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sábado, 23 de fevereiro de 2019

RAFAEL ZALDIVAR - CONSECRATION (Effendi)


O tecladista Rafael Zaldivar invoca a tradicional espiritualidade afro-cubana na sua música e na sua mensagem, mas seu escopo temático é demasiado oscilante. Seu trabalho no teclado é privado de pirotecnias; ele usa espaço para criar profundidade, então preenche com arpejos precisamente articulados e pontuações de nota simples para construir uma tensão delicada. Esta tensão é, então, dissipada estendendo-se do espectro sônico para um bem-vindo baixo elétrico (Remi-Jean LeBlanc), percussão (tambores, Amado Dedeu; traps, Dave Laing) e vozes (Dedeu outra vez; em um número, “Ache”, ele está reunido ao seu filho, Amado Jr.) —principalmente cantos e invocações delineadas de rituais religiosos com suas raízes na África.  Às vezes, o choramingo do Mini-Moog de Zaldivar adiciona outro elemento à mistura. 

Ambicioso, sim, mas (misericordiosamente) não pretensioso. “A Rock Con Leche”, descrito como um tributo a James Brown, surge com a urgência do hard-bop em vez do funk; guinchos dos sintetizadores de Zaldivar atiça as congas calorosas de Dedeu, que acentuam o tema que permeia o trabalho. Os solos de piano em “Manifested Creation”, “Rezos” e “Eternal Creation” são reflexivos, mesmo compenetrado; “Obatala” uma ode a Yoruba Orisha, é uma das mais modernas ofertas sonoras aqui com sua vibração, uma linha de baixo com toque funk e piano impressionista; “Unforgettable” remodela o standard de Nat Cole como um elegante e melancólico bolero.

Um especial aceno deveria ser dado à vocalista convidada Mireille Boily, apresentada em “When I Think of You” e “Simple Talking” (a última não creditada nas notas). Ela canta em uníssono com linha aguda de Zaldivar, negociando cada pausa desafiante, cada elevação e descida rápida de passo, cada vibração, e cada passagem complexa em legato com precisão e envolvimento persistente emocional.

Faixas

1 A Rock con Leche 06:20
2 Arara 06:02
3 Manifested Creation 01:31
4 Rezos 02:31
5 Afro-Cuban Warriors 04:58
6 When I Think of You 05:27
7 Obatala 07:01
8 Eternel Creation 02:40
9 Congo 02:57
10 Simple Talking 04:51
11 Unforgettable 05:06
12 Te Recordare: Te Récordaré 05:30
13 Aché (Through the Consecration) 01:06

Fonte: David Whiteis (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 23 /02


Daryl McKenzie (1962) – trombonista,
Johnny Winter (1944) – guitarrista, vocalista,
Marcelo Martins (1969) – saxofonista,flautista, 
Wayne Escoffery (1975) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=IbSQW91gS40

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

RENEE ROSNES - BELOVED OF THE SKY (Smoke Sessions Records)


Encontrando um grupo mais simpático neste quinteto de Renee Rosnes, o trabalho teria sido mais firme. Ao lado da líder ao piano, sua formação consiste do saxofonista/flautista Chris Potter, do vibrafonista Steve Nelson, do baixista Peter Washington e do baterista Lenny White— bons ouvintes todos, e ouvindo o âmago destas novas caixas. A linha de frente perfeitamente melódica pode estar aqui, seus melhores fragmentos nem sempre encontraram os solos individuais. 

O ponto, resumidamente, é contraponto. É construído dentro de uma melodia imponente de “Scorned as Timber, Beloved of the Sky”, como Rosnes e Washington separam-se na metade do soprano de Potter através do manifesto da líder para construir uma saborosa linha suporte. Está presente quando Potter e Rosnes solam juntos, no estilo Dixieland, antes eles retornam ao tema arrojado de “Elephant Dust”. É muito bonito cada tempo que Rosnes e Nelson tocam juntos. Os dois tecem suas mais intricadas tapeçarias dentro de um par de canções que homenageiam Bobby Hutcherson, “Mirror Image” (que Rosnes originalmente compôs para Hutcherson interpretar) e a composição do falecido vibrafonista “Rosie”. No padrão, durante o solo de Potter, eles preenchem o fundo com uma diversificada nuvem de notas. Ao final, Rosnee lisonjeia sob o solo de Nelson com perfeita antecipação do que ele toca, como se eles fossem bestas de quatro braços. 

White, entretanto, toma alusões rítmicas de outros, as extrapola até ele alcançar seu limite e então se move. Apenas sobre o único tempo em que ele não está constantemente em movimento no ponto central de “Black Holes”, quando há breves paradas. Então, na parceria com Washington, ele rearrasta o balanço, estabelecendo um alicerce funk, que os acordes sincopados mantêm contra os esforços de Rosnes. Ajustando, o encerramento com 12 compassos em “Let the Wild Rumpus Start” envolve uma uníssona linha de baixo do tenor atrás dos primeiros acordes do solo de Rosnes, ainda outro esperto toque polifônico.

Faixas: Elephant Dust; Scorned As Timber; Beloved of the Sky; Mirror Image; Rosie; Black Holes; The Flame and The Lotus; Rhythm of The River; The Winter of My Discontent; Let The Wild Rumpus Start.

Músicos: Renee Rosnes: piano; Chris Potter: saxofone tenor e soprano; Peter Washington: baixo; Steve Nelson: vibrafone; Lenny White: bateria.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assista ao vídeo abaixo:

 
Fonte: Mac Randall (JazzTimes)