quinta-feira, 9 de setembro de 2010

LUIS BONILLA – I TALKING NOW (Planet Arts [2009])


A capa de “I Talking Now” dá uma demonstração visual de como o pai do trombonista Luis Bonilla controlava as conversas da família na mesa do jantar. Quando as coisas estavam um pouco animadas para ele, o pai de Bonilla vociferava uma admoestação: “Cale-se, eu estou falando agora”. Os Doutores Phil e Spock, provavelmente, adotariam este enfoque. Entretanto, essencialmente, é o mesmo que Bonilla adota em sua estreia no selo PlanetArts.

Além de ser membro da conceituada Vanguard Jazz Orchestra, Bonilla tem trabalhado com a Afro-Latin Jazz Orchestra do Lincoln Center e com a Mingus Big Band. Todas estas experiências, espectacularmente, estão juntas aqui. Bonilla mescla a latinidade com a estética urbana com a tradição de Charles Mingus de fazer de uma relativamente pequena unidade um exército. Como resultado, “Talking” é surpreendente, propulsivo, arrebatador... com um coração de ouro no centro.

O elemento agitado vem a ser evidente nos primeiros três segundos da abertura da faixa título, como o pianista Arturo O'Farrill e o baterista John Riley atacados por um grito primal uníssono por parte de Bonilla e do saxofonista Ivan Renta. Aquilo é o início de um tiroteio para um argumento musical multivocalizado que poderia passar facilmente por uma briga de bar. O trombone de Bonilla vem como um golpe, explodindo uma ladainha de notas e progressões atordoantes como um ataque de rinocerontes. Renta não está tendo qualquer coisa com isto, embora, interrompendo sua própria extravagância musical, enquanto Riley impulsiona-o. O som de O'Farrill é mais suave, entretanto não menos apaixonado— de fato, sua mão direita no fim começa lutando com sua mão esquerda !. O baixista Andy McKee apresenta suas figuras musicais , também, colocando fogo em um solo no fim da peça que deveria ser suave, mas esta é mensagem que deve soar tão forte como Bonilla.

McKee persevera outra vez em "No Looking Back" levantando uma introdução pastoral com um toque de retumbante realidade. A agressividade em “Talking” é forte, e mesmo em "Uh, Uh, Uh...", quando traz a cidade para o palco. A musicalidade da banda simula o som e o espírito de Nova York, com Bonilla e Renta engajando-se em um frenético diálogo, O'Farrill contrapõe a audição de outro país , e tudo deles é aparentemente descuidado do alvoroço da metrópole que os circunda. A mercurial "Fifty-Eight" mantém as coisas na cidade, com a velocidade da peça quase em cada vez que Riley retorna para a dramatização.

O coração de ouro cria o lado da estória. A cortante "Triumph" é um tributo sincero para o trabalho e o espírito do tenista e ativista Arthur Ashe; Bonilla revive o romance “Old School” com "Closer Still", uma carta de amor para sua esposa Luz; e "Luminescence" e "Elis" são odes ternas para a sobrinha e filha de Bonilla, respectivamente.

“I Talking Now” é um exame musical das experiências de vida de Luis Bonilla, algumas doces, algumas disfuncionais, todas atraentes e muito reais. E uma audição de um conceito de vida, mesmo quando alguém não está gritando para ser ouvido durante uma conversação durante o jantar.

Faixas: I Talking Now; Uh, Uh, Uh...; No Looking Back; Closer Still; Fifty-Eight; Triumph; Luminescence; Elis.


Músicos: Luis Bonilla: trombone; Ivan Renta: saxofone; Arturo O'Farrill: piano; Andy McKee: baixo; John Riley: bateria.

Fonte: All About Jazz / J. Hunter

ANIVERSARIANTES 09/09


Chris Mello (1976) - guitarrista,
Earl Humphrey (1902-1971) - trombonista,
Elvin Jones (1927-2004) – baterista(na foto),
George Mraz (1944) - baixista,
Jim Disner (1977) - guitarrista,
Jim Tomlinson (1966) - saxofonista,
Josh Hanlon (1975) - pianista,
Michael Bublé (1975) – vocalista,
Otis Redding (1941-1967) - vocalista,
Rogério Botter(1965) – baixista,
Toninho Carrasqueira(1952) - flautista

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

NEY CONCEIÇÃO - SWINGADO


“Swingado” é mais um lançamento de qualidade da música instrumental brasileira. O disco de Ney Conceição, que tem o patrocínio da Dismelo e o incentivo cultural do Governo do Pará através do Semear e da Fundação Cultural do Pará – Tancredo Neves, é composto integralmente por suas composições e tem a produção de Hamleto Stamato. Este é o seu segundo disco solo.

Ney Conceição não domina o disco com seus solos, ao contrário, esta tarefa é deixada para seus brilhantes companheiros. Sua marca é deixada pelas belas composições e sua competente presença harmônica.

O álbum inicia com Pro Futuro, com ótimas intervenções dos saxofones barítono e soprano de Paulo Levi. Já em Praia da Tartaruga a tarefa passa para os trompetes de Paulinho Trompete e Altair Martins. Seu Walter traz uma pegada latina com Leonerdo Amuedo na guitarra e violão, e Altair Martins colocando as coisas no lugar com seu trompete. Bem dançante. Passando pelo Carnaval traz aquela levada suave e romântica de um carnaval distante com destaque para o violão e o arranjo de Luiz Brasil e o saxofone soprano de Paulo Levi. Salta-se então para uma pegada mais agitada em América Central com destaques para os solos de Ney Conceição, que também faz vocalise, e de Paulo Levi no saxofone soprano. Lúcio Vieira na bateria e Robertinho Silva cuidam do ótimo suporte rítmico. Não poderia faltar um samba, e ele vem como Bertrami´s Song onde Hamleto Stamato dá o balanço nos teclados junto com o baixo de Ney, cabendo a Arimatéa no trompete e a Aldivas Ayres de Lima no trombone destacarem-se nos solos. A única música que tem vocal é Doce de Sal, com letra de Lysias Ênio e interpretação de Danilo Caymmi. A destacar uma bela intervenção do saxofone barítono de Paulo Levi. A faixa título, Swingado, foi perfeitamente interpretada pela suingante guitarra de Leonerdo Amuedo e pelos teclados de Hamleto Stamato. Chegamos ao sabor nordestino, e este surge em O Periscópio com a sensível interpretação de Cesinha do Acordeón. Para fechar adequadamente, temos mais um samba, Um Passo a Mais, com Nelson Faria na guitarra, Hamleto Stamato nos teclados e Erivelton Silva na bateria demonstrando que o título da música é apropriado para este passo a mais de qualidade dado pela nossa música instrumental.

