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sábado, 17 de janeiro de 2026

BROODMEN - LIMINALITY

O jazz da Europa Oriental é frequentemente negligenciado, mas há descobertas notáveis ​​a serem feitas como o trio Broodmen. O álbum de estreia deles, “Secondary Emotions”, data de 2017 (Produção Independente). “Liminality”, embora siga os passos de seu antecessor, se desenrola como a trilha sonora de um filme de autor. O som do Broodmen carrega as marcas distintas de sua herança cultural, ao mesmo tempo que abraça uma estética pós-moderna que coloca o grupo na vanguarda da expressão criativa europeia contemporânea. Enraizado na infância compartilhada em Novi Sad, Sérvia, o som do Broodmen bebe de uma rica gama de influências, combinando perfeitamente as melodias melancólicas, porém comoventes, do acordeão com a abertura do jazz moderno e a energia bruta do rock 'n' roll.

No verão de 2021, Dragan Alimpijević Pik e Zoltán Simon se uniram para uma marcante sessão de gravação ao vivo no Studio Road, na Sérvia. Entre as cinco faixas gravadas, estava uma composição com o renomado acordeonista Lazar Novkov, cuja arte introduziu uma nova e profunda dimensão ao som do Broodmen. Esse encontro fortuito fez com que Novkov se tornasse parte integrante do processo criativo da banda, contribuindo para as composições que mais tarde dariam origem a “Liminality”. Para quem conhece bem a música contemporânea da Europa Oriental, torna-se imediatamente evidente que Broodmen é incomparável. Sua abordagem à composição e arranjo musical evoca imagens vívidas, criando paisagens sonoras inteiras ricas em profundidade evocativa.

Gravado em uma única sessão contínua, o álbum captura a beleza fugaz do acaso e da intuição, imergindo os ouvintes em um mundo onde a racionalidade cede lugar à emoção. Os Broodmen descrevem este álbum como uma jornada para o desconhecido, uma exploração desinibida de sua voz coletiva. Como eles mesmos disseram, "É uma estrada que leva ao desconhecido. Um caminho onde exploramos as emoções escondidas sob a superfície da razão". É uma tentativa de deixar para trás o conhecimento e a experiência, adentrando, em vez disso, em um território novo e desconhecido". Estas palavras poderiam facilmente ter sido escritas por um autor como Paul Auster, pois qualquer escritor que fecha o caderno na última linha de um romance ou ensaio, experimenta a mesma sensação: a de saber que fechar aquela porta inevitavelmente o levará, mais cedo ou mais tarde, ao vasto desconhecido de uma nova criação artística.

Os Broodmen possuem o raro dom de compor sua música como quem escreve um livro, e não é surpresa que suas canções evoquem imagens tão marcantes. Sem dúvida, a força motriz por trás de sua criação é o poder de sua imaginação coletiva. Esse fenômeno é comum entre os maiores grupos de jazz — do Weather Report ao Branford Marsalis Quartet e ao Yellowjackets. É a mesma força unificadora, uma linguagem compartilhada entre os músicos, que define um estilo singular e inconfundível. Vamos concluir com as palavras dos próprios Broodmen: "É isso que somos — Broodmen — e, se vocês nos perguntarem, essa é a expressão mais honesta de nós mesmos. Um álbum tão singular quanto cativante, “Liminality” dos Broodmen é imperdível.

Faixas: Homeland; State of Things; Amsterdam; Lament; Can’t Stand the Heat; Badalamenti Gore; Through the Woods; Still Standing; Rumenka Blues; Everything’s Going to Be Alright.

Músicos: Dragan Alimpijević Pik (guitarra); Zoltán Simon (bateria): Lazar Novkov (acordeão); Vasa Vučković (saxofone na faixa 3).

Fonte: Thierry De Clemensat (AllAboutJazz) 

 

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