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sexta-feira, 30 de abril de 2021

GERALD CLAYTON – HAPPENING : LIVE AT THE VILLAGE VANGUARD (Blue Note)

Se você não ouviu Gerald Clayton ao vivo, especialmente se você não o escutou com Charles Lloyd, você deve se admirar com a razão do burburinho. Não é que as gravações de Clayton tenham sido fracas. Quatro receberam nominações ao Grammy. Porém, ele nunca fez um álbum que plenamente traduzisse a revelação de ouvi-lo, em pessoa, em uma grande noite.

Até agora. “Happening” representa as duas primeiras: a estreia de Clayton pela Blue Note e sua única gravação no Village Vanguard. O piano não é central; a banda é um quinteto de classe mundial, apresentando dois saxofones, Logan Richardson (alto), Walter Smith III (tenor), Joe Sanders (baixo), e Marcus Gilmore (bateria). Porém, as contribuições de Clayton ao piano, em suas formas selvagens, livre fluxo, aspiração lírica, são consistentemente deslumbrantes.

O consagrado confinamento do Vanguard inspira músicos para sobrepujar a si mesmo. Há uma intensidade furiosa para este álbum, capturado no excelente som gravado pelos engenheiros especialistas do Vanguard , Tyler McDiarmid e Geoff Countryman. Mesmo as peças temperamentais como “Envisionings”, que rapidamente encontram turbulência. Richardson é um letal sax alto clandestino no jazz, e em “Envisionings” sua pungência vem a ser uma catarse impressionante. Smith III é mais um improvisador regular, mais nem sempre. Juntos, em “A Light”, eles incendeiam.

Há duas peças interpretadas apenas pela seção rítmica. Elas estão nos primeiros locais onde as pessoas deveriam ir se ainda houvesse dúvida que Clayton é maravilhoso. “Celia” de Bud Powell tem um ataque de 10 minutos de virtuosismo ao piano. Assim é “Body and Soul”, embora seja algo mais tranquilo e mais devocional. Transborda com digressões, composições espontâneas derivadas da canção. As interpretações do repertório, como esta, tão bem quanto o blues em fá , “Take the Coltrane”, de Billy Strayhorn revelamj que estes instrumentistas, que atuam liderando na margem onde o jazz está agora, obtêm o respeito das suas histórias.

Faixas: Patience Patients; A Light; Celia; Rejuvenation Agenda; Envisionings; Body And Soul; Take The Coltrane. (60:15)

Músicos: Gerald Clayton, piano; Logan Richardson, saxofone alto; Walter Smith III, saxofone tenor; Joe Sanders, baixo; Marcus Gilmore, bateria.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=50r_L_nT7_E

Fonte: THOMAS CONRAD (JazzTimes)

 

 

ANIVERSARIANTES - 30/04

Aaron Goldenberg (1974) – pianista,

Abdul Wadud (1947) – cellista,

Alan Steward (1961) – multi-instrumentista,

Dorival Caymmi(1914-2008) – violonista, compositor,vocalista(na foto e vídeo), http://www.youtube.com/watch?v=enUx5DMiFU8,

Percy Heath (1923-2005) - baixista,

Richard Twardzik (1931-1955) – pianista,

Russ Nolan (1968) – saxofonista

 

 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

DAN WEISS’ STAREBABY- NATURAL SELECTION (Pi)

Não deixe o título enlouquecer você. O segundo álbum do Starebaby—o maleável conjunto avant-garde de inclinação metálica de Dan Weiss— adota mais estímulos de David Lynch do que Charles Darwin. Alimentando as noções agourentas e surreais embebidas no retorno de Twin Peaks em 2017, encontramos este trabalho do baterista/compositor com seu domínio mágico do tempo, textura e forma para seu propósito. Ele cria series de tulpas (NT : Tulpa é uma entidade ou objeto que, segundo o budismo tibetano, pode ser criado unicamente pela força de vontade, envolvendo meditação, concentração e visualização intensas) : novas composições misticamente alinhadas ao material da estreia do homônimo Starebaby.

Uma percepção de antecedentes mostra-se iluminada, mas entendendo todas as conexões — os arcos de mudança de humor que se juntam nesta coletânea, “Episode 18”, com “Episode 8” do álbum anterior, por exemplo—que não é um pré-requisito para a audição. De fato, a entrada nestes espaços, sem quaisquer preconcepções, enriquece os ato(s) de descoberta. Complexo bastante para qualquer conjectura e erudito o bastante para possibilitar o momento, esta música está plena de surpresas terríveis.

Pode-se dizer que “The Long Diagonal” aponta um som distorcido—colocando vertiginosos acompanhamentos improvisados, máximas minimalistas e alarmes fora de forma em contato próximo—ou nota como “A Taste of a Memory” que usa a quietude química como um prólogo para o perigo. Porém, chamar poucos atributos musicais ou descritores por qualquer destas peças parece inutilmente reducente, cortando a majestade do voo. Weiss, cujos questionamentos sobre a existência com a ajuda dos assustadoramente pianistas fluentes (e magias do sintetizador) Matt Mitchell e Craig Taborn, o herói afiado da guitarra Ben Monder, e o cadenciado baixo elétrico de Trevor Dunn, que gerenciam o movimento artisticamente encorpado sem mesmo causar o desaparecimento de uma batida. Que, na verdade, diz tudo.

Faixas

1 Episode 18 12:58

2 Dawn 06:04

3 The Long Diagnoal 07:09

4 A Taste Of a Memory 14:00

5 Today is Wednesday Tomorrow? 06:16

6 Bridge of Trust 08:08

7 Accina 15:02

8 Head Wreck 08:36

 Músicos: Matt Mitchell: piano, Prophet-6; Craig Taborn: piano, Fender Rhodes, sintetizador; Ben Monder: guitarra; Trevor Dunn: baixo elétrico; Dan Weiss: bateria, tabla, piano.

 Fonte: DAN BILAWSKY (JazzTimes)

 

 

ANIVERSARIANTES - 29/04

Adrien Moignard (1985) – guitarrista,violonista,

Andy Simpkins (1932-1999) - baixista,

Big Jay McNeely (1927) – saxofonista,

Bradley Leighton (1961) – flautista,

Brian Nova (1961) – guitarrista,

Claus Ogermann (1930-2016) - pianista,vocalista,arranjador,

Dave Valentin (1952-2017) – flautista,

Duke Ellington (1899-1974) - pianista,líder de orquestra (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=SDDCzb3dv_Y,

George Adams (1940-1992) - flautista, saxofonista,

Jeremy Udden (1978) – saxofonista,

Julius Tolentino (1975) – saxofonista,

Nana Caymmi (1941) - vocalista,

Otis Rush (1934-2018) –guitarrista,vocalista,

Ray Barretto (1929-2006) - percussionista,

Toots Thielemans (1922-2016) - gaitista,guitarrista,

Vinicius Cantuária (1951) – vocalista, baterista,violonista


 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

ANIVERSARIANTES - 28/04

Blossom Dearie (1926-2009) - pianista,vocalista,

Derek Smith (1971) – baterista,

Glenn Zottola (1947) – trompetista, saxofonista,

Ithamara Koorax (1965) – vocalista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=iZ-HdPN0Y-E,

John Tchicai (1936-2012) - clarinetista, saxofonista,

Leni Stern (1952) – guitarrista,

Mario Bauza (1911-1993) - trompetista,

Mickey Tucker (1941)-pianista,

Mike Renzi (1946) – pianista,

Oliver Jackson (1933-1994) - baterista,

Paulo Russo(1950) – baixista,

Steve Khan (1947) - guitarrista


ANTONIO SÁNCHEZ & MIGRATION – LINES IN THE SAND (Cam)

Com “Lines In The Sand”, Antonio Sanchez soa uma chamada não só para ação, mas também a aciona. Fortificado pelos talentos da sua banda Migration, o baterista/compositor analisa a revolução com a pulsação do jazz, organizando avatares sonoros através de uma montagem da brutalidade da polícia e protestos. Sobre uma delicada cama do Fender Rhodes de John Escreet, a suíte em três partes de Travesía desembaraça suas políticas em um balanço perseverante. Como uma floresta intensamente coberta, proporciona ocasionais raios de luz para marcar o caminho. Como a bateria anuncia a si mesma, estando plenamente presente, o saxofonista tenor Chase Baird e a vocalista Thana Alexa atua através da folhagem, preenchendo uma promessa de claridade.

