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sábado, 23 de julho de 2016

HOLLY HOFMANN – LOW LIFE : THE ALTO FLUTE PROJECT (Capri Records)


A despeito da sobriedade do título, o 12º álbum de Holly Hofmann é algo frio ou cético. Melhor, é a celebração de Hofmann na flauta alto, um instrumento dócil de timbre especialmente tentador. Largamente em tempo médio e habilmente tocado, este álbum é bonito, como a flauta especial eleva-o a tal perfil raro. Qualquer que seja a canção, Hofmann compele alma no serviço da respiração, animando um repertório universal retraído com paixão totalmente cativante para sua limitação. Com o pianista e marido Mike Wofford, o baixista John Clayton, o baterista Jeff Hamilton e, em quatro faixas, o guitarrista Anthony Wilson, Hofmann elaborou um álbum que, fácil como é para ouvir, nunca descuida do esperado.

Solidamente produzido por Wofford e Thomas Burns, suas nove seleções se estendem de uma plangente e ambiciosa balada de Pat Metheny, “Farmer’s Trust”, uma sensível com toque latino de Mulgrew Miller, “Soul-Leo”, uma bem elaborada de Wilson, “Jack of Hearts”, e a mística “Lumiere de la Vie”, uma melancólica composição de Hofmann que exibe a maestria da flautista em sua máxima circunspecção e amplitude.

A empatia presente aqui é admirável. Observe como Wofford segue o solo reverente e reservado de Hofmann em “Lumiere”. Deslize com o baterista Hamilton na forma como ele impulsiona a alegre “Cedar Would”, homenagem de Clayton ao ex-integrante do Jazz Messenger, Cedar Walton. Mergulhe você mesmo em “Touch the Fog” de Clayton uma faixa sombria e de câmara na qual Hofmann espalha-se com seu som caloroso, seu fraseado carinhoso.

Faixas: Jack of Hearts; Touch the Fog; Grow (for Dick Oatts); Lumiere de la Vie; Cedar Would; The Very Thought of You; Make Me Rainbow; Soul-Leo; Farmer's Trust.

Músicos: Holy Hofmann: flauta alto; Mike Wofford: piano; John Clayton: baixo; Jeff Hamilton: bateria; Anthony Wilson: guitarra.

Fonte: Carlo Wolff (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 23/07


Alan Barnes (1959) – saxofonista,clarinetista,
Albert Rivera (1983) – saxofonista,
Champion Jack Dupree (1909-1992) – vocalista,baterista,pianista,
Charles Ables (1943-2001) – baixista,guitarrista,
Clarence Holiday (1898-1937) – guitarrista,
Claude Luter (1923-2006) – clarinetista, saxofonista,
Diego Figueiredo (1980) – violonista,
Emmett Berry (1915-1993) - trompetista,
Janis Siegel (1952) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=8JtUiHd47PA,
Manuel Rocheman (1963) – pianista,
Peter Kienle (1960) – guitarrista,
Richie Kamuca (1930-1977) - saxofonista,
Renato Borghetti (1963) – acordeonista,
Steve Lacy (1934-2004) - saxofonista , clarinetista


NR:Clarence Holiday foi um guitarrista de jazz  relembrado como o pai de Billie Holiday, mas nunca foi casado com a mãe de Billie. Antes de “Lady Day” atingir a adultez, ele não se sentia feliz em admitir que tinha uma filha já crescida.

Holiday trabalhou em bandas locais e foi um membro da “Fletcher Henderson Orchestra” no período de 1928 a 1933. Inicialmente foi um ritmista, solando raramente. Clarence Holiday gravou com Benny Carter em 1934 e com Bob Howard em 1935 e atuou com Charlie Turne em 1935, Louis Metcalf entre 1935e 1936 e com “Don Redman Big Band” nos anos de 1936 e 1937, antes de sua morte prematura.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

MATTHEW SHIPP – THE CONDUCT OF JAZZ (Thirsty Ear)


Como seguem os álbuns de Matthew Shipp, este é quase um mainstream jazz. O vigorosamente individualista novo disco do pianista, “The Conduct of Jazz”, é o primeiro do seu novo trio com o baixista Michael Bisio e o baterista Newman Taylor Baker. É uma recomposição para Shipp, que sempre atuou com pouco caso para a aceitação popular. Embora esta gravação seja tão tocável no rádio como qualquer anterior álbum produzido por Shipp, é também indelevelmente seu. A estética de Shipp— composições desafiadoras , poderosa elocução— nunca poderia ser confundida por qualquer um.

