playlist Music

sábado, 4 de abril de 2026

SILKE EBERHARD TRIO WITH JAN RODER AND KAY LüBKE - BEING-A-NING (Intakt Records)

É raro descrever uma gravação de áudio como corajosa, mas é exatamente isso que o mais recente lançamento do Silke Eberhard Trio representa: ousadia, destemor e uma originalidade inabalável. “Being-A-Ning”, o quinto álbum do grupo, empresta seu título de "Rhythm-A-Ning", de Thelonious Monk, homenageando o gigante do jazz e dando continuidade à convenção de nomenclatura temática do trio. Os álbuns anteriores — "Being (2008)" e "What A Beauty Being (2011)" pela Jazzwerkstatt, seguidos por "The Being Inn (2017)" e "Being The Up And Down (2021)" pela Intakt — exploraram a natureza elusiva do "ser" através da improvisação destemida e de ideias composicionais incisivas.

Eberhard, saxofonista alto conhecida por seu timbre expressivo e espírito aventureiro, compôs nove das dez faixas do álbum. Sua escrita é audaciosa, intelectualmente rigorosa, mas emocionalmente impactante. Ela sempre se inspirou em inovadores ousados, como Charles Mingus, Eric Dolphy e Ornette Coleman, cuja influência pode ser sentida na energia espontânea e na elasticidade estrutural do trio. Mais contemporaneamente, sua abordagem se alinha à de Steve Lehman e Steve Coleman, ambos saxofonistas alto que utilizam sistemas rítmicos complexos e estruturas inovadoras sem perder a essência humana da música.

Considere "What´s In Your Bag", que se desenvolve como uma demonstração matemática avançada, densa, calculada, mas profundamente satisfatória. "New Dance" aproveita essa energia com uma propulsão funk, enquanto "Sao" mostra o baterista Kay Lübke liderando com uma pulsação insistente, sinos e texturas que levam Eberhard e o baixista Jan Roder aos limites de seus vocabulários sonoros. Roder e Lübke são mais do que acompanhantes, são cúmplices, enfrentando os desafios composicionais de Eberhard com garra e precisão.

Até mesmo os momentos que ameaçam se acalmar — como a balada "Golden Fish" — são repletos de surpresas. O trio emprega frases com início e parada abruptas e desconstruções sutis, que desestabilizam a trajetória esperada de uma balada de jazz. A faixa-título é uma surpresa astuta, canalizando não Monk, mas o timbre suave do saxofone alto da banda de Charles Mingus e a facilidade melódica do quarteto de Dave Brubeck, tudo filtrado pela sensibilidade angular e destreza rítmica do trio.

“Being-A-Ning” é uma declaração ousada de um trio que prospera no risco, provando que o jazz aventureiro ainda pode soar fresco, enraizado e intensamente vibrante. Não é apenas corajoso: é essencial ouví-lo.

Faixas: What's In Your Bag; Golden Fish; Sao; Hans Im Glück; New Dance; Stranger Bossa; Being-A-Ning; Lake; Die Urwald II; Rubber Boots.

Musicos: Silke Eberhard (saxofone); Jan Roder (baixo); Kay Lübke (bateria);

Fonte: Mark Corroto (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 04/04

Benny Green (1963) –pianista,

Buster Cooper (1929) - trombonista,

Charles Owens (1939) – saxofonista,

Chiquito Braga (1936-2017) – guitarrista,violonista,

David Aaron (1966) - saxofonista,

Gary Smulyan (1956) – saxofonista (na foto e vídeo)http://www.youtube.com/watch?v=tg3yC-FHnY0,

Gene Ramey (1913-1984) - baixista,

Hugh Masekela (1939-2018) - trompetista,flugelhornista,vocalista,

Jack Hanna (1931-2010) - baterista,

Jeff Parker (1967) – guitarrista,

Jim Cutler (1963) – saxofonista,

Michel Camilo (1954) - pianista,

Paula West (1959) – vocalista,

Wellington Mendes (1967) – trompetista,flugelhornista,

Zé da Velha (1942) - trombonista

 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

CHRISTOPHER ZUAR ORCHESTRA – EXUBERANCE (Tonal Conversations)

“Exuberance” é parte de uma "longa conversa tonal" entre o compositor Christopher Zuar e a animadora Anne Beal. Zuar, um novaiorquino de Long Island, descreve o trabalho como "uma jornada de crescimento pessoal", que iniciou em 2017 quando ele e Beal se conheceram como companheiros na Colônia MacDowell nas florestas de New Hampshire. Ele explana que o álbum é um "projeto colaborativo que constitui os sete últimos anos de nossas vidas".

