No quarto álbum do pianista compositor Aaron Diehl como
líder, suas escolhas do material e dos acompanhantes iluminam o título da sua
gravação: O natural de Columbus, Ohio, 29 anos, cria um ambiente no qual os
estilos histórico e contemporâneo do jazz, bem como a tradição clássica
ocidental, são benvindas e integradas. Embora o álbum não seja especialmente
centrado no piano, os fãs do excelente toque de Diehl, articulação precisa e
arranjos meticulosos serão plenamente recompensados.
As seis inéditas em “Space Time Continuum” revelam a
influência dos ancestrais do jazz como Ellington, Bud Powell e John Lewis, um
modelo inicial ao qual Diehl tem sido comparado. Como Lewis, ele retrata a
tradição clássica; algo como provavelmente ouvir um eco de Rachmaninoff como de
Ellington. Como pianista ele é igualmente eclético, reminiscente de Ahmad
Jamal, Monk—e, ocasionalmente, um virtuoso clássico.
O excelente acompanhamento está composto pelos companheiros
de trio, David Wong no baixo e Quincy Davis na bateria, ocasionalmente
incrementados por dois lendários instrumentistas, Benny Golson no saxafone tenor
e Joe Temperley no saxofone barítono. O brilhante e sussurrante tenorista Stephen
Riley atua em duas faixas, como faz o empolgante jovem trompetista Bruce
Harris.
A despeito da ênfase nas inéditas, um dos destaques do álbum
está na abertura, “Uranus”, um arranjo semelhante e polido do pouco
interpretado standard hard-bop de Walter Davis Jr. (gravado
por Art Blakey and the Jazz Messengers
em 1976); ele brilha num arranjo encrespado, com fraseado com reviravoltas
simples. O toque sombrio em “Organic Consequence” apresenta um eloquente solo
de Golson. “Kat’s Dance”, composta pelo pianista Adam Birnbaum, é um duo com Riley
que inicia como uma versão jazzística de um noturno de Chopin, e vem a ser um
trabalho animado para Riley apoiar a harmonia no tranquilamente espetacular
solo do tenor. A frenética “Broadway Boogie Woogie”, comissionada pelo Museum of Modern Art de Nova York, é uma
interpretação da pintura famosa de Mondrian. Em toda a parte, uma performance
notavelmente segura.
Faixas: Uranus; The Steadfatst Titan; Flux Capacitor;
Organic Consequences; Kat’s Dance; Santa Maria; Broadway Boogie Woogie; Space,
Time, Continnum.
Músicos: Aaron Diehl: piano; David Wong: contrabaixo; Quincy
Davis: bateria; Joe Temperley: saxofone barítono; Benny Golson, Stephen Riley:
saxofone tenor; Bruce Harris: trompete; Charenee Wade: vocal.
Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo
abaixo:
Fonte: Allen Morrison (JazzTimes)
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