Bisio, com quem Shipp colaborou antes, é uma presença moderada, passeando, suingando e providenciando contrapontos inesperados, mas nunca disputando a atenção, mesmo em um solo. Na bateria, Baker tem um toque mais suave que alguns companheiros anteriores de Shipp, com, talvez, mais suingue, e ele está satisfeito ao sugerir um ritmo em vez de tocar algo completo. Para Shipp, ele está neste ponto como um artista completamente desenvolvido, delineando suas próprias influências e influenciando outros.

É tentador descrever a canção título com suas margens entalhadas e imbricações em tom menor, como Monk, mas a obra de Shipp é completa o bastante para chamá-la Shippiana. Nesta canção e outras, frases são repetidas e perfuradas em balanços, uma marca do seu estilo. “Ball in Space” contém uma passagem com um acorde em uma oitava mais baixa, que é repetida 17 vezes (15 vezes com força, duas vezes suavemente). “Stream of Ligh”, por outro lado, o solo de piano de 5 1/2-minutos de notas que não deveriam ir juntas, mas de alguma maneira estão.    “Primary Form”, de modo oposto, é toda em redor de Baker; seu toque de bateria cresce incrementalmente energético conforme Shipp repete uma frase em quatro compassos. “The Bridge Across” demonstra o completo poder de Shipp-Bisio-Baker, exibindo coesão musical na ausência de estrutura óbvia, acordes ou melodia. Ainda assim, alguém poderia imaginar algo disto em uma rádio FM. A capa, de fato, parece como recentes invólucros da Blue Note, e o título traz à mente o álbum provocador de Branford Marsalis, “Contemporary Art”. Bem executado.

Faixas: Instinctive Touch; The Conduct of Jazz; Ball in Space; Primary Form; Blue Abyss; Stream of Light; The Bridge Across.

Músicos: Matthew Shipp: piano; Michael Bisio: baixo; Newman Taylor Baker: bateria.

Fonte: Steve Greenlee (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 22/07


Al Di Meola (1954) – guitarrista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=vuY0_JCHaF4,
Al Haig (1924-1982) - pianista,

Bill Perkins (1924-2003)- saxofonista,flautista,
Dennis Wilson (1952) – trombonista,
Don Patterson (1936-1988) – organista,
George Walker Petit (1959) – guitarrista, 

Jimmy Bruno (1953) – guitarrista,
Joshua Breakstone (1955) – guitarrista,

Junior Cook (1934-1992) – saxofonista,
Kara Johnstad (1968) - vocalista , 

Lou McGarity (1917-1971) – trombonista,
Mario Rivera (1939-2007) – flautista, saxofonista,
Paul Moer (1916-2010) – pianista,
Sarah Lynch (1973)- vocalista

quinta-feira, 21 de julho de 2016

ANNE METTE IVERSEN´S DOUBLE LIFE – SO MANY ROADS (Brooklyn Jazz Underground Records)


O título “So Many Roads” evoca uma jornada em que abundam possibilidades. As faixas – um prólogo, quatro capítulos e um epílogo — sugerem uma estória curta, um caminho mais bem definido. As convenções estão no trabalho aqui. A baixista Iversen e seu grupo —John Ellis nos saxofones, o pianista Danny Grissett, o trombonista Peter Dahlgren e o baterista Otis Brown III, incrementados pelo quarteto de cordas 4Corners, são mais que capazes de aderir aos limites composicionais registrados por Iversen, mas eles simultaneamente deliciam-se em provocá-los.

Eles levaram um bom tempo para vir com as ideias que manifestam em “So Many Roads”: Iversen dispendeu cinco anos desenvolvendo e refinando esta música. Ainda por todas estas dificuldades e complexidades, é, ao final das contas, um trabalho ilusoriamente sóbrio e acessível. “Prologue”, naturalmente, estabelece tudo— o solo de Iversen por mais de três minutos, alternativamente reflexivo e próximo do celebratório. A introdução de cordas e banda no ataque de “Chapter One” serve como anúncio de que embora esta música deva ter o coração do começo ao fim ao ser composta, não significa estabelecer uma joia— o sax soprano de Ellis e o trompete de Dahlgren trazem um suingue vigoroso para o qual em mãos inferiores deveria vir a ser um exercício acomodado no reino do “jazz-encontra-clássico”. Iversen não está interessada nisto.

