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segunda-feira, 31 de março de 2014

MARK EGAN/KARL LATHAM/JOHN HART – UNIT 1 (Wavetone Records)

Não que os fãs que vêm seguindo  a longa e notável carreira do baixista Mark Egan necessitem lembrar, mas a estreia deste grupo sem líder é outra ilustração sobre como ele é versado na arte de trio eletrificado. 
Enquanto flashes de similaridades  com outros trabalhos de Egan são inevitáveis , as performances capturadas em “Unit 1” prontamente revelam uma distinta marca propulsora  jazz-funk e interação , um  emparelhamento de  habilidades apresentando o baterista Karl Latham e o  guitarrista John Hart em papéis igualmente proeminentes. Vários standards do jazz e do pop , incluindo composições de Thelonious Monk, Ann Ronell, Wayne Shorter e Sonny Rollins, providenciam  granulações para o trio  e sua obstinada movimentação fora da ordem.

Este é um poderoso trio criador, todo certo, mas que frequentemente se distingue  em meio a 16 ª nota nos ritmos , harmonias agressivas e o controle sincopado demonstra  um perspicaz senso de dinâmicas , especialmente quando o foco muda para o fraseado brilhante e ornado de Hart, o trabalho hábil das vassourinhas de Latham e a inquietude fina do baixo de Egan. Embora a improvisação é o impulso primário do álbum, com a maioria das faixas durando entre seis e nove minutos, melodias demoradas e  graça durante “Old Folks”, “Willow Weep for Me” e “My One and Only Love”. Há mais, a inclinação emotiva de Hart e a afinidade inequívoca com o blues sutilmente complementa as encrespadas subcorrentes de Egan e as astutas pegadas de Latham.

Bem a espera valeu a pena, “Unit 1” foi gravado seis  anos atrás no clube Bula em Newton, New Jersey. Esperamos que Egan, Latham e Hart ofereçam um novo lançamento em breve em ou fora do estúdio.

       Faixas

1. Old Folks 6:24
2. Epistrophy 7:29
3. Willow Weep for Me 6:44
4. All Blues 9:20
5. ST. Thomas 7:29
6. MR. Clean 6:34
7. Bemsha Swing 8:52
8. Footprints  8:48
9. My One and Only Love 5:59


Fonte : Mike Joyce (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 31/03

Bob Meyer (1945) – baterista,
Christian Scott(1983) – trompetista,
Duduka da Fonseca(1951) – baterista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=S1jjqcozNvg,
Elli Fordyce (1937) – vocalista,
Freddie Green (1911-1987) – guitarrista,
Gene Puerling (1929-2008) – vocalista,
Herb Alpert (1935) – trompetista,
Lizzie Miles (1895-1963) - vocalista,
Oberdan(1945-1984) – saxofonista,
Red Norvo (1908-1999) - vibrafonista 

domingo, 30 de março de 2014

MATT WILSON QUARTET + JOHN MEDESKI – GATHERING CALL (2014)

O baterista Matt Wilson deve definir o imperturbável entusiasmo melhor que qualquer outro no jazz. Seus pratos e os tambores parecem, mesmo, estar sorrindo quando ele  os salienta, assim deveria vir sem nenhum choque que o zelo musical é a chave para o fator de sucesso de “Gathering Call”. Para seu décimo-primeiro álbum como líder, esta positiva corrente musical chamada em seu quarteto com a adição de um importante convidado para a mistura. Ele se reuniu com seu velho amigo e ex-companheiro de banda na edição do final dos anos 80 da  Either/Orchestra  de Russ Gershon , o pianista John Medeski . A música resultante é previsivelmente forte.

“Gathering Call” produz um conjunto de extroversões talentosas que são capazes de juntar criações cerebrais, aspectos dançantes e estimulantes à mente. Improvisações ("Some Assembly Required"), o esquema místico de Charles Lloyd ("Dancing Waters"), exultante suíngue ("Main Stem" de Duke Ellington) e algumas das mais expressivas  músicas com métrica singular para gravar (Get Over, Get Off And Get On") ,tudo parte do pacote, que apenas cobre o primeiro terço do programa.

Como o álbum continua a se revelar, Wilson e companhia retratam amplas visões ("Barack Obama"), exibem breves e audaciosas explorações ("Gathering Call") e atacam em outro suingante deleite ducal ("You Dirty Dog"). Aqueles que pensam que um preciso trabalho de pratos é coisa do passado devem ter em suas mentes as mudanças de Wilson no toque da bateria no material de Ellington.

O baterista/líder nunca desaponta  aqui e nem os seus companheiros. Colegas de banda melhor ajustados  para Wilson não deve existir neste mundo. O toque em zona de turbulência e focado  do saxofonista Jeff Lederer é um combustível, mas ele também apresenta um lado suave , mais notavelmente quando ele pega seu clarinete em limites mais tranquilos . O trompetista Kirk Knuffke , o mais novo membro do quarteto, equilibra o simples e o controlado , apenas tão bem quanto o resto. Em um minuto ele deve estar impulsionando os limites e no próximo tocando a almas, liderando o caminho em uma surpreendentemente afetuosa tomada em  "If I Were A Boy"  de Beyoncé. O baixista Chris Lightcap  permanece uma presença básica  ao longo do trabalho, entretanto ele está disposto a entrar no combate, e  Medeski, quando solando, trabalhando em partes turbulentas ("How Ya Going?"), escoando correntes tranquilas ("Barack Obama") ou encontrando beleza e paz ("Juanita"), é sua própria  sedução. Wilson já possui uma boa quantidade de bons álbuns em sua discografia, mas este deve ser o melhor.

Faixas: Main Stem; Some Assemble Required; Dancing Waters; Get Over, Get Off And Get On; Barack Obama; Gathering Call; You Dirty Dog; Hope (For The Cause); Dreamscape; How Ya Going?; If I Were A Boy; Pumpkin’s Delight; Juanita.

Músicos: Jeff Lederer: saxofones tenor e soprano, clarinete; Kirk Knuffke: cornet; Chris Lightcap: baixo; Matt Wilson: bateria; John Medeski: piano.

Gravadora: Palmetto Records


Fonte: DAN BILAWSKY (AllAboutJazz) 

ANIVERSARIANTES -30/03

Dave Stryker (1957) – guitarrista,
Eric Clapton (1945) – guitarrista,vocalista,
Hamilton de Holanda (1976) – bandolinista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=9v-CntBdUTc&feature=related,
John d’Earth (1950) – trompetista,
Karl Berger (1935) - pianista , vibrafonista,
Lanny Morgan (1934) - saxofonista,
Marilyn Crispell (1947) - pianista,
Norah Jones (1979) – pianista, vocalista,
Ted Heath (1900-1969)- trombonista,líder de orquestra


sábado, 29 de março de 2014

REBECCA KILGORE & THE HARRY ALLEN QUARTET – SOME LIKE IT HOT : THE MUSIC OF MARILYN MONROE (Swing Bros.)

Em anos recentes, a vocalista Rebecca Kilgore e o saxofonista Harry Allen, dois dos mais prolíficos artistas do jazz, têm, regularmente, se unido para criar álbuns em torno de instrumentações da Broadway, para revisitas atualizadas de Guys and Dolls, South Pacific e The Sound of Music. Agora a maravilhosamente agradável dupla vira um pouco à esquerda, explorando o relativamente pequeno repertório de Marilyn Monroe .

