Plas Johnson (na foto), saxofonista tenor de jazz e R&B
cujo som, se não o seu nome, era conhecido por milhões de pessoas de várias
gerações, morreu em 15 de julho em uma comunidade de aposentados em Los Angeles.
Faltavam seis dias para ele completar 95 anos. Sua morte foi confirmada ao New
York Times por seus filhos, Eric Johnson e Stephanie Oliver.
O momento icônico de Johnson ocorreu quando, em 1963, ele executou
a linha de saxofone sinuosa e de sonoridade aveludada no tema composto por
Henry Mancini para o filme “A Pantera Cor-de-Rosa”, estrelado por Peter Sellers.
O filme tornou-se um sucesso internacional, assim como o tema musical, que foi
indicado tanto ao Oscar quanto ao Grammy. Quando o filme deu origem a uma
versão em desenho animado da Pantera Cor-de-Rosa e a uma franquia, o saxofone
de Johnson tornou-se tão lendário entre crianças de todo o mundo quanto entre
os adultos.
No entanto, Johnson teve uma carreira musical mais completa
e rica do que seus três minutos de fama no cinema sugerem. Natural da
Louisiana, ele tocou em uma banda familiar quando criança e, posteriormente, em
parceria com o irmão em Nova Orleans, antes de se mudar para Los Angeles e
construir uma carreira como músico de estúdio. Ele foi saxofonista contratado
da Capitol Records e também trabalhou regularmente com a Wrecking Crew, um
grupo que reunia os músicos de estúdio mais prolíficos do mercado entre as décadas
de 1950 e 1990. Ele integrou a banda do programa The Merv Griffin Show
em 1970, permanecendo nela pelos 15 anos seguintes.
Plas John Johnson Jr. nasceu em 21 de julho de 1931, em
Donaldsville, Louisiana, uma cidade entre Baton Rouge e Nova Orleans. A família
era musical, e Plas cantava com eles antes de seu pai lhe dar um saxofone
soprano, quando ele tinha 12 anos. O pai de Johnson também lhe deu noções
básicas, mas ele foi, em grande parte, autodidata e passou para os saxofones
alto, tenor e barítono à medida que evoluía.
Ele e seu irmão Ray, um pianista, tocaram em Nova Orleans
como Johnson Brothers até ele começar a fazer turnê com o cantor de rhythm and
blues Charles Brown, em 1951. Convocado para o Exército naquele mesmo ano,
Johnson tocou em uma banda militar na Califórnia. Após dar baixa em 1954,
mudou-se para Los Angeles e começou a trabalhar com o cantor Johnny Otis e o
saxofonista Maxwell Davis. Ele rapidamente chamou a atenção de Dave Cavanaugh,
produtor da Capitol Records, que passou a escalá-lo para sessões de estúdio
abrangendo jazz, pop, R&B, rock ’n’ roll e trilhas sonoras de filmes.
Muito antes da sessão de “A Pantera Cor-de-Rosa”, Johnson
havia tocado como músico de apoio para Frank Sinatra, Sarah Vaughan, Ella
Fitzgerald, Rosemary Clooney e Peggy Lee, além de ter executado o famoso
fraseado de flauta piccolo no single "Rockin’ Robin", de Bobby Day,
lançado em 1958. Após “A Pantera Cor de Rosa” (no qual Johnson participou como
membro fixo da Henry Mancini Orchestra), ele também tocou no álbum “Pet Sounds”,
dos Beach Boys, bem como em discos de The Monkees, Barbra Streisand, Marvin
Gaye e Teena Marie.
Johnson gravou pela primeira vez sob seu próprio nome em
1956. Ele liderou gravações esporádicas nas três décadas seguintes, além de
apresentações em festivais de jazz ao redor do mundo (Ele também gravou dois
álbuns de jazz easy listening (NT: é um estilo
musical leve e relaxante, criado para servir de som de fundo) na década
de 1960 sob o pseudônimo de Johnny Beecher). Enquanto tocava na banda de
Griffin, ele também manteve trabalhos paralelos como músico de estúdio,
tornando-se membro regular da orquestra de estúdio de Nelson Riddle e das
bandas "All-Star" e "Super" de Gene Harris na década de
1980. Em 2006, Johnson reviveu seu sucesso comercial ao gravar uma nova versão
do tema da Pantera Cor-de-Rosa para uma reinicialização da franquia
cinematográfica estrelada por Steve Martin.
Além de Eric Johnson e Stephanie Oliver, Johnson deixa sua
segunda esposa, Carol Johnson (um casamento anterior, com Elizabeth
Blinkenberg, terminou em divórcio). Outros quatro filhos, Cheryl Johnson, David
Johnson, Denise Hurley e Philip Nunn; oito netos e 12 bisnetos.
Como homenagem, assistam ao vídeo abaixo com o solo
histórico de Plas Johnson.
https://www.youtube.com/watch?v=VyZiIuMufTA
Fonte:
Michael J. West (DownBeat)

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