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domingo, 13 de setembro de 2026

MICHAEL DEASE - GROVE'S GROOVE (Le Coq Records)

A história da jornada de Michael Dease do sax ao trombone e de volta é algo que qualquer pai de uma criança com talento musical poderia reconhecer. Dease começou como saxofonista alto no ensino médio. Algum tempo depois, ele quis mudar para o sax barítono. Ele trabalhou nisso. E trabalhou nisso um pouco mais. Sua combinação de talento e prática valeu a pena. Dease tornou-se uma espécie de monstro jovem no instrumento, superando seus companheiros de banda mais velhos no ensino médio. Porém, o diretor da banda não sucumbiu ao fascínio do mero talento. Regras são regras. A antiguidade tem seus privilégios. Então, Dease não foi autorizado a tocar sax barítono porque isso deslocaria um músico mais experiente. Um ressentimento nasceu: "para mim, o sax barítono tem sempre significado político". Dease buscou refúgio tocando trombone após ouvir Curtis Fuller em “Blue Train” de John Coltrane (Blue Note, 1958). O sax tornou-se um prazer culpado. Ninguém encorajou uma dupla tão estranha por medo de que ele não fosse levado a sério em nenhuma dos instrumentos de sopro. Se um leitor chegou até aqui e pensou "Sorte de Benny Carter, esse garoto não se agarrou a Lee Morgan", bem, aí está. O talento encontra seu próprio caminho e sua própria voz, não obstante os diretores da banda. Roy Hargrove ouviu Dease tocando sax tenor, tomou-o seriamente e o encorajou. Era tudo o que Dease precisava, de alguma forma pensando que Hargrove poderia saber um pouco mais do que seu antigo diretor de banda.

Assim, aqui, o ouvinte tem o resultado do talento de Dease, o talento de Hargrove e o bom senso, e, talvez, alguma sorte. Acompanhado por uma galáxia de excelentes instrumentistas, Ex-alunos e amigos de Hargrove, há uma riqueza de boa música. O primeiro é "Grove's Groove", uma música de doze compassos. Blues que apresenta Dease, Steve Davis, Jocelyn Gould e Rodney Whitaker. A próxima a vir é "Tea for Two", um veículo para um vocal/guitarra para Jocelyn Gould que inicia com um verso que muitos ouvintes não saberão que existe. "Seiko Time" é mais latina que japonesa, com um adorável solo de trombone de Steve Davis. "Minor Funk" é o que é, cortesia de Cyrus Chestnut. Steve Davis uma vez brilha. "Never Let Me Go" diminui um pouco a temperatura. "The Viper" é uma faixa soul-jazz que apresenta Terell Stafford sintonizando Lee Morgan e algum órgão funkeado também. "Decisions" e "Father Figure" são composições de Dease que adiciona tempero e reflexão, com Rodney Whitaker obtendo espaço solo na última. "Broadway" apropriadamente encerra a sessão, com quase todo o conjunto entrando em ação.

Todos dirão que o mundo perdeu um grande instrumentista, um mentor, e provavelmente com a mesma frequência, um amigo quando Roy Hargrove faleceu muito cedo. Esta gravação é um memorial adequado para ele.

Faixas: Grove's Groove; Tea for Two; Seiko Time; Minor Funk; Never Let Me Go; The Viper; Decisions; Father Figure; Broadway.

Músicos: Michael Dease (trombone, saxofone barítono); Steve Davis (trombone); Terell Stafford (trompete); Jocelyn Gould (guitarra); Bill Cunliffe (piano); Rodney Whitaker (baixo); Ulysses Owens, Jr. (bateria); Alex Acuña (percussão); Jim Alfredson (órgão, Hammond B3); Eli Howell (trombone).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=WunCZ9_by70

Fonte: Richard J Salvucci (AllAboutJazz)

 

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