Como Kilgore registrou em recente entrevista, ela, primeiramente, hesitou quando Allen sugeriu o conceito, desinteressada em imitar o estilo provocante de Monroe. Porém ela concordou em atuar em seus próprios termos, reinterpretando números icônicos como  “Diamonds Are a Girl’s Best Friend” e “A Little Girl From Little Rock” como standards do jazz. Despida da magnifica sensualidade de Monroe, as canções se sustentam surpreendentemente bem, a necessária sexualidade é realçada pelos provocantes solos de Allen. Como arqueóloga musical, Kilgore recupera poucas músicas familiares, incluindo a charmosa “Incurably Romantic”, a animada faixa título “Let’s Make Love”  e a melosa, se datada, “She Acts Like a Woman Should” dos anos 60.

Kilgore complementa sua dúzia de faixas com a doce homenagem “Marilyn Monroe”, escrita por seu colega e frequente colaborador Dave Frishberg. Allen e seus companheiros de quarteto— o pianista Rossano Sportiello, o baixista Joel Forbes e o baterista Chuck Riggs— também se espalham em dois instrumentais: uma calorosa “Running Wild” e uma espirituosa  “Some Like It Hot.”

Fonte: Christopher Loudon (JazzTimes)


ANIVERSARIANTES - 29/03

Astrud Gilberto (1940) – vocalista,
Michael Brecker (1949-2007) – saxofonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=fJt3qeuPdns,
Pearl Bailey (1918-1990) – vocalista,
William Clarke (1951-1996) - gaitista 

sexta-feira, 28 de março de 2014

KEITH JARRETT – NO END

“No End” foi gravado em 1986, porém ele soa mais antigo. O projeto apresenta o ícone do  piano solo Keith Jarrett , ainda que não no piano solo. Em vez disto, ele toca uma “suite” em 20 partes, multiplicando a si mesmo na guitarra elétrica, baixo Fender, bateria, tabla e várias percussões— o piano faz uma aparição, acompanhando a faixa “X”—por dois discos e mais de 90 minutos de monotonia de jams psicodélicas dos anos 60. Esqueça um homem banda. Jarrett  é um homem em torno da bateria.

 Há pouco mais que isto aqui. Jarrett alega em suas notas que sua única premeditação para a música foi o balanço; exclamações de pesar, variedade e direção parecem estar entre as casualidades. “XVII”, por exemplo, consiste em dois pares alternados de acordes de guitarra, cada um com completa entonação desassociada, breve conjunto de notas simples (com o vago toque oriental  que foi popular com as inclinações de Jerry Garcia) entremeado, e a circularidade dos acordes da percussão por baixo. E, claro, os grunhidos das vocalizações de Jarrett.

A diferença entre  “XVII” e a maioria das outras peças é minima: Há variações nos ritmos , acentos e subdivisões , mas um firme 4/4 permanece onipresente (“XIV” inicia prometendo complexidade rítmica, mas  caminha lenta e penosamente até o fim). Também, “II” e “IV” têm linhas do baixo mais proeminentes; “XVI” usa linhas contrapontuais da guitarra; e “XII” recoloca a batida da bateria com o colorido moderado dos pratos (e o inflexível silvo da fita é enfatizada no álbum, sinal do ano de  1986). “V” é uma notável exceção, um toque caribenho anima com um canto dobrado. É uma restauradora mudança, ela mesma não é menos monótona.

Talvez Jarrett tenha gravado “No End” como nostalgia dos trabalhos realizados nas bandas de  Charles Lloyd e de Miles Davis, dias divertidos de trabalho hippie , que encontrou virtuosismo em jams sem propósito. Indiferentemente, é uma insignificância em sua majestosa discografia.


Fonte: Michael J. West (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 28/03

Hermínio Bello de Carvalho(1935) – compositor,produtor,
Jeremy Manasia (1971) – pianista,
Meredith D'Ambrosio (1941) - pianista,vocalista,
Orrin Evans (1975) – pianista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Se7thCGNtyQ,
Paul Whiteman (1890-1967) - violino,líder de orquestra,
Sonny Bradshaw(1926-2009) – trompetista,líder de orquestra,
Tete Montoliu (1933-1997) - pianista,
Thad Jones (1923-1986) - trompetista,cornetista 

quinta-feira, 27 de março de 2014

JOHN TCHICAI - JOHN TCHICAI (Storyville)

O falecido saxofonista dinamarquês John Tchicai viveu e gravou predominantemente na  Europa, entretanto ele é melhor conhecido por diversos projetos nos anos 60, alguns denominados pela cidade norte-americana onde residiu naqueles impetuosos anos seminais da avant-garde: o marco Ascension de John Coltrane, o New York Contemporary Five (com Archie Shepp), o New York Art Quartet (com Roswell Rudd) e o New York Eye and Ear Control (uma trilha sonora conduzida por Albert Ayler). Este relançamento duplo, entretanto, combina dois álbuns gravados em Copenhague em 1977 e 1987.

Lançado como “John Tchicai & Strange Brothers”, o primeiro disco encontra o líder tocando saxofone alto, bem como o soprano e flauta de bambú. O sax tenor de  Simon Spang-Hanssen realça bem a linha de frente e a seção rítmica formada por Peter Danstrup (baixo) e Ole Rømer (bateria) maneja esta suingante música. Todo mundo tem uma chance para compor, passando entre a entonação de poemas meditativos e acompanhamentos improvisados marcados por solos desinibidos. “Gromyko Lik Lak” é um dos melhores exemplos da modernidade: Sobre um ostinato no baixo com dupla parada que relembra “Ramblin’”  de Ornette Coleman, os dois saxofonistas trocam solos explosivos com linhas entalhadas. A segunda metade do álbum, selecionada a partir de uma performance no Café Montmartre, consiste em uma suíte de peças breves que muda a forma abruptamente, enquanto mantém-se unida como o primórdio do Art Ensemble. Uma versão de  “I Can’t Give You Anything But Love” revela o lado romântico de Tchicai.

“Put Up the Fight” soa como o trabalho de uma banda completamente diferente a despeito de  manter todos, menos um, músicos da sessão anterior. Desta vez Danstrup toca baixo guitarra e sintetizador e Rømer adiciona guitarra elétrica. Em um ponto da atuação de Spang-Hanssen vem Bent Clausen no vibrafone, guitarra e sintetizador. Eram os anos 80, depois de tudo, mas o escorregadio funk na faixa título ainda vem como um choque de Tchicai, agora no tenor. Não ajuda que esta altamente assentada  vocalização soe alternativamente como  Bootsy Collins e David Thomas da arte punk Pere Ubu. Para ser justo, os arranjos eletrificados e teclados límpidos não são o que  no final das contas causam um desapontamento . O quarteto fia-se em uma porção de simples pegadas— inéditas e trabalhos de Fela Kuti e Antonio Carlos Jobim—  que não parecem inspirar qualquer interação que valha a pena entre Tchicai e o resto da banda. Está especialmente perceptível após Strange Brothers, que é um forte exemplo de grupo em que todos têm um papel ativo na música.


