playlist Music

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

JUDY WEXLER - NO WONDER (Jewel City Jazz)

Judy Wexler imbui cada música que toca com um senso de realismo, maravilha e profundidade que é tão raro. Uma artista inimitável, esta célebre cantora acrescenta volumes a cada história que encontra, seja uma melodia de jazz pós-milenar, hino da contracultura dos anos 60, joia brasileira brilhante ou qualquer outro achado.

No caso de “No Wonder” — sétimo álbum de Wexler, lançado duas décadas após sua estreia, ela demonstra seus dons com ênfase marcante nos standards. A versão de dois instrumentos de sopro do pianista e colaborador de longa data Jeff Colella para "Delilah"—"Dreams and Shadows", do álbum homônimo de Wexler de 2008 — serviu como uma espécie de modelo e bússola apontando para uma direção sonora desejada para este projeto, guiando o cantor e o arranjador na junção das peças. Os resultados — uma dúzia deslumbrantes que falam da entrega sofisticada de Wexler, o trabalho apurado de Colella com caneta e piano, uma lista de pessoal totalmente em sincronia com as sensibilidades do líder e a força e maleabilidade do material — são pura magia.

Abertura com um dos dois arranjos não-Colella do álbum e a única inclusão da era moderna — a faixa-título, escrita e arranjada pela vocalista Luciana Souza —Wexler exibe um equilíbrio perfeito entre fluidez e precisão, ao mesmo tempo em que irradia energia emocional real sobre um conjunto fluido, conduzido pelo trabalho hábil de baquetas do baterista Steve Haas e animado pelo saxofone tenor de Danny Janklow. "The Summer Knows" colocado em movimento com a linha de baixo atraente de Gabe Davis, beneficia-se dos acordes e cores do piano de Colella, além do trompete surdinado e melancólico de Jay Jennings.

"You Stepped Out of a Dream" oscilando entre um balanço atraente e uma sensação de caminhada constante, e "Never Will I Marry" balançando com uma delicadeza focada, cada um colocou os poderes interpretativos de Wexler em exibição em cenários totalmente familiares, mas personalizados e "Wish You Were Here" agraciada pela elegante guitarra elétrica de Larry Koonse, vai na outra direção, demonstrando como ela torna as suas belezas menos conhecidas. De lá, Wexler e companhia viajam alto com "Firm Roots" de Cedar Walton (com letras de Kitty Margolis em execução), seduzem com "Slow Hot Wind" de Henry Mancini (com o encantador saxofone soprano de Bob Sheppard), passa por introduções de rubato para canções suingadas em "I Wish You Love", arranjadas por Brian Swartz, e afasta-se brevemente do território dos standards com uma fascinante versão empoeirada de klezmer de "Dance Me to the End of Love" de Leonard Cohen.

Acenando para Nat King Cole com duas entradas que ele introduziu no cânone —muitas vezes- ignorou "That Sunday, That Summer" e o frequentemente coberto "A Weaver of Dreams "—Wexler prova ser genuíno e criterioso na transmissão. Então, eliminando pessoal, ela se junta ao núcleo de Colella, Davis e Hass para "The Night We Called It a Day". Destacando uma parceria simpática com sua seção rítmica na saída, esta líder também mostra o que é sensibilidade e sutileza. Brincando com o título do álbum com toda a sinceridade, é preciso dizer que não é de se admirar que a aclamação acompanhe Judy Wexler por onde ela passa. Esta é uma artista que está sempre no ponto.

Faixas: No Wonder; The Summer knows; You Stepped Out of a Dream; Never Will I Marry; Wish You Were Here; Firm Roots (Are What Yu Need to Win); Slow Hot Wind; I Wish You Love; Dance Me to the End of Love; That Sunday, That Summer; A Weaver of Dreams; The Night We Called It a Day.

Músicos: Judy Wexler (vocal); Jeff Colella (piano); Danny Janklow (saxofone); Bob Sheppard (saxofone tenor); Jay Jennings (trompete); Larry Koonse (guitarra elétrica); Gabe Davis (baixo acústico); Steve Hass (bateria).

Fonte: Dan Bilawsky (AllAboutJazz)

 

 

Nenhum comentário: