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terça-feira, 30 de novembro de 2010

THE TRIO - LIVE AT CHARLIE O's (Fuzzy Music [2010])


Três músicos de Los Angeles com um massivo currículo como acompanhantes, mas a exceção de um – o baterista Peter Erskine— têm diminuta discografia como líderes.Um trabalho com icônicos standards e uma exibição ao vivo em um clube , onde os músicos se denominaram simplesmente de "The Trio" , atuando em sua base regular. “Live at Charlie O's” é um afetuoso tributo para dois homens: Charlie Ottaviano, o fundador do espaço , que tristemente faleceu em 2008 com 66 anos; e Edmond Demirdjian, um artista búlgaro que faleceu jovem , no ano seguinte, aos 58 anos, e cujas ilustrações têm, entre muitas outras coisas, embelezado lançamentos de Erskine para o selo Fuzzy Music, incluindo esta gravação de uma hora, realizada no Charlie O's no início de 2009.

Abrindo este relaxado set com uma versão lenta de "Put Your Little Foot Right Out" de Larry Spier, Erskine e o baixista Chuck Berghofer suíngam com uma espécie de tranquilidade física que só vem após anos de familiaridade. Desde um significante paradigma mudado em 1992, enquanto gravando com o guitarrista John Abercrombie o disco “November (ECM, 1993)” e “You Never Know (ECM, 1993)”, o primeiro de quatro excepcionais gravações em trio sob seu nome, com o pianista John Taylor e o baixista Palle Danielsson, Erskine passou a estar conectado de forma incremental com demandas musicais sem exibições do ego, estando mais interessado no seu toque em si. Ainda em posse de amplos recursos, ele que foi um membro de um super grupo de fusion, Weather Report nos anos 1970 e em Bass Desires do baixista Marc Johnson nos anos 1980, aqui Erskine está gracioso, alterando dinâmicas e fornecendo suporte durante o elegante e econômico solo do pianista Terry Trotter, fazendo nada mais que mover os crepitantes pratos, porém com pleno vigor.

A sutiliza de Erskine é emparelhada pelos seus companheiros de banda. "How Deep is the Ocean?" a eterna composição de Irving Berlin inicia com Trotter nada mais lírico, com melodia memorável com a sua mão direita. Mesmo quando ele se move dentro do território do solo, o pianista limita seu uso da harmonia até um par de minutos, introduzindo-a gradualmente para construir o solo com alta qualidade, assim como Erskine, uma vez mais passa das escovinhas para as baquetas e Berghofer permanece profundamente resssonante, uma âncora firme antes de assumir o solo com similar inventividade melódica.

O trio sintoniza em qualquer lugar do trabalho, entretanto é mais uma elaboração com refinada sugestão. " Afternoon In Paris" de John Lewis é tão impetuosa como um trio pode fazer dentro de um set de puras baladas . Em "Blood Count" de Billy Strayhorn, inclina-se para o lado do romantismo.

Não destinado ou com intenção de se colocar em qualquer gaiola, em vez disto este é um álbum de tranquila honestidade, tocado despretensiosamente por um trio, sendo mais uma realização de uma carreira coletiva, que não tem absolutamente nada para provar. Uma lição, em vez de uma audição ou indicação, “ Live at Charlie O's” é tão significativo porque não é o que é. Uma prova de que o que não é tocado pode ser determinado e intencional como um ato em si.

Faixas: Put Your Little Foot Right Out; Afternoon in Paris; Ghost of a Chance; How Deep is the Ocean?; Blood Count; Charlie's Blues; Lament.

Músicos: Chuck Berghofer: baixo; Terry Trotter: piano; Peter Erskine: bateria.

Fonte : All About Jazz / John Kelman

ANIVERSARIANTES 30/11


Duane Andrews (1972) - guitarrista,
Jack Sheldon (1931) - trompetista,vocalista (na foto),
Stan Sulzman (1948) - saxofonista

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

HOJE É DIA DE SEGUNDA É DO MÚSICO


Hoje teremos mais uma “Segunda é do Músico” com o HV Quarteto, tendo como líder o baterista argentino Hernán, e como convidado o saxofonista Ademir Júnior da Brasília Big Band, do qual é Diretor Geral e Artístico. Além disto é professor de improvisação, harmonia e arranjo e de saxofone e clarinete. Além destes instrumentos, Ademir,também, toca trompete. Já se apresentou com Toninho Horta e Elza Soares

O bate-papo será com Adelmo Casé, figurinha carimbada nos bares da cidade com o Funk Machine e nos palcos da vida com o a banda Negra Cor. Ficou mais conhecido ao se destacar no programa Fama da Rede Globo

O evento ocoorrerá na Praça Quincas Berro d´Água no Pelourinho a partir das 19h. O ingresso custa R$ 10,00

ANIVERSARIANTES 29/11


Adam Nussbaum (1955) – baterista
Billy Hart (1940) - baterista,
Billy Strayhorn (1915-1967) – pianista (na foto),
Chuck Mangione (1940) - trompetista, flugelhornista,
Darryl Alexander Sr. (1956) - baterista,
David Shaich (1954) – baixista,
Dr. Michael White (1954) - clarinetista,
Ed Bickert (1932) - guitarrista (no vídeo),
Eliete Negreiros (1951) – vocalista,
Jim Massoth (1957) – saxofonista,
Sérgio Souto(1950) - saxofonista

domingo, 28 de novembro de 2010

ADERBAL DUARTE NO TEATRO SESI - 01 DEZEMBRO


DICK OATTS – TWO HEARTS (Steeplechase)


Não descarte este lançamento pela pouco lisonjeira fotografia de Oatts e pela preponderância de baladas através do selo resolutamente seguidor do mainstream do dinamarquês de Nils Winther. O conceito é firmemente progressista, porém o quarteto atua com perfeita contenção, com tempos oscilantes dentro de um sólido equilíbrio.

“Two Hearts” parece ter uma agenda paliativa, com Oatts tocando com extaordinária ternura. Sua pegada, um exploratório som no saxofone alto, um pouco como Art Pepper, isto é, com a destreza e beleza sem um ego agitado.

O programa é sem emendas de um jantar jazzístico – ninguém terá indigestão. O que o faz especial, além da excelente harmonia profissional da seção rítmica e, em particular, os temas motivadores em diversas faixas de Michael Weiss e Ugonna Okegwo, é a incrível execução centrada de Oatts. Formando um modelo próprio como líder em big bands, como a Mel Lewis Orchestra, não surpreende que o tempo esteja no ponto, mas Oatts parece confortavelmente relaxado dentro deste trabalho. Seus cortes rítmicos, se fiel, limita o gotejamento de xarope nas recitações das melodias sentimentais, mas importante é a convicção de livres sentimentos nas delicadas pegadas, como se Oatts estivesse embalando um bebê em seus braços.
Winther deve ter interferido na inclusão de muitos dos standards, desde a duração das faixas, em torno de cinco minutos, com solos minimalistas dos acompanhantes. A fórmula funciona. Depois da lenta leitura de “Come Sunday” durante a esquematização de Weiss, deixando Oatts viajar na cama armada das baquetas de Green e do estruturado dedilhado de Wong. Okegwo segue com uma dramática moldura para “Yesterdays”.Tudo isto está maravilhosamente gravado, sem peso e de forma sucinta, e sua entonação é como porcelana, que é fácil subestimar, mas não a acuidade dos movimentos das encrespadas linhas postbop de Oatts.

Faixas:

1. If I Should Loose You (Ralph Rainger) 5:37
2. We'll Be Together Again (Fischer/Laine) 5:24
3. You Don't Know What Love Is (DePaul/Raye) 6:05
4. Come Sunday (Duke Ellington) 5:22
5. Yesterdays (Jerome Kern) 5:23
6. My Foolish Hearts (Victor Young) 6:12
7. Darn That Dream (Jimmy Van Heusen) 3:39
8. Angel Eyes (Matt Dennis) 5:51
9. But Beautiful (Jimmy Van Heusen) 5:48
10. Hello Young Lovers (Richard Rodgers) 6:11

Músicos : Dick Oatts (saxofone alto); Michael Weiss (piano); Ugonna Okegwo (baixo : fxs. 3, 5-10); David Wong (baixo: fxs.1,2,4); Rodney Green (bateria)

Cotação: * * * * ½ (Ótimo)

Fonte Downbeat / Michael Jackson

ANIVERSARIANTES 28/11


Butch Thompson (1943) - clarinetista, pianista,
Dennis Irwin (1951-2008) - baixista,
Diego Rivera ( 1977) - saxofonista,
Gato Barbieri (1934) – saxofonista (no vídeo),
George Wettling (1907-1968) - baterista,
Gigi Gryce (1927-1983)- saxofonista(na foto),
Pete Robbins (1978) - saxofonista ,
Randy Newman (1943) - pianista,
Roy McCurdy (1936) - baterista

sábado, 27 de novembro de 2010

CHERYL BENTYNE – THE GERSHWIN SONGBOOK (ArtistShare)


Tentador é incluir o disco de Cheryl Bentyne, “The Gershwin Songbook” entre os mais satisfatórios álbuns vocais de 2010, tal louvor é um limite incorreto. Em vez disto deveria ser louvado como o melhor do período.

Verdade, é o nome de Bentyne sobre o título. Suas interpretações doces e suingantes de clássicos de Gershwin são assim unilateralmente inteligentes e modernas , dentro do enfoque grandioso de Ella, Sarah, Sinatra, equiparado a Astaire. O crédito para a excelência do álbum deve ser compartilhado com todos os seus participantes. Primeiro os sete acompanhantes de Bentyne: os pianistas Corey Allen e Ted Howe, o baixista Kevin Axt, o guitarrista Larry Koonse, o flautista Peter Gordon, o clarinetista Ken Peplowski e o baterista e percussionista de longa data de Bentyne e ocasional parceiro vocal, Dave Tull. Cada um está no topo da forma. Juntos eles estão mais ajustados que uma roupa de Lady Gaga.

Há o amigo íntimo de Bentyne e frequente companheiro de nightclub, Mark Winkler, que perambula através de um galhofeiro fraseológico em “Let’s Call the Whole Thing Off”. Os mais altos brados de elogio, entretanto, são devidos a Allen em seu amplo papel como produtor. Ele é o autor das porções mágicas. E, através das 14 faixas, que se estendem de “Isn’t It a Pity” (espertamente re-imaginada em tempo de valsa) para a brilhante “Lady Be Good”, ele demonstra ser um árbitro de retribuições inteligentemente claras.

