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terça-feira, 31 de março de 2020

STEPH RICHARDS – TAKE THE NEON LIGHTS (Birdwatcher)


O espaço vazio musical no qual a trompetista do Brooklyn-via-Canadá, Steph Richards, opera a extensão para além do jazz avant-garde—uma área que ela explorou com imaginações como as de Anthony Braxton, Henry Threadgill e John Zorn, e dentro do território arte-pop (ela registrou tempo de estúdio com Yoko Ono e David Byrne). No fascinante último ano, a pesada eletrônica de FULLMOON, a compositora, a trompetista/flugelhornista, e percussionista vêm de seu próprio jeito; agora Richards está exibindo seu versátil conjunto de habilidades no complexo uso do acústico, inclinando o ímpeto do jazz em “Take the Neon Lights” com tranquilidade.

Ampliado por um grupo vigoroso formado pelo pianista James Carney, pelo baixista Sam Minaie e pelo baterista Andrew Munsey, Richards vai romper neste trabalho com oito faixas agitadas e hiperativas, desenhando, em constante mudanças, sons ousados que são firmes para imobilizar. Traços de carga vigorosa de bebop e um pesado balanço suingante infiltram-se através do trabalho, mas, em última instância, o álbum é de um gênero desafiador.

Destinado como uma carta de amor de estilos a Nova York, “Take the Neon Lights” toma emprestado títulos das canções dos poemas sobre a cidade de Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Langston Hughes e outros. Animado, números trepidantes como a faixa título, “Brooklyn Machine” e “Time and Grime”, captura o passo obrigatório, sem esforço. Richards lidera a forma com linhas vertiginosas, salvas brincalhonas e gritos agudos, enquanto a intensidade polirrítmica de Minaie e Munsey e o trabalho deslumbrante do teclado de Carney mantêm a música adiante com abandono. Caos, diligência, granulação, surpresa, beleza— está tudo aqui. Com seu segundo trabalho estelar como líder em muitos anos, Steph Richards veio a ser uma estrela de ponta do jazz em minuto em Nova York.

Faixas - Take the Neon Lights; Brooklyn Machine; Time and Grime; Rumor of War; Transitory (Gleams); Skull of Theatres; Stalked by Tall Buildings; All the Years of Our Lives.

Músicos - Steph Richards: Trompete, Flugelhorn; James Carney: Piano: Sam Minaie: Baixo; Andrew Munsey: Bateria.

Fonte: BRAD COHAN (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 31/03


Bob Meyer (1945) – baterista,
Christian Scott(1983) – trompetista,
Duduka da Fonseca(1951) – baterista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=S1jjqcozNvg,
Elli Fordyce (1937) – vocalista,
Freddie Green (1911-1987) – guitarrista,
Gene Puerling (1929-2008) – vocalista,
Herb Alpert (1935) – trompetista,
Lizzie Miles (1895-1963) - vocalista,
Oberdan(1945-1984) – saxofonista,
Red Norvo (1908-1999) – vibrafonista,
Mark Lokheart (1961) - saxofonista
Virgínia Rodrigues (1964) - vocalista


segunda-feira, 30 de março de 2020

LARRY GRENADIER – THE GLEANERS (ECM Records)


O baixista Larry Grenadier tem um currículo impressionante: múltiplas gravações com Herbie Mann, Paul Motian, Charles Lloyd, com o trompetista/irmão Phil Grenadier, com a vocalista/esposa Rebecca Martin, Chris Potter, Joshua Redman, Jamie Saft e muitos outros. Sua marca tem sido aprimorada pelo seu estelar trabalho com Pat Metheny e uma associação de mais de 20 anos com Brad Mehldau. Não é surpreendente que Grenadier não tenha lançado um álbum solo, dada a relativa raridade de gravações apenas com baixo, mas “The Gleaners” prova ser o mérito da espera.

Esta estreia foi acelerada pelo fundador da ECM, Manfred Eicher, e inclui sete composições inéditas e uma eclética mistura de reedições. A breve abertura, usando arco, "Oceanic" providencia um belo, melancólico começo que dá o caminho para um tributo com bom sentimento a Oscar Pettiford, uma inspiração inicial de Grenadier. "Gone Like the Season Does" retém a singular tepidez, e cortes afiados, da versão vocal original de Rebecca Martin. Grenadier inclui um interessante medley traçado a partir de diferentes compositores com "Compassion" de John Coltrane e "The Owl of Cranston" de Paul Motian. O baixista enfatiza as diferenças com as técnicas, mas cria uma natural mistura das peças. Há um bom acordo de variabilidade dos estilos em “The Gleaners” com o peculiar toque folk de "Woebegone", o intricado e firmemente articulado "Bagatelle 2", com uma qualidade de robô de "A Novel In a Sigh" e uma moderna entonação profunda em "My Man's Gone Now" de George Gershwin.

O relacionamento de Grenadier com o icônico selo ECM data de duas décadas atrás, iniciando com “The Water Is Wide (1999) ” de Lloyd e incluindo o Mark Turner/Jeff Ballard Fly Trio e gravações com o guitarrista Wolfgang Muthspiel, que contribui aqui como um compositor. Eicher tem uma afinidade com gravações solo de baixo, tendo hospedado Dave Holland, Eberhard Weber, Barre Phillips e Miroslav Vitous em tais configurações. É iluminante ouvir Grenadier na forma como ele executa as baladas belamente orquestradas, vinhetas esparsas e improvisações. Tão inteligente, esperto e tecnicamente premiado quanto é, Grenadier sempre coloca a canção primeiro e a leva para uma grande audição.

Faixas: Oceanic; Pettiford; The Gleaner; Woebegone; Gone Like the Season Does; Compassion / The Owl of Cranston; Vineland; Lovelair; Bagatelle 1; Bagatelle 2; My Man’s Gone Now; A Novel In a Sigh.

Fonte: Karl Ackermann (AllAboutJazz)

ANIVERSARIANTES - 30/03


Dave Stryker (1957) – guitarrista,
Eric Clapton (1945) – guitarrista,vocalista,
Hamilton de Holanda (1976) – bandolinista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=9v-CntBdUTc&feature=related,
John d’Earth (1950) – trompetista,
Karl Berger (1935) - pianista , vibrafonista,
Lanny Morgan (1934) - saxofonista,
Marilyn Crispell (1947) - pianista,
Norah Jones (1979) – pianista, vocalista,
Ted Heath (1900-1969)- trombonista,líder de orquestra

domingo, 29 de março de 2020

AARON PARKS – LITTLE BIG (Ropeadope)

Após uma ausência como líder, o pianista e compositor, Aaron Parks, reemergiu em 2017 com uma nova formação de trio, lançando o altamente aclamado “Find The Way (ECM) ”, que transportou sua linguagem harmônica singular encontrada quatro anos antes, no disco solo “Arborescence (ECM, 2013) ”. “Little Big”, de hoje, entretanto, vem muito mais na inclinação da sua estreia em uma grande gravadora, “Invisible Cinema (Blue Note 2008) ”. A abordagem moderna de uma banda eletrificada, progressões harmonicamente mais lentas e mais frases imediatamente melódicas, revelam, de ponta a ponta, a atitude do rock que foi prevalecente em sua estreia, e soa tão encantadora quanto ele fez uma década atrás.

