Multi-instrumentista, compositor e mestre em diversos
estilos de jazz, Mark Sherman é há muito tempo considerado um dos melhores
vibrafonistas do mundo. Após lançar uma série de quatro álbuns bem recebidos
que demonstraram seu virtuosismo até então desconhecido ao piano, Sherman
retorna ao vibrafone em “Bop Contest”, com uma formação estelar composta pelo
baixista Ron Carter, o pianista Donald Vega, o baterista Carl Allen e o
trompetista convidado Joe Magnarelli. O projeto tem suas origens na ligação
pessoal de Sherman com Carter, de 88 anos, um colega do corpo docente da
Juilliard School que por acaso é o baixista mais gravado da história do jazz. “Bop
Contest” é o álbum que marca a primeira vez que Sherman convidou Carter para
tocar em uma de suas 22 gravações como líder e recebe seu nome do título da
primeira tentativa de Sherman de compor uma música bebop. Gravado no Van Gelder
Studios, é uma homenagem ao jazz tradicional, uma influência fundamental e
formativa para Sherman e cada um dos músicos desta formação dos sonhos. Além de
ser membro de longa data do Golden Striker Trio de Carter, Vega se inspira em
dois dos pianistas favoritos de Sherman: Kenny Barron, com quem o vibrafonista
gravou o álbum de duetos “Interplay” em 2015, e o falecido Cedar Walton, duas
de cujas composições estão incluídas em “Bop Contest”. Allen e Carter cruzaram
caminhos ao longo dos anos, e o baterista trabalhou frequentemente com Sherman,
inclusive em sua estreia como pianista, o álbum “My Other Voice” de 2019. Magnarelli,
amigo e colaborador de longa data de Sherman, foi convidado a adicionar seu
trompete e flugelhorn a duas composições originais de Sherman. A faixa-título é
um clássico do bebop, com uma melodia sinuosa em uníssono de vibrafone e
trompete, que inspira solos vigorosos e culmina em uma troca amigável que se
assemelha a um duelo de virtuosismo de altíssimo nível. A segunda composição
original de Sherman é a suave valsa de jazz "Love Always Always
Love". A faixa de abertura do álbum, “111-44”, de Oliver Nelson, foi
originalmente gravada no álbum “Straight Ahead”, de 1961, do
saxofonista/arranjador, com Eric Dolphy e Roy Haynes. As peças de Walton são
“Bremond’s Blues” (do lançamento de 1987, Cedar Walton Plays, que também contou
com Carter no baixo) e “Martha’s Prize”, do álbum “Composer” de Walton, de 1996.
A interpretação de Sherman para "My One And Only Love" é uma bossa
nova animada, temperada com saborosas rearmonizações influenciadas pelo bebop. O
álbum encerra com Sherman tocando um dueto eloquente consigo mesmo em
“Skylark”, deleitando-se nas profundezas do clássico atemporal com uma
abordagem harmônica inovadora, que se encaixa perfeitamente em seu estilo
lírico característico, tanto no vibrafone quanto no piano.
Fonte: Ed
Enright (DownBeat)

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