"In Winter Blooms", a faixa de abertura, surgiu de seu primeiro encontro, durante uma nevasca. Entrando em sua cabana após uma curta caminhada descendo a colina, ela o encontrou improvisando ao piano, observando a neve, e reconheceu imediatamente que ele estava tentando representar a queda de neve musicalmente. Ela tem uma forma de sinestesia que lhe permite "experimentar cores e texturas", quando ouve sons. Ele perguntou a ela o que ela via em sua música. Ela esboçava ao lado dele, enquanto ele compunha ao piano, lápis e papel nas mãos, criando milhares de pinturas, que ela incorporou em sua versão animada de sua obra sonora. Eles trabalharam juntos e separadamente.

Como parte do projeto, eles viajaram para Hendersonville, a casa de Beal no oeste da Carolina do Norte, vivenciando a cultura e fazendo gravações de campo de paisagens sonoras nas belas Montanhas Blue Ridge. "Communion" e "Simple Machines" são frutos desta peregrinação. O conjunto de estrelas de Zuar, sediado em Nova York, emprega a instrumentação típica de uma big band com seção rítmica, além de oito instrumentos de sopro e cinco instrumentos de palhetas (com duplas incluindo flautim, flauta alto, oboé e clarinete baixo). Para estas duas peças ele adicionou o que ele chama de "banda de cordas dos Apalaches" (violino, dulcimer de martelo, bandolim, tambor de moldura, um pouco de banjo). "Communion" foi inspirado pelo som dos grilos — grilos conhecidos por seu chamado antifonal, "katydid, katy didn't". Os insetos reais podem ser ouvidos no final do trabalho. Beal cresceu tocando violino e dançando, imerso nas artes da cultura piemontesa - contradança, antigas bandas de cordas, cerâmica, tecelagem. "Simple Machines" incorpora um tear, com camadas de frases de quatro compassos sobrepostas entrelaçando os temas.

Em sessões de audição para o Jazz Composers Present (2022, 2024), Zuar discutiu o projeto e suas técnicas de composição. O fraseado em "Communion", por exemplo, soa bastante natural, apesar de uma estrutura subjacente irregular. Ele foi capaz de explanar a construção claramente para um público de colegas compositores, mas enfatizou que sua linguagem matemática e a complexidade visual da notação desmentem a verdadeira natureza de seu método, que é mais intuitivo e improvisado. Muitas vezes ele tem que dar um passo para trás após o momento da criação para ver o que ele fez. O violino pode soar bastante livre em "Comunhão", mas a parte escrita é colocada "precariamente" sobre frases polimétricas instáveis.

Quando questionados se os membros do conjunto receberam instruções relativas às fontes naturais de uma composição, a resposta de Zuar foi um "não" definitivo; muitos ouviram os sons do gafanhoto pela primeira vez em ensaios gerais ou apresentações. Às vezes ele fornece instruções gerais aos músicos, no entanto, incluindo a palavra "raiva" como um estímulo para o solo de violino de tirar o fôlego de Sara Caswell em "Communion"."Exuberance", a faixa título e faixa culminante do álbum, é também a única peça vocal. O tom é carregado de — nas palavras de Zuar — "euforia, desejo, avanço acelerado, energia transbordante". Ele compôs a melodia e a orquestração da dança ativa — incluindo partes de acompanhamento igualmente ativas — antes de entregá-lo a Beal, que contribuiu com a letra. Esta sequência força uma abordagem que pode ser comparada ao vocalese; qualquer que seja o assunto expresso, o letrista também deve corresponder aos ritmos de fala e entonações implícitos da melodia. Beal fez um trabalho admirável, assim como Emma Frank, cuja voz é clara e doce. Zuar concebeu a composição como uma "história" na qual ele deu a Beal a chance de "escrever de volta" para ele em palavras.