Parks nunca precipita as coisas, mas antes se concentra em saborear as mudanças para suas ideias melódicas mais completas e belas com abordagem distinta e muito minimalista. Muito como o doce e levemente nostálgico círculo de progressão que é "Small Planet", o espaço com vibração de "Aquarium" ou a mais melancolicamente suspirante "Siren", uma abordagem reducente e modesta pode ser traçada através do álbum inteiro e é sacudida, em raros momentos, por modelos agitados da bateria e mais acompanhamentos improvisados do piano e da guitarra. Enganosamente, em perspectiva, a natureza dos mais recentes lançamentos, leva a gravação a estrondoso início com a abertura de "Kid", que soa como uma tomada moderna da fusion dos anos 70. Aqui, as explosivas rajadas da bateria de Tommy Crane são encontradas por exercícios de inquietações distorcidas na guitarra e dão passagem para o toque dos sintetizadores, que lideram. Por um momento, este som vem a ser altamente reminiscente do recente esforço de Gilad Hekselman, “Ask For Chaos (Motéma/Hexophonic Music, 2018)”, onde contribuições de piano e sintetizador de Parks tocam uma parte importante.

Enquanto a abordagem colorida em instrumentação e arranjo permanece presente ao longo do álbum, a pulsação na subcorrente das composições enfraquece cedo e faz sala por melodias contemplativas apresentadas ao piano, elegantemente acompanhado em forma atmosférica da banda. Asperamente, nos 80 minutos, o passo mais rápido—e, em contraste com a maioria das canções do álbum, mais soando mais esperançoso —"Rising Mind" não salva por completo a segunda metade do álbum da lentidão, mas introduz uma abordagem harmônica mais positiva. E o otimismo é captado no final das músicas e é especialmente proeminente na amável "Good Morning", trazendo “Little Big” para um final reconciliador.

Cônscio da significante quantidade de tempo que se passou desde sua estreia em 2008, Parks não hesita em providenciar um profundo olhar de tudo que, entretanto, cruzou musicalmente em sua mente. Sem dúvida, aqui ou lá, um pouco mais de ornamento ao lado de contornos deve ter mantido esta gravação a partir do pouquinho de sentimento bastante longo até o final. Entretanto, por que deixar o material recortado no chão da sala, se você tem um conceito sonoro que é expresso através de cada canção, quando cada ideia em “Little Big” sente-se relevante e representa uma valorosa anedota?

Faixas: Kid; Small Planet; The Trickster, Professor Strangeweather; Lilac; Aquarium; Digital Society; Siren; Mandala; Hearth; The Fool; Rising Mind; Good Morning; Doors Open.

Músicos: Aaron Parks: piano, teclados; Greg Tuohey: guitarra; David Ginyard: baixo; Tommy Crane: bateria.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:


Fonte: Friedrich Kunzmann (AllAboutJazz)

ANIVERSARIANTES - 29/03


Astrud Gilberto (1940) – vocalista,
Michael Brecker (1949-2007) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=fJt3qeuPdns,
Pearl Bailey (1918-1990) – vocalista,
Richard Rodney Bennett (1936-2012) – pianista,
William Clarke (1951-1996) - gaitista

sábado, 28 de março de 2020

BRAD BARRETT / JOE MORRIS/ TYSHAWN SOREY – COWBOY TRANSFIGURATION (Fundacja Sluchaj)


A livre improvisação alcança seu auge quando intérpretes evocam o sentimento de uma composição. A música não é escrita em adiantamento, mas os instrumentistas comunicam-se no modo que criam uma estrutura imediata. Joe Morris (guitarra), Brad Barrett (baixo, cello) e Tyshawn Sorey (bateria) trazem tal forma dentro do modelo da existência em “Copperhead Valley”, e na abertura da faixa “Cowboy Transfiguration”. O rápido dedilhado de Morris invoca uma “cabeça” que a seção rítmica segue. Não obstante, Barrett e Sorey não trabalham com tempo definido, o caminho que seguem indica que eles concentram a atenção sobre Morris.

O restante do álbum nem sempre contém tal estrutura, embora a concordância entre os instrumentistas permanece em nível mais elevado. Barrett dedilha seu baixo com sentimento visceral, adicionando o ríspido contraste com a clara entonação de Morris. Em “Requiem for a Catfish”, ele passa para o cello e seu exótico dedilhado através de pedaços fatiados de Derek Bailey e do sotaque blues do Delta juntos antes dos seus confrades saltarem dentro da batalha. Ainda, aos 18 minutos, esta faixa não varia mais em dinâmicas ou contraste.

Ao longo do álbum, Morris é ouvido no canal esquerdo e Barrett na direita. Sorey reside no meio do centro da mistura, presumivelmente, assim, com suas contribuições não se perdendo entre as cordas, mas, mesmo assim, encerra o sentimento como se fosse impulsionado para segundo plano. Considerando o caminho que ele pode conduzir à música, fazendo o mais complexo tempo de suingue como 4/4, e é um desapontamento em que ideias livres não tem muita presença. Um solo breve ao final de “Cowboy Transfiguration Part 1” sugere sua contribuição para a interação com Morris e Barrett. Porém, um pouco mais de variedade e experimento com a mistura poderia ter feito uma decente sessão livre, mesmo mais forte.

Lista de faixas

1 Copperhead Valley 4:27
2 Cowboy Transfiguration Part. 1 6:43
3 Cowboy Transfiguration Part. 2 6:43
4 Requiem For A Catfish 18:39
5 Slither Cake 16:23

Músicos: Brad Barrett (baixo, cello, produtor); Tyshawn Sorey (bateria, percussão); Joe Morris (guitarra)

Fonte: MIKE SHANLEY (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 28/03


Hermínio Bello de Carvalho(1935) – compositor,produtor,
Jeremy Manasia (1971) – pianista,
Jen Shyu (1978) – vocalista,
Meredith D'Ambrosio (1941) - pianista,vocalista,
Orrin Evans (1975) – pianista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Se7thCGNtyQ,
Paul Whiteman (1890-1967) - violino,líder de orquestra,
Sonny Bradshaw(1926-2009) – trompetista,líder de orquestra,
Tete Montoliu (1933-1997) - pianista,
Thad Jones (1923-1986) - trompetista,cornetista

sexta-feira, 27 de março de 2020

MEDESKI MARTIN & WOOD WITH ALARM WILL SOUND - OMNISPHERE (Indirecto)


No provocativo “Omnisphere”, gravado ao vivo em 2015, Medeski Martin & Wood aventuram-se na música clássica contemporânea com a ajuda de 20 integrantes da orquestra Alarm Will Sound- AWS. O programa ambicioso oferece uma coletânea de composições feitas por músicos dos dois grupos, iniciando com uma espécie de suíte, “Kid Tao Mammal (unworldliness weirdo) ” do percussionista da AWS, Payton MacDonald. Metais contemporâneos e linhas de instrumentos de palhetas são seguidos pelas declarações viajantes do piano elétrico de John Medeski, carrilhão escancarado, pelos manifestos do violino e clarinete misturados com as interjeições do baixista Chris Wood, o desenvolvimento ardiloso de Billy Martin, e, finalmente, um manifesto furioso, rapidamente intenso, do tema inicial.

MMW revisita seu álbum de 2004, “End of the World Party (Just in Case) ”, com novas versões de duas peças. A melancólica “Anonymous Skulls” arranjada pela violinista da AWS, Courtney Orlando, prospera em um tema assombroso tocado sobre ritmos pulsantes antes da resolução dentro de uma espécie de balanço desconstruído de forma elástica, com órgão impetuoso, este tem um antigo cartaz de chamada para MMW. Catorze anos da faixa título desse álbum, arranjado pelo cellista Stefan Freund e atravessado pelo piano elétrico, baixo acústico e cantos, sai como um soul, com cordas, da velha escola.

“Coral Sea” de Martin, arranjada pelo trompetista da AWS, Jason Price, e toda composta por cores e texturas impressionistas, com teclados, violino, percussão e outros instrumentos deslizando da paisagem sonora, enquanto “Eye of Ra” de Medeski move-se através de derramamentos eletrônicos, beleza e dissonância pastoral, conduzida pelos instrumentos de sopro, dedilhado rock ’n’ roll, um solo de órgão rouquenho e rajadas singulares de turbulência barulhenta. O multi-instrumentista da AWS, Caleb Burhans, utiliza sinos em “Oh Ye of Little Faith (Do You Know Where Your Children Are?) ” e aponta para o minimalismo, e o baixista Miles Brown, trabalha com toques leves em “Northern Lights”,no que  poderia ser uma trilha sonora para um clássico filme noir. “Omnisphere”, disponível apenas através de download e LP duplo, realiza uma atípica benvinda ao catálogo de longo alcance do MMW.

Faixas

A1 Kid Tao Mammal (unworldliness Weirdo) [Payton MacDonald] 14:13
A2 Anonymous Skulls (Medeski Martin & Wood) 6:17
B1 Coral Sea (Billy Martin) 7:28
B2 Oh Ye Of Little Faith... (Do You Know Where Your Children Are?) [Caleb Burhans] 10:43
C1 Eye Of Ra (John Medeski) 19:56
D1 Northern Lights (Miles Brown (3)) 7:37
D2 End Of World Party (Just In Case) [Medeski Martin & Wood] 5:17

Músicos : Chris Wood (3), Miles Brown (3) : baixo; Elisabeth Stimpert : clarinete baixo; Michael Harley (2) : oboé; Stefan Freund : cello; Hideaki Aomori : clarinete; Alan Pierson : Maestro, Direção de Arte; Erin Lesser : flauta; Matt Marks : trompa; Christa Robinson (2) : Oboé; Orquestra : Alarm Will Sound; Chris Thompson, Matt Smallcomb : percussão; Billy Martin : Percussão, Produtor, Capa; John Orfe : piano; John Medeski : piano, teclados, produtor; Michael Clayville : trombone; Jason Price : trompete; Isabel Hagen : viola; Caleb Burhans, Courtney Orlando : violino.

Fonte: PHILIP BOOTH (JazzTimes)


ANIVERSARIANTES - 27/03


Bill Barron (1927-1989) – saxofonista,
Ben Webster (1909-1973) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=rQVVLAO-9LU,
Carlinhos Vergueiro(1952) – violonista, compositor,
Harold Ashby (1925-2003) – saxofonista,
Johnny Copeland (1937-1997) – guitarrista,vocalista,
Junior Parker (1932-1971) – vocalista,gaitista,
Paulo Vinaccia (1954) – baterista,
Pee Wee Russell (1906-1969) - clarinetista,
Sarah Vaughan (1924-1990) - vocalista,
Stacey Kent (1968) – vocalista,
Victor Bailey (1960-2016) – baixo

quinta-feira, 26 de março de 2020

CUONG VU 4TET – CHANGE IN THE AIR (RareNoise)


O trompetista Cuong Vu é como o som de guitarra. Não apenas o saboroso murmúrio de um golpe subamplificado; Vu também gosta de rosnar e abocanha a maioria dos aspectos eletrificados das guitarras. Para muitos dos fãs de jazz, isto veio a ser claro no “Cuong Vu Trio Meets Pat Metheny (Nonesuch)” de 2016, mas é o trabalho de Vu com Bill Frisell em seu corrente 4tet, que verdadeiramente conduz para o ponto domiciliar.

“Change In The Air”, o segundo trabalho da banda, se nada é, constitui um testamento para a plasticidade do grupo e a paleta eletrificada de Frisell. As coisas iniciam placidamente o bastante com “All That’s Left Of Me Is You”, um número melancólico do baterista Ted Poor, que toca como um standard igualmente esquecido, com Frisell respeitosamente colorindo dentro de linhas, enquanto Vu evoca o brilhantismo lírico do período final de Art Farmer. Porém, as coisas tornam-se mais escuros com a blueseira “Alive” (outra composição de Poor), com Vu expulsando uma pulsação roqueira, impulsionada por Poor e o baixsta Luke Bergman, enquanto o solo de Frisell inicia com sinalizações e feedback harmônicos tingidos, e seguem mais forte a partir de lá.

O 4tet mantém este balanceamento da parte principal do álbum, às vezes, verdades próximas do jazz mainstream, aos outros, caindo alegremente dentro da exaltação melódica da guitarra roqueira. Exceto, claro, que isto nem é completamente extremo quanto simples. “Must Concentrate” de Bergman é facilmente o número mais amigavelmente pop aqui; a despeito de Frisell acionar verdadeiramente alguns poderosos acordes majestosos, o toque é ainda bastante esperto para soar taciturno. Do mesmo modo, a nervosa “The March Of The Owl And The Bat” de Vu é suficiente ritmicamente nodosa para fazer crível sua pretensão, que foi inspirado pela extrema banda de metal Meshuggah. Porém, vamos—ninguém está indo ser mosh (NT: Consiste numa forma de dança associada à gêneros musicais mais agressivos como o punk rock e o thrash metal).

Em vez disto, o que Vu, Frisell, Bergman e Poor fazem é reutilizar as formas de jazz e rock para maximizar sua criatividade potencial. Isto porque a mais satisfatória faixa aqui deve ser “Round And Round (Back Around)”, que obscurece a linha entre a música composta e improvisada assim completamente, isto é difícil de não ser intimidada pela criatividade de 4tet.

Faixas: All That's Left of Me Is You; Alive; Look, Listen; Must Concentrate; Lately; Round and Round; March of the Owl and the Bat; Round and round (Back Around); Long Ago; Far from Here.

Músicos: Cuong Vu: trompete; Bill Frisell: guitarra; Luke Bergman: baixo, guitarra (4); Ted Poor: bateria, Fender Rhodes (5).

Fonte: J.D. Considine (DownBeat)

ANIVERSARIANTES - 26/03


Albert Maksimov (1963) – gaitista,
Andy Hamilton (1918) - saxofonista,
Brew Moore (1924-1973) - saxofonista,
Daniel Lantz (1976) – pianista,
Flip Phillips (1915-2001) - saxofonista,
Gary Bruno (1962) – guitarrista,
Hugh Ferguson (1958) - guitarrista,
James Moody (1925-2010) – saxofonista, flautista,
Lew Tabackin (1940)- saxofonista,
Maurício Carrilho (1957) – violonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=HUEpZS2zVck,
Michael Feinberg (1987) – baixista,
Paulo Paulelli(1974)-baixista,
Susan Wylde (1973) - pianista

quarta-feira, 25 de março de 2020

JD ALLEN – BARRACOON (Savant)


Barracoon
Vindo nos calcanhares do seu luxurioso projeto melódico de baladas, “Love Stone”, a agressão rude de “Barracoon” sente-se como afiada virada à esquerda. Não que o tenorista JD Allen tenha marcadamente mudado seu som ou estilo, mas ele dobrou o questionamento, ritmicamente, no lado complicado do seu toque. Do seu inflexível cromatismo do hard-bop “Communion” para as cadências inspiradas por Coltrane da canção título, Allen explora a profundidade, como se para arrancar cada possível guinada de cada mudança da música.

Provavelmente, não há prejuízo por completo com uma nova banda. Em vez disto, o baixista Gregg August e o baterista Rudy Royston, que o suportou em  “I Am I Am”, em 2008, “Barracoon” introduz Ian Kenselaar no baixo e Nic Cacioppo na bateria, um time que empresta um redemoinho contrapontual furioso na música. Cacioppo é ativamente impressionante, sobrepondo polirritmias no caminho dos instrumentistas de sopro com grande número de acordes, enquanto Kenselaar ocasionalmente passa do firme baixo acústico para um baixo elétrico que em “Ursa Major” funciona como uma secundária voz melódica.

Ainda, descrevendo como os instrumentistas amplificam a intensidade, não exponha, inteiramente, o impacto emocional do álbum. Nestas, tipicamente, gnômicas notas para o disco, Allen deixa o ouvinte saber que parte do que é ouvido no álbum reflete a reação do saxofonista para “o clima politico (no mundo inteiro)”, e não é difícil fazer uma conexão entre a emoção fervilhante da canção título e a atual vida de escravo recontado no estudo antropológico Barracoon: The Story of the Last Black Cargo de Zora Neale Hurston. Para seu crédito, ainda que, a maioria dos títulos de Allen não sejam tão óbvios, deixando o ouvinte decodificar a narrativa emocional, e, ocasionalmente, exclamar, “G Sus!”

Faixas: Barracoon; G Sus; The Goldilocks Zone; The Immortal (H. Lacks); 13; Beyond The Goldilocks Zone; Communion; Eye Scream; Ursa Major; When You Wish Upon A Star. (59:27)

Músicos: JD Allen, saxofone tenor; Ian Kenselaar, baixo, baixo elétrico; Nic Cacioppo, bateria.

Nota: Este álbum está relacionado entre os 40 melhores de 2019 conforme lista dos críticos da JazzTimes.

Fonte: J.D. Considine (DownBeat) 

ANIVERSARIANTES - 25/03


Aretha Franklin (1942-2018) – vocalista,
Bobby Militello (1950) - saxofonista,flautista,
Cecil Taylor (1929-2018)  - pianista,
Makoto Ozone (1961) - pianista,
Paul Motian (1931-2011) – baterista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=IyL2_U04fuc,
Pete Johnson (1904-1967) - pianista,
Sweet Emma Barrett (1897-1983) - pianista,
Trent Austin (1975) - trompetista

terça-feira, 24 de março de 2020

LOGAN STROSAHL SPEC OPS – SURE (Sunnyside)


O saxofonista Logan Strosahl tem sido prolífico desde sua estreia com “Up Go We”, pela Sunnyside em 2015. Esta foi uma gravação em hepteto, como foi “Book I of Arthur” de 2017. Entre eles, o recente lançamento em duo, “Janus”, com o pianista Nick Sanders. Cada um dos três álbuns foi um ambicioso empreendimento, coletando influências da era da música clássica da Renascença ao free jazz e ao repertório de standards. Strosahl deu a impressão, desde o início, que não estava adotando o caminho mais fácil.

Recomendável, seu quarto lançamento para a Sunnyside, é uma sessão em trio, com Henry Fraser no baixo e Allan Mednard tocando bateria. Strosahl, que tem, até então, colado no alto, adiciona o sax tenor e flauta ao momento. O que ele não faz, entretanto, é simplificar a música. Um formato adornador, para ele, não importa o lado. Mesmo quando “Sure” pousa onde os trios liderados pelo saxofone vão—um passeio do baixo serve como a fundação para “Bark”, a faixa inicial; nada invulgar, a propósito—há quase sempre algo não convencional em outros lugares.

“Coming on the Hudson” é a mais curta música aqui, três minutos e meio, e está, ritmicamente, enraizada no blues. Porém, Strosahl não permite que seu instrumento hesite onde a seção rítmica sugere o que deveria ser. Ele mergulha e arremessa, trina e tece, voa à frente e espreita atrás dos outros. “Isfahan” é uma balada conversacional sugerindo exotismo e intriga; “Chacarera”, uma peça para flauta, raramente permanece por muito tempo na inquietude de Mednard , na agitação e profundos mergulhos de Fraser dando carta branca a Strosahl para construir novas melodias conforme elas ocorrem aqui.

Seguro é menos de uma peça da coleção que uma composição dramática de Arthur, mas é satisfatória por suas próprias razões, apresentando outro lado deste vigoroso compositor e músico impressionante.

Faixas: Bark; Chacarera; Galahad; Coming On The Hudson; Three; Isfahan; Nez; The Chant. (40:57)

Músicos: Logan Strosahl, saxofones tenor e alto, flauta; Henry Fraser, baixo; Allan Mednard, bateria.

Fonte: JEFF TAMARKIN (JazzTimes)

segunda-feira, 23 de março de 2020

ANIVERSARIANTES - 24/03


Alfred Winters (1931) – trombonista,
Chelsea Baratz (1986) – saxofonista,
Dave Douglas (1963) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=z1v0VmJKP-k
Dave Goldberg (1971) – saxofonista,
Gianluca Renzi (1975) – baixista,
Jeff Campbell (1963) – baixista,
Joe Fiedler (1965) – trombonista,
John Kolivas (1961) – baixista,
Kim Plainfield (1954-2017) – baterista,
Paul McCandless (1947) - saxofonista,
Renee Rosnes (1962) - pianista,
Sherman Irby(1968) – saxofonista,
Steve Kuhn (1938) - pianista,
Steve LaSpina (1954) - baixista

TERRI LYNE CARRINGTON AND SOCIAL SCIENCE – WAITING GAME (Motéma)


Terri Lyne Carrington nunca se afastou de discussões de justiça. E, em adição, apresenta vozes como a da ativista de direitos sociais e autora Angela Davis de diversos projetos. Carrington iniciou no Institute of Jazz da Berklee College of Music e na Gender Justice em 2018. Mas, seguramente, qualquer coisa que ela fez anteriormente pode preparar os ouvintes para “ Waiting Game”, que deu um golpe de mestre com um disco duplo com o clássico do hip-hop, Kendrick Lamar, em 2015, “To Pimp A Butterfly”, ou melhor ainda, com a produção multimídia de Carrie Mae Weems, em 2016, “Grace Notes: Reflections for Now”.

