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domingo, 4 de outubro de 2026

ANIVERSARIANTES - 04/10

Clay Jenkins (1964) - trompetista,

Duke Robillard (1948) - guitarrista,

Gary Brunotte ( 1948) – pianista,organista,

Greely Walton (1904-1993) - saxofonista,

Leon Thomas (1937-1999) - vocalista,

Mark Levine (1938) - pianista,

Matt Maneri (1969) – violinista,violista,

Ricardo Pontes(1947)- saxofonista,flautista,

Robert Hurst (1964) – baixista,

Skip Heller (1965) - guitarrista,

Stan Hasselgard (1922-1948) - clarinetista,

Steve Swallow (1940) – baixista (na foto e vídeo) http://www.guitar-tube.com/watch/john-scofield-steve-swallow,

Tony Jones (1953) – vocalista,

Walter Bishop Jr. (1927-1998) – piano
 

sábado, 3 de outubro de 2026

RAFAEL TORAL - TRAVELING LIGHT (Drag City)

A guitarra elétrica, recorde-se, nasceu no início da década de 1930, fruto das experiências de inventores e músicos que procuravam amplificar o som da acústica, para que pudesse sobreviver nas big bands e orquestras de jazz. Desde então é um instrumento que depende do processamento elétrico do som: amplificadores e pedais são parte indissociável da sua identidade, da sua história e da sua tradição.

A guitarra de Rafael Toral é, antes de mais, um meio de acesso ao som. O músico não a vê como um objeto com uma engenharia própria e com um repertório fixo de gestos e timbres - que deverá dominar tecnicamente para poder tocar, (mas também não os recusa) mas, em vez disso, como um gerador de possibilidades sonoras, uma máquina capaz de produzir multiplicidade.

O novo álbum de Rafael Toral, “Traveling Light” parte do som que já tinha desenvolvido no disco anterior (“Spectral Evolution”), mas propõe agora algo diferente: uma leitura pessoal de seis standards do jazz.

Usando o mesmo tipo de processamento do disco anterior, que transforma a guitarra numa espécie de orquestra que se move lentamente (lembrando a música orquestral do compositor John Luther Adams), Toral concretiza aqui uma ideia que antes se insinuava apenas como intenção. As canções escolhidas — “Easy Living”, “Solitude”, “Body and Soul”, “You Don’t Know What Love Is”, “My Funny Valentine” e “God Bless the Child” — surgem reconfiguradas num espaço entre o familiar e o desconhecido.

O disco começa com um som que recorda o canto de um pássaro, reminiscência do trabalho anterior, antes de a guitarra introduzir lentamente a progressão melódica da canção. Essas melodias, profundamente enraizadas na tradição jazzística, são aqui projetadas para um território novo: não desconstruídas, mas reconfiguradas sob outra lógica. Aumento da dimensão sonora de cada nota e expansão do tempo em que soa.

A escuta destas peças revela um “ciclo morfioso”, o abstrato serve a forma canônica, e esta, por sua vez, dissolve-se novamente na abstração. O resultado é uma música que soa simultaneamente terrena e extraterrestre: as harmonias conhecidas ganham contornos estranhos, as melodias afastam-se da sua função original e tornam-se ambientes sonoros autossuficientes. A música nunca é estritamente ambiental, pois está sempre dentro de uma forma melódica, mas ao mesmo tempo o contínuo sonoro leva-nos para esse tipo de sensação. A guitarra soa a uma grande orquestra em câmara lenta.

O compositor convida quatro músicos para solar em quatro dos temas, reafirmando assim a pertença da obra ao universo do jazz. José Bruno Parrinha oferece um solo tom waitsiano de clarinete em “Easy Living”; Rodrigo Amado, no saxofone tenor, aprofunda “Body and Soul”; Yaw Tembe, tal como Parrinha, usa um processo escuro no flugelhorn “You Don’t Know What Love Is”; e Clara Salero acrescenta leveza à flauta em “God Bless the Child”. Cada um destes gestos dialoga com o ambiente eletrônico e amplia a dimensão lírica do disco.

Na capa, regresso do tema dos aviões, um tema recorrente na obra de Rafael Toral (ex: “Sound Mind Sound Body”), mas desta feita presentes apenas enquanto memória deixada pelo rastro das suas luzes. O aparecimento das companhias low-cost prometeu uma democratização: pela primeira vez, o comum dos mortais podia voar, não em sonho, mas em tarifa. Mas, como em todos os pactos capitalistas, também aqui há um reverso: para que o voo seja “low”, o viajante tem de tornar-se leve. O título “Traveling Light” pode ser lido de vários modos. Sugere, antes de tudo, a arte de viajar leve. Partir sem bagagem, deixar o peso histórico para trás e seguir apenas com o som. Mas pode também significar uma luz que divaga.