Nas apresentações do álbum, Beal fornece animação em vídeo ao vivo, participando como um dos músicos do grupo, adicionando uma dimensão visual espetacular à música.

Faixas: In Winter Blooms; Moments in Between; Communion; Simple Machines; Before Dawn; Certainty; Exuberance.

Músicos: Christopher Zuar (compositor / maestro); Dave Pietro (saxofones alto e soprano. piccolo, flauta); Charles Pillow (saxofone, flauta, oboé, clarinete); Jason Rigby (saxofone tenor, flauta, clarinete); Ben Kono (saxofone tenor, flauta, clarinete); Carl Maraghi (saxofone barítono, clarinete baixo); Tony Kadleck (trompete, flugelhorn); Jon Owens (trompete); Scott Wendholt (trompete, flugelhorn); Matt Holman (trompete, flugelhorn); Matt McDonald (trombone); Mark Patterson (trombone); Alan Ferber (trombone); Max Seigel (trombone, trombone baixo); Pete McCann (guitarra, banjo, bandolim, dobro ); Glenn Zaleski (piano, fender rhodes); Drew Gress (baixo); Mark Ferber (bateria); Rogerio Boccato (percussão); Sara Caswell (violino); Max ZT (hammered dulcimer [faixa 4]); Joe Brent (bandolim [faixa 4]); Keita Ogawa: (percussão [faixa 4]); Emma Frank (voz [faixa 7]); Mike Holober (maestro).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Dk212TS6ZIs

Fonte: Katchie Cartwright (AllAboutJazz) 

 

ANIVERSARIANTES - 03/04

Bill Finegan (1917-2008) – líder de orquestra, arranjador,

Bubber Miley (1903-1932) - trompetista,

Chuck Deardorf  (1954) – baixista,

Dennis Mackrel (1962) – baterista,

Doris Day (1922-2019) – vocalista,

Eric Kloss (1949)- saxofonista,

Harold Vick (1936-1987) - flautista,saxofonista,

Jimmy McGriff (1936-2008) - organista,

João Carrasqueira(1908-2000) – flautista,

Julio Awad (1977) – pianista,

Luiz Eça (1936-1992) – pianista,

Luizão Maia(1949-2005) – baixista,

Myles Weinstein (1963) – baterista,percussionista,

Nick Fraser (1976) – baterista,

Paul Abler (1957) – guitarrista,

Scott LaFaro (1936-1961) - baixista,

Sérgio Benutti (1946) - trompetista,flugelhornista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=4re5D_wdwrw ,

Tessa Souter (1956) - vocalista

 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

SUSAN HINKSON - JUST IN TIME (Windfall Creations)

Em 2025, é provável que os programadores de rádio critiquem os vocalistas que continuam a interpretar clássicos do Grande Repertório Estadunidense. Dizem que há novas canções e compositores para explorar, e é verdade. Mas para os amantes do jazz tradicional, o som suave de uma baladeira sensível como Susan Hinkson cantando uma pérola como "One for My Baby", de Harold Arlen e Johnny Mercer, ainda satisfaz.

Numa noite chuvosa de sábado, muitos fãs de jazz ficariam encantados em dar de cara com um clube onde Hinkson e sua banda vibrante de mestres do jazz com alma estivessem se apresentando. Bruce Barth lidera o conjunto, com Steve Wilson no saxofone alto, o baixista Vicente Archer e o baterista Adam Cruz. Todos tocam maravilhosamente bem nesta apresentação.

Embora "Just in Time" seja o lançamento de estreia de Hinkson, a música não é sua primeira carreira. Ela formou-se em arquitetura e direito e trabalhou durante anos no governo da cidade de Nova Iorque, em políticas e regulamentações de uso do solo. As notas explicam que este é "um álbum que fala das alegrias e decepções da experiência de vida". Em "One for My Baby", a vibração é, como diz a letra, "tranquila e triste". E quem, em 2025 como antes, não desejou brindar ao fim de algum "breve episódio"?

