Embora o maestro alemão Tobias Hoffmann possa facilmente
reivindicar dois papéis inspirados pela música, ele usa apenas um deles — o de
compositor e arranjador — na segunda gravação da Tobias Hoffmann Jazz
Orchestra, “Innuendo”, enquanto coloca o outro (o de eloquente saxofonista
tenor) nas mãos competentes da dupla dinâmica da banda, Robert Unterköfler e
Martin Harms. Essa decisão se mostrou acertada, já que Harms brilha
intensamente em "Sanctuary" e Unterkofler, que faz o mesmo na faixa
de encerramento, "Perseverance".
Como compositor, Hoffmann não hesita em sair dos padrões,
entrelaçando melodias e harmonias sedutoras com caminhos alternativos, que
podem ser melhor descritos como iconoclastas e, por vezes, bastante dissonantes.
Mesmo assim, ele nunca perde de vista o propósito essencial da música, que é
alegrar o coração, enquanto encanta os ouvidos. Assim, a faixa de abertura do
álbum (e música que dá título ao disco) passa rapidamente de seu prefácio
estridente para um modo mais calmo e gratificante, como acontece com a maioria
das belas composições de Hoffmann.
"Sanctuary", por exemplo, é uma balada eloquente
com uma atmosfera de hino, perfeitamente adequada ao tenor eloquente de Harms,
e ele aproveita ao máximo seu momento de destaque com um solo extenso que
satisfaz e brilha. A mais animada, "Perseverance", tece um padrão
melódico sedutor antes de dar espaço para solos perspicazes de Unterkofler e do
trompetista Florian Menzel. Após "Innuendo" (cujo solista é o
saxofonista alto Florian Trübsbach), Hoffmann explora a consonância relativa na
luminosa "Summer Solstice" (com solo artístico de trombone por
cortesia de Simon Harrer) antes de retornar a um tema mais sofisticado com a
flexível e desafiadora "No Way Back", cujos solistas carismáticos são
o trompetista Gerhard Ornig e a pianista Viola Hammer.
"Convictions", inspirada num exercício do
trombonista Bob Brookmeyer, em que apenas as teclas brancas do piano são
utilizadas, emprega padrões melódicos e harmônicos familiares para anunciar um
solo penetrante do saxofonista alto Patrick Dunst, antes de retomar seu modo
habitual, no qual o conjunto assume o comando com entusiasmo e o conduz até o
final. A elegante "Bipolarity", que Hoffmann diz ter sido escrita
"para soar como um solo de saxofone arranjado", destaca, em vez
disso, o trombonista de pistão Robert Bachner com a soberba seção de saxofones
do conjunto e, mais tarde, também a seção de trompetes. ""The
Lake", que precede a faixa de encerramento, "Perseverance", é um
hino evocativo cuja melodia encantadora conduz a um solo de guitarra rústico de
Vilkka Wahl e a uma interpretação mais lírica do trompetista Jakob Helling.
Hoffmann, já um compositor e arranjador consagrado, continua
a demonstrar seu crescimento e maturidade em ambas as áreas em “Innuendo”, uma
peça cromática brilhante na qual sua orquestra magistral também se destaca.
Faixas: Innuendo,
Summer Solstice, No Way Back, Sanctuary, Convictions, Bipolarity, The Lake,
Perseverance
Músicos: Tobias M. Hoffmann (saxofone tenor, maestro); Florian
Trübsbach (saxofones alto e soprano, , flauta & clarinete); Patrick Dunst (saxofones
alto e soprano, , flauta & clarinete); Robert Unterköfler (saxofones tenor
e soprano, , flauta & clarinete); Martin Harms (saxofones tenor e soprano,,
flauta, clarinet baixo e clarinete); Jonas Brinckmann (saxofone barítono e
clarinete baixo); Maximilian Seibert (trompete & flugelhorn);Sebastian
Burneci (trompete & flugelhorn); Florian Menzel (trompete & flugelhorn)
; Gerhard Ornig (trompete & flugelhorn); Jakob Helling (trompete &
flugelhorn) ; Simon Harrer (trombone) Robert Bachner (trombone & trombone
de válvula); Daniel Holzleitner (trombone); Johannes Oppel (trombone baixo &
tuba); Vilkka Wahl (guitarra); Viola Hammer (piano & sintetizador); Ivar Roban Krizic (baixo); Reinhold Schmölzer
(bateria & eletrônica).
Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo
abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=iT_XS0bIwAk
Fonte: Jack
Bowers (AllAboutJazz)
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