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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

RYAN KEBERLE & CATHARSIS – THE HOPE I HOLD (Greenleaf)


Esta é uma das questões levantadas, às vezes reflexivas, às vezes questionadoras, sempre com música inspiradora em “The Hope I Hold”, o terceiro álbum do trombonista Ryan Keberle e sua banda cônscia socialmente, Catharsis. “Eu sou o pobre branco, enganado e empurrado para além/ Eu sou o Negro influenciando as cicatrizes da escravidão”, canta Camila Meza em “Tangled in the Endless Chain”, uma canção sobre a luta para ser livre, cujo título e letras (tomadas de diversas canções e a partir de um poema de Langston Hughes de 1935, “Let America Be America Again”) parecem desesperar sempre com a realização da liberdade. No entanto, a música em si, é alguma coisa, exceto desanimadora, não apenas voz e guitarra de Meza, mas também o lirismo do saxofone tenor de Scott Robinson, crescendo sobre o balanço em 6/4 com toque latino. Esta não é , uma invectiva contra a justiça, mas a transcendência estilo Zen, de observação da luta como meramente parte de um “grilhão sem fim”.

Da mesma forma, “Despite the Dream” e “America Will Be” não são sobre a política contemporânea da América— nesta terra de lutas no Twitter e animosidade vermelha/azul—mas a simbólica América, esta terra de liberdade e tolerância prometida pela estátua da Liberdade. “Oh, deixe a América ser a América outra vez”, diz o refrão de a “Despite the Dream” adicionando, “A terra que nunca ocorreu”.

A defesa deste sonho, que possibilita se tornar em alguma coisa grande e justa, não é apenas uma postura desta banda, lírica ou política, que se assenta no âmago do seu toque. “America Will Be” faz este ponto com uma improvisação de grupo magnificamente entrelaçada mesma antes de Meza iniciar o canto, a diversidade de vozes instrumentais nunca subvaloriza o senso de comunidade que a música evoca. Ainda melhor são as performances dos quatro, incluindo o “Catharsis Trio”, no qual Meza, Keberle e o baixista Jorge Roeder oferecem o tipo de toque conversacional que tem sempre estado no coração do grande jazz. A esperança é que Keberle and Catharsis fará tanto mais música otimista e provocativa.

Faixas

1 Tangled in the Ancient Endless Chain (apresentando Camila Meza, Scott Robinson, Jorge Roeder & Eric Doob) 6:35                  
2 Despite the Dream (apresentando Camila Meza, Scott Robinson, Jorge Roeder & Eric Doob) 5:41                         
3 America Will Be (apresentando Camila Meza, Scott Robinson, Jorge Roeder & Eric Doob) 6:07
4 Fooled and Pushed Apart (apresentando Camila Meza, Scott Robinson, Jorge Roeder & Eric Doob) 5:29                            
5 Campinas (apresentando Camila Meza, Scott Robinson, Jorge Roeder & Eric Doob) 6:08            
6 Para Volar (apresentando Camila Meza & Jorge Roeder) 5:55                 
7 Peering (apresentando Camila Meza & Jorge Roeder) 6:13                      
8 Zamba de Lozano (apresentando Camila Meza & Jorge Roeder) 5:14                  
9 Become the Water (apresentando Camila Meza & Jorge Roeder) 5:23               
10 Epilogue / Make America Again (apresentando Camila Meza & Jorge Roeder) 1:53                    
Digital Booklet: The Hope I Hold

Para conhecer um pouco deste trabalho, assista ao vídeo abaixo :

https://www.youtube.com/watch?v=ccsf6w5Aw1M

Nota: Este álbum está listado entre os 40 melhores de 2019 conforme escolha de críticos da JazzTimes.

Fonte: J.D. CONSIDINE (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 20/02


Adriano Giffoni(1959) – baixista,
Andre Canniere (1978) – trompetista,
Anthony Davis (1951) - pianista,
Ben Wendel (1976) – saxofonista,fagotista, pianista,
Bobby Jaspar (1926-1963) – saxofonista, flautista,
Elisabeth Lohninger (1970) – vocalista,
Iain Ballamy (1964)- saxofonista,
Leroy Jones (1955) – trompetista,
Lew Soloff (1944-2015) – trompetista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=WYaUF6BgdEs&feature=related,
Nancy Wilson (1937-2018) – vocalista,
Oscar Aleman (1909-1980) – guitarrista,
Riccardo Del Fra (1956) – baixista

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

JOE POLICASTRO TRIO – SCREEN SOUNDS (JeruJazz)


O trio altamente original baseado em Chicago pareceria nos seduzir com uma coleção de temas de cinema e TV, mas, cada tela prateada viciada, os músicos realmente estão pesquisando dentro de uma cornucópia para seus próprios entretenimentos em Screen Sounds.