Fonte: Mike Shanley (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 27/03

Ben Webster (1909-1973) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=rQVVLAO-9LU,
Belinda Underwood – baixista e vocalista(1976),
Carlinhos Vergueiro(1952) – violonista, compositor,
Harold Ashby (1925-2003) – saxofonista,
Johnny Copeland (1937-1997) – guitarrista, vocalista,
Junior Parker (1932-1971) – vocalista, gaitista,
Leroy Carr (1905) – pianista,
Pee Wee Russell (1906-1969) - clarinetista,
Sarah Vaughan (1924-1990) - vocalista,
Stacey Kent (1968) - vocalista 

quarta-feira, 26 de março de 2014

HUTCHINSON ANDREW TRIO – PRAIRIE MODERN (Chronograph)

Jornalistas de música frequentemente falam da “Cena canadense”, como se fosse um som singular ou movimento. Isto está longe da verdade. Montreal tem seu próprio tempero; Toronto e Vancouver,  também. De fato, as províncias de Alberta e British Columbia têm produzido um número de estrelas de jazz com  notáveis diferenças de abordagens. E isto apenas arranhando a superfície. O Hutchinson Andrew Trio é a prova positiva deste  amplo leque, espécie de inflexão artística ocorrendo ao norte da fronteira. Vindos de Alberta, o baixista Kodi Hutchinson, o  pianista Chris Andrew e o baterista Karl Schwonik fazem música que belamente reflete as montanhas, vales e vastas pradarias do oeste do Canadá. “Mountain Rose”, a primeira faixa do novo álbum do trio, “Prairie Modern”, apresenta um senso de paz pintando um adorável quadro sonoro de vastas paisagens e espaço. Nesta música, o saxofonista convidado, Donny McCaslin, (que aparece em seis faixas) rapidamente sai  da sua robusta pele nova-iorquina e entra na vibração planadora do trio. “Wilds” move-se lentamente, com temas semi meio-oeste com Andrew tocando simples com linhas e progressões poderosas. Hutchinson formula um sério e cerrado balanço para Andrew flutuar, espertamente,  indo do pizzicato ao uso do arco. E Schwonik, também, cerra a canção ainda em cores com uma imaginação ativa e séria técnica. O trio demonstra como facilmente a vibração canadense pode mudar para uma pegada  latina em  “Mintaka” e “Ponderado” como o percussionista Rogério Boccato juntando-se ao grupo. “Prairie Modern” é uma maravilhosa audição, com grande musicalidade através de um trabalho com 13 composições inéditas. O Hutchinson Andrew Trio oferece uma distinta visão de uma das grandes cenas musicais do Canadá.


Fonte: FRANK ALKYER (DownBeat)

ANIVERSARIANTES -26/03

Albert Maksimov (1963) – gaitista,
Andy Hamilton (1918) - saxofonista,
Brew Moore (1924-1973) - saxofonista,
Daniel Lantz (1976) – pianista,
Flip Phillips (1915-2001) - saxofonista,
Gary Bruno (1962) – guitarrista,

Hugh Ferguson (1958) - guitarrista,
James Moody (1925-2010) – saxofonista, flautista,
Lew Tabackin (1940)- saxofonista,
Maurício Carrilho (1957) – violonista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=HUEpZS2zVck
Michael Feinberg (1987) – baixista,
Paulo Paulelli(1974)-baixista,
Susan Wylde (1973) - pianista 

terça-feira, 25 de março de 2014

DIZZY GILLESPIE QUINTET – LEGENDS LIVE

As noites de 27 e 29 de Novembro de 1961 foram apenas mais um par de noites para o Dizzy Gillespie Quintet, duas paradas a mais em uma excursão sem fim pelo mundo, nesta época em Stuttgart e Frankfurt, Alemanha. Os shows daquelas noites nunca foram pretendidas para audição fora daquelas salas, possibilitado só meio século mais tarde. Porém graças ao recém criado selo , Jazzhaus , que tem descoberto e relançado um tesouro de gravações em áudio e vídeo realizados em trabalhos na Alemanha, que estavam esquecidos, nós temos algo de Diz para consumir. Se a questão que nós queremos fazer é apenas saber  como era bom o equipamento utilizado em outra noite em outra cidade, a resposta é : completamente  notável.

 Gillespie ainda estava no apogeu de sua popularidade no início dos anos 60, e suas habilidades eram vigorosas  e rica a sua amplitude: as audiências alemãs receberam a distinção do lado afro-cubano de Gillespie, seu bebop, o lado baladesco e mais— sua seriedade e humor. Nestes shows, liderando um grupo composto pelo pianista Lalo Schifrin, Leo Wright no saxofone alto e flauta, pelo baixista Bob Cunningham e o grande Mel Lewis na bateria, Diz revela complexas , densas , mas singularmente acessíveis linhas do seu trompete no início do programa com “The Mooche” de Ellington. Duas versões de “Con Alma” variadas levemente em conduta e tempo, mas igualmente satisfatórias; “Willow Weep for Me”, exibindo a flauta de Wright, é  criada de forma apropriada; e “Kush” , apresentada aqui como um veículo para um extenso solo (Schifrin encanta), sustenta que o comando de Gillespie para pequenos grupos rivaliza com a liderança das suas reverenciadas orquestras.

Faixas
1 The Mooche 16:05
2 Con Alma 12:10
3 Willow Weep for Me 04:19
4 Opa-Shoo-Be-Doo-Be 03:54
5 I Can´t Get Started 03:42
6 Kush 15:43
7 Con Alma 13:16 (alternate take)


Fonte:  Jeff Tamarkin (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 25/03

Bobby Militello (1950) - saxofonista,flautista,
Makoto Ozone (1961) - pianista,
Paul Motian (1931-2011) – baterista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=IyL2_U04fuc, Pete Johnson (1904-1967) - pianista, 
Sweet Emma Barrett (1897-1983) - pianista,
Trent Austin (1975) - trompetista 

segunda-feira, 24 de março de 2014

CRAIG TABORN TRIO – CHANTS (ECM Records)

Se o jazz pode realmente ser descrito como o som da surpresa, isto também envolve a confiança dos ouvintes. Nós necessitamos abordar a música confiando que os instrumentistas estão realmente tentando criar algo  expressivo em vez de simplesmente colocá-la em um novelo. A melhor música pode nos forçar a reconsiderar nossos pontos de referência e como eles podem afetar nossa opinião sobre a música. Craig Taborn fez isto em seu disco solo de  2011, “Avenging Angel”. O pianista poderia despejar toda classe de linhas entalhadas com os   saxofonistas Chris Potter e Tim Berne, dentre outros, despender um pouco de tempo tocando pequenas e esparsas melodias, uma mão tocando uma simples nota enquanto a outra modula os acordes. Era rigoroso e nem sempre um “vá a algum lugar”, mas era a ideia, ainda assim havia atratividade e emoção.

O trio de  Taborn com Thomas Morgan (baixo) e Gerald Cleaver (bateria) tem sido uma unidade por oito anos, e eles tocam juntos em outros grupos por igual tempo. “Chants” tem o sentimento de uma continuação de “Avenging Angel”. Há amplos espaços abertos, como quando Taborn deixa os acordes ressoando e Cleaver faz grande trabalho apenas tocando os pratos com pancadinhas, mais no estilo Paul Motian. “Cracking Hearts” toma metade da canção para trancá-la em um lugar, mas a jornada é como se fosse um debate em três vias. Em outras ocasiões, Taborn estabelece ostinatos com métrica singular e solos sobre eles, soando como dois pianistas. “Chants” não é um convencional álbum de trio de piano, e exatamente porque não é uma audição compulsória.