Por outro lado, o álbum possui duas partes da faixa título: um testamento épico para memorizar, dando profundidade fotorrealista nas intensas pinceladas sem palavras do vocal de Alexa. Célula por célula, constroi a partir do chão, ancorada pelo baixista Matt Brewer. Antes disto, a banda viaja em “Long Road”, ao lado da estabilidade de Sánchez como no suporte que faz a Pat Metheny. Enquanto se compartilha o sentimento de viagem do álbum, uma sombra de cobertas mais escuras estão no caminho à frente. Em vez de idealizer a paisagem, Sánchez encontra deturpação nas viradas como uma pedra lançada em um rio, até ser suavizado em algo belo e humano. Nas faixas que seguem, ele encontra maior urgência, tocando com propósito narrativo. A canção “Home” com letra de Alexa, planta esperança entre harmonias tectônicas. Ela elabora um senso de pertencimento na solidão, e parece entender que o corpo está começando e findando. Se pode sobreviver à noite, ela parece dizer, pode saudar o dia, renovado.

Faixas: Travesía Intro; Travesía (Parts I-III); Long Road; Bad Hombres Y Mujeres; Home; Lines In The Sand (Parts I-II). (69:43)

Músicos: Antonio Sanchez, bateria, vocal, teclados; John Escreet: piano, Fender Rhodes, Prophet synthesizer; Matt Brewer: baixo; Thana Alexa, vocal; Chase Baird: saxofone tenor, EWI; Nathan Shram, viola (2); Elad Kabilio: cello (2, 3).

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=pH3-RuEmi6I

Fonte: Tyran Grillo (DownBeat)

 

terça-feira, 27 de abril de 2021

KIDD JORDAN/JOEL FUTTERMAN/WILLIAM PARKER/HAMID DRAKE - A TRIBUTE TO ALVIN FIELDER, LIVE AT VISION FESTIVAL XXIV (Mahakala)

Esta fenomenal peça de 41:24 de improvisação espontânea está enraizada em uma ligação de excluídos do Deep South nos anos 70. O baterista Alvin Fielder, um fundador da AACM de Chicago, que migrou para o Mississippi para ajudar a cuidar da farmácia da família, toma a palavra de um amigo que é um professor na Southern University em New Orleans, que esteve no limite do abandono da música, frustrado pela ausência dos espíritos dos parentes devotados para explorar os aspectos mais livres do jazz. Fielder solicitou este professor, o saxofonista Kidd Jordan, em 1974. A harmonia foi imediata, vindo a ser a fundação de uma profunda amizade.

Fielder faleceu em Janeiro de 2019. Cinco meses depois, Jordan levou aos palcos este concerto para o Vision Festival em Nova York. Também, foram companheiros de longa data de Fielder, William Parker (baixo) e Steve Futterman (piano), com Hamid Drake atuando na bateria. Os primeiros oito minutos são aglutinação do caos, como se para fortificar o contraste, a banda então atua através de corredores do blues, gospel e música de câmara, invocando humores que se estende do rouquenho arrebatamento a uma delicadeza reflexiva.

Jordan é herdeiro do legado de Albert Ayler e Archie Shepp, um alquimista da paixão fundida, que ainda é graciosa o bastante para gotejar referências de “Nature Boy” e “Summertime” em um tributo para as raízes sulistas do seu falecido amigo. Futterman trata os sensos com rajadas de criação, mas também escuta atenciosamente, transportando uma rica paleta e afiado escalpelo. Parker traz seu próprio universo inconfundível para cada trabalho, algo onde ursos cinza movem-se como lêmures; alguns dos momentos mais fundamentais aqui ocorrem quando ele dá passos claros para puxar ou usar o arco em testemunho. Drake, um nativo de Louisiana orientado por Blackwell, foi a escolha certa para este trabalho.

Alvin Fielder nominou Kidd Jordan para padrinho de sua filha, diz sobre a conexão deles, que foi “não um parentesco, mas uma circunscrição”. Para ele, Jordan, Parker, Futterman e Drake tocam o coração deles com um fervor mais linha-dura que insípido, tomando a música externa por uma memorável demonstração de entusiasmo e um glorioso abraço.

Faixas:

1 A Tribute To Alvin Fielder 45:03

2 Introduction (Preview) 7:05

Músicos: William Parker (baixo); Hamid Drake (bateria, percussão); Joel Futterman (piano); Edward 'Kidd' Jordan (saxofone tenor)

Fonte: BRITT ROBSON (JazzTimes)

 

 

ANIVERSARIANTES - 27/04

Calvin Newborn (1933) – guitarrista,vocalista,

Connie Kay (1927-1994) – baterista,

Freddie Waits (1943-1989) - baterista,

Kevin Hackler (1981) – trompetista,

Marisa Gata Mansa (1938-2003) – vocalista,

Martin Wind (1968) – baixista (na foto e video) https://www.youtube.com/watch?v=RW8OqdeHAyw ,

Matty Matlock (1907-1978) - clarinetista,saxofonista,

Ruth Price (1938) - vocalista,

Sal Mosca (1927-2007) - pianista,

Scott Robinson (1959) – saxofonista,clarinetista,flautista,

Tommy Smith (1967) - saxofonista 

 

segunda-feira, 26 de abril de 2021

DIANA KRALL - THIS DREAM OF YOU (Verve)

As sessões de gravações de Diana Krall de 2016 e 2017 encontraram seu canto terno para os clássicos com um vocal enevoado, qualidade que vem ser a sua assinatura. Estas sessões, que resultaram em “This Dream of You”, um agrupamento de canções amorosas (“That’s Al”, “Almost Like Being in Love”) e canções nostálgicas (“Autumn in New York”, “Singin’ in the Rain”) onde Krall exibe a destreza de apresentá-las a seu modo. Cada canção invoca o sentimento de dias gélidos e noites quentes através de um fogo acolhedor, uma adequada sequência do seu álbum de 2017, ”Turn Up the Quiet”, que seguiu um formato similar da banda, com trio e quarteto.

Grandes artistas se inclinam para se aproximar daqueles que sabem como destacar melhor sua sonoridade, e Krall tem, claramente, seguido este mantra pela continuidade de seu longo relacionamento com o baixista John Clayton Jr., com o baterista Jeff Hamilton e o guitarrista Anthony Wilson. Ela, também, trabalha com o baixista Christian McBride e o aclamado guitarrista Russell Malone, que a acompanha em canções como a adorável “There’s No You” com a predominante melodia suave por parte de Malone.