Lançamento imperdível.

Faixas

1 -Pro Futuro
2 - Praia da Tartaruga
3 - Seu Walter
4 - Passando pelo Carnaval
5 - América Central
6 - Bertrami's Song
7 - Doce de Sal
8 - Swingado
9 - O Periscópio
10 -Um passo a mais

Músicos : Ney Conceição : baixo, violão de aço (fxs.1,5,7), arranjos (fxs.2,5,6); Hamleto Stamato: piano, teclados (fxs. 3-10),arranjos (fxs.1,3,7,8,9,10);Lúcio Vieira: bateria (fxs.1,2,3,5,6,7,9);Erivelton Silva : bateria (fx.10);Robertinho Silva:percussão (fs.1,3,4,5,6,7,8,9); Dadadá Castro : percussão (fx.2); CélioVulcão : teclados (fxs.1,2,5);Paulo Levi : saxofones barítono e soprano(fxs.1,4,5,7); Widor Santiago: flauta (fx.7); Altair Martins : trompete (fxs. 2,3); Arimatéa : trompete e flugelhorn (fxs.1,6,8,10); Aldivas Ayres de Lima: trombone (fxs.1,2,3,6,8,10); Nelson Faria : guitarra (fx.10); Leonardo Amuedo; guitarra e violão (fxs.3,8);Luiz Brasil: arranjo e violão (fx.4), Cesinha do Acordeón: acordeón(fx.9); Danilo Caymmi; voz (fx.7)

ANIVERSARIANTES 08/09


Butch Warren (1939) - baixista,
Célia (1947) – vocalista(na foto),
James Clay (1935-1994) – saxofonista,
Marion Brown (1935) - flautista , saxofonista,
Norris Turney (1921-2001) - saxofonista , flautista,
Specs Wright (1927-1963) - baterista,
Walter Benton (1930-2000) - saxofonista,
Wilbur Ware (1923-1979) - baixista

terça-feira, 7 de setembro de 2010

DINO SALUZZI – EL ENCUENTRO (ECM Records)


Não surpreende que o último CD do bandoneonista-compositor Dino Saluzzi convida e retribui repetidas interpretações. Devotados seguidores não têm como esperar outra coisa . Mas a sua primeira gravação argentina ao vivo, “El Encuentro (“The Encounter”)”, é particularmente atrativa e ambiciosa por marcar a estreia da coloboração de Saluzzi com a Metropole Orchestra , reconfigurada como um orquestra de cordas para a ocasião e gravada decisivamente.

Aqueles que desfrutam das colaborações com Saluzzi, como o seu irmão Felix Saluzzi, saxofonista tenor, e a violoncelista Anja Lechner não estarão estarão desapontados pelas suas líricas e emocionantes contribuições, ou a destreza com que desenvolvem vozes independentes que colorem e sustentam a marca do fio narrativo do compositor. Isto frequentemente carrega a carga sinfônica dramática, entretanto, introduz outra dinâmica, uma riqueza orquestral e movimentos cinematográficos que rapidamente distingue o primeiro movimento, “Vais de los dias.”

Como as orquestrações que seguem, esta valsa revela as influências clássicas e do seu povo em em um estilo quase sem emendas, entretanto cada movimento tem sua distinta personalidade. “Plegaria Andina” coloridamente tira proveito do poder ressoante e impulsivo gerado pela fraternidade com Lechner, juntos ou individualmente. “El Encuentro” é um exemplo da plenitude das estórias contadas por Saluzzi, com um inspirador contraponto orquestral e uma nítida demonstração para solos e diálogos. “Miserere” traz o álbum para um arrebatador encerramento com mais evidência do grande virtuosismo e visão de Saluzzi.

Aqui está a esperança de que não seja o último encontro entre o artista e a orquestra.

Faixas :
1. Vals de los días
2. Plegaria Andina
3. El Encuentro
4. Miserere

Músicos: Dino Saluzzi: bandoneón; Anja Lechner: violoncello (1, 2, 3); Felix Saluzzi: saxofone tenor (2). Julian Buckley: Metropole Orchestra : maestro; Arlia de Ruiter: primeiro violino; Alida Schat: primeiro violino; Sarah Kock: primeiro violino; Denis Koenders: primeiro violino; David Peijenborgh: primeiro violino; Pauline Terlouw: primeiro violino; Seija Teeuwen: primeiro violino; Merijn Rombout: segundo violino; Herman van Haaren: segundo violino; Wim Kok: segundo violino; Marianne van den Heuvel: segundo violino; Vera van der Bie: segundo violino; Carel den Hertog: segundo violino; Marielle Ponsen: segundo violino; Mieke Honingh: viola; Norman Jansen: viola; Julia Jowett: viola; Iris Schut: viola; Isabella Petersen: viola; Emile Visser: violoncello; Wim Grin: violoncello; Jascha Albracht: violoncello; Erik Winkelmann: baixo; Arend Liefkes: baixo.

Fonte : JazzTimes / Mike Joyce

ANIVERSARIANTES 07/09


André Geraissati(1951) – violonista,
Alvin Alcorn (1912-2003) - trompetista,
Bruce Barth (1958) - pianista,
Glenn White (1973) - saxofonista,
Irvin Mayfield (1977) - trompetista,
Joe Newman (1922-1992) - trompetista,
Little Milton (1934-2005) – guitarrista,vocalista,
Makanda Ken McIntyre (1931-2001) - saxofonista,flautista , clarinetista , oboeísta , fagotista,
Mark Isham (1951) - trompetista,
Max Kaminsky (1908-1994) – trompetista,
Michael Feinstein (1956) - vocalista,
Rob Bargad (1962) - pianista,
Ron Blake (1965) - saxofonista,
Sonny Rollins (1930) – saxofonista(na foto)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

MÚSICA INSTRUMENTAL DA BAHIA CONTINUA EM FESTA


Hoje tivemos a terceira Segunda do Músico, projeto que está se consolidando com a árdua batalha da produção para transformá-lo em um dos pilares da música instrumental da Bahia, com a apresentação da Banda Transcendental e a participação especial do baixista Ney Conceição (na foto).