     Faixas

1 Saints 5:22
2 Beat The Ground 4:03
3 In Chant 8:20
4 Hot Blood 3:52
5 All True Night / Future Perfect  12:46
6 Cracking Hearts 7:08
7 Silver Ghosts 7:36
8 Silver Days Or Love 8:23
9 Speak The Name 6:56


Fonte : Mike Shanley (JazzTimes) 

ANIVERSARIANTES - 24/03

Alfred Winters (1931) – trombonista,
Chelsea Baratz (1986) – saxofonista,

Dave Douglas (1963) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=z1v0VmJKP-k,
Dave Goldberg (1971) – saxofonista,
Gianluca Renzi (1975) – baixista,
Hank Roberts (1955) - violoncelista,
Jeff Campbell (1963) – baixista,
Joe Fiedler (1965) – trombonista,
John Kolivas (1961) – baixista,
Paul McCandless (1947) - saxofonista,
Renee Rosnes (1962) - pianista,
Sherman Irby (1968) – saxofonista,
Steve Kuhn (1938) - pianista,
Steve LaSpina (1954) - baixista 

domingo, 23 de março de 2014

ITHAMARA KOORAX – OPUS CLASSICO

Ao longo da carreira, Ithamara Koorax tem consistentemente exercitado um canto que aproxima-se do imortal. Ira Gitler, uma vez, excelentemente descreveu o canto de Koorax como de “celestial elegância”. Em “Opus Clássico”, a estupenda voz encontra material para medir forças: Vocal e melodias vocalizadas escritas por mestres da composição tais como Frederic Chopin, Claude Debussy, Sergie Rachmaninoff e Heitor Villa-Lobos, adorável e esplendidamente interpretadas pela assombrosa voz de Koorax atrelada ao pianista Filipe Bernardo e ao guitarrista Rodrigo Lima (que trabalharam com Koorax em “Arirang [2010, EMI]”).

Koorax explora a roupagem de seda de seu estilo baladeiro na sem folego "Iluminada/Balada en Sol Menor No. 1" uma mistura com a tessitura conjunta com o piano de Bernardo, soando sem emenda como se ele estivesse tocando e Koorax cantando continuamente. Lima espalha as notas da guitarra em um caminho com pétalas de ouro  em miniatura que chega a ser o guia do seu vocal através de "Prelúdio de Solidão/ Prelúdio No. 3."

Piano e  guitarra, conjuntamente,  pintam matizes suaves  de  "Adagio do 'Concierto de Aranjuez'" e então  mudam de direção para a condução mais excitante e brilhante e tempos mais rápidos com (quase flamenco) solos e floreios da guitarra de Lima, cuja sonoridade é apenas tão brilhante quanto a voz e canção que eles sustentam. A introdução do piano de Bernardo formula um deslumbrante e estruturado suporte para o vocal de Koorax  repousar sob  "The Lamp is Low/Pavane"; a frase "The lamp is low" flui assim densa e brilhantemente dos seus lábios e boca,  o último "s" de "is" funde-se na abertura de  "l" de "low", que se precipita em seu ouvido como um denso e vigoroso vinho da Borgonha.

Porém, o principal foi guardado para o final, um medley de oito minutos que inicia com "Stranger in Paradise", apresentando um poema  solo  executado pelo trombonista Raul DeSouza  e encerra com "My Reverie" de Debussy. A entonação e a enunciação de Koorax na linha de abertura de "Take my hand, I'm a stranger in paradise" inunda com magia e assombro, e ela avança através da performance que é plena de encanto e  raios lunares como a brilhante letra.

Em mãos menores ou visão, “Opus Classico” deverá soar como um  programa de um recital, um exercício acadêmico de bom gosto. Porém a imaculada produção de Arnaldo DeSouteiro (não árida) ajuda cada tecla do piano e corda da guitarra rodear uma infinita e bela progressão musical com a paixão de cada executante animando este material clássico com sangue, suor e lágrimas. Você deverá desejar permanecer perdido em algumas destas canções para sempre.

Faixas: Vocalise; Iluminada/Balada en Sol Menor No. 1; O Trenzinho do Caipira; Ária das Bachianas Brasileiras No. 5; Prelúdio de Solidão/ Prelúdio No. 3; Corpo e Luz/ Ária de ópera Tristão e Isolda; Adagio do 'Concierto de Aranjuez'; Pavane; The Lamp is Low/Pavane; As Pombas; Coração Triste; Modinha; O Canto do Pajé; Stranger in Paradise/Danças Polovtzianas/My Reverie.

Músicos: Ithamara Koorax: vocal; Rodrigo Lima: guitarra; Filipe Bernardo: piano; Raul de Souza: trombone.

Gravadora: Petrobras

Fonte: CHRIS M. SLAWECKI (All About Jazz)


ANIVERSARIANTES - 23/03

Dave Frishberg (1933) - vocalista,
Dave Pike (1938) - vibrafonista,
Gerry Hemingway (1955) baterista,percussionista,
Greg Diamond (1977) – guitarrista,
Johnny Guarnieri (1917-1985) - pianista,
Michael Nickolas (1962) – guitarrista,
Nelson Faria(1963) – guitarrista(na foto e vídeo) http://mais.uol.com.br/view/disphtmqfdd6/nosso-trio--vera-cruz-040266C0C11366,
Stefon Harris (1973) – vibrafonista 

sábado, 22 de março de 2014

TIM GREEN – SONGS FROM THIS SEASON

Tim Green é um homem devoto, um compositor engenhoso e competente saxofonista alto com  notáveis amigos musicais. Estes atributos abrangem os materiais brutos para “Songs From This Season”, uma estreia de variados sabores com consistente qualidade. A escritura bíblica inspira três das cinco faixas, mas as expressões enérgicas de Green dos seus mais mundanos prazeres são preferíveis. “ChiTown” , dedicada a sua esposa , Anoa, fica nas pontas dos pés longe do meloso através da beleza textural do vibrafone de Warren Wolf  e do Fender Rhodes de  Orrin Evans, enquanto que   “Time for Liberation” dedicada ao diretor cinematográfico Spike Lee, move-se como Coltrane na introdução através do interlúdio do piano de Romain Collin e o testemunho do alto de  Green antes da resolução com o determinado Gilad Hekselman, em um modulação baixa de sua guitarra.

A melhor das duas reapresentações, não surpreendentemente, é “Pinocchio” do mesmo modo que  Green, que tem atuado em bandas que homenageiam Wayne Shorter , passa para um trio e entrincheira-se na modéstia e demonstra porque ele ficou em segundo lugar (perdendo para Jon Irabagon) , em 2008, na competição internacional (Thelonious Monk)  para saxofonistas.

Faixas: Psalm 1; Siloam; Dedication; ChiTown; Philippians; Pinocchio; Time For Liberation; Shift; Lost Souls; Peace; The Queen Of Sheba; Don't Explain; Hope.

Músicos: Tim Green: sax alto ; Allyn Johnson: piano (1, 5, 8, 13), órgão (5, 13); Fender Rhodes (10); Kris Funn: baixo (1, 3, 4, 6, 10-12); Romain Collin: sintetizador (1, 9), piano (2, 7, 9); Gilad Hekselman: guitarra (2, 5, 7, 8, 13); Obed Calvaire: bateria (2, 5, 7-9, 13); Josh Ginsburg: baixo (2, 5, 7, 9, 13); Warren Wolf: vibrafone (3, 4, 11, 12); Orrin Evans: piano (3, 11, 12); Rodney Green: bateria (3, 4, 6, 11, 12); Micah Smith: vocal (4, 8); Loren Dawson: órgão (8); Kenny Shelton: sintetizador (8); Iyana Wakefield: vocal (8); Troy Stuart: cello (9); Quamon Fowler: EWI (10); Quincy Phillips: bateria (10).


Fonte: Britt Robson (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 22/03

Bob Mover (1952) - saxofonista,
George Benson (1943) - guitarrista,
Jackie King (1944) – guitarrista,
Jan Lundgren (1966) – pianista,
Melvin Sparks (1946-2011) – guitarrista,
Walmir Gil(1957)- trompetista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=vAJHoVM04r4  

sexta-feira, 21 de março de 2014

JACKY TERRASSON – GOUACHE (Sunnyside)

Entre 1994 e 2007, Jacky Terrasson fez 10 álbuns para a Blue Note. Eles o estabeleceram como um dos mais talentosos pianistas da sua geração. A relação de Terrasson com o piano foi como a de LeBron James com os 10 pés de altura da cesta. Eles viveram acima das bordas. Eles poderiam se enterrar  em seus sonhos.

