O estimulante “Polarity 3” é a terceira parte de uma série
de duetos espontâneos entre o saxofonista inovador Ivo Perelman e o igualmente
criativo trompetista Nate Wooley. Nestas 10 faixas, os dois improvisadores usam
pausas silenciosas para criar atmosferas assombrosas e melodias contemplativas.
As performances são semelhantes a duas reflexões introspectivas complementares,
mas independentes.
Tons lânguidos e melancólicos de ambos os homens iniciam a
faixa de abertura "One". Os uivos suaves e os refrões ondulantes são
intercalados na quietude hipnótica e, assim, definem o ambiente para toda a
gravação. Trocas curtas e nítidas mantêm uma melancolia pensativa apesar do
aumento da urgência do diálogo. Os gorjeios ágeis e vigorosos do tenor de
Perelman oscilam em torno do instrumento claro e suavemente ondulante de
Wooley. A quase fúnebre "Two" funciona como uma coda para a faixa
anterior, continuando e concluindo as ideias iniciadas em "One".
Nem Perelman nem Wooley se esquivaram de abraçar a
dissonância provocativa em suas improvisações anteriores. Eles também flertam
com isso aqui, mas o foco é mais voltado para o melodicismo lírico. Por
exemplo, em "Eight", o trompete surdinado de Wooley tem notas
distintamente blueseiras. Perelman, que segue Wooley, expressa-se em frases
melífluas e atrevidas. A dupla constrói perfeitamente uma conversa comovente
com uma elegância que ecoa estilos musicais passados.
Esse nível de pungência emotiva é uma característica
marcante do álbum como um todo, inclusive nas faixas "mais livres",
como "Five". A exploração sobreposta de escalas alternando com
lamentos pungentes e ruminações abstratas e melodiosas se fundem em uma
paisagem sonora sublimemente atraente. Hipnótica em suas cores suaves, ainda
que dinâmica em sua inquietação, a melodia é uma peça central adequada para
todo o trabalho.
Da mesma forma, o final, "Ten", desempenha um
grande papel na coesão temática do disco, pois seu humor flui do desamparo ao
apaixonado e vice-versa. O diálogo sinérgico de notas longas e linhas sinuosas
se transforma em uma réplica inflamada e depois retorna à serenidade meditativa
com graça natural. Portanto, é uma conclusão lógica para esta excelente sessão
colaborativa.
Como era de se esperar tanto de Perelman quanto de Wooley,
“Polarity” 3 é mais uma obra superlativa e brilhante. Reflete a engenhosidade
dos artistas, mas, como acontece com todas as colaborações de sucesso, é mais
do que a soma das partes. É uma música eletrizante e reflexiva que satisfaz a
mente muito depois de parar de tocar.
Faixas: One;
Two; Three; Four; Five; Six; Seven; Eight; Nine; Ten.
Músicos: Ivo Perelman (saxofone tenor); Nate Wooley
(trompete).
Fonte: Hrayr
Attarian (AllAboutJazz)

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