Às vezes, um ouvinte se apega a uma versão específica de uma
música, especialmente na primeira vez que a ouve. O resultado pode ser bom ou
simplesmente limitante. É possível que alguém nunca se livre completamente do
primeiro contato. Ele influencia todas as experiências subsequentes. Alguns
talvez tenham aprendido "Corcovado" quando Miles Davis a interpretou
em "Quiet Nights" (Columbia, 1963). Pode ter sido uma escolha
estranha para um primeiro contato com Davis, mas aconteceu no início da década
de 1960.
Paloma Dineli Chesky canta "Corcovado" de forma
muito semelhante à maneira como a tocava: plangente, porém sussurrada. A
interpretação dela não é de forma alguma uma imitação, mas evoca o sentimento
agridoce de Davis, como disse uma pessoa anônima nas notas do encarte de ‘Quiet
Night’, de "uma criança trancada para fora". Uma canção encantadora,
tingida de tristeza e saudade. Chesky tem a voz perfeita para isso. Em seu
português brasileiro, o efeito é mágico. Embora a versão de Chesky para
"House of the Rising Sun" definitivamente não seja Nina Simone,
Chesky traz a mesma crueza e potência que Simone, o que é desconcertante depois
de uma versão igualmente emotiva, porém mais tranquila, de "Summertime"."Green",
uma obra original, demonstra o talento de Chesky como compositora. "Baby
Face" é mais uma composição original que sugere uma clave no início, mas
logo se transforma em um compasso quaternário, com um solo de saxofone de muito
bom gosto. "Memory", também, é inédita. Aqui, Chesky flutua sobre e
ao redor do tempo, interagindo com o baixo e a guitarra, ocasionalmente, mas
nem sempre, parando em compassos. De alguma forma, "Sober Now" sugere
que, quando a Sra. Chesky se desapega de algo ou alguém, é para valer. Há
novamente um pouco de Nina Simone. Chesky não poderia ter uma influência melhor.
A banda se ajusta perfeitamente ao estilo de Chesky,
acentuando sutilmente seus pontos fortes e adicionando detalhes onde necessário.
Por vezes, a banda é uma extensão da voz dela. Separar a voz dela dos riffs
(NT: frase musical curta, melódica ou harmônica,
repetida ao longo de uma canção, servindo como base ou marca registrada)
é quase impossível. Maxwell Barnes no saxofone tenor é particularmente
simpático, mas todos estavam animados para este encontro.
Chesky reside em Nova York, mas tem família no Brasil, e é
difícil imaginar um mercado mais difícil para começar. Costuma-se dizer que
cantores iniciantes não são suficientemente originais ou são excessivamente
peculiares para o seu próprio bem. As mulheres, em particular, recebem críticas
sobre tudo, desde o estilo e a forma de se expressar até o vestuário. Sim,
Chesky tem seu próprio jeito, mas na maior parte das vezes não exagera. Chesky
será uma cantora com quem se deve contar nos próximos anos: "Quero unir
diferentes estilos e ideias.". Sim, ela o faz, e com considerável
originalidade e espontaneidade. Ela não é apenas uma versão atualizada de um
clássico, por mais impressionante e difícil que isso possa ser.
Faixas: Summertime;
Green; Baby Face; Memory; Sober Now; Corcovado; House of the Rising Sun;
Diamond; When the Moon's Away.
Músicos:
Paloma Dineli Chesky (vocal); Michael Hilgendorf (guitarra); Maxwell Barnes (saxofone
tenor); Danno Petersen (bateria); Chris Ramirez (baixo).
Fonte: Richard
J Salvucci (AllAboutJazz)

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