Desde que deixou a Blue Note, Terrasson gravou apenas uma vez até agora. Ele deveria estar pronto para fazer uma importante gravação, mas “Gouache” não é. É mais uma amostra de música para festa  do que um álbum de afirmação. Convidados vêm e vão. É também o mais extenso flerte de Terrasson com a cultura pop.

O programa inclui canções de John Lennon, Amy Winehouse e Justin Bieber. Poucos fãs de jazz já pesquisaram por Justin Bieber. Porém se você quer ouvir o seu “Baby” no original, um vídeo no  YouTube  o levará direto para lá. “Baby” é tão inexpressiva como uma cançoneta quanto uma pose que você já fez. Terrasson acelera um som indistinto no piano acústico e martela no Fender Rhodes. Inofensiva alegria.  Implicações sombrias não são a especialidade de Terrasson, mas a pegada saltitante de “Rehab” de Winehouse é interrompida por agourentos impactos. Cécile McLorin Salvant canta “Oh My Love”  de Lennon  e “Je te veux” de Erik Satie com uma voz tristonha desconectada em humor do resto do álbum. “Mother” é majoritariamente um ciclo repetitivo de um bloco de acordes cujo conteúdo significativo é providenciado pelo trompetista Stephane Belmondo.

As peças em trio são melhores. Burniss Travis e Justin Faulkner são o baixista e o baterista, repectivamente. “Happiness” é um instântaneo suave de Terrasson, uma descrição de  enlevo através  de energia desatrelada e ideias despejadas. “Valse Hot” é uma aproximação livre da melodia de Sonny Rollins.
Ornamentos estranhos à decoração estão espalhados ao redor de “C’est si bon” , que suaviza e enternece um pouco a canção. Sua precipitação bravia é conduzida de forma vigorosa e é a quinta-essência de  Terrasson: divertida, extravagante, hábil, mais da cabeça do que do coração.

      Faixas

1 Try to Catch Me 4:06
2 Baby 3:21
3 Je Te Veux  5:24
4 Rehab 3:55
5 Gouache 4:33
6 Oh My Love 4:47
7 Mother  6:50
8 Happiness 7:42
9 Valse Hot 4:06
10 C'est Si Bon 6:02


Fonte: Thomas Conrad (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 21/03

Amina Claudine Myers (1942) - pianista,
Chacho Ramirez (1951) – baterista,
Farnell Newton (1977) – trompetista,
John Davey (1950) – baixista,
Linda Kosut (1946) – vocalista,
Mike Westbrook (1936) – pianista,líder de orquestra, 
Otis Spann (1930-1970) - pianista,
Son House (1902-1988) – guitarrista,vocalista,

Tiger Okoshi (1950) – trompetista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Yezp-N5zRGA

quinta-feira, 20 de março de 2014

EBERHARD WEBER – RÉSUMÉ (ECM Records)

Um derrame em 2007 deixou um lado do corpo de Eberhard Weber paralisado e restringiu a sua carreira indefinidamente. “ Résumé” não é exatamente uma retrospectiva. Reúne uma dúzia de solos de Weber em seu marcante baixo de cinco cordas com o grupo de Jan Garbarek em 1990 e o encerramento das suas atividades no final daquele ano, realçando-os através de dilação e outros processamentos, e transformando aqueles solos em rica e mini-orquestrais suítes. Garbarek (no saxofone e selje flute) e o baterista Michael DiPasqua contribuem colorindo as improvisações originais de Weber, e entre seus presentes  e edições de Weber e da equipe da ECM —Weber chama a técnica de “reduplicação”— o resultado das peças frequentemente carregam uma grande semelhança com um quarteto de cordas ou uma banda completa do que um solo padrão de baixo.

 Cada faixa traz o nome da cidade na qual foi originalmente gravada, mas a geografia tem pouca correlação com os ânimos. Em “Amsterdam”, Weber e  DiPasqua flutuam , ao longo do trabalho, hesitantemente de forma inicial; Weber progressivamente mudando de direção  alternadamente de maneira vigorosa e reservada e  enfim inicia de forma largamente animada para dar a Garbarek  a liberdade do reino. “Santiago” é mais uma trilha de filme de arte europeu que um fulgor chileno e “Bochum” é um material seriamente funkeado. A flauta de Garbarek em “Bath” adeja do misterioso ao fantasmagórico e evoca de Weber um bordão tão brilhante quanto invisível.

Como sempre, indiferente à direção ou ao ambiente, a entonação de Weber é simultaneamente audaciosa e cristalina. Mesmo quando ele está lamuriando a exposição de sua maestria é exercitada profundamente, mas nunca permitindo  que sua destreza passe a ser  a narrativa. Esperançosamente, “Résumé “ é um espaço ocupado não um balanço final. É formidável de qualquer maneira.

Faixas: Liezen; Karlsruhe; Heidenheim; Santiago; Wolfsburg; Amsterdam; Marburg; Tübingen; Bochum; Bath; Lazise; Grenoble

 Músicos: Eberhard Weber: baixo, teclados; Jan Garbarek: sax soprano (8), sax tenor (6, 10), selje flute (10); Michael DiPasqua: bateria e percussão (9, 11).


Fonte: Jeff Tamarkin (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 20/03

Deanna Witkowski (1972) – pianista,
Harold Mabern (1936) – pianista (na foto e video),

Jon Hammond (1953) – organista,acordeonista, pianista,
Marian McPartland (1918) – pianista,
Mário Sève(1959) - saxofonista

quarta-feira, 19 de março de 2014

BILL FRISELL – BIG SUR (OKeh)

Ao longo de sua carreira, Bill Frisell tem agarrado momentos, locais e temas como um dos mais personalizados e profundo contadores de estória dentre os guitarristas. Em 1992, com “ Have A Little Faith”, ele apresentou uma arrebatadora obra-prima de música norte-americana indo de Aaron Copland a Bob Dylan e John Hiatt. Em 1997, Frisell ofereceu “Nashville”, talvez a melhor gravação sobre música country que não estava em um disco de música country. Em 2011, ele apresentou uma carta de amor à música de John Lennon em “All We Are Saying”. E agora em “Big Sur”, sua primeira gravação para o novamente  recriado  selo  OKeh , Frisell captura a majestade e poder do terreno escarpado do litoral do Norte da Califórnia. As 19 faixas de “Big Sur” foram encomendadas para o Monterey Jazz Festival  em 2012. Junto com a encomenda veio a moradia no Glen Deven Ranch, uma propriedade de 860 acres que foi deixada como herança para o Big Sur Land Trust. Frisell usou o tempo para verdadeiramente mergulhar no sentimento do Big Sur e nos ritmos de suas paisagens, onde o Oceano Pacífico encontra as Montanhas de Santa Lúcia. Frisell está ao lado da violinista Jenny Scheinman, do violista Eyvind Kang, do cellista Hank Roberts e do baterista Rudy Royston, dando a “Big Sur” um grande senso norte-americano com nuances clássicas. A faixa de abertura do álbum, “The Music Of Glen Deven Ranch” tem uma sensibilidade trotante, criando um zeloso batimento cardíaco para a música vir. “The Big One” oferece uma tomada de Frisell na surf guitar ,acompanhado pela batida roqueira de Royston e em algum lugar Dick Dale está sorrindo. Em “Highway 1” você pode sentir levemente agourentas rotações de  Frisell e viradas ao longo desta famosa  passagem serpenteante . “Song For Lana Weeks” é uma adorável balada dedicada ao diretor da administração da comunidade do Big Sur Trust. Ao longo do trabalho, Frisell e companhia apresentam uma divertida capacidade de pintar retratos sonoros, que deixam os ouvintes quase ver o que estão ouvindo . “Hawks” move-se rapidamente e eleva o som. “Gather Good Things” transmite o prazer de um bom dia de trabalho. Em “Cry Alone” você quase examina o Oceano Pacífico com os bem colocados pratos de Royston chocando-se em ondas contra a costa. “A Beautiful View” é uma bela experiência de audição. E “We All Love Neil Young” é um minuto e 40 segundos de  Frisell e Scheinman “falando” apenas nos seus instrumentos  (A melodia aqui volta apenas para dar notícias de “Lana Weeks”).” Big Sur” é mais que apenas uma gravação musical. É uma novela sônica: uma estória contada por um instrumental dentro do mais alto calibre, apresentada por um maravilhoso  contador de estória.  Bill Frisell está no seu melhor.