Faixas:

1. Fascinating Rhythm-I Got Rhythm
2. Love Is Here To Stay
3. Isn't It A Pity
4. Summertime
5. A Foggy Day(In London Town)
6. (Oh Sweet And Lovely)Lady Be Good
7. Someone To Watch Over Me
8. How Long Has This Been Going On
9. The Man I Love
10. I've Got A Crush On You
11. But Not For Me
12. Let's Call The Whole Thing Off
13. Nice Wark If You Can Get It
14. S'wonderful

Fonte : JazzTimes / Christopher Loudon

ANIVERSARIANTES 27/11


Daniel Bennett (1979) - saxofonista,
Ed Saindon (1954) - vibrafonista,
Eddie South (1904-1962) - violinista,
Jacky Terrasson (1966) – pianista,
Joris Teepe (1962) - baixista ,
Lyle Mays (1953)- pianista,
Maria Schneider (1960) - pianista , arranjadora, compositora, líder de orquestra (na foto e vídeo),
Michael Rabinowitz (1955) - fagotista,
Randy Brecker (1945) - trompetista , flugelhornista, Rebecca Coupe Franks (1961) - trompetista,
Wessell Anderson (1964) - saxofonista

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

BOBBY HUTCHERSON – WISE ONE (Kind of Blue Records [2009])


Recentemente nomeado NEA Jazz Master, Bobby Hutcherson tem uma extensa discografia, entretanto oportunidades para gravar como líder têm diminuído um pouco no século XXI . Hutcherson ainda é um importante vibrafonista, como este excelente tributo a John Coltrane revela. Todas as composições foram escritas ou gravadas por Coltrane, porém a escolha da instrumentação de Hutcherson deliberadamente move-se para longe dos típicos grupos do mestre. O guitarrista Anthony Wilson assume o lugar de um segundo instrumento de palheta, enquanto o pianista Joe Gilman e o baterista Eddie Marshall têm um estilo mais claro de tocar em comparação com McCoy Tyner e Elvin Jones, respectivamente. O baixista Glenn Richman não é tão conhecido como seus companheiros de banda, entretanto se estabelece como um sólido instrumentista. Hutcherson, que, a despeito de ter sido um ativo músico nos últimos sete anos da vida de Coltrane, nunca gravou com ele, oferece interpretações que providenciam um chocante contraste em relação ao que é ouvido nos álbuns do saxofonista.

As quatro composições de Coltrane, a maior parte, não são frequentemente exploradas por outros jazzistas. A meditativa e vigorosa "Spiritual" preserva sua tensão, embora as vibrações sejam mais brilhantes que as do sax soprano de Coltrane, do mesmo modo que a guitarra de Wilson está no lugar do lancinante clarinete baixo de Eric Dolphy. A vivaz apresentação latina de "Like Sonny" contrasta com a reflexiva interpretação da faixa título e a suavemente suingante "Dear Lord".

Embora Coltrane tenha sido um prolífico compositor durante os anos 1960, ele pegou este intervalo para explorar composições de outros. Dois standards, "Nancy (With the Laughing Face)" e "All or Nothing at All", que apareceram no álbum “Ballads”, feito para refutar rumores críticos sobre a sua capacidade de executar uma bela melodia sem uma avalanche de notas. Hutcherson interpreta a primeira em forma reservada, enquanto a segunda é tocada como uma revigorante bossa nova, com deliciosa colaboração da seção rítmica. "Aisha" de Tyner é uma raridade porque Coltrane raramente gravou músicas do seu acompanhante. O amplo e resplandecente arranjo de Hutcherson faz muito para desvelar a sua beleza , em um trabalho antigo que merece uma maior exploração por parte de outros artistas.

Faixas: Wise One; Like Sonny; Aisha; Equinox; All Or Nothing At All; Nancy (With The Laughing Face); Spiritual; Out Of This World; Dear Lord.

Músicos: Bobby Hutcherson: vibrafone; Anthony Wilson: guitarra; Joe Gilman: piano; Glenn Richman: baixo; Eddie Marshall: bateria.

Fonte : All About Jazz / Ken Dryden

ANIVERSARIANTES 26/11


Amos Garrett (1941) - guitarrista,
David Cooper (1963) - trompetista,
Mark Dresser (1952) – baixista(na foto)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SYLVIA BENNETT – SMILE (Self Produced [2010])


O grande repertório norte-americano é repleto de canções de amor que tem resistido ao teste do tempo através de incontáveis interpretações pelos maiores vocalistas no mundo. Em busca de novos caminhos para reformular tais standards sem utilizar as formulas já batidas. Sylvia Bennett toma seu desvio para vocalizar estas familiares canções e , com “Smile”( veja vídeo http://www.youtube.com/watch?v=9RzeoHsSSP4), traz nova vida aos standards frequentemente gravados. Bennett e seu produtor e guitarrista de longa data, Hal S. Batt, abstêm-se de utilizar qualquer instrumento de sopro em favor de um trio típico formado por piano, baixo e bateria, acrescido de Batt na guitarra e, adicionando um toque especial, o som da Vienna Strings, arranjado por Mike Lewis.

O vocal apaixonado de Bennett serve muito bem para ela atacar o repertório de forma estilística, começando e encerrando o programa com "Look of Love" de Burt Bacharach , suportando o álbum com uma clássica interpretação e suave versão pop, essencialmente se afastando do tema do projeto. O saudoso Charlie Chaplin provavelmente abrirá um sorriso após ouvir o tratamento que Bennett dá à sua imortal canção que intitula o disco, complementada pela deliciosa batida da guitarra de Batt contra o pano de fundo do belíssimo arranjo de cordas.

Na encantadora "Witchcraft", Bennett volta-se para uma brilhante performance coadjuvada pela sua bem escolhida banda. Residente em Miami, Florida, a vocalista invoca o reconhecimento dos músicos da área, incluindo o baixista e educador da Universidade de Miami, Chuck Bergeron, do pianista Mike Levine, do baterista Richard Bravo e do percussionista Sammy Figueroa.

As baladas românticas continuam com a clássica "Shadow of Your Smile" e "The Very Thought of You" de Ray Noble com o doce vocal de Bennett providenciando um toque enternecido. Temperando a música, desde boleros até a bossa nova e estilos latinos, algumas delas como "Make Someone Happy" e o standard de Cole Porter, "Night and Day", inclui a delicada percussão de Figueroa, exceto em "Where or When" onde a batida é mais intensa.

Bennett apresenta sua mágica com as estelares leituras de "Fly Me to the Moon" e "What a Difference a Day Makes". Diante do estilizado pop final de "Look of Love" ,ela providencia um bônus de "Smile" , desta vez entitulada de "Sonrie", apresentando a letra em espanhol , acompanhada mais uma vez pelo maravilhoso instrumental e cordas. Dentro do gênero romântico de canções do jazz, o tratamento dado a esta música por Bennett demonstra uma experiência musical merecedora da bem conhecida "Smile".

Faixas: Look of Love; Smile; Witchcraft; Shadow of Your Smile; The Very Thought of You; Make Someone Happy; I'll Be Seeing You; Where or When; Love is Here to Stay; Night and Day; Fly Me to the Moon; What a Difference a Day Makes; Sonrie; Look of Love.

Músicos: Sylvia Bennett: vocal; Chuck Bergeron: baixo; Mike Levine: piano; Richard Bravo: bateria; Hal S. Batt: guitarra; Sammy Figueroa: shaker (6, 8, 10); Mike Lewis: arranjador de Vienna Strings.

Fonte : All About Jazz / Edward Blanco

ANIVERSARIANTES 25/11


Dick Wellstood (1927-1987) - pianista,
Eddie Boyd (1914-1994) – pianista, vocalista,
Etta Jones (1928-2001) - vocalista,
Jerry Portnoy – 1943,Joe Carroll – 1919,Matthew Gee – 1925,
Nat Adderley (1931-2000) – cornetista,
Paul Desmond (1924-1977) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=dxdAZ4QLD_g,
Rusty Bryant (1929-1991)- saxofonista,
Terell Stafford (1966) - trompetista,
Willie "The Lion" Smith (1897-1973) - pianista,
Willie Smith (1910-1967) - clarinetista, saxofonista , vocalista

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ACONTECE QUE ELA É BAIANA


Assim como cada brasileiro, o samba tem sotaque, história e identidade próprios, conforme a região na qual nasceu e se desenvolveu. Na Bahia, fez-se o samba de roda, que requer dengo, brejeirice e doçura baiana de sua intérprete. Mariene de Castro, com 15 anos de carreira, é uma baiana para a tarefa. Com prêmios e apresentações na Europa, ela lança o segundo disco da carreira, Santo de Casa, gravado ao vivo no Teatro João Caetano.

No repertório, muitos sambas de roda, cirandas, canções praieiras e cocos, com grande destaque para as composições de Roque Ferreira, que assina oito faixas do álbum e , assim como no disco de estréia da cantora, é o compositor de maior referência para a baiana.

Mariene de Castro passeia com desenvoltura pelos ritmos baianos e usa e abusa de canções folclóricas neste disco. O destaque é a faixa 11, Samba de Terreiro, de Roque Ferreira, a cantora em sua plenitude. Abre Caminho, parceria de Roque Ferreira com J. Velloso e a própria Mariene de Castro, também merece um destaque, bem como Vi Mamãe na Areia (veja vídeo
http://www.youtube.com/watch?v=fx-6aR8FkWw&feature=related) e Chico e Chica. As participações especiais de Dona Nicinha de Santo Amaro, Rita da Barquinha, Ganhadeiras de Itapoã, Grupo Pim e Vozes da Purificação engalanam o disco, que teve produção de Gerson Silva e da própria intérprete e direção musical de Jurandir Santana.

Além da bela concepção musical do trabalho, a parte gráfica, desenvolvida por Marcelo Mendonça, é extremamente caprichada e, como tudo no disco, a cara da Bahia. Mariene de Castro, cantora de grande talento e grata revelação da música brasileira, é a baianidade.