Uma das faixas mais agitadas, “Just You, Just Me”, emparelha Krall com a rabeca e a bateria, que são significantes para enfrentar as canções mais graves do álbum. A faixa título, originalmente composta e interpretada por Bob Dylan, tem um sentimento mais country, porém se ajusta bem dentro da mistura e poderia facilmente ser uma saudação ao antigo colaborador e amigo de Krall, Tommy LiPuma, que faleceu em 2017 aos 80 anos. LiPuma produziu 11 das suas gravações, parte de um criativo relacionamento que se estendeu desde o início dos anos 90. Este é o último álbum que apresenta o trabalho deles. De muitas formas, “This Dream of You” é um tributo adequado para o homem que ajudou Krall a elaborar uma abordagem aguda para os standards.

Faixas

1 But Beautiful 4:51

2 That's All / Azure-Te 4:05

3 Autumn In New York 5:19

4 Almost Like Being In Love 3:40

5 More Than You Know 3:58

6 Just You, Just Me 2:25

7 There's No You 4:48

8 Don’t Smoke In Bed 3:18

9 This Dream Of You 7:02

10 I Wished On The Moon 2:38

11 How Deep Is The Ocean 5:18

12 Singing In The Rain 3:28

 Músicos: Diana Krall – vocal, piano (1-4, 6, 7, 9-12); Alan Broadbent – piano (5, 8), arranjos orquestrais (1, 3); John Clayton, Jr. – baixo (1, 2, 4, 10, 12); Karriem Riggins – bateria (6, 9, 11); Christian McBride – baixo (3, 7); Russell Malone – guitarra (3, 7); Jeff Hamilton – bateria (1, 2, 4, 12);Anthony Wilson – guitarra (1, 2, 4, 12); Marc Ribot – guitarra (6, 9, 11); Stuart Duncan – rabeca (6, 9, 11);Tony Garnier – baixo (6, 9, 11);Randall Krall – acordeón (9);Vanessa Freebairn-Smith – cello solo (1)

 Fonte: VERONICA JOHNSON (JazzTimes) 

 

ANIVERSARIANTES - 26/04

Diogo Nogueira (1981) – vocalista,

Gary Wright (1943) – tecladista,

Jimmy Giuffre (1921-2008) - clarinetista,flautista,saxofonista,

Ma Rainey (1886-1939) - vocalista,

Ronny Johansson (1942) – pianista,

Teddy Edwards (1924-2003) - saxofonista(na foto e vídeo) http://www.dailymotion.com/video/x2b42a_teddy-edwards-6tet-velvet-mist-jazz_music
 

domingo, 25 de abril de 2021

RICARDO PINHEIRO WITH THEO BLECKMANN AND MÔNICA SALMASO – CARUMA (Inner Circle Music)

Quando, em 1809, esteve uma dezena de dias em Portugal, em plena invasão francesa e com a família real exilada no Brasil, Lord Byron não se encantou grandemente pelo caráter das gentes lusas. O que verdadeiramente o tomou de amores foi a bela e verdejante Sintra, a que se referiu como «glorioso Éden».

Foi também o que aconteceu com o guitarrista e compositor Ricardo Pinheiro (n. 1977), que no seu novo disco, “Caruma”, se deixou inspirar pela relação que estabeleceu com a beleza das paisagens sintrenses. «Tenho a sorte de viver no campo, no meio de um pinhal. A minha relação com a natureza é uma relação próxima e diária e é dela que nasce grande parte da minha energia criativa. Contemplar os pinheiros, a caruma, o mar e todos os restantes elementos que me rodeiam faz parte da minha rotina e achei que este era o momento certo para mostrar isso em forma de música», diz o músico à jazz.pt.

Pinheiro tem vindo a erigir um notável corpo de trabalho, não apenas enquanto instrumentista e compositor, mas também na qualidade de musicólogo e docente. Para além de registos importantes em nome próprio e enquanto membro de outras formações, tem demonstrado capacidade para se mover em diferentes áreas, sempre com o jazz como pilar central. Já este ano ofereceu-nos a estreia discográfica do projeto LAB, com o baixista Miguel Amado, o saxofonista Tomás Marques e o baterista Diogo Alexandre.

“Caruma” – que assinala a estreia do guitarrista no catálogo da Inner Circle Music, editora liderada por Greg Osby – destoa da anterior discografia do músico, tanto em termos de instrumentação, como de conceito e processo de composição. Integra oito peças para voz e guitarra, partilhadas equitativamente com duas figuras idiossincráticas: o germano-americano Theo Bleckmann e a brasileira Mônica Salmaso. «Achei que seria interessante construir estas canções e ambientes com uma voz masculina e uma voz feminina. Foram a minha primeira escolha. Fez-me sentido juntar o caráter mais improvisativo e de construção de ambientes do Theo com a capacidade fenomenal da Mônica para comunicar a mensagem das canções. Contactei-os, falei-lhes do conceito, mostrei-lhes a música, e eles aceitaram prontamente participar no projeto».

Bleckmann está no topo dos mais relevantes vocalistas da atualidade, sendo dono de uma profunda sensibilidade musical que transmite através da exploração das diferentes tonalidades, cores e dimensões da voz humana, a que frequente e consequentemente acopla efeitos eletrônicos. Eclético nas escolhas e nas abordagens, já trabalhou material de gente tão díspar como Charles Ives, Kate Bush, John Hollenbeck, John Zorn, Michael Tilson Thomas ou Laurie Anderson, apenas para referenciar alguns. Também a paulista Mônica Salmaso tem um percurso particularmente interessante, combinando um canto de matriz erudita com a música popular do seu país. Do seu pecúlio discográfico avultam títulos como “Afro-Sambas”, a partir da música de Baden Powell e Vinicius de Moraes, “Trampolim”, “Voadeira” ou “Noites de Gala”, no qual trabalhou o cancioneiro de Chico Buarque.

Não espanta, pois, que este seja um álbum feito de canções de recorte melancólico, devedoras dessa atmosfera mágica e em absoluto contraste com o bulício avassalador da vida contemporânea, ainda que refreado pela insidiosa pandemia (nota para a bela capa desenhada por Miguel Mira). «O disco foi composto neste período conturbado, em minha casa, em recolhimento. Senti a necessidade de mandar cá para fora, através da composição e da guitarra, toda uma panóplia de sentimentos que me invadiam e que são produto de um processo de introspeção e de questionamento sobre a nossa existência enquanto civilização. Esta pandemia fez-me refletir muito sobre o ser humano e o mundo que nos rodeia, sobre o quão pequenos somos, mas, ao mesmo tempo, o quão tóxicos podemos ser para a natureza e para os restantes seres humanos», acrescenta Ricardo Pinheiro.

Todas as composições de “Caruma” têm a melodia como pedra angular para o desenvolvimento criativo, servindo como principal guia estético e narrativo da música. O álbum abre logo com um dos seus melhores momentos, “Gratitude”, peça belíssima, feita de vozes assombradas em vários registos e de uma guitarra com efeitos discretos a sublinhar o motivo melódico base e suas variações. “Canção de Embalar a Isabel”, em formato de “standard”, que já conhecíamos do disco do projeto LAB, mantém a toada encantatória, com o dedilhar suave das cordas a que se junta a textura aveludada da voz de Salmaso. A fazer jus ao título, “Mar Picado”, outra peça repescada de LAB, tem “riffs” agitados, efeitos policamada e uníssonos voz-guitarra. Quem conhece a costa de Sintra reconhecê-la-á aqui.