“Waiting Game” absorve um pouco do movimento da fervilhante fúria de Black Lives Matter (NT: Vidas de Negros Importam, em tradução livre) —tão bem quanto o #MeToo movement—e converte-o em combustível artístico, conforme ela aborda homofobia e o genocídio dos nativos americanos. Similar a Weems, Carrington se destaca na articulação acumulada, em emoções conflitantes e fadiga mental induzida por insistente bombardeamento de doenças sociais. Seu foco nas composições embasadas nesse cenário durante a primeira metade do álbum ajuda a modelar a clareza temática, como faz a cintilante harmonia, que ela choca com sua banda, Social Science.

Um pressentimento de aflição permeia o primeiro disco, assim como transporta uma série interminável de injustiças sociais e o stress de ser apanhado neste ciclo. A sombria “Trapped In The American Dream” estabelece a entonação das batidas marciais de Carrington, a repetitiva frase musical do pianista Aaron Parks, o guitarrista Matthew Stevens e o uivante coro da vocalista Debo Ray providenciam uma canção triste sobre o rap que Kassa Overall coloca sobre a cobertura dos horrores. Dentro dos obstáculos interligados discutidos aqui está a polícia da brutalidade, particularmente contra as pessoas de cor. Carrington, entretanto, coloca isto dentro de um foco mais afiado durante “Bells (Ring Loudly)” no qual Ray canta a perspectiva de uma morte  de uma mãe após a morte do seu filho ter sido assassinado pela polícia. O tempo salta para a Crescent City na mordaz “Pray The Gay Away”, uma repreensão zoando do cantor gospel Kim Burrell, em 2016, através de um discurso homofóbico. Embaixo da melodia com sabor de Oriente Médio e sob o solo dilacerante do trompete de Nicholas Payton, alguém ouve o antídoto—“reze para o ódio ir embora”.
Carrington dedica o segundo disco de “Waiting Game” a “Dreams And Desperate Measures”, uma maravilhosa suíte em quatro partes orquestrais que inicia com um arranjo fino de instrumentos de palhetas assombrosas, cordas melancólicas, uma guitarra reflexiva, piano e baixo, todos em diálogo.

A extensa improvisação, gradualmente, envolve um balanço ondulante, impulsionado pelo elástico ostinato do baixo de Esperanza Spalding.

Após receber um Doris Duke Artist Award, Carrington conclui outro triunfante ano com o lançamento em um projeto completamente ambicioso, uma gravação que poderia ser o melhor álbum de jazz do ano.

Faixas: Disco Um: Trapped In The American Dream; Bells (Ring Loudly); Pray The Gay Away; Purple Mountains; Waiting Game (A capella); Anthem; Love; No Justice (For Political Prisoners); Over And Sons; If Not Now; Waiting Game. Disco Dois: Dreams And Desperate Measures, Parts 1–4. (67:14/42:19)

Músicos: Terri Lyne Carrington, bateria, vocal; Aaron Parks, piano; Matthew Stevens, guitarra; Kassa Overall, toca-discos, vocal; Esperanza Spalding, baixo, vocal; Morgan Guerin, saxofone, EWI, baixo, bateria; Nicholas Payton, trompete (3); Malcolm-Jamal Warner (1), Meshell Ndegeocello (7), Mark Kibble (5), Debo Ray (1, 2, 7, 11), Rapsody (6), Kokayi (4), Maimouna Youssef (9), vocal; Raydar Ellis (3), toca-discos.

Nota: Este álbum foi relacionado entre os 40 melhores de 2019 de acordo com os críticos da JazzTimes.

Fonte: John Murph (DownBeat)

ANIVERSARIANTES - 23/03

Dave Frishberg (1933) - vocalista,
Dave Pike (1938) - vibrafonista,
Eivind Aarset 1961) – guitarrista,
Gerry Hemingway (1955) baterista,percussionista,
Greg Diamond (1977) – guitarrista,
John McNeil(1948) – trompetista,
Johnny Guarnieri (1917-1985) - pianista,
Michael Nickolas (1962) – guitarrista,
Nelson Faria(1963) – guitarrista(na foto e vídeo) http://mais.uol.com.br/view/disphtmqfdd6/nosso-trio--vera-cruz-040266C0C11366
Stefon Harris (1973) – vibrafonista 

domingo, 22 de março de 2020

AMINA FIGAROVA – ROAD TO THE SUN (AmFi Records)


Road To The SunA pianista Amina Figarova nasceu em Baku, Azerbaijão, experimentou um dos dias mais sombrios dos Estados Unidos— o ataque terrorista de 11/09/2001— cara a cara, de um ponto privilegiado de um apartamento de um amigo no Brooklyn. A experiência resultou na criação de talvez a mais pungente e sincera representação artística sobre o evento, a gravação do “September Suite (Munich Records, 2005) ” do sexteto de Figarova, uma "Ode To Mourning – NT: Uma Ode para Lamentação" de gêneros para a América.

Figarova permaneceu ocupada desde então, lançando “Above The Clouds (Munich Music, 2008) ”, “Twelve (In + Out Records, 2012) ” e “Blue Whisper (In + Out Records, 2016) ”, gravação na qual ela exibe um gênio consistente pela composição e arranjo para sua banda. Adicionalmente, ela e sua banda excursionaram, constantemente.

Com “Road to The Sun” a pianista expandiu seu som em cinco composições das onze do disco com a adição de cordas —um violino, a viola e um cello. A música de Figarova sempre —e especialmente aqui com os instrumentistas de cordas— apresenta um sentimento cerebral, um refinamento e sofisticação delineados a partir de estudos clássicos iniciais. Porém, também passa a ser comovente, buscar momentos instintivos, especialmente em seu uso dos saxofonistas Marc Mommaas e Wayne Escoffery, que aparecem em tomadas alternativas.

O hábil e belo emprego de cordas começa com o título da canção / abertura, pleno de passagens do tempo e intricados arranjos — a moderada doçura da flauta de Bart Platteau, dando o caminho para o trompete pungente de Alex Pope Norris. Solos apoiam-se através do lado conciso — perfeição improvisadora em pequenas doses—com esplêndida integração dentro da totalidade.
"All We Dance" uma balada com um ritmo movimentando-se suavemente, agita-se em solos de piano sinuosos e deslumbrantes de Figarova. É uma canção que soa como se poderia ser convertido em um veículo para uma orquestra—embora a cobertura da rica beleza deste sexteto com cordas (com um percussionista adicional) dificultaria o trabalho.

"Snow Mess" é um dos esquemas mais jazzistas à la Art Blakey, durante seus primeiros dois minutos. Então a banda troca o tempo e deixa o saxofonista Escoffery delineia um angustiado e um lamento parado no tempo, antes da banda acionar as coisas com alta energia outra vezes.

“Road To The Sun” compete com “September Suite” como uma das mais finas gravações de Amina Figarova. Sua incorporação de cordas ao seu som brilhante. Nas listas dos melhores do final de ano, que foi destaque no Best Arrangers (Melhores Arranjadores) são usualmente reservados para compositores para orquestras. A Figarova, composto por seu sexteto mais três, deveria ser dado esta consideração.

Faixas: Road To The Sun; All We Dance; Snow Mess; Explorations; Tumbling Prisms; Morning Mist; Fall Eclipse; On My Way; Cool Breeze; Circles; No Time For.

