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terça-feira, 6 de outubro de 2026

MASABUMI KIKUCHI – HANAMICHI : THE FINAL STUDIO RECORDING VOL. II (Red Hook Records)

O pianista japonês Masabumi Kikuchi (1939–2015) conquistou reconhecimento graças aos álbuns lançados em seu próprio nome — mais de 30 discos — e ao trabalho com o baterista Paul Motian e o baixista Gary Peacock no grupo Tethered Moon. Mas ele merecia mais. Ele era um artista singular que trabalhava com uma dedicação inspirada, ainda que algo peculiar, típica de um músico de ofício, até florescer na fase final de sua carreira com dois álbuns excelentes pelo selo ECM Records: "Sunrise" (2009), um trabalho em trio com o baixista Thomas Morgan e o baterista Paul Motian, e "Black Orpheus" (2012), um álbum solo gravado ao vivo.

Nessa altura, sua carreira estava quase no fim (ele faleceu de câncer de pulmão em 2015), e ele havia encontrado a sua voz. Ele executava as notas de forma parcimoniosa e lenta. Era uma abordagem econômica, algo semelhante ao trabalho de Paul Bley em “Open, To Love (ECM Records, 1972)”. Suas peças improvisadas eram invocações. Suas interpretações dos clássicos eram reveladoras.

Lançado postumamente em 2016, “Hanamichi: The Final Studio Recording (Red Hook Records)” traz músicas de uma sessão de estúdio de 2013 produzida por Sun Chung, que fundou o selo Red Hook após dez anos de trabalho na ECM Records. Foi uma sessão excelente, captando Kikuchi tocando quando já havia alcançado a perspectiva que lhe permitia reduzir a música à sua pura essência, um estilo taciturno, situado além do tempo e do compasso, que possibilitava apreciar a beleza que ele estava criando.

Isso nos leva a “Hanimichi: The Final Studio Recordings Vol. II”, gravado na mesma sessão que o primeiro Hanamichi. Esta sequência é tão fascinante quanto a anterior, no uso de silêncios e na delicadeza do toque, justapostos a rompantes de loquacidade, empregados com parcimônia, bem como em sua sonoridade e harmonia etéreas.

Kikuchi apresenta quatro standards separados por três improvisações angulosas e de contornos abruptos. Ele trata o Grande Repertório Estadunidense como um bloco de argila maleável. "I Loves You Porgy" parece mais uma improvisação do que uma releitura de um standard, com fragmentos fugazes de melodia que a mantêm na órbita da familiaridade, ainda que por pouco. "Manhã de Carnaval" é uma peça de beleza singular, talvez melodicamente mais fiel ao original do que "Porgy", e "My Ship", de Kurt Weill, possui uma grandeza serena. As improvisações possuem uma qualidade de busca, impulsionada pela natureza curiosa de Kikuchi, que se vale daquilo que ele chamava de "originalidade reclusa".

Kikuchi era pouco convencional. Sua música vinha de sua alma, e sua alma era algo belo.

Faixas: Manhã de Carnaval; Improvisation II; Alone Together; Improvisation III; I Loves You Porgy; Improvisation IV; My Ship.

Fonte: Dan McClenaghan (AllAboutJazz)

 

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