A Banda Transcendental, que praticamente está iniciando sua jornada, faz um trabalho dentro da linha Afro-Barroco, apresentando belas composições próprias, tendo como integrantes Vinícius nos saxofones tenor, soprano, flauta e composição, Mateus no flugelhorn e trompete, J. Anderson no baixo, Bira Marques no Fender Rhodes e uma turma do Jêje na percussão. Ao conversar com Vinicius ao final do espetáculo fomos informados que o grupo utiliza vozes e que está preparando um disco.

Ney Conceição adentrou ao palco e parecia que tocava há anos com a Banda Transcendental. Simplesmente um arraso. Os músicos locais não ficaram para trás e fizeram uma bela parceria com Ney, que apresentou músicas do seu novo CD, “Swingado”, e interpretações fantásticas de “A Rã” de João Donato e ‘Footsprints” de Wayne Shorter”. O baixo apequenou-se em suas mãos. Maravilhoso. Se alguém ainda tinha restrições a solos de baixo, isto é coisa do passado.

Outra surpresa agradável. Ney Conceição convidou para subir ao palco o grande saxofonista Nivaldo, que não se fez de rogado e se integrou perfeitamente à Banda Transcendental. Quem sabe, sabe. Mais uma notícia alvissareira. Nivaldo disse-me, ao final do show, que está preparando um disco com composições suas, que pretende lançar em Novembro.

Na próxima segunda-feira tem mais e o convidado especial é o baterista Kiko Freitas.

O espaço das apresentações, denominado “Galpão Cheio de Assuntos”, está localizado na Rua Djalma Dutra, logo após à Madeireira Angra, sentido Sete Portas. O local é simples, mas a música é sofisticada. Às segundas-feira, para os amantes da música instrumental, este é o caminho.

PETER BERNSTEIN – LIVE AT SMALLS (Smalls Live [2010])


Uma gravação ao vivo em um local intimista, neste caso, o bem respeitado Smalls localizado em Greenwich Village , é como uma boa comida.. “Live at Smalls”, do guitarrista Peter Bernstein, não desaponta, iniciando com um blues para dar as boas vindas a todos, com sólidos solos de todos os membros do quarteto, que inclui o pianista Richard Wyands, o baixista John Webber e o baterista Jimmy Cobb.

Sim, Jimmy Cobb na bateria. Em sua média, acompanhante todos os dias. Estas performances vêm de duas noites em 2008 (Dezembro 17 e 18), mas que só foram divulgadas em 2010 com a estampa de “Live at Smalls”, através de um novo selo com aproximadamente uma dúzia de lançamentos.

A qualidade da gravação é boa , e faz um belo trabalho de captação deste talentoso quarteto em plena forma. Bernstein é, como sempre, modelar: ele é simplesmente um dos mais finos instrumentistas em atividade e esta gravação serve como um bom mostruário da sua atuação, especialmente considerando a alta qualidade dos companheiros de banda.

Gravação altamente recomendada para os fãs de Bernstein, do Smalls, e por que não, de gravações ao vivo.

Faixas: Vida Blue; Say; Little Mama; Say; Stairway to the Stars; Delilah; Love Walked In; Four; Sideburns.

Músicos: Peter Bernstein: guitarra; Jimmy Cobb: bateria; Richard Wyands: piano, John Webber: baixo.

Fonte: All About Jazz / William Carey

ANIVERSARIANTES 06/09


Buddy Bolden(1877-1931) - cornetista,
Claire Martin (1967) – vocalista (na foto),
Clifford Thornton(1936-1983) – saxofonista,trombonista,
Eddie Duran (1925) - guitarrista,
Jimmy Reed ( 1925-1976) – guitarrista,gaitista,vocalista,
John Letman (1917-1992) - trompetista,
Laurent Filipe (1962) – trompetista,
Marcelo Bratke (1960) - pianista

domingo, 5 de setembro de 2010

ANIVERSARIANTES 05/09


Albert Mangelsdorff (1928-2005) - trombonista,
Bruce Harris (1979) - trompetista,
Eddie Preston (1928) – trompetista,
Lars Danielsson (1958) – baixista (na foto),
Richie Powell (1931-1956) - pianista,
Sunnyland Slim (1907-1995) – pianista, vocalista

sábado, 4 de setembro de 2010

DAN GAILEY JAZZ ORCHESTRA – WHAT DID YOU DREAM? (OA2 Records)


Por duas décadas, Dan Gailey tem dirigido o programa de jazz da Universidade de Kansas, onde é professor de música. Após ter enriquecido o livro de peças de muitas bandas universitárias, bem como de bandas profissionais, Dan deu um salto gigantesco dos campos de milho de Kansas para o redemoinho do ambiente fora do campus com a gravação de estréia dos 18 integrantes da sua profissional Dan Gailey Jazz Orchestra.

A “abertura da cortina” é profeticamente entitulada "Audacity" com a banda completa, que aparentemente proclama "sim, nós podemos!". Impulsionado pelo baterista Jim White e ancorado pelo baritonista Will Swindler e pelo baixista Erik Applegate, metais suaves em pegadas declinantes e metais ativos impulsionadores; o trompetista Vern Sielert, o trombonista Paul McKee, e o tenorista Peter Sommer contribuem com solos de primeira classe. Um assombroso 5/4 ostinato do guitarrista Steve Kovalcheck focaliza os ouvidos e olhos em uma série de imagens das influências do Noroeste de Gailey em "Point No Point." Suas cores são impressionistas fazendo você se surpreender tão vividamente quanto ele poderia relatar com uma orquestra de cordas. Uma seção intermediária, em quatro, apresenta Kovalcheck tocando deliciosos clichês até a banda completa oferecer um ostinato mais difuso que constroi poderosamente. Inesperadamente, a abertura da guitarra retorna e realmente desvanece no éter. "Early Light" outra “tela “ colorida preenchida com raios da alvorada, é um veículo para a maestria das colorações do solo do tenorista Don Aliquo. Uma alavanca aponta para um misterioso tema descendente. Gailey apresenta os extremos do seu sistema de cores com o suporte orquestral alcançando o clímax que revisita o misterioso motivo pela última vez. Um décimo-nono acompanhante é adicionado, o vibrafonista Gray Barrier, para um timbre especial, mas você terá que ouvir cuidadosamente. Ele pode ser ouvido “dobrando” com o piano em seu registro de soprano.

