Ches Smith, baterista nascido em San Diego e criado em
Sacramento, que estudou filosofia na Universidade de Oregon antes de mergulhar
de cabeça na cena musical experimental da Bay Area, é há muito tempo um
dos espíritos mais inquietos do jazz moderno. Seu extenso currículo inclui
trabalhos com Marc Ribot, Tim Berne, John Zorn, Mary Halvorson e Nels Cline,
consolidando sua reputação como um dos principais arquitetos rítmicos da
vanguarda e do jazz progressivo. Após o aclamado álbum com seu grupo de dez
integrantes, "Laugh Ash (Pyroclastic, 2024)”, Smith deu uma guinada ousada
que faria muitos líderes de banda suarem frio: ele desmontou toda a estrutura e
a reconstruiu com apenas quatro músicos.
O título pode sugerir ficção científica distópica, mas o que
Smith clonou foi um som que combina o conforto do familiar com um choque de
surpresa. A sintonia do quarteto parece telepática, forjada por anos de
encontros na cena musical criativa de Nova York. Halvorson e Ellman transitam
entre uma perfeita sintonia harmônica e uma colisão deliberada, mantendo a
música imprevisível, mas sempre envolvente.
"Ready Beat" define a declaração de missão. A
complexidade rítmica nunca compromete o balanço, e a bateria de Smith evita
exibicionismos em favor da construção de uma base flexível e responsiva. Texturas
de sintetizador cintilantes e seu trabalho ágil com o vibrafone permeiam a
música enquanto a banda cria linhas uníssonas intrincadas, que desafiam a
audição. A interação entre diálogos de guitarra excêntricos e fraseados lineares
e incisivos conferem à peça uma energia inquieta. "Abrade With Me"
demonstra a versatilidade do grupo, transitando de diálogos sussurrados a uma
intensidade avassaladora e explosões punk de vanguarda.
"Town Down" é uma concisa conversa musical de
quatro minutos, impulsionada por uma pulsação de rock distorcida e mudanças de
ritmo. "Heart Breakthrough" inclina-se para a melodia sem perder a
força, moldada pelo vibrafone discreto de Smith e uma batida de percussão eletro-world.
Os guitarristas respondem com trocas rápidas e reviravoltas tonais
surpreendentes, dando à faixa um brilho inquieto.
Com “Clone Row”, Smith prova que reduzir as forças pode
aprimorar a precisão. Despojada da grandiosidade orquestral, a música
concentra-se no que torna sua obra tão fascinante: a busca pela beleza no
espaço instável entre o caos e a estrutura. É ao mesmo tempo focado e
destemido, executado por um quarteto que toca com a segurança de uma banda
consolidada, e não de um grupo que se reuniu pela primeira vez em 2019.
Este não é apenas mais um ótimo lançamento no catálogo de
Smith. É uma declaração de intenções de um artista ainda ávido por redesenhar
os limites do jazz progressivo. Essencial para qualquer pessoa curiosa sobre os
rumos da música criativa em 2025, este álbum proporciona tanto a emoção da
exploração quanto a satisfação de chegar a um lugar completamente novo.
Faixas: Ready
Beat; Abrade With Me; Clone Row; Town Down; Heart Breakthrough; Sustained
Nightmare; Play Bell (For Nick).
Músicos: Ches Smith (bateria, vibrafone, eletrônica); Mary
Halvorson (guitarra); Liberty Ellman (guitarra); Nick Dunston (baixo,
eletrônica).
Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo
abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=7qLjgYzT0f8
Fonte: Glenn
Astarita (AllAboutJazz)

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