“Quando Não Estiveres Aqui” é uma comovente canção de despedida dedicada ao avô, alguém que muito o marcou. A paisagem sonora intimista de “Ausência” muito deve ao canto diáfano de Bleckmann. O tema título, com Pinheiro em guitarra acústica, traz de novo a voz quente da brasileira, revisitando a ligação entre o jazz, a MPB e a música portuguesa. Dois dos melhores temas estão guardados para o fim: “Sesta”, construção simbiótica entre a voz de Bleckmann e a guitarra, e “Resina”, com a sua melodia balsâmica de largo espectro.

Eis um disco sereno e reconfortante, que nos afaga a alma em tempos estranhos.

 Faixas: Gratitude; Cancão de Embalar A Isabel; Mar Picado; Quando Não Estiveres Aqui; Ausência; Caruma; Sesta; Resina.

Músicos: Ricardo Pinheiro: guitarra; Theo Bleckmann: voz; Monica Salmaso: voz;Ricardo Pinheiro: efeitos, loops; Theo Bleckmann: efeitos, loops; Mônica Salmaso: efeitos.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=KqYWvCm2LcQ

Fonte: António Branco (jazz.pt/ Ponto de Escuta)

 

ANIVERSARIANTES - 25/04

Albert King (1923-1992) – guitarrista,vocalista,

Agostinho dos Santos (1932-1973) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=rl0bhsKQx_o,

 Bobbi Humphrey (1950) - flautista,

Carl Allen (1957) – baterista,

Custódio Mesquita (1910-1945) – pianista,compositor,

Earl Bostic (1913-1965) - saxofonista,

Ella Fitzgerald (1918-1996) – vocalista,

Georg Breinschmid (1973) – baixista,

Jim Robitaille ( 1960) – guitarrista,

Paulo Vanzolini (1924-2013) – compositor,

Perinho Albuquerque (1946) – guitarrista,

Willis “Gator” Jackson (1932-1987) – saxofonista

 

sábado, 24 de abril de 2021

GREGG AUGUST - DIALOGUES ON RACE, VOLUME 1 (Iacuessa)

O baixista /compositor, Gregg August, não poderia deixar de ficar conhecido em um momento auspicioso, assim ele lançaria “Dialogues on Race”, um disco duplo, um trabalho com uma banda ampla, que ele originalmente estreou em 2009. Ele mesmo escreve as notas para o disco sobre sua relutância como um homem branco para publicamente refletir sobre Emmett Till (Nota: Um afro-norte americano, assassinado aos 14 anos de idade na pequena cidade de Money, Mississipi, depois de ter sido acusado de supostamente ofender uma mulher branca, Carolyn Bryant), uma das questões centrais do álbum. Eis que, o álbum emerge no despertar do ajuste público da América relacionados à raça.

Solistas são um elemento importante em “Dialogues on Race”, especialmente o clarinetista baixo Ken Thomson e o próprio August. Assim é contrapontística a improvisação, que se apresenta em sete das doze faixas do álbum. Ao final das contas, entretanto, esta é uma peça criativa, e o solo mais tocante está em “Your Only Child (Second Statement) ”, a faixa de encerramento do disco um, com o temático arco de August. Como tal, é um complexo, belo, e, frequentemente, um trabalho assombroso, inspirado em poemas de tensão racial (de autores de diversas raças).

Às vezes, os poemas parecem em si, com vocais de Wayne Smith (“Letter to America”), Frank Lacy e Shelley Washington (o primeiro e terceiro manifestos, respectivamente, de “Your Only Child”), e Forest VanDyke, cujas jubilosas interpretações de “I Sang in the Sun” de Carolyn Kizer é um dos destaques do álbum. O aspecto assombroso alcança seu pico com “Mother Mamie’s Reflections”, uma improvisação coletiva relaxante (por August, Thomson e o tubista Marcus Rojas), que se estabelece contra a voz da mãe de Emmett Till , conforme ela descreve o que ela viu quando abriu o esquife do seu filho.

Para todas suas entonações tristes, entretanto, “Dialogues on Race” também suínga com convicção. “Sweet Words on Race” oferece uma sincopada chamada e resposta entre o conguero Mauricio Herrera e os metais e palhetas bastante intensos, que fere. Do mesmo modo “The Bird Leaps”, um movimento inspirado em Maya Angelou, oferece o melhor dos balanços Ellingtonianos, Monkeanos e Mingusianos neste pacote. “Dialogues on Race” é o mais fino de August.

Faixas

1-1 Sherbet (Just To Be Certain That The Doubt Stays On Our Side Of The Fence) 8:18

1-2 Letter To America 7:54

1-3 Your Only Child (First Statement) 3:50

1-4 I Rise 10:28

1-5 Sky 8:53

1-6 Your Only Child (Second Statement) 1:53

2-1 I Sang In The Sun 7:38

2-2 Mother Mamie's Reflections 4:30

2-3 Your Only Child (Third Statement) 9:57

2-4 Sweet Words On Race 8:58

2-5 The Bird Leaps 7:30

2-6 Blues Finale 5:04

Fonte: MICHAEL J. WEST (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 24/04

Collin Walcott (1945-1984) - percussionista,

Doug Riley (1945- 2007) – pianista,

Fabio Morgera (1963) – trompetista,

Frank Strazzeri (1930) - pianista,

Jeff Darrohn (1960) – saxofonista,

Joe Henderson (1937-2001) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=JhXpwtXaJHk,

Johnny Griffin(1928-2008) – saxofonista,

Patápio Silva (1880-1907) – flautista,

Peter Curtis (1970) – guitarrista,

Rebecca Martin(1969) – vocalista,

Ricardo Leão(1959) – pianista,

Stafford James (1946) – baixista

 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

RIZA PRINTUP/MARCUS PRINTUP - GENTLE RAIN (SteepleChase)

Marcus Printup é conhecido por muitos como um trompetista feérico adjacente a Wynton Marsalis na sua Jazz at Lincoln Center Orchestra. Com uma antiga posição na banda, Printup tem apresentado suingantes standards à orquestra desde 1993. Porém, ele é apenas poderoso na balada, e realmente ele tem uma História de inclinação através de canções mais suaves, que se ajusta, perfeitamente, a seu som. Esta capacidade para baladas é bem exposta em “Gentle Rain”, pelo qual é acompanhado apenas por uma harpa, eloquentemente tocada por sua esposa Riza—uma configuração ousada que raramente foi tentada no jazz.

O casal esteve insinuando uma gravação em duo por algum tempo. Riza apareceu nos álbuns de Marcus, “A Time for Love (2011) ” e “Desire (2013) ”, mas os álbuns incluíram instrumentação adicional. Com “Gentle Rain”, eles conclusivamente provam que a química musical deles se situa em puro romantismo. Da inédita “When He Embraced Me with His Eyes” a standards como “It Amazes Me” e “The Nearness of You”, eles tomam tempo igual extraindo exuberância, narrativas coloridas. Ainda há mais sobre “Gentle Rain” do que puras canções de amor, tais com uma maravilhosa interpretação do clássico de Thad Jones, “A Child Is Born”.

