Lamento não ter ouvido falar de Mulatu Astatke, de 81 anos,
no início de sua carreira de 50 anos, mas me alegro em descobri-lo agora.
Eminente na Etiópia — um país com uma cena de jazz pouco divulgada (Astatke é
um compositor e intérprete que revisita e reformula seu repertório consagrado),
criando encantadoras sinfonias de jazz em miniatura para um conjunto de câmara,
que mescla sons tradicionais do Chifre da África com a execução precisa de uma
banda britânica, habilmente dirigida por James Arben.
A lira pentatônica krar, o massengo de uma corda tocado com
arco e a flauta washint soprada pela
extremidade são elementos-chave na paleta de Astatke, usados juntamente com
instrumentos de palheta ocidental, metais, trapézios, violas, teclados e
vibrafone (seu instrumento principal, empregado com uma languidez discreta,
como em "Netsanet"). Cada peça, cuidadosamente planejada e produzida
com esmero, contém detalhes intimistas, bem como passagens incomumente abertas
e/ou habilmente elaboradas.
Astatke descobriu que os padrões rítmicos cíclicos etíopes
coincidem com a clave afro-caribenha e com batidas enfaticamente sincopadas. Só
o ato de tocar bateria já fascina. Mas é a base de jams ao estilo Blue
Note (“ZelesengaDewel”), marchas militantes (“Kulun”), exotismo indefinível
(“The Way To Nice”), solos de saxofone livres (“Yekatit”) e ecos de mestres tão
diversos como Ellington, Sun Ra, James Brown, Raymond Scott, Gil Evans, Eddie
Palmieri, Roy Ayers e Horace Tapscott, todos marcados pelo toque pessoal
inconfundível de Mulatu Astatke. Bem-vindo, Maestro.
Faixas
1.Zelesenga Dewel
2. Kulun
3. Netsanet
4.Yekermo Sew
5.Azmari
6.Chik Chikka
7. The
Way To Nice
8.Motherland
Intro
9.Motherland
10.Mulatu
11.Yekatit
Fonte: Howard Mandel (DownBeat)

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