Cada um dos seguintes três “capítulos” estabelecem sua própria identidade rápida e determinadamente. O segundo, o mais longo, chega mais perto do padrão tradicional com o quarteto de cordas acomodando as coisas abertamente. “Chapter Three” é etéreo e sombrio, blueseiro e melancólico, enquanto o quarto e final dê a todo mundo ampla oportunidade para explorar largamente (o solo de Grissett é especialmente maravilhoso, Brown trovejante), incluso o quarteto. O epílogo em dois minutos, piano e cordas em conversação polida, nitidamente enlaça esta declaração resumida (37 minutos), mas uma viagem altamente recompensadora através da mente fértil de Anne Mette Iversen.

Faixas: Prologue; Chapter One; Chapter Two; Chapter Three; Chapter Four; Epilogue.

Músicos: Anne Mette Iversen: baixo acústico; John Ellis: saxofones soprano e tenor; Peter Dahlgren: trombone; Danny Grissett: piano; Otis Brown III: bateria; Time Rudloff: violino; Sarah McClelland: violino; Anne Soren: viola; Mats Larsson: cello.

Fonte: Jeff Tamarkin (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 21/07


Floyd Jones (1917 – 1989) – guitarrista,
Gil Parris (1977) – guitarrista,
Helen Merrill (1929) – vocalista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=rK8RewHEtgA
Joel Fass(1954) – guitarrista,
Kay Starr (1922) – vocalista,
Omer Simeon (1902-1959) – clarinetista,saxofonista,
Plas Johnson (1931) - saxofonista,
Scott Wendohldt (1965) – trompetista,
Sonny Clark (1931-1963) - pianista,
Thomas Heflin (1977) - trompetista

quarta-feira, 20 de julho de 2016

JUNIOR WELLS – SOUTHSIDE BLUES JAM (Delmark)


Junior Wells vive. O icônico cantor de blues e gaitista faleceu em 1998, mas o lançamento deste solto e excitante álbum gravado em estúdio, “Southside Blues Jam”, é outro documento provando que ele não será esquecido de qualquer forma nos próximos tempos. A estreia de Wells, em 1965, “Hoodoo Man Blues”, é um álbum clássico do blues e um lançamento fundamental do selo de Chicago, Delmark. Aquele LP apresentou o guitarrista Buddy Guy, que viria a ser um colaborador efetivo de Wells (e posteriormente passou a ser, também, uma legenda do blues). “Southside Blues Jam”—gravado em 30 de dezembro de 1969 e 8 de Janeiro de 1970 —encontra Wells diante de uma banda que inclui Guy (em oito canções), do guitarrista Louis Myers (em nove canções), do baixista Earnest Johnson, do baterista Fred Below e do eleito para o Blues Hall of Fame, Otis Spann, ao piano (seria a seção final em estúdio do pianista, antes dele sucumbir ao câncer de fígado em 24 de abril de 1970). Wells, aqui, é uma força da natureza, se está emitindo  vigorosas frases musicais na gaita , vociferando uma canção , guinchando como um gato de rua , imitando um gutural  lobo apresentado em “Got To Play The Blues” ou incentivando seus companheiros de banda com comentários como “Preach it, brother!- Exorte-o, irmão , em tradução livre ” .O LP original possuia oito faixas, mas o relançamento em CD tem 73 minutos , já que há a adição de mais sete músicas, incluindo dois fragmentos que são breves mais interessantes: “Warmin’ Up” tem em torno de um minuto, mas exibe uma excitante conversação musical entre Guy e Spann, ilustrando como eles poderiam impulsionar um ao outro e gerar faísca. A faixa incidental, “Lexington Memories”, que captura comentários casuais e piadas entre as tomadas, demonstra a camaradagem que estes músicos compartilham. Mais substancial é a vigorosa faixa bônus de seis minutos “It’s Too Late Brother”. Este é um exemplo do clássico som do blues de Chicago, eriçado pela tagarelice, na qual Wells diz ao seu pianista, “Você poderia fazer-me um favor, Spann? Poderia realçar as teclas baixo para um pouco de uma espécie de rap?”. Spann aquiesce com um tema retumbante e ondulado, e então Wells grita, “Siga, debulhe-o! Ooo! Não está legal!”. Esta é uma indicação suavizada.

Faixas

1 Stop Breaking Down (Sonny Boy Williamson I) 3:30

2 I Could Have Had Religion (Junior Wells) 3:04

3 I Just Want to Make Love to You (Willie Dixon) 4:45

4 Baby, Please Lend Me Your Love (Junior Wells) 6:59

5 You Say You Love Me (Junior Wells) 3:11

6 Blues for Mayor Daley (Junior Wells) 5:52

7 I Wish I Knew What I Know Now (Junior Wells) 4:02                   

8 Trouble Don't Last Always (Buddy Guy) apresentando Buddy Guy 7:48

 

Fonte: BOBBY REED (DownBeat)