Embora o trompete e harpa não devam parecer adequado para se emparelharem, os Printups expõem uma beleza impressionante na combinação. Riza certamente soa confortável o bastante, adicionando camadas melódicas sonhadoras em cada canção, enquanto Marcus robustamente sussurra ao lado dela. O título do álbum é perfeitamente ajustado e os ouvintes são tomados por  um caminho emocionalmente suave, que termina como começa, delicadamente.

Faixas

1 Gentle Rain

2 A Child Is Born.

3 Madison.

4 It Amazes Me.

5 The Nearness Of You.

6 Caruso.

7 Here´s To Life.

8 When He Embraced Me With His Eyes.

Fonte: VERONICA JOHNSON (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 23/04

Alan Broadbent (1947) - pianista,

Benny Harris (1919-1975) - trompetista,

Bryan Carrott (1959) – pianista,vibrafonista,

Bunky Green (1935) - saxofonista,

Calvin Owens (1929-2008) – trompetista,líder de orquestra,

Chris Lightcap (1971) – baixista,

Geraldo Pereira (1918-1955) – compositor,

Jimmie Noone (1895-1944) - clarinetista,

John Cooper (1963) – líder de orquestra,

Kendra Shank (1958) - guitarrista , vocalista,

Milton Banana(1935-1999)- baterista,

Najponk (1972) – pianista,

Oliver Gannon (1943) – guitarrista,

Pixinguinha (1897-1973) – saxofonista, flautista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=_pUa7r9fOA4&feature=related,

Petr Cancura (1977)– saxofonista,

Severino Araújo (1917) – clarinetista,líder de orquestra

 

quinta-feira, 22 de abril de 2021

MATANA ROBERTS - COIN COIN CHAPTER FOUR – MEMPHIS (Constellation)

“Memória é a coisa mais extraordinãria”, Matana Roberts diz repetidamente ao longo de “Coin Coin Chapter Four: Memphis”, a última parte de um projeto com 12, que explora a história pessoal da instrumentista e sua linhagem cultural através de lentes etnográficas. Ela, metodicamente, entrelaça as memórias de infância com standards do jazz reimaginados, spiritual afro-americanos, composição avant-garde e instrumentação que evoca a América do Sul.

Sam Shalabi contribui no oud para a gravação, sua encrespada e ressonante entonação capturando a tranquilidade de um verão do sul, enquanto a rebeca de Hannah Marcus evoca a tradição folk. Vocal de hinário e instrumentos de palhetas angustiados em “Jewels Of The Sky: Inscription” dão passagem para um moderno arranjo de “St. Louis Blues” em “Fit To Be Tied”, implacáveis instrumentos de sopro e improvisação livre de “Trail Of The Smiling Sphinx” e as dimensões afro-futuristas de “Shoes Of Gold”. Inspirado pela sua avó materna em “Memphis-raised defiance”, a gravação centra-se nas vozes normais e homenageia a resiliência negra, enquanto examina o contexto de dispersão da família de Roberts e o contexto histórico através do qual eles se moveram. “Her Mighty Waters Run” constrói-se em torno de um pintarroxo com vozes femininas, que celebram a granulação generacional conforme eles cantam uma modernamente arranjada “Roll The Old Chariot Along”.

Roberts, posterior e triunfalmente, proclama, “Live life out loud. Live life, stay proud - NT: Viva a vida fora do barulho.Viva a vida, permaneça ativo, em tradução livre”, concluindo uma exploração profundamente pessoal de identidade e linhagem.

Faixas: Memphis: Jewels Of The Sky: Inscription; As Far As Eyes Can See; Trail Of The Smiling Sphinx; Piddling; Shoes Of Gold; Wild Fire Bare; Fit To Be Tied; Her Mighty Waters Run; All Things Beautiful; In The Fold; Raise Yourself Up; Backbone Once More; How Bright They Shine. (46:47)

Músicos: Matana Roberts, saxofone alto, clarinete, vocal; Hannah Marcus, guitarra, violão, rabeca, acordeón, vocal; Sam Shalabi, guitarra, oud, vocal; Nicolas Caloia, baixo, vocal; Ryan Sawyer, bateria, vibrafone, jaw harp, sinos, vocal; Steve Swell, trombone, vocal; Ryan White, vibrafone; Thierry Amar, Nadia Moss, Jessica Moss, Ian Ilavsky, vocal.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=WjaIGK9am_k

Fonte: Ivana Ng (DownBeat)  

 

ANIVERSARIANTES - 22/04

André Mehmari (1977) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=dWZKp9JLvu0,

Candido (1921-2020) - percussionista,

Barry Guy (1947) – baixista,

Charles Mingus (1922-1979) – baixista,

Dave Ballou (1963) – trompetista,

Don Grusin (1941) - tecladista,

Don Menza (1936) - flautista saxofonista,

Harvey Mason (1947) – baterista,

Lou Stein (1922-2002) – pianista,

Mano Brown (1970) – vocalista,

Nivaldo Ornelas (1941) – saxofonista,flautista,

Paul Chambers (1935-1969) - baixista

 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

LAURIE ANTONIOLI – THE CONSTANT PASSAGE OF TIME (Origin)

 Você pode explorar uma vocalista mesmo se a entonação de sua voz não lhe cai bem aos ouvidos? É uma questão que eu considerei, enquanto ouvia o sétimo álbum de Laurie Antonioli. Embora o alcance e as fontes do seu material sejam amplos, e ela traga sua própria visão para o material, escrevendo as próprias letras, o timbre de sua voz, às vezes, é irritante.

Vai diretamente à questão do que faz uma cantora conectar-se com o ouvinte. “Don’t Let It Bring You Down” de Neil Young é uma canção onde alguma pessoa desiste da sua entrega nasal e entonações instáveis, mas a voz de Antonioli traz sua própria qualidade ácida para sua versão. Similarmente, ela parece ter aspectos consistentes em algumas das notas que ela escolhe manter. Porém, como Young, maravilhosamente, disse uma vez, “Este é meu som, cara”.

É mais fácil integrar-se com a apresentação de uma versão propulsiva de Antonioli para “Riverwide” de Sheryl Crow, que inclui uma tabla atrativa tocada pelo baterista Jason Lewis e um solo energético do guitarrista Dave MacNab. Ela também desliza através de três canções de Joni Mitchell—um medley com emendas de “Harry’s House” e “The Arrangement” e “Love”—continuando a devoção que ela expressou para a compositora do álbum de 2014, “Songs Of Shadow, Songs Of Light (Origin) ”. Melhor de tudo é o emparelhamento de sua voz com o clarinete baixo   de Sheldon Brown na evocativa “Moonbirds”.

A gravação vigorosa em LP de “The Constant Passage Of Time” ilustra a paixão de Antonioli pelo seu trabalho, e o prazer que ela exsuda, fluindo através da sua voz, qualquer que seja o ouvinte que possa fazer o som si.

