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quarta-feira, 1 de julho de 2026

HUGO FERNÁNDEZ – RIVERMIND (Independent Release)

Os críticos de jazz são frequentemente acusados ​​de parcialidade em relação à novidade: não é injusto (Experimente ouvir 100 álbuns novos por mês e veja se você não fica desproporcionalmente entusiasmado ao ouvir algo diferente). Às vezes, porém, um disco consegue penetrar as defesas do crítico simplesmente por ser belíssimo. “Rivermind” — o sexto álbum do guitarrista Hugo Fernández, nascido no México e radicado em Berlim — é um destes discos.

Com sua formação de quarteto composta por guitarra, piano (Daniel Stawinski), baixo (Giacomo Tagliava) e bateria (Matthias Ruppnig), “Rivermind” não é um álbum de fogos de artifício. Isso não quer dizer que não haja audácia envolvida aqui. A faixa-título e “Dancing Leafs” brincam com a forma e a métrica, enquanto “Playing Chase” e “La Sonaja” apresentam mudanças inesperadas. Porém, todos esses elementos são tratados com leveza e atenção aos detalhes. É isso, e não a irreverência do pós-bop, que confere ao disco sua singularidade.

Bem, isso e a elegância lírica que os solistas, em particular, trazem para a festa. Tagliava assume um papel de destaque incomum aqui; ele executa solos frequentes, incluindo o primeiro na faixa de abertura “Babaob”, uma passagem ágil e sinuosa que, apesar de sua suavidade, se mantém próxima ao registro grave. Os tons suaves e luminosos de Stawinski impressionam ao longo da sessão, mas seu ponto alto é em "Big Hope", em 7/8, onde ele traz uma perspectiva harmônica à la Monk e consegue fazer com que o compasso ímpar sugira uma clave (embora parte desse mérito seja de Ruppnig, que nunca faz solos, mas também nunca deixa de inovar com seus padrões de acompanhamento). Enquanto isso, Fernandez soa maravilhosamente bem em qualquer lugar. Ele possui um tom claro e aberto (às vezes com uma camada muito fina de distorção), que se mostra muito eficaz em sua estrutura poética em “Brightsteps” e em seus longos versos exploratórios em “La Sonaja”.

E é isso. Sem reinventar a roda, apenas alguns truques simples: é tudo o que Fernández e o quarteto precisam para elevar “Rivermind” ao patamar de superlativo.

Faixas

1.Babaob 05:12

2.Rivermind 04:39

3.Playing Chase 04:03

4.Brightsteps 04:56

5.Big Hope 05:35

6.La Sonaja 05:25

7.Dancing Leafs 04:26

Músicos: Daniel Stawinski – piano; Giacomo Tagliavia – baixo; Mathias Ruppnig – bateria; Hugo Fernández - guitarra & composições.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=A9zsYtOAiyQ

Fonte: Michael J. West (DownBeat)

 

 

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