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sábado, 15 de agosto de 2026

ALMUT KÜHNE / JOÃO PEDRO BRANDÃO / MARCOS CAVALEIRO - STONES AND SEEDS (Carimbo Porta-Jazz)

Na edição 2025 do Festival Porta-Jazz houve um concerto que se destacou particularmente: o trio How Noisy Are The Rooms? juntava Alfred Vogel (bateria), Joke Lanz (toca-discos) e Almut Kühne (voz) e, a par da boa dinâmica coletiva, destacavam-se as capacidades da vocalista. O concerto acabou por ser distinguido como um dos melhores do ano na votação anual da jazz.pt e na altura escrevemos: «A voz de Almut Kühne destacou-se como um verdadeiro acontecimento: livre, inventiva e profundamente consciente do processo improvisacional, mostrou que o território vocal no jazz está longe de se esgotar.»

A cantora, natural de Dresden (nascida em 1983) e radicada em Berlim, juntou-se agora a dois músicos portugueses para formar um curioso trio. Com o saxofonista João Pedro Brandão e o baterista Marcos Cavaleiro, dois dos mais versáteis e criativos músicos da nossa terra, nasceu este projeto que acaba de editar, através do Carimbo Porta-Jazz, a sua estreia discográfica: “Stones and Seeds”. Neste disco começamos por ouvir o trio em diálogo improvisado, onde as ideias se vão agregando. Kühne empresta a sua voz camaleônica, que vai alternando de registros. As intervenções de Brandão são afirmativas e aqui, além do habitual saxofone, serve-se ainda da flauta, do clarinete e do órgão. E, na percussão, Cavaleiro é oportuno, atento e dialogante. Num encontro feliz, os três músicos contribuem para uma música mutante, uma massa sonora que vai crescendo e evoluindo com cada gesto e intervenção.

O primeiro destaque irá para a voz de Almut Kühne, que já não será uma surpresa, mas é uma confirmação, não só pela riqueza e amplitude de recursos que apresenta, mas sobretudo pela forma inteligente com que sabe aplicar cada recurso em cada situação (e que encontrará paralelo nos trabalhos de Mariana Dionísio e Vera Morais). É sempre um prazer ouvirmos Brandão, que se desdobra entre a organização da associação Porta-Jazz e, artisticamente, entre o Coreto, a Orquestra Jazz de Matosinhos ou o seu excelente Trama no Navio — e gostávamos de ver mais trabalho autoral em nome próprio. Também Cavaleiro se multiplica em parcerias e aqui ouvimo-lo de um modo mais livre e desassombrado.

O grupo luso-germânico revela uma permanente escuta ativa, num jogo constante de ação e reação. Os músicos tiram-nos o tapete, lançam novas luzes, despejam muitas ideias e, durante o tempo todo, trabalham uma comunicação muito fluida. E daqui resulta uma música que vai atravessando diferentes ambientes: é espectral, é exploratória, é desafiante. Esta música não é fácil de ouvir, poderá não ser apelativa a todos os ouvintes. No tema final, “Airwaves”, somos assombrados por sussurros fantasmagóricos: os agudos do sax de Brandão e da voz de Kühne intersectam-se, deixando o ouvinte confuso sem saber onde termina um e começa o outro. Este disco é uma verdadeira experiência imersiva, onde assistimos, em tempo real, ao processo criativo de três músicos em plena invenção.

Faixas

1.Stones in rivers 08:19

2.Carried by wind 05:02

3.Evasti 05:37

4.Seeds: life not yet to come 05:19

5.Glasklar 02:52

6.Os círculos que desenhamos 07:13

7.Airwaves 02:42

Músicos: Almut Kühne (voz); João Pedro Brandão (flauta, clarinete, saxofone, órgão); Marcos Cavaleiro (percussão).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=uODFKhXwC7M

Fonte: Nuno Catarino (jazz.pt)

 

 

 

 

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