Faixas: Longing For You; Riverwide; Layla; Moonbirds; Harry’s House/The Arrangement; Love; Highway; And So It Is; Don’t Let It Bring You Down. (41:17)

Músicos: Laurie Antonioli, vocal; Sheldon Brown, clarinete, clarinete baixo, saxofone; Dave MacNab, guitarra; Matt Clark, piano; Dan Feiszli, baixo; Jason Lewis, bateria, tabla.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=n89EmNlRrZc

Fonte:  James Hale (DownBeat) 

ANIVERSARIANTES - 21/04

Alan Skidmore (1942) – saxofonista,

Alfred Lion (1908-1987) – produtor,fundador da Blue Note,

Craig Pilo (1972) – baterista,

Didier Verna (1970) – guitarrista,

Gilson Peranzetta (1946) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=nK-OexyabCo,

Ian Carr (1933-2009) – trompetista,

Luiz Brasil(1954) – guitarrista,violonista,

Mike Holober (1957) – pianista,

Mundell Lowe (1922) - guitarrista,

Pee Wee Ellis (1941) - saxofonista,

Slide Hampton (1932) - trombonista  

 

terça-feira, 20 de abril de 2021

REGGIE QUINERLY - NOVA YORK NOWHERE (Redefinition)

Incontáveis peças da música usa a cidade de Nova York como uma cortina de fundo inspiradora; “Take the A Train” de Billy Strayhorn, “Central Park West” de John Coltrane e “Manhattan Reflections” de Ahmad Jamal vem à mente imediatamente. O baterista Reggie Quinerly toma este conceito para o coração de “New York Nowhere”, uma ode à cidade que ele tomou como lar por 20 anos. Embora não seja um nativo (ele vem de Houston), ele passou a melhor parte de sua carreira em Nova York, estudando com veteranos como Jimmy Cobb, Lewis Nash e Kenny Washington, e afiando suas habilidades na cena jazzística. No final do ano passado, ele se mudou para a Califórnia, mas este álbum, apresenta um balanço suave, representa suas memórias de Nova York, e reflete todas as vibrações moderadas de uma noite espontânea na Big Apple.

Quinerly é sempre cuidadoso para selecionar instrumentistas de primeira, que se fundem bem juntos, assim não é surpresa que este quinteto seja constituído por músicos que têm uma longa história entre si. “Reflections on the Hudson”, a abertura do álbum, é um perfeito exemplo da química do grupo: o trompetista Antoine Drye vividamente suínga, enquanto o saxofonista John Ellis eloquentemente o apoia. Drye e Ellis estão atuando juntos por mais de 30 anos.

“Somewhere on Houston”, outra faixa hard bop, onde mais uma vez se destaca o trabalho solo brilhante de Drye, e então traz seu antigo companheiro e pianista, John Chin, para dentro da mistura, objetivando uma abstenção do sentimentalismo. “New York Nights” acelera o tempo do álbum ainda mais, desta vez exibindo as estimulantes habilidades do sax de Ellis. Quinerly não tem problema em deixar seus companheiros de banda brilharem, mas conserva sua competente habilidade para mantê-los firmemente suingantes até onde seu poder se situa.

Faixas

1 Reflections on the Hudson

2 Dreaming in Place

3 Somewhere on Houston

4 New York Nights

5 Celso

6 Wine Cooler Heads Prevail

7 New York Nights (Revisited)

 Músicos: Reggie Quinerly –bateria; John Ellis- sax tenor; Antoine Drye- trompete; John Chin- piano; Sean Conly- baixo.

 Fonte: VERONICA JOHNSON (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 20/04

Avishai Cohen (1971) – baixista,

Beaver Harris (1936-1991) - baterista,

Burt Bales (1916-1989) - pianista,

Henry Renaud (1925-2002) – pianista,

Joe Bonner (1948) – pianista,

Lionel Hampton (1909-2002) - vibrafonista,

Matt Brewer (1983) – baixista,

Ran Blake (1935) - pianista,

Rildo Hora(1949) – gaitista,violonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=5u5WE4bYgNQ,

Tito Puente (1923-2000) - percussionista 

 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

JEREMY PELT - THE ART OF INTIMACY, VOL. 1 (HighNote)

Jeremy Pelt necessitou de alguns anos antes dele fazer um álbum como “The Art of Intimacy, Vol. 1”. Como muitos jovens talentosos, o trompetista despendeu seus anos iniciais cuspindo fogo e caçando ideias para ver o que atrairia: mais confortável em post-bop e configurações modais, com os usuais suspeitos—Miles, Hubbard, dentre outros—servindo como uma luz guia, ele também se aventurou dentro de criações amplas orquestrais, funk e jams eletronicamente ampliadas, sempre ousadas, frequentemente audaciosas.

Pelt, há muito tempo, provou suas habilidades, versatilidade e voluntariedade para sair de onde estava antes— “The Artist (2019) ”, estava ancorado por uma suíte de várias partes inspirada em esculturas de Rodin—mas nunca tomou tal profundidade, grande alento e, simplesmente, tocou tão suave, como ele faz aqui. O que faz “The Art of Intimacy” tão surpreendente é sua deliberada falta de centelhas, é doce com arestas arredondadas: Aos 43, Pelt (que se autoproduziu) realizou a gravação menos sobrecarregada da história de sua carreira, moderada, um trio sem bateria, consistindo primariamente de baladas, a maioria delas standards, que virtualmente define a frase “jazz suave”.

Ele não poderia ter escolhidos melhores parceiros para este trabalho do que o pianista George Cables e o baixista Peter Washington, senhores maduros que escoam suavidade e sensibilidade em seus toques. Em faixas como “Little Girl Blue” de Rodgers e Hart e “Then I’ll Be Tired of You” de Yarburg/Schwartz, o mútuo respeito do trio está onipresente, da mesma forma que espaços são abertos em suas interações, habilmente medidas e conduzidas. Das poucas composições inéditas, a abertura “Love Is Simple” de Pelt e a coescrita com Washington, “Ab-o-lutely” (onde Cables fica de fora), desenvolvem-se para dizer muito com pouco. “The Art of Intimacy, Vol. 1” é caloroso como um acolhedor lençol familiar—que venha o volume 2.

Faixas

1 Love Is Simple              

2 Little Girl Blue              

3 Always on My Mind   

4 I've Just Seen Her        

5 Then I'll Be Tired of You           

6 Ebony Moonbeams   

7 While You Are Gone  

8 Ab-O-Lutely  

9 I'll Never Stop Loving You

 Músicos: JEREMY PELT, trompete; GEORGE CABLES, piano; PETER WASHINGTON, baixo.

 Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

 https://www.youtube.com/watch?v=tpuPqbbV6Dc

 Fonte: JEFF TAMARKIN (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 19/04

Arianna Neikrug (1993) vocalista,

Lucas Pino (1987) - saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=pkf0OKtO0A8,

Tommy Benford (1905-1994) - baterista

 

domingo, 18 de abril de 2021

BOB SHEPPARD – THE FINE LINE (Challenge Records)

Ironicamente, é que provável que a única razão que Bob Sheppard não seja um nome da casa (em relação a outros nomes) é porque ele é um acompanhante bem demandado. Dividindo seu tempo entre Los Angeles e Nova York, onde ele ensina jazz na The University of Southern California Thornton School of Music. Porém, ele trabalhou, entre muitos outros, com luminares de jazz como Chick Corea, Herbie Hancock, Peter Erskine e da popular music world, Joni Mitchell, Steely Dan e Stevie Wonder. Isto também explica porque gravações sob seu próprio nome são relativamente infrequentes. Seu álbum anterior, “Close Your Eyes (Challenge, 2011)” apresentando, entre outros, o baterista Antonio Sánchez, que foi altamente louvado com razão.

