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domingo, 7 de março de 2021

AHMAD JAMAL – BALLADES (Jazzbook Records)

Aos 89 anos, Ahmad Jamal permanece um mestre do espaço, tempo, abertura e da poética. Nada mais a adicionar, no entanto, sempre explora uma canção para todos seus ricos sabores. Jamal é um artista cujo trabalho fala com um direto e cativante impulso. Seu trio clássico, inicial, vem a ser um modelo no gênero, inspirando Miles Davis e muito outros, em seus dias finais, uma mistura de percussão, que remonta a transportar elegância e alguma altivez do DNA deles. Agora, mostrando-nos que ele, ainda, tem uma surpresa, ou duas, guardadas em sua manga, Jamal deixa, então, os confortos destes formatos solos anteriores (majoritariamente) para “Ballades”.

Sete das dez faixas, que constituem este álbum, encontram Jamal em performance solo. Seu cartão de visita—improviso de amarras, linhas dançantes, contenção inteligente, maestria todo o tempo, visões orquestrais, um toque de Midas—tudo toca uma parte da produção. Inéditas como "Because I Love You", com o vai e vem dos ostinatos da mão esquerda iluminando o caminho, e "Whisperings", com encantos sedutores e de correrias, marca Jamal como um homem completamente confortável em sua pele. Assim, também, faz em "Poinciana", uma reflexão das glórias do passado no presente. Um sucesso para o pianista 60 anos atrás, impulsiona a lembrança da batida famosa da bateria de Vernell Fournier e o encorajador baixo de Israel Crosby, onde ele reformula, aqui, tanto mais um devaneio e vislumbres em cascata dentro do romance.

Beleza e certeza artística abundam em outros espaços para solo, uma viagem paciente através de "Land Of Dreams", que faz jus ao nome, uma "Emily" com curiosos apartes e tempo maleável, porém Jamal também salva algum toque controlado para os três duos, que encontra com seu antigo baixista, James Cammack. Reprisando "Marseille" com Cammack e usando-a como abertura, prova-se a lógica apropriada como toda esta música foi gravada nas mesmas sessões que produziu o lançamento de Jamal¸ do mesmo nome, em 2017. "So Rare" é apenas um animado destaque de exibição aparente com intercâmbios telepáticos e pura confiança. E as leves graças e ressonância refrescante de "Spring Is Here" de Rodgers & Hart, mesclada com "Your Story" de Bill Evans, é feita com um agradável brilho. É tentador sugerir que Jamal é como um vinho fino, quanto mais velho melhor, mas que deve injuriar o saboroso buquê, que é como já estaivesse lá há décadas. Melhor simplificar e dizer que ele permanece um tesouro capaz de agitar paixões sem força ou ambições forçadas.

Faixas: Marseille; Because I Love You; I Should Care; Poinciana; Land Of Dreams; What's New; So Rare; Whisperings; Spring Is Here/Your Story; Emily.

Músicos: Ahmad Jamal: piano; James Cammack: baixo (1, 7, 9).

Fonte: Dan Bilawsky (AllAboutJazz)

 

 

ANIVERSARIANTES - 07/03

Anthony Ocaña (1980) – violonista,

Dan Papirany  (1967) – pianista,

Danilo Caymmi(1948) – violonista,flautista,vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=OeJ7XvovWzY,

David F. Gibson (1953) – baterista,

Lee Young (1917-2008) – baterista, vocalista, 

Mahlon Clark (1923-2007) – clarinetista,

Matthias Bergmann (1972) – trompetista,

Nat Gonella (1908-1998), trompetista,

Paoli Mejias (1970) – percussionista,

Turíbio Santos (1943) - violonista 

 

sábado, 6 de março de 2021

NICK FINZER - CAST OF CHARACTERS (Outside In)

Para entusiastas do trombone, a segunda década do novo milênio tem sido um rico período. A lista de emergentes talentos inclui Gianluca Petrella, Michael Dease, Filippo Vignato, Alan Ferber e John Yao. Adicione Nick Finzer. “Cast of Characters” é impressionante por sua ambição e mais ainda por sua realização.

