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domingo, 17 de novembro de 2013

CARLA BLEY / ANDY SHEPPARD / STEVE SWALLOW - TRIOS

Em uma carreira definida mais por memoráveis composições do que por  perspicácia instrumental , é fácil esquecer que Carla Bley não deve ser a mais virtuosa pianista do planeta, mas ela é uma das mais capazes , como evidenciado na gravação em duos como “Are We There Yet? (Watt, 1999)”, com o parceiro de vida e baixista Steve Swallow, e  “Songs With Legs (WATT, 1995)”, um trabalho em trio com o antigo colaborador, o saxofonista Andy Sheppard, também ouvido em um banda maior de Bley em “Appearing Nightly (Watt/ECM, 2008)” e em uma sessão de quarteto, “The Lost Chords (Watt/ECM, 2004)”. No recente trabalho de Swallow (resenha publicada neste blog em 16/09/2013), “Into the Woodwork (XtraWATT/ECM, 2013)”, Bley demonstrou ser uma talentosa, peculiar e cômica organista. Com “Trios”, um álbum que talvez pela primeira vez  não apresenta nenhuma composição nova, Bley reúne o Songs With Legs trio, enfocando sua atenção no seu cuidadoso e preciso trabalho no piano.

Isto não é para sugerir que não há uma engenhosa mente composicional no trabalho destes novos e  intimistas arranjos das músicas indo da elegia de Bley, "Utviklingssang", sua balada mais gravada, que primeiro apareceu em “Social Studies (Watt, 1981)”, para as menos conhecidas suítes, incluindo "The Girl Who Cried Champagne" da adequadamente intitulada “ Sextet (Watt, 1987)” e "Wildlife" , ouvida pela primeira vez com uma banda em “Night-Glo (Watt, 1986)”. Só a sombriamente matizada "Vashkar"— uma das mais conhecidas músicas de  Bley, lançada no clássico fusion de Tony Williams, “Lifetime (Polydor, 1969)”, e mais recentemente no disco  “Invitation to Illumination: Live at Montreux 2011 (Eagle Vision, 2013)” de John McLaughlin e Carlos Santana, executado por Bley para uma gravação pela primeira vez.

Comandado pelo soberbo ritmo de Swallow— o mais essencial para um grupo sem bateria – a leitura de Bley para "Vashkar" inicia com um par de explorações de modalidades do oriente médio para um completo noventa segundos antes de Sheppard chegar, no soprano, para dobrar sua memorável, ainda que peculiar melodia, com a mão direita de Bley. A estrela de Sheppard está há anos em ascendência e mais recentemente no maravilhoso “Trio Libre (ECM, 2012”), sua segunda gravação como líder para o selo. Aqui ele demonstra a mesma espécie de cuidado perseverante , seu solo refletindo um trio cujos ouvidos são amplos, meticulosamente respondendo de forma harmônica a cada movimento do outro. Mesmo a forma omo aderem  à forma da canção, há o senso de que isto será seguido imediatamente pela próxima tomada  e seria uma experiência inteiramente diferente.

Swallow apresenta "Utviklingssang" sozinho, sua melodia frequente unida logo por Bley, cuja introdução imaginativa de um tema contrapontual e acordes de suporte espartanos rendem acompanhamento extra , quando Sheppard finalmente entra. Enquanto o ritmo é algo ao qual o trio adere cuidadosamente quando requerido —o inimitável  e fundamental suíngue na primeira sessão de "Les Trois Lagons (d'après Henri Matisse)"— a bela conclusão de “Trios” nas nuances interpretativas que permitem tempo para  leve flexibilidade – sutilmente estendida e comprimida para embeber estas cinco peças com suas próprias personalidades.

A  harmonia do programa consiste nas mais longas e multipartidas composições , mas permanece ressaltada pela mesma atenção do detalhe. Sem confusão e espalhafato, Bley, Swallow e Sheppard com “Trios”, criaram a mais perfeita gravação de câmara, preenchida com  surpresas perspicazes e uma delicada dramaturgia que se revela mais a cada audição

Faixas: Utviklingssang; Vashkar; Les Trois Lagons (d'après Henri Matisse): Plate XVII, Plate XVIII, Plate XIX; Wildlife: Horns, Paws Without Claws, Sex With Birds; The Girl Who Cried Champagne: Part 1, Part 2, Part 3.

 Músicos: Carla Bley: piano; Andy Sheppard: saxofones tenor e soprano; Steve Swallow: baixo

 Gravadora: ECM Records


Fonte: JOHN KELMAN (JazzAboutJazz)

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