“Traveling Light”, sugere algo análogo: viajar com o mínimo, libertando-se do peso do virtuosismo e da tradição para alcançar uma nova forma de estar em viagem e com isso uma nova maneira de ver o mundo. Aqui a viagem é para dentro música, revisitando torres Eiffel do jazz, através de um tempo, iluminação e carga diferente. Neste disco, as torres Eiffel, passam de razão a matéria para investigação.

É um disco sobe o tempo e sobre a luz. Pede ser ouvido num sistema que permita perceber as texturas e os detalhes dos sons. É música para quem gosta de ouvir música sem estar a fazer mais nada. É ao mesmo tempo transformação, referência e rutura.

Músicos: Rafael Toral— guitarra elétrica e processamento; Bruno Parrinha— clarinete; Rodrigo Amado— saxofone tenor; Yaw Tembe— flugelhorn; Clara Salero— flauta.

Fonte: Gonçalo Falcão (jazz.pt)

 

ANIVERSARIANTES - 03/10

Adriana Calcanhotto (1965) – vocalista,

Albert Collins (1932-1993) – guitarrista,vocalista,

Booker Pitman (1909-1969) – clarinetista,

George Wein (1925-2021) – pianista,

Jacintha (1957) – vocalista,

Lee Konitz (1927 –2020) –saxofonista,

Marcos Nimrichter (1970) – pianista,acordeonista,

Mike Clark (1946) - baterista,

Nancy Harrow (1930) - vocalista,

Nate Wood ((1979) – baterista,

Niels Lan Doky (1963) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=6HgLKhIb5vQ,

Pierluigi Balducci (1971) - baixista,

Ronnie Laws (1950) - saxofonista,

Steve Reich (1936) – líder de orquestra,

Stevie Ray Vaughan (1954-1990) - guitarrista,

Sumi Tonooka (1956) – pianista,

Verônica Sabino (1960) – vocalista,

Von Freeman (1922- 2012) – saxofonista,

Zé Ramalho (1949) – vocalista
 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

KIRK KNUFFKE – WINDOW (Royal Potato Family)

O cornetista Kirk Knuffke parece trabalhar com uma combinação diferente de músicos em cada gravação que faz. Desta vez, ele conta com a participação de Stomu Takeishi no baixo e Bill Goodwin na bateria, em uma sessão de trio minimalista que abrange uma ampla gama musical.

O álbum consiste em treze faixas curtas, que transitam entre vários estilos, com os três músicos demonstrando grande entrosamento entre si. "Choose" é um funk astuto com Knuffke tocando seu cornet com desenvoltura sobre o baixo cadenciado de Takeishi e a bateria precisa de Goodwin. Na música "Mr. Bill", com sua sonoridade típica do pântano, o líder emite relinchos sulistas, enquanto o ritmo se intensifica e oscila em resposta. "For Your Needing" combina solos de cornet embriagados com um baixo encorpado no estilo dub e cowbell (NT: O Dub é um gênero musical e estilo de produção que surgiu na Jamaica no final dos anos 60 e início dos 70, derivado do reggae, enquanto o Cowbell (cincerro) é um instrumento de percussão amplamente utilizado para adicionar camadas rítmicas em diversos gêneros musicais, incluindo o dub). "Ballad" é ​​uma peça silenciosamente abstrata onde o baixo de Takeishi borbulha sobre o trabalho de pratos de Goodwin, e "Carey" tem linhas de cornet comicamente embriagadas dançando sobre um baixo poderoso.

Uma característica única deste álbum é que Knuffke também canta em algumas faixas. Ele demonstra uma voz de barítono tranquila e vibrante, que combina perfeitamente com sua interpretação em "Window", baseada em um poema de Carl Sandburg, e em "A Little More So". Em outro momento, Bill Goodwin recita um poema de William Blake, "A Divine Image", que dá início à entoação de "Runs Red" por Knuffke, em um ritmo indígena americano, sobre graves profundos de sinos e percussão vibrante.

