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sábado, 10 de janeiro de 2026

STEFAN SIRBU - REVERIE

A arte de sonhar acordado é o berço da criatividade. O pianista Stefan Sirbu, nascido na Moldávia, explora esse estado de consciência receptiva em seu álbum “Reverie”. As sete músicas apresentadas aqui totalizam um pouco menos de 40 minutos. Sirbu diz que seu objetivo era: "Produzir um disco que pudesse ser ouvido durante um curto trajeto para casa, para se deixar levar durante uma viagem de ônibus ao entardecer ou um passeio tranquilo pela cidade ao anoitecer". Isso pode parecer uma meta modesta. Porém, não é. Ele não trouxe esse quinteto de primeira linha para o estúdio para criar uma obra-prima, mas sim algo para ser ouvido, apreciado e desfrutado. Ele e o grupo corresponderam a esse desafio.

Ele e seu quarteto — a saxofonista Julieta Eugenio, o baixista Clovis Nicolas e o baterista Anthony Pinciotti — alcançaram o objetivo de Sirbu com uma elegância descontraída e uma fluidez que, em parte, parece evocar a tradição dos álbuns de quarteto de saxofonistas como Dexter Gordon, Joe Henderson e — ainda mais atrás — Coleman Hawkins, com nuances sutis de influências clássicas. Além disso, a música "No Worries" mostra que eles sabem dançar swing como ninguém.

Não há luzes piscantes nem fogos de artifício chamativos. Parece um encontro numa boate, depois do horário de pico, onde a banda está relaxando e tocando o que quer. O clima crepuscular é coeso e fascinante. Por vezes, lembra a cena do jazz parisiense dos anos 1950. Sirbu toca piano com leveza e acrescenta um toque de Fender Rhodes para um brilho extra. Sua sintonia com o baixista Nicolas e o baterista Pinciotti é de pura descontração.

Eugenio, que lançou um álbum de estreia excepcional em 2024, "Stay", pela Cristalyn Records, nos diz que “Stay” não foi um acaso. Ela está tão eloquente aqui quanto em outros trabalhos. Seu solo em "Sweet" é tão fácil de ouvir; é aqui que surge a comparação com Joe Henderson, com aquela articulação sutil, intrincada e íntima do saxofone tenor.

Sirbu e a banda contam histórias belíssimas, expressando a imagética dos sonhos, a satisfação de horizontes infinitos, uma intimidade compartilhada que nasce de uma colaboração mágica e sem compromissos.

Faixas: Drydown; Elsa Au Miroir; No Worries; Reverie; Sweet; That Very Vienne; V.S.T. (Valse Sans Titre).

Músicos: Stefan Sirbu (piano); Julieta Eugenio (saxofone); Clovis Nicolas (baixo); Anthony Pinciotti (bateria).

Fonte: Dan McClenaghan (AllAboutJazz)

 

 

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