A abertura, uma canção de batalha de um filme de Akira Kurosawa de 1960, é completamente obscura e firme, com a maximação distorcida da guitarra de Dave Miller, além de ser uma audição tranquila. Como uma rápida atenuação, a banda segue com tema indelével e amoroso de Midnight Cowboy de John Schlesinger de 1969, o baixo de Policastro tomando o estribilho da abertura e a melodia, então trocando papéis com Miller. O desembaraçado Miller sabe bem como fazer o contraponto de seus próprios pronunciamentos com notas antifônicas em registros opostos, e Policastro consequentemente reformula o estilo de arco na melodia conforme a guitarra inicia o acompanhamento repugnante.

Policastro insiste que não há manifesta ironia ao tocar, embora haja excentricidade em Miller em “Nadia’s Theme”, sugere o conhecimento da estética post-noir de Jim Jarmusch ou David Lynch. Ele torna-se mais jazzista, como faz seu grupo suingante, em “Cool Hand Luke”, onde a arquitetura relaxada da guitarra relembra Jeff Parker com a Chicago Underground Orchestra. Miller comanda uma pictoricamente, e arqueadamente extravagante, abordagem divertida. E a bateria loquaz de Avery, aqui, lembra um pouco Shelly Manne em “Way Out West” de Sonny Rollins, conforme o líder move-se através de um suporte mais tradicional —até as coisas reabrirem ao final, quando Miller peculiarmente adota um estilo resoluto. A reverberante carregada “Summer Kisses, Winter Tears” vem a ser um clássico de salão com uma batida de bolero de Avery, com o coro de Miller e Policastro relembrando o original de Elvis. A deleitavelmente límpida e existencial “Blade Runner” de Vangelis é interpretada com luvas de pelica, exceto por uma melancolia, a meio de caminho, culminando em adorável acompanhamento musical improvisado.

Este trio refinou a mistura de suas camadas fracamente distantes, atuando em três noites em uma semana em Chicago no Pops for Champagne e através de uma extensa excursão. Seu profundo entendimento entre si e a análise esperta de escolha de repertório recompensa a repetição e encerra a audição.

Faixas: Screen Sounds: Yojimbo (Main Title); Everybody’s Talkin’/Midnight Cowboy; Nadia’s Theme (Theme From The Young And The Restless); Cool Hand Luke (Main Title); Summer Kisses, Winter Tears; Twin Peaks Theme; Angela (Theme From “Taxi’); Hallelujah; The Godfather (Main Title And Love Theme): Blade Runner (Love Theme); Having An Average Weekend (Theme From Kids In The Hall). (65:36)

Músicos: Joe Policastro, baixo; Dave Miller, guitarra; Mikel Avery, bateria.

Fonte: Michael Jackson (DownBeat) 

ANIVERSARIANTES - 19/02

Bob Hamilton (1948) – pianista,
David Murray (1955) – saxofonista, clarinetista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=5f0QJRP9cJ4, 
DezronDouglas (1981) – baixista,
Johnny Dunn (1897-1937) – trompetista

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

CHRISSIE HYNDE – VALVE BONE WOE (BMG)


Notícias que a legenda do rock, Chrissie Hynde, tenha uma gravação de jazz, funciona parecido a partes iguais, estranhas e intrigantes. A faixa gravada por estrelas do rock reforçando sua própria nostalgia considerável, explorando o clássico repertório norte-americano, produziu alguns resultados espessos. Por outro lado, Hynde pertence a um grupo de veteranos iconoclastas como Tom Waits, Iggy Pop e Joe Jackson, que poderiam trazer um som distinto ao projeto e o chama de alguma coisa como expansão estética.

“Valve Bone Woe”—o título tomado da resposta poética do irmão para a notícia da morte de Bob Brookmeyer em 2011, funciona melhor como um retrato sonoro de uma dilapidada mansão de Hollywood, que ainda evoca algumas de suas glórias pós-guerra, mas com a exibição de abundantes arestas surradas. Um robusto alto de Hynde ataca clássicos como “I’m a Fool to Want You” de Sinatra e “I Get Along Without You Very Well (Except Sometimes)” de Carmichael sem evocação do glamour do salão de baile (pense em uma jaqueta de couro de um motociclista em vez de uma bata). Porém, ela também traz sua própria sensibilidade para o repertório, interpretando “River Man” de Nick Drake, “Caroline, No” de Brian Wilson e “No Return” de outro ex-namorado, Ray Davies. Ela majoritariamente estabelece “Meditation on a Pair of Wire Cutters” de Mingus e “Naima” de Coltrane, mas eles fortalecem a suavidade. Infelizmente, a exuberante orquestração frequentemente pondera questões antes de edificá-las.