Faixas: The Music of Glen Deven Ranch; Sing Together Like a Family; A Good Spot; Going to California; The Big One; Somewhere; Gather Good Things; Cry Alone; The Animals; Highway 1; A Beautiful View; Hawks; We All Love Neil Young; Big Sur; On the Lookout; Shacked Up; Walking Stick (for Jim Cox); Song for Lana Weeks; Far Away.


Fonte: FRANK ALKYER (DownBeat)

ANIVERSARIANTES - 19/03

Assis Valente (1911-1958) – compositor,
Bill Henderson (1930) - vocalista,
Buster Harding (1917-1965) – arranjador,pianista,
Curley Russell (1917-1986) - baixista,
David Schnitter (1948) – saxofonista,
David Buck Wheat (1922-1985) – baixista,
Eliane Elias (1960) – pianista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=BNfAofMmygI,

Fred Hughes (1961) – pianista,
Lem Winchester (1928-1961) - vibrafonista,
Lennie Tristano (1919-1978) - pianista,
Michele Rosewoman (1953) – pianista,
Mike Longo (1939) - pianista 

terça-feira, 18 de março de 2014

JOHN HOLLENBECK – SONGS I LIKE A LOT (Sunnyside)

É fácil ouvir sinais, nas canções que o baterista e compositor John Hollenbeck gosta bastante, do seu senso melódico e estrutura cinemática. Sua atmosfera e textura seguras, entretanto, é própria. Isto é mais claro, uma vez que ele está no comando da Frankfurt Radio Big Band  na apresentação das 16 peças  e , melhor ainda, com dois vocalistas, Theo Bleckmann e Kate McGarry para dar seu distinto e sublime toque a “Songs I Like a Lot”, uma eclética seleção que vai de Jimmy Webb a Ornette Coleman.

 Elas têm tratamento imaginativo. “Canvas” recria os efeitos originais da guitarra carregada de Imogen Heap , com Martin Scales na guitarra e efeitos replicados pelo trompete e vocalise de  Bleckmann . É um estonteante artifício, um que Hollenbeck utiliza igualmente em diversos locais. Há uma especial beleza no uso das palhetas, com o clarinetista Oliver Leicht e o clarinetista baixo Rainer Heute entrelaçando-se em  “Wichita Lineman”  de Webb e em “Chapel Files” de Hollenbeck. O tecladista Gary Versace é um poderosos recurso também, seu piano impregna “All My Life”  de Coleman com delicadeza em seu órgão Hammond e alimenta com misterioso uso de eletrônica “Falls Lake” de Nobukazu Takemura.

As vozes, entretanto, são os mais potentes armamentos de Hollenbeck. Bleckmann eMcGarry têm uma sonoridade  assombrosa. McGarry, está mais poderosa nas passagens intimistas, como em sua declaração folk  no distinto arrebatamento em “The Moon’s a Harsh Mistress” e na melancólica rendição em “All My Life”. O mais fino trabalho de Bleckmann é mais dramático, como “Man of Constant Sorrow” e seu grandioso vocalise em “Chapel Flies”. Porém quando eles harmonizam em “Canvas”, eles transcendem a si próprios. Hollenbeck tem estado envolvido com vocalistas ultimamente (Bleckmann e Kurt Elling foram convidados para o disco do Claudia Quintes em 2011, “What Is the Beautiful?” ), e “ Songs I Like a Lot” torna imperativa sua continuidade.

Faixas: Wichita Lineman; Canvas; The Moon's a Harsh Mistress; Man of Constant Sorrow; All My Life; Bicycle Race; FallsLake; Chapel Falls.

 Músicos: John Hollenbeck: arranjador, maestro, percussão, bicicleta; Theo Bleckmann: voz; Kate McGarry: voz; Gary Versace: piano. órgão; Heinz-Dieter Sauerborn: saxes alto e soprano, flauta; Oliver Leicht: sax alto , clarinete, flauta; Steffan Weber: saxes tenor e soprano, flauta; Julian Argüelles: saxes tenor e soprano , flauta; Rainer Heute: sax baixo, clarinete baixo; Frabk Wellert: trompete, flugelhorn; Thomas Vogel: trompete, flugelhorn; Martin Auer: trompete, flugelhorn; Axel Schlosser: trompete, flugelhorn; Günter Bollman: trombone; Peter Feil: trombone; Christian Jaksjø: trombone, tenor horn; Manfred Honetschläger: trombone baixo; Maretin Scales: guitarra; Thomas Heidepriem: baixo; Jean Paul Höchstädter: bateria.

Fonte: Michael J. West (JazzTimes)


ANIVERSARIANTES - 18/03

Al Hall (1915-1988) - saxofonista,
Andy Narell (1954) – percussionista,
Bill Averbach (1953) – trompetista,
Bill Frisell (1951) – guitarrista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=Svzv-YkUzdk,
Canhoto da Paraíba(1929-2008) – violonista,
Courtney Pine (1964) – saxofonista,
Diane Hubka (1957) - vocalista,
Jean Goldkette (1899-1962) - pianista,
Joe Locke (1959) – vibrafonista,
Jon Weber (1961) - pianista,
Jose Mangual Sr. (1924-1998) – percussionista,
Sofia Ribeiro (1978) - vocalista 

segunda-feira, 17 de março de 2014

TERJE RYPDAL – MELODIC WARRIOR (ECM Records)

O ambicioso álbum de Terje Rypdal contém 45 minutos de “Melodic Warrior” e 27 minutos de “And the Sky Was Coloured With Waterfalls and Angels”. A primeira, gravada em  2003, é uma colaboração com o Hilliard Ensemble e a Bruckner Orchester Linz of Austria. A segunda foi gravada ao vivo em  2009 no Jazztopad Festival em Wrocław, Polônia, com a Wrocław Philharmonic Orchestra.

Rypdal utiliza a Hilliard Ensemble mais criativamente que Jan Garbarek, cujas gravações na década de 90 obtiveram grande sucesso de críticas e comercial. Ele combina as quatro sonoras vozes na mistura, ou deixa-as soar livre. Sobre os nove movimentos de “Melodic Warrior” a combinação é completa. Lentamente envolvendo densidades que requer atenção cerrada dos ouvintes de modo a perceber e seguir os detalhes interiores.