O som deste álbum é esparso, mas concentrado. Todos os três participantes contribuem igualmente para o impacto da música. As suas contribuições individuais são nítidas e combinam na perfeição. Este é mais um excelente exemplo da habilidade de Kirk Knuffke em reunir grupos fascinantes, e se ele quiser lançar um álbum totalmente vocal algum dia, esse sim valeria a pena ouvir.

Faixas: Choose; Gong Suite - Part 1; For Your Needing; Mr. Bill; A Divine Image; Runs Red; Ballad; Window; Gong Suite - Part 2; Heavy Times; Gong Suite - Part 3; Carey; A Little More So.

Músicos: Kirk Knuffke (trompete, cornet, voz); Stomu Takeishi (baixo); Bill Goodwin (bateria, gongo, recitação)

Fonte: Jerome Wilson (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 02/10

Alberto Rosenblit (1954) – pianista,

Chris Cawthray (1974) - baterista,

Django Bates (1960) – pianista,

Gaetano Partipilo (1974) - saxofonista,

Howard Roberts (1929-1992) - guitarrista,

Kirk MacDonald (1959) – saxofonista,

Lincoln Goines (1953) baixista,

Michel Leme(1971) – guitarrista,

Peter Evans (1981) - trompetista,

Phil Urso (1925-2008) – saxofonista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=WnG0Uf27ybQ

Prasanna Ramaswamy  (1970) - guitarrista,

Ronnie Ross (1933-1991) - saxofonista,

Steve Korn (1967) - baterista,

Wally Rose (1913-1997) - pianista 

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

DAN ROSENBOOM – COORDINATES (Orenda Records)

“Coordinates” é uma declaração artística madura e plenamente realizada do compositor, arranjador e virtuoso do trompete Dan Rosenboom. É um esforço enorme em vários sentidos. Por meio de um conceito imersivo centrado tanto no som como personagem quanto nas relações abstratas entre estruturas numéricas aplicadas ao tempo e ao balanço, Rosenboom criou um autorretrato que conecta diversos aspectos singulares de sua personalidade musical. O álbum reúne 28 dos melhores artistas musicais de Los Angeles, empregados em uma série de combinações pouco convencionais que permitem às composições explorar uma ampla gama de timbres instrumentais e atmosferas.

Desde 2014, Rosenboom está à frente do selo Orenda Records que, além de abrigar muitos de seus próprios lançamentos, conta com um catálogo de projetos de mente aberta e que transitam por diversos gêneros, vindos de todos os Estados Unidos e do exterior. Muitos destes mesmos músicos participam de “Coordinates”, incluindo colaboradores de longa data como o saxofonista Gavin Templeton, o pianista Joshua White, o trombonista Ryan Dragon, o tecladista Jeff Babko e o clarinetista Brian Walsh. No entanto, Rosenboom ampliou consideravelmente a formação neste projeto ao incorporar percussão mista, um quarteto de cordas, um septeto de metais e cerca de meia dúzia de solistas convidados. Como resultado, a visão de Rosenboom apresenta sua maior diversidade, com referências à música de câmara moderna, trilhas sonoras de cinema, música folclórica do Leste Europeu, technical death metal (NT: é um subgênero do death metal focado em altíssima habilidade instrumental, estruturas musicais complexas e velocidade extrema), rock progressivo e avant-jazz. Além disso, seu interesse por conceitos da mitologia, da numerologia e da astronomia desempenha um papel crucial na concepção desta música.

As "coordenadas" mencionadas no título e em cinco das nove faixas que compõem a obra marcam aspectos distintos da mente musical de Rosenboom. Ao ouvir as peças, é possível imaginar diversos locais que proporcionam uma experiência sensorial avassaladora. Há uma sensação extremamente vívida de profundidade e ambientação presente em cada uma delas. Embora muitas das características marcantes de Rosenboom (solos virtuosísticos, melodias extensas densas e angulares, intensidade crescente do conjunto) estejam presentes ao longo da obra, nuances sutis de sua abordagem se manifestam com maior liberdade em “Coordinates”, graças à instrumentação ampliada. Em particular, há uma dimensão cinematográfica na maneira como ele emprega a textura e o desenvolvimento de motivos, o que evidencia tanto a sua habilidade como compositor e curador sonoro quanto a sua destreza como um verdadeiro acrobata instrumenta. Assim como Anthony Braxton ou Karlheinz Stockhausen, a escrita de Rosenboom permite que suas obras sejam ouvidas como partes de um todo maior. De alguma forma, a estética que ele alcança em “Coordinates” consegue coexistir sendo austera e suingante na mesma medida. Qualquer estado de alteração mental em que o ouvinte possa estar ao assimilar os temas densos é bem equilibrado pelo caráter visceral e pela excelente execução de cada faixa.