A ambivalência que percorre através das letras de muitas canções é também uma bem ajustada atitude através do gênero. Hynde chama-o de gravação de “jazz dub”, que é bastante cuidadosa, mas não é completamente sentida como uma gravação de Hynde, embora a ofereça através de uma linha em “I Wish You Love” do filme Eye of the Beholder. Há um possível elo para dizer em “Brass in Pocket”, também, mas isto requereria o arrojo de uma configuração com um par de fiéis assistentes.

Faixas

1 How Glad I Am (Larry Harrison / Jimmy Williams) 04:38
2 Caroline, No (Tony Asher / Brian Wilson) 04:53
3 I'm a Fool to Want You (Joel Herron / Frank Sinatra / Jack Wolf) 05:57
4 I Get Along Without You Very Well (Except Sometimes) [Hoagy Carmichael] 02:59
5 Meditation on a Pair of Wire Cutters (Charles Mingus) 03:20
6 Once I Loved (Norman Gimbel / Antônio Carlos Jobim / Vinícius de Moraes) 04:18
7 Wild is the Wind (Dimitri Tiomkin / Ned Washington 05:46
8 You Don't Know What Love Is (Gene DePaul / Don Raye) 04:49
9 River Man (Nick Drake) 04:37
10 Absent Minded Me (Bob Merrill / Jule Styne) 05:51
11 Naima (John Coltrane) 05:20
12 Hello, Young Lovers (Oscar Hammerstein II / Richard Rodgers) 04:29
13 No Return (Ray Davies) 04:17
14 Que Reste-T-Il De Nos Amours? (Charles Trénet) 04:42

Fonte: MARTIN JOHNSON (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 18/02

Dan Effland (1981) – guitarrista,
Gordon Grdina (1977) - guitarrista,
Kamasi Washington (1981) – saxofonista,
Randy Crawford (1952) – vocalista,
Toninho Ferragutti(1959) – acordeonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=g7O7PSxEJcs&feature=related

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

STEVE KUHN TRIO - TO AND FROM THE HEART (Sunnyside Records)


Nós não necessitamos, necessariamente, de um lembrete sobre a superioridade do pianista Steve Kuhn no domínio do trio; seu trabalho neste domínio foi bem documentado e grandemente respeitado. É, de qualquer jeito, sempre um parceiro a receber um presente como este.

“To and From the Heart” capitaliza a criativa harmonia que Kuhn desenvolveu com o baixista Steve Swallow, um amigo e colaborador por mais de meio século, e o baterista Joey Baron, uma importante parte da órbita artística de Kuhn ao longo de duas décadas. Suas primeiras viagens como uma banda, “Wisteria” de 2012, ofereceu algo muito importante de boas novas radiantes para noções vivazes, não deixando nenhuma dúvida as forças e sutilezas em todas as festas. O lançamento seguinte, “At This Time…” em 2016, foi feito no momento em que o grupo foi atingindo seu passo largo no Birdland em Nova York e preparando-se para uma excursão europeia, emprestando à música um maior imediatismo.

Este último capítulo da estória é uma coletânea de comodidades e master class em elevada interação. É, essencialmente, uma comunhão discreta entre três veteranos com mais a oferecer e nada a provar. O álbum inicia na casualmente suingante “Thinking Out Loud” de Swallow, move-se com um passo agradável em “Pure Imagination” e alcança o centro com a bela e dolorosa “Away” do baixista e uma pensativa “Never Let Me Go”. A penúltima peça — “Into the New World” de Michika Fukumori —exibe um caráter ligeiramente extrovertido mais do que aquela que a precede, mas a composição de Kuhn, “Trance/Oceans in the Sky”, é a que tem o maior impacto. Estas extensas meditações em rubato no encerramento, gestos deslizantes e ataques de intensidade, que falam à honestidade e o espírito da busca da verdade do âmago deste trio.

Faixas: Thinking Out Loud; Pure Imagination; Away; Never Let Me Go; Into the New World; Trance/ Oceans in the Sky.

Músicos: Steve Kuhn: piano; Steve Swallow: baixo elétrico; Joey Baron: bateria.

Fonte: DAN BILAWSKY (JazzTimes)