A popularidade do Choro está em ascensão. Nos Estados Unidos,
campus como o Brazil Camp, o Choro Northwest (também conhecido
como Centrum Choro Workshop), o Choro Camp New England e
programas como o Brazilian Music Workshop de Antônio Adolfo atraíram os
melhores artistas-professores, e alunos entusiasmados trouxeram o gênero de
volta para suas comunidades locais. “Equilibrando no Acupe”, um programa de
composições inéditas de choro, nasceu neste mercado global do século XXI, com
fãs dentro e fora do Brasil.
Gabriela Machado vive em Salvador na Bahia, onde ela está
concluindo um doutorado em Educação Musical pela Universidade Federal e ensinando
práticas de performance em choro e estilos rítmicos para estudantes de música. Nascida
em São Paulo, ela permaneceu lá até 2022, estabelece um perfil sólido como
intérprete, músico de estúdio, de orquestra e estudiosa de coral. Ela divide
seu tempo entre as duas cidades, um ato de equilíbrio que reflete no título de
sua estreia como compositora e líder de banda, “Equilibrando no Acupe”
(Equilibrando no Acupe, seu bairro em Salvador).
“Equilibrando no Acupe” é um projeto de choro mainstream,
mas com um toque contemporâneo. Logo de cara, ouvimos o timbre vibrante do French
Horn de Celso Benedito, uma novidade. O contraponto do choro inspirado em
Pixinguinha está presente na baixaria maravilhosamente fluida de Emiliano
Castro, e Machado cobre as bases do subgênero incluindo choro samba/gafieira
("Equilibrando no Acupe"), maxixe ("Filho do Tango, Maxixe
É?" e "Salada de Maxixe"), valsa ("Valsinha pra
Você"), polca ("Segura a Polca"), baião ("Baiãozinho
Sertanejo"), frevo ("Passistiné") e samba ("Pras
Mestras") na mistura.
As melodias, estruturas e ritmos de Machado pertencem ao
contexto do choro clássico, mas ela incorpora oportunidades para improvisação
solo em suas composições, tornando-os sutilmente mais jazzísticos. Nesse
aspecto, ela se alinha com chorões brasileiros influenciados pelo jazz, como o
guitarrista de 7 cordas Douglas Lora (que trabalha com Anat Cohen, Trio
Brasileiro e outros grupos) e o flautista e saxofonista Edu Neves (em gravações
como No Balanço do Choro-Samba, de Stephen Guerra, entre outras). A esta lista,
adicionem-se pianistas como Amilton Godoy e Adolfo, no âmbito do jazz/música
instrumental brasileira, e, na vertente do jazz estadunidense, os pianistas
Cliff Korman e Renée Rosnes, o baterista Alex Kautz, Hamilton de Holanda e
Gonzalo Rubalcaba, entre outros.
Não se trata exatamente do choro da sua avó, mas a
compositora Chiquinha Gonzaga o reconheceria como choro, mesmo sem as pequenas
citações que Machado fornece. Porém, um aficionado do século 21 pode perceber
um toque de jazz em seus arranjos, no clarinete de Nailor Proveta Azevedo, no
piano de Debora Gurgel, na bateria de Douglas Alonso e Guegué Medeiros, até no
acordeão de Matheus Kleber. E o trabalho da cavaquinista Camila Silva
acrescenta ressonância ao reconhecimento sonoro do conjunto das raízes
africanas e indígenas do idioma.
"Pras Mestras" está no cerne do projeto, como uma
"valorização e gratidão às minhas referências femininas". Machado
dedica o álbum às muitas mulheres que a inspiraram. Em conversa com a AAJ, ela
expressou sua satisfação por ter conseguido reunir três gerações de mestras da
música para a gravação: Gurgel, a mais velha; Silva, a mais jovem; Machado a
intermediária. Ao longo dos anos, muitas de suas professoras foram mulheres, e
ela trabalhou com muitas musicistas, incluindo o grupo Choronas, que fundou em
1994 com a cavaquinista Ana Cláudia César, a guitarrista Paola Picherzky e a
percussionista Roseli Câmara.
Ainda há trabalho a ser feito para alcançar a paridade para as mulheres na área, afirma ela, mas menciona "um movimento" no Brasil, onde as mulheres se apoiam mutuamente como compositoras, intérpretes e professoras. Ela descreve com prazer a obra como uma espécie de "ação afirmativa", uma correção que abre o campo e, como atesta "Equilibrando no Acupe", enriquece a estética.
Faixas: Equilibrando no Acupe; Filho de Tango, Maxixe É?;
Espinhaço; Valsinha pra Você; Salada de Maxixe; Choro Não É Fake; Segura a
Polca; Baiãozinho Sertanejo; Pras Mestras; Tutu; Serelepes; Passistiné.
Músicos: Gabriela Machado
(flauta); Matheus Kleber (acordeão); Emiliano Castro (violonista); Douglas
Alonso (bateria); Debora Gurgel (piano); Nailor Proveta (clarinete); Celso
Benedito (french horn); Guegué Medeiros (percussão); Camila Silva (cavaquinho).
Para conhecer um pouco deste
trabalho, assistam ao vídeo abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=bYDZQigHx4c
Fonte:
Katchie Cartwright (AllAboutJazz)

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