Finzer é um trombonista rápido e imponente, com uma entonação brilhantemente sombria. Porém, como um dos seus grandes antecedentes instrumentais, Bob Brookmeyer, sua verdadeira vocação é a composição e os arranjos. Este álbum tem um tema: as influências manifestas destas figuras em nossas vidas. Finzer não nomina seus próprios mentores; os movimentos de sua suíte intitulada como “A Sorcerer”, “The Weatherman” e “The Guru”. Ele diz, “Os personagens representam os arquétipos das pessoas que nós encontramos ao longo de nossas vidas. Eu quero que ouvintes projetem suas próprias experiências dentro desta narrativa”.

O enredo pessoal de Finzer contém melodias vibrantes, harmonias intrigantes e humores diversos. Com apenas um sexteto, ele alcança amplitude e profundidade. Contraria cruzamentos e revestimentos; chamadas orientadas provocam respostas específicas e instrumentos alteram-se no contraponto entre primeiro plano e de fundo.

Os instrumentistas são Lucas Pino (palhetas), Alex Wintz (guitarra), Glenn Zaleski (piano), Dave Baron (baixo) e Jimmy Macbride (bateria). Eles estiveram juntos por oito anos e soam bem. Em peças complicadas como “Brutus” e a flutuante e gradualmente intensificada “Patience, Patience”, Finzer trabalha como um pintor, construindo desenhos intricados conforme ele adiciona detalhes contrastantes e complementares. “Venus” contém muitos elementos motivadores, todos unificados com lirismo. Há também canções como a carregada “Evolution of Perspective”, que permite estes abnegados instrumentistas da banda, atuando, eles mesmos, como solistas. Zaleski, especialmente, está no ponto.

Faixas : A Sorcerer; Intro to...; Evolution of Perspective; Brutus; Intro to...; Patience, Patience; A Duke; (Take The) Fork In the Road; The Weatherman; Venus; Intro to...; You'll Never Know The Alternative; The Guru; We're More Than The Sum Of Our Influences.

Músicos: Nick Finzer: trombone; Lucas Pino: clarinete baixo; Alex Wintz: guitarra; Glenn Zaleski: piano; Dave Baron: baixo acústico; Jimmy Macbride: bateria.

Fonte: THOMAS CONRAD (JazzTimes)

 

 

ANIVERSARIANTES - 06/03

Alden Taro Ikeda (1964) – baterista,

Ayelet Rose Gottlieb (19790 – vocalista,

Charles Tolliver (1942) – trompetista,

Dom Minasi (1943) – guitarrista,

Fábio Zanon (1966) – violonista,

Flora Purim (1942) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=8BzZT5liAfY

Howard McGhee (1918-1987) - trompetista,

Palle Mikkelborg (1941) - trompetista,

Peter Brötzmann (1941 – saxofonista,clarinetista,

Red Callender (1916-1992) - baixista,

Robin Kenyatta (1942-2004) - saxofonista,

Wes Montgomery (1925-1968) - guitarrista


 

sexta-feira, 5 de março de 2021

LARRY OCHS / NELS CLINE /GERALD CLEAVER – WHAT IS TO BE DONE (Clean Feed)

Há um local para uma sangria metálica na agitação do free jazz? Nels Cline pensa que sim. Ele, o baterista Gerald Cleaver e o saxofonista Larry Ochs o deixa cair planamente em sua retaguarda e vocifera gritos enlouquecidos em tributo para o que soa como Mastodon espetada no altar do desastre em câmara lenta em Sunn O))). Está sobre trituração ruidosa, calamitosa e liberada— então você desfalece.

Para ser justo, nem tudo de “What Is to Be Done” é ensurdecedor. O álbum inicia bastante tranquilamente, Ochs rastreia soluços, enquanto Cleaver mantém um suave balanço na abertura de 21 minutos, “Outcries Rousing”. Entra Nels Cline, direto no palco. O balanço vem estar mais alerta, acordes envolvem perigo. Ochs olha sobre o horizonte, cospe no chão. Sete minutos e Ochs é um homem morto; Cleaver está retumbando uma marcha fúnebre e Cline tem arrancado seu crânio e o derrama fundido na gola. Quinze minutos e a morte segura e mantém tudo, apenas a memória de músculos puxando as cordas de forma depressiva. É um espetáculo perturbador, uma ensurdecedora rajada que sujará suas crianças.

