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segunda-feira, 13 de abril de 2026

ADAM O'FARRILL - FOR THESE STREETS (Out Of Your Head Records)

O trompetista e compositor Adam O’Farrill destila uma mistura inebriante de inspirações em “For These Streets”, o lançamento de estreia de seu novo octeto. Inspirando-se na música, na literatura e na atmosfera dos anos 1930, o álbum reflete sua imersão na época — a prosa de Henry Miller, Luzes da Cidade de Charlie Chaplin e os universos sonoros de Stravinsky, Ravel, Carlos Chávez e Kurt Weill. Nenhum desses conhecimentos prévios é necessário para apreciar a música, nem é mencionado na embalagem. Porém, conhecê-los acrescenta uma camada de compreensão à hibridez jazz/não-jazz, música de câmara/não-câmara que o conjunto alcança.

O'Farrill, parte de uma distinta linhagem musical — seu avô é o maestro cubano Chico O'Farrill, e seu pai, o célebre pianista e maestro Arturo O'Farrill — trilhou um caminho singular na música contemporânea. Sua voz no trompete pode ser ouvida em projetos tão variados quanto a Afro Latin Jazz Orchestra, o Anna Webber's Large Ensemble e álbuns da guitarrista Mary Halvorson, do saxofonista Kevin Sun, da vibrafonista Patricia Brennan e do saxofonista Rudresh Mahanthappa. Com três álbuns de jazz moderno em seu nome, incluindo seu lançamento anterior, “Hueso (FOOD, 2024)”, O'Farrill tornou-se conhecido por sua dinâmica execução que transita entre o interior e o exterior do instrumento, além de sua visão composicional inovadora.

Para este projeto de octeto, ele reúne colaboradores já conhecidos: Halvorson, Brennan, os saxofonistas Sun e David Leon, o trombonista e eufonista Kalun Leung, o baixista Tyrone Allen II e o baterista Tomas Fujiwara. A música é harmonicamente e ritmicamente complexa, mas o brilhantismo de “For These Streets” reside em como essa complexidade é reservada aos intérpretes. O ouvinte é convidado a entrar num universo sonoro exuberante, peculiar e emotivo, que transmite uma sensação imediata e intuitiva. O grupo é sutilmente conduzido pela regência de Eli Greenhoe, o que confere à música um caráter espontâneo, porém coeso.

O álbum abre com "Swimmers", começando com um diálogo introspectivo entre guitarra e baixo e um trompete discretamente inquisitivo, desdobrando-se gradualmente em um labirinto pós-bop que demonstra a destreza composicional de O'Farrill. No entanto, essas demonstrações explícitas são a exceção. Com frequência, O'Farrill opta por nuances e atmosfera. "Nocturno, 1932" é uma valsa lenta e melancólica, interpretada com um toque de música de câmara. "Migration" utiliza o contrabaixo como âncora, deixando os músicos à deriva em um contraponto exploratório. "The Break Had Not Come" flutua numa névoa misteriosa e onírica, moldada pelos efeitos de Halvorson e pelo brilho luminoso do vibrafone de Brennan.

Um dos momentos mais marcantes do álbum surge com "Streets", um dueto esparso e intimista entre O'Farrill e Halvorson que se desenrola como uma troca improvisada de alto nível — ponderada, coloquial e repleta de entendimento mútuo. Este espírito de imaginação coletiva define o álbum.

“For These Streets” evoca um mundo — atemporal, surreal e estranhamente familiar — onde composição e improvisação dançam juntas na sombra e na luz.

Faixas: Swimmers; Nocturno, 1932; Scratching the Surface of a Dream; Migration; Speeding Blots of Ink; Streets; And So On; The Break Had Not Come; Rose; Late June.

Músicos: Adam O'Farrill (trompete); Kevin Sun (saxofone tenor); David Leon (saxofone alto); Kalun Leung (trombone); Mary Halvorson (guitarra); Patricia Brennan (vibrafone); Tyrone Allen II (baixo); Tomas Fujiwara (bateria); Eli Greenhoe (compositor / maestro).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=qazqa65AY1k

Fonte: Mark Corroto (AllAboutJazz) 

 

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