturas brilhantes de um gélido cristal com cada sucesso das baquetas. Muito como o trabalho de Gary Burton em “Crystal Silence”, os humores que ele cria, especialmente em inéditas como “Why Shouldn’t You Cry” são quase inumanos (ou talvez além do humano) em suas belezas e desenhos, espantosos no silêncio que circunda cada nota.

Baker, então com 49 anos, no primeiro momento do seu retorno após anos seguidos do vício nas drogas e encarceramento, tece entre estas construções cristalinas sua nova e ofegante entonação. A mais leve indicação de sibilos adiciona uma necessária ternura. “Blue Bossa” de Kenny Dorham é a faixa principal do álbum, que permite ao trompete de Baker soprar como uma brisa, uma voz reconfortante, que contrasta adequadamente com o suave tema no vibrafone.

Exigentes devem lamentar a exclusão de “Dessert”, a única canção coescrita por Lackerschmid e Baker no lançamento original, mas a sobrenatural quietude de Lackerschmid e Baker proporciona a mente, o corpo e alma nestes tempos, que é merecedora de giros em seu toca-disco.

Faixas: 1. Blue Bossa 3:49 | 2. Five Years Ago 3:36 | 3. Why Shouldn’t You Cry 4:40 | 4. Dessert 6:54 | 5. Softly As A Morning Sunrise 6:07 | 6. You Don’t Know What Love Is 7:53 | 7. Waltz For Susan 3:51 | 8. Double O 6:00 | 9. Why Shouldn’t You Cry (mute) 4:34

Fonte: JACKSON SINNENBERG (JazzTimes)


ANIVERSARIANTES - 17/09


Craig Haynes (1965) - baterista,
Curtis Peagler (1929-1992) - saxofonista,
David Williams (1946) – baixista,
Earl May(1927-2008) - baixista,
Hubert Rostaing (1918-1990) – saxofonista,clarinetista,
Jack McDuff (1926-2001) - organista,
Jeff Ballard (1963) – baterista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=qFaixp0UD9E,
Louis Nelson (1902-1990) - trombonista,
Marina Lima (1955) – vocalista,
Perry Robinson (1938) – clarinetista,
Ralph Sharon (1923-2015) - pianista,
Sil Austin (1929-2001) - saxofonista

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

CHUCHO VALDÉS – JAZZ BATÁ 2 (Mack Avenue)

Com Jazz Batá 2, o pianista cubano Chucho Valdés retorna à formação de um grupo pequeno que usou em seu álbum de 1972, “Jazz Batá”. Gravado apenas com piano, baixo e bateria batá, “Jazz Batá” proclamado depois do successo do grupo de Valdés, Irakere, uma orquestra afrocubana que, exponencialmente, encaminhou a evolução do jazz latino.

Em “Jazz Batá 2”, Valdés paga um débito musical a seu pai, Ramón “Bebo” Valdés, um dos mais influentes líderes cubanos de orquestra do século XX. Para homenagear o que seria o centésimo aniversário do seu pai, Valdés oferece seu arranjo para “100 Años De Bebo”, uma melodia de danzón mambo composta pelo Valdés mais velho, fascinante no seu movimento e tocando em sua simplicidade.

Em outro lugar, Valdés atrai a inspiração do jazz avant-garde, mitos religiosos cubanos e música clássica europeia. Contra a dinâmica de ritmos do compositor cubano, Enrique Ubieta, em “Son XXI”, ele toca uma linha cinética e solo free. Nesta mini-suíte, “Obatalá”, ele invoca um Deus Yorubá através de vocais suplicantes e modelo rítmico conectado a uma divindade. Em “The Clown”, uma peça de piano solo, ele referencia os trabalhos impressionistas do compositor francês Maurice Ravel. Ao longo de todas as músicas do álbum, o específico toque do batá está em um específico contexto cultural, mesmo quando seu vocabulário jazzístico fala para um mundo musical mais amplo.

A banda de Valdés—o baixista Yelsy Heredia, tocador de batá e o vocalista Dreiser Durruthy Bombalé e o percussionista Yaroldy Abreu Robles—providencia suporte inabalável realização da sua mais recente visão criativa, e os solos da violinista Regina Carter em duas faixas não são curtas em deslumbramento.

Faixas: Obatalá; Son XXI; Luces; Ochún; Chucho’s Mood; 100 Años De Bebo; El Güije; The Clown. (56:17)

Músicos: Chucho Valdés, piano; Yelsy Heredia, baixo; Dreiser Durruthy Bombalé, batás, vocal; Yaroldy Abreu Robles, percussão; Regina Carter, violino (4, 6).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=QO6sDydMtwc

Fonte: Suzanne Lorge (DownBeat)