"In A Big Way", seguindo uma sugestiva introdução de "Jeannine" vem a ser contagiante e travesso, um blues de doze compassos dançante que possibilita ao baritonista Swindler e ao trombonista Dave Glenn espalharem-se. Os saxes em uníssono, dobrado pelo baixista Applegate, oferece uma linha bop na frente para que os metais voltem com um obligato que cria uma interação fugal . Quando o trompetista Al Hood apresenta seu fino solo, ouça a prazeirosa intervenção do guitarrista Kovalcheck. Então escute a evolução final da obra do ‘Blue Angels”: uma migalha muscular ascendente. A estória suporte da faixa título, fantasias dos nativos mexicanos, é bem exposta nas notas do disco escritas pelo Dr. Chuck Berg. O pianista Dana Landry amplia o espírito; o saxofonista soprano John Gunther brilhantemente captura o exotismo no solo que às vezes recorre aos microtons . Gailey espalha grupos de instrumentos de metais e pirâmides com a pulsação incansável do baterista White, e mantém a marca efusiva. Soa como um mural de Diego Rivera. Na faixa final , "11th Hour", Gailey homenageia Michael Brecker através dos cortes rapsódicos do tenorista Aliquo, do guitarrista Kovalcheck e uma das mais positivas composições da sessão, dentro do espírito latino de Gerald Wilson.

É um início sensacional para a big band de Gailey, digno de toda a divulgação que a OA2 pode realizar. A criatividade das ideias de Dan (ele escreveu e arranjou todas as faixas) coloca-o no mesmo panteão ocupado por Gil Evans, Maria Schneider, Phil Kelly e o mentor de Gailey, Michael Brecker. Mais admirável ainda é a sua humildade: não há um único solo seu, que é um altamente respeitado saxofonista. Como poderia ele resistir à tentação considerando que ele pessoalmente escolheu todos os acompanhantes ?.

Faixas : 1. Audacity 7:42; 2. Point No Point 9:30; 3. Early Light 6:07; 4. In A Big Way 6:48; 5. What Did You Dream? 12:01; 6. 11th Hour (para Michael Brecker) 9:25

Músicos: John Gunther (saxofones alto/soprano);Steve Owen (saxofones alto/soprano);Don Aliquo (saxofone tenor); Peter Sommer (saxofone tenor); Wil Swindler (saxofone barítono);John Davis (trompete-líder);Vern Sielert,Al Hood, Steve Leisring, Kevin Whalen (trompete);Nat Wickham,Paul McKee ,Dave Glenn, Gary Mayne (trombone);Dana Landry (piano); Steve Kovalcheck (guitarra); Erik Applegate (baixo); Jim White (bateria); Gray Barrier (vibrafone em “Early Light”)


Data de Lançamento : 20 de Julho de 2010

Fonte : JazzTimes / Harvey Siders

Por Newton Mendonça

RUY CASTRO

RIO DE JANEIRO - A música popular pode ser cruel. Dois homens passam anos compondo juntos, fertilizando-se um ao outro e, por vários motivos -um é cantor, o outro não; um é tímido, o outro, exuberante; um morre cedo, o outro segue freneticamente ativo-, o segundo engole o primeiro e, talvez "malgré lui", torna-se o único autor do que fizeram a dois.Foi assim com Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, criadores do baião; com Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, autores de "Folhas Secas", "Pranto de Poeta", "A Flor e o Espinho"; e também assim com Tom Jobim e Newton Mendonça, autores de, entre outros, "Desafinado", "Samba de uma Nota Só" e "Meditação". Mas, para o vulgo, só houve Luiz Gonzaga, Nelson Cavaquinho e Tom.

Newton Mendonça não cantava, era muito retraído e morreu aos 33 anos, em 1960 -justamente quando "Samba de uma Nota Só" começava a estourar. A posteridade converteu-o em letrista de Tom, como se ele fosse outro Vinicius ou Aloysio de Oliveira. Acontece que Newton era pianista, um músico completo -tanto quanto Tom, com quem compunha de igual para igual-, e só às vezes letrista. Sem ele naqueles anos cruciais, c. 1958, não teria havido a bossa nova. Não por acaso, das sete canções de Tom que, nesses mais de 50 anos, passaram de dois milhões de execuções, estão as três com Newton, fundamentais.

Tom também morreu, em 1994, e desde então deu nome ao aeroporto internacional, ao entorno da Lagoa e a um instituto cultural e arrisca-se a virar estátua em Ipanema. Mas Newton nunca foi lembrado para batizar sequer uma sala de aula ou um torneio de peteca na praia.

Vem aí o parque da Bossa Nova, a ser construído pelo governo do Rio no Leblon. Se o chamassem parque Newton Mendonça, em homenagem ao fundador mais esquecido da bossa nova, seria uma reparação justa -e ainda insuficiente.

Fonte: Folha de São Paulo

ANIVERSARIANTES 04/09


Biréli Lagrène (1966) – guitarrista,
Dave Liebman (1946) saxofonista(na foto),
Gene Ludwig (1937) - organista,
Gerald Wilson (1918) - trompetista,líder de orquestra,
Jan Savitt (1913-1948) – violinista,líder de orquestra,
Lonnie Plaxico (1960) - baixista,
Meade Lux Lewis (1905-1964) - pianista,
Patrick Cornelius (1978)-saxofonista,
Samuel Torres( 1976) - percussionista

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ANIVERSARIANTES 03/09


Bill Stokes (1954) – violinista,
Clyde Hurley (1916-1963) - trompetista,
David Sánchez (1968) – saxofonista (na foto),
Frank Christian (1897-1973) - trompetista,
Fred Hess(1944) - saxofonista,
Freddie King (1934) - guitarrista,
James Dapogny (1940)- pianista , líder e orquestra,
Josh Brown (1973) - trombonista,
Judy Bady (1956) - vocalista,
Memphis Slim (1915-1988) – pianista, vocalista,
Mickey Roker (1932) - baterista,
Onaje Allan Gumbs (1949) - pianista,
Peter Bernstein (1967) - guitarrista,
Toby Koenigsberg (1974) - pianista

Nizan Guanaes

Muito bom !


