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terça-feira, 26 de maio de 2026

PALOMA DINELI CHESKY – MEMORY (The Audiophile Society)

Às vezes, um ouvinte se apega a uma versão específica de uma música, especialmente na primeira vez que a ouve. O resultado pode ser bom ou simplesmente limitante. É possível que alguém nunca se livre completamente do primeiro contato. Ele influencia todas as experiências subsequentes. Alguns talvez tenham aprendido "Corcovado" quando Miles Davis a interpretou em "Quiet Nights" (Columbia, 1963). Pode ter sido uma escolha estranha para um primeiro contato com Davis, mas aconteceu no início da década de 1960.

Paloma Dineli Chesky canta "Corcovado" de forma muito semelhante à maneira como a tocava: plangente, porém sussurrada. A interpretação dela não é de forma alguma uma imitação, mas evoca o sentimento agridoce de Davis, como disse uma pessoa anônima nas notas do encarte de ‘Quiet Night’, de "uma criança trancada para fora". Uma canção encantadora, tingida de tristeza e saudade. Chesky tem a voz perfeita para isso. Em seu português brasileiro, o efeito é mágico. Embora a versão de Chesky para "House of the Rising Sun" definitivamente não seja Nina Simone, Chesky traz a mesma crueza e potência que Simone, o que é desconcertante depois de uma versão igualmente emotiva, porém mais tranquila, de "Summertime"."Green", uma obra original, demonstra o talento de Chesky como compositora. "Baby Face" é mais uma composição original que sugere uma clave no início, mas logo se transforma em um compasso quaternário, com um solo de saxofone de muito bom gosto. "Memory", também, é inédita. Aqui, Chesky flutua sobre e ao redor do tempo, interagindo com o baixo e a guitarra, ocasionalmente, mas nem sempre, parando em compassos. De alguma forma, "Sober Now" sugere que, quando a Sra. Chesky se desapega de algo ou alguém, é para valer. Há novamente um pouco de Nina Simone. Chesky não poderia ter uma influência melhor.

A banda se ajusta perfeitamente ao estilo de Chesky, acentuando sutilmente seus pontos fortes e adicionando detalhes onde necessário. Por vezes, a banda é uma extensão da voz dela. Separar a voz dela dos riffs (NT: frase musical curta, melódica ou harmônica, repetida ao longo de uma canção, servindo como base ou marca registrada) é quase impossível. Maxwell Barnes no saxofone tenor é particularmente simpático, mas todos estavam animados para este encontro.

Chesky reside em Nova York, mas tem família no Brasil, e é difícil imaginar um mercado mais difícil para começar. Costuma-se dizer que cantores iniciantes não são suficientemente originais ou são excessivamente peculiares para o seu próprio bem. As mulheres, em particular, recebem críticas sobre tudo, desde o estilo e a forma de se expressar até o vestuário. Sim, Chesky tem seu próprio jeito, mas na maior parte das vezes não exagera. Chesky será uma cantora com quem se deve contar nos próximos anos: "Quero unir diferentes estilos e ideias.". Sim, ela o faz, e com considerável originalidade e espontaneidade. Ela não é apenas uma versão atualizada de um clássico, por mais impressionante e difícil que isso possa ser.

Faixas: Summertime; Green; Baby Face; Memory; Sober Now; Corcovado; House of the Rising Sun; Diamond; When the Moon's Away.

Músicos: Paloma Dineli Chesky (vocal); Michael Hilgendorf (guitarra); Maxwell Barnes (saxofone tenor); Danno Petersen (bateria); Chris Ramirez (baixo).

Fonte: Richard J Salvucci (AllAboutJazz) 

 

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