“The Fine Line” veio através da chance de Sheppard se encontrar com o baixista holandês, Jasper Somsen, no Jazzahead Network Event , em 2013, em Bremen, Alemanha. Os dois se entenderam imediatamente e resolveram trabalhar juntos. Entretanto, devido às suas agendas cheias levaram quase dois anos antes de compartilhar um palco nos Países Baixos para uma semana completa de concertos, seguida por aparições em masterclasses e programas de rádio. Brevemente, mais tarde, Anne de Jong, diretora geral de Challenge Records ofereceu a Somsen a oportunidade para trabalhar em vários projetos, e, felizmente, este álbum foi um deles. Para completar a formação, Sheppard, astutamente, recrutou o tecladista John Beasley, que apareceu em seu álbum anterior, mais o virtuoso baterista Kendrick Scott.

A abertura em passo rápido de Sheppard, "Edge Of Trouble", vê o sax soprano do maestro estabelecendo um gancho em serpentina. Há, também, um solo floreado a partir do vibrafonista convidado Simon Moullier, que mais tarde faz contribuições essenciais em "Maria's Tango" e "Joegenic", enquanto Scott impulsiona a peça ao lado de sua bateria crepitante. "Run Amok", com Sheppard no tenor, tem um sentimento de Brecker Brothers, cortesia de Benjamin Shepherd no baixo elétrico e algum trompete surdinado à la Miles através de Mike Cottone.

A "A Flower Is A Lovesome Thing", de Billy Strayhorn, Sheppard dá um tratamento suntuoso, bem como ao standard "I Didn't Know What Time It Was" de Rodgers and Hart, que vê Sheppard solando em um soprano crescente. Uma excentricidade, raramente ouvida no contexto do jazz, mas, todavia, uma versão vencedora, é "Thanks For The Memory" de Ralph Rainger, que veio a ser a canção marcante de Bob Hope, na qual Sheppard concede algum rico, evocativamente, glissando com o furtivo tenor de Somsen, apresentando um fluído solo do baixo em pizzicato. O lânguido esquema latino de Sheppard na faixa título beneficia-o a partir do sutil vocal sem palavras de Maria Puga Lareo.

Com “The Fine Line”, Sheppard conseguiu uma vez mais produzir um álbum povoado de vibrantes canções memoráveis, que convidam a constantes e frequentes repetições.

Faixas: Edge of Trouble; Run Amok; The Fine Line; People Make The World Go 'Round; I Didn't Know What Time It Was; Maria's Tango; Above & Beyond; Joegenic; Thanks For The Memory; A Flower Is A Lovesome Thing.

Músicos: Bob Sheppard: saxofones tenor e soprano, flauta; John Beasley: piano; Jasper Somsen: baixo; Kendrick Scott: bateria. Convidados: Mike Cottone (2): trompete; Simon Moullier (1,6,8): vibrafone; Maria Puga Lareo (3): vocal; Benjamin Shepherd (2,4): baixo elétrico; Aaron Safarty (3,6): shaker.

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=TjNRODZt_VQ

Fonte: Roger Farbey (AllAboutJazz)

 

 

ANIVERSARIANTES - 18/04

Brian VanArsdale (1979) – saxofonista,

Clarence "Gatemouth" Brown (1924-2005)-guitarrista,vocalista,

Danny Gottlieb (1953) -  baterista,

Hal Galper (1938) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=1T4V3hd2Tw4&feature=relmfu,

Ken Colyer (1928-1988) –cornetista,líder de orquestra,

Leo Parker (1925-1962) - saxofonista,

Neil Alexander (1960) – tecladista,

Pedro Mariano (1975) – vocalista,

Tony Reeves (1943) - baixista


sábado, 17 de abril de 2021

BENOîT DELBECQ - THE WEIGHT OF LIGHT (Pyroclastic)

Na vasta história do piano no jazz, tem havido poucos pianistas que soam como ninguém mais. Um é Benoît Delbecq. Por alguém, ele oferecerá novos estímulos intrigantes. Por outros, ele apresentará insuperáveis barreira para entrar. Uma terceira categoria de ouvinte, que inclui seu presente correspondente, experimentará reações oscilando entre curiosidade e alienação.

Delbecq é um investigador cujas preocupações são intelectuais, austeras e enigmáticas. A capa do álbum é um desenho de um móbile porque, de acordo com as notas para imprensa, Delbecq “começou reconhecendo como pendurando móbiles, que exercem influências sobre seu relacionamento com a música e … expressão artística”. Ele é também motivado pela matemática e arquitetura.

Assim, o que faz a música soar como inspirada por tais fontes, antes que por mais convencionais formatos, digo, amor humano e perdas e esperanças? Soa como constelações de imagens auriculares, aleatorizadas, sem os princípios vinculativos de contexto harmônico, lógica melódica e movimento temporal. Em vez da continuidade há proximidade. Notas nuas grasnam e badalam no espaço. Delbecq usa piano preparado para criar “loops – NT: laços” de faixas com ritmos repetidos. É uma decisão audaciosa na música que já arrisca na monotonia e imobilismo.

Em certos momentos, em peças como “Dripping Stones” e “Au Fil de la Parole”, Delbecq encontra efeitos análogos a pinturas abstratas. Separada da representação, a música vem a ser o som em si mesmo, como uma pintura pode vir a ser cor pura. Porém, para seu, evidentemente, correspondente esforço presente, a única faixa verdadeiramente exitosa é a final, “Broken World”. “The Weight of Light” foi gravada em Março de 2020 como se o mundo estivesse sendo desligado. Em “Broken World”, Delbecq abandona a abstração subjetiva e liga sua música a eventos externos, em acordes parcialmente melancólicos e melodias fragmentadas, separadas pelo silêncio. Talvez, apenas operadores independentes como Delbecq sejam capazes de interpretar a estranheza e a desolação pandêmica.

Faixas : The Loop of Chicago; Dripping Stones; Family Trees; Chemin sur le crest; Au fil de la parole; Anamorphoses; Havn en Havre; Pair et impair; Broken World.

Fonte: THOMAS CONRAD (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 17/04

Art Ellefson (1932-2018) – saxofonista,

Buster Williams (1942) - baixista,

Chris Barber (1930) – trombonista,líder de orquestra,

Han Bennink (1942) – baterista,percussionista,

Jan Hammer (1948) – tecladista,

Johnny St. Cyr (1890-1966) – banjoísta,guitarrista,

Mark Sherman (1957) – vibrafonista,

Paul Smith (1922-2013) – pianista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=xh_jM7pWiog,

Sam Noto (1930) – trompetista,flugelhornista,

Sam Sadigursky (1979) – saxofonista,clarinetista,

Steve Hobbs (1956) – vibrafonista,

Warren Chiasson (1934) – vibrafonista

 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

NILS LANDGREN & JAN LUNDGREN - KRISTALLEN (ACT)

Ele tem apenas dois papéis musicais, trombonista e vocalista, mas Nils Landgren tem dois lados estilísticos: a agitação e a tranquilidade. “Kristallen”, seu 24º álbum, inclina-se para o moderno, encontrando-o em dueto com o pianista Jan Lundgren para um apanhado, majoritariamente pop, de baladas e canções folk. É fácil o bastante para os ouvidos, se deixado como plano de fundo, poderia ser equivocado considerar como algo fofo. Ouça intimamente, ainda que, seja surpreendente a profundidade apresentada por estes suecos.

Comece com o fato de que Landgren é um exuberante trombonista, uma espécie de instrumentista cujo som é tão claro e polido que parece ser emitido sem esforço. Embora seus solos não sejam, obviamente, vistosos, eles refletem algum talento, como permanece quase inteiramente sobre dó médio e move-se em torno do instrumento com agilidade encrespada de um veterano bebopper. Ritmicamente imaginativo, ele suinga firme quando toca com seus finos solos em “Norwegian Wood”, enquanto seu trabalho em baladas o mostra mais suave, com uma entonação à la Dorsey.