O texto que segue abaixo foi escrito para uma formatura da FAAP, por Nizan Guanaes, que foi o paraninfo da turma. Olhe só o que este publicitário escreveu!


'Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentado a acreditar que tenho licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja aqui vão alguns, que julgo valiosos.

Meu primeiro conselho: Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro.
Ame seu ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor.
Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham, porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.
A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano.
O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse:
- 'Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo. '
E ela respondeu:
- 'Eu também não'
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário.
Digo apenas que pensar e realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: Pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal, é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada.
Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu.


Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: ‘Seja quente, ou seja, frio, não seja morno que eu te vomito'.
É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: Seja quente, ou seja, frio, não seja morno que eu te vomito, ou seja, é preferível o erro à omissão, o fracasso ao tédio, o escândalo ao vazio.
Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso.
Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido, tendo consciência de que cada homem foi feito para fazer história.
Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução.
Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar, sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.
Não use Rider, não dê férias a seus pés.
Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: 'eu não disse!', 'eu sabia!'.
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam.
Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 as 12, de 12 as 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio (que é a morada do demônio) e constrói prodígios.
O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses, que trabalham de sol a sol, construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.
Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo (que é mesmo o senhor da razão) vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.

E isso se chama SUCESSO. '

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

McCOY TYNER NA MIMO


O pianista McCoy Tyner, na foto, participará no próximo dia 05 de Setembro da Mostra Internacional de Música em Olinda, a Mimo, que ocorrerá em Olinda, Recife e João Pessoa entre os dias 1° e 17 de Setembro. Ele se apresentará com Gary Bartz (saxofone), Gerald Cannon (contrabaixo) e Eric Kamau-Gravatt (bateria). O festival, que é anual e gratuito (http://www.mimo.art.br/), receberá nomes como Mike Stern e Egberto Gismonti.
Segue entrevista concedida pelo pianista norte-americano de 72 anos, músico de John Coltrane e autor de 80 álbuns de jazz, concedida à repórter Rosane Pavam da Carta Capital.

CC – Os fãs de jazz não são muitos hoje. O que o senhor pensa de representar um gênero cujo fim é sempre anunciado?
McCoy Tyner – Anunciado, mas cá estamos..... Enquanto houver garotos maduros como o trompetista Christian Scott e o baterista Francisco Mela, o jazz não morrerá.

CC – É melhor tocar ou compor?
McCoy Tyner – Uma das maravilhas do jazz é basear-se em improvisação, criar e compor no momento da execução. Mesmo quando só toco algo escrito há anos, crio e improviso. Compor e tocar são essenciais dentro de jazz.

CC – Quão difícil é enfrentar um mundo em que não há mais John Coltrane?.
McCoy Tyner – Ele era um irmão mais velho e realmente nos colocou sob suas asas. Todos sentiram sua falta, não só eu. Ele é um dos maiores músicos de todos os tempos e todos ainda o ouvem.

CC- As novas tecnologias auxiliam seu trabalho atual?.
McCoy Tyner – Tenho um computador, mas não o uso muito. Falo ao telefone e escrevo à mão. Desconfio que estou ficando velho!. Mas espero mergulhar nessas tecnologias de algum modo, brevemente.

CC – Dá algum conselho ao jovem jazzista?
McCoy Tyner – Procurar dentro de si o próprio som.

CC – A música brasileira o inspira?
McCoy Tyner – Sim, inspirou. Toquei muita música composta por brasileiros como Jobim. Mal posso esperar tocar aí.

ANIVERSARIANTES 02/09


Clifford Jordan (1931-1993)- saxofonista,
Edan Dover (1988)–pianista,
Frank Galbreath (1913-1971) – trompetista,
Grachan Moncur III (1915) – trombonista,
Horace Silver (1928)- pianista,
Jake Hanlon (1978) - guitarrista,
John Zorn (1953) - saxofonista, Johnnie Valentino (1957) – guitarrista,
Laurindo Almeida (1917-1995)- violonista (na foto),
Pete McGuinness (1963) - trombonista,
Phil Napoleon (1901-1990) - trompetista,
Walter Davis, Jr. (1932-1990)- pianista

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

LOUIS : O FILME


Eu não estava certo sobre o que esperar da altamente badalada estreia de “Louis”, um filme mudo com um acompanhamento musical no Symphony Center , Chicago, ocorrida em 25 de Agosto. Dada a excelente obra que eu vi nos trailers, eu imaginei que seria um filme biográfico sobre os anos iniciais do trompetista Louis Armstrong (na foto), com um toque de fantasia. Eu estava parcialmente correto e muito mais surpreso com o rumo que tomou.

O diretor do filme, Dan Pritzker, criador da banda, Sonia Dada, teve a inspiração, em 2001, em criar um filme mudo após assistir Luzes da Cidade de Chaplin, com um acompanhamento musical da Chicago Symphony Orchestra. Ele partiu para a criação de "Louis", que é parte Chaplin, parte Keystone Kops, sobre um rapaz chamado Louis, “a estória de um jovem nascido na pobreza que sonha tocar trompete”. O filme incorporou partes da história da infância de Armstrong, dentro de uma trama bem original. O premiado fotógrafo da Academia, Volmos Zsigmond, fêz um soberbo trabalho criando um filme brilhantemente colorido, ainda que com um olhar e sentimento do cinema em preto e branco. A trilha sonora foi escrita e executada por Wynton Marsalis com a Lincoln Center Jazz Orchestra completa, tendo os clássicos sido tocados pelo renomado pianista Cecile Licad.

A libidinagem era o pano de fundo do luxuriante Storyville, New Orleans, em 1907, onde as crianças nasciam e as prostitutas tinham que trabalhar para ajudar a alimentar suas famílias. Um tempo onde a prostituição, magia negra, corrupção política e o jazz regulavam o dia a dia. Um jovem Louis (Anthony Coleman), que vende carvão de dia, apaixona-se por duas coisas: um flugelhorn e uma bela e graciosa prostituta chamada Grace Lamennais (Shanti Lowry). O dilema: Como ele pode ganhar bastante dinheiro para comprar o instrumento quando há bocas para alimentar, e como alertar Grace que há uma bruxaria feita para ela pela Madame do bordel rival. Jackie Earle Haley rouba o show como um corrupto e diabólico juiz Leander Perry. Sua determinação para manter o “segredo” misterioso e cuja avidez por poder e beleza (Grace), foi brilhantemente demonstrada pelas expressões faciais e meneios. Misteriosos trocadilhos e humor inesperado são livremente espalhados, e a incrível fantasia de um sonho foi trazida ao vivo pelo acompanhamento musical.

Isto trouxe para mim as outras estrelas do show : os músicos. Musicado pelo trompetista Wynton Marsalis, o filme também incorpora a música de Frederic Chopin, Louis Moreau Gottschalk ,Jelly Roll Morton dentre outros. O trombonista Wycliffe Gordon criou os sons lascivos de New Orleans e o pianista Dan Nimmer nunca deixou seus dedos ausentes do teclado, mantendo o passo seguindo adiante. O pianista Cecile Licad, com sua destreza erudita, esteve brilhante e frequentemente empolgante. Gordon e Marsalis frequentemente providenciam palavras que necessitamos através dos seus instrumentos e, às vezes, é duro tirar os olhos deles, tão impressivas que são as suas notas. Também notável, estava Victor Goines no clarinete e demais músicos. De Big kudos a Andy Farber, maestros, tinham a música impecavelmente alinhada com a estória na tela.

“Louis” percorrerá cidades selecionadas dos Estados Unidos .

Fonte: JazzTimes / Jamie Cosnowsky

ANIVERSARIANTES 01/09


Art Pepper (1925-1982) – saxofonista(na foto),
Gene Harris (1933-2000) – pianista,
Jean Bernard Eisinger (1938) – pianista,
Mark O'Connor (1972) – saxofonista,
Nicki Denner (1997) – pianista,
Wayne Horvitz (1955) – pianista

terça-feira, 31 de agosto de 2010

THE JOSHUA BREAKSTONE TRIO – NO ONE NEW (Capri Records [2009])


“No One New” é uma referência à longa carreira do guitarrista Joshua Breakstone. Ao longo dos últimos 30 anos ele tem sido impressivo como líder com 19 gravações em seu crédito. É fácil ver o porquê. Sua música cresce acima do mundano com um senso compacto de lirismo que puxa a aura das composições. Elas são fáceis e melódicas e abrem as portas para sua técnica. Ele toca com clareza, estilo articulado que enfatiza as notas redondas, frases nítidas e acordes robustos. Mais, ele deixa a música respirar do seu criterioso uso do espaço.

Breakstone tem usado o formato de trio em outras gravações. Adiciona intimidade, particularmente quando tem companheiros enfáticos como o baixista Lisle Atkinson e o baterista Eliot Zigmund. A música é straight-ahead jazz, manifestada em diversas correntes que fluem para o bop, swing, baladas e blues. Breakstone contribui com cinco composições, Atkinson contribui com uma, com dois standards no programa.

Breakstone tem uma maneira de brandir uma nota e então a colhe. Ele percorre alto movimento em "Over-Done", antes de exibir as profundezas do seu arsenal com notas singulares, acordes que incrementam a profundidade harmônica, e muda a tensão conforme suinga com Atkinson e Zigmund. Ele exibe um senso de humor investindo em um verso de "Mary Had A Little Lamb" ao seu modo.

"No One New" é uma música no estilo hard bop, com Breakstone louvando a melodia, e deixando suas improvisações encontrar suas sementes. Zigmund e Atkinson estão tecendo seus fios, como o baterista que se engaja em duas férteis e vívidas conversações com Breakstone.

Atkinson compôs a cintilante "Come On Baby", onde melodia e o suíngue abraçam-se através das picantes notas da guitarra. O baixista adiciona sua porção própria de doçura para esta canção superior, e Zigmund expande a equação com seu pulso encrespado.

Breakstone encerra este deleitável CD com dois números que se posicionam em contraste. "The Peacocks" é reflexivo, aquecendo-se em notas singulares que Breakstone deixa cair com graça. "The Kicker" chafurda no blues em suígue modulado, conforme Breakstone retorna ao encantador entrelaçamento linear e acordes encorpados.

Faixas: Over-Done; For Me; The Unknown One; Come On, Baby; Blues Heretofore; No One New; The Peacocks; The Kicker.

Músicos: Joshua Breakstone: guitarra; Lisle Atkinson: baixo; Eliot Zigmund: bateria.

Fonte: All About Jazz / Jerry D'Souza

ANIVERSARIANTES 31/08


Andrea Celeste (1986) - vocalista,
Benjamim Taubkin(1956) – pianista(na foto),
Edgar Sampson (1907-1973) - saxofonista, violinista,
Francis Hime(1939)– pianista,vocalista,compositor,
Frank Froeba (1907-1981) – pianista, líder de orquestra,
Herman Riley (1933-2007) - saxofonista,
Marshall McDonald (1959) - saxofonista,
Nate Birkey (1962) - trompetista,
Paul Winter (1939) - saxofonista,
Stefano Battaglia (1965) - pianista,
Tineke Postma (1978) - saxofonista,
Wilton Felder (1940) - saxofonista

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

REDUNDÂNCIA: SEGUNDA SEGUNDA DO MÚSICO. SUCESSO !