Fonte : Carta Capital / André Carvalho

ANIVERSARIANTES 24/11


Al Cohn (1925-1988) – saxofonista (na foto e vídeo),
Cipó(1922-1992) – maestro,
Scott Joplin (1868-1917) - pianista,
Serge Chaloff (1923-1957) - saxofonista,
Teddy Wilson (1912-1986) - pianista,
Wild Bill Davis (1918-1995)-organista

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Chico Oliveira & Grupo no Dona Mariquita - Bocapiu Cheio

Olá Gabriel, tudo bem?

Estamos na quarta semana no Dona Mariquita (Rio Vermelho) que por sinal ganhou essa semana o título de melhor restaurante de comida brasileira da cidade pela revista Veja.
Abraço,

Chico Oliveira +55 71 8171-6209
http://www.myspace.com/chicooliveira
http://chico-oliveira.conexaovivo.com.br/
@Chicocoliveira



O guitarrista Chico Oliveira, inicia uma temporada de apresentações no Restaurante Dona Mariquita apresentando o show "Bocapiu Cheio" no mês de novembro. No repertório do guitarrista, música instrumental brasileira. Composições próprias além de músicas de João Donato, Tom Jobim, Gilberto Gil, Milton Nascimento entre outros.

Chico Oliveira - Guitarra e direção musical
Bruno Aranha - Piano Elétrico
Giroux Wanziler - Contrabaixo acústico
Beto Martins - Bateria


Serviço
Local:Restaurante Dona Mariquita.
End: Rua do Meio, 178. Rio Vermelho. Salvador. Bahia
Datas: 04, 11, 18 e 25 (quintas) de novembro.
Horário: 21:00h
Tels.: 3334 6947/6988
Couvert artístico: R$ 10

Programação musical do Balthazar – Novembro/2010

24/11 – Quarta e 25/11 – Quinta, às 21h

Mondicá Trio e Simone Mota

Nos próximos dias 24/11(quarta-feira) e 25/11 (quinta-feira), o restaurante Balthazar traz o jazz na programação com o grupo Mondicá e a cantora Simone Mota. O Mondicá vem se destacando pelo refinado trato dado às composições consagradas da MPB e standards de jazz (suas principais influências).

O resultado deste trabalho pôde ser constatado no elogiado show “Tributo a Milton Banana”, que rendeu à banda a indicação de melhor show para o Troféu Caymmi, no ano de 2005, e a indicação de melhor instrumentista a Márcio Dhiniz e Marco de Carvalho, integrantes do conjunto, composto também pelo baixista Alexandre Montenegro.

O trio toca acompanhado da cantora Simone Mota, artista que transita muito bem em vários gêneros musicais, além do jazz. A artista já se apresentou no X e no XVI Festival de Música Instrumental da Bahia e no projeto Jazz no Mam. Simone também desenvolveu trabalhos vocais para diversos artistas como Sidney Magal, Antônio Carlos e Jocafi, Nelson Rufino, Edil Pacheco, dentre outros.

Serviço
Mondicá Trio e Simone Mota
Data: 24/11(quarta) e 25/11 (Quinta)
Horário: 21h
Couvert: R$15


26/11 – Sexta, às 22h

Álvaro Assmar e Mojo Blues Band

No próximo dia 26 de novembro (sábado), às 22h, será realizada uma noite de blues com Álvaro Assmar & Mojo Blues Band. Álvaro traz os grandes clássicos do blues e repertório autoral. Com mais de 15 anos na estrada, Álvaro já tem quatros CDs lançados. Na ocasião, a banda tocará músicas do DVD Blues a La Carte – ao Vivo, lançado em 2007.

Recentemente, Álvaro abriu shows para a lenda viva do blues internacional, Johnny Winter, no Canecão (RJ) e na Via Funchal (SP), ao lado dos guitarristas André Christóvam e Luiz Carlini. O blues man baiano é quem vai lançar a Sexta do Blues no Balthazar. Este ano, Álvaro traz uma nova formação na sua Mojo Blues Band: o filho Eric Assmar (guitarra/voz), Maurício (baixo) e Thiago Gomes (bateria).

Serviço:
Sexta do Blues, com Álvaro Assmar e Mojo Blues Band
Data: 26/11 (sexta), às 22h
Couvert: R$15
www.alvaroassmar.com.br


27/11 – Sábado, às 22h


Tainah

A cantora e compositora Tainah se apresenta no próximo dia 27 de novembro (sábado), às 22h. A artista baiana tem dez anos de carreira construída com ousadia e dedicação à estética musical.

Aos 18 anos, ela começou a compor, e em 1999, aos 24, lançou o primeiro CD intitulado “Desejo”, no show homônimo. Cantou em projetos de rhythm’n’blues e jazz e participou, junto a Aline Cunha e Ana Paula Barreiro, dos “Tributo às Divas” e “Divas Dance”. Em 2007 estreou os shows “Brasileirinhos” e “Jazz Solar”, interpretando composições marcantes da música popular brasileira e do jazz. O resultado é improvisação unida ao bom e velho swing da música brasileira.

Serviço:
Tainah
Data: 27/11 (sábado), às 22h
Couvert: R$15
www.myspace.com/tainahcantora

Balthazar Grill & Bar

O Balthazar, que atende há mais de um ano, agora investe numa temática que remete aos bares do French Quartier, em New Orleans. Sua programação inclui as melhores atrações dos três gêneros musicais que vão se apresentar em um local com infraestrutura preparada para garantir boa acústica ao espectador, por meio de equipamentos de som de primeira linha.

O happy hour do Balthazar começa de terça a domingo, a partir das 18h, e os shows acontecem nas quintas, a partir das 21h, sextas e sábados, a partir das 22h. O local disponibiliza estacionamento com manobrista.

Endereço: Av. ACM, Shopping Cidade, Itaigara, Salvador - BA

Reservas: (71) 3017-4343

http://www.balthazargrill.com.br/hotsite/

Assessoria de Imprensa: (71) 9922-6150 – Marconi Lins

ONTEM FOI O DIA DO MÚSICO


Na “Segunda Feira é do Músico” comemorou-se o dia do músico. Nada mais especial do que os protagonistas da noite que trouxeram à baila o enigma da esfinge musical baiana, em relação à chamada “Axé Música”. O bate papo esteve a cargo de Saulo Fernandes, vocalista da Banda Eva, que tratou logo de subverter a ordem das coisas, apresentando composições suas e de outros autores, com as quais tem afinidade, deixando para o final a conversa, acompanhado pelos seus companheiros de trio elétrico, tendo como participante Emerson Taquari ( na foto), percussionista que faria o show da noite. Outro ponto importante. Emerson tem origem, que ele não esconde, no pagode, tão execrado por aqueles que se dizem admiradores da boa música. Estava posto na mesa o célebre conflito: música de qualidade X música sem qualidade.

Saulo apresentou suas composições, todas em parceria com o pessoal da banda Eva, que apresentam as influências da cultura baiana, que ele sempre ressalta que tem no tambor sua principal impulsionadora. Poderíamos colocá-las, se a questão é um rótulo, como MPB. É um amálgama de diversas influências, incluindo o pop, onde se encontra muita coisa boa. Não podemos esquecer que os grandes standards do jazz têm origem no grande repertório norte-americano, que não é essencialmente jazzístico. Destaque para uma música chamada, salvo falha de memória, “Pegada do Senegal”, que tem um suíngue fantástico, aliado à qualidade dos instrumentistas e ‘É Preciso Perdoar” de Alcivando Luz e Carlos Coqueijo, onde Saulo faz uma inserção de um rap de Mano Brown. Simplesmente maravilhoso.

As composições e interpretações apresentadas por Saulo Fernandes fogem ao padrão “músicas de carnaval”, sempre bem acompanhado pela sua banda. A pergunta é: ele teria espaço para registrá-las para que obtivessem uma maior divulgação fora do esquema carnavalesco?.Lembro que há um disco, que espero há anos, pois quem teve acesso às fitas diz que é um primor, de Cássia Eller cantando blues e acompanhada por Victor Biglione. A gravadora detentora dos direitos não o libera. Os executivos falam que ele foge ao perfil que a gravadora estabeleceu para Cássia Eller, que já faleceu há um bom tempo. Eu que conheci Cássia interpretando blues de forma visceral, imagino o tesouro que está criminosamente escondido.

Porém na discussão sobre este “enigma musical baiano”, Léo integrante da banda de Saulo, fez uma observação importante. A dita Axé Music é uma realidade, está aí, tem público, muitas pessoas a querem assim para meramente se divertir, e eu acrescentaria para ganhar dinheiro, mas não pode levar os músicos a se acomodarem e ficarem apenas se queixando. Têm que fazer seus trabalhos paralelos, buscar seus espaços e não sucumbir à mesmice. E quem viu a apresentação de Saulo observou que naquele palco estava um exemplo do que dizia, que seria complementado pelo show do Emerson Taquari.

A banda de Emerson assumiu o comando com Ênio Taquari e Ricardo Braga na percussão, Beto Martins na bateria, Cesário Leone no contrabaixo, Zito Moura nos teclados, Marcelo Rosário no violão e Ane Morgana na flauta. Iniciou com “Free Choro N° 1”, passou para “Manga Espada” de Zito Moura, uma bela composição, e para a deliciosa Suave Percussiva, onde Ane Morgana faz uma belíssima apresentação na flauta. Emerson expressou que o “Suave” foi posto na música em razão da interpretação de Morgana. Veio então um momento fantástico de exibição percussiva. A música “Pandería” feito pelos irmãos Emerson e Ênio Taquari, onde três pandeiros se apresentam. Estonteante. E para não deixar pedra sobre pedra, foi mostrada outra música com ênfase na percussão, “Trio Baiano”, feita para os três instrumentos básicos da nossa percussão : repique, timbau e surdo. Aos irmãos Taquari juntaram-se Rudson, Daniel e Boaventura. Pura festa. A platéia foi ao delírio.

