Esta suíte em quatro partes do trompetista e compositor John
Vanore e seu grupo de longa data de 12 músicos, Abstract Truth, é um
monumento sonoro à Ilha de Páscoa, cujas esculturas gigantes de pedra e
cavernas subterrâneas sombrias fascinam exploradores e historiadores, e
inspiram sonhadores como Vanore, desde sua descoberta no Pacífico, ao largo da
costa do Chile, em 1722. As gravações deste programa fascinante, uma obra épica
caracterizada por estruturas musicais imponentes e solos que exploram
profundamente reinos de beleza oculta, ocorreram ao longo de 35 anos (durante
sessões em outubro de 1989, junho de 2012 e junho de 2024). O primeiro
movimento da suíte, "Discovery" (originalmente intitulado
"Easter Island" e lançado no álbum de estreia do Abstract Truth,
“Blue Route”, de 1990), evoca uma sensação de urgência crescente, começando com
uma declaração temática da trompa (George Barnett) e do contrabaixo (Craig Thomas)
e continuando com um majestoso solo de saxofone tenor (Mike Falcone), que
representa a imensidão e o mistério das fascinantes estátuas humanoides da ilha.
A suíte continua com “Gods & Devils”, uma representação da cultura
espiritual da ilha, na qual Vanore, ao trompete, assume o papel de um deus,
enquanto o saxofonista tenor Bob Howell incorpora uma persona mais diabólica.
“Secret Caves” começa um pouco hesitante, com breves e inquisitivas
intervenções do clarinetista baixo Brian Landrus, do guitarrista Greg Kettinger
e do baixista Thomas, que preparam o terreno para momentos reveladores
iluminados pela flauta de Michael Mee e pelo som cintilante da waterphone
( é uma harpa de água, que é um instrumento musical acústico inarmônico, famoso
por produzir sons etéreos, misteriosos e muitas vezes fantasmagóricos,
comumente usados em trilhas sonoras de filmes de suspense e terror) de Thomas. O
movimento final, o melancólico e sereno “Rano Raraku”, recebeu o nome da
cratera vulcânica cuja pedra foi extraída para criar as quase 1.000 figuras
moai, que circundam a costa da Ilha de Páscoa. A concretização plena da
dedicatória de Vanore representa uma conquista profunda para o compositor, cujo
objetivo é simplesmente transportar o ouvinte para a ilha. Embora Vanore nunca
tenha feito a árdua viagem pessoalmente, ele consegue pintar um retrato vívido
de um dos locais mais belos e enigmáticos do mundo, baseado apenas em sua
extensa pesquisa, zelo visionário e habilidade excepcional como compositor.
Faixas
1.Discovery
12:43
2.Gods
and Devils 07:12
3.The
Secret Caves 10:54
4.Rano
Raraku- Journey to the Lake 15:31
Músicos: John Vanore (trompete); Ron Thomas (piano); Craig Thomas (baixo acústico); Joe Nero (percussão, bateria[1]); Dan Monaghan (bateria); Austin Wagner (bateria); Bob Howell (saxofone);Brian Landrus (saxofone barítono); Dennis Wasko (trompete); Larry Toft (trombone); Greg Kettinger (guitarra); Tony DeSantis (trompete); Sean McCusker (trombone); Frank Rein (trombone); Mike Falcone (1); Michael Mee (saxofone (todas as faixas), saxofone soprano, flauta; Rocco Bene (trompete, flugelhorn [1]); Joe Falon (trompete, flugelhorn [1]); Brian Croder (trompete, flugelhorn [1]); Kevin Rodgers (trompete, flugelhorn [1]); George Barnett (French horn [1-3]); Mike Galan (trombone [1]); Jose Vidal (trombone baixo [1]); Ron Thomas ( piano [1, 4]); Craig Thomas (baixo [todas as faixas]); Bob Howell (saxofones [2, 3]); Brian Landrus (clarinet baixo [3]); Sean McAnally (trompete [2, 3]); Joe Cataldo (trompete [2, 3]); Dennis Wasko (trompete [2, 3]); Larry Toft (trombone [2, 3]); Barry McCommon (trombone baixo [2, 3]); Greg Kettinger (guitarra [2-4]); Dan Monaghan (bateria [2, 3]); Peter Neu (trompete, flugelhorn [4]); Marcell Ballinger (trompete, flugelhorn [4]); Tony DeSantis ( trompete, flugelhorn [4]); Lyndsie Wilson (French horn [4]); Sean McCusker (trombone [4]); Frank Rein (trombone baixo [4]); Austin Wagner (bateria [4]).
Fonte: Ed Enright (DownBeat)

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