O álbum começa com a faixa "Prisms, Mirrors, Portals", minimalista e vagamente ameaçadora, uma introdução meditativa que permite uma respiração breve, porém profunda, antes de mergulhar de cabeça no turbilhão que compõe o restante do disco. Grande parte da música se estrutura em torno de uma seção rítmica central formada pelo guitarrista Jake Vossler, pelo baixista Jerry Watts Jr. e pelo baterista Caleb Dolister, uma base que se mantém consistentemente pesada e ágil do início ao fim. Ao longo do caminho, as coisas ganham um ar peculiar ("Coordinate 1: Many Worlds, Many Dances"), distorcido ("Coordinate 2: Apophis") e ameaçador ("Oracles"), chegando até a ser relaxantes em alguns momentos ("Josephine's Dream"). Cada peça é envolvente e multidimensional, mesmo antes de o ouvinte considerar o nível extraordinário de destreza instrumental, que desafia os limites do possível, e a inventividade demonstrados por Rosenboom e seus colaboradores. Alguns destaques incluem os uníssonos de sopros graves e densos entre Walsh e Jon Stehney na faixa "Old Ghosts", bem como a performance explosiva e intensa de viola de Lauren Elizabeth Baba, inspirada na Mahavishnu Orchestra, em "Coordinate 4: Nemesis". A faixa de encerramento do conjunto, "Coordinate 5: Hyperion", é um hino instrumental que dispensa declarações solistas em favor de uma profunda afirmação final coletiva, permitindo a Rosenboom apresentar a totalidade de suas visões e estabelecer firmemente a relação entre todas as outras peças.

O último som de “Coordinates” é uma resposta contínua e persistente da guitarra fortemente distorcida de Vossler. Isso serve como um clímax perfeito para toda a sonoridade anterior, com uma sensação de atordoamento que faz imaginar como seria disputar todos os 15 rounds contra um campeão dos pesos-pesados. Trata-se de um conjunto inegavelmente impressionante de músicas meticulosamente elaboradas e estilisticamente diversas. É um gesto artístico arrebatador de Rosenboom, ambicioso, fantástico e, além disso, simplesmente divertido do início ao fim de sua duração enxuta de 41 minutos.     

Faixas: Prisms, Mirrors, Portals; Coordinate 1: Many Worlds, Many Dances; Coordinate 2: Apophis; Josephine's Dream; Coordinate 3: Syzygy; Coordinate 4: Nemesis; Oracles; Old Ghosts; Coordinate 5: Hyperion.

Músicos: Dan Rosenboom (trompete); Jake Vossler (guitarra); Jerry Watts Jr. (baixo); Caleb Dolister (bateria); Jeff Babko (sintetizador); Gloria Cheng (piano); Joshua White (piano); Wade Culbreath (percussão); Petri Korpela (percussão); Katisse Buckingham (flauta); Gavin Templeton (saxofone alto); Nicole McCabe (saxofone alto); Brian Walsh (clarinete); Jon Stehney (fagote); Laura Brenes (french horn); Katie Faraudo (french horn); Steve Suminski (trombone); Ryan Dragon (trombone); Steve Trapani (trombone baixo); Doug Tornquist (tuba);Wade Culbreath (vibrafone e marimba); Petri Korpela: (percussão, gongos, metallics, tamborim, shakers, conchas); Gavin Templeton (saxes alto e barítono); Jacqueline Kerrod ( harpa); Lauren Elizabeth Baba (viola); Miguel Atwood-Ferguson (violino elétrico de 5 cordas): Michael Valerio (contrabaixo);The Lyris Quartet [Alyssa Park (violino); Shalini Vijayan (violino; Luke Maurer (viola0; Timothy Loo (cello)].

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=qh77Ip8SfOs

Fonte: Max Kutner (AllAboutJazz)

 

ANIVERSARIANTES - 01/10

Bill Drewes (1952) – saxofonista,

Claude Tissendier (1952) – clarinetista,saxofonista,

Curtis Lundy (1945) - baixista,

Dave Holland (1946) – baixista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=A8ktb2jNfDA,

Elias Stemeseder (1990) – pianista,

Mark Helias (1950) - baixista,

Morris Nelms (1956) – pianista,

Tony Dumas (01/10/1955) – baixista,

Will Bonness (1985) - pianista