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segunda-feira, 20 de abril de 2026

CHRIS CHEEK - KEEPERS OF THE EASTERN DOOR (Analog Tone Factory)

Em “Keepers of the Eastern Door”, o saxofonista Chris Cheek lidera um conjunto de performances belamente executadas, ricamente melódicas e criativamente selecionadas, que encontram o equilíbrio perfeito entre encantamento e diversão. Cheek e seus companheiros de banda—Bill Frisell na guitarra, Tony Scherr no baixo e Rudy Royston na bateria— oferecem uma mistura de originais distintos de Cheek e interpretações inesperadas de obras de outros artistas. As versões das músicas são retiradas de gêneros fora do repertório de jazz e cancioneiro tradicional, e a banda as enriquece com novos arranjos, tempos e ritmos atraentes. Cheek toca com uma modéstia cativante e um timbre quente e bonito, qualidades que realçam o impacto do seu vibrato, usado com parcimônia. O grupo lida com o material bastante variado com economia e paciência, evocando claramente em diversas faixas os humores ou estados emocionais sugeridos por seus títulos.

A primeira faixa, "Kino's Canoe", um original de Cheek cujo título é inspirado no conto de Hemingway, "The Pearl", a gravação começa com uma espécie de finta, através de uma performance mais baseada em riffs (NT: frases musicais curtas e repetitivas, formadas por notas, intervalos ou acordes, que servem como base ou acompanhamento em uma música) e impulsionada pela batida que se segue. A cativante faixa de abertura também se destaca pela maravilhosa fraseologia em uníssono de Cheek e Frisell, cuja combinação consonantal, da qual um ou outro às vezes se separa para um solo ou contramelodia, é uma característica encantadora de várias faixas.

O ritmo diminui com a segunda faixa, "Smoke Rings", um lado B antigo dos Mills Brothers, gravado posteriormente por Henry Mancini. Cheek e Frisell dão à melodia reflexiva a atenção cuidadosa que ela merece. Aqui e em outros momentos, a interpretação de Frisell dispensa os efeitos e a engenhosidade textural, que frequentemente enriquecem suas performances. Essa abordagem mais sóbria se encaixa perfeitamente no repertório de Cheek.

A banda oferece duas interpretações respeitosas, porém atualizadas, de obras corais de compositores historicamente significativos. Para "O Sacrum Convivium!", composição de Olivier Messiaen de 1937, Cheek recorre ao saxofone soprano e Frisell ao violão, escolhas instrumentais que destacam a singularidade da obra na lista de faixas e sua sacralidade. Scherr e Royston abrilhantam a apresentação com um suíngue de balada sutil e inconfundível.

Em "Lost is My Quiet", a banda interpreta com maestria a melodia melancólica e a letra da belíssima canção de amor perdido do compositor barroco Henry Purcell. Cheek aumenta a urgência de forma suave, porém eficaz, em seu segundo solo, que sucede um solo de Scherr, emocional e tonalmente ressonante.

"On a Clear Day", a famosa canção-título do musical de Lerner e Lane de 1965, é uma escolha mais convencional para uma versão reinterpretada, mas a banda chama a atenção ao dar-lhe um ritmo levemente funkeado. O refrão cativante de Scherr e o arranjo divertido de Cheek combinam perfeitamente com o otimismo reverente da letra da música.

O início e o fim de "From Me to You" oferecem interpretações diretas da melodia dos Beatles, intercaladas com solos concisos e expressivos de Frisell e Cheek. Mas o solo de Cheek e o andamento, mais lento que o dos Beatles, conferem a esta versão um caráter mais envolvente do que a original.

A faixa título, "Keepers of the Eastern Door" um apelido para o povo indígena Mohawk, começa com algumas batidas evocativas de tambor de Royston. Essas características dão lugar a uma melodia atraente e prolongada.

"Go on, Dear", a balada de encerramento, apresenta belos solos de Cheek e Frisell. Aqui e em várias outras faixas, é gratificante ouvir Royston complementar o tema e seus solos. Em sua doce frase final, Cheek insere uma breve pausa que emoldura perfeitamente a nota final e acolhedora do álbum — uma expiração reconfortante.

Com “Keepers of the Eastern Door”, Cheek e seus colaboradores, exemplos de escuta sensível e execução responsiva, nos presenteiam com uma gravação que prioriza a contenção, oferecendo a satisfação de notas cuidadosamente escolhidas e frases cuidadosamente elaboradas.

Faixas: Kino’s Canoe; Smoke Rings; O Sacrum Convivium!; On A Clear Day; Lost Is My Quiet; From Me To You; Keepers Of The Eastern Door; Go On, Dear.

Músicos: Chris Cheek (saxofone); Bill Frisell (guitarra elétrico); Tony Scherr (baixo); Rudy Royston (bateria).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=a9LfDwlM9AY

Fonte: David Weiner (AllAboutJazz)

 

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