Músicos: Amina Figarova: piano; Bart Platteau: flautas; Alex Pope Norris: trompete, flugelhorn; Luques Curtis: baixo; Wayne Escoffery: saxofones tenor e soprano (3, 6, 8, 9, 10, 11); Marc Mommaas: saxofones tenor e soprano (1, 2, 4, 5, 7); Jason Brown: bateria (6, 8, 9, 10, 11); Brian Richburg Jr.: bateria (1, 2, 3, 4, 5, 7); Hasan Bakr: percussão (1, 2); Sara Caswell: violino (1, 2, 4, 5, 7); Lois Martin: viola: (1, 2, 4, 5, 7); Jody Redhage Ferber: cello (1, 2, 4, 5, 7).

Fonte: Dan McClenaghan (AllAboutJazz)


ANIVERSARIANTES - 22/03

Bob Mover (1952) - saxofonista,
George Benson (1943) - guitarrista,
Jackie King (1944) – guitarrista,
Jan Lundgren (1966) – pianista,
Melvin Sparks (1946-2011) – guitarrista,
Walmir Gil(1957)- trompetista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=vAJHoVM04r4

sábado, 21 de março de 2020

MILTON NASCIMENTO – MARIA MARIA / ÚLTIMO TREM (Far Out)


A serenidade do vocalista e compositor brasileiro, Milton Nascimento, é uma das mais confiáveis virtudes em toda a música. Estas duas trilhas sonoras para balé —originalmente gravadas no início da sua carreira, lançados em CD décadas atrás, e agora disponível em vinil pela primeira vez— utiliza a assinatura do som de Nascimento como um despite para criar a mais envolvente música, politicamente carregada, que ele já fez.

Maria Maria é uma saga sobre o legado da escravidão no Brasil, apresentada primeiro em 1976, poucos anos depois do sucesso do disco de Nascimento, “Clube da Esquina”. A canção título é estruturada como uma clássica canção folk, com Nascimento liderando ricas harmonias vocais sobre a guitarra de Toninho Horta, um dos muitos jovens músicos, nas duas trilhas sonoras, que seriam estrelas nacionais (outros são o percussionista Naná Vasconcelos e o saxofonista Paulo Moura). Porém, a persistentemente suave cortina é brevemente dominada pela representação pungente da história do Brasil, com vozes angustiadas sobre o som de chicotes sobre a pele, simulado com uma dureza sem amplificação, que providencia “Trabalhos” e “Lilia” com duro poder emocional. Isto lidera “A Chamada”, que prospera na tensão entre vocais beatíficos e o choro exaltado e tumultuoso de pássaros e percussão africana (com um punhado de canções dos balés, “A Chamada” passou a ser parte do repertório de Nascimento).

Apresentado cinco anos depois, em 1981, “Último Trem (Last Train) ” lida com o encerramento de uma linha férrea, que conectava comunidades de mineradoras dentro de Minas Gerais, Estado onde Nascimento cresceu, mas viveu em centro urbanos do Rio e São Paulo. Os temas desta trilha sonora são menos ambiciosos, mas musicalmente mais ricos e mais acessíveis aos fãs dos seus trabalhos posteriores. A benvinda adição dos pianistas Wagner Tiso e João Donato é imediatamente aparente em “Minas”, e a vocalista Naná Caymmi está maravilhosa em “Ponta de Areia”, o nome da última parada da linha de trem. Há um punhado de efeitos de apitos de trem e algumas palavras narrativas, mas, majoritariamente, “Último Trem” é um cortejo de vocais deslumbrantes e melodias folk. Lamentos lacrimosos de solidão e dias passados (um suplemento de cordas em “Olho d’Água”, um canto em prece de “Oração”) são deliciosamente contrapostos por canções mais felizes como o robusto coral “Bicho Homem”; a divertida, com inflexão do órgão, “Roupa Nova” (“New Clothes”) e a inundação de raios de júbilo com assobios, guitarras e marimbas caindo em “Bola de Meia, Bola de Gude” (“Stickball and Marbles”).

Apesar de tudo, mesmo entre os espancamentos nos escravos e o apito dos trens, estende-se a serenidade, que é a marca de Nascimento, na mistura, como lençol de água ou baixo cantarolado em um assento do coro. É constante sua persistência suave na trilha sonora do espírito humano.

Fonte: BRITT ROBSON (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 21/03

Amina Claudine Myers (1942) - pianista,
Chacho Ramirez (1951) – baterista,
Dominic Miller (1960) – guitarrista,
Farnell Newton (1977) – trompetista,
John Davey (1950) – baixista,
Linda Kosut (1946) – vocalista,
Mike Westbrook (1936) – pianista,líder de orquestra,
Otis Spann (1930-1970) - pianista,
Son House (1902-1988) – guitarrista,vocalista,
Tiger Okoshi (1950) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Yezp-N5zRGA

sexta-feira, 20 de março de 2020

STEVE LEHMAN TRIO + CRAIG TABORN – THE PEOPLE I LOVE (Pi Recordings)


Em “The People I Love”, o saxofonista alto Steve Lehman, como Janus, olha para trás, enquanto, simultaneamente, olha para frente. Ele recruta o celebrado pianista Craig Taborn para suportar seu antigo trio formado pelo baixista Matt Brewer e pelo baterista Damion Reid. Foi uma vez mais dito que Taborn estava fadado a tocar melhor nas gravações de outros artistas do que em suas próprias. Felizmente, já não é o caso, mas seu permanente compromisso dá a ele seu status de MVP (NT: Jogador Mais Valioso) deste time, e isto diz alguma coisa. Lehman alista sua ajuda não abordando uma extensão moderna de reinterpretações, mas também revisitando originais que ele gravou antes.

Esta vigorosa banda, capturada ao vivo em Astoria, Nova York, em 2019, diverte-se nas complexidades feéricas do jazz matemático de Lehman derivado do post-bop. Com sua entonação picante e seguindo o ritmo, Lehman evoca um legado de Charlie Parker, Ornette Coleman e Anthony Braxton (o último, um dos seus professores), mas com um sentimento todo seu. A inclinação natural de Lehman para forçar as notas, frequentemente, cria uma justaposição notável com o piano ou baixo nos tempos com mais tempos, resultando em sentimento ambíguo emocional.

Este é o caso de "Ih Calam & Ynnus", que inicia com Taborn apresentando sua fabulosa destreza na forma como ele segura um tempo diferente em cada mão. Quando o baixo e a bateria saltam em um recorte mais rápido, mas não sincronizado, uma tensão palpável eleva-se a partir de quatro distintos modelos, que não é aliviada pela linha certeira urgente por parte de Lehman. Eles tiram a habilidade oposta na eletrônica de Autechre em "qPlay", onde as longas entonações de Lehman unidas a frases curtas saltam contra um funkeado hiphop com batidas flexíveis. Lehman mantém interesse pela variedade da instrumentação e disposição. Os três duetos improvisados entre o saxofonista e Taborn, dois suportes do disco, em "Prelude", reflexiva, e em "Postlude" mercurial, enquanto em "Interlude", que age como um bálsamo suave no meio do programa, Lehman microtonalmente muda de curso em torno de imponentes arremessos de Taborn. O próximo passo aumenta o anterior outra vez. Em uma interpretação de "A Shifting Design" de Kurt Rosenwinkel, a única faixa da sessão em estúdio, gravada oitos meses antes, o eriçado boogaloo de Reid estabelece a lei para o que vem de uma confrontação clássica de um trio de free jazz, com a sinuosidade nervosa do líder cortando através da barragem, quando Brewer se une após o tema vigoroso.

