Judy Wexler imbui cada música que toca com um senso de
realismo, maravilha e profundidade que é tão raro. Uma artista inimitável, esta
célebre cantora acrescenta volumes a cada história que encontra, seja uma melodia
de jazz pós-milenar, hino da contracultura dos anos 60, joia brasileira
brilhante ou qualquer outro achado.
No caso de “No Wonder” — sétimo álbum de Wexler, lançado
duas décadas após sua estreia, ela demonstra seus dons com ênfase marcante nos standards.
A versão de dois instrumentos de sopro do pianista e colaborador de longa data
Jeff Colella para "Delilah"—"Dreams and Shadows", do álbum
homônimo de Wexler de 2008 — serviu como uma espécie de modelo e bússola
apontando para uma direção sonora desejada para este projeto, guiando o cantor
e o arranjador na junção das peças. Os resultados — uma dúzia deslumbrantes que
falam da entrega sofisticada de Wexler, o trabalho apurado de Colella com
caneta e piano, uma lista de pessoal totalmente em sincronia com as
sensibilidades do líder e a força e maleabilidade do material — são pura magia.
Abertura com um dos dois arranjos não-Colella do álbum e a
única inclusão da era moderna — a faixa-título, escrita e arranjada pela
vocalista Luciana Souza —Wexler exibe um equilíbrio perfeito entre fluidez e
precisão, ao mesmo tempo em que irradia energia emocional real sobre um
conjunto fluido, conduzido pelo trabalho hábil de baquetas do baterista Steve
Haas e animado pelo saxofone tenor de Danny Janklow. "The Summer
Knows" colocado em movimento com a linha de baixo atraente de Gabe Davis, beneficia-se
dos acordes e cores do piano de Colella, além do trompete surdinado e
melancólico de Jay Jennings.
"You Stepped Out of a Dream" oscilando entre um
balanço atraente e uma sensação de caminhada constante, e "Never Will I
Marry" balançando com uma delicadeza focada, cada um colocou os poderes
interpretativos de Wexler em exibição em cenários totalmente familiares, mas
personalizados e "Wish You Were Here" agraciada pela elegante
guitarra elétrica de Larry Koonse, vai na outra direção, demonstrando como ela
torna as suas belezas menos conhecidas. De lá, Wexler e companhia viajam alto
com "Firm Roots" de Cedar Walton (com letras de Kitty Margolis em
execução), seduzem com "Slow Hot Wind" de Henry Mancini (com o
encantador saxofone soprano de Bob Sheppard), passa por introduções de rubato
para canções suingadas em "I Wish You Love", arranjadas por Brian
Swartz, e afasta-se brevemente do território dos standards com uma
fascinante versão empoeirada de klezmer de "Dance Me to the End of
Love" de Leonard Cohen.
Acenando para Nat King Cole com duas entradas que ele
introduziu no cânone —muitas vezes- ignorou "That Sunday, That
Summer" e o frequentemente coberto "A Weaver of Dreams "—Wexler prova
ser genuíno e criterioso na transmissão. Então, eliminando pessoal, ela se
junta ao núcleo de Colella, Davis e Hass para "The Night We Called It a
Day". Destacando uma parceria simpática com sua seção rítmica na saída,
esta líder também mostra o que é sensibilidade e sutileza. Brincando com o
título do álbum com toda a sinceridade, é preciso dizer que não é de se admirar
que a aclamação acompanhe Judy Wexler por onde ela passa. Esta é uma artista que está sempre no ponto.
Faixas: No
Wonder; The Summer knows; You Stepped Out of a Dream; Never Will I Marry; Wish
You Were Here; Firm Roots (Are What Yu Need to Win); Slow Hot Wind; I Wish You
Love; Dance Me to the End of Love; That Sunday, That Summer; A Weaver of
Dreams; The Night We Called It a Day.
Músicos: Judy Wexler (vocal); Jeff Colella (piano); Danny Janklow (saxofone); Bob Sheppard (saxofone tenor); Jay Jennings (trompete); Larry Koonse (guitarra elétrica); Gabe Davis (baixo acústico); Steve Hass (bateria).
Fonte: Dan
Bilawsky (AllAboutJazz)

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