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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

WOLFGANG MUTHSPIEL – ATLAS (Clap Your Hands)

Wolfgang Muthspiel tem dedicado sua criatividade na guitarra/violão por um longo período, atuando como líder em quase uma dúzia de formações diferentes, desde trabalhos solo a grandes espetáculos com big bands e trios, especialmente trios. Há o seu trabalho com o trio MGT (com Slava Grigoryan e Ralph Towner), outro com Larry Grenadier e Brian Blade, e depois o trabalho que fez com Brad Mehldau e Ambrose Akinmusire e o Autria String Trio (com Benjamin Schmid e Florian Eggner). Todos eles satisfatórios. Porém, igualmente gratificante é a nova gravação do Wolfgang Muthspiel Chamber Trio, “Atlas”. Ao descrever o grupo em seu site, Muthspiel afirma que o objetivo do grupo "é criar uma rede musical polifônica e interativa que abrace a intimidade e a transparência das formações de música de câmara sem sacrificar o poder rítmico ou um senso de improvisação lúdica". É fascinante o que essa combinação de Muthspiel nas guitarras, Mario Rom no trompete e Colin Vallon no piano pode fazer. Isso não é o que se poderia imaginar como um grupo de câmara. Eles dispensam a pompa e a formalidade da música clássica para se concentrarem no som, na improvisação e na criatividade. Tomemos como exemplo a quarta faixa do álbum, "Lionel", uma clara homenagem a Lionel Loueke, outro colaborador do trio (com Linda May Han Oh no álbum “Confluence”). A música começa com Muthspiel raspando ritmicamente as cordas e usando o corpo do violão como instrumento de percussão para introduzir uma batida cardíaca antes de Rom e Vallon entrarem com a melodia. Há um pé no mundo dos estudos musicais, outro na improvisação do jazz moderno e apenas um toque do sabor da mãe África. Os vocais, doces e simples, entram na paleta sonora, e então, por volta dos 6 minutos, a beleza é interrompida por uma fúria teatral de guitarra elétrica, que pega o ouvinte de surpresa, mas que faz todo o sentido. A execução neste álbum é belíssima. O trabalho de Muthspiel no violão em músicas como "Gaucho Shubert", a faixa de abertura, simplesmente brilha. Com sobreposições, demonstrações de pura precisão técnica e solos improvisados, há muito o que apreciar nesta gravação. E um enorme agradecimento à equipe que gravou, mixou e masterizou este trabalho. O som é tão impecável quanto a qualidade musical.

Faixas

1.Guacho Schubert 08:41

2.Atlas 06:53

3.Might This Be The End 06:04

4.Lionel 06:14

5.Vevey 07:42

6.Duke's Blues 04:07

7.Spring 04:08

8.Dogs 05:48

9.Ballard 03:45

10.Etude Nr 11.5 02:56

Fonte: Frank Alkyer (DownBeat)  

 

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