Eles todos combinam-se em calorosa interpretação de "Chance" de Kenny Kirkland, onde o sentimento de balada predomina, enfatizado pelo solo rapsódico de Taborn. Porém, alguns dos melhores momentos chegam quando os principais correm solto, notavelmente em "Beyond All Limits", onde o baixista Brewer brilha em uma introdução desacompanhada. Posteriormente, Lehman flutua, corre e precipita sobre um vago toque latino, antes de Taborn girar heróicas estórias com sua mão direita com ocasionais golpes da esquerda, antes de lançamento por voos audaciosos, quando Lehman retorna para outra cereja do bolo.

Em “The People I Love”, Lehman confirma a si mesmo como um implacável modernizador, mesmo dentro dos formatos tradicionais, e ele poderia fazer feio se Taborn não tivesse fornecido a ajuda das suas mãos para projetos futuros.

Faixas - Prelude; Ih Calam & Ynnus; Curse Fraction; qPlay; Interlude; A Shifting Design; Beyond All Limits; Echoes/The Impaler; Chance; Postlude.

Músicos: Steve Lehman: saxofone alto; Craig Taborn: piano; Matt Brewer: baixo acústico; Damion Reid: bateria.

Nota: Este álbum foi relacionado entre os 40 melhores de 2019 por críticos da JazzTimes.

Fonte: JOHN SHARPE (AllAboutJazz)

ANIVERSARIANTES - 20/03


Deanna Witkowski (1972) – pianista,
Harold Mabern (1936-2019) – pianista (na foto e video),http://www.youtube.com/watch?v=i0BMocb4cok,
Jon Christensen 1943-2020) – baterista,
Jon Hammond (1953) – organista,acordeonista,pianista,
Marian McPartland (1918-2013) – pianista,
Mário Sève(1959) – saxofonista,
Roy Patterson(1953) - guitarrista

quinta-feira, 19 de março de 2020

ORRIN EVANS AND THE CAPTAIN BLACK BIG BAND - PRESENCE (Smoke Sessions)


Antes de qualquer coisa, eu tomaria convidados de fora de Nova York para ouvir um trabalho regular e seminal da Mingus Big Band. A pura força sonora da banda empoderou tímidos ouvintes de jazz, e seu mérito, baseado na camaradagem, deu aos visitantes um senso de querer se integrar na cultura da cidade.

A cadeira de pianista de Orrin Evans nesta banda foi um treinamento ideal para a própria Captain Black Big Band e sua longa estadia no Smoke. Em “Presence”, Captain Black retorna ao formato do seu primeiro álbum, uma gravação ao vivo, porém com um grupo de nove componentes. Gravado em dois clubes da Philadelphia, está Evans em modo “festa” em sua cidade natal, oferecendo um espírito de franqueza e tranquilidade com a família musical, similar ao que ocorreu da primeira vez. Mesmo assim, compondo e tocando, Evans tem a originalidade e lampejo forasteiro, que o faz uma natural adição para o The Bad Plus. Como sempre, ele está feliz ao apresentar outros compositores e arranjadores para atuar com a Captain Black, que elaboram algumas passagens, finamente entrelaçadas, da banda. Porque eles compuseram para as individualidades mais do que para o grupo, esta é uma sessão de sopros, também. “The Scythe” do trombonista David Gibson oferece, igualmente, solos carismáticos dele, do saxofonista Troy Roberts, do trompetista Josh Lawrence e Evans.

“Trams” de Robert inicia com palmas da audiência desvanecendo após longo aplauso, com a sutileza de Anwar Marshall na segunda linha da batida. “Eu esqueci meu tamborim, cara!” algúem gritou, e não fica claro se a excalmação veio da banda ou da plateia. A exuberância desta música borra limites como estes: se você está ouvindo, você é da família.

Faixas: The Scythe; Question; Onward; When It Comes; Flip The Script; Trams; Answer; Presence; When It Comes (Set Closer). (77:13)

Músicos: Orrin Evans, piano; Caleb Curtis, Todd Bashore, saxofone alto; Troy Roberts, saxofone tenor; John Raymond, Josh Lawrence, Bryan David, trompete; David Gibson, Stafford Hunter, Brent White (9), trombone; Madison Rast, baixo; Anwar Marshall, Jason Brown, bateria.

Fonte: Michelle Mercer (DownBeat) 

ANIVERSARIANTES - 19/03


Assis Valente (1911-1958) – compositor,
Bill Henderson (1930) - vocalista,
Buster Harding (1917-1965) – arranjador,pianista,
Chad Taylor (1973) – baterista,
Curley Russell (1917-1986) - baixista,
Curtis Fowlkes (1950) – trombonista,
David Schnitter (1948) – saxofonista,
David Buck Wheat (1922-1985) – baixista,
Eliane Elias (1960) – pianista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=BNfAofMmygI,
Fred Hughes (1961) – pianista,
Lem Winchester (1928-1961) - vibrafonista,
Lennie Tristano (1919-1978) - pianista,
Michele Rosewoman (1953) – pianista,
Mike Longo (1939) - pianista

quarta-feira, 18 de março de 2020

CUP - Spinning Creature (Northern Spy)


O primeiro álbum do CUP, o duo do guitarrista Nels Cline e da tecladista-produtora Yuka C. Honda, inicia com uma reflexiva vibração no esquema da raga. Arejadas flautas de bambú e modelos da guitarra como uma sitar flutante e tranquilamente espalham-se. Como o padrão sintetizado na abertura, Cline entoa a frase titular, “cada momento”, projetando como um centro Zen do qual ele extrapola em pesadas ondas de efeitos sobre sinos suavemente cintilantes. Porém, a gravação não se agarra a tal tranquilidade, adicionando filtragem de batidas eletrônicas, alfinetando linhas de guitarra e incrementa uma harmonia ondulante em combinações mutáveis. Os músicos são sublimemente versáteis e hábeis: Cline um veterano do jazz, cuja reputação tem sido alimentada por seu interminável trabalho imaginativo em Wilco e Honda, que fez sua marca em Cibo Matto. Juntos, o casal apresenta uma rica arte-pop com ambiência e textura taciturna, mas um pouco de música. Mesmo assim, o exploratório solo, impulsionado pelo rock de Cline goteja no esquema de Bowie, “Don’t Move”, é sem preço. E o enquadramento pós-bossa da faixa título, com duas camadas de guitarra acústica bamboleando o brando canto paralelo, mostra do que o duo é capaz quando eles gastam um pouco mais de tempo na composição para apresentar seu extraordinário arsenal em um mais memorável recipiente.

