Não é fácil analisar uma obra-prima. O célebre historiador estadunidense
Perry Miller certa vez se viu obrigado a resmungar algo como "O que eu
devo dizer sobre essa maldita coisa?".A maldita coisa em questão é “The
Scarlet Letter” de Nathaniel Hawthorne. O professor Miller, encontra o pianista
Bill Evans. Tentar dizer algo inteligente sobre Bill Evans, depois de tanto ter
sido escrito e dito nos quase cinquenta anos após sua morte, define uma tarefa
árdua. Então, por que se preocupar?
Desde 1961, “Explorations”foi relançado em vários formatos
nos Estados Unidos, Japão e Reino Unido, tanto em CD quanto em vinil. Provavelmente,
faz algum sentido focar nas razões desta reedição, presumivelmente diferente
porque é uma prensagem de "uma etapa" que se aproxima muito mais em
qualidade de som da fita original. Isto na "Small Batch Series", da Craft
Recordings, uma gravadora interna do Concord Group, que, por sua
vez, foi a sucessora do grupo Fantasy Label. O ponto de venda básico,
pelo menos entre audiófilos e colecionadores, é sonoro, embora qualquer
lançamento limitado (e esta série tem 2.500 prensagens) possa ser visto como um
item de colecionador e, dependendo da demanda do mercado, um investimento
potencial também. Há ouvintes—mais do que alguns—que são simplesmente loucos
por Bill Evans, especialmente seu célebre trio com Paul Motian e Scott LaFaro.
Alguns são "completistas",que buscará tudo o que Evans fez. E haverá
aqueles que continuarão a ouvir a música muito depois dos originais e de
algumas reedições subsequentes terem sido feitas. Até que ponto a Craft
atende bem a essas diferentes necessidades?
Primeiro, claro, é o que um ouvinte ouve. Há diferentes
formas de avaliar gravações, e as pessoas terão preferências diferentes em
relação ao equilíbrio instrumental, tom, timbre. Isto deve ser deixado para o
ouvinte, mas no mínimo, a qualidade do som é simplesmente maravilhosa — sem
ruído de superfície ou distorção, mesmo usando um sistema modesto e toca-discos
— longe dos padrões de equipamentos audiófilos. Ouvir Evans é como entrar em um
lugar especial. Se o piano não estiver abafado e, consequentemente, soando
alto, a gravação não será fiel ao toque de Evans. Uma segunda consideração é a
facilidade com que se pode acompanhar a interação entre La Faro e Evans, o que
é grande parte da novidade. Neste ponto, mais uma vez, exemplar. E depois há a
produção física, que inclui uma masterização totalmente analógica por Bernie
Grundman, um estojo de linho estampado em folha e novas notas de capa -
infelizmente um pouco difíceis de ler por causa da fonte. Deixando isso de
lado, qualquer um deveria estar feliz.
Não há muito o que dizer sobre a música, embora a audição
repetida possa sempre ser proveitosa. Ouvir Evans em "Sweet and
Lovely" sugere uma abordagem irônica amplificada por dissonâncias - um
senso de humor de Evans que tem sido muito fácil de ignorar.
No geral, uma produção muito valiosa para ouvintes sérios
que querem ouvir Evans como ele sempre deveria ter sido ouvido.
Faixas: Israel;
Haunted Heart; Beautiful Love" [Take 2]; Elsa; Nardis; How Deep Is the
Ocean?; I Wish I Knew; Sweet and Lovely.
Músicos:
Bill Evans (piano); Scott LaFaro (baixo); Paul Motian (bateria).
Fonte: Richard
J Salvucci (AllAboutJazz)

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