Muita música improvisada pode ser efêmera, mas "Here
Today Gone Tomorrow" captura o quarteto de longa data do saxofonista
britânico Paul Dunmall no auge de sua lucidez coletiva. Com o pianista Liam
Noble, o baixista John Edwards e o baterista Mark Sanders, o grupo apresenta
três blocos de free jazz sem concessões, exibindo a rara segurança de
uma banda que já acumulou uma sólida experiência de trabalho conjunto. Ao longo
dos anos, eles aprimoraram tal entrosamento que, em uma característica que
distingue as melhores equipes independentes, a responsabilidade pela navegação
em terrenos desconhecidos é compartilhada igualmente.
Apesar de ter assumido o status de veterano, Dunmall
permanece uma força versátil, mas que sabe haver força em moldar linhas que
constroem tensão sem recorrer a clímaxes fáceis. Noble recorre a um vasto
repertório estilístico para comentários que variam de sutis inflexões harmônicas
a elementos percussivos. Únicos à sua própria maneira, Edwards e Sanders formam
a dupla de baixo e bateria mais requisitada do país, com talentos que lhes
renderam reconhecimento na Europa e além-fronteiras, incluindo colaborações
individuais com a flautista Nicole Mitchell, a pianista Myra Melford, o
trompetista Wadada Leo Smith e os instrumentistas de palheta Evan Parker, John
Butcher e Joe McPhee, para citar apenas alguns.
Como banda, eles geram uma interação que não depende de
sequências de solos individuais para ganhar peso. Edwards e Sanders incendeiam
uma mistura constante e maleável de ritmo e cor que, mesmo na ausência de
métrica, ainda evoca ímpeto. Quando Dunmall entra na faixa-título, ele o faz
com um motivo de canto que teria deixado John Coltrane orgulhoso, estendendo-o
em variações sinuosas interrompidas por rajadas de abstração e gritos
vocalizados. Na sequência, o foco do grupo muda com fluidez, com cada episódio
desdobrando-se no seguinte segundo uma lógica interna que surpreende tanto quanto
satisfaz.
Noble e Edwards esculpem um prelúdio ágil para
"Speaking Silence", no qual um piano de notas esparsas disputa espaço
com rangidos tensos de arco, avançando em um dueto de fluidez mercurial. Quando
Dunmall ecoa brevemente o fraseado do pianista, isso funciona como um elemento
unificador, reforçando a coesão, mas também sugerindo novas possibilidades. No
entanto, mudanças bruscas de direção podem surgir de qualquer lado: na faixa de
encerramento, "Lights", detonações de bateria desencontradas e
batidas de baixo secas e vibrantes impulsionam o grupo a um movimento
espasmódico e staccato que, por fim, suaviza-se para uma conclusão melódica
conduzida pelo líder.
O que emerge não é uma sequência de números
preestabelecidos, mas um ato contínuo de criação, no qual o domínio individual
serve às necessidades do momento. O resultado é um álbum cuja arquitetura em
evolução deslumbra tanto pela espontaneidade quanto pela forma.
Faixas: Here
Today Gone Tomorrow; Speaking Silence; Lights.
Músicos: Paul Dunmall (saxofones tenor e soprano); Liam
Noble (piano); John Edwards (baixo acústico); Mark Sanders (bateria).
Fonte: John
Sharpe (AllAboutJazz)

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