Como um dos grandes mestres do jazz da Noruega, Andersen
percorreu vastos territórios sonoros em sua longa e ilustre carreira. Sua
abordagem e sonoridade foram moldadas tanto por Mingus e Pastorius quanto por
Frisell e Hassell. E apesar de ser um dos primeiros a adotar pedais de efeitos
e paisagens sonoras solo, “Landloper” é seu primeiro álbum solo de baixo.
Majoritariamente gravado ao vivo no Victoria Nasjonal
Jazzscene, em Oslo, a abertura, ‘Peace Universal’, foi gravada na casa de Arild
(um eco talvez da proximidade da pandemia na época) e suas notas emitidas com
arco emanam das profundezas como o canto das baleias. A influência de Mingus (que
Andersen aprendeu quando adolescente, ouvindo o grande homem tocar em Oslo em
12 de abril de 1964), vem com seu pesado pizzicato que corta as camadas
ambientais.
Sua sensibilidade musical se estende também ao repertório, que
inclui um medley de ‘Ghosts’ de Albert Ayler, uma canção tradicional
norueguesa, ‘Old Stev’, e seu original ‘Landloper’. As fases em ciclo desta
última repentinamente aceleram e lançam o baixista em solos frenéticos.
Uma linda versão de ‘A Nightingale Sang in Berkeley Square’
deixa cada nota pendurada sem peso, o movimento harmônico subjacente adicionado
impressionante no pesado contrabaixo. 'Mira', movido por harmônicos, encontra
Andersen envolvendo linhas ressonantes em torno do ponto de pedal vibrante, enquanto
a saudação de encerramento foi feita a Ornette Coleman e Charlie Haden, em um medley
de ‘Lonely Woman/Song For Che’, encerra esta masterclass de baixo solo com
gravidade atmosférica.
Faixas
1 Peace
Universal (Ra-Kalam Bob Moses) 6:40
2 Dreamhorse
(Arild Andersen) 4:24
3 Ghosts
[Albert Ayler] / Old Stev [Tradicional] / Landloper [Albert Ayler] 7:48
4 A
Nightingale Sang In Berkeley Square (Manning Sherwin) 4:43
5 Mira (Arild
Andersen) 4:32
6. Lonely
Woman [Ornette Coleman] / Song For Che [Charlie Haden] 6:15
Fonte: Mike Flynn (JazzWise)

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