Cline faz sua melhor personificação de John Renbourn-encontra-efeitos-pedais em “A Pause, a Rose”, uma coleção de círculos de gargalhadas e choros de gansos que transformam dentro do tamborilar dos pratos e ajusta-se na tosse do saxofone. Pense em uma zona de crepúsculo para instrumentistas de free jazz, saxofone demoníaco precipita agitação em um circuito de um baterista funkeado.

“Shimmer Intend Spark Groove Defend” é composta de ritmos completamente vigorosos e saxofone arrebatador. Cline despeja folhas de pura entonação mercurial no arranjo, permitindo Ochs enlouquecer contra a fantasmagórica guitarra. É a performance final, ajustada fascinantemente.

Faixas: Outcries Rousing; A Pause, A Rose; Shimmer Intend Spark Groove Defend.

Músicos: Larry Ochs: saxofone tenor e sopranino; Nels Cline: efeitos de guitarra elétrica; Gerald Cleaver: bateria.

Fonte: KEN MICALLEF (JazzTimes)

 

 

ANIVERSARIANTES - 05/03

Amy Rempel (1985) – pianista,

Bob Edmondson (1935) – trombonista,

Carol Sloane (1937) – vocalista,

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) – pianista,maestro,compositor (na foto),

Karen Lake (1968) – vocalista,

Lou Levy (1928-2001) – pianista,

Martin Sullivan (1979)- trombonista,

Patativa do Assaré (1909-2002) – compositor,

Scott Feiner (1968) – pandeirista,

Wilbur Little (1928-1987) - baixista 

 

quinta-feira, 4 de março de 2021

CHRIS LIGHTCAP – SUPERBIGMOUTH (Pyroclastic)

O baixista novaiorquino, Chris Lightcap, o eletrificado Superette de 2018, referenciado ao surf, sons harmônicos de Ornette Coleman, música da África Ocidental e sons internacionais da psicodelia. Tais gêneros delimitadores devem soar pesados, mas a música de Lightcap, que este novo LP incluiu, é definida pela luminosodade e graça.

Crescendo em uma cidade do aço próxima a Pittsburgh, a curiosodade musical de Lightcap foi saciada pela coleção de música clássica de seus pais e “toneladas e toneladas de rock ’n’ roll”. Esta herança vem através de “SuperBigmouth”, via distorção cortante dos acordes da guitarra, enquanto seu amor pela música da África Ocidental é ouvido em bateria saltitante e instrumentos de sopro entrelaçados.

“SuperBigmouth” une duas bandas de Lightcap: as duas guitarras, as baterias (mais convidados) de Superette com Bigmouth, o grupo que lançou o muito elogiado “Epicenter” em 2015. E funciona belamente.

Com seus quase 9 minutos de duração, “Zero Point Five” é densa com arrogância inerte. Inicia com formação clássica do rock, o baixo em primeiro plano contra o fraseado da bateria para se fundir com outros instrumentos. “Deep River”, entretanto, inicia com uma vibração de rock alternativo dos anos 90, a pureza dos instrumentos de sopro intersectando com a seção rítmica moderada, até o estilo retrô das dicas do órgão de Craig Taborn.

Quando questionado sobre a razão pela qual ele formou a banda Superette com duas guitarras, Lightcap disse que ele estava intrigado “com a forma pela qual os tons da guitarra combinam” para criar uma “qualidade espectral”. Algo similar deve ser dito sobre “SuperBigmouth”. Ainda que, a despeito dos ecos incessantes de outros gêneros e culturas, a música permanece coerente e claro em seu intento.

Faixas: Through Birds, Through Fire; Zero Point Five; Queen’s Side; False Equivalency; Deep River; Nothing If Not; Quinine; Sanctuary City. (48:12)

Músicos: Chris Lightcap, baixo; Craig Taborn, teclados; Tony Malaby, Chris Cheek, saxofone tenor; Jonathan Goldberger, Curtis Hasselbring, guitarra; Gerald Cleaver, Dan Rieser, bateria.

Fonte: Madeleine Byrne (DownBeat)