Chegou a vez de Ricardo Silveira, excelente guitarrista, e convidado da noite. Levando o maestro Zeca Freitas a comentar; “Ele é um instrumentista de poucas notas, mas sempre bem colocadas. Gosto deste estilo”. O que me fez retrucar, lembrando uma estória contada pelo nosso amigo Sérgio Franco, presidente da SOJAZZ, sobre alguém que observou a Antônio Carlos Jobim, que utilizava poucas notas e fazia coisas belas, e ele respondeu: “É que coloco as notas certas”.
A primeira música que Ricardo apresentou foi “Portal da Cor”. Ela teve uma versão instrumental, com outro título, em seu primeiro disco solo “Bom de Tocar”, ganhando posteriormente letra de Milton Nascimento e mudando o nome. Bela apresentação. Seguiu-se “Psicodreams” de Emerson e “Afoxé” de Ricardo Silveira, que demonstrou toda a sua qualidade musical

Para finalizar a noite festiva, Emerson apresentou um frevo e uma composição que sintetiza o espírito da noite: “Pagodão”. A música utiliza a base rítmica do pagode, com requintado toque percussivo e um show de flauta de Morgana, que suaviza tudo, e do baixo de Cesário Leone.

As fronteiras foram cruzadas sem necessidade de apresentação de passaportes, e que isto permaneça. Entre mortos e feridos todos se salvaram.

ANIVERSARIANTES 23/11


Alvin Fielder (1935) - baterista,
Carlinhos Brown(1962) – percussionista,
Claude Marc Bourget (1956) - pianista,
Ray Drummond (1946) – baixista,
Ruth Etting (1897-1978) - vocalista,
Tyree Glenn (1912-1974)- trombonista,vibrafonista,
Ulisses Rocha(1960) – violonista(na foto e vídeo)http://www.youtube.com/watch?v=FdDxy5ALAKA

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

HOJE É DIA DE SEGUNDA É DO MÚSICO


Emerson Taquari é um percussionista que ingressou na música por influência de seu irmão mais velho, Enio, no momento em que o pagode baiano ganhava o país. Na busca pelo aprimoramento de sua técnica, Emerson residiu em Londres, levando a música brasileira para a capital inglesa. De volta a Salvador, passou a integrar o universo do Axé Music em diversas bandas.

No ano de 2006, Emerson começou a tocar com Daniela Mercury, participando de projetos importantes como a gravação do CD e DVD Balé Mulato Ao Vivo e seu mais novo disco, Canibália. Acompanhando a cantora, Emerson teve a oportunidade de dividir palco com diversos artistas como Ivete Sangalo, Fernanda Abreu, Zé Ramalho, Chico Cesar, Zélia Duncan, Fito Paes (artista argentino), Vania Abreu, Maria Bethânia e Gilberto Gil. Atualmente, integra a banda de Daniela Mercury em turnês no Brasil e no exterior, além de participar de projetos instrumentais como: Free Choro e Orkestra Rumpilezz de Letieres Leite.

No ano de 2008 Emerson lançou o primeiro CD de seu trabalho independente, o “Pandeirando” e fez alguns shows importantes em Salvador, como no projeto da Fundação Cultural do Estado da Bahia, o Segundas Musicais, no FIAC (Festival Internacional de Artes Cênicas), no Mercado Cultural, no Pelourinho, pelo projeto Pelourinho Cultural, além do Panorama Percussivo Mundial (Percpan 2009). Nesse mesmo ano, o músico lançou o seu primeiro videoclipe, Bacubahia. Conheçam um pouco do seu trabalho no vídeo indicado abaixo

http://mais.uol.com.br/view/92db81ral8qx/emerson-taquari-canta-a-musica-vera-cruz-assista-0402366CD8A90326?types=A&

O convidado da noite é o guitarrista Ricardo Silveira, músico brasileiro com carreira internacional. Nascido no Rio de Janeiro, sempre soube apreciar boa música e transita com facilidade pelos diversos idiomas musicais.Tocando com amigos e em alguns festivais de colégio, decidiu que queria ser músico profissional. Teve aulas de violão clássico e teoria musical e passou no vestibular para a Escola Nacional de Música, porém não havia a cadeira de violão ou guitarra nas universidades do Rio.

Nessa época, assistiu a um show de Victor Assis Brasil, que tinha estudado na Berklee College of Music, em Boston, assim como o Márcio Montarroyos, que também tocou nesse mesmo show e o incentivou a fazer na Berklee um curso de dois meses, porém, após a conclusão do curso, conseguiu uma bolsa e continuou estudando em Boston. Após este período, voltou ao Brasil, onde ficou por dois meses participando de shows com Márcio Montarroyos.De volta a Boston, por recomendação do guitarrista Bill Frisell, começou a trabalhar com uma banda de salsa, um de seus primeiros trabalhos profissionais nos EUA. "Estrelas Latinas", como se chamava o grupo, era comandada por Fox, um violinista cubano, acompanhado por músicos de Santo Domingo, EUA, Porto Rico e Brasil. Nos finais de semana, Ricardo deixava Boston a caminho de Nova York, onde tocava com o grupo brasileiro Astra Carnaval.
Recomendado pelo trompetista Cláudio Roditi, Silveira foi convidado para integrar o grupo do flautista Herbie Mann, com quem excursionou por dois anos pelos Estados Unidos. Nessa época, já morando em Nova York, começou também a trabalhar em estúdio com grandes músicos como Steve Gadd, Marcus Miller, Michael Brecker e Naná Vasconcelos. Apesar de residir no Estados Unidos não se afastou do Brasil e por recomendação do produtor e músico Liminha, que havia conhecido nos Estados Unidos, Ricardo foi convidado por Elis Regina para participar da turnê pelo Brasil do disco “Essa Mulher”.

Após a turnê com Elis Regina, Ricardo começou a tocar com outros grandes nomes da MPB como Hermeto Paschoal, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Milton Nascimento, João Bosco, Ivan Lins, Nana Caymmi e Ney Matogrosso para quem também fez arranjos e direção musical. Seu primeiro disco foi "Bom de tocar (Polygram)", lançado em 1984. A música fez tanto sucesso, que acabou virando vinheta da Rádio Globo FM, ficando no ar por 10 anos, e eternizando seus solos de guitarra na música que deu nome ao disco. Por conta da repercussão, o guitarrista foi convidado para tocar no primeiro Free Jazz Festival, em 1985. Para o show, convidou os talentosos amigos: o baixista Nico Assumpção, o pianista Luiz Avellar, o baterista Carlos Bala e o saxofonista nova iorquino Steve Slagle. O resultado no palco foi tão bom que o quarteto acabou gravando um disco, o "High Life", lançado em 1986 pelo selo Elektra Musician. O segundo trabalho solo data de 1987 e teve o mesmo selo. O disco tinha como título o nome do próprio guitarrista. Nos Estados Unidos, este trabalho ganhou o nome de "Long Distance", pelo selo da Verve Forecast, que além deste lançou "Sky Light", "Amazon Secrets" e "Small World". Todos estiveram entre os cinco mais executados nas rádios de jazz americana, sendo que "Sky Light" e "Amazon Secrets" chegaram ao primeiro lugar.
Com um outro selo - Kokopelli, de Herbie Mann - foi gravado seu sexto CD, o "Storyteller", em 1995, que também esteve entre as cinco mais tocadas. Em 2001, o CD Noite Clara saiu no Brasil pela MPB e em 2003 nos EUA pela Adventure Music. Este trabalho foi indicado ao Grammy Latino 2004 na categoria melhor CD Instrumental.No mesmo ano da indicação, Ricardo Silveira em parceria com Luiz Avellar, ambos com experiências em turnês ao lado de Milton Nascimento, gravam ao vivo – violão e piano – o CD Milton Nascimento ao Vivo pelo selo brasileiro da Universal e pelo americano Adventure Music.

No dia 10 de julho de 2007 foi lançado nos EUA, Outro Rio, seu décimo trabalho, e em fevereiro de 2008 no Brasil, repetindo a dobradinha dos selos Adventure Music e MPB.
O local do show será excepcionalmente no Largo Pedro Arcanjo, Pelourinho, com início previsto para as 19h. O bate de papo de hoje será com o vocalista Saulo da Banda Eva.

ANIVERSARIANTES 22/11


Dave Carter (1969) - trompetista, Gunther Schuller (1925) – líder de orquestra,
Horace Henderson (1904-1988) - pianista,
Jimmy Knepper (1927-2003) – trombonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=-Vk5Oa4xEZU,
Rogerio Boccato (1967) - percussionista,
Ron McClure (1941) – baixista

domingo, 21 de novembro de 2010

DAVID BINNEY – ALISO (Criss Cross [2010])


Na sua terceira década de carreira, a maior realização do saxofonista alto David Binney, a despeito de ser um músico de valor, tem sido como compositor cujos frequentes aspectos complicados leva-o a permanecer pouco acessível, mas profundamente atrativo. Desde os dias iniciais de “Lost Tribe” até o lançamento do ano passado, “Third Occasion”, o característico estilo composicional veio a ser uma pedra de toque para instrumentistas de Nova York, espraiando-se por outros locais.

Não é que ele não possa tocar diretamente da tradição. O próprio trabalho não poderia vir de qualquer lugar, mas apenas escolhe não fazê-lo. Enquanto em álbuns passados, incluindo “Bastion of Sanity (Criss Cross de 2005)", tem ocasionalmente inserido canções do repertório de standards, o saxofonista nunca antes lançou um disco como “Aliso”, onde cinco das nove faixas não são composições suas, consumindo quase metade dos 73 minutos que dura o disco.

Em razão dos participantes do disco não poderem se reunir até a noite antes da gravação, “Aliso” poderia ser considerada uma criança esquizofrênica. As composições de Binney não são exatamente mais diretas, porém são menos complexas, encorajando maior ênfase no sopro. Uma boa compatibilidade com a música de Wayne Shorter, Thelonious Monk, Sam Rivers e John Coltrane. Com um largamente sólido quinteto (só o piano é compartilhado entre John Escreet e o mais prevalente Jacob Sacks), Binney demonstra sua destreza no alto com sombrias baladas e elegante suíngue ( “Teru” de Shorter e “Toy Tune" respectivamente). Ele também apresenta a menos conhecida habilidade para explorar através de mudanças que vêm rápidas e furiosas, em uma tomada em combustão de "Fuchsia Swing Song" de Rivers.
O restante da banda de Binney é competentemente capaz de manter o enfoque do mainstream, especialmente o baixista Eivind Opsvik e o baterista Dan Weiss, que são raramente ouvidos em trabalhos mais convencionais. Mas para aqueles que querem mais de Binney, eles devem vir para conhecer e gostar das quatro composições do saxofonista mais do que da sua proficiência. O guitarrista Wayne Krantz, participante do álbum de Binney de 2002 (“Balance”, pela ACT) e cujo disco “Krantz Carlock Lefebvre (Abstract Logix)” foi um marco do fusion em 2009, não atua na maioria dos standards, porém sua contribuição no restante de “Aliso” é significativa, misteriosa em sua habilidade para empurrar e puxar o tempo, harmonia e melodia, todas levemente corajosas na entonação e com mudanças idiosincrásicas de frases. Se a faixa titular é a mais balançada, que apresenta os solos mais efervescentes de Binney, a mais elástica temporalmente é "A Day in Music" ou a metricamente desafiante "Bar Life", onde o toque inimitável de Krantz suporta a afirmação assertiva de Binney :"Wayne é um dos meus músicos favoritos”.