Faixas: One for My Baby; Just in Time; My Funny Valentine; I Can't Give You Anything But Love; It Might As Well Be Spring; I Wish I Were in Love Again; But Not For Me; Besame Mucho; The Best Is Yet to Come; This Nearly Was Mine; Rhode Island is Famous for You.

Músicos: Susan Hinkson (vocal); Bruce Barth (piano); Steve Wilson (saxofone); Vicente Archer (baixo); Adam Cruz (bateria).

Fonte: Katchie Cartwright (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 02/04

Booker Little (1938-1961) – trompetista,

Curtis Nowosad (1988) – baterista,

Daniel Herskedal (1982) –tubista,

Dick Oatts (1953) - flautista, saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Dd8AHwIHqX0&feature=related,

Jeff Chambers (1955-2021) – baixista,

Larry Coryell (1943-2017) - guitarrista,

Roman Pokorny (1966) – guitarrista,

Sal Nistico (1948-1991) - saxofonista,

Solveig Slettahjell (1971) – vocalista,

Tommaso Cappellato (1976) - baterista 

 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

NOAH PREMINGER - DARK DAYS (Criss Cross Jazz)

A angústia transborda como suor frio em "Hummus", a faixa de abertura de “Dark Days”, do saxofonista tenor Noah Preminger, e o álbum segue nessa mesma linha. Se você ainda não adivinhou pelo título, o álbum não é um bálsamo suave, mas sim uma catarse profunda e visceral. A música "Mopti", que de outra forma seria alegre, carrega angústia e cansaço em sua ponte e incerteza em suas harmonias. Até mesmo as peças mais suaves, como a música em 7/4 “Casa Pueblo” e a balada “Nash’s World”, possuem nuances desconfortáveis.

Mesmo em seus momentos mais felizes, Preminger ainda prefere que sua música tenha uma pegada crua. Este não é o Preminger em sua melhor forma. Gravado em dezembro de 2024, num momento de trauma pessoal para Preminger, "Dark Days" se transforma facilmente num canal para nossos traumas coletivos (Se isso precisar de mais esclarecimentos, basta conferir as notícias). Podemos percorrer a estrada acidentada e tensa traçada por “FTSC”, caminhar penosamente ao ritmo e à tonalidade melancólica de “Dark Days” e encontrar um alívio discreto na faixa agridoce de encerramento, “Barca”.

Mas são realmente os músicos de apoio que tornam esta catarse possível. O baixista Kim Cass e o baterista Terreon Gully são sólidos e precisos, porém inquietos. Isso se traduz em “Hymn #1 (For Moving On)” e na enigmática “Sarajevo With Neira” em uma espécie de nervosismo solene, uma manutenção da compostura, enquanto a pressão aumenta; em “Barca”, torna-se uma energia urgente que amplifica a sensação de libertação da faixa. Ainda assim, o guitarrista Ely Perlman, um protegido de Preminger, é o ingrediente secreto do álbum. Suas linhas sinistras em “Hummus”, “Hymn #1” e “Sarahevo With Neira” são hábeis e inventivas, mas possuem a dose exata de acidez, distorção e inquietação para deixar um rastro na mente. Às vezes, como em “Dark Days”, a inquietação é exatamente o que precisamos.

Faixas

1 Hummus (Noah Preminger) 7:52

2 Hymn #1 (For Moving On) (Ely Perlman) 7:45

3 Mopti (Don Cherry) 6:25

4. Casa Pueblo (Nando Michelin) 6:41

5. FTSC (Noah Preminger) 7:45

6.Nash's World (Noah Preminger) 7:05

7.Sarajevo with Neira (Noah Preminger) 6:24

8.Dark Days (Noah Preminger) 6:58

9.Barca (Noah Preminger) 6:59

 Músicos: Noah Preminger (saxofone tenor); Kim Cass (baixo); Terreon Gully (bateria); Ely Perlman (guitarra).

Fonte: Michael J. West (DownBeat)