A peça foi inspirada na poesia nativa norte-americana. O Hilliard Ensemble canta textos originários dos Chippewa e Navajo. A paisagem sonora é vasta como as planícies americanas. Diversas sonoridades juntam-se para assomar como montanhas. O mais excitante é o som da guitarra de Rypdal, mas ele escolhe seus momentos. Em “Magician Song” fora da vastidão do murmúrio da orquestra, sua guitarra emerge para chorar a melodia. É imediatamente subjugado pelas cordas e instrumentos de sopro, e dá uma parada outra vez  só como um rápido raio de luz no próximo e final movimento, “The Morning Star”.
A peça da Filarmônica de Wrocław, belamente gravada, foi inspirada pelo Festival Internacional de Fogos de Artíficios de Cannes, mas raramente é explosivo. É meditativo e melancólico, subjugando como a noite. Há quatro movimentos (“Waterfalls 1-4”). Nos primeiros dois, dentro do negrume, temas aparecem ocasionalmente como vislumbres e  brilhos. Então, em “Waterfalls 3” um murmúrio de cordas contem uma chamada, e a chamada cresce sonoramente sobre o martelar de tímpanos. “Waterfalls 4” é água fervente e divertida quando a guitarra de Rypdal surge, selvagemente aguda, voando sobre as cataratas.

“Melodic Warrior” é uma das mais poderosas e assombrosas musicas que Rypdal já fez.

Faixas: Warrior - Awakening; Melodic Warrior - Easy Now ; Melodic Warrior - Song of Thunders; Melodic Warrior - The Secret File; Melodic Warrior - My Music Reaches to the Sky; Melodic Warrior - But Then Again; Melodic Warrior - A Prayer; Melodic Warrior - Magician Song; Melodic Warrior - The Morning Star; And the Sky Was Coloured With Waterfalls and Angels - Waterfalls 1; And the Sky Was Coloured With Waterfalls and Angels - Waterfalls 2; And the Sky Was Coloured With Waterfalls and Angels - Waterfalls 3; And the Sky Was Coloured With Waterfalls and Angels - Waterfalls 4.

Músicos: Terje Rypdal: guitarra; David James: contratenor (1-9); Rogers Covey-Crump: tenor (1-9); Steven Harrold: tenor (1-9); Gordon Jones: barítono (1-9); Bruckner Orchester Linz, Dennis Russell Davies: maestro (1-9); Wroclaw Philharmonic Orchestra, Sebastian Perkowski: maestro (10-14).

Fonte: Thomas Conrad (JazzTimes)


ANIVERSARIANTES - 17/03

Antonio Maria ( 1921-1964) – compositor,
Elis Regina (1945-1982) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=biqZ3ImZlZI, Grover Mitchell (1930-2003) – trombonista,
Jessica Williams (1948) – pianista,
Lovie Lee (1917-1997) – pianista,
Nat King Cole (1917-1965) – pianista,vocalista,
Paul Horn (1930) – saxofonista,flautista

domingo, 16 de março de 2014

GARY SMULYAN & DOMINIC CHIANESE – BELLA NAPOLI

 Embora Gary Smulyan  seja, indiscutivelmente, o maior saxofonista barítono do mundo , isto não significa que queremos ouvi-lo tocar "Funiculi Funicula" , salvo alguém especialmente ávido para saber o que músicos de primeira classe do jazz fariam com tal música , especialmente se sua pátria não é modelada como uma bota, certo?

A resposta rápida deve ser não , até você compreender que “Bella Napoli” também apresenta seis vocalizações através do estimável Dominic Chianese, provavelmente melhor conhecido por interpretar o tortuoso “ Uncle Junior” na série de sucesso na TV, "The Sopranos". Embora Signore Chianese esteja em seus oitenta anos, seu tenor ainda é acurado e expressivo , especialmente com suporte carinhoso e desta superlativa e respeitável banda.

De fato, a singularidade deste CD no grande bom humor (o próprio disco parece uma mini pizza), e seu ardor abraça seu coração. Há um toque de tristeza aqui, não é nostalgia por simples dias, sons tradicionais e a partida de um amor, incluindo o mais pranteador James Gandolfini (conhecido como  Tony Soprano), um daqueles a quem “Bella Napoli” é dedicado.

Enquanto alguns dos mais extravagante jazz pode ser um pouco incongruente neste contexto é impossível ficar indiferente à pungente ternura da versão de "O Sole Mio" e o encerramento espontâneo à cappella ,"Santa Lucia Lontana", que narra a migração de Nápoles para a  América, como o pai de Chianese fez. Por maior que seja o  conhecimento do ouvinte, é fácil desfrutar um lançamento assim tão bem tocado, livre de invenções e assim tão rico em alma.

Faixas: Funiculi Funicula; Anema e Core; Fenestra Che Lucive; Marechiare; Peque; O Sole Mio; O Saracino; A Vucchella: Dicitencello Vuie!; Tre Veglia e Sonno; Santa Lucia Lontana.

Músicos: Dominic Chianese: vocal; Gary Smulyan: saxofone barítono; Gary Versace: piano, acordeón; Martin Wind: baixo; Matt Wilson: bateria; Joe Brent: bandolim, violino.

Gravadora: Capri Records Ltd.

Estilo: Straight-ahead/Mainstream

Para conhecer um pouco deste trabalho, assistam ao vídeo abaixo:



Fonte : DR. JUDITH SCHLESINGER (AllAboutJazz)

ANIVERSARIANTES - 16/03

Alex Buck(1980) – baterista(na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=usgrd__Q2cs,
Biagio Coppa (1965) – saxofone,
Brian Kelly (1960) – pianista,
John Lindberg (1959) – baixista,
Kei Akagi (1953) – pianista,
Rich Szabo (1956) – trompetista,
Ruby Braff (1927-2003) – trompetista,cornetista,
Tommy Flanagan (1930-2001) – pianista,
Woody Witt (1969) - saxofonista 

sábado, 15 de março de 2014

COURTNEY PINE – HOUSE OF LEGENDS (Destin-E)

Aproximadamente há três décadas desde que emergiu como um artista solo, Courtney Pine permanece principalmente um sensacional showman no saxofone, propenso a exibir seu virtuosismo, especialmente sua maestria na respiração circular, mesmo quando não é necessária em servir à música. O expansivo vocabulário musical de Pine tem  seu prejuízo no passado , especialmente quando ele desfigura sua música com porções de batidas eletrônicas.

Em “House of Legends” ele vem de forma correta, apresentando um estimulante trabalho com inéditas dedicadas a várias figuras históricas da Índia Ocidental e africanas, incluindo Samuel Sharpe, Claudia Jones e Leslie Hutchinson. Exceto por escasso uso do EWI e da guitarra elétrica, Pine mantém o trabalho em sua maior parte acústica, bem como ele complementa suas expressivas improvisações com uma intrigante instrumentação que, às vezes, se  expande para incluir steel drums, violinos e viola. Ebulientes ritmos caribenhos e melodias são o principal, ao longo do trabalho, com pontos altos como a matizada pelo calypso “Claudia Jones” e temperada pelo ska “Kingstonian Swing”.

Ainda, quando Pine ferve lentamente seu poder de fogo , suas improvisações demonstram mais movimento. Exemplos: a música de câmara encontra   a balada zouk  “Ça C’est Bon Ça” e a abertura “The Tale of Stephen Lawrence” , apresentando Pine em um  estimulante dueto com o pianista Mervyn Africa.

Faixas: The Tale of Stephen Lawrence; Kingstonian Swing; Liamuiga (Cook up); Samuel Sharpe; Ca C’est Bon Ca; Claudia Jones; Song of the Maroons; House of Hutch; From the Father to the Son: Ma-Di-Ba; Tico Tico.