Krantz utiliza um pedal para metalizar uma versão de obra-prima modal de Coltrane, "Africa", que esteticamente se molda melhor com o escrito de Binney, apesar de sua inerente simplicidade composicional. Não há nada de errado em ser um pouco esquizofrênico, não quando o resultado é indiscutivelmente ótimo como “Aliso”, uma anormalidade na discografia de Binney, talvez, mas que ainda mantém uma significante marca do seu trabalho.

Faixas: Aliso; A Day in Music; Toy Tune; Strata; Teru; Fuchsia Swing Song; Bar Life; Think of One; Africa.

Músicos: David Binney: saxofone alto; Wayne Krantz: guitarra; Jacob Sacks: piano (2-6, 8); John Escreet: piano (1, 7, 9); Eivind Opsvik: baixo; Dan Weiss: bateria.

Fonte : All About Jazz / John Kelman

ANIVERSARIANTES 21/11


Alphonse Mouzon (1948) - baterista,
Charlie Johnson (1891-1959)- pianista,
Coleman Hawkins (1904-1969) – saxofonista (na foto e vídeo ) http://www.youtube.com/watch?v=mZ5eGEest0g,
Dr. John (1940) - pianista,
Geoffrey Keezer (1970) - pianista,
Peter Warren (1935) - baixista,
Rainer Bruninghaus (1949) - pianista,
Sal Salvador (1925-1999) - guitarrista

sábado, 20 de novembro de 2010

A MÚSICA ME AMA


Você está numa cidade imaginária. Siga pela Avenida Baden Powell e entre na Travessa Elis Regina. No fim da viela, descanse na Praça João Nogueira, junto ao Monumento à Clara Nunes, bem no Cantinho do Sabiá, em frente ao conservatório musical Dorival Caymmi. Passe para a outra quadra, e na esquina da Rua Eduardo Gudin com a Maurício Tapajós tome alguma coisa no Bar Pixinguinha, onde não entra quem não tem caráter. É possível que Vinicius e Tom estejam por lá. Depois, caminhe pelo Bulevar Aldir Blanc. Você verá o Museu de Arte Mauro Bolacha Duarte e o Grupo Escolar Radamés Gnatalli – talvez no jardim espie a professora Luciana pastorando Lenine, Diogo, Marcel, Bena, Alice e outras crianças, observada de longe pela diretora Suely Costa. Pare no caixa automático do Banco Sivuca e saque algumas notas musicais, a moeda corrente nessa cidade, com população de mais de 2 mil composições, chamada Paulo César Pinheiro ( na foto de Luciana Whitaker). Você está numa cidade imaginária. Siga pela Avenida Baden Powell e entre na Travessa Elis Regina. No fim da viela, descanse na Praça João Nogueira, junto ao Monumento à Clara Nunes, bem no Cantinho do Sabiá, em frente ao conservatório musical Dorival Caymmi. Passe para a outra quadra, e na esquina da Rua Eduardo Gudin com a Maurício Tapajós tome alguma coisa no Bar Pixinguinha, onde não entra quem não tem caráter. É possível que Vinicius e Tom estejam por lá. Depois, caminhe pelo Bulevar Aldir Blanc. Você verá o Museu de Arte Mauro Bolacha Duarte e o Grupo Escolar Radamés Gnatalli – talvez no jardim espie a professora Luciana pastorando Lenine, Diogo, Marcel, Bena, Alice e outras crianças, observada de longe pela diretora Suely Costa. Pare no caixa automático do Banco Sivuca e saque algumas notas musicais, a moeda corrente nessa cidade, com população de mais de 2 mil composições, chamada Paulo César Pinheiro. Trata-se de um lugar sem pragas nem ervas daninhas, sem armas nem homens de mal, espécies extintas pelas cinzas de um carnaval.

Nesta entrevista, concedida numa tarde de setembro no Bar Getúlio, em Copabacana, PC Pinheiro fala um pouco dessa cidade da criação, e da inexplicável inspiração que o torna o compositor da música popular de mais vasta obra de todos os tempos. Levam sua assinatura obras tramadas com parceiros de cinco gerações, de Pixinguinha, que hoje teria 113 anos, a Alice, 20, filha de Dori Caymmi. Uma pequena amostra desse acervo o poeta, de 61 anos, descreve no saboroso livro Histórias das Minhas Canções, lançado recentemente pela Editora Leya. E como ele não consegue nem faz questão de explicar direito, em prosa, de onde vem seu poder da criação, os versos a seguir, que não estão no livro, talvez o faça:

“A música me ama, ela me deixa fazê-la. A música é uma estrela, deitada na minha cama. Ela me chega sem jeito, quase sem eu perceber. Quando me dou conta e vou ver, ela já entrou no meu peito. No que ela entra a alma sai, fica meu corpo sem vida. Volta depois comovida, e eu nunca soube onde vai. Meu olho dana a brilhar. Meu dedo corre o papel, e a voz repete o cordel que se derrama do olhar. Fico algum tempo perdido até me recuperar, quase sem acreditar se tudo teve sentido. A música parte e eu desperto pro mundo cruel que aí está. Com medo de ela não mais voltar. Mas ela está sempre por perto. Nada que existe é mais forte, e eu quero aprender-lhe a medida de como compõe minha vida, que é para eu compor minha morte.” (Do disco Parceria, gravado em 1994, com João Nogueira.)

Em meio a uma obra tão vasta, como conseguiu eleger as canções que botou no livro?
Já estou preparando o volume 2. Eu já tinha listado, a princípio, 100 histórias, só por ser um numero redondo. Mas quando chegou na sexagésima eu percebi que o livro estava ficando muito grande. Eu não tinha ideia de que as histórias iam se estender. Achei por bem parar, porque se fosse fazer as 100 o livro iria para umas 600 páginas, ia ficar muito caro. A produção acabou ficando boa, a editora é muito boa. Todo mundo que me diz que leu, diz que leu numa tacada só.

Seu ponto de partida foi Viagem, sua primeira composição?
Na verdade eu comecei antes dela, mas todo começo é um rascunho de vida. Até começar a sair pra valer. E saiu pra valer com essa aí, eu tinha 14 anos (Oh, tristeza me desculpe, estou de malas prontas...). Daí em diante, eu fui fazendo sem nem me dar conta do que aquilo era na minha vida.

Você foi compondo as canções e as canções iam compondo você?
Com certeza. É uma simbiose. A música começa a fazer parte da sua história, da sua vida. Música é isso, observação. É muita inspiração, mas muita observação da vida, das pessoas, dos personagens, do sentimento humano.

Era uma época particularmente privilegiada da criação musical do Brasil, né? Tudo que vinha do DNA do Caymmi, do Pixinguinha, Noel Rosa, Ary Barroso, Villa Lobos estava em plena ebulição na obra de sua geração.
A minha talvez tenha sido, até agora, a última grande geração de compositores do Brasil. Isso vai desembocar em algum momento em algum lugar. Mas acho que ainda são os mais atuantes. Todos da minha geração ainda estão atuantes no dia a dia. Toda hora alguém lança um disco novo, músicas novas, ninguém parou. Está todo mundo com mais de 60 anos, indo para os 70 e criando sem parar.

E isso em um momento de interrupção. O golpe de 64 significou um país interrompido na formação da sua identidade. E essa geração de poetas, artistas, músicos não se deixou interromper.
É porque essa geração se formou antes. A interrupção interferiu no que viria na sequência, mas essa minha geração já estava formada no final dos anos 1950. Quando o golpe aconteceu, em 1964, esse grupo já tinha de 16 a 20 anos. Era muita gente. Uma geração rica, de todo canto. O pessoal da Bahia, gente do Rio e de São Paulo, os mineiros, os paraibanos, como o Geraldo Vandré.

Você chegou a trabalhar com o Vandré, ou foi só com o Théo de Barros (parceiro dele em Disparada)?
Com o Théo. Temos um trabalho muito grande, e grande parte desse trabalho ainda é desconhecido. Ele recentemente gravou um disco e botou ali quatro músicas nossas. Temos umas 40 e tantas músicas inéditas.

Aliás, você...
Eu sou o compositor de maior obra na música popular de todos os tempos. Já falaram até que é caso para o Guiness Book. Tenho mais de 1.150 músicas gravadas e outras mil ainda na gaveta. E continuo compondo, não parei. Tem muita gente gravando músicas minhas, alguns discos inteiros só de músicas minhas. Se contar, na história da música brasileira, talvez o mais próximo disso seja o Braguinha, que deve ter umas 700. Eu vivi para isso, eu dediquei minha vida a compor.

E a primeira grande parceria foi com o Baden (ver vídeo http://www.youtube.com/watch?=oSmNilrOug4&feature=player_embedded?
O Baden foi o cara que sacou tudo isso. Eu digo sempre com gratidão e com um misto de assombro. Naquele momento, eu era parceiro do João de Aquino, que era primo do Baden, que conheci por meio dele. Nós éramos vizinhos de bairro, numa pracinha em São Cristóvão (zona norte do Rio). O João tocava acordeon – o pai dele era cearense –, depois aprendeu pandeiro, violão. Eu, menino ainda, já tinha muita admiração pelo Baden, que já era um nome mundial. E na década de 60 inteira a parceria Baden-Vinícius já era muito forte.

