Konrad Ciesielski parece um homem de contradições: um
baterista de “extreme metal” (NT: é um termo coletivo
para subgêneros do heavy metal marcados por alta agressividade sonora, letras
sombrias e forte estética underground), que também toca “stoner rock” (NT: é um subgênero do rock e do heavy metal que mistura o
peso do doom metal com a psicodelia do acid rock e o groove do blues-rock)
do sul dos EUA paralelamente; alguém que é barulhento e poderoso, mas dotado de
uma graça fluida, e que agora faz sua estreia solo com o título “Koniec (The
End)”. Representando uma mudança de rumo em relação à sua trajetória anterior,
trata-se de um panorama musical abrangente, de escala verdadeiramente vasta. No
entanto, ao final desse filme virtual para os ouvidos, todas essas coisas nem
sequer parecem contradições. O panorama é simplesmente vasto e abrangente o
suficiente para comportar um pouco de tudo.
Sem se prender a um gênero específico, Ciesielski mantém o
foco central no ritmo e se deleita ao explorar uma variedade de sonoridades
eletrônicas futuristas. Padrões melódicos, muitas vezes minimalistas, ainda
evocam um drama genuíno, por vezes, capaz de fazer o coração disparar, sem
recorrer a teatralidade exagerada. Suas raízes no metal transparecem em sua
disposição para soar alto ou agressivo; a faixa cyberpunk
"Miscommunication Land" sobrepõe cantos quase mecânicos a um
sintetizador de timbre zumbidor que ressoa e despenca com o peso de um buraco
negro. No momento mais orgânico do álbum, "Labyrinthine" martela um
transe de percussão tribal saído dos pesadelos de Peter Gabriel.
Embora a ambientação de ficção científica pudesse facilmente
soar distópica, Koniec preserva insistentemente algo humano em meio à frieza. "Out
of Gravity" gira em torno de uma voz incongruentemente fofa que divaga, em
inglês, sobre devaneios celestiais. O balanço com um leve toque de rock
progressivo de "Kamdra" dá lugar a um monólogo em polonês,
suficientemente sereno para soar quase filosófico. Várias passagens apresentam
um saxofone ou trompete criando cânions de eco, como se ressoassem pelo espaço
sideral. Esses momentos evocam intensamente a atmosfera etérea e psicodélica do
Portico Quartet, combinada a uma sonoridade de escala cinematográfica que
remete à vertente mais grandiosa da obra tardia de Ryuichi Sakamoto.
Cada uma dessas peças parece habitar um mundo próprio, que
continua a existir para além dos poucos minutos que podemos ouvir. A
experiência parece constantemente tingida por algo estranho, mas quase sempre
mantém uma pulsação orgânica palpável para impulsionar o motor de dobra. Com
ambição e imaginação de sobra, espera-se que este Fim se mostre apenas o começo
de coisas ainda mais fascinantes.
Faixas: Out
of Gravity; Miscommunication Land; Taganana; Kamdra; Labyrinthine; Znaczenie;
To Beginning.
Músicos:
Konrad Ciesielski (bateria); Patrycja Tempska (saxofone); Dawid Lipka
(trompete); Gabriela Wasilewska(vocal); Joanna Gośniowska-Budzisz (vocal); Jan
Galbas (piano); Wojciech Łącki (baixo); Krzysztof Traczyk (vocal); Konrad
Ciesielski e Maciej Stendek (mixagem e produção).
Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo
abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=x779Sp-5dEo
Fonte: Geno Thackara (AllAboutJazz)

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