Wolfgang Muthspiel tem dedicado sua criatividade na
guitarra/violão por um longo período, atuando como líder em quase uma dúzia de
formações diferentes, desde trabalhos solo a grandes espetáculos com big
bands e trios, especialmente trios. Há o seu trabalho com o trio MGT (com
Slava Grigoryan e Ralph Towner), outro com Larry Grenadier e Brian Blade, e
depois o trabalho que fez com Brad Mehldau e Ambrose Akinmusire e o Autria
String Trio (com Benjamin Schmid e Florian Eggner). Todos eles satisfatórios. Porém,
igualmente gratificante é a nova gravação do Wolfgang Muthspiel Chamber Trio,
“Atlas”. Ao descrever o grupo em seu site, Muthspiel afirma que o objetivo do
grupo "é criar uma rede musical polifônica e interativa que abrace a
intimidade e a transparência das formações de música de câmara sem sacrificar o
poder rítmico ou um senso de improvisação lúdica". É fascinante o que essa
combinação de Muthspiel nas guitarras, Mario Rom no trompete e Colin Vallon no
piano pode fazer. Isso não é o que se poderia imaginar como um grupo de câmara.
Eles dispensam a pompa e a formalidade da música clássica para se concentrarem
no som, na improvisação e na criatividade. Tomemos como exemplo a quarta faixa
do álbum, "Lionel", uma clara homenagem a Lionel Loueke, outro
colaborador do trio (com Linda May Han Oh no álbum “Confluence”). A música
começa com Muthspiel raspando ritmicamente as cordas e usando o corpo do violão
como instrumento de percussão para introduzir uma batida cardíaca antes de Rom
e Vallon entrarem com a melodia. Há um pé no mundo dos estudos musicais, outro
na improvisação do jazz moderno e apenas um toque do sabor da mãe África. Os
vocais, doces e simples, entram na paleta sonora, e então, por volta dos 6
minutos, a beleza é interrompida por uma fúria teatral de guitarra elétrica,
que pega o ouvinte de surpresa, mas que faz todo o sentido. A execução neste
álbum é belíssima. O trabalho de Muthspiel no violão em músicas como
"Gaucho Shubert", a faixa de abertura, simplesmente brilha. Com sobreposições,
demonstrações de pura precisão técnica e solos improvisados, há muito o que
apreciar nesta gravação. E um enorme agradecimento à equipe que gravou, mixou e
masterizou este trabalho. O som é tão impecável quanto a qualidade musical.
Faixas
1.Guacho
Schubert 08:41
2.Atlas
06:53
3.Might
This Be The End 06:04
4.Lionel
06:14
5.Vevey
07:42
6.Duke's
Blues 04:07
7.Spring
04:08
8.Dogs
05:48
9.Ballard
03:45
10.Etude
Nr 11.5 02:56
Fonte: Frank Alkyer (DownBeat)

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