Os santos deles batiam.
E além de tudo, tem isso. Meu assombro foi a visão do Baden diante de um menino começando a fazer música, ele já celebridade, referência de toda a minha geração. Eu tinha 16 anos quando ele me ofereceu uma parceria. “Vamos fazer música juntos?” Aquilo pra mim foi um choque, um espanto. Mas ele já estava antevendo o que ia acontecer comigo.

E você nem imaginava que um dia ia viver da sua música?
Nem pensava, eu comecei a fazer a faculdade de Direito. No terceiro ano tranquei a matrícula e nunca mais voltei. Mas eu nem pensava que a música pudesse ser uma profissão. Meu espanto pelo Baden é acima de tudo essa antevisão que ele teve, de que eu poderia ser esse compositor que eu sou hoje. Ele me abriu as portas. Quando fiz com ele Lapinha, a primeira, eu tinha 16 anos (Quando eu morrer me enterre na Lapinha/ Calça, culote, paletó e almofadinha). Dali em diante, a gente embalou, fizemos cerca de 100 músicas, tudo gravado, muita coisa foi sucesso, muita coisa está na cabeça das pessoas até hoje, se tornou referência para as gerações seguintes. Baden me apresentou todo mundo.

E daí veio a ciumeira do Vinicius de Morais?
Começou aí. O Vinícius sempre foi um sujeito ciumento, possessivo. Eu não o conhecia direito. Eu tinha 16 e ele, 52. Meu espanto foi esse: por que um homem de 52 anos, diplomata, na época, escritor maravilhoso, poderia ter ciúme de uma criança? O tempo botou as coisas no lugar e nos tornamos grandes amigos, nos visitávamos, ele ia pra minha casa eu dia pra dele. Até a hora da morte dele ficou muito junto.

O bilhete que você recebeu dele e reproduz no livro é algo antológico na vida de alguém.
Pra você ver até que grau ia a amizade depois... [Dizia o bilhete: "Para o Paulinho, De pai pra filho e de filho pra pai, sem pai e sem filho, sem filho e sem pai, e com muito amor pelo filho que eu poderia ter (e não tive) mas que é como se tivesse. E aproveitando pra mandar ele pra puta que me pariu, o coração amigo, paterno, fraterno, inferno do seu Vinicius."]

Você compôs e conviveu com gente que participou muito intensamente da sua criação, da sua vida. Muitos morreram cedo. Foi crendo que "a vida é mesmo uma missão e a morte é uma ilusão" que você suportava essas perdas?
Com certeza, perdi muitos parceiros, muitos. Tanto de minha geração como de gerações anteriores. Fui parceiro de duas gerações antes da minha. Pixinguinha hoje estaria fazendo 113 anos, estou com 61. Eu fiz músicas com Radamés Gnatalli (1906-1988), Mirabeau Pinheiro (1924-1991), Alcyr Pires Vermelho (1906-1994), enfim, alguns deles hoje centenários, e outros do meu momento, Baden, Tom, João Nogueira, Mauro Duarte, Maurício Tapajós, Raphael Rabello, Sivuca... Foram morrendo meus parceiros... (pausa). De qualquer forma eu fui me adaptando a gerações mais novas e hoje tenho também parceiros de 19 anos. Quer dizer, eu tenho um parceiro de 113 e um de 19 (risos).

O João Nogueira foi também uma parceria muito rica, das mais intensas?
Foi. Nós começamos a fazer música em 1972, então, foi uma parceria muito longa. E ele não era só meu parceiro. Era meu companheiro de farra, de boemia (veja vídeo http://www.youtube.com/watch?v=ogDBDEIKKdc&feature=player_embedded).

Foi ele que o convenceu a fazer um tributo à Clara Nunes.
Exatamente. [Clara Nunes morreu aos 39 anos, em 1983, depois de um mês na UTI, vítima de um choque anafilático. Cinquenta mil pessoas velaram seu corpo na quadra da Portela. Paulo César, casado com ela desde 1975, recolheu-se a ponto de mal conseguir falar do assunto. João Nogueira insistiu que fizesse um samba-tributo. Dizia: "Só você tem autoridade pra fazer esse samba. Se não fizer, vai pintar uma enxurrada de samba ruim sobre o assunto". E saiu Um ser de Luz: "... Mas aconteceu um dia/ Foi quando o menino Deus chamou/ E ela se foi pra cantar/ Para além do luar/ Onde moram as estrelas (...) Canta, meu sabiá, voa meu sabiá, adeus, meu sabiá/ Até um dia!"] João era meu amigo, meu compadre, eu sou padrinho de uma filha dele. Aliás, parceria não é só um trabalho de compor junto. É amizade, é convivência, senão não funciona.

Você ainda assina em baixo da tese do Pixinguinha, “beber só faz mal pra quem é mau caráter”...
Não é bem assim. É “beber só faz mal pra quem não tem caráter”. E assino embaixo.

A sua Trilogia no Alumbramento – as músicas Súplica, O Poder da Criação e Quando Eu Canto – é a melhor explicação sobre como trabalha a cabeça do compositor?
Tentei explicar o que muita gente me pergunta sempre. “Como é que você faz?” “Você precisa estar triste, ou feliz?” “Precisa de alguma coisa especial?”... Essas perguntas eu ouvi a vida inteira. Eu não preciso de nada disso exatamente. A música dentro brota, não sou quem faço, ela nasce sozinha. Então, eu não preciso estar triste ou feliz, num lugar especial, bonito ou não. Posso estar preso num cubículo que eu faço música. Ela extrapola qualquer tipo de ambiente, a música não é racional. É uma missão. E que assumi como tal, acho que eu vim para isso. Para deixar uma obra que faça bem à humanidade.

Você se diz agnóstico, mas sempre tem uma explicação mística, proveniente do desconhecido, de alguma energia para sua criação?
São as explicações que a gente tenta buscar, não sei. Não compreendo. Não atribuo coisa nenhuma a nenhum tipo de religião. Eu tento entender à minha maneira, com a minha visão, as coisas. Na verdade a gente não sabe nada, não sabe por que veio, por que está aqui, por que vai morrer, isso está além da nossa compreensão.

Esse lance que você diz de ter sensações, visões, presságios, ouvir vozes, foi algo pontual, episódico, ou é recorrente?
É recorrente. Desde que eu comecei. Quando eu comecei a fazer meus primeiros versos, compor minhas primeiras melodias, isso começou em mim. São histórias intermináveis, misteriosas, eu não sei explicar e por não saber explicar eu não atribuo a coisa nenhuma, a religião nenhuma, a nenhum tipo de crença. Não sei explicar, simplesmente. Mas eu vejo gente, eu escuto coisas, acontecem coisas sobrenaturais comigo o tempo inteiro.

E as mil e poucas músicas que você ainda tem guardadas, tem planos pra elas?
Não, elas vão saindo lentamente. Da mesma forma que eu vou fazendo por fazer, às vezes eu faço por encomenda. É um filme, e pedem uma canção tema, é teatro, é novela. Canções com tema oferecido e você escreve em cima do tema. Mas isso é um trabalho à parte, eu faço música por fazer, a música vem e eu vou fazendo. E vai acumulando. À medida que as pessoas vão procurando pra perguntar se tem alguma música nova, inédita, eu vou tirando do baú. Vou abrindo o baú e vou espalhando. Ultimamente, por exemplo, tem sido gravada muita coisa minha. Eu sempre tenho. Quando me procuram, eu só pergunto qual é o gênero que a pessoa quer (risos). Samba-canção? Bolero? Valsa? Samba? Choro? O que você quer? Tem, está no baú, é só vasculhar e escolher.

Quando você fala de "encomenda" não tem só encomenda profissional, né?Muitos amigos, parceiros, pediram coisas para preencher uma determinada situação emocional, um momento...
Também, lógico. A Elis era a rainha das encomendas. Volta e meia me ligava já com uma coisa na cabeça.

Você menciona no livro uma cantora de samba, nos anos 70, que deixou Elis incomodada a ponto de ela pedir um samba pra cutucar a concorrente (Cai Dentro)? Quem era?
Ah, isso eu não posso falar.

Pô, conta aí, eu juro que não conto pra ninguém.
Isso daí eu não falei no livro e não vou falar pra você. De jeito nenhum (risos).

Você parece carregar um traço de generosidade. É característica nata, ou desenvolveu com o tempo, com as parcerias?
Nasci em berço pobre. Meu pai era operário, tinha dois empregos. Conheci meu pai praticamente com 11 anos de idade, porque antes eu nunca o via de tanto que ele trabalhava. A gente morava numa vila de operários, da Light, em Jacarepaguá (zona oeste do Rio). A família dele, paraibano, é toda nordestina. Eu visitando parentes meus via a miséria que era. Da parte da minha mãe, meu avô era pescador, com família grande. Na casa dele não tinha luz, era lampião de querosene; não tinha gás, era fogão a lenha; a água era a de um riacho do lado. A casa era uma tapera. Minha avó, por parte de mãe, é índia guarani de uma tribo que ainda existe em Angra dos Reis, Bracuí. Saído desse meio não pode dar ninguém que não seja assim. Eu sou meio índio, meio sertanejo, tenho isso na minha essência, está no meu sangue, está no gene.

Eu falei dessa generosidade porque você, acolhido naquele meio criativo de sua época, também acolheu muita gente jovem que veio depois, como o Lenine, que não voltou pro Nordeste porque você insistiu pra ele ficar e deu no que deu.
Muita gente. Sempre fui assim (veja vídeo http://www.youtube.com/watch?v=-jSVLwz1bag&feature=player_embedded).

Algumas composições suas parecem premonitórias. "O Dia em que o morro descer e não for carnaval, ninguém vai ficar pra assisitir o desfile final...", você fez com Wilson das Neves em...
É observação. A gente que não está no meio da correria da sobrevivência a qualquer custo pode sentar e observar. Eu paro num balcão de bar pra tomar um café e escuto aquelas pessoas que estão ali. Às vezes uma frase de um bêbado me faz fazer um samba. A observação é algo muito forte em mim, e tendo tempo pra observar o seu tempo você começa a ver na frente o que vai acontecer. A previsão da violência urbana, dos morros descendo pro asfalto, do medo do pessoal do asfalto, das armas. Da destruição da natureza.

