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quarta-feira, 15 de maio de 2024

LEO GENOVESE, DEMIAN CABAUD, MARCOS CAVALEIRO – ESTRELLERO (Sunnyside Records)

 O piano de Leo Genovese pode soar como uma orquestra. Tanto faz no meio do seu trabalho solo volumoso, na composição do seu baixista, Demian Cabaud, "Arbol Negro" e seus acordes densos, cuja densidade do toque é plena e madura.

Das suas novas gravações em trio, “Estrellero”, que também apresenta o brilho e o estilo simpático na bateria de Marcos Cavaleiro, são cinco composições inéditas divididas entre o pianista e o baixista. O contraste emerge na própria voz de Genovese conforme ele marca o passo com a caneta mais árdua e abstrata de Cabaud. "Arbol Negro" é um bom exemplo, onde o ritmo no tempo médio conduz a dependência de um pulso modal que dá a Genovese espaço para relaxar com muitos acordes flutuantes, semelhante ao tipo de jogo no qual McCoy Tyner sairia correndo em apoio ao seu chefe, John Coltrane, os três neste trio têm uma espécie de ruminação semelhante a um transe.

O trabalho inicia com o angular Cabaud na algo frenética "Qom", dando a impressão que um sabor de Ornette Coleman pode governar o dia, o piano de Genovese está pleno de aspersão alternada, que tende a se desviar sem sentido harmônico enquanto as linhas de baixo de Cabaud mantém as coisas enraizadas. Não é assim com "Stone Believer", o senso melódico do pianista dominando sua interpretação mais doce do trio de piano no jazz. Cabaud atiça "Aquel Lugar", continua onde a faixa de abertura parecia ter parado —mais apressado e dançando entre os três membros, com a pulsação rítmica do baixista e os acordes distorcidos do pianista e notas únicas correndo, permanecendo brilhantes, mas mais uma vez abstratas. Então, há "Un Rio" de Cabaud. Em contraste, a vibração é mais reflexiva, a pulsação indeterminada como uma dança lenta, onde o bebop vive, mas é mais ressaca, onde Genovese parece estar alcançando para se libertar e transformar essa valsa ocasional em uma canção de amor. Ao final da canção, ele é bem sucedido.

É revelador que este trio atípico (se há algo como um típico trio de piano) é assim em parte porque o solo é mais pronunciado apenas através do Genovese, com o trio, em certo sentido, solando como uma unidade. Quando há solo em toda a parte, está de passagem, como a introdução de Genovese para "La Cueva Del Viento", o ritmo acelerado da música precisa passar para a resposta de todo o grupo, já que o modus operandi do pianista está agora a todo vapor, chega lá rápido! A mão direita e a esquerda estão ocupadas ainda assim, alternando notas únicas com acordes cheios (que devem ser uma das suas forças como instrumentista). A faixa título apresenta outro aspecto para o estilo selvagem do trio conforme Genovese toca um antigo órgão de bomba.

Tudo termina com "Dia De La Madre" de Cabaud, o arco triste do baixista introduzindo uma conclusão sombria e ansiosa a tudo o que aconteceu. Mais reflexões no álbum, conforme Genovese diz: "Estrella" significa "estrela" em espanhol. Por outro lado, na Argentina, Estrellero se refere a um cavalo que não pode ser completamente treinado; "algo" ele diz, "a natureza selvagem do animal permanece... como se tentasse libertar-se da dominação humana. Quando eles olham para cima, eles olham para as estrelas... buscando por respostas, perseguindo a loucura".

Faixas: Qom; Stone Believer; Always; Arbol Negro; Estrellero; Aquel Lugar; Un Rio; La Cueva Del Viento; Dia Se La Madre.

Músicos:  Leo Genovese : teclados; Demian Cabaud : baixo;Marcos Cavaleiro : bateria;

Fonte: John Ephland (All About Jazz)

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