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domingo, 29 de março de 2026

PETER BRÖTZMANN & PAAL NILSSEN-LOVE - CHICKEN SHIT BINGO (Trost Records)

O falecido saxofonista alemão, Peter Brötzmann, prosperou em encontros com bateristas. Uma lista de seus companheiros ao longo de sua carreira seria como um quem é quem da percussão, mas um de seus parceiros preferidos no último período de sua vida foi Paal Nilssen-Love. Após o norueguês unir-se ao Chicago Tentet de Brötzmann em 2004, a parceria entre eles ocorreu em inúmeras ocasiões, não só no formato maior, mas também em formatos de quarteto, trio e duo. Porém, embora eles tenham feito vários álbuns juntos, todos foram trabalhos ao vivo. Esta sessão de 2015 oferece algo diferente.

Durante dois dias o duo foi para o estúdio, conforme as notas de Nilssen-Love revelam, Brötzmann com um arsenal de instrumentos de palheta, incluindo um clarinete contralto recém-adquirido, o baterista com uma série de gongos coreanos até então inéditos. Todos recebem uma boa veiculação nas oito seleções de um programa que apresenta um retrato da dupla um pouco mais introspectivo do que o cenário de concerto rotineiramente oferecido. Brötzmann brinca com a melodia por toda parte, muitas vezes investido de emoção com ternura, às vezes triste, embora geralmente permaneçam, adstringentemente, apenas no lado certo do sentimentalismo.

Suas extemporizações frequentemente invocam os intervalos e contornos da linda melodia denominada como "Master Of A Small House" na companhia de Joe McPhee em “Tales Out Of Time (Hatology, 1997)”. Deve ter tido algum significado emblemático para Brötzmann quando ele voltou a eles repetidas vezes. Aparece regularmente em gravações ao vivo e qualquer um que o tenha ouvido tocar nas últimas décadas provavelmente reconheceria o refrão. Aqui ele aparece em sua forma mais pura como um canto fúnebre de saxofone baixo em "Smuddy Water". Mesmo assim, as coisas ficam selvagens antes do fim, à medida que um grito turbulento se transforma em um altissimo trêmulo.

Outros flashes da intensidade esperada surgem, na forma mais pura no vigoroso "Move On Over" onde uma cavalgada na bateria inaugura um sopro estridente, provavelmente no clarinete baixo e, outra vez, em "Dancing Octopus" com Brötzmann destruindo os nervos no tarogato. Mas mesmo isso acaba em outra dimensão, à medida que Nilssen-Love explora uma verdadeira fundição de trovões de chapa metálica. Em outros lugares eles mantêm uma fervura borbulhante, como na abertura “Butterfly Mushroom", que se deleita com os tons do clarinete contralto penetrante e dos golpes percussivos, ou até mesmo constrói um poema com tom comovente, como fazem em "Found The Cabin But No People", sua qualidade elegíaca ganha peso comovente pelas exalações finais desaparecendo no silêncio.

Agendas ocupadas significou que a música nunca viu a luz do dia enquanto Brötzmann estava vivo, mas seu lançamento cria uma entrada rica e singular em uma discografia já poderosa.

Faixas: Butterfly Mushroom; Ant Eater Hornback Lizard; Smuddy Water; South Of No Return; Dancing Octopus; Move On Over; Five Of Them Survived The Dream; Found The Cabin But No People.

Músicos: Peter Brötzmann (tarogato, clarinete em si bemol, clarinete contralto, clarinete baixo, saxofone baixo); Paal Nilssen-Love (bateria, congos, percussão).

Fonte: John Sharpe (AllAboutJazz)

 

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