Lundgren é o segundo parceiro de dueto de Landgren, o primeiro foi o falecido Esbjörn Svensson, e isto permite-lhe alguns grandes sapatos para calçar. Embora ele despenda a maior parte do álbum como acompanhante, dando o suporte ao trombone com acordes bem coloridos e providenciando luxuoso contraponto rítmico para o vigoroso Landgren, e vocal à la Chet Baker, ele tem forte senso para o blues e ir direto ao âmago de “Country” de Keith Jarrett e coloca bastante batida rítmica na música dos Beatles, “I Will”, que você pensaria que alguém quase colocou uma seção rítmica na faixa. No todo, um   suave deleite.

1 Blekinge 3:49

2 Byssan Lull 3:50

3 Country 4:15

4 Didn't We 5:20

5 Hornlatar 3:04

6 I Will  4:24

7 Why Did You Let Me Go 4:18

8 Lovers Parade 4:56

9 Norwegian Wood 3:42

10 Olu 4:36

11 The Nearness of You 5:24

12 Värmlandsvisan 3:45

13 The Wedding 4:53

14 Digital Booklet: Kristallen      

 Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:

 https://www.youtube.com/watch?v=vMzPqBS8RRY

 Fonte: J.D. CONSIDINE (JazzTimes)

 

ANIVERSARIANTES - 16/04

Bennie Green (1923-1977) - trombonista,

Colin Linden (1960)- guitarrista,vocalista,

Esbjorn Svensson (1964-2008) – pianista,

Fabian Almazan (1984)-pianista,

Henry Mancini (1924-1994) – pianista,compositor,arranjador,

Herbie Mann (1930-2003) - flautista,

Junko Onishi (1967) – pianista,

Sebastião Tapajós (1944) – violonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=9FGp7ejBuWk,

Ulf  Wakenius (1958) – guitarrista,

Zé Bodega (1923-2003) – saxofonista

 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

DIEGO URCOLA QUARTET FEATURING PAQUITO D’RIVERA - EL DUELO (Paquito/Sunnyside)

Diego Urcola dispendeu, aproximadamente, três décadas em estúdio e no palco como um membro do quinteto de Paquito D’Rivera, faz esta mudança de mesa sentir-se muita atrasada. Porém, isto é aparente ao longo de “El Duelo”, que torna cada decisão criativa para o álbum obter melhor suporte e destaca seu mentor e amigo.

Isto é especialmente verdade na escolha da seção rítmica. Urcola optou por não incluir o piano, um movimento que deixa uma grande quantidade de espaço para D’Rivera preencher e tocar ao redor, emprestando um ar endiabrado para seus solos na inédita “Buenos Aires” e a tomada do grupo para “Bye-Ya” de Monk. Urcola também cuida de exibir sua proficiência e de D’Rivera em jazz dos continentes americanos. Eles se deliciam igualmente na puxada suave de “I Know, Don’t Know How” de Gerry Mulligan como na balançante faixa título, composta pelo argentino Guillermo Klein. Ao mesmo tempo, há uma rigidez perceptível ao longo do trabalho. Tão relaxado quanto os instrumentistas de sopro em seus solos, eles abordam as melodias com prudência, como se temoroso de voar longe dos trilhos. Crepitante e claro como “El Duelo” é mesmo um toque granulado, que iria trilhar um longo caminho.

Faixas: El Duelo; Tango Azul; Una Muy Bonita; La Yumba/Caravan; Pekin; The Natural; Buenos Aires; Foxy Trot; I Know, Don’t Know How; Libertango; Sacajawea (Theme); Leyenda; Con Alma; Stablemates; Bye-Ya. (76:34)

Músicos: Diego Urcola, trompete, flugelhorn; Paquito D’Rivera, saxofone alto, clarinete; Hamish Smith, baixo; Eric Doob, bateria.

Fonte: Robert Ham (DownBeat)    
 

ANIVERSARIANTES - 15/04

Bessie Smith (1894-1937) - vocalista,

Herb Pomeroy (1930-2007) – trompetista,

Marquis Hill (1987) – trompetista,

Philippe Baden Powell (1978) – pianista (na foto e vídeo) https://www.youtube.com/watch?v=hIK4zVUhloI,

Richard Davis (1930) - baixista 

 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

ABDULLAH IBRAHIM -THE BALANCE (Gearbox)

“The Balance” é o ultimo álbum do pianista sul-africano Abdullah Ibrahim. E seu lançamento vem após 60 anos, depois da fundamental e rápida dissolução do Johannesburg Jazz Epistles (com Hugh Masekela), o massacre de Sharpeville, e a última partida de Ibrahim para a Europa e a América com sua esposa, a falecida vocalista e compositora, Sathima Bea Benjamin.

O álbum distribui uma riqueza de sons —big band, música municipal, solo de piano—ainda que a experiência não seja um empilhamento vertical, mas do que espalhamento horizontal, um estabelecimento de possibilidades elásticas. Várias peças são como impressões orquestrais, pinturas intrumentais estruturadas de ritmos e instrumentos de sopro: o solo de flauta levemente brilhante de Cleave Guyton Jr. alinha-se na abertura de “Dreamtime” e é suportado e interrompido por sombrios conjuntos de instrumentos de sopro e penetrando nas harmonias do piano. Em conteúdo e forma, Ibrahim permanece entre conforto e afiamento, pressão e tranquilidade. “Tonegawa” é uma bela peça de piano solo—uma das três no álbum—que constantemente se move entre harmonias atraentes e inquietas e profundas resoluções. Em peças com a banda completa, o pianista apenas se ampara nos trabalhos coloridos por firmes linhas dos instrumentos de sopro, Ibrahim toca os solos mais breves, insere vozes assombrosas ou gentis e esparsamente marca as mudanças. “Jabula” é um número de extremo balanço com os mais suaves embaralhamentos na bateria, evoluindo as linhas nos instrumentos solo e os acordes intermitentes colocados apenas no momento certo. Ibrahim introduz “Song For Sathima” e então desiste completamente—deixando Guyton tomar a liderança neste lamento fúnebre—reunindo a banda só para encontrar a conclusão da música.

Faixas: Dreamtime; Nisa; Jabula; Tuang Guru; Tonegawa; Song For Sathima; ZB2; Skippy; Devotion; The Balance. (37:49)

Músicos: Abdullah Ibrahim, piano; Noah Jackson, baixo, cello (3, 10); Alec Dankworth, baixo (3, 10); Will Terrill, bateria; Cleave Guyton Jr., saxofone alto (2, 3, 6), flauta (1, 10), piccolo (4, 8); Lance Bryant, saxofone tenor; Marshall McDonald, saxofone barítono; Andrae Murchison, trombone; Adam Glasser, gaita (10).

Fonte: Tamar Sella (DownBeat)  

 

ANIVERSARIANTES - 14/04

Adam Niewood (1977) – saxofonista,

Brian Pardo (1956) – guitarrista,

Eliot Zigmund (1945) – baterista,

Gene Ammons (1925-1974) - saxofonista,

Muddy Waters (1915-1983) – guitarrista,

Shorty Rogers (1924-1994) - trompetista,

Steve Davis (1967) –trombonista (na foto e video) http://www.youtube.com/watch?v=N4eoeTvSfhM,

William Roper (1955) - tubista