Faixas: Every Moment; Berries; Don’t Move; Soon Will Be Flood; Spinning Creature; Tokyo Night Janitor; As Close As That. (41:08)

Músicos: Nels Cline, guitarras, percussão, flauta de bambú, vocais; Yuka C. Honda, eletrônica, drum machine, piano, sintetizador, vocais.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:


Fonte: Peter Margasak (DownBeat) 

ANIVERSARIANTES - 18/03

Al Hall (1915-1988) - saxofonista,
Andy Narell (1954) – percussionista,
Bill Averbach (1953) – trompetista,
Bill Frisell (1951) – guitarrista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Svzv-YkUzdk,
Canhoto da Paraíba(1929-2008) – violonista,
Courtney Pine (1964) – saxofonista,
Diane Hubka (1957) - vocalista,
Jean Goldkette (1899-1962) - pianista,
Joe Locke (1959) – vibrafonista,
Jon Weber (1961) - pianista,
Jose Mangual Sr. (1924-1998) – percussionista,
Sofia Ribeiro (1978) - vocalista

terça-feira, 17 de março de 2020

ODED TZUR – HERE BE DRAGONS (ECM)


Séculos atrás, a frase “Here be dragons” foi usada por cartógrafos para designar mistérios e presumivelmente perigosas porções do globo, em parte para explanar porque seus mapas não oferecem informação, mas principalmente para advertir viajantes inexperientes destas partes perigosas. Nas notas para este terceiro álbum, “Here Be Dragons”, o saxofonista israelense Oded Tzur oferece uma estória na qual ele imagina o famoso arquiteto renascentista Filippo Brunelleschi na jornada financiada por cartógrafos holandeses para encontrar estes dragões; parte parábola, parte de lenda do cachorro desgrenhado, encerra com uma questão zen: “Não há dragões, mas aqui está uma canção”.

O toque Tzur é um pouco como a sua história, quietamente fantástica e plena de dribles narrativos. Sua entonação é suave e doce, com um sussurrado desembaraço que intensifica sua preferência por altas oitavas no tenor. Há uma qualidade vocal para seu fraseado em “Can’t Help Falling In Love”, a única reinterpretação do álbum. Porém, em vez de Blue Hawaii Elvis, sua versão soa como Art Garfunkel em sua forma mais angelical, fazendo a canção parecer como uma pregação mais do que uma canção de amor.

Na fantasmagoricamente abertura para “20 Years”, suas linhas, arqueando ocasionalmente, soam como rajadas de vento gemendo através de uma casa velha. Em contraste, quando trabalhando a efervescência, o balanço tingido de toques caribenhos de “The Dream”, seu toque vem a ser mais líquido, suas frases borbulhantes e murmurantes em torno de uma pulsação fluida do baixista Petros Klampanis e do baterista Johnathan Blake. Em ambos os casos, a quietude da sua abordagem convida a uma atenção mais próxima.

Sendo músico de jazz e um estudante de música clássica indiana, a abordagem de Tzur para a improvisação é intrigante e misteriosa. Para além de “Can’t Help Falling in Love”, as composições, aqui, são “ ragas em miniaturas sobre uma movente linha do baixo”, de acordo com as notas para o disco escritas por Steve Lake. Porém, a não ser que você seja bem versado sobre a lógica estrutural do toque da raga, é difícil funcionar; mais óbvios são os expressivos aspectos do toque de Tzur—arqueando modulações, lentos glissandos e notas que soam como se elas fossem entortadas não por Albert King mas por Salvador Dali. Mais fácil seguir, é o piano de Nitai Hershkovits, que oferece elegante melodias harmoniosas e enxutos acordes impressionistas.

Mesmo assim, é difícil não ser atraído por um mistério atraente, e mesmo que, nem sempre seja óbvio, a razão do porque Tzur tocar o que ele toca, não há como negar seu poder e beleza, com ou sem dragões.

Faixas

1 HERE BE DRAGONS (Oded Tzur) 08:29
2 TO HOLD YOUR HAND (Oded Tzur) 06:20
3 20 YEARS (Oded Tzur) 09:55
4 MINIATURE 1 (Nitai Hershkovits) 01:42
5 MINIATURE 2 (Petros Klampanis) 01:44
6 MINIATURE 3 (Oded Tzur) 02:30
7 THE DREAM (Oded Tzur) 05:25
8 CAN’T HELP FALLING IN LOVE (Hugo Peretti, Luigi Creatore, George David Weiss) 03:33

Músicos: Oded Tzur – saxofone tenor; Nitai Hershkovits -  piano; Petros Klampanis – baixo; Johnathan Blake - bateria

Fonte: J.D. Considine (DownBeat)

ANIVERSARIANTES - 17/03


Antonio Maria ( 1921-1964) – compositor,
Elis Regina (1945-1982) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=biqZ3ImZlZI,
Grover Mitchell (1930-2003) – trombonista,
Jessica Williams (1948) – pianista,
Lovie Lee (1917-1997) – pianista,
Nat King Cole (1917-1965) – pianista,vocalista,
Paul Horn (1930) – saxofonista,flautista

segunda-feira, 16 de março de 2020

BENITO GONZÁLEZ – PASSION REVERENCE TRANSCENDENCE (Whaling City Sound)


Fãs e críticos do pianista Benito Gonzalez concordam: Ele é um McCoy Tyner latino. Em outras palavras, não importa como se sente em relação à González, um álbum de composições de Tyner é quase na mosca. O mais jovem pianista distingue –se de suas versões com uma abordagem rítmica mais funkeada (em um trio com o baixista Essiet Essiet e o baterista/percussionista Gerry Gibbs), mas está, ainda, tão próximo da imitação de Tyner para fazer a sua própria música.

De fato, “Just Feelin’” encontra González ativamente assumindo não apenas toques de Tyner, mas toca o solo original dele de 1985 em “Just Feelin’”. Sim, González os desloca para dentro do próprio corpo do seu solo, mas eles ainda são Tyner. Em outras partes, as tomadas escoram a forma de ideias texturais. Se a guitarra acústica de Earl Klugh irradiou Tyner em “Festival in Bahia”, dando a mesma parte para Gibbs na harpa, realmente qualificando, colocando um novo selo nisto? Como em “Blues on the Corner”, se alguém ainda não parte de Tynerisms na assinatura da sua canção, não é pouca coisa.

As marimbas de Gibbs apresentam toques ótimos em “Atlantis”, de qualquer modo, mesmo se González chega terrivelmente próximo às ondas estrondosas de Tyner. O baterista traz a gravação mais pessoal com um solo impactante delicioso em “Rotunda” e ânimo rítmico extra em “You Taught My Heart to Sing” (Interessantemente, o grande Essiet deixa as marcas mais sutis, de longe, no álbum, com a exceção da sua composição sinuosa “Tyner/Trane Express”). Nas três faixas inéditas (um para cada membro, que encerram o álbum, em particular, está a irreprimível “Brazilian Girls” de Gonzalez, com quantidade reduzida de imitação do toque do piano). Em uma interpretação solo de “Naima” ele também se desobriga deliciosamente — se não originalmente.

Faixas: Fly with the Wind; Just Feelin’; Rotunda; Festival in Bahia; Blues on the Corner; The Greeting You Taught My Heart to Sing; Atlantis; Inner Glimpse; Naima; Tyner Train Express; Between Friends Brazilian Girls.

Músicos: Benito Gonzalez: piano; Gerry Gibbs: bateria, percussão, Mini-Moog; Essiet Okon Essiet: baixo.

Fonte: JazzTimes