Quando você fez As Forças da Natureza a degradação ambiental era assunto restrito ao meio científico.
Nem existia. A música é de 1976 e já alertava: vai haver catástrofe, vai acontecer coisa ruim. O homem está destruindo seu mundo e é claro que esse mundo vai se voltar contra ele. Aí começa a passar na sua cabeça uma sequência de filme, e você vai até 30, 40 anos adiante. Isso desemboca na minha obra. Parecem coisas místicas, mas é mera observação.

E as novas gerações de compositores, e também de consumidores de música, estão ligadas?Estão observando o mundo ao seu redor?
Muita gente está. Não essa moçada da mídia. A moçada que segue a mídia não está. Mas a moçada que está ao largo da mídia, à margem da mídia, está buscando caminhos, sim. Eu conheço muita gente, muito compositor bom, que está escondido, em guetos praticamente, e que vive da música. Meus filhos, por exemplo, são compositores. A Escola Portátil, por exemplo, é um foco disso. A Lapa, que voltou a ser a Lapa de outros tempos, é o coração da vida noturna do Rio. A zona sul acabou. A Lapa foi renascendo, crescendo, se desenvolvendo e ramificando. Agora já está indo para a praça Tiradentes, para o cais do porto...

São redutos que vão além das baladas comerciais?
Exatamente. E grande parte dos músicos que sustentam essa música da Lapa está saindo da Escola Portátil.

E o que é a Escola Portátil?
É uma escola que foi criada pela minha mulher Luciana (Rabello) e pelo Maurício Carrilho pra ensinar choro, principalmente porque os nossos filhos não tinham muito ambiente musical. Então eles resolveram criar essa escola pra juntar esses meninos que escutavam as coisas em casa mas que na rua não tinha. E foi crescendo. Conseguiu recentemente uma casa na rua da Carioca, entre a praça Tiradentes e o Largo da Carioca – em frente ao Bar Luís, pra ser mais específico. Era um pedido antigo. Uma casa tombada pelo patrimônio, caindo aos pedaços, e o governo do estado cedeu. Eles estão com projetos já em começo de construção, mantendo a fachada da casa, claro, e por dentro reformando tudo. A escola provisoriamente funciona na Uni-Rio, na Urca.

E como funciona? As pessoas pagam mensalidades? É para pessoas de baixa renda?
A maior parte das pessoas é pobre. Alguns pagam, outros não, existem bolsas. É uma casa de quatro andares, vai ter um terraço e já começaram as primeiras obrinhas. As salas de aula vão estar todas ali. Vai haver um teatro, como espaço de espetáculos e para gravações. Vai haver um estúdio para gravar tudo o que vai acontecer ali. Quer dizer, as pessoas estudam ali, praticam lá em cima, num terraço, num botequim tomando cerveja, e depois fazem shows e gravam no teatro. É bem bolado. Não é um projeto social para tirar menino da rua, não. É um projeto para formar cidadão e formar profissional. É para ele sair dali um profissional de alguma coisa da música. Não é só um projeto que vai lá, tira o menino da rua e não ensina nada de arte.

Você acha que a arte ainda é um grande canal de formação de uma nova consciência, essa que o planeta precisa para resistir ao desgaste causado pelo homem?
Com certeza.

Fale sobre as gravadoras, a indústria da música, comparando aquela época efervescente com os dias de hoje. Tem-se a impressão de que a qualidade daquela época pautava mais o rumo das gravadoras, e que hoje elas é que pautam seus artistas, e pela mediocridade.
Nessa época rica a que você se refere cada gravadora tinha cerca de 90 artistas em seus elencos. A Odeon tinha isso, a Phillips, tinha por aí, a CBS, a RCA Victor. E os diretores daquela época eram pessoas de outro tipo de gosto. E às vezes até músicos. O (Roberto) Menescal foi diretor da Phillips. Hoje a atribuição dessa escolha não é artística, é do marketing, que dita as regras e opina o que vai vender e o que não vai. As gravadoras por sua vez estão acabando no Brasil. Foram diminuindo, vendendo seus estúdios, que eram maravilhosos, e reduzindo seus castings. E ferramentas novas foram chegando. A gente tem de aprender a lidar com elas. Agora, eu só acho que o direito autoral precisa ser respeitado, ainda está havendo discussão em torno disso. E acho que a internet é um sistema muito mais democrático do que o das rádios.

E as rádios, continuam iguais a sempre?
As emissoras de rádio são concessões públicas, a maioria é de políticos, e a regra do jogo em rádio que toca música é ditada por esse marketing de que falei antes. Os horários estão comprometidos. Existe o famoso jabá, a compra disso. E se quem está chegando não tem como botar seu disco para tocar em rádio nenhuma, migra para a internet. Está mais democrático. A rádio toca a mesma coisa no Brasil inteiro. Música achatada e pasteurizada, não tem leque aberto. Pelo menos na internet você ouve o que você quer, busca o que você quer.

Hoje muita gente produz e cuida de vender seus próprios CDs.
Pois é, naquela época eram contratados muitos artistas... E hoje também é tudo muito rápido e passageiro. Naquela época, os diretores artísticos investiam muito nos artistas e durante muito tempo. Hoje se um artista não dá certo num disco ele morre, acaba. Naquela época, o Milton Nascimento, para citar um exemplo, começou a ser conhecido depois do quarto disco, mas a gravadora ia arriscando, dando condições para o cara sabendo que o cara era um artista de verdade. Então tinha mais esse tempo de desenvolvimento, que não existe mais. Hoje é tudo muito veloz. Não deu certo, joga fora, bota outro.

As novas ferramentas oferecem também uma alternativa à indústria do disco. Como pode um lançamento ainda custar em torno de R$ 35, R$ 40? Quem compra? E quando alguém compra, que fatia vai para o artista?
É caro. O ganho vai depender do contrato, como uma gravadora ou uma independente que vai distribuir. Pode ser 10% do preço de loja, pode ser 7% ou 15%. Mas um disco custar R$ 35 é caro. Devia ser mais razoável esse preço. Por causa disso a pirataria se instala e aí esculhamba todo o resto. Quem compra um CD por R$ 5 na mão do camelô não vai dar R$ 35 na loja. O preço devia ser mais razoável, mesmo com todo o processo de feitura do disco, que é caro também, mas não a ponto de ter de custar R$ 35, R$ 40. Tem que ter um meio-termo.

Onde você mora hoje em dia? Fale um pouco da sua cidade.
Em moro em Laranjeiras, mas eu já morei em tudo que foi canto do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro é o meu quintal. Eu nasci em Ramos, onde hoje é o Complexo do Alemão, barra pesada. Passei parte da minha infância em Jacarepaguá, na zona oeste, onde ainda havia fazendas de gado, hortas. Morei em São Cristóvão, primeiro no pé do morro de Mangueira, na rua Ana Neri, depois no pé do morro do Tuiuti – minha adolescência, final de infância, foi nos morros. Por isso eu entendo bem dos morros. Depois morei em Copacabana, no Jardim Botânico, morei no Leblon, na Barra da Tijuca, morei em Jacarepaguá de novo. Estou agora em Laranjeiras, e só saio dali para o (cemitério) São João Batista.

Toc, toc, toc...
Eu morei em todo canto e por isso sou um conhecedor da cidade. Fazendo boêmia, passei por todos os lugares, nos subúrbios da zona oeste, da zona sul, da zona norte mais distante. Conheço bem, não conheço de me contarem. Talvez eu tenha sido um dos compositores que mais falou da cidade do Rio de Janeiro.

Das pessoas da sua geração, com quem você convive mais hoje, e com quem ainda compõe?
Edu Lobo, Dori Caymmi, Francis Hime... Foram os que sobraram.

Nunca fez nada com o Chico Buarque, o Paulinho da Viola? Não são da mesma turma?
Não. Somos da mesma turma, mas eles fazem tudo. O Chico não precisa muito de parceiro. O Paulinho faz sozinho também, e tem alguns parceiros, Elton Medeiros e tal. O Chico esporadicamente faz com alguém. Fez mais com o Francis, como Edu, por trabalhos encomendados também. E aí como nós fazemos música e letra, todos... o Edu não faz tanto letra, já fez, o Dori não faz, então essa minha convivência em parceria com eles é mais por isso.

E dessa safra nova, mais jovem?
Eu sou hoje parceiro dos filhos dos meus parceiros. As minhas companhias hoje são o Bernardo Lobo (o Bena, 37 anos), Diogo Nogueira (29), o Louis Marcel e o Philippe (28 e 32 anos, filhos do Baden) – o Philippe é meu afilhado, inclusive, de batismo). A filha do Danilo Caymmi, Alice (20), é minha parceira. Então sou parceiro dos meninos que peguei no colo. Sou parceiro dos meus filhos. Isso daí é impagável. Você pegar uma criança no colo, e 20, 30 anos depois você ser companheiro de trabalho dessa pessoa, ser parceiro dessa pessoa, é difícil explicar a sensação. Quer coisa melhor?

E o que você está preparando agora?
Tem vários livros pra sair. Lancei um no final do ano passado, lancei outro agora, há dois meses, em curto espaço de tempo. Tem um segundo romance para sair que eu espero que seja lá pelo meio do ano que vem. Tem um livro de sonetos para sair, outro de histórias de personagens, figuras, do tipo daquele cara que nós cruzamos agora há pouco ali na praia, que parou, e queria bater um papo, não-sei-o-quê. Figuras como essa tem a dar com pau, em cada esquina, e eu conheci muitas. É um livro chamado Figuras desse meu Povo. Eu lembro de figuraças dessas, anônimas, e conto as histórias. Então, tem três livros para sair. Tem um disco que sai agora em novembro, pelo selo Quitanda, da Bethânia, que é da Biscoito Fino, chamado Capoeira de Besouro, que são as músicas que eu fiz para a minha peça teatral Besouro Cordão de Ouro.

Tem a ver com o filme Besouro?
Não. O filme foi chupado de mim, mas não tem nada a ver. Foi até bom não ter nada a ver com a minha história. Eu tenho uma peça, que estreou em 2006, e que aliás no mês que vem vai reestrear em São Paulo, no Sesc Pompeia. E o disco que eu gravei com as músicas da peça sai em novembro. E tem muitos projetos aí pra frente, fora discos de cantores só com músicas minhas. Aliás, soube anteontem que estou concorrendo ao Grammy Latino com duas músicas, uma com Edu Lobo e outra com Dori Caymmi – Tantas Marés, que é o nome do disco do Edu, e Quebra Mar, disco do Dori, ambas gravadas recentemente. O Dori concorre na categoria de música e de melhor disco. Eu já ganhei um Grammy, se ganhar vai ser o segundo, vou começar a colecionar (risos). É isso? Posso ir tomar meu chope?