 Músicos: Courtney Pine; sax soprano (1-11), EWI (4), flauta (7); Mervyn Africa: piano (1); Mark Crown: trompete (2); Trevor Edwards: trombone (2-3, 8); Rico Rodriquez: trombone (2); Mario Canonge: piano (2-6, 8-9); Cameron Pierre: guitarra: (2-4, 6, 8-9), violão (5, 7), banjo (7); Miles Danso: baixo (2-11); Rod Youngs: bateria (2-11); Annise Hadeed: steel pan (3-4, 6-7, 9); Ellen Blair: violino (5); Natalie Taylor: viola (5); Amanda Drummond: viola (5); Jenny Adejayan: cello (5); Michael Bammi Rose: flauta (7); Dominic Grant: violão (7); Eddie Tan Tan Thornton: trompete (9); Claude Deppa: flugelhorn (10); Lucky Ranku: guitarra (10).


Fonte: John Murph (JazzTimes)

ANIVERSARIANTES - 15/03

Adnan Ajdini (1969) – pianista,
Anne Mette Iversen (1972) – baixista,

Bob Wilber (1928) – saxofonista,clarinetista,
Charles Lloyd (1938) – saxofonista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=7XLWO1fA_TQ,
 Harry James (1916-1983) – trompetista,
Jimmy McPartland (1907-1991) – cornetista,
Joachim Kuhn (1944) – pianista,
Ralph MacDonald (1944) – percussionista,
Ry Cooder (1947) – guitarrista 

sexta-feira, 14 de março de 2014

EDWARD SIMON – VENEZUELAN SUITE (Sunnyside)

O novo CD do pianista Edward Simon não é exatamente um lugar-comum — não há bastante exploração jazzística da música da Venezuela por aqui— entretanto ele provoca enfado. “Venezuelan Suite”, que adapta quatro músicas tradicionais do país de Simon, utiliza seus ritmos agradavelmente. Porém as harmonias e melodias de  Simon e companhia tramam em torno desses ritmos e tendem a ser prognosticáveis e, assim, sem inspiração.

 “Barinas”, por exemplo, dissemina obviedade a partir da introdução: uma série de alternados ascensões e descensos cromáticos da flauta de Marco Granados. Então progride para o velho padrão do acorde latino e  emparelha com o arco melódico. A métrica da canção transita entre 3/4 e 6/8; a seção rítmica (o cuatro de Jorge Glem, o baixista Roberto Koch, o baterista Adam Cruz, os percussionistas Leonardo Granados e Luis Quintero) maneja-a com precisão, mas a percepção da audição é uma variação não substancial com uma pegada um tanto convencional (“Merida” não tem a mesma métrica mesclada; é apenas uma valsa sonolenta cujos melhores momentos é um simples interlúdio originado do saxofone tenor de Mark Turner). Melhor é  “Caracas” com uma pegada merengue em  5/8 que Granados e (especialmente) o clarinete baixo de John Ellis dança brilhantemente de forma superior . Mesmo assim, as frases tocadas por Simon não deveriam parecer tão acomodadas e convencionais. E o arranjo de encerramento para “El Diablo Suelto”  de Heraclio Fernández parece (exceto, outra vez , pela participação de Turner) ter toda a vida escoada.

Turner não é um ponto brilhante na gravação, entretanto. O harpista Edmar Castañeda soa distintamente em todo lugar que aparece, com improvisações consistentemente novas (seu trabalho em “Barinas” atordoa). O plangente e ansioso som do piano de Simon aparece em cada canção (especialmente “Maracaibo”), e a flauta tremeluzente de Granados transcende um pouco ao material. A banda, coletivamente, é competente e  empática. “Venezuelan Suite” é  trivialidade, mas na mais alta ordem.

Faixas: Barinas; Caracas; Merida; Maracaibo; El Diablo Suelto.

Músicos: Edward Simon: piano; Adam Cruz: bateria; Roberto Koch: baixo; Marco Granados: flauta; Mark Turner: saxofone  tenor; John Ellis: clarinete  baixo; Jorge Glem: cuatro; Luis Quintero: percussão; Leonardo Granados: maracas; Edmar Castaneda: harpa.

Fonte: Michael J. West (JazzTimes)



ANIVERSARIANTES -14/03

Bart Miltenberger (1975) - trompetista,
Benedito Lacerda (1903-1958)-flautista,
Damon Zick (1975) - saxofonista,
Joe Ascione (1961) – baterista,
Joe Mooney (1911-1975) – vocalista, acordeonista,organista,
Les Brown (1912-2001) – líder de orquestra,
Lex Samu (1975) – flughelhornista,
Marek Skwarczynski (1973) – trompetista,
Mark Murphy (1932) – vocalista,
Quincy Jones (1933) – trompetista, arranjador,
Robert Pete Williams (1914-1980) – guitarrista,vocalista,
Shirley Scott (1934-2002) – pianista,
Vanessa Rubin (1957) – vocalista (na foto e vídeo) http://www.youtube.com/watch?v=r15j_l36GLM

quinta-feira, 13 de março de 2014

LALO SCHFRIN – MY LIFE IN MUSIC (Aleph Records)

A extraordinária carreira do pianista argentino, compositor e maestro Lalo Schifrin, 80 anos, traz à mente a estória do cego e do elefante. Para muitos fãs do jazz, Schifrin é o pianista do quinteto de Dizzy Gillespie de 1960 a 1962. Descoberto em Buenos Aires, ele migrou para Nova York em 1958, e enquanto permaneceu com Gillespie por um relativamente tempo curto ele contribuiu com duas grandes peças para o seu repertório  : Gillespiana, um memorável retrato do trompetista em uma suíte com cinco movimentos, e The New Continent, uma suíte em três movimentos gravada em 1962. Para outros, Schifrin é um compositor para televisão e cinema, melhor conhecido pelo tema de Missão Impossível.  

Porém, esta coletânea de 4 CDs lembra-nos , que ele também escreveu trilhas sonoras para icônicos filmes tais como Dirty Harry, Cool Hand Luke, Bullitt e Coogan’s Bluff. Então, outra vez, aficcionados de música clássica devem clamar pelo seu embasamento em trabalhos como Letters From Argentina ou Metamorphosis, peças misturando elementos de jazz, popular e clássico ou seus álbuns de Jazz Meets the Symphony .

Mantendo aquele espantoso alcance e diversidade em mente, a coletânea “My Life in Music “ oferece uma amostra espertamente selecionada do trabalho de Schifrin. Há muito mais a notar aqui: Ray Charles cantando na propulsiva “The Cincinnati Kid”, a envolta em ação “Tar Sequence”, faixa de Cool Hand Luke, a extravagantemente suave música para Brubaker  de Robert Redford e , claro, o tema de Missão Impossível. Porém há também a potente e explosiva “Panamericana” da sua suíte Gillespiana, e sua prontamente dançante  “Montuno”, da sua Latin Jazz Suite, e a expressiva “Tango del Atardecer” de Letters From Argentina (também da trilha do filme de Carlos Saura, Tango).

As seleções alcançam o período de meado dos anos 60 e estende-se até os anos 2000 e, na maior parte, especialmente os exemplos de trilhas sonoras, são curtas. As maiores peças vêm de seu trabalho mais pessoal tais como “Toccata” de Gillespiana ou “Resonances” de seu ambicioso e amplo trabalho Esperanto. Tudo isto para dizer que mesmo após quatro CDs e  73 faixas,” My Life in Music” é apenas  uma amostra do trabalho de Schifrin.

Atravessar estes diferentes mundos musicais requer mais que uma mente aberta, algum vivo trabalho de pintura e uma sacola cheia de  informações. Como “My Life in Music” demonstra, Schifrin manobra para reconciliar as demandas de frequentes e regulares artifícios para compor para televisão e cinema e seus impulsos puros para criar um substantivo e frequentemente inovador corpo de trabalho.

Fonte: Fernando González (JazzTimes)