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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

JAMES MOODY - 80 YEARS YOUNG : LIVE AT THE BLUE NOTE, MARCH 26, 2005

 Quando se trata de diversão, poucos eventos se comparam a uma festa de aniversário. A diversão é claramente o tema principal de “80 Years Young: Live at the Blue Note”, gravado na famosa casa noturna nova-iorquina em 26 de março de 2005, para celebrar o octogésimo aniversário do saxofonista James Moody, e lançado na mesma data em 2025 para homenagear o centenário de seu nascimento. Moody, que com o trompetista Dizzy Gillespie formou uma das duplas mais bem-humoradas e divertidas da história do jazz, faleceu em dezembro de 2010 aos oitenta e cinco anos.

Além de ser um músico de jazz excepcional, Moody era um monologista e artista fascinante, talento que revela logo de início na espirituosa e cômica "Benny's from Heaven" e, mais tarde, na encantadora "Moody's Mood for Love", em cada uma delas demonstrando sua inclinação para o iodelei (NT: é uma técnica vocal que troca a voz de peito (grave) pela voz de cabeça ou falsete (aguda) de forma rápida e repetida) e utilizando diversas mudanças de voz e comportamento para enfatizar a mensagem cômica. Após uma breve introdução do empresário George Wein, Moody mergulha de cabeça na história farsesca de "Benny", que espera seu pai/soldado após três anos de serviço militar e ouve, em resposta às suas perguntas compreensivelmente confusas sobre a origem de seu filho, que "Benny é do Céu". Moody usa todos os meios à sua disposição para embelezar a narrativa implausível, e o público engole tudo, recompensando sua malandragem com uma ovação estrondosa.

Moody transita do saxofone tenor para a flauta no clássico atemporal de Ray Noble, "Cherokee", percorrendo com facilidade o andamento mercurial e as rigorosas mudanças de acordes para acentuar seu domínio do instrumento, ao mesmo tempo que deixa amplo espaço para solos vibrantes e precisos do pianista David Hazeltine e do baterista Adam Nussbaum. "Moody's Mood", que se tornou um sucesso inesperado e o colocou definitivamente no mapa musical em 1952 (apesar de ter sido gravada na Suécia, onde Moody morava na época, e quase como uma reflexão tardia no final de uma longa sessão), é a próxima música. Aqui, mais uma vez, Moody recorre ao seu vasto repertório de recursos retóricos para acentuar a letra inteligente, improvisando vocalmente, cantando iodelei e usando sua notável flexibilidade para imitar as personas masculina e feminina da canção, antes de mergulhar em um breve, porém perspicaz, "Television Rap".

Assim que Moody encerra as brincadeiras cômicas, ele vai direto ao assunto, convidando vários de seus amigos peso-pesado ao palco para coroar a celebração. Entre eles, os trompetistas Jon Faddis e Randy Brecker, o trombonista Slide Hampton, o virtuoso dos instrumentos de sopro Paquito D'Rivera e, na última música, o pianista Cedar Walton. O "conjunto de jazz" que ocupa bem mais da metade dos sessenta e quatro minutos de duração do álbum, apresenta um trio de composições estelares de Gillespie: "Birk's Works", "Bebop" e "Ow". Cada um deles tem sua vez, e ninguém deixa de ser criativo e envolvente. "Bebop", que parece ter sido escrita para desafiar até os músicos mais experientes, é especialmente revigorante, com seus implacáveis ​​obstáculos rítmicos facilmente superados graças aos solos precisos e vigorosos de todos os músicos, incluindo D'Rivera no clarinete.

Ainda que as passagens em grupo nessas músicas sejam um pouco irregulares (afinal, foram improvisadas), isso não diminui em nada a alegria e a emoção que envolvem uma ocasião verdadeiramente especial. Mesmo em seu octogésimo aniversário, Moody continuava no auge de sua carreira, tocando e improvisando como alguém muitos anos mais jovem, fazendo com que "80 Anos Jovem" parecesse muito mais do que um mero bordão. Esta é uma festa de aniversário que você ficaria mais do que feliz em participar.

Faixas: Introduction – George Wein; Benny’s from Heaven; Cherokee; Moody’s Mood for Love / The Television Rap; Moody Speaks; Birks' Works; Bebop; Happy Birthday; Ow; Centerpiece / Every Day I Have the Blues*; Darben, the Redd Foxx*; Polka Dots and Moonbeams*; St. Thomas*.

Músicos: James Moody (instrumentos de sopro de palhetas); David Hazeltine (piano); Todd Coolman (baixo); Adam Nussbaum (bateria); Jon Faddis (trompete [6-9]; Paquito D'Rivera (clarinete [6-9]); Slide Hampton (trombone [6-9]); Randy Brecker (flugelhorn [7-9]); Cedar Walton (piano [9]); George Wein MC; Roberta Gambarin (voz [10*,12*])

Fonte: Jack Bowers (AllAboutJazz)


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