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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

DAN WEISS QUARTET - UNCLASSIFIED AFFECTIONS (Pi Recordings)

Quando não está acompanhando alguns dos músicos mais inovadores do jazz criativo do século XXI como músico de apoio — uma lista que inclui nomes como o pianista Matt Mitchell, o saxofonista Jon Irabagon, o guitarrista Miles Okazaki e o baixista Trevor Dunn — o baterista Dan Weiss vem construindo, de forma consistente, seu próprio e impressionante conjunto de gravações como líder. Recentemente, ele tem preferido formações em trio, como as lançadas por sua própria gravadora, Cygnus: "Dedication", de 2022 (com o baixista Thomas Morgan e o pianista Jacob Sacks) e "Even Odds", de 2024 (com Mitchell e o saxofonista Miguel Zenon). No entanto, para “Unclassified Affections”, o quinto lançamento de Weiss pela Pi Recordings, ele decidiu optar por um formato de quarteto. Acompanhado por Okazaki, pela vibrafonista Patricia Brennan e pelo trompetista Peter Evans, Weiss faz amplo uso das possibilidades dinâmicas e tonais oferecidas por essa formação notavelmente maleável e sensível.

A paleta estilística de Weiss sempre foi bastante diversificada. Alguns de seus projetos anteriores uniram os mundos do jazz e do metal/math rock — o impactante “Natural Selection (Pi Recordings, 2020)”, com sua banda Starebaby, é um exemplo representativo. Mas ele também tem uma predileção pelo melodismo, ainda que de uma forma um tanto indireta, e é esse lado de seu temperamento que se destaca em “Unclassified Affections”. As oito peças, todas compostas por Weiss, são repletas de nuances e frequentemente surpreendentes, explorando sutilezas de ritmo e textura. E embora a habilidade técnica de Weiss seja tipicamente evidente, ela se dá em estreita parceria com seus colegas, já que o coletivo delineia cuidadosamente as características distintivas de cada peça.

A faixa de abertura, que dá título ao álbum, conduz o ouvinte com maestria: arpejos lânguidos de Brennan abrem caminho, seguidos pelas notas esparsas de Okazaki, e então Evans se junta com suas próprias intervenções sincopadas, enquanto as três melodias da peça se entrelaçam. Só então Weiss entra em cena para completar o quadro, cultivando gradualmente uma intensidade contida à medida que a obra toma forma, com algumas improvisações coletivas espirituosas enquanto se encaminha para a conclusão. Tem um efeito hipnotizante. "Holotype" possui outra estrutura intrigante, com Weiss em várias configurações com seus parceiros, montando um quebra-cabeça ultrarrápido em compassos ímpares, e um solo substancial próprio antes que o tema complexo ressurja no final.

Como seria de esperar de qualquer disco de Weiss, a qualidade musical é impecável, com todos os quatro artistas demonstrando seus talentos de forma convincente. Há também momentos da intensidade visceral que Weiss costuma catalisar: Okazaki usa seus pedais de fuzz na apropriadamente intitulada "Mansions of Madness", e "Existence Ticket" é impulsionada por um balanço contagiante. Porém, o que fará com que os ouvintes voltem sempre pode muito bem ser o lirismo misterioso, que permeia essas criações complexas. Brennan é crucial para essa dimensão, com inúmeras passagens brilhantes. Sua magnífica abertura para "Perfection's Loneliness" é um exemplo disso, assim como a própria contribuição comovente de Evans para a melancolia persistente da peça. "Consoled Without Consolations" é outra invenção com múltiplas camadas, onde cada músico contribui para a pungência da faixa, e "Plusgood" mantém a atmosfera de admiração e reflexão, enquanto Evans explora toda a extensão de seu instrumento em frases delicadamente, que ecoam as reflexões dos outros músicos.

O álbum termina com "Dead Wall Revelry" e, com mais de nove minutos, é a faixa mais longa do disco, com uma tensão que se acumula lentamente, ameaçando explodir, mas nunca chegando a fazê-lo, com ritmos mutáveis ​​e improvisação astuta em abundância, e um encerramento apropriadamente ressonante que apresenta Evans em seu momento mais lírico. Um final belíssimo para um disco fascinante.

Faixas: Unclassified Affections; Holotype; Perfection’s Loneliness; Mansions of Madness; Consoled without Consolations; Existence Ticket; Plusgood; Dead Wall Revelry.

Músicos: Dan Weiss (bateria); Peter Evans (trompete); Patricia Brennan (vibrafone); Miles Okazaki (guitarra).

Fonte: Troy Dostert (AllAboutJazz)

 

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