Fonte : Paulo Donizetti de Souza, Revista do Brasil, Edição N° 52

ANIVERSARIANTES 20/11


Don Braden (1963) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Y7Ew-DxFBZ8,
Jay Rosen (1961) - baterista,
June Christy (1925-1990) – vocalista,
Meredith Monk (1943) - vocalista

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

LEITORES DA DOWNBEAT ESCOLHEM OS MELHORES DO ANO


A DOWNBEAT em sua edição de Agosto divulgou a relação dos melhores jazzistas e blueseiros do ano, escolhidos pelos críticos em sua 58ª edição. Publicamos esta lista em 02 de agosto. Na edição de dezembro divulgaram os melhores do ano para os leitores da publicação. Esta foi a 75ª edição desta escolha. Segue a lista:

Artista do Ano : Chick Corea (na foto de Taylor Crothers)
Álbum do Ano : Pat Metheny - Orchestrion (Nonesuch)
Galeria da Fama : Chick Corea
Compositor : Maria Schneider (escolhida também pelos críticos)
Selo : Blue Note
Vocalista Feminino : Diana Krall
Vocalista Masculino : Bobby McFerrin
Baixo Acústico: Christian McBride (escolhido também pelos críticos)
Baixo Elétrico : Christian McBride
Guitarra : Pat Metheny
Violino : Regina Carter
Teclado Eletrônico : Chick Corea
Piano Acústico : Herbie Hancock
Órgão: Joey DeFrancesco
Grupo: Dave Brubeck Quartet
Big Band: Maria Schneider Orchestra (escolhida também pelos críticos)
Trompete: Wynton Marsalis
Trombone : Robin Eubanks
Saxofone Barítono : James Carter
Saxofone Tenor : Sonny Rollins
Saxofone Alto : Kenny Garrett
Saxofone Soprano : Wayne Shorter (escolhido também pelos críticos)
Clarinete : Anat Cohen
Flauta : Hubert Laws
Bateria : Jack DeJohnette
Percussão : Airto Moreira
Outros Instrumentos : Bela Fleck [banjo] (escolhido também pelos críticos)
Artista de Blues : B.B. King
Álbum de Blues do Ano : B.B.King – Live in África ´74 (Shout Factory)

ANIVERSARIANTES 19/11


Bill Allred (1936) - trombonista,
Kenny Werner (1951) - pianista,
Matt Dusk (1978) - vocalista,
Tommy Dorsey (1905-1956) -trombonista,líder de orquestra,
Tommy Stewart ( 1939) – trompetista, pianista,
Vincent Herring (1964) – saxofonista(na foto e vídeo)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MEL LEWIS JAZZ ORCHESTRA – THE DEFINITIVE THAD JONES (Nimbus [2010])


Gravado em 1988, passado duas décadas da criação da “Thad Jones/Mel Lewis Jazz Orchestra” e uma década depois de Jones ter deixado a banda, esta é a última gravação sob o comando de Lewis (ele morreu dois anos depois, 20 anos atrás completados em Fevereiro de 2010). Assim, reflete os conceitos de Lewis, bem como suas adaptações para a orquestra dos projetos de Jones. A instrumentação, também, é diferente da criação inicial e da atual Vanguard Jazz Orchestra, onde nos metais estão inclusos dois trombones baixo e um French horn. O CD duplo inclui dois LPs originalmente feitos para a MusicMasters, o segundo volume lançado após a morte de Lewis.

Entretanto estes são clássicos, alguns ouvidos atentamente quando Jones atuava com Count Basie, "Quietude" originalmente escrita para Buddy DeFranco e a a Orquestra de Glenn Miller, porém aqui sem qualquer clarinete, Eles têm se se desenvolvido e expandido ao longo dos anos. "Little Pixie" vai além dos limites do tempo e velocidade de tempo das big band , é um perfeito exemplo do que Lewis chamou “[nosso] único estilo de tocar com esta banda eu denomino de estilo Bird (Charlie Parker)". Outra peça que pega velocidade e mais vivacidade “bebopiana” sob a batuta de Lewis é "Cherry Juice" com o “bagunceiro”conjunto de saxofones, que apresentam o tema contrastando com a marca registrada de Jones, adstringente à pegada dos metais e longos solos (Jim Powell, flugelhorn; Joe Lovano, sax tenor ; Kenny Werner, piano) que começa como um quarteto livre antes de completar a banda com estocadas e estímulos excitantes. Durante "Three in One" outra longa exibição para três solistas na clave baixa (John Mosca, trombone; Gary Smulyan, sax barítono; Dennis Irwin, baixo), o distinto acento de Lewis em relação à maioria dos bateristas de big band toca com vigor, como um címbalo ecoando do trompete líder. Seu toque atrás dos solistas enfatiza sutilmente suas qualidades.

Duas das músicas aqui foram compostas para a banda feita para a Verve, acompanhando um organista, Rhoda Scott em Nova York, em 1976; uma delas, uma rara canção convencional na forma AABA de Jones, "Rhoda Map", é uma das favoritas da orquestra. A outra, "Walkin' About", mostra como põe seu próprio selo em um tributo a Count Basie. Uma distinta pegada para a seção de sax no tema dentro de clima próprio de Basie , e não esqueça a saltitante atuação de Earl Gardner em "Tip Toe", apresentando, também, um solo mais tranqüilo e um toque sutil característico de Lewis nas baquetas. É o Lewis despretensioso, com estilo altamente personalizado dentro das armadilhas apresentadas, que faz deste álbum algo inconfundivelmente vinculado à Mel Lewis Jazz Orchestra.

Faixas: Low Down; Quietude; Three in One; Walkin' About; Second Race; Tip Toe; Don't Get Sassy; Rhoda Map; Cherry Juice.

Músicos: Mel Lewis: bateria; Kenny Werner: piano; Dennis Irwin: baixo; Dick Oatts, Ted Nash: saxofones alto e soprano; Joe Lovano,Ralph Lalama: saxofone tenor; Gary Smulyan: saxofone barítono; John Mosca,Ed Neumeister: trombone; Douglas Purviance,Earl McIntyre: trombone baixo; Earl Gardner,Joe Mosello,Glenn Drewes, Jim Powell: trompetes; Stephanie Fauber: french horn.


Fonte : All About Jazz / George Kanzler

ANIVERSARIANTES 19/11


Bennie Wallace(1946) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=0e-tIzEo-Dc,
Cindy Blackman (1959)- baterista,
Claude Williamson (1926) - pianista,
Don Cherry (1936-1995)-trompetista,cornetista,pianista,percussionista,
Johnny Mercer (1909-1976) - compositor vocalista,
Sheila Jordan (1928)- vocalista

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SÉRGIO MENDES – BOM TEMPO


Já sem dramas e nem mentiras, chega às lojas “Bom Tempo”, o novo disco de Sérgio Mendes. Não traz nada de novo, exatamente, mas isso, em se tratando de Sérgio Mendes, é um grande trunfo. O disco tem um belo repertório de canções brasileiras ricas em ritmos, participações de conhecidos cantores e compositores como Milton Nascimento, Carlinhos Brown, Seu Jorge e Gracinha Leporace, e também uma capa exótica, em que o arranjador e produtor aparece de terno e chapéu azul-marinho entre motivos tropicais.

A despeito das críticas, Sérgio Mendes é um selo de qualidade da nossa música em todo o mundo. Seus discos universalizam o nosso som, colocam nossa música em qualquer mercado a partir do americano. Este “Bom Tempo” não é diferente disso. Com as melhores condições que o dinheiro pode comprar, os melhores músicos e estúdios e, bom que sempre se repita, um indiscutível bom gosto e talento, Sérgio Mendes nos traz mais um excelente e irresistível disco.

Não há como negar as recorrentes críticas ao trabalho do músico. Seu som é, de fato, como a melhor torta de uma famosa delicatessen. É feito mesmo para agradar ao maior número de paladares possível e ponto. O ônus disso é que não incomoda nem inova. No entanto, não há músico ou especialista que ouça, por exemplo, seus arranjos para “Emoriô”, de Gilberto Gil e João Donato (ouçam o áudio [ http://www.youtube.com/watch?v=mq2-S1KzCe8]), com a participação de Nayanna Holley e Carlinhos Brown, sem se estarrecer com a qualidade. O equilíbrio perfeito entre o uso de samplers, teclados e instrumentistas, a sagacidade em tomar emprestado o melhor de cada artista, enfim, a absoluta maestria do fazer musical, que transforma qualquer argumento contrário em pura abobrinha.

Sérgio vai do mais exótico, como “País Tropical”, de Jorge Ben Jor ou “Maracatu Atômico”, de Nelson Jacobina e Jorge Mautner, até o preciosismo harmônico de “Caminhos Cruzados”, de Tom Jobim e Newton Mendonça, ou “Caxangá” de Milton Nascimento e Fernando Brant, esta com uma incrível participação do autor, com destreza absoluta. Sabe como encaixar todas estas canções, cada uma com um apelo amplamente diferente, dentro de um mesmo espectro, para que possam ser consumidas pelo rico mercado mundial.

O lançamento se desdobra no “Bom Tempo Brasil Remix” que, como o nome diz, traz várias versões das mesmas canções do original remixadas pelos DJs mais famosos e requisitados do mundo, como Paul Oakenfold, Roger Sanchez, Paul Harris, entre vários outros. O resultado, mesmo que soe terrivelmente chato ao ouvinte tradicional, tem o mérito de colocar grandes compositores de nossa música no circuito da garotada.

No resumo da ópera, Sérgio Mendes faz neste “Bom Tempo” e “Bom Tempo Brasil Remix” o que sempre fez de melhor. Coloca a nossa música dentro de uma embalagem segura para que embarque em qualquer voo para qualquer parte.

Fonte : Revista Fórum / Julinho Bittencourt (Toques Musicais)