Teve prosseguimento nesta noite mais uma segunda do músico. Conforme proposto, antes dos shows há uma palestra para discussão de um tema que afeta os músicos e técnicos da área. Desta vez estava em pauta os direitos autorais, que estão em um anteprojeto de lei que revisa a lei brasileira e está em consulta pública até 31/08. Sobre o assunto o Ministério da Cultura - Minc realizou , a partir de 2007, oito seminários do Fórum Nacional de Direito Autoral e 80 reuniões setoriais, que resultaram no texto, ora em consulta, a ser remetido ao Legislativo, com as revisões feitas a partir da consulta pública.
Apesar de todo este cuidado governamental o assunto é por demais (conforme demonstraram o representante do Minc e um advogado, professor e, atualmente, redigindo um livro sobre o assunto), polêmico. Não fiz os devidos registros sobres os nomes dos palestrantes . Seguem as sinceras desculpas de um repórter inexperiente. Confesso que não foi para me eximir de pagar os direitos autorais.....

Seguiu-se o show de Maria Mitouzo com suas composições, que já haviam chamado minha atenção no último Festival de Música Instrumental da Bahia (que saudade !). Aliás, chamou atenção, também, de Marcelo Martins, o convidado da noite, que confessou que ao ouvir a passagem do som ficou entusiasmado com a originalidade da música , que não tem rótulos. Fez uma participação sensacional em uma música, que foi uma demonstração do que viria pela frente. A banda de Maria é constituída por ela (teclados e vocal);Luciano Calazans (baixo); Tito Oliveira (bateria); André Becker (sax e flauta) e Tita, Neto, Fábio (vocais).

A segunda atração foi a banda Bahia Soul (na foto), com a volta de André Becker no sax alto, Raimundo Nova (guitarra), Ivan Bastos (baixo), Márcio Dhiniz (bateria) e Bruno Aranha(teclados). Incendiou o local com excelente soul music para botar a galera para dançar ao som de ótimos desempenhos instrumentais. Quando Marcelo Martins adentrou ao palco para atuar com a banda, estava estabelecido o rumo da prosa . Não ficou nota sobre nota, acorde sobre acorde, compasso sobre compasso. Nitroglicerina pura. Quando se pensava que se extasiava com um solo de André Becker, logo surgia um de Marcelo Martins e vice-versa , e o queixo continuava caído. Haja maxilar para agüentar....... E tudo sem demonstração de competição, pois o que se via era a expressão de admiração e alegria daquele que observava o outro solar. A Bahia Soul está afiadíssima. Como disse Marcelo Martins : “Quando cheguei e os vi passando minhas músicas, sentí que era eu que precisava repassá-las para relembrá-las”.Um dos espetáculos mais empolgantes do ano. Lamentações para quem o perdeu.

Na próxima segunda, 06/09, será a vez da Banda Transcendental, tendo como convidado o grande baixista Nei Conceição, que atua, dentre outros, com João Bosco e com o guitarrista Nelson Faria, outro ícone da música instrumental brasileira.

O espaço das apresentações, denominado “Galpão Cheio de Assuntos”, está localizado na Rua Djalma Dutra, logo após à Madeireira Angra, sentido Sete Portas. O local é simples, mas a música é sofisticada. Segunda-feira, para os amantes da música instrumental, este é o caminho.

SONNY ROLLINS RECEBEU A MEDALHA EDWARD MacDOWELL 2010


No último 15 de Agosto, Sonny Rollins foi agraciado com a Medalha Edward MacDowell, 2010, em cerimônia ocorrida na MacDowell Artist Colony, em Peterborough, New Hampshire. O escritor jazzístico, Gary Giddins, apresentou Rollins na cerimônia e dando a partida para o presidente da organização, Robert MacNeil, presentear Rollins com a medalha.

A cerimônia contou com a apresentação do trio de Fred Hersch , com John Hebert e Eric McPherson, bem como de trabalhos artísticos de crianças do ensino básico inspirados no jazz e Sonny Rollins (na foto).

“Sonny Rollins tem sido um das mais importantes influências para mim como improvisador no jazz” declarou o pianista Fred Hersch , associado à MacDowell Colony , em um informe à imprensa recebido pela JazzTimes. “Em sua mestria de arranjo, sua técnica extraordinária, seu impecável senso rítmico, seu humor e humanitarismo, ele é um completo artista do jazz”.

Fonte : JazzTimes / Lee Mergner

ANIVERSARIANTES 30/08


Charlie Wood (1951) - guitarrista,
John Surman(1944) - saxofonista, clarinetista tecladista,
Kenny Dorham (1924-1972) – trompetista(na foto),
Kid Rena (1898-1949) - trompetista,
Stratos Vougas (1967)- saxofonista,
Willie Bryant (1908-1964) – vocalista, líder de orquestra

domingo, 29 de agosto de 2010

MIKE LeDONNE – THE GROOVER (Savant Records [2010])


Quem sabia que Mike LeDonne é atualmente um organista disfarçado espertamente como pianista? Bem , isto para iniciantes, a turma que tem vindo vê-lo atuar regularmente no Smoke, o clube de jazz em Nova York, que tem sido a casa do organista por mais de uma década. Ao contrário, LeDonne não é uma variedade no jardim dos organistas, mas um destaque. Suingador é a imagem que vem do seu principal modelo, o falecido Charles Earland. Não é um acidente que LeDonne tenha aumentado seu trio (o guitarrista Peter Bernstein, o baterista Joe Farnsworth) para uma sessão em estúdio convidando o saxofonista tenor Eric Alexander para atuar, já que Alexander não só passou seus anos formativos em Chicago como membro do quinteto de Earland, bem como fez sua gravação de estreia em 1991 em um álbum do organista. Inesquecível.

LeDonne “queima” o Hammond B3, Alexander adiciona calor em cada mudança de direção com Bernstein e Farnsworth alimentando a fornalha, sendo assim este é um álbum que suinga enfaticamente desde o início — o tipo de sessão que faria Earland sorrir de orelha a orelha. Destaques animados estão entre a matéria prima de tais narrativas, ainda aqui nós temos dois exemplos, ambos compostos por LeDonne—"Blues for McCoy (Tyner)" e "Bopsolete". Dizer que criam uma tempestade seria uma exposição incompleta, mas sem dizer que "Rock with You", "Sunday in New York", "The Groover" ou "On the Street Where You Live" são menos apaixonadas em seu próprio jeito.

Tudo não é fogo e enxofre, entretanto, pois o quarteto modera a temperatura em "Deep Blue" de LeDonne e "Little Mary" de Benny Golson, esta última escrita para a filha de LeDonne que tem a síndrome de Prader-Willie , uma relativamente incomum desordem genética que afeta seu metabolismo e crescimento. LeDonne prova ser um fluente e desembaraçado no órgão como é no piano, enquanto Alexander enfatiza , como sempre tem feito , por ser um dos mais cativantes e criativos solistas de sax tenor no cenário jazzista hoje. Bernstein e Farnsworth, também, têm seus momentos ,e participam da maioria deles com frases que, invariavelmente, comandam de forma consciente e valorada.

Ao tocar Hammond B3, LeDonne tem, agilmente, expostos aspectos não traçados de sua personalidade musical, e o faz com prazer. Por longo tempo deverá suingar.

Faixas: Rock with You; Blues for McCoy; Little Mary; I'm Gonna Make You Love Me; Deep Blue; Sunday in New York; Bopsolete; The Groover; On the Street Where You Live.

Músicos: Mike LeDonne: Hammond B-3 orgão; Eric Alexander: sax tenor sax; Peter Bernstein: guitarra; Joe Farnsworth: bateria.

Fonte : All About Jazz / Jack Bowers

ANIVERSARIANTES 29/08


André Christovam (1959) – guitarrista,
Bennie Maupin (1940) - flautista, clarinetista,saxofonista,
Bobby Carcasses (1938) - trompetista,
Charlie Parker (1920-1955) – saxofonista(na foto),
Dinah Washington (1924-1963) - vocalista,
Doug Raney (1956) - guitarrista,
Edu Lobo(1943) – vocalista,violonista,compositor,
Jerry Dodgion (1932) – saxofonista, flautista,
Rolf Ericson (1922-1997) – trompetista,
Tedd Baker (1974) - saxofonista

sábado, 28 de agosto de 2010

QUINTAS MUSICAIS NO YACHT CLUBE DA BAHIA

Jazz e Bossa no bar do Restaurante Veleiro, Yacht Clube da Bahia.
Todas as quintas-feiras, às 20:00 horas, durante o mês de Setembro.
Vagas limitadas em 70 lugares. Reservas: 2105-9131


(clique na imagem para ampliar)

ANIVERSARIANTES 28/08


Chris Greene (1973) - saxofonista,
Ernie Fields (1904-1997)- pianista, trombonista,líder de orquestra,
Hal Russell (1926-1992) - pianista,trompetista , saxofonista , baterista e vibrafonista,
João Carlos de Assis Brasil (1945) – pianista,
Kenny Drew (1928-1993) - pianista,
Larry Goldings (1968) - pianista,organista,
Mike Metheny (1949) – trompetista,flugelhornista,
Victor Assis Brasil(1945-1981)- saxofonista(na foto)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

VIJAY IYER – SOLO (ACT Music [2010])


“Historicity (ACT Music, 2009)” do pianista Vijay Iyer estava entre os discos mais destacados do ano, um álbum em formato de trio com 10 faixas, metade formada por originais e metade constituída por composições de outros autores. “Solo” retorna ao mesmo território, tendo 11 faixas com cinco originais e seis composições de terceiros , a exemplo de Duke Ellington ("Black & Tan Fantasy", "La Fleurette Africaine"), Thelonious Monk ("Epistrophy"), Jimmy Van Heusen ("Darn That Dream"), Steve Coleman ("Games") e Steve Porcaro/John Bettis ("Human Nature" feita para o cantor Michael Jackson).

Desta vez ele aparece só com seu piano. Iyer fez um disco que é levemente mais excitante que o predecessor. A diferença é mais aparente nas composições de outros, onde Iyer mergulha profundo para encontrar novos balanços e alternâncias e surpresas harmônicas. Tudo de forma radical, soando inefávelmente correto, tudo resplandecendo com um senso de mistério revelado.

"Darn That Dream" e "Black & Tan Fantasy" são apresentadas de forma relativamente tradicional , a primeira atraente , a segunda com consciente anacronismo em suas referências ao stride piano e mais apropriada que a inflexível batida (Ellington escreveu a música com o trompetista Bubber Miley em 1927). Em "Epistrophy", Iyer tomou uma rota mais provocativa, só desdobrando a melodia durante os últimos 30 segundos. "La Fleurette Africaine" do trio de Ellington com o baixista Charles Mingus e o baterista Max Roach, “Money Jungle (Blue Note, 1962)”, tem 7min56seg, uma das mais longas do disco, é outra exposição discursiva. "Human Nature" é curta em sua oferta de texto. Iyer, que vem incluindo esta canção em seu repertório desde a morte de Jackson em 2009, o encontrou primeiro quando tinha 11 anos, e tinha todo o tempo para encontrar os seus caminhos. É possível sugerir que Iyer teve a sorte, talvez, de não conhecer "Human Nature" como alguém que passou a noite na casa do rei do pop ?. Provavelmente…..

Os originais incluem "One For Blount" uma suingante homenagem blueseira para o pianista Sun Ra ( Herman Blount), que fecha o álbum, apropriadamente , com um pé no passado e o outro no presente. Os originais que vêm antes são mais tipicamente “Iyeristicos”. Os melhores exemplos são "Autoscopy", que uma seção introdutória com várias notas com ecos de Cecil Taylor, vem a ser um exercício de voluptuoso lirismo, e "Patterns" com 8min29seg de poderosa associação livre conduzido de forma hipnotizante e poucos esquemas rítmicos-melódicos. Mágico, do começo ao fim.

Faixas: Human Nature; Epistrophy; Darn That Dream; Black & Tan Fantasy; Prelude/Heartpiece; Autoscopy; Patterns; Desiring; Games; Fleurette Africaine; One For Blount.

Fonte : All About Jazz / Chris May

ANIVERSARIANTES 27/08


Alice Coltrane (1937-2007) - organista,pianista ,harpista,
Edward Perez (1978) - baixista,
Ken Slavin (1961) - vocalista,
Lester Young (1909-1959) - saxofonista(na foto),
Luiz Chaves(1931-2007) – baixista,
Martha Raye (1916 -1994) – vocalista,
Sonny Sharrock (1940-1994) - guitarrista