Alguém familiarizado com o trabalho do baixista Mark Dresser
sabe que ele é um inovador descompromissado, sempre dedicada a impulsionar sua
música para novo território. Se isto requer novas modificações técnicas para
seu instrumento, então faça-as. Ele tem feito parceria com o baixista Kent
McLagan desde 2001 para criar e adaptar baixos usando adicionais captadores, que
permite a Dresser criar múltiplos arremessos para cada corda de seu baixo. Em
seu mais recente projeto solo, “Tines of Change”, McLagan incrementou o baixo
de Dresser com linha de metal que permitem opções mais criativas. Embora
Dresser tenha apresentado os dentes a McLagan, durante breve interlúdios em seu
estonteante lançamento em septeto, “Ain't Nothing But a Cyber Coup and You
(Clean Feed, 2019)”, esta visualização tentadora foi apenas uma sugestão das
possibilidades que eles oferecem, realizando seu último trabalho intrigante e inovador.
Cada uma das doze faixas do álbum carrega a distinta
nomenclatura de Dresser, adequando o caráter singular da música.
"Prolotine", a abertura, encorpa o aspecto dialógico do álbum, conforme
Dresser combina passagens no arco com um pizzicato percussivo para criar algo que
impulsiona palpavelmente e sutil charme, com o potencial harmônico de seu
instrumento modificado desenvolvido plenamente. "Tynalogue" tem uma
inclinação ainda mais viva, com os dentes tomando as qualidades reminiscentes
de uma mbira (NT: é uma família de instrumentos
musicais, tradicional do povo Shona do Zimbábue. Eles consistem em uma placa de
madeira com dentes de metal escalonados anexados, tocados segurando o
instrumento nas mãos e puxando os dentes com os polegares, o dedo indicador
direito e às vezes o indicador esquerdo) africana, conforme as
tendências rítmicas de Dresser decolam. Como alguém deve esperar do título,
"Harmonity" tem uma rica paleta de sons à sua disposição, com notas
rapidamente puxadas em alto registro correndo em cima de ribombos profundos de Dresser
para criar algo semelhante a uma dupla de baixo animada.
O toque de Dresser é tão impressionante que, às vezes, é
difícil ir além da mera apreciação técnica pelo que ele consegue aqui. Porém,
uma vez que acontece, vem a ser evidente que a visão composicional expansiva que
tem sempre animado sua música, está apenas presente. A sonoro, de beleza arrebatadora,
"Melodine" vai além de sua técnica prodigiosa para cativar, como faz
"Augmentine", na qual Dresser cria um diálogo notável em pizzicato com
energia melódica e rítmica, antes de ir para o baixo registro com algum arco
ferozmente ressonante. A intensidade que surge em "Nakatanitine" encobre
sua agressão sob suas escolhas harmônicas espertas.
Também é valioso notar a sonoridade superior deste álbum,
cortesia do produtor Alexandria Smith, que foi capaz de capturar tantos dos
microtons matizados que são essenciais para apreciar as peças de Dresser. Um
bom par de fones de ouvidos é um equipamento efetivo para desfrutar as diversas
sutilezas do álbum. "Chordone" faz particularmente bom uso de sobretons
do instrumento, nos quais a longa decaída das notas é central para as seduções
da faixa.
Dresser não é estranho a gravações solo, tendo lançado,
anteriormente, cinco álbuns como “Tines of Change”. Este, com os predecessores,
revela ainda mais dimensões inimitáveis do baixista.
Faixas: Prolotine; Tynalogue; Harmonity; Melodine;
Bitonetime; Gregoratyne; Augmentine; Chordone; Nakatanitine; Tonologue;
Narratone; Epitine.
Fonte: Troy Dostert (AllAboutJazz)
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