"A única conclusão a que cheguei foi a de não tentar
reproduzir um evento ao vivo, pensei, os objetivos em eventos ao vivo são
diferentes". "Pode haver mais improvisação, mais risco", reflete
Christoph Irniger nas notas do encarte do álbum de estúdio de 2023 do Pilgrim, “Ghost
Cat (Intakt)”. O saxofonista e compositor reforça essa ideia com esta
eletrizante gravação ao vivo, capturada no Red Horn District em Bad Meinberg,
Alemanha, em novembro de 2023.
Durante 14 anos, o quinteto de Irniger — o pianista Stefan
Aeby, o guitarrista Dave Gisler, o baixista Raffaele Bossard e o baterista Michael
Stulz — vem aprimorando sua química, lançando meia dúzia de álbuns neste
período. Aqui, eles abraçam a imprevisibilidade, apresentando-se sem uma lista
de músicas definida e permitindo que o material composto flua perfeitamente
para as improvisações em grupo. O resultado é uma performance que parece ao
mesmo tempo arriscada e profundamente intuitiva no melhor sentido possível. A
sinergia do quinteto é evidente desde o início. O concerto começa com
"Hendrix", onde o toque meditativo de Stulz nos pads (NT: referem-se a timbres de sintetizador ou sons sustentados,
suaves e atmosféricos, usados para preencher o fundo de uma música, criar
texturas ou dar "cor" harmônica) e pratos cativa o conjunto
antes de Gisler iniciar uma homenagem repleta de blues a Jimi Hendrix ,"Calling
the Spirits", mantém o clima introspectivo com cordas friccionadas, notas
internas de piano dedilhadas, sinos e um saxofone etéreo, construindo
gradualmente solos arrebatadores que lembram o último conjunto de Wayne Shorter.
Irnigger sabe exatamente quando gritar e quando sussurrar, equilibrando
habilmente poder e contenção.
Em outros momentos, "Secret Level" evoca os cantos
percussivos de Kahil El'Zabar, enquanto "Seven Down Eight Up" gagueja
ludicamente com rajadas de notas, que lembram falhas técnicas. O quinteto
constrói complexidade através da desconstrução e reinvenção contínuas, um feito
possível graças à sua profunda conexão musical.
Quando o concerto chega à sua música final, "Back in the
Game", a jornada completa um ciclo. As notas finais de Irniger servem
tanto como uma despedida reflexiva quanto como um remédio musical, uma
conclusão inspiradora para uma performance emocionante e ilimitada.
Faixas: Hendrix;
Calling the Spirits; Secret Level; Human Intelligence (Interlude); Seven Down
Eight Up; The Kraken; Human Intelligence; Emergency Exit; Back in the Game.
Músicos: Christoph
Irniger (saxofone tenor); Stefan Aeby (piano); Dave Gisler (guitarra); Raffaele
Bossard (baixo acústico); Michael Stulz (bateria).
Fonte: Mark
Corroto (AllAboutJazz)
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