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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

KONRAD CIESIELSKI – KONIEC (Mindses Music)

Konrad Ciesielski parece um homem de contradições: um baterista de “extreme metal” (NT: é um termo coletivo para subgêneros do heavy metal marcados por alta agressividade sonora, letras sombrias e forte estética underground), que também toca “stoner rock” (NT: é um subgênero do rock e do heavy metal que mistura o peso do doom metal com a psicodelia do acid rock e o groove do blues-rock) do sul dos EUA paralelamente; alguém que é barulhento e poderoso, mas dotado de uma graça fluida, e que agora faz sua estreia solo com o título “Koniec (The End)”. Representando uma mudança de rumo em relação à sua trajetória anterior, trata-se de um panorama musical abrangente, de escala verdadeiramente vasta. No entanto, ao final desse filme virtual para os ouvidos, todas essas coisas nem sequer parecem contradições. O panorama é simplesmente vasto e abrangente o suficiente para comportar um pouco de tudo.

Sem se prender a um gênero específico, Ciesielski mantém o foco central no ritmo e se deleita ao explorar uma variedade de sonoridades eletrônicas futuristas. Padrões melódicos, muitas vezes minimalistas, ainda evocam um drama genuíno, por vezes, capaz de fazer o coração disparar, sem recorrer a teatralidade exagerada. Suas raízes no metal transparecem em sua disposição para soar alto ou agressivo; a faixa cyberpunk "Miscommunication Land" sobrepõe cantos quase mecânicos a um sintetizador de timbre zumbidor que ressoa e despenca com o peso de um buraco negro. No momento mais orgânico do álbum, "Labyrinthine" martela um transe de percussão tribal saído dos pesadelos de Peter Gabriel.

Embora a ambientação de ficção científica pudesse facilmente soar distópica, Koniec preserva insistentemente algo humano em meio à frieza. "Out of Gravity" gira em torno de uma voz incongruentemente fofa que divaga, em inglês, sobre devaneios celestiais. O balanço com um leve toque de rock progressivo de "Kamdra" dá lugar a um monólogo em polonês, suficientemente sereno para soar quase filosófico. Várias passagens apresentam um saxofone ou trompete criando cânions de eco, como se ressoassem pelo espaço sideral. Esses momentos evocam intensamente a atmosfera etérea e psicodélica do Portico Quartet, combinada a uma sonoridade de escala cinematográfica que remete à vertente mais grandiosa da obra tardia de Ryuichi Sakamoto.

Cada uma dessas peças parece habitar um mundo próprio, que continua a existir para além dos poucos minutos que podemos ouvir. A experiência parece constantemente tingida por algo estranho, mas quase sempre mantém uma pulsação orgânica palpável para impulsionar o motor de dobra. Com ambição e imaginação de sobra, espera-se que este Fim se mostre apenas o começo de coisas ainda mais fascinantes.

Faixas: Out of Gravity; Miscommunication Land; Taganana; Kamdra; Labyrinthine; Znaczenie; To Beginning.

Músicos: Konrad Ciesielski (bateria); Patrycja Tempska (saxofone); Dawid Lipka (trompete); Gabriela Wasilewska(vocal); Joanna Gośniowska-Budzisz (vocal); Jan Galbas (piano); Wojciech Łącki (baixo); Krzysztof Traczyk (vocal); Konrad Ciesielski e Maciej Stendek (mixagem e produção).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=x779Sp-5dEo

